TDAH: o que é, sintomas, teste online e tratamento

Foto do autor

Escrito por: Dr. Pedro Pinheiro & Dra. Claudia Miliauskas

Atualizado em:
Tempo de leitura estimado do artigo: 7 minutos

Introdução

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio neurobiológico com importante componente genético, geralmente detectado na infância e que frequentemente persiste na vida adulta. Ele é caracterizado por três principais sintomas: falta de atenção, hiperatividade e impulsividade, impactando diretamente o comportamento, o desempenho acadêmico e a interação social do indivíduo. É importante ressaltar que o diagnóstico e o tratamento adequados podem auxiliar os portadores de TDAH a gerenciar seus sintomas e a viver vidas produtivas e satisfatórias.

Nota: o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade é conhecido em Portugal como perturbação de hiperatividade com défice de atenção (PHDA).

O TDAH é o distúrbio mental mais comum nas crianças e adolescentes e pode persistir durante a vida adulta. Esse transtorno é mais comum em meninos do que em meninas, e habitualmente é descoberto durante os primeiros anos escolares, quando a criança começa a ter problemas de comportamento ou dificuldades para se manter atenta.

Embora não exista tratamento que cure o TDAH, o mesmo pode ajudar o paciente a lidar com os sintomas. O tratamento geralmente envolve medicamentos e intervenções comportamentais. O diagnóstico e o tratamento precoces podem fazer uma grande diferença no resultado final.

O que é o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade?

Apesar desse distúrbio se chamar transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, a hiperatividade não necessariamente faz parte do quadro. Existem três subtipos aceitos de TDAH:

  • Tipo desatento.
  • Tipo hiperativo-impulsivo.
  • Tipo combinado (tipo desatento + tipo hiperativo-impulsivo).

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é, portanto, um grupo de sintomas comportamentais que incluem falta de atenção, hiperatividade e/ou impulsividade (explicarei as características de cada um deles mais adiante, na parte dos sintomas).

O quadro de TDAH tende a ser notado em idade precoce, sendo 1/3 dos casos diagnosticados antes dos 6 anos. O restante costuma ser diagnosticado até os 12 anos.

Estudos mostram que o TDAH está presente em cerca de 10% das crianças entre 4 e 17 anos (15% nos meninos e 7% nas meninas). A forma hiperativa é quatro vezes mais comuns nos meninos que nas meninas. Já na forma desatenta, o predomínio masculino é um pouco menor, sendo “apenas” duas vezes mais comuns que nas meninas.

Apesar da tendência de melhora do quadro com a idade, muitos adultos diagnosticados com TDHA na infância permanecem apresentando alguns sintomas para o resto da vida.

Diferenças entre TDAH e DDA

O termo DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção) é uma terminologia antiga que costumava ser usada para descrever indivíduos com dificuldade em se concentrar, mas que não apresentam muitos sintomas de hiperatividade ou impulsividade.

Em 1994, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, unificou DDA e TDAH sob a mesma designação de TDAH, que foi subdividida em três subtipos: predominantemente desatento, predominantemente hiperativo-impulsivo e combinado, conforme explicado há pouco.

Assim, quando alguém se refere a DDA atualmente, provavelmente está falando sobre o TDAH do tipo predominantemente desatento. Este subtipo é caracterizado por distração fácil, esquecimento, problemas para organizar tarefas ou atividades, dificuldade em seguir instruções e falta de atenção aos detalhes.

Causas

Um desequilíbrio no metabolismo dos neurotransmissores, incluindo dopamina e noradrenalina, no córtex cerebral parece desempenhar um papel primordial na doença.

Além disso, estudos de imagem da estrutura do cérebro de crianças com e sem TDAH demonstram diferenças significativas em muitas áreas. As crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade tendem a apresentar, entre outras alterações, menor volume cerebral e cerebelar e redução da espessura do córtex em várias regiões, principalmente pré-frontal e frontal.

Essas alterações parecem ter um forte componente genético, dada a grande concordância entre gêmeos idênticos: quando um dos irmãos tem TDAH o risco do outro ter é de 92%. Além disso, a história familiar costuma ser um fator de risco muito importante. Estudos genéticos realizados em famílias com mais de um caso de TDAH identificaram uma série de genes que parecem desempenhar um papel relevante no desenvolvimento do transtorno.

Fatores ambientais

Vários fatores ambientais podem desempenhar um papel secundário na patogênese do TDAH, porém, o grau de importância de cada um deles ainda é controverso.

Alguns possíveis fatores ainda em estudo incluem:

  • Aditivos alimentares, tais como corantes ou aromas artificiais e conservantes.
  • Consumo de açúcar refinado.
  • Alergia ou intolerância alimentar (por exemplo: ovos, leite ou glúten).
  • Deficiência de ácidos graxos essenciais, incluindo ômega 3.
  • Traumatismo craniano na infância.
  • Deficiência de ferro e zinco.
  • Tabagismo durante a gravidez.
  • Consumo de álcool na gravidez.
  • Exposição pré-natal a determinados fármacos, tais como paracetamol e antidepressivos.
  • Parto prematuro.
  • Baixo peso ao nascimento.
  • Exposição ao chumbo.

Doenças associadas

Crianças e adolescentes com TDAH frequentemente têm outros transtornos mentais associados, incluindo:

Sintomas do TDAH

Como já referido, o TDAH é uma síndrome com duas sintomatologias principais: hiperatividade/impulsividade e desatenção. Cada um dos tipos de TDAH tem seu próprio padrão e curso clínico.

Hiperatividade e impulsividade

Comportamentos hiperativos e impulsivos quase sempre ocorrem em simultâneo nas crianças pequenas. O TDAH com subtipo predominantemente hiperativo-impulsivo caracteriza-se pela incapacidade da criança de se manter quieta ou de controlar o seu comportamento.

As crianças com esse subtipo costumam perturbar o ambiente escolar e têm dificuldades de relacionamento. Geralmente são crianças consideradas “problemáticas”, que podem acabar sendo isoladas do grupo, não recebendo convites para festas de aniversários ou para dormir na casa de colegas.

Os sintomas e os comportamentos de hiperatividade e impulsividade podem incluir:

  • Agitação excessiva. A criança fica batucando com as mãos, chutando a cadeira da frente, se contorcendo no assento, se equilibrando na cadeira, etc.
  • Frequentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou em outras situações nas quais se espera que a criança permaneça sentada.
  • Sensação de inquietação, sentindo necessidade de estar sempre correndo ou escalando coisas, especialmente em situações nas quais esse comportamento é inapropriado.
  • Dificuldade para jogar jogos de forma calma ou silenciosa.
  • Está frequentemente “a mil por hora”. É uma criança cheia de energia, que não para quieta.
  • Dificuldade de esperar a sua vez.
  • Verborragia. A criança “fala pelos cotovelos”.
  • Costuma dar respostas rápidas sem pensar muito no que vai dizer. Às vezes, responde antes mesmo da pergunta ter sido finalizada.
  • Frequentemente interrompe a conversa ou as atividades dos outros.

Os sintomas hiperativos e impulsivos são geralmente notados ao redor dos quatro anos de idade. O mau comportamento vai se tornando pior e atinge o seu pico aos 8 anos. A partir daí, o quadro começa a melhorar até se tornar menos perceptível na adolescência. Os sintomas hiperativos costumam melhorar mais rapidamente que os sintomas impulsivos (os 3 últimos da lista).

Déficit de atenção

O subtipo predominantemente desatento do TDAH caracteriza-se por uma capacidade reduzida de atenção e velocidade menor de processamento e resposta. As crianças parecem sonhar acordadas, têm dificuldade de concentração e parecem ser mais lentas.

Os sintomas e os comportamentos de desatenção podem incluir:

  • Falha em prestar atenção aos detalhes, cometendo frequentemente erros por descuido ou negligência nas tarefas escolares.
  • Dificuldades em manter a atenção nas aulas, conversas, jogos ou leituras mais prolongadas.
  • Parece não ouvir, mesmo quando lhe falamos diretamente (parece estar sempre com o pensamento noutro assunto).
  • Não segue as instruções e não termina os trabalhos escolares, geralmente por perda da concentração.
  • Dificuldades em organizar tarefas e atividades ou de manter materiais e pertences em ordem. É uma criança desorganizada, com dificuldade de gerir o tempo.
  • Evita, não gosta ou reluta em envolver-se em tarefas que requerem esforço mental consistente.
  • Perde objetos necessários para tarefas ou atividades, como materiais escolares, livros, chaves ou peças de roupa.
  • Facilmente distraído por estímulos irrelevantes ou pensamentos não relacionados.
  • Esquece-se com frequência das atividades quotidianas, como trabalhos de casa ou tarefas domésticas.

Os sintomas do déficit de atenção não costumam ser evidentes até a criança ter entre oito e nove anos de idade, pois muitos deles são comuns em qualquer criança pequena.

Critérios diagnósticos para o TDAH

Para ser considerada portadora de TDAH, a criança precisa ter pelo menos 6 dos comportamentos de hiperatividade-impulsividade ou déficit de atenção listados acima. Se ela tiver pelo menos 6 de cada lista, ela tem o subtipo combinado.

É importante destacar que quase todas as crianças podem apresentar eventualmente um ou mais dos comportamentos listados acima. A maioria das crianças saudáveis são desatentas, hiperativas ou impulsivas em vários momentos do dia.

É normal que as crianças em idade pré-escolar tenham curtos períodos de atenção e não consigam permanecer focadas em uma atividade por muito tempo. Mesmo as crianças mais velhas e os adolescentes podem ter uma capacidade menor de concentração, dependendo do seu grau de interesse em determinada atividade.

O mesmo raciocínio se aplica à hiperatividade. As crianças pequenas são naturalmente cheias de energia. Além disso, algumas delas têm uma necessidade maior de se exercitar do que outras.  Uma criança nunca deve ser classificada como TDAH apenas porque é diferente ou mais ativa que seus amigos ou irmãos.

As crianças com problemas na escola, mas se dão bem em casa e interagem normalmente com os amigos e com os irmãos habitualmente têm algum outro problema interferindo no seu desempenho acadêmico que não TDAH. O mesmo vale para crianças que são hiperativas ou desatentas em casa, mas cujas tarefas escolares e as amizades não são afetadas.

O que caracteriza o TDAH é a repetição constante e prologada dos comportamentos listados, as quais são claramente mais intensos do que aqueles apresentados pelos colegas. Para ser TDAH, a criança precisa ter esses comportamentos frequentemente por pelo menos 6 meses e eles devem surgir de forma habitual em mais de um ambiente, como na escola e em casa, por exemplo.

Os sintomas da TDAH devem prejudicar o desempenho da criança nas atividades acadêmicas e sociais. Tanto os comportamentos hiperativos-impulsivos como os de desatenção costumam resultar em rejeição dos colegas.

O diagnóstico do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade requer avaliação minuciosa por parte de um profissional com experiência no problema, seja ele psiquiatra ou pediatra.

Para uma pessoa receber o diagnóstico de TDAH, os sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade devem ser duradouros e prejudiciais ao seu funcionamento normal. O médico também precisa ter certeza que os sintomas do paciente não possam ser justificados por outras condições médicas ou psiquiátricas.

A maioria das crianças recebe o diagnóstico de TDAH durante os anos do ensino fundamental. Para um adolescente ou adulto receber o mesmo diagnóstico, é preciso confirmar que os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos.

Teste online para rastreio da TDAH – ASRS-18

O ASRS-18, ou Adult ADHD Self-Report Scale, é uma ferramenta de triagem usada para ajudar na identificação de sintomas de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em adultos. Foi desenvolvida em conjunto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Harvard Medical School e é considerada uma ferramenta de triagem eficaz para o TDAH em adultos.

O ASRS-18 consiste em 18 perguntas, que refletem os critérios diagnósticos para TDAH listados no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV). Essas perguntas são divididas em duas partes. A primeira parte (itens 1 a 9) se concentra em sintomas de desatenção, enquanto a segunda parte (itens 10 a 18) se concentra em sintomas de hiperatividade e impulsividade.

O teste abaixo é versão adaptada pelo MD.Saúde do ASRS-18. Lembre-se que o questionário serve de triagem, indicando quais pacientes devem ser avaliados por um profissional. O teste ASRS-18 não serve para fechar diagnóstico. O diagnóstico preciso do TDAH só pode ser feito por meio de uma avaliação com um profissional médico especializado (psiquiatra, neurologista ou neuropediatra).



Para que o diagnóstico de TDAH seja provável, você precisa fazer 4 ou mais pontos na parte A, 4 ou mais pontos na parte B e 4 pontos na parte C.

Tratamento do TDAH

As estratégias de tratamento para crianças com TDAH variam consoante a idade. As informações incluídas neste texto são consistentes com as recomendações da Academia Americana de Pediatria, Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente, Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica do Reino Unido e a Rede Europeia de Distúrbios Hipercinéticos.

Tratamento do TDAH em crianças de 4 a 5 anos

Para as crianças em idade pré-escolar que apresentam aos critérios diagnósticos do TDAH é recomendada terapia comportamental como tratamento inicial. Essa terapia pode ser administrada pelos pais ou professores com apoio do médico e de um pedagogo.

A adição de medicamentos à terapia comportamental só costuma ser indicada se não houver nenhum progresso com o tratamento não-medicamentoso. Exemplos de situações em que o início da medicação pode ser justificado:

  • Risco de expulsão da creche ou pré-escolar por mau comportamento.
  • Comportamento que traga risco significativo de lesão para outras crianças ou cuidadores.
  • Lesões do sistema nervoso central suspeitas ou confirmadas, como, por exemplo, aquelas provocadas por exposição pré-natal ao álcool ou à cocaína.
  • Quando os sintomas de TDAH interferem com outros tratamentos necessários.

Quando a medicação é necessária nessa faixa etária, a mais indicada é o estimulante metilfenidato, também conhecido pelos nomes comerciais Ritalina ou Concerta.

Embora possa parecer um contrassenso tratar o TDAH com um medicamento considerado estimulante, ele funciona porque aumenta a oferta de neurotransmissores cerebrais como a dopamina e noradrenalina, que desempenham papéis essenciais no pensamento e na atenção.

Tratamento do TDAH em crianças acima dos 6 anos

Nas crianças em idade escolar e adolescentes, o tratamento inicial pode ser feito com medicação e terapia comportamental. A escolha entre medicamentos estimulantes e não estimulantes depende das características de cada paciente. A opinião da família deve ser sempre considerada na hora de começar o tratamento com remédios.

Os medicamentos mais utilizados para o TDAH são:

  • Metilfenidato.
  • Dexmetilfenidato.
  • Dextroanfetamina.
  • Lisdexanfetamina.
  • Atomoxetina.
  • Bupropiona.
  • Venlafaxina.
  • Clonidina.

Os melhores resultados ocorrem quando uma abordagem multidisciplinar é utilizada, com pedagogos, pais, terapeutas e pediatra trabalhando em conjunto. Atividade física regular também costuma ajudar.

Os estudos sobre alterações da dieta no paciente com TDAH até o momento não foram conclusivos. Alguns médicos sugerem um teste de 5 semanas com uma dieta sem conservantes e corantes artificiais, com pouco açúcar refinado, glúten, leite e ovos.

Cuidar de uma criança com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade pode ser um desafio para toda a família. Os pais podem ser prejudicados pelo comportamento de seus filhos e o estresse de lidar com o TDAH pode levar a conflitos conjugais. Esses problemas podem ser agravados pela carga financeira que o transtorno pode impor às famílias.

Irmãos de uma criança com TDAH também podem ter dificuldades, principalmente se o irmão ou a irmã forem muito exigentes ou agressivos. É comum que eles acabem recebendo menos atenção porque exigem menos dos seus pais.

Tratamento do TDAH em adultos

O tratamento para o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em adultos costuma ser personalizado para atender às necessidades individuais do paciente. O tratamento pode incluir uma combinação de terapia medicamentosa, psicoterapia, treinamento em habilidades sociais e organizacionais, além de educação e treinamento sobre o transtorno.

A psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), pode ser particularmente útil para adultos com TDAH. A TCC pode ajudar os indivíduos a desenvolver habilidades para lidar com a desorganização e a falta de foco associadas ao TDAH. Além disso, a terapia pode ajudar a tratar condições coexistentes, como depressão ou ansiedade, que são comuns em adultos com TDAH.

O tratamento farmacológico costuma ser um componente central do tratamento do TDAH em adultos e deve ser instituído junto com a terapia cognitivo-comportamental. Neste grupo, a anfetamina costuma ser a primeira escolha, à frente do metilfenidato.

Para indivíduos com histórico de abuso ou uso indevido de substâncias (por exemplo, benzodiazepínicos, álcool, opioides, estimulantes), deve-se primeiro controlar o quadro de uso abusivo e só depois iniciar o tratamento voltado para o TDAH. A escolha de primeira linha nesses casos é a atomoxetina, um medicamento não estimulante que inibe a recaptação pré-sináptica da norepinefrina.

TDAH e depressão

Para adultos com TDAH e depressão concomitante, o tratamento costuma ser feito com bupropiona. A bupropiona apresenta evidências de eficácia tanto em pacientes com TDAH quanto em pacientes com depressão.

TDAH e transtorno de ansiedade

Para adultos com TDAH e transtornos de ansiedade concomitante, costuma-se tratar ambos os transtornos ao mesmo tempo com uma combinação de um estimulante, como anfetamina, e um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), como fluoxetina, sertralina ou escitalopram. Normalmente, iniciamos o ISRS primeiro e o estimulante depois, quando a ansiedade já estiver mais controlada.

TDAH na gravidez

Para as grávidas, o metilfenidato deve ser evitado quando possível, devido aos riscos para o feto. Deve ser tentada uma suspensão do uso de medicamentos durante a gravidez (para aquelas que podem tolerar razoavelmente) pelo menos durante o primeiro trimestre. Quando não é possível ficar sem medicamentos, as anfetaminas devem ser a primeira opção.

Canabinoides e produtos canabinoides

Apesar da crença comum de que os canabinoides e os produtos canabinoides, inclusive o tetrahidrocanabinol (maconha), apresentem benefícios para o TDAH, poucos estudos apoiam a eficácia da droga para o TDAH em adultos.

Além disso, o uso de maconha parece prejudicar agudamente as funções cognitivas, como atenção, concentração e memória episódica. Esses efeitos são limitados no tempo e dependem da dose, da via de administração e do grau de tolerância.

No momento, a maconha ou outros canabinoides não podem ser recomendados para o tratamento do TDAH. Não há evidências nem de eficácia, nem de segurança.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

Professora adjunta de Psicologia Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (FCM/UERJ). Doutorado concluído pelo Instituto de Medicina Social/UERJ, departamento de epidemiologia/saúde coletiva. Mestrado em saúde materno-infantil pela Universidade Federal Fluminense. Especialização em terapia familiar sistêmica. Residência médica em pediatria e psiquiatria.

Saiba mais

Artigos semelhantes

Ficou com alguma dúvida?

Comentários e perguntas

Deixe um comentário


8 respostas para “TDAH: o que é, sintomas, teste online e tratamento”

  1. Vanessa Matos
    Dr. Pedro, excelente explicação. Muito completa.
    O TDAH é uma forma de autismo?
    1. Avatar de Dr. Pedro Pinheiro
      Dr. Pedro Pinheiro
      Não, o TDAH não é uma forma de autismo. Embora ambos sejam transtornos neurodesenvolvimentais e possam apresentar algumas sobreposições em termos de sintomas, eles são classificados e entendidos de maneira diferente na comunidade médica e psiquiátrica. Explicamos o transtorno do espectro autista no artigo: Autismo (Transtorno do Espectro Autista).
  2. Antero
    Doutor, pacientes com diagnóstico de TDAH podem usar o colar de girassol?
    1. Avatar de Dr. Pedro Pinheiro
      Dr. Pedro Pinheiro
      Sim, o cordão do girassol pode ser utilizado por pacientes com TDAH. Outras doenças consideradas de baixa visibilidade que também podem usar o cordão do girassol são: transtorno do espectro autista (TEA), demência, fobias extremas e doença de Crohn.
  3. Andressa
    O que significa HDHD?
    1. Avatar de Dr. Pedro Pinheiro
      Dr. Pedro Pinheiro
      Não sei, Andressa. Não seria ADHD? Essa é a sigla em inglês para TDAH (Attention-deficit/hyperactivity disorder).
  4. Daiane Goldmeier Nunes
    Porque há maior ocorrência de TDAH em homens?
    1. Avatar de Dr. Pedro Pinheiro
      Dr. Pedro Pinheiro
      Não sabemos.