Artigo atualizado em 02/07/2014

FEBRE AMARELA | Vacina, transmissão e sintomas

A febre amarela é uma doença infecciosa de origem viral, transmitida através da picada de mosquito do gênero Haemagogus. É uma doença que atualmente só acomete países da África central e do norte da América do Sul, incluindo o Brasil, onde está, há décadas, restrita a áreas silvestres.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a febre amarela:

  • Diferenças entre febre amarela silvestre e febre amarela urbana.
  • Transmissão da febre amarela.
  • Vacina para febre amarela.
  • Sintomas da febre amarela.
  • Tratamento da febre amarela.

Febre amarela silvestre x febre amarela urbana

A febre amarela é dividade em dois tipos:

1. Febre amarela silvestre – quando a infecção corre nas regiões de floresta e serrado. Esta forma é transmitida pelos mosquitos do gênero Haemagogus.

2. Febre amarela urbana – quando a infecção ocorre na grandes cidades e áreas urbanizadas. Esta forma é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue (leia: DENGUE | Sintomas e tratamento).

As duas formas de febre amarela são idênticas, essa divisão tem apenas caráter epidemiológico para facilitar o controle da doença em áreas urbanizadas (explico mais à frente).

A febre amarela em áreas urbanas não ocorre desde 1942. Nas últimas décadas os casos de febre amarela identificadas nos grandes centros ocorreram em pessoas não vacinadas que viajaram para áreas de floresta e retornaram para áreas urbanas antes dos sintomas surgirem. Nestes casos, consideramos que o paciente adquiriu a forma silvestre, já que a contaminação ocorreu em áreas de floresta.

Transmissão da febre amarela

A febre amarela não é transmitida de humano para humano. Apenas mosquitos transmitem o vírus (leia: PICADA DE MOSQUITO | Tratamento e prevenção). Como atualmente não existem casos de febre amarela urbana, a única forma de transmissão é a silvestre. Isso significa que é preciso que um ser humano não vacinado vá para áreas florestais onde existam macacos doentes. A transmissão ocorre quando um mosquito do gênero Haemagogus pica um macaco contaminado, adquire o vírus e dias depois pica um humano não vacinado.

A febre amarela silvestre é uma doença que ocorre principalmente em macacos, sendo os humanos hospedeiros acidentais do vírus.

Febre amarela no Brasil

Febre amarela no Brasil

Para que a forma urbana volte a ocorrer, basta que uma pessoa contaminada pela forma silvestre retorne a uma cidade não endêmica, como o Rio de Janeiro, por exemplo, e seja picada pelo mosquito Aedes aegypti dentro dos primeiros 5 dias de infecção.

A forma urbana ainda não retornou graças a um eficaz controle do Ministério da Saúde, que fornece vacinação para toda toda população nas áreas endêmicas e monitora os casos de febre amarela em macacos, aumentando a cobertura vacinal na população toda vez que há surtos em primatas.

Vacina para febre amarela

A vacina para febre amarela é altamente eficaz, sendo o Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz, o maior produtor mundial da mesma. A vacinação para febre amarela faz parte do calendário vacinal em os estados das regiões Norte e Centro-Oeste; todos os municípios do Maranhão e Minas Gerais; municípios do sul do Piauí, oeste e sul da Bahia, norte do Espírito Santo, noroeste de São Paulo e oeste de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Indivíduos que residem em áreas indenes, ou seja, sem circulação da forma silvestre, também devem ser vacinados 10 dias antes de viajarem para áreas endêmicas. Não só as pessoas que farão ecoturismo devem ser vacinadas. Mesmo que a viagem seja apenas a negócio, permanecendo o individuo sempre em área urbana, a vacinação deve ser efetuada.  Pessoas que residem em áreas indenes e que não viajarão para áreas endêmicas não precisam ser vacinadas.

A vacina para febre amarela tem duração de 10 anos, sendo necessário o reforço após este período.

Entre as contraindicações à vacina da febre amarela estão:
- Crianças menores de 6 meses de idade
- Pessoas com alergia a ovo
- Pessoas imunossuprimidas
- Gestantes

Casos de febre amarela no Brasil

Como já referido, desde a década de 1940 não há casos de febre amarela nos grandes centros urbanos do Brasil. Dado o sucesso da cobertura vacinal nas populações de áreas endêmicas, os casos de formas silvestres também são pouco comuns, não havendo nas últimas duas décadas mais do que 80 casos por ano em todo o país. No ano de 2010 houve apenas um único caso registrado no Brasil.

Sintomas da febre amarela

O período de incubação (intervalo de tempo entre contaminação e o aparecimento dos primeiros sintomas) da febre amarela é de 3 a 7 dias. Como a doença pode demorar até uma semana para se manifestar, muitos pacientes que adquirem a forma silvestre só desenvolvem sintomas depois de já terem voltado da sua viagem para área endêmica.

A maioria das pessoas infectadas não desenvolve a doença, apresentando no máximo alguns sintomas inespecíficos de virose. Nos pacientes que desenvolvem sintomas da febre amarela, as manifestações iniciais são febre alta com suores e calafrios, mal estar, dor de cabeça, dor muscular e cansaço. Podem também surgir náuseas, vômitos ou diarreia. Após três ou quatro dias, a maioria dos doentes recupera-se completamente, ficando imunizado contra a doença para o resto da vida.

Em cerca de 15% dos casos, porém, a febre amarela evolui de forma grave. O paciente apresenta uma pequena melhora após dois ou três dias de doença, dando a impressão que irá se recuperar, mas a febre volta com toda força, desta vez acompanhada de fortes dores abdominais, náuseas e vômitos, manchas roxas na pele, sangramentos  na gengiva, nariz ou estômago, e pele amarelada, chamada de icterícia (leia: ICTERÍCIA | Neonatal e adulto). Órgãos nobres como fígado, pulmões e rins podem entrar em falência levando o paciente à morte. As formas graves têm letalidade acima de 50%, mesmo com tratamento médico adequado.

O diagnóstico é feito através de exames de sangue.

Tratamento da febre amarela

Não existe tratamento específico para febre amarela. Não há um medicamento que cure a doença, o que torna a vacinação ainda mais importante.

Nos casos grave o paciente é internado para controle das complicações e monitorização das hemorragias. Alguns pacientes que apresentam falência dos rins precisam de hemodiálise (leia: HEMODIÁLISE| Como funciona, cateter e fístulas). Nos casos de insuficiência respiratória a ventilação mecânica pode ser necessária.

A falsa epidemia de febre amarela em 2008

Durante o ano de 2008 o Ministério da Saúde detectou um aumento dos casos de febre amarela entre primatas nas florestas de algumas regiões endêmicas, o que poderia aumentar os casos de febre amarela silvestre. Adequadamente, o governo expediu ordem para aumentar a vigilância e reforçar a vacinação contra a doença em viajantes e moradores de áreas endêmicas que pudessem estar há mais de dez anos sem o reforço.

Entretanto, de forma completamente irracional, parte da imprensa das regiões não endêmicas, nomeadamente Rio e São Paulo, deturparam este fato e passaram a noticiar uma suposta epidemia de febre amarela com risco de transmissão urbana, levando pânico à população, que correu para os postos de saúde em busca de vacinação. O episódio foi tão irresponsável que alguns colunistas instruíram a população a não confiarem no discurso oficial do governo que garantia não haver sinais de epidemia. Somente o jornal Folha de São Paulo publicou mais de 100 matérias sensacionalistas sobre a suposta epidemia entre Dezembro de 2007 e Fevereiro de 2008.

O fato é que durante o ano todo de 2008 foram identificados apenas cerca de 40 casos de febre amarela silvestre em todo o país. Entretanto, a corrida aos postos de saúde fez com que mais de 13 milhões de doses de vacina fossem aplicadas (a média é de menos de 3 milhões por ano). Essa insana vacinação gerou mais de 50 casos de reação à vacina, sendo 23 pessoas internadas por complicações e 8 mortes! Uma das pessoas mortas apresentava contraindicações a vacina, mas assustada com o noticiário, vacinou-se duas vezes em um intervalo de apenas uma semana.

Este fato só reforça a necessidade da população se conscientizar que informações sobre saúde devem ser obtidas apenas por fontes confiáveis. Nunca tome medicações ou vacinas sem orientação médica.

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  • Analiz

    Olá! Estou muito feliz por ter encontrado este blog e ter obtido informações sobre a febre amarela. Eu moro em Diamantina MG, e gostaria de saber quais são os ricos para alguem com a doença de crohn e faz tratamento com imonomoduladores, em vir a Diamantina? Pois Minas Gerais é um local de transição da doença, apesar do período da viagem ser no inverno não havendo focos de mosquitos e acredito que não há macacos na região. Obrigada!

    • https://plus.google.com/+PedroPinheiro/ Dr. Pedro Pinheiro – MD.Saúde

      Se for em ambiente urbano, não há riscos.

  • Eliane

    Olá!minha filha tem 1 ano e 9 meses tomou a vacina da febre amarela, no dia seguinte ela ficou com diarreia e fazendo ansia de fomito, fomitou 1 vez e não quer comer, isso é normal?obrigado!

  • Ro-melia

    olá! Gostaria de saber se a vacina da febre amarela da alguma reação ,pois meu nene esta com o corpinho todo cheio de pintinhas bem miúdas. me ajude por favor.