CÂNCER DE PRÓSTATA – Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

O adenocarcinoma da próstata é um tumor que costuma ser indolente, crescendo de forma lenta e assintomática por vários anos.

O câncer da próstata é o tumor maligno mais comum do sexo masculino (excetuando-se os cânceres de pele) e o segundo que mais mortes causa, perdendo apenas para o câncer de pulmão. Apesar da alta mortalidade, a maioria dos cânceres de próstata costuma ter crescimento lento, ficando anos restrito à próstata sem causar metástases.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre o câncer de próstata (adenocarcinoma de próstata):

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  • O que é e para que serve a próstata.
  • Fatores de risco.
  • Sintomas.
  • Diagnóstico.
  • Opções de tratamento.

O que é a próstata?

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz (3 cm de diâmetro), com aproximadamente 20 gramas de peso e presente apenas no sexo masculino. Localiza-se na base da bexiga e circunda a parte inicial da uretra, canal que leva a urina da bexiga para o pênis.

A próstata faz parte do sistema reprodutor masculino, sendo responsável pela secreção de um fluído alcalino (com pH elevado) que protege os espermatozoides do ambiente ácido da vagina e aumenta sua mobilidade, facilitando a chegada dos mesmos ao óvulo.

Como apresenta íntima relação com a uretra, alterações no tamanho da próstata podem comprimir a mesma e dificultar a drenagem de urina, levando aos sintomas de prostatismo, que serão explicados mais à frente.

Anatomia da próstataComo a próstata encontra-se encostada ao reto, ela pode ser palpada através do toque retal, um dos métodos mais simples de avaliação da glândula. Uma próstata aumentada de tamanho ou de forma irregular devido à presença de um tumor pode ser facilmente identificada por este método. Falaremos com mais detalhes sobre o toque retal na parte de diagnóstico.

A próstata pode crescer e causar sintomas por três motivos:

Hiperplasia benigna da próstata (leia: HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA – Sintomas e tratamento).
Câncer de próstata.
Prostatite (leia: PROSTATITE – Sintomas, causas e tratamento).

Para mais detalhes sobre a próstata, leia: O QUE É A PRÓSTATA?

A hiperplasia benigna da próstata e a prostatite já foram abordados em um texto à parte. Por ora, vamos nos ater ao câncer de próstata.

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Câncer de próstata

Como já referido no início deste texto, o câncer de próstata é o câncer mais comum do sexo masculino. É um tumor que costuma ser indolente, crescendo lentamente, podendo permanecer assintomático por vários anos.

Não sabemos por que o câncer de próstata surge e existem poucos fatores de risco identificados; o principal é a idade, sendo este câncer raro em pacientes com menos de 40 anos e extremamente comum após os 80 anos. Conforme o ser humano começa a viver mais anos, as doenças da próstata começam a ficar cada vez mais frequentes. Como o câncer da próstata costuma ter crescimento lento, permanecendo assintomático por muitos anos, muitos idosos têm a doença e não sabem. Na verdade, estima-se que entre 50% e 80% dos homens acima de 80 anos tenham câncer de próstata em algum grau de desenvolvimento.

Além da idade, também são fatores de risco já identificados:

– Afrodescendência (neste grupo, o câncer de próstata é mais comum e costuma ser mais agressivo).
– História familiar positiva.
– Obesidade (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA | Definições e consequências).
– Tabagismo (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo).

Sintomas do câncer de próstata

Os sintomas dos câncer de próstata costumam ocorrer devido à obstrução da uretra pelo tumor. Entretanto, como a doença costuma progredir lentamente, essa obstrução normalmente só se torna aparente em fases bem avançadas do câncer.

câncer da próstataAo contrário da hiperplasia prostática benigna que faz a próstata crescer de modo uniforme e simétrico, o tumor da próstata apresenta crescimento irregular e localizado. Por isso, dependendo da área onde surge o câncer, pode não haver compressão da uretra e, portanto, sintomas de uma próstata aumentada.

Na ilustração ao lado mostramos dois exemplos de câncer de próstata: à esquerda, um que cresceu ao lado da uretra causando sua compressão; à direita, outro que surgiu longe da uretra e só causará sintomas urinários quando estiver muito grande.

Quando o tumor cresce em direção à uretra e causa obstrução, os sintomas mais comuns são:

– Dificuldade para urinar
– Jato de urina fraco
– Dor ao urinar
– Necessidade de urinar com frequência, uma vez que, com a obstrução da passagem da urina, a bexiga está constantemente cheia, conseguindo apenas esvaziar pequenos volumes de cada vez.

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Aqui vale ressaltar que, pelos motivos explicados nos parágrafos anteriores, estes sintomas urinários são muito mais comuns na hiperplasia benigna da próstata do que no câncer de próstata. A maioria dos idosos com queixas urinárias tem, na verdade, hiperplasia da próstata. Como ambas as doenças são muito comuns nos idosos, o paciente pode até ter a hiperplasia e um câncer juntos, mas os sintomas são normalmente causados pelo primeiro.

Atualmente a maioria dos cânceres da próstata são detectados em fases iniciais, antes de causarem sintomas, através do exame de PSA, da ultrassonografia de próstata e do toque retal.

A hematúria e a hematospermia (sangue na urina e no esperma, respectivamente) podem ocorrer no câncer de próstata, mas não são sintomas comuns. Nestes casos deve-se pensar também em cálculo renal, infecção urinária ou câncer da bexiga. (leia: HEMATÚRIA ( URINA COM SANGUE).

A disfunção erétil pode ser um dos sintomas do câncer de próstata, mas também é pouco comum. A imensa maioria dos casos de dificuldade de ereção em idosos não é causada pelo câncer de próstata (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento).

Alguns doentes que não fazem exames para o rastreio da doença podem só descobrir o tumor de próstata quando as metástases começam a provocar sintomas. Se o tumor surgir longe da uretra, ele ira causar metástases antes de provocar sintomas urinários. Neste caso, os sintomas mais comum são as dores e fraturas por metástases para os ossos.

Para evitar situações como esta última, as sociedades internacionais de urologia recomendam o rastreio para o carcinoma de próstata de todos os homens com mais de 45 anos de idade.

Para saber mais sobre os sintomas de doenças da próstata, leia: SINTOMAS DA PRÓSTATA.

Diagnóstico do câncer de próstata

Existe um tabela de pontos chamada de ESCORE INTERNACIONAL DE SINTOMAS PROSTÁTICOS. São sete perguntas e cada uma recebe uma pontuação de 0 a 5

  • Quantas vezes ficou a sensação de não esvaziar totalmente a bexiga?
  • Quantas vezes teve de urinar novamente menos de duas horas após ter urinado?
  • Quantas vezes observou que, ao urinar, parou e recomeçou várias vezes?
  • Quantas vezes observou que foi difícil conter a urina?
  • Quantas vezes observou que o jato urinário estava fraco?
  • Quantas vezes teve de fazer força para começar a urinar?
  • Quantas vezes, em média, teve de se levantar à noite para urinar?

0 = Nenhuma
1 = Menos de 1 vez em 5
2 = Menos da metade das vezes
3 = Metade das vezes
4 = Mais da metade das vezes
5 = Quase sempre

Leve: 0 a 7;
Moderada: 8 a 19;
Severa: 20 ou mais

O escore acima avalia a severidade dos sintomas prostáticos, mas não diferencia entre HPB, câncer e prostatite. O diagnóstico diferencial envolve o toque retal, a dosagem do PSA, ultrassonografia transretal e a biópsia da próstata.

Toque retal - câncer de próstataO toque retal consegue detectar aqueles tumores que crescem em direção ao reto. Porém, até 35% dos cânceres de próstata em estágio inicial não são detectados pelo toque. A ilustração ao lado mostra um exemplo de tumor não detectável pelo toque retal.

O PSA é um marcador de doença prostática, colhido através de análises de sangue, que se eleva na HPB e, principalmente, no câncer de próstata.

  • PSA menor que 2,5 = Baixo risco de câncer.
  • PSA entre 2,5 e 10 = Risco intermediário de câncer.
  • PSA maior que 10 = Alto risco de câncer.
  • PSA maior que 20 = Muito alto risco de câncer e elevada chance de doença com metástases.

Quando o PSA e o toque retal levantarem suspeitas de neoplasia, a biópsia da próstata deve ser realizada (leia: BIÓPSIA DA PRÓSTATA | Indicações e complicações).

Uma vez realizado o diagnóstico de câncer, deve-se avaliar o grau de invasão (estadiamento do tumor) e de agressividade (escore de Gleason).

O escore de Gleason é obtido após análise da biópsia de próstata, indo de 1 a 10; quanto maior o valor, mais agressivas são as células do câncer.

Pacientes com sinais de invasão tumoral local, Gleason maior que 6 ou PSA muito elevado, apresentam alto risco de doença disseminada e devem realizar cintilografia óssea para identificar possíveis metástases ósseas.

Após esta avaliação inicial o câncer de próstata é dividido em quatro grupos:
– Grupo I: doença inicial com tumor microscópico e confinado à próstata (PSA menor que 10 e Gleason menor que 6)
– Grupo II: Tumor confinado à próstata, mas já grande o suficiente para ser palpado ao toque retal (PSA menor que 20 ou Gleason = 7)
– Grupo III: Tumor já com invasão do órgãos ao redor da próstata
– Grupo IV: Metástases à distância

Tratamento do câncer de próstata

Os cânceres de próstata em estágios iniciais são potencialmente curáveis através de cirurgia e radioterapia. Os cânceres de baixa agressividade demoram entre dez a vinte anos para invadir outros tecidos. Quando ocorrem em doentes com idade avançada, podem não ser tratados, uma vez que os riscos e sequelas do tratamento não se justificam em alguém com expectativa de vida menor do que o necessário para a progressão do tumor.

As complicações do tratamento incluem impotência, incontinência urinária e diminuição da libido.

Tumores avançados sem metástases são tratados com radioterapia.

Tumores com metástases são tratados com medicamentos que fazem bloqueio hormonal (inibição da testosterona) e geralmente apresentam mau prognóstico.

Para saber mais sobre câncer de próstata, leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Perguntas mais comuns.

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