Transtorno de Ansiedade Generalizada – Sintomas e Tratamento

Quando a ansiedade e as preocupações são tão intensas que interferem na sua qualidade de vida e nos seus relacionamentos pessoais e profissionais.

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A ansiedade é um sentimento natural, que costuma surgir quando vivenciamos situações que provocam estresse, medo ou apreensão.

Ficar ansioso em resposta a um evento específico é tão normal quanto sentir medo, tristeza, felicidade ou irritação. Na verdade, a ansiedade pode até ser benéfica em algumas situações, pois ela nos deixa mais alerta e preparado para enfrentar situações de perigo.

Já a ansiedade como distúrbio psiquiátrico é algo completamente diferente. Dizemos que o paciente tem um transtorno de ansiedade quando o seu quadro de preocupação é prolongado, intenso e incontrolável, a ponto de atrapalhar as suas atividades pessoais e profissionais. Frequentemente, essas crises de ansiedade surgem sem uma causa aparente ou justificável.

Neste artigo, nós vamos explicar o que é o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), uma das doenças que fazem parte do grupo de distúrbios psiquiátricos classificados como transtornos de ansiedade.

Se você quiser saber sobre a síndrome do pânico, leia: SÍNDROME DO PÂNICO – Causas, Sintomas e Tratamento.

Antes de seguirmos em frente, veja essa curta animação sobre o Transtorno de ansiedade generalizada, que resume alguns dos pontos abordados neste artigo

O que são os transtornos de ansiedade

De acordo com o Manual de Classificação de Doenças Mentais (DSM-5), os transtornos de ansiedade são um grupo de distúrbios psiquiátricos que compartilham características de medo e ansiedade excessiva. São doenças distintas, mas que apresentam sinais e sintomas semelhantes.

Os principais distúrbios mentais que integram o grupo dos transtornos de ansiedade são:

  • Transtorno de ansiedade generalizada.
  • Síndrome do pânico .
  • Fobia social.
  • Agorafobia.
  • Transtorno de ansiedade de separação.
  • Fobias específicas.

Obs: até a versão anterior do Manual de Classificação de Doenças Mentais (DSM-4), o transtorno obsessivo-compulsivo e o estresse pós-traumático também eram considerados transtornos de ansiedade.

O paciente com transtorno de ansiedade costuma ter mais de uma das doenças do grupo. Por exemplo, nos pacientes com transtorno de ansiedade generalizada, que é o foco deste artigo, as seguintes doenças também costumam estar presentes:

  • Fobia social (em 20 a 35% dos casos).
  • Fobia específica (em 25 a 35% dos casos).
  • Síndrome do pânico (em 20 a 25% dos casos).

O que é o transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

O transtorno de ansiedade generalizada é, junto com a síndrome do pânico, a principal doença do grupo dos transtornos de ansiedade, acometendo cerca de 3 a 5% da população.

O transtorno de ansiedade generalizada caracteriza-se por uma persistente e excessiva ansiedade ou preocupação, que interfere nas atividades diárias do paciente e pode vir acompanhada de sintomas físicos, tais como: cansaço, inquietação, dificuldade de concentração, tensão muscular e insônia (falaremos dos sintomas mais à frente)

Habitualmente, a ansiedade excessiva está ligada a situações cotidianas, como o trabalho, saúde familiar, questões financeiras ou até mesmo problemas pequenos, como conserto do carro ou encontros com outras pessoas.

Em geral, o grau de preocupação é desproporcional ao motivo, a ponto da imensa maioria dos paciente com TAG responder sim à seguinte pergunta: “Você se preocupa excessivamente com questões menores?”.

Os pacientes com TAG sentem-se ansiosos na maioria dos dias e frequentemente precisam se esforçar para conseguirem lembrar da última vez que se sentiram relaxados, pois as crises de ansiedade se sobrepõem. Quando um motivo para estar ansioso é resolvido, logo em seguida surge outro.

O transtorno de ansiedade generalizada é duas vezes mais comum nas mulheres que nos homens e costuma surgir ao redor dos 30 anos de idade, apesar de poder estar presente tanto em crianças quanto em idosos.

Além da associação com outros distúrbios de ansiedade, o transtorno de ansiedade generalizada também está frequentemente associado a um quadro de depressão (leia: DEPRESSÃO – Causas, Sintomas e Tratamento).

Causas do transtorno de ansiedade generalizada

Tal como ocorre com muitas doenças psiquiátricas, as causas exatas do transtorno de ansiedade generalizada não são totalmente compreendidas. Sabemos que há um relevante componente genético, pois a história familiar é um dado importante.

Fatores ambientais também são significativos. Traumas na infância, abusos, abandono de um dos pais, bullying, morte de um ente querido, interrupção do uso de uma substância química viciante, divórcio ou desemprego são alguns dos eventos que podem ajudar desencadear um quadro de TAG. Pessoas com doenças físicas crônicas, principalmente aquelas que causam dor persistente, também apresentam maior risco.

Alguns tipos de personalidade também estão mais associados a um risco maior de desenvolver TAG, incluindo pessoas muito tímidas ou que apresentam um temperamento negativo, com irritação, falta de paciência e tristeza frequentes.

Estudos do metabolismo e da atividade cerebral mostram que os pacientes com transtorno de ansiedade generalizada apresentam desequilíbrios na quantidade de alguns neurotransmissores cerebrais, como a serotonina e a noradrenalina. Há evidências também de que algumas áreas cerebrais envolvidas no controle das emoções e do comportamento encontram-se hiperativas.

Sintomas do transtorno de ansiedade generalizada

A preocupação excessiva e persistente é considerada a principal característica do transtorno de ansiedade generalizada, mas não é o único sintoma que o paciente apresenta.

Os sintomas comuns do TAG podem ser divididos em psicológicos e físicos.

Sintomas psicológicos do transtorno de ansiedade generalizada:

  • Incapacidade de relaxar a mente.
  • Inquietação.
  • Irritação fácil.
  • Medo frequente.
  • Sensação de estar no seu limite.
  • Dificuldade de concentração.
  • Sensação que a mente frequentemente “dá um branco”.
  • Medo de tomar decisões por receio de errar.
  • Ficar estressado quando está indeciso.
  • Ficar preocupado por estar preocupado demais.
  • Sempre imaginar desfechos negativos para qualquer situação.

É comum que o paciente fique excessivamente preocupado com questões que são pouco racionais, como ficar constantemente com medo de haver um terremoto, incêndio em casa ou que algum familiar vá desenvolver uma doença grave a qualquer momento.

Sintomas físicos do transtorno de ansiedade generalizada:

O transtorno de ansiedade generalizada é geralmente uma doença crônica, cuja gravidade flutua ao longo do tempo.

A doença costuma iniciar-se de forma gradual, podendo levar meses, ou até anos, para que o quadro clínico completo se estabeleça.

Os pacientes que apresentam outros distúrbios psiquiátricos associados, tais como síndrome do pânico, fobia social ou depressão, costumam apresentar um prognóstico pior, com mais dificuldade de retornar a uma vida produtiva.

Pacientes com TAG têm um maior risco de desenvolverem depressão, doenças cardíacas, problemas digestivos e abuso de substâncias químicas, como o álcool, por exemplo.

Tratamento do transtorno de ansiedade generalizada

O tratamento do TAG costuma ser feito com a combinação de medicamentos e psicoterapia, habitualmente com terapia cognitivo-comportamental.

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

A TCC ajuda o paciente a entender a forma como os problemas, pensamentos, sentimentos e comportamentos o afetam. A terapia também pode ajuda a questionar os pensamentos negativos e a ansiedade.

A terapia cognitivo-comportamental costuma envolver uma consulta semanal com terapeuta especializado, com duração média de 1 hora.

Terapia farmacológica

A segunda perna do tratamento do transtorno de ansiedade generalizada é feito com medicamentos, geralmente da classe dos antidepressivos.

O tratamento costuma ser feito por, no mínimo, um ano. Se o paciente, porém, tiver recaídas sempre que houver suspensão do fármaco, o tratamento com medicamentos pode permanecer por tempo indefinido.

Os fármacos de primeira linha são os antidepressivos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS), tais como: escitalopram, citalopram, sertralina, paroxetina ou fluoxetina (leia: ANTIDEPRESSIVOS (ISRS) – Escitalopram, Fluoxetina, Sertralina…).

Outro opção aceitável são os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina, como a venlafaxina e a duloxetina.

Também podem ser usados: buspirona e pregabalina.

Os benzodiazepínicos são um tipo de sedativos que podem ser utilizados como tratamento de curta duração durante um período de crise aguda de ansiedade intensa, pois eles ajudam a aliviar os sintomas de forma rápida, dentro de 30 a 90 minutos após a sua ingestão.

Clonazepam, Diazepam e Lorazepam são os fármacos mais utilizados dessa classe.

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