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7 de agosto de 2009

DEGENERAÇÃO MACULAR | Causas e sintomas

A degeneração macular é uma doença que causa perda da visão central, atrapalhando atividades simples como ler, assistir TV e dirigir. Saiba mais.

Mudanças significativas têm surgido nos últimos anos no cenário da Oftalmologia. A progressiva alteração das características da pirâmide populacional elevou significativamente a parcela de indivíduos maiores de 50 anos em nosso país. Aspectos sociais e econômicos atuais associaram esse aumento da expectativa de vida a uma manutenção desses indivíduos na faixa da população economicamente ativa.

Esses indivíduos estão sob um risco aumentado de desenvolvimento de uma doença conhecida como Degeneração Macular Relacionada à Idade - DMRI.

Degeneração macularA degeneração macular é uma doença complexa que compreende alterações progressivas da retina, estrutura localizada no fundo do olho, responsável pela captação dos estímulos luminosos e transformação em sinal elétrico para o cérebro. A mácula, porção central da retina, responsável pela visão central e de detalhes, é a principal região acometida.

A degeneração macular é a principal causa de cegueira irreversível nos países desenvolvidos, e essa tendência vem se revelando também em nosso país. Ela atinge 8% dos indivíduos maiores de 50 anos, com um aumento exponencial com o avanço da idade, acometendo 2/3 da população acima de 90 anos. Além da idade, outros fatores de risco são:

A boa notícia é que o recente aumento da incidência de degeneração macular foi acompanhado por uma sensível evolução nos métodos diagnósticos e, principalmente, no tratamento desta doença.

A forma mais comum, e menos grave, de degeneração macular é a forma seca. Esta se caracteriza pelo acúmulo de resíduos do metabolismo celular da retina, que se depositam sob a forma de drusas e que, aliado a graus variáveis de atrofia do tecido retiniano, causam uma perda visual central, de progressão lenta, podendo dificultar a realização de algumas atividades como ler e escrever ou a identificação de traços de fisionomia.

 A degeneração macular causa uma perda da visão central que pode afetar atividades como ler e identificar traços de fisionomia

O diagnóstico é feito pelo médico oftalmologista através de uma avaliação cuidadosa dos sintomas e exame detalhado da retina, que é feito através da identificação das lesões características após dilatação das pupilas, comumente com auxílio de exames complementares. Neste estágio, é importante a detecção precoce e a definição adequada do momento em que o indivíduo deve receber suplementação vitamínica específica para diminuir o risco de evolução para a forma grave da doença, conhecida como forma úmida.

A forma úmida acomete cerca de 10% dos indivíduos com degeneração macular e ocorre quando, além das alterações da forma seca, surgem também hemorragias e acúmulo de líquido devido ao surgimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina. Nesse momento, há uma perda visual de progressão rápida ou até mesmo súbita.

Até poucos anos atrás, os tratamentos disponíveis para a forma úmida da degeneração macular apresentavam baixa eficácia e era frequente vermos pacientes em plena atividade útil sofrerem perda visual progressiva, com grande limitação de sua qualidade de vida. Hoje, as novas medicações comumente aplicadas sob a forma de injeções intraoculares, propiciaram a interrupção da perda visual ou até mesmo a recuperação visual. Para isso, o diagnóstico precoce da forma úmida, mais rara e mais grave, é de grande importância, para imediata instituição do tratamento, a fim de que seja reduzido o risco de perda permanente de visão.

Inúmeras pesquisas científicas no campo da degeneração macular estão em andamento. Muitas envolvem a identificação em cada paciente de genes que poderiam estar associados à doença. Esse trabalho pode ser muito útil na prevenção e tratamento da degeneração macular, tanto para o paciente como para seus familiares.

Concluímos que apesar da gravidade e crescente incidência da degeneração macular, essa doença é ainda desconhecida pela maioria das pessoas, e, portanto, a conscientização da importância do diagnóstico e dos novos recursos de tratamento é de especial utilidade.

Este texto é de autoria do Dr. Flávio MacCord.
Especialista em Retina Clínica e Cirúrgica pela Universidade de São Paulo, Mestre em Ciências Médicas pela Universidade de Campinas, membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia e médico oftalmologista da Clínica São Vicente, Rio de Janeiro.


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Dr. Pedro PinheiroAutor do artigo
Dr. Pedro Pinheiro - Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2002. Diploma reconhecido pela Universidade do Porto, Portugal. Título de especialista em Medicina Interna pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2005. Título de Nefrologista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) em 2007. Título de Nefrologista pelo Colégio Português de Nefrologia.

7 comentários:

Olá! Primeiramente, gostaria de parabenizar o blog. Mesmo sabendo que o Google não é a melhor maneira de saber das coisas, é sempre bom ter uma informação a mais - até porque muitos médicos não tem tempo ou simplesmente a boa vontade de explicar os detalhes quando numa situação de emergência.

Agora, recorro a uma pergunta pois já procurei pelo blog e não achei nada sobre. Se por acaso eu não procurei certo e esteja me repetindo, desculpe! Pois vamos lá: Um amigo meu estava jogando uma pelada, quando caiu, bateu a cabeça e teve que correr ao hospital após ficar inconsciente por alguns minutos e começar a apresentar nauseas e vômitos (pelo que procurei, isso se chama "pequena concussão"). No hospital, o colocaram em coma induzido (que já li aqui sobre o que é), e foi para a cirurgia retirar o tal coágulo que se formou em decorrência da queda infâme. Agora, o médico, embora diga que foi tudo um sucesso e que meu amigo está estável, só fala "Está nas mãos de Deus". Como a fé é benvida mas informação também nunca é demais, gostaria de saber se o dito coágulo pode apresentar alguma sequela, ou o que pode ou não ocorrer nesse pós-operatório.

Sei que vocês não podem ir falando algo sem estarem a par da situação completa, porém, como a mulher do meu amigo está desesperada, o máximo que posso fazer para ajudar é dizer algo que dê uma informação, junto as famosas palavras de otimismo.

Muito obrigada. Parabéns, mais uma vez!

Um abraço,
Cecilia.

Cecília,
è preciso esperar ele sair da sedação para avalair os reias danos neurológicos. As sequelas vão depender do tamanho e da localização da lesão cerebral.

Se a cirurgia para retirada do coágulo foi um sucesso, provavelmente ele está caminhando para a recuperação. Porém, as lesões sequelares às vezes são imprevisíveis.

É preciso dar tempo ao tempo, esperar ele acordar e o edema cerebral diminuir. Nesta fase é difícil afirmar qualquer coisa.

Muito obrigada, doutor! E obrigada pela resposta rápida. :)

Bom trabalho e bom fim de semana!

Boa tarde. Sofro de Degeneração Macular, sou desenhista realista, desenho rostos de pessoas, e tenho muito dificuldade para enxergar os detalhes minuciosos e as pessoas vivem me perguntando como consigo e qual é o meu problema com a visão. Gostaria de saber se posso colocar este artido em meu perfil do orkut e no meu blog, (pois foi o melhor explicado que encontrei até agora, tem exatamente o que eu digo a essa pessoas)para esclarecer às que me perguntam sobre o meu problema e preciso ficar explicando a cada um? O que é muito ruim pra mim, pois com a visão subnormal fica difícil de eu ficar digitando. Claro que os créditos não junto.
Desde já agradeço.
Mára Lima

Mára,
Autorizo a reprodução de qualquer texto do blog contanto que se dê créditos ao autor.
abraços

olá! parabéns pelo blog, e obrigada pelo texto, pois informações a respeito dessa doença são muito escassas.
o texto diz que a degeneração macular é comum entre pessoas com mais de 50 anos. minha mãe tem esse problema desde os 17. é um caso normal? segundo os exames, ela sofre de 'degeneração retiniana', então gostaria de saber se toda degeneração retiniana é macular, ou se esse é apenas um caso específico. agradeço desde já. abraços!

Isiane,
A doença que o dr Flávio cita se chama degeneraçao macular relacionada a idade (DMRI), ie, só acontece em idosos (>60a geralmente)
A sua mãe provavelmente tem alguma outra degeneração de retina que nao a DMRI, e o numero de doenças nesse grupo é enorme. Só com exames especificos dá pra saber qual é.

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