HPV (papilomavírus humano) – Sintomas, Transmissão e Tratamento

HPV
O papilomavírus humano, mais conhecido pela sigla HPV, é um vírus que pode ser transmitido pela via sexual ou pelo contato direto com a pele.

O HPV é responsável pelo aparecimento das verrugas comuns da pele e pelas verrugas genitais, conhecidas também como condiloma acuminado ou crista de galo. Mas o que o torna o HPV um vírus de grande relevância médica é o fato dele estar relacionado a praticamente 100% dos casos de câncer de colo do útero, um dos tipos de câncer mais comuns na população feminina.

Neste artigo vamos explicar o que é o vírus HPV, como ele é transmitido, quais são os seus sintomas e complicações, quais são as opções de tratamento e as suas chances de cura.

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O que é o HPV

O HPV é um vírus que infecta exclusivamente os seres humanos e ataca as células do epitélio da pele e da mucosa. A ação do vírus sobre as células da pele favorece a formação de tumores, a maioria deles pequenos e benignos, tais como as verrugas comuns de pele ou as verrugas genitais. Porém, quando área infectada é a mucosa do colo do útero, da vagina, do pênis ou do ânus, o vírus pode induzir a formação de tumores malignos, gerando, por exemplo, o câncer do colo do útero e o câncer anal.

Existem mais de 150 subtipos do papilomavírus humano. Cada subtipo do vírus tem atração por uma determinada área do corpo. Por exemplo, o HPV- 2 e o HPV-4 estão associados às verrugas comuns de pele, enquanto o HPV-1 provoca verrugas que acometem preferencialmente  as plantas dos pés. Já o HPV-6 e o HPV-11 estão relacionados ao desenvolvimento das verrugas genitais. O câncer do colo uterino pode ser provocado por vários subtipos, conforme veremos a seguir, mas a maioria dos casos ocorre quando a mulher se infecta com o HPV-16 ou o HPV-18.

Cânceres relacionados ao papilomavírus humano

Como já referido, o que torna o papilomavírus humano um problema sério de saúde pública é a sua capacidade de provocar alguns tipos de câncer. 99% dos cânceres de colo de útero, 93% dos cânceres de ânus, 60% dos cânceres da vulva e 50% dos cânceres de pênis e vagina estão relacionados à infecção pelo HPV. Raramente, o HPV também é capaz de provocar câncer da laringe, da boca, dos seios nasais e do esôfago.

Dentre todos esses cânceres citados, o câncer do colo uterino é disparado o mais comum, motivo pelo qual é muito mais frequente ouvirmos falar sobre a sua associação com o papilomavírus humano do que em relação aos outros tipos de câncer.

Todavia, é importante frisar que nem toda infecção pelo HPV leva à formação de um tumor maligno. Dentre os mais de 150 subtipos de HPV conhecidos, alguns são considerados mais perigosos, como os subtipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 68, enquanto outros são menos agressivos, com baixo risco de transformação maligna, como os subtipos 6, 11, 40, 42, 43, 44, 53, 54, 61, 72, 73 e 81.

Na verdade, cerca de 70% dos casos de câncer do colo de útero são provocados por apenas 2 subtipos, 50% pelo HPV-16 e 20% pelo HPV-18. O HPV-16 também está por trás da maioria dos casos de câncer anal, peniano, vaginal, vulvar e de alguns tipos de câncer da orofaringe, sendo este, portanto, o subtipo de HPV mais perigoso, tanto para homens quanto para mulheres.

Além do subtipo do HPV, outro fator importante para a geração de um tumor maligno é o tempo de infecção. A maioria das pessoas contaminadas pelo HPV consegue se livrar espontaneamente do vírus após 1 ou 2 anos. Para tanto, basta ter um sistema imunológico capaz de lidar com o papilomavírus humano. Cerca de 10% dos indivíduos contaminados, porém, desenvolvem o que chamamos de infecção persistente. São essas as pessoas que apresentam o maior risco de terem câncer.

O HPV precisa de 10 a 20 anos para conseguir provocar alterações celulares capazes de gerar um tumor maligno. Por isso, exames de rastreio do câncer do colo do útero, como o famoso exame Papanicolau (exame ginecológico preventivo), são essenciais para que possamos identificar a ocorrência de alterações pré-malignas, que surgem anos antes do tumor maligno aparecer.

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Se você quiser entender como funciona o exame Papanicolau e o que significam as siglas NIC-1,NIC-2 e NIC-3, acesse o seguinte link: EXAME PAPANICOLAU – ASCUS, LSIL, NIC1, NIC 2 e NIC 3.

Formas de transmissão do HPV

Os HPV que infectam a pele e provocam as verrugas comuns são normalmente contraídos quando há pequenas lesões da pele, como cortes ou arranhões, que permitem a invasão do vírus para dentro do organismo. A transmissão é feita, portanto, com o contato de pele com pele.

Os subtipos de papilomavírus humano que provocam as verrugas comuns não têm relação com os cânceres que ocorrem na mucosa da genitália, do ânus ou do colo do útero, pois eles não têm capacidade de infectar esta região. O oposto também é verdadeiro, já que os subtipos que habitualmente provocam lesão das mucosas não costumam atacar a pele.

Entretanto, existem algumas exceções à regra acima. Alguns subtipos capazes de provocar verrugas na pele também podem, eventualmente, provocar verrugas genitais, tais como o HPV-1, HPV-2 e HPV-4. Esses subtipos, porém, raramente causam verrugas genitais e quando o fazem têm baixa capacidade de gerar tumores malignos.

O contágio das mucosas da vagina, vulva, ânus, pênis e colo do útero se dá através da via sexual. Muitos não sabem, mas a infecção pelo HPV é a doença sexualmente transmissível mais comum em todo o mundo, muito mais frequente que AIDS, gonorreia, sífilis ou qualquer outra DST famosa.

A transmissão do papilomavírus humano pelo sexo oral é possível, mas é bem menos comum do que a transmissão através do sexo vaginal ou anal. Alguns casos de câncer da orofaringe, laringe e esôfago estão relacionados a este tipo de contaminação.

Exceto pelo compartilhamento de objetos sexuais, a transmissão do HPV por outros tipos de objetos inanimados, como toalhas, roupa de cama ou roupas íntimas, não parece ocorrer. Da mesma forma, não se pega HPV em banheiros públicos, piscina, sauna ou praia.

Sintomas do HPV

Como já explicado, cada subtipo de HPV tem preferência por determinada área do corpo:

  • Os subtipos 1, 2, 4, 26, 27, 29, 41, 57, 65 e 75 a 78 costumam causar as verrugas comuns de pele.
  • Os subtipos 3, 10, 27, 28, 38, 41 e 49 também provocam verrugas na pele, mas são geralmente as chamadas verrugas planas.
  • Os subtipos 1, 2, 4, 60, 63 provocam as verrugas nas plantas dos pés.
  • Os subtipos subtipos 1 a 6, 10, 11, 16, 18, 30, 31, 33, 35, 39 a 45, 51 a 59, 70 e 83 podem provocar verrugas genitais ou anais (condiloma acuminado). Obs: 90% dos casos de verrugas genitais são provocados pelos subtipos 6 e 11.

Os HPV-16 e HPV-18, que são aqueles mais relacionados ao câncer do colo do útero, não costumam provocar sintoma algum. A imensa maioria das mulheres contaminadas com o papilomavírus humano nem sequer desconfia que tenha o vírus. O diagnóstico da infecção ocorre geralmente através do exame ginecológico preventivo.

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Diagnóstico do HPV

Nos casos das verrugas de pele ou genitais, o diagnóstico do HPV é clínico, através de um simples exame físico. Basta identificar a presença da verruga, não são necessários outros testes. No caso específico das verrugas genitais, apesar do diagnóstico do papilomavírus humano ser óbvio, é importante que o(a) paciente seja testado(a) para outras DST, pois é muito comum que uma pessoa tenha mais de uma DST ao mesmo tempo.

Já o diagnóstico do HPV nas mulheres com o colo do útero infectado é mais complexo. Não há sintomas e nem sempre os achados no exame Papanicolau são característicos de infecção pelo papilomavírus humano. Para pesquisar a presença do vírus, o ginecologista precisa colher durante o exame ginecológico uma pequena amostra de material do colo do útero e do interior da vagina. Esse material é enviado para o laboratório para que o mesmo possa procurar pela presença do HPV. Se houver HPV presente, o laboratório é capaz de informar qual é o subtipo do vírus responsável pela infecção.

Tratamento do HPV

Como já referido anteriormente, cerca de 90% das infecções pelo HPV curam-se sozinhas após 1 ou 2 anos.

Na verdade, o papilomavírus humano possui uma característica curiosa: é uma infecção que não tem tratamento, mas tem cura. Não existem medicamentos que matem o vírus ou acelerem o processo de cura. A única opção é esperar que o sistema imunológico elimine espontaneamente o vírus com o passar do tempo.

Nos pacientes que desenvolvem verrugas, o tratamento é voltado apenas para a eliminação da lesão. Quando a verruga é removida isso não significa que o vírus tenha sido eliminado do organismo. O paciente continua infectado e pode desenvolver novas verrugas enquanto o HPV estiver presente.

A situação é igual à das mulheres que desenvolvem lesões pré-malignas (neoplasias intraepiteliais) do colo do útero. Quando uma lesão pré-maligna é identificada, o ginecologista a remove cirurgicamente, mas isso não significa que a paciente ficou curada do HPV. Se ela permanecer infectada, novas lesões potencialmente malignas podem surgir ao longo dos anos.

Falamos com mais detalhes sobre o tratamento e a cura do HPV no seguinte artigo: O VÍRUS HPV TEM CURA?.

Prevenção do HPV

Apesar de ser uma importante medida de prevenção, a camisinha não é 100% eficaz contra a transmissão do HPV. Isso ocorre porque o vírus pode estar presente em áreas da genitália que não ficam cobertas pelo preservativo.

Para haver real prevenção da infecção pelo vírus, a melhor opção é a vacina. Existem 2 vacinas contra o HPV, uma que protege contra os subtipos 16 e 18, os mais perigosos para o câncer de colo do útero, e outra que protege contra os subtipos 16, 18, 6 e 11, eficaz contra o câncer do colo do útero e contra as verrugas genitais.

As vacinas contra HPV são muito eficazes, com taxas de sucesso acima de 95%, principalmente quando administradas em meninas jovens, que ainda não começaram a sua vida sexual e, portanto, nunca tiveram contato com o papilomavírus humano.

Apesar da frequentes campanhas obscurantistas e caluniosas que tentam desqualificar a importância da vacinação, o fato é que a vacina contra o HPV apresenta sólida base científica, tanto na questão da eficácia quanto da sua segurança.

Não deixe de ver também esse curto vídeo, produzido pela equipe do MD.Saúde, que explica de forma simples a vacinação contra o HPV.

vacina-hpv-video

Para saber mais sobre a vacina contra o papilomavírus humano, leia: VACINA CONTRA HPV | Eficácia, efeitos e indicações.

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25 Comentários

  1. Naval-BR Cuzco

    Gostei muito dessa matéria, Fui diagnosticado com hpv na glande e foi super simples, o medico disse “apareceu! vamos fazer eletrocoagulação”, ja no caso da minha esposa ele recomendou fazer captura hídrica, porque no preventivo não apareceu nada. Saberia o porque ele recomendou essa captura hídrica exatamente?

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      Captura híbrida é o nome de um teste que pesquisa especificamente a presença do HPV.

  2. Baltazar Abrantes

    Com licença, Dr. Pedro Pinheiro, eu tenho uma dúvida. Em uma discussão q vi no Facebook, q acabou dando briga entre 2 pessoas praticamente sem diploma superior da área médica e q se deixam levar pelo senso comum contra outra, amiga virtual minha, de mais idade, bióloga médica formada com 9 anos de estudo na área da Saúde humana e um número maior ainda trabalhando na área, acabei descobrindo o link desta discussão. Um dos 2 garotos postou o link p essa sua discussão, e essa minha amiga (desculpe, prefiro ñ citar os nomes dos envolvidos, quero evitar confusão) havia compartilhado esse link antes, q estão dizendo q é falso, Gostaria q o senhor lesse o link e me explicasse por gentileza se o seu artigo contraria o link da minha amiga e vice-versa. Li os 2 e ñ vejo como um possa contradizer o outro, mas como ñ sou médico preferi vir questionar quem é. Segue o link q minha amiga compartilhou na discussão.

    http://saude.ig.com.br/minhasaude/2015-03-11/tire-suas-duvidas-sobre-a-vacina-contra-o-hpv.html

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      As informações contidas nesse link que sua amiga compartilhou estão corretas.

  3. Will

    Dr, um tempo atrás apareceu uma pequena verruga no meu penis e sumiu depois de alguns meses, como saber se ainda tenho o vírus?

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      Não dá pra saber de forma simples. Teria que colher amostra da pele da glande. Não é prático. Se a verruga sumiu, em princípio, o seu corpo conseguiu eliminar o vírus.

  4. Renato

    Olá Dr. Predro Pinheiro.

    Tentei postar uma pergunta mas fiquei sem conexão no momento. Vou repeti-la mas caso já tenha sido enviada peço desculpas:

    Estou fazendo um trabalho e pesquisei bastante
    sobre o assunto e gostaria de saber se o Sr. concorda que no caso do
    homem com pênis sem lesões que recebe sexo oral de mulher (apenas esse
    caso exclusivo) o risco de contrair HPV e outras DST são muitos baixos e
    o risco de contrair HIV é nulo, caso ela tenha alguma dessas doenças.
    Nos trabalhos e pesquisas que li há um entendimento nesse sentido.

    Grato.

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      Imagino que você esteja perguntando em relação ao homem.
      O risco é baixo, mas não é nulo, mesmo para HIV.
      Transmissão do HPV por sexo oral é que eu não me lembro de já ter visto algum caso descrito.

  5. Roberto Moreno

    Olá, Dr. Pedro Pinheiro – agradeço obter o vosso comentário sobre este video –
    ONU, HPV e o Crime do Século. ## Link removido pelo moderador ##

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      Estou aqui há 5 minutos procurando uma palavra mais amena para classificar esse vídeo, mas não consigo. É uma maluquice. É apenas mais uma campanha obscurantista, baseada em uma maluca teoria da conspiração divulgada por pessoas que não fazem a menor ideia de como o método científico funciona. Aliás, vendo os outros vídeos desse canal, dá pra pra ver que o autor é uma pessoa bem desequilibrada.
      Se você estivesse doente e fosse internado, aceitaria que essa pessoa assumisse o lugar do médico e decidisse que tipo de tratamento você iria tomar? Claro que não, né? Então porque você acha que ela tem alguma capacidade de julgar ou criticar uma vacina que já foi exaustivamente estudada e é aprovada por todos os órgãos de saúde do mundo? No meio científico, ou seja, entre as pessoas que realmente dedicam a vida estudando medicina, não existe mais nenhuma dúvida de que a vacina é segura e eficaz.

  6. Guilherme Leo

    uma pessoa que tenha tido hpv nunca mais poderá doar sangue?

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      Pode.

  7. Bruno

    Olá tenho verrugas na mão.. mas tenho 5 em uma mão! Pode ser HPV?

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      Toda verruga é HPV. Mas o HPV que causa verruga na mão é diferente do HPV que causa lesão genital.

  8. magali

    Boa noite. Acessei o site a fim de maiores informações sobre o Zoster. E me surpreendi com a quantidade de esclarecimentos em linguagem fácil e acessível a todos e os vários links relacionados. Notei , também, o cuidado por atualizá lo. Parabéns .
    Muito difícil sítios desse nível.

  9. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

    Depende do subtipo do HPV.

  10. Giselle

    Boa noite doutor!
    Me contamine pelo HPV e Herpes genital a 2 anos. Tive condilomas 8 meses após a infecção e desde então não apresento mais sintomas nem alterações no exame papanicolau .Qual a possibilidade de desenvolver um câncer ou ter me curado?Aguardo a resposta.

  11. sil

    por favor doutor nao encontro seu numero no CRM, preciso sita-lo e preciso do numero.

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      Eu não tenho número do CRM, pois vivo em Portugal. Meu número da Ordem dos Médicos de Portugal é 47883.

  12. paula

    Dr. O que significa quando no reslutado do preventivo der ausencia de malignidade, mas deu também alterações em celular importantes.

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      Tem que saber que tipo de alterações celulares são essas. Esse é um termo muito inespecífico.

  13. GALILEU

    OI, Dr. Pedro. O uso da hemoterapia é saudável?

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      Não há nenhuma evidência científica de que a auto-hemoterapia funcione e há vários relatos sobre problemas causados por esse tipo de “tratamento”.

  14. RenataCMS

    Olá doutor, existe algum remédio caseiro que ajude a eliminar o HPV do organismo?

    1. Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

      Infelizmente, não existe remédio caseiro que cure o HPV. Aliás, não existe nem remédio caseiro nem remédio industrial. Não existe tratamento diretamente contra o vírus que tenha comprovação científica. O que há por aí é muito charlatanismo e muita gente querendo ganhar dinheiro em cima da doença dos outros.