Plicoma anal (pele no ânus): o que é, riscos e tratamento


Foto do autor
Revisado e atualizado em fevereiro 7, 2026
comments Created with Sketch Beta. 14 dúvidas respondidas

O que é um plicoma?

O plicoma anal, também chamado de acrocórdon anal, pode ser descrito como uma protusão, saliência, prega, excesso ou dobra de pele que surge na região perianal, ou seja, ao redor do ânus.

Essa forma de lesão anal é bastante comum, mas não causa preocupação, pois é benigna e habitualmente assintomática, especialmente nos casos em que a saliência da pele é pequena.

O plicoma não é um câncer nem tem risco de virar câncer. Ele também não é um tipo de hemorroida, porém, pode surgir após a cura de uma hemorroida externa.

Causas

Acrocórdons podem surgir naturalmente em várias partes do corpo à medida que o paciente envelhece. Essas lesões são encontradas principalmente em áreas onde há dobras de pele, como na virilha e nas axilas.

Ainda não sabemos exatamente o motivo pelo qual os acrocórdons surgem, mas eles têm sido ligados a várias condições, como diabetes (ou resistência à insulina), obesidade e irritação da pele por fricção.

No caso específico do plicoma anal, os fatores de risco mais descritos são:

  • Genética: indivíduos com familiares que têm plicoma anal apresentam maior risco de também desenvolvê-los.
  • Atrito ou irritação da região anal e perianal: os plicomas podem se desenvolver devido a qualquer irritação na área perianal provocada por exercícios, longos períodos sentado ou roupas apertadas.
  • Diarreia prolongada: o contato frequente com fezes líquidas pode irritar a pele ao redor do ânus. Demasiada acidez (comum nas fezes diarreicas) e excesso de limpeza com papel higiênico áspero também podem levar à formação de plicomas.
  • Constipação: a mucosa do ânus e a pele ao redor têm que se esticar muito para que fezes grandes ou duras possam passar. Quando a pele falha em retornar à sua forma original após o estiramento ou alongamento, pode levar à formação de plicomas.
  • Cicatrizes: o plicoma anal pode aparecer após a cicatrização de lesões anais, como hemorroidas, feridas ou fissuras.
  • Hemorroidas: quando as hemorroidas encolhem e cicatrizam, alguma pele esticada pode ficar para trás, o que pode formar um plicoma.
  • Doença de Crohn: a doença de Crohn promove grande inflamação dos intestinos, que pode resultar em diarreia recorrente e constipação intestinal, entre outros sintomas. Pessoas que sofrem da doença de Crohn são mais propensas a desenvolver plicoma anal.

Portanto, no caso dos plicomas anais, as lesões geralmente surgem após um processo de inflamação do ânus, com inchaço da mucosa e da pele, que ao se curarem não voltam ao normal, mantendo uma protuberância de pele na região perianal.

Sintomas

Na maioria dos casos, o plicoma não provoca sintomas e é mais um problema estético do que uma doença.

O tamanho do plicoma pode variar desde alguns milímetros até 3 ou 4 centímetros de diâmetro. A sua cor tende a ser semelhante à da pele ou levemente avermelhada como a mucosa anal, mas pode ser um pouco mais escurecida em alguns casos.

Essas saliências de pele podem se apresentar como uma lesão única ou podem ser múltiplas ao redor do ânus.

Plicoma anal
Plicoma anal

Alguns pacientes podem sentir a presença da protuberância ao se limparem com papel higiênico ou podem se queixar de sensação de limpeza incompleta após a evacuação.

Quando o plicoma cresce muito ou quando são múltiplos, ele pode realmente atrapalhar a higiene anal após as evacuações. Nesse caso, o plicoma pode ficar sujo e causar assadura, o que se manifesta como ardência ou coceira na região anal.

O plicoma pode crescer com o tempo ou aumentar de número, principalmente se houver inflamação frequente provocada por hemorroidas, fissuras ou limpeza traumática do ânus após as evacuações.

Diferenças entre plicoma e hemorroida

Como já explicado, uma hemorroida externa pode virar um plicoma após a cura. Porém, hemorroida e plicoma são lesões diferentes.

A hemorroida é uma veia dilatada. Ela costuma ser mais arredondada que o plicoma, mas arroxeada e frequentemente provoca dor, coceira e/ou sangramento. Já o plicoma é feito de pele. Ele costuma ser indolor, menor, mais fino e enrugado, exatamente como uma pele saliente. Plicomas raramente sangram.

Diferenças entre plicoma e hemorroida
Hemorroida externa e plicoma

Se você quiser ver mais imagens de hemorroidas, acesse o seguinte artigo: Fotos de hemorroidas – externas e internas.

Tratamento

Em geral, os plicomas são apenas um problema estético, não necessitando de tratamento nenhum.

Se a lesão estiver causando sintomas, se estiver impedindo uma higiene adequada ou se o paciente estiver se sentindo muito desconfortável com a presença do plicoma, uma pequena cirurgia feita com o médico proctologista pode resolver o problema.

A remoção cirúrgica do plicoma é rápida, dura uns 30 minutos, pode ser feita com anestesia local e fora de ambiente hospitalar na maioria dos casos.

A decisão pela cirurgia deve ser bem pensada, pois o pós-operatório pode não ser muito agradável.

Geralmente, há uma pequena quantidade de sangramento, além de alguma dor após o procedimento. O sangramento no pós-operatório é pequeno e dura cerca de 2 a 3 dias. O paciente também pode ter dificuldade e dor para evacuar, principalmente na primeira vez após a cirurgia. Medicação para dor e laxantes costumam ser necessários.

O paciente habitualmente consegue retomar as atividades normais dentro de 7 dias após o procedimento.

A única forma de tratamento eficaz é a cirurgia. Não existem remédios ou pomadas para tratar plicoma.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Melissa

    Fiz a retirada de plicoma me deu hemorragia e estou com a área bem inflamada quando cicatrizar posso ter novamente novos plicomas?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim, é possível surgir novo plicoma anal depois da cicatrização, mas isso não significa necessariamente que ele “voltou” por erro da cirurgia. O plicoma é uma sobra de pele que pode aparecer após processos de inflamação, edema, fissura anal, hemorroida externa trombosada, cicatrização local ou irritação repetida da região anal.

    Depois da retirada de plicoma, é relativamente comum a área ficar inchada, endurecida ou com aparência de nova “pelinha” durante algumas semanas. Muitas vezes isso é apenas edema pós-operatório e tende a diminuir conforme a cicatrização avança. Em orientações pós-hemorroidectomia, inclusive, é descrito que inchaços ou “caroços” ao redor do ânus podem aparecer como reação às incisões e reduzir com o tempo.

    O risco de formar novos plicomas é maior se persistirem fatores que inflamam ou traumatizam a região, como prisão de ventre, esforço para evacuar, fezes muito duras, diarreia frequente, hemorroidas, fissura anal, higiene muito agressiva ou atrito local. Plicomas também podem ser resíduo de doença hemorroidária prévia ou fissura anal.

    Como você teve hemorragia e agora refere a área “bem inflamada”, o mais prudente é ser reavaliada pelo cirurgião/proctologista, principalmente se houver dor intensa, aumento progressivo do inchaço, secreção com mau cheiro, febre, sangramento persistente ou dificuldade para evacuar. Até lá, costuma ajudar manter as fezes macias, evitar esforço evacuatório, fazer higiene suave e seguir exatamente as orientações pós-operatórias recebidas.

  2. Justo Victor

    Eu tenho problemas como este, o que devo fazer?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Procure um proctologista para confirmar o diagnóstico (às vezes o que parece plicoma é outra lesão) e discutir opções. A retirada cirúrgica é simples, mas só vale quando há indicação, porque pode doer no pós-operatório e não evita que novas lesões surjam se o intestino continuar preso.

  3. Carlos

    O plicoma pode ser cauterizado?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    O plicoma anal pode ser removido, mas em geral não é feito por cauterização simples como se faz com verrugas. O plicoma é uma “pelezinha” extra, benigna, que costuma aparecer após fissuras, hemorroidas ou inflamações anais.

    Quando ele incomoda (dor, dificuldade de higiene, vergonha estética), o tratamento mais adequado costuma ser a exérese cirúrgica: o coloproctologista infiltra anestesia local e corta o plicoma com bisturi ou tesoura; depois pode usar eletrocautério apenas para hemostasia. É um procedimento rápido, mas feito em ambiente adequado, com cuidados de higiene e controle de dor no pós-operatório.

  4. Sandra Maria Barnabé da Silva

    Tenho plicoma e durante o ano de 2022 tive várias crise: ardência e dor local com fezes amassadas. Fiz um colonoscopia a dois anos e foi retirados 2 pólipos bem pequenos e benignos. Trabalho às vezes muitas horas sentada ou em pé . Quando trabalho muito tempo sentada começa às crises pq o assento é estufado .. tbm meu médico psiquiatra falou que sofro de ansiedade e por isso tenho prisão de ventre seguida de diarréia. As vezes passo 3,, 4 meses evacuando normal com fezes cilíndrica . Mas quando fico muito ansiosa coincidentemente fico irregular e com fezes dura e depois diarréia e fezes achatadas

  5. Vick

    Doutor mas se ele for bem pequeno não causa dor nem nada é normal aparecer após uma assadura anal?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Um episódio isolado de assadura não costuma ser suficiente para surgir um plicoma. Porém, se você tiver episódios repetidos de assaduras, durante meses ou anos, aí sim, pode acontecer.

  6. Solange

    Quando a queimação do plicona é direto. O que fazer?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se ele estiver inflamado, você pode tentar usar uma pomada para assaduras, tipo Hipoglós, durante alguns dias para ver se ajuda nos sintomas. Se não melhorar, o ideal é consultar um proctologista.

Envie sua dúvida sobre este artigo

Escreva uma pergunta clara, objetiva e relacionada ao tema do texto. Dúvidas que também possam ajudar outros leitores têm prioridade. Perguntas sobre casos pessoais, pedidos de diagnóstico ou orientação médica individualizada podem não ser publicadas.