Remédio para disfunção erétil

Durante muito tempo o tratamento para a impotência sexual se restringia a injeções no pênis, mecanismos que criam vácuos ou próteses implantadas através de cirurgias. Desde o final da década de 1990, porém, há uma opção simples e cômoda para a disfunção erétil, as drogas inibidoras da Fosfodiesterase Tipo 5 (PDE-5), conhecidas comercialmente por Viagra, Cialis e Levitra.

Neste artigo vamos explicar como drogas contra a disfunção erétil funcionam. Vamos falar também sobre as suas indicações, contraindicações e os efeitos colaterais mais comuns.

Se você procura informações sobre as causas da impotência sexual, acesse o seguinte link: IMPOTÊNCIA SEXUAL – Causas e Tratamento.

Como ocorre a ereção?

Para entender como funcionam os inibidores da PDE-5, é preciso entender como ocorre a ereção normal do pênis.

Existem duas estruturas cilíndricas amplamente vascularizadas dentro do pênis, chamadas de corpo cavernoso. Quando ocorre um estímulo sexual, o fluxo sanguíneo para estas estruturas aumenta, provocando aumento do tamanho do pênis e consequente compressão das veias penianas. Estas veias é que são responsáveis pelo retorno do sangue para o resto do organismo e por isso, quando estão comprimidas, ficam impossibilitadas de exercer seu papel. Isso acarreta retenção de sangue no corpo cavernoso, mantendo a ereção, que só é interrompida quando acaba o estímulo sexual. Quando há um orgasmo ou quando o estímulo para a ereção acaba, o corpo cavernoso se esvazia e o pênis volta a ficar flácido.

Anatomia do pênis
Anatomia do pênis  (clique p/ampliar. Atenção: A imagem acima  pode ser considerada ofensiva para certas pessoas)

Para que o corpo cavernoso encha-se de sangue é preciso um sinal do sistema nervoso central, liberando uma substância chamada óxido nítrico. Este neurotransmissor é quem relaxa os vasos sanguíneos do corpo cavernoso, facilitando a entrada de sangue no mesmo. Enquanto houver óxido nítrico no corpo cavernoso, o pênis se manterá cheio de sangue, e portanto, ereto; quando os níveis de óxido nítrico caem, a ereção termina.

A ereção, entretanto, é um processo mais complexo do que este explicado acima. Fatores hormonais e psicológicos interferem neste mecanismo. Por exemplo, homens com baixos níveis de testosterona não conseguem produzir quantidades suficientes de óxido nítrico. O mesmo pode ocorrer durante períodos de estresse ou ansiedade. A ereção depende, portanto, de fatores vasculares, neurológicos, hormonais e psicológicos. Um paciente com diabetes e vasos doentes pode não conseguir fornecer sangue suficiente para o pênis se encher, mesmo que haja óxido nítrico suficiente.

Antes de seguir em frente, assista a um curto vídeo sobre disfunção erétil de origem psicológica.

Como funcionam o Viagra, Cialis e Levitra

Para não entrarmos em complexos mecanismos biológicos e químicos, podemos dizer, grosso modo, que a substância responsável pela eliminação da ação óxido nítrico, responsável pela ereção, chama-se Fosfodiesterase Tipo 5 (PDE-5). Quando administramos drogas que inibam esta PDE-5, teremos uma ação mais prolongada do óxido nítrico, garantindo assim uma maior facilidade no aporte de sangue para o corpo cavernoso.

Existem atualmente três drogas diferentes que agem na inibição da PDE-5:

  • Sildenafil (Viagra®) 
  • Vardenafil (Levitra®)
  • Tadalafil (Cialis®) 

Sabendo agora como funciona a ereção e como agem estas drogas, já é possível imaginar que o Viagra ou outros inibidores da PDE-5 podem não funcionar em alguns pacientes, principalmente aqueles com problemas nos nervos e nos vasos do pênis. A taxa de sucesso encontra-se ao redor de 70%, sendo mais alta em pacientes apenas com problemas psicológicos e mais baixa naqueles com diabetes mal controlado ou lesão dos nervos da pelve após cirurgia de próstata.

Sildenafil (Viagra®)

O sildenafil, comercializado sob o nome Viagra® desde em 1998, foi a primeira droga da classe dos inibidores da PDE-5 a ser lançada no mercado. É atualmente a droga por via oral para impotência sexual mais testada e estudada.

O Viagra é vendido em comprimidos de 25 mg, 50mg ou 100mg, com posologia que varia entre 25mg a 100mg por dia, dependendo da avaliação médica. O comprimido deve ser tomado idealmente de estômago vazio (pelo menos 2 horas depois da última refeição) e 1 hora antes da relação sexual. O Sildenafil não é um medicamento para ser usado todo dia; o intervalo mínimo entre uma dose e outra deve ser de pelo menos 24 horas.

A ação do Viagra inicia-se com 30 minutos e dura por até 4 horas, mas isso não significa que o paciente apresentará ereção durante todo esse tempo. O Sildenafil é apenas um facilitador da ereção, pois ele aumenta o tempo de existência do óxido nítrico já produzido, não influenciando diretamente na sua produção. Se não houver estímulo sexual, não haverá estímulo para liberação do óxido nítrico e consequentemente ereção, exatamente como ocorre normalmente com todas as pessoas.

Contra-indicações do Viagra

O Viagra é uma droga bastante segura, com mais de 12 anos no mercado. Porém, como qualquer medicamento, existem contra-indicações e efeitos colaterais. A contra-indicação mais conhecida é em pacientes com doenças cardíacas em uso de nitratos.

O Sildenafil é um vasodilatador e apesar de agir preferencialmente nos vasos do pênis, há também um aumento do óxido nítrico sistêmico causando uma redução da pressão arterial. Em pessoas saudáveis esta queda é pequena é costuma ser assintomática. Porém, o uso do Viagra com remédios para hipertensão deve ser feita com cuidado. Os nitratos (isordil, monocordil, monoket, etc.), usados para a doenças cardíacas, são vasodilatadores cuja a ação é excessivamente potencializada pelo Sildenafil, podendo causar uma importante queda da pressão arterial, síncope (leia: DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL) e até isquemia cardíaca (leia: INFARTO DO MIOCÁRDIO | Causas e prevenção).

Medicamentos usados para a hipertrofia da próstata, como doxazosin e terazosin, também têm efeitos vasodilatadores potencializados pelo Viagra e também podem causar hipotensão. Desta classe, a tansulosina parece ser a droga mais segura para ser tomado junto com o Viagra.

Em pacientes com insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA | CAUSAS E SINTOMA), o Viagra também não deve ser usado sem explicita autorização médica, pois pode causar descompensação do quadro. Pacientes com histórico de AVC, principalmente nos últimos 6 meses, também devem ter cautela com o uso do Sildenafil (leia: AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | Sintomas e tratamento).

Algumas drogas alteram o efeito do Viagra e a sua associação também deve ser evitada, entre elas:
– Eritromicina, cetoconazol, cimetidina, itraconazol, rifampicina, fenitoína, indinavir e ritonavir.

O Viagra não deve ser usado em conjunto com outros inibidores da PDE-5 como o Cialis e o Levitra. Não há potencialização da ereção com esta combinação e ainda existe elevado risco de toxicidade. Os inibidores da  PDE-5 em doses muito elevadas (acima das indicadas) podem causar AVC e hipotensões graves.

Efeitos colaterais do Viagra

O efeito colateral mais comum do Sildenafil são a dor de cabeça e tonturas, causados pelos efeitos sistêmicos da vaso dilatação. Azia também é um sintoma comum.

Outros efeitos mais raros incluem alterações visuais como visão azulada, borrada ou aumento de sensibilidade à luz. Alterações auditivas como perda da audição (em alguns casos definitiva) também podem ocorrem.

O priapismo, que é a ereção prolongada e dolorosa, é um evento muito raro, mas que pode ocorrer após o uso do Viagra. Todo paciente com ereção contínua por mais de 4 horas deve procurar um serviço de emergência pois há risco de isquemia e trombose do pênis. O priapismo é um efeito colateral mais comum quando o Viagra é usado de modo recreacional por pessoas jovens e associado a outras drogas como ecstasy, cocaína e anfetaminas.

Vardenafil (Levitra®)

O Levitra é uma droga lançada em 2003, comercializado em comprimidos de 2,5mg, 5mg, 10mg e 20mg. Assim como o Viagra, deve ser tomado 1 hora antes da relação sexual, e, de preferência, longe da última refeição. A ação também dura aproximadamente 4 horas.

Os perfis de efeitos colaterais e contra-indicações do Levitra são semelhantes ao do Viagra.

Tadalafil (Cialis®)

O Cialis também foi lançado em 2003 e é comercializado em comprimidos de 5mg,10mg e 20mg. Não há diferenças entre a eficácia do Cialis, do Levitra e do Viagra, porém, o primeiro apresenta algumas particularidades: o Cialis tem um efeito mais prolongado, que dura por até 36 horas, não parece causar as raras alterações visuais do Viagra e do Levitra, e pode ser tomado próximo das refeições. Fora essas pequenas diferenças, os 3 medicamentos são muito parecidos.

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Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (U.F.R.J) em 2002. Especialista em Medicina Interna e Nefrologia. Títulos reconhecidos pela Faculdade do Porto, Ordem dos Médicos de Portugal e Colégio de Nefrologia Português.