Astigmatismo: o que é, sintomas e tratamento

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 4 minutos.

O que é astigmatismo?

O astigmatismo ocorre quando a córnea, parte anterior transparente dos olhos, apresenta uma alteração da sua curvatura, fazendo com que a luz que chega ao olhos não consiga ser focalizada adequadamente na retina, o que impede o nosso cérebro de criar imagens nítidas.

O astigmatismo é um problema de visão que se enquadra no que chamamos de erros refrativos ou erros de refração, ou seja, é uma alteração da anatomia dos olhos que afeta a forma como a luz chega à retina. Outras formas comuns de erros de refração são a miopia, o hipermetropia e a presbiopia.

Como surge

Em situações normais, a córnea e o cristalino apresentam uma curvatura bem arredondada, que faz com que os raios de luz sejam refratados de forma a se unirem em um único ponto na retina, o que permite ao cérebro criar imagens nítidas.

No paciente astigmático, a córnea ou o cristalino apresentam curvatura irregular, o que faz com que a luz não seja refratada de forma uniforme, provocando a formação da imagem antes, depois ou em mais de um ponto da retina.

Essa incapacidade de formar a imagem em um ponto único impede que o cérebro consiga criar uma imagem perfeitamente em foco, tanto para objetos próximos como à distância.

Quado o astigmatismo é provocado por alterações na curvatura da córnea, chamamos de astigmatismo corneano; quando o defeito é do cristalino, damos o nome de astigmatismo cristaliniano.

astigmatismo

A maioria das pessoas tem algum grau de astigmatismo, pois discretas alterações na curvatura do cristalino ou da córnea são comuns. Graus leves de astigmatismo, porém, não afetam a visão de forma relevante e não requerem tratamento.

O astigmatismo frequentemente ocorre associado a outros erros de refração, como miopia ou hipermetropia, sendo chamado nesses casos de astigmatismo composto.

Fatores de risco

O astigmatismo é uma condição muito comum. Na maioria dos casos, as pessoas já nascem com as alterações na curvatura da córnea que provocam o astigmatismo, e a probabilidade disso ocorrer tem a ver com a história familiar.

Até 30% das crianças e dos adultos acima de 30 anos são astigmáticos. Se levarmos em conta também os casos mais leves, com dioptrias (graus) menores que 0,5, essa prevalência salta para 60%.

Além da história familiar, outros fatores de risco para o desenvolvimento do astigmatismo são:

  • Parto prematuro.
  • Baixo peso ao nascimento.
  • Cirurgia ocular, como correção de catarata.
  • Traumatismo ocular.
  • Ceratocone (doença não-inflamatória do olho que provoca alterações estruturais na córnea).
  • Idade avançada.
  • Erros de refração preexistentes do olho, tais como miopia ou hipermetropia.
  • Alergias oculares que fazem com que o paciente coce os olhos frequentemente.

Ao contrário do que diz a sabedoria popular, não é verdade que o astigmatismo possa se desenvolver ou ser agravado se o paciente tiver o hábito de ler com pouca luz ou sentar muito perto da televisão.

Sintomas

O principal sintoma do astigmatismo é a visão desfocada, seja para perto ou para longe. O paciente astigmático também pode apresentar fadiga ocular (vista cansada) ou cefaleias (dor de cabeça).

Outros sinais e sintomas que chamam a atenção são:

  • Necessidade frequente de apertar os olhos para conseguir enxergar de longe ou ler de perto.
  • Fotofobia (sensibilidade à luz).
  • Visão dupla.
  • Dor na musculatura ao redor dos olhos.
  • Piora da acuidade visual à noite.
  • Queda do rendimento escolar.

Dependendo da forma como a angulação da córnea ou o cristalino está alterada, a visão turva pode ocorrer em mais de uma direção: horizontalmente, verticalmente ou diagonalmente.

Teste caseiro para astigmatismo

Se você tem alguns dos sintomas descritos no tópico anterior e suspeita que possa ser astigmático, existem alguns testes rápidos de rastreio que podem ser feitos em casa, caso você tenha curiosidade. Abaixo fornecemos um exemplo.

Tenha atenção ao fato de nenhum desses testes ter a confiabilidade dos exames oftalmológicos e nunca devem substituir a consulta com o médico oftalmologista, seja o resultado positivo ou negativo.

Instruções para fazer o teste: retire os óculos ou as lentes de contato. Posicione-se a cerca de dois metros de distância do monitor do computador e tape um dos olhos (repita depois o teste com o outro olho).

Se você tiver astigmatismo, algumas grupos de linhas ficarão mais pretas e com mais foco que outros. Caso todas as linhas tenham o mesmo grau de nitidez, é provável que você não tenha astigmatismo (ou o tenha em grau muito leve).

Teste de astigmatismo

Diagnóstico

O diagnóstico correto deve ser feito em consulta com um médico oftalmologista. Uma avaliação completa da saúde ocular envolve uma série de testes, que incluem:

  • Exame de acuidade visual: quando você lê letras em um gráfico de distância.
  • Topografia corneana ou ceratoscopia computadorizada: utilizado para medir a forma e a curvatura da córnea.
  • Exame de refração: realizado com um instrumento chamado foróptero, no qual o oftalmologista coloca uma série de lentes na frente de seus olhos e mede como eles focam a luz.

Tratamento

Exitem várias opções de tratamento que oferecem ao paciente uma visão clara e confortável. As mais comuns são:

Óculos

O uso de óculos é a solução mais simples e consiste em lentes cilíndricas (na miopia e hipermetropia as lentes são esféricas), que corrigem a direção da luz de forma que ela forme a imagem exatamente sobre a retina. Os óculos também são úteis nos casos de astigmatismo composto, seja com miopia ou hipermetropia.

Nos casos dos pacientes com mais de 40 anos que também têm presbiopia (visão cansada) pode ser necessária uma lente bifocal ou progressiva.

Lentes de contato

Assim como os óculos, as lentes de contato podem corrigir a maioria dos casos de astigmatismo. As lentes estão disponíveis em uma variedade de tipos e estilos. As gelatinosas podem ser usadas nos graus mais baixos e as rígidas em qualquer grau.

Algumas pessoas têm resultados melhores com as lentes do que com o óculos, apresentando uma visão mais clara e um campo visual mais amplo. Todavia, uma vez que as lentes de contato são usadas diretamente nos olhos, elas requerem limpeza e cuidados regulares para proteger a saúde dos olhos.

Falamos mais sobre os diversos tipos de lente de contato no seguinte artigo: LENTES DE CONTATO – Tipos e Cuidados.

Ortoceratologia

As lentes de contato também podem ser usadas em um tratamento chamado ortoceratologia. Neste procedimento, o paciente usa lentes de contato rígidas por várias horas do dia (ou durante o sono) de forma a moldar corretamente a curvatura da córnea.

Conforme a curvatura do olho é corrigida, o paciente pode reduzir a frequência de uso dessas lentes, passando várias horas enxergando normalmente sem nenhum auxílio.

A ortoqueratologia, porém, não melhora de forma permanente a visão. Se o paciente parar de usar as lentes retentoras definitivamente, a deformidade na curvatura da córnea pode retornar e o indivíduo volta a ter os sintomas do astigmatismo.

Cirurgia refrativa

O astigmatismo pode ser corrigido através da cirurgia refrativa. Neste tratamento, o oftalmologista usa um feixe de laser para remodelar a curvatura da córnea, corrigindo, assim, o erro de refração.

A cirurgia refrativa está indicada para pacientes com mais de 18 anos e com uma graduação estabilizada há, pelo menos, 12 meses. Trata-se de uma cirurgia simples, indolor, feita sob anestesia local e com uma duração média de apenas 20 minutos. Em cerca de 24 horas, o paciente já consegue ter uma visão normal.

Entre as opções de cirurgia refrativa para o astigmatismo as mais comuns são:

  • LASIK (acrônimo para Laser-Assisted in Situ Keratomileusis).
  • LASEK (acrônimo paraLaser-Assisted Sub-Epithelial Keratectomy).
  • Ceratectomia fotorrefrativa (PRK).
  • Epi-LASIK.
  • SMILE (acrônimo para Small Incision Lenticule Extraction).

Todas essas cirurgias são seguras e efetivas. A melhor opção para o seu caso deve ser discutida com o oftalmologista.

Algumas das possíveis, complicações que podem ocorrer após a cirurgia refrativa incluem:

  • Correção incompleta do astigmatismo.
  • Olho seco.
  • Infecção ocular.
  • Cicatriz corneana
  • Efeitos adversos visuais, tais como um halo ou pontos cintilantes que aparecem em torno das luzes.

É importante salientar que essas complicações são raras. Os resultados cirúrgicos são ótimos na imensa maioria dos casos, principalmente quando o procedimento é realizado por oftalmologista com experiência na técnica.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

O Dr. Renato Oliveira é medico oftalmologista graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com especialização em Córnea e Doenças Externas Oculares pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Faz parte do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa

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