Introdução à identidade de gênero e LGBTQIA+

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O que significa LGBTQIA+?

A população LGBTQIA+ é um grupo diversificado que engloba várias identidades sexuais e de gênero. Inicialmente conhecida como movimento GLS, sigla para gays, lésbicas e simpatizantes, o termo evoluiu nos últimos anos para LGBTQIA+, representando Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Queer, Intersexuais, Assexuais e outras identidades.

Cada letra do acrônimo LGBTQIA+ reconhece a diversidade de sexualidades e identidades de gênero, cada uma com suas características e necessidades específicas, especialmente no que se refere à saúde e ao bem-estar mental.

A sigla LGBTQIA+ continua mudando à medida que aprendemos e aceitamos mais sobre as diferentes sexualidades e identidades de gênero. O sinal de “+” no final significa que todos são bem-vindos, mesmo que sua identidade não esteja diretamente listada nas letras do grupo.

Nota: a sigla mais atual é LGBTQIAPN+, pois também inclui Pansexuais e Não-binários. Ao longo do texto, utilizarei a forma LGBTQIA+, que ainda é a mais conhecida do público em geral.

Entendendo os termos relacionados à sexualidade e gênero

Ao longo dos anos, foram desenvolvidos diversos termos que se propõem discutir e reconhecer questões importantes no campo da sexualidade e da identidade de gênero. O objetivo dos termos explicados a seguir é esclarecer diferentes contextos e expressões de identidade sexual e de gênero, bem como proporcionar uma linguagem mais inclusiva e representativa.

É importante ressaltar que os termos explicados a seguir não devem ser usados como diagnósticos, pois o foco principal é compreender as demandas psicológicas de cada pessoa relacionadas à sua sexualidade e identidade de gênero.

Sexo designado ao nascer ou sexo biológico

Definindo em masculino, feminino ou intersexo*, o sexo biológico é designado mesmo antes do nascimento, nas consultas pré-natais, baseando-se na composição genética dos cromossomos e na visualização da genitália externa.

* As pessoas intersexuais podem nascer com características que não são claramente masculinas ou femininas, ou podem ter características de ambos os sexos. Por exemplo, uma pessoa pode ter genitália que parece feminina do lado de fora, mas tem anatomia masculina interna. Ou pode ter cromossomos que não são tipicamente XX (feminino) ou XY (masculino), como XXY, XYY ou outras combinações.

Gênero

Definição que perpassa por aspectos psicoculturais, sendo entendida como a forma em que o sexo biológico é construído socialmente, além do aspecto orgânico. O gênero envolve as vestimentas, gesticulações e redes de sociabilidade, dentre outros fatores. Frases ouvidas no dia a dia, como “isso não é coisa de homem’’, mostram que não é apenas a anatomia que define puramente esses conceitos. Existem masculinidades e feminilidades construídas e sustentadas culturalmente. 

Identidade de gênero

A identidade de gênero tem a ver com percepções próprias acerca da forma como o indivíduo se observa inserido no seu meio, envolvendo questões emocionais.

A identidade de gênero não necessariamente corresponde ao sexo biológico previamente designado; o indivíduo pode se identificar com aspectos da masculinidade, da feminilidade, da mistura de ambos ou com um caráter fluido.

Quando a identificação do gênero bate com o sexo biológico, os indivíduos são chamados de cisgêneros. Quando a identificação do gênero não corresponde ao sexo biológico, os indivíduos são chamados de transgêneros.

Expressão de gênero

Essa é a maneira como cada pessoa se mostra para a sociedade; refere-se à maneira como uma pessoa expressa seu gênero por meio de aspectos como comportamento, vestuário, corte de cabelo, voz, linguagem corporal, entre outros.

A expressão de gênero nem sempre tem a ver com a identidade de gênero da pessoa, porque ela pode ser influenciada por fatores biológicos, psicológicos e culturais. Algumas pessoas se expressam fora dos comportamentos socioculturais esperados de um determinado gênero – a depender, inclusive do contexto cultura ou social.

Portanto, a expressão de gênero não é o mesmo que identidade de gênero. A identidade de gênero é a percepção interna e profundamente mantida de uma pessoa sobre seu próprio gênero, enquanto a expressão de gênero é a manifestação externa dessa identidade.

Disforia de gênero

A disforia de gênero ocorre quando há um incômodo pela inconformidade entre identidade de gênero e o sexo biológico. Alguns se utilizam de meios cirúrgicos e hormonais para a afirmação da sua identidade de gênero, sendo identificados como pessoas transexuais.

O Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5) inclui a disforia de gênero como um diagnóstico para pessoas cujo sofrimento é clinicamente significativo e prejudica o funcionamento social, profissional ou de outras áreas importantes. O grau e a gravidade da disforia de gênero são muito variáveis entre as pessoas transgênero.

Transexual

Termo usado algumas vezes na literatura médica ou por algumas pessoas transgênero para descrever pessoas que passaram pelo processo de tratamentos médicos de afirmação de gênero (ou seja, hormônios de afirmação de gênero ou cirurgias).

Gênero fluido

Descreve uma pessoa cuja identidade de gênero não é fixa. A pessoa fluida pode se identificar com um gênero em certos momentos, com outro gênero em outros momentos, e pode até se identificar com ambos os gêneros simultaneamente. Em algumas ocasiões, ela pode não se identificar com nenhum gênero.

Gênero não-binário

Descreve uma pessoa cuja identidade de gênero não se enquadra na estrutura binária de gênero tradicional de menina/mulher e menino/homem. Os não-binários incluem identidades como gênero queer, agênero, andrógino, etc.

Agênero

Descreve uma pessoa que se identifica como não tendo gênero ou que não sente o gênero como um componente primário da identidade.

Queer

Termo abrangente que descreve pessoas que consideram sua orientação sexual ou identidade de gênero como fora das normas sociais. Algumas pessoas consideram o termo queer como mais fluido e inclusivo do que as categorias tradicionais de orientação sexual e identidade de gênero. Embora o termo queer tenha sido historicamente usado como uma calúnia, ele foi recuperado por muitos como um termo de capacitação. No entanto, alguns ainda consideram o termo ofensivo.

Andrógino

Geralmente se refere a uma mescla de características masculinas e femininas que podem ser expressas na aparência física, no comportamento, no vestuário ou na identidade de gênero de uma pessoa.

Orientação sexual

Engloba a atração física e afetiva de um indivíduo e para qual gênero esse desejo é direcionado. Uma pessoa pode se sentir atraída por pessoas do mesmo gênero (homossexual), do gênero oposto (heterossexual), de ambos os gêneros (bissexual), de todos os gêneros (pansexuais) ou nenhum deles (assexual), entre outras possibilidades.

Portanto, sexo biológico, gênero e orientação sexual não são conceitos rigidamente ligados entre si. Isso significa que os três operam independentemente e podem apresentar uma variedade de combinações diferentes entre os indivíduos.

Sexualidade

Sexualidade é definida pela Organização Mundial de Saúde como “uma energia que nos motiva para encontrar amor, contato, ternura e intimidade; ela integra-se no modo como sentimos, movemos, tocamos e somos tocados, é ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental’’.

Indivíduos experienciam suas sexualidades de diferentes formas e isso pode mudar ao longo da vida.

Assexual

Descreve uma pessoa que sente pouca ou nenhuma atração sexual por outras. Os indivíduos assexuais podem eventualmente se envolver em atividades sexuais.

Pansexual

Uma orientação sexual que descreve uma pessoa que se sente emocional e fisicamente atraída por pessoas de todas as identidades de gênero, ou cujas atrações não estão relacionadas ao gênero de outras pessoas.

Identidade de gênero, orientação sexual, sexo biológico e expressão de gênero.
Fonte: perfil do Instagram @ongvivadiversidade

Percepção do gênero na infância

Durante a infância, as crianças se tornam conscientes de seus órgãos genitais e, entre 9 meses e 3 anos, já entendem que existem diferenças entre os gêneros. Até os 4 anos, já usam os pronomes, sabem identificar os gêneros e até realizam a segregação sexual nas brincadeiras com os colegas, separando-se por grupos de meninos e meninas.

A identidade de gênero se dá por volta dos 3 a 5 anos de idade e a orientação sexual costuma ser percebida pelo indivíduo ao final da infância, em torno dos 9-10 anos. A orientação sexual, assim como a identidade de gênero, são componentes da personalidade, e independem da vontade do indivíduo ou da educação recebida em casa, não podendo ser modificada por pessoas da família, escola ou sociedade.

Como a identidade de gênero se apresenta

A idade em que indivíduos transgêneros reconhecem plenamente sua identidade de gênero varia desde a infância até a velhice.

A apresentação das crianças transgêneros pode variar consoante a cultura, a personalidade e a receptividade do meio quanto às questões de gênero. Apesar disso, a maioria dos indivíduos transgêneros reconhece que seu gênero difere do sexo atribuído no nascimento antes da adolescência. Em retrospectiva, muitos jovens concordam que no início da infância sentiram que algo era “diferente” sobre eles em comparação com seus colegas, mas não tinham palavras ou conceitos para descrever a discordância entre seu corpo e sua identidade.

Durante a infância, a preferência por roupas, penteados, brinquedos, atividades e companheiros de brincadeira socialmente lidos como “mais apropriados para outro gênero” podem indicar uma identificação diferente dos componentes biológicos.

Em homens designados por nascimento, pode haver interesse em bonecas, vestidos, perucas, maquiagem e personagens femininos. Já as mulheres designadas por nascimento podem não gostar de roupas femininas, preferir cortes de cabelo curtos, escolher papéis tradicionalmente masculinos em peças e preferir atividades mais físicas.

No entanto, não é porque um menino gosta de brincar de boneca ou uma menina de jogar futebol que isso necessariamente indica inconformidade do seu gênero com o sexo biológico. Explorar o gênero e os comportamentos sexuais é uma parte normal do desenvolvimento infantil.

Em algum momento da infância, muitas crianças podem mostrar interesse em brinquedos, jogos e roupas socialmente vistos como “de outro gênero”. Apoiar esse interesse não “empurra” a criança a “assumir” uma identidade diferente da biológica ou uma orientação sexual não-heterossexual, trata-se de uma curiosidade comum nessa faixa etária.

Também existem os casos de crianças que estão longe dos polos, possuindo identidades sem limitações binárias, como uma combinação entre homem e mulher ou uma alternância entre esses papéis.

Disforia de gênero nas crianças

As crianças transgênero geralmente não apresentam disforia de gênero, conforme definido no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5) e explicado no início do texto. Elas podem não ter uma compreensão clara de que sua identidade de gênero não corresponde aos seus órgãos genitais, e a principal angústia está relacionada à incapacidade de serem percebidos pelos outros como seu gênero autêntico.

A disforia de gênero pode surgir por volta dos 5 a 7 anos, à medida que a criança começa a entender a constância do gênero designado, ou seja, que ela será um menino/homem ou uma menina/mulher para sempre, independentemente do contexto. Nesse sentido, alguns indivíduos podem dizer que houve um erro e que estão no corpo errado, além de expressarem descontentamento com a anatomia genital.

Entretanto, é improvável que a disforia de gênero seja reconhecida se a criança não puder ou não quiser expressá-la por meio de atividades ou verbalização. As crianças que não têm a linguagem ou a sofisticação para expressar preocupações com o gênero podem se apresentar de outras formas (por exemplo, problemas de humor ou de comportamento).

Disforia de gênero nos adolescentes

Durante a adolescência, para os indivíduos transgêneros, as mudanças físicas que ocorrem na puberdade são especialmente difíceis de lidar, pois o aparecimento de características sexuais secundárias e inerentes ao seu sexo biológico são indesejadas e muitos descrevem como uma traição ao próprio corpo.

Além disso, esses jovens veem a puberdade como uma fase de sua vida em que seus corpos amadurecem em direção à fase adulta numa perspectiva que vai contra ao seu “verdadeiro eu”. Logo, muitos adolescentes transgêneros desenvolvem uma certa dificuldade em lidar com as esferas sociais e acadêmicas de suas vidas à medida que a puberdade vai progredindo.

Muitos jovens só se identificam como transgêneros pela primeira vez na adolescência, principalmente aqueles que viveram infâncias “neutras” em termos de gênero, pois só vão perceber que não se reconhecem nos corpos que possuem ao passarem pela puberdade.

Outros, os que reprimiram seus sentimentos e expressão de gênero durante a infância, podem vivenciar o processo de descobrimento da disforia de gênero de maneira mais intensa que o esperado durante o desenvolvimento puberal.

Assim sendo, o sentimento de incongruência de gênero, associado às mudanças corporais, sociais e emocionais da adolescência, acaba tornando essa fase da vida mais complexa e difícil de lidar, o que pode levar esses adolescentes ao isolamento, ansiedade, baixa autoestima, depressão, submissão a situações de extrema vulnerabilidade (perda de apoio financeiro, saída precoce do lar, agressão física e exploração sexual) e a terem comportamentos perigosos, como o uso de drogas ilícitas e atividade sexual desprotegida.

Entretanto, o apoio dos pais ou responsáveis legais e o acesso precoce aos cuidados que acolham sua afirmação de gênero pode reduzir alguns desses efeitos que o estigma e a discriminação têm sobre a saúde mental e oportunidades sociais de adolescentes transgêneros.

O que pode afetar a saúde da população LGBTQIA+?

Podemos refletir sobre os aspectos relevantes da saúde da População LGBTQIA+, desde a infância até a vida adulta. Não enxergar uma criança como ela é, mas como se quer que ela seja, é uma vivência frequente de pessoas LGBTQIA+.

Crianças deste grupo têm experiências de vida negativas com frequência maior do que crianças cis heterossexuais. A pressão é diferente entre meninos e meninas, uma vez que na sociedade ocidental é mais aceitável ser uma menina “masculinizada”, que goste de carros e de futebol, do que um menino com comportamentos associados ao gênero feminino, como, por exemplo, meninos que gostem de bonecas e dança.

Por outro lado, ser menina em uma sociedade machista impõe outras opressões, como reprimir sua sexualidade, e isso se dá tanto para indivíduos cisgênero, quanto para indivíduos transgênero.

Ser julgado por uma característica pessoal é diferente de ser julgado por um comportamento ou uma vestimenta. Não dá para mudar o que faz parte do ser, não é como trocar a roupa ou só usá-la em um local no qual ela seja aceita. O relato de viver diariamente a tensão entre o ser autêntico e a impressão que quer causar nos outros é frequente entre pessoas LGBTQIA+. Tentar se esconder, mudando roupas e comportamentos, imprime vergonha, reduz autoestima e espontaneidade, e prejudica o desenvolvimento na infância.

Na adolescência, o corpo passa por transformações como o aparecimento de pelos na região genital e axila, crescimento das mamas em mulheres, modificação da voz, entre outras. Em pessoas cisgênero é comum um estranhamento inicial, seguido de aceitação e por vezes orgulho.

A curiosidade pelo próprio corpo migra para o interesse pelos outros e a orientação sexual se torna mais clara, por meio da sensação de atração e desejos. A comparação, a identificação e a necessidade de aceitação de outros adolescentes são uma forte característica dessa fase.

A padronização traz conforto ao adolescente e facilita o enfrentamento de novidades que envolvem seus sentimentos e corpos. Olhar para o outro e identificar a semelhança traz alívio para suas angústias. E isso muitas vezes é negado ao adolescente LGBTQIA+. 

Apesar de alguns indivíduos relatarem que já achavam que eram LGBTQIA+ em torno de 7 a 9 anos de idade, a maioria passa a se identificar como tal aos 13 anos e comunica suas famílias um ano depois.

A comunicação de sua orientação sexual a amigos e familiares costuma ser um momento de grande desafio, mas pode se tornar mais tranquila quando a criança é criada em um ambiente com diálogo, em uma família que se mostre aberta a essa possibilidade e onde não exista o medo de reações negativas, como ser ridicularizado ou rejeitado. O mesmo acontece com os amigos e a escola.

No entanto, entendemos que isso ocorre de forma processual, pois antes de exteriorizar uma orientação sexual diferente da heterocisnormatividade, a criança/adolescente tem que se aceitar, uma tarefa difícil quando as informações recebidas do mundo são de preconceito, estigmatização e violência.

Aqueles que não se comportam conforme as regras da sociedade e da família, que têm atitudes diferentes das tidas como tipicamente masculinas ou femininas, frequentemente são objeto de brincadeiras e humilhação. A homofobia e a bifobia podem ser difundidas desde a mais tenra idade, e o abuso e exclusão homo/bifóbicos são geralmente direcionados àqueles cuja aparência ou comportamento são considerados diferentes.

A pressão para a padronização dos comportamentos é forte, mesmo em famílias que não considerem isso um problema, mas que acabam reprimindo seus filhos na intenção de protegê-los das possíveis agressões, físicas ou verbais, a que estão expostos fora de casa.

Como consequência desses cenários adversos, esse grupo de pessoas torna-se susceptível à comportamentos de risco, como fumar, beber, usar outras substâncias, praticar autolesão, ter restrições ou compulsões alimentares, se isolar socialmente, se expor a situações estressantes ou traumáticas como diferentes formas de abusos e negligências. É pouco provável que uma pessoa LGBTQIA+ chegue à idade adulta sem ter tido nenhuma experiência como as citadas anteriormente.

A escola, ambiente às vezes mais frequentado do que a própria casa, e onde se reúnem pessoas provenientes das mais diversas formas de educação, culturas e crenças, pode ser bastante hostil para esse grupo de pessoas.

Existem escolas que negam a existência do problema, assim como existem as que assumem, mas que não sabem como lidar com ele. Por mais que a instituição esteja atenta, piadinhas nos corredores não são escutadas pelos responsáveis, assim como exclusões podem não ser percebidas ou consideradas “normais para a idade”. A criação de um ambiente de aprendizado seguro e favorável para todos os alunos, assim como viver em uma família que cuide e aceite diferentes questões de gênero e sexualidade é especialmente importante para a sociedade. 

Para que os jovens prosperem nas escolas e nas comunidades, precisam se sentir social, física e mentalmente apoiados. Um clima escolar e comunitário positivo está associado à diminuição de depressão, pensamentos suicidas, uso de substâncias e evasão escolar entre estudantes LGBTQIA+.

Falar sobre diversidade sexual torna o ensino e a sociedade como um todo mais inclusiva, fazendo com que todos sintam suas identidades validadas, facilitando a aceitação, o acolhimento e diminuindo os abismos das diferenças entre seres humanos.

O que é “ideologia de gênero”?

O termo “ideologia de gênero” é frequentemente empregado em debates políticos e sociais, sobretudo por grupos que resistem ao aumento dos direitos e ao reconhecimento das pessoas LGBTQIA+.

Aqueles que rejeitam as pessoas LGBTQIA+ geralmente afirmam a existência de apenas dois gêneros – masculino e feminino -, determinados pelo sexo biológico. Segundo eles, todas as demais identidades de gênero são invenções ou distorções da realidade, que não merecem aceitação ou reconhecimento.

É crucial salientar que o termo “ideologia de gênero” não possui corroboração científica e não é empregado dentro do meio acadêmico, por profissionais de saúde mental, nem pelas comunidades engajadas em estudos de gênero e LGBTQIA+. Esse termo é inclusive considerado pejorativo.

A maioria dos especialistas em estudos de gênero e saúde mental concorda que a identidade de gênero é uma característica complexa que pode divergir do sexo biológico de um indivíduo. A diversidade de gênero não é uma “ideologia”, mas sim uma parte real e comprovada da diversidade humana.

Este artigo foi escrito pela Profa. Dra. Claudia Miliauskas e pelos estudantes de graduação da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ: Thiago Braz, Mariana Fialho Araújo da Silva, Maria Luiza Magalhães Miranda, João Gabriel Freitas Gouvêa e Kelly Soares Correia. O texto foi adaptado à Internet pelo Dr. Pedro Pinheiro.


Referências


Autor(es)

Professora adjunta de Psicologia Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (FCM/UERJ). Doutorado concluído pelo Instituto de Medicina Social/UERJ, departamento de epidemiologia/saúde coletiva. Mestrado em saúde materno-infantil pela Universidade Federal Fluminense. Especialização em terapia familiar sistêmica. Residência médica em pediatria e psiquiatria.

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.


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8 comentários em “Introdução à identidade de gênero e LGBTQIA+”

    • O diagnóstico de disforia de gênero costuma ser feito por profissionais de saúde mental, como psicólogos ou psiquiatras, idealmente que tenham sido treinados para avaliar e diagnosticar condições relacionadas à identidade de gênero.

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  1. Parabéns aos professores e aos alunos que contribuíram para o excelente texto. Muito esclarecedor. Como estudante de medicina e pessoa LGBT, acredito que o caminho ainda é longo e precisamos pensar também na saúde da população LGBTQIA+

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