TRATAMENTO DO CÁLCULO RENAL – Litotripsia, Cirurgia e Duplo J

Conheça as opções cirúrgicas para tratar o cálculo renal que não é expelido espontaneamente.

A pedra no rim, também conhecida como cálculo renal ou litíase renal, é uma doença relativamente comum e uma das condições médicas que mais causa dor no seres humanos.

No artigo de hoje vamos falar sobre o tratamento e a prevenção do cálculo renal,  abordando os seguintes pontos:

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  • Tratamento durante a crise de cólica renal.
  • Tratamento das pedras de grande tamanho.
  • Cirurgia para cálculo renal.
  • Utilização do cateter duplo J.
  • Investigação da composição do cálculo renal.
  • Remédios que dissolvem as pedras.

A primeira parte deste texto, abordando as causas e sintomas do cálculo renal, pode ser acessado neste link: CÁLCULO RENAL | Causas e sintomas.

Tratamento da crise aguda de cólica renal

A crise de cólica renal geralmente surge quando uma pedra formada no rim move-se e fica impactada em uma região do trato urinário, obstruindo a passagem da urina. Esta obstrução pode ocorrer dentro do próprio rim, mas é mais comum nos ureteres, o ducto que leva a urina do rim à bexiga.

cálculo renal

A cólica renal costuma ser uma dor severa, com crises que duram até 60 minutos ininterruptos. Há pessoas que dizem que a cólica renal é a pior dor que já sentiram na vida.

O primeiro passo no tratamento da cólica renal é obviamente aliviar a dor do paciente. As drogas mais usadas são os anti-inflamatórios e os opioides (derivados da morfina).

Uma vez que o paciente encontre-se mais aliviado da dor, deve-se tentar encontrar a causa da cólica renal. Uma radiografia simples de abdômen e uma ultrassonografia geralmente são suficientes para se localizar a pedra. Se o cálculo já estiver no final do ureter, próxima à bexiga, o melhor exame para detectá-la é a tomografia computadorizada.

A localização e o tamanho da pedra são os fatores que definem os próximos passos no tratamento do cálculo renal.

Cálculos menores que 5 mm (0,5 cm), principalmente se localizados na parte final do ureter, habitualmente saem espontaneamente pela urina sem tratamento. Menos de 20% dos pacientes com pedras menores que 5 mm precisam de alguma intervenção médica para retirar seu cálculo renal. O cálculo demora em média 8 a 14 dias para ser expelido. Porém, dependendo da localização, o tempo pode ser maior que 1 mês.

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A partir dos 5 mm, quanto maior for a pedra, menor a chance dela ser eliminada espontaneamente. 60% dos cálculos renais entre 5 e 7 mm são eliminados sem tratamento; esta taxa cai para menos de 50% nas pedras com tamanho entre 7 e 9 mm. Já a pedras grandes, com mais de 9 mm somente 25% saem espontaneamente, mesmo assim, apenas se já estiverem na parte final do ureter. Cálculos maiores que 10 mm (1 cm) localizados no início do ureter, próximo ao rim, não costumam sair sozinhos, pois são até 3 vezes maiores que o diâmetro médio do ureter.

Tratamento expectante do cálculo renal

Uma vez controlada a dor do paciente e diagnosticado um cálculo renal com menos de 10 mm sem sinais de complicações, como hidronefrose (dilatação do rim por obstrução da passagem de urina), o paciente pode ser tratado em casa, à espera da eliminação espontânea da pedra.

Geralmente o paciente é liberado para casa medicado com anti-inflamatórios para controlar a dor e medicamentos que relaxem o ureter, o que facilita a passagem do cálculo em direção à bexiga. As drogas mais usadas para este fim são a Tansulosina (medicamento também usado na hiperplasia benigna da próstata) ou a Nifedipina (medicamento também usado para tratar hipertensão arterial).

Orienta-se também o paciente a ingerir bastante líquidos para que um grande volume de urina ajude a empurrar a pedra.

Se o paciente tiver pedras maiores que 1 cm, dor de difícil controle, sinais de obstrução do rim (hidronefrose), sinais de infecção urinária ou se após 4 a 6 semanas a pedra não tiver saído espontaneamente, a avaliação por um urologista está indicada.

Cirurgias para cálculos renais

Se o cálculo renal for demasiadamente grande ou se surgirem complicações, como infecção urinária ou obstrução do funcionamento de um dos rins, a única maneira de tratar o paciente é através de uma intervenção médica.

O tratamento do cálculo renal evoluiu muito ao longo dos anos e hoje existem várias opções para se eliminar uma pedra no trato urinário.

Grosso modo, os métodos mais usados são:

  • Litotripsia extracorpórea (LECO)– método onde as pedras são quebradas por meio de ondas de choque aplicadas através da pele.
  • Ureterolitotripsia – as ondas de choque são aplicadas diretamente nos cálculos, através de endoscópio inserido pela uretra até o ureter.
  • Nefrolitotomia percutânea – uma pequena cirurgia onde o endoscópio é inserido através da pele até o local onde esta o cálculo.
  • Cirurgia convencional – procedimento onde o rim necessita ser aberto para retirada das pedras. Normalmente usada em cálculos complicados, principalmente nos cálculos coraliformes.
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A litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO) é atualmente o procedimento mais utilizado, principalmente se a pedra estiver dentro do rim ou no ureter proximal (parte inicial, próxima ao rim).

 litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO)Nos casos de pedras muito grandes, maiores que 15 mm (1,5 cm), ou se a pedra estiver impactada na metade inferior do ureter, a litotripsia extracorpórea não consegue ser tão efetiva. Nestes casos, a Ureterolitotripsia ou a Nefrolitotomia percutânea apresentam melhores resultados.

Cateter Duplo J

Após qualquer manipulação do ureter, este pode apresentar um grau de edema secundário à reação inflamatória, que por si só pode obstruir a passagem de urina e de restos de cálculos que ainda possam permanecer. Por isso, costuma-se inserir um cateter chamado de duplo J, ou rabo de porco (pig-tail em inglês), para garantir a permeabilidade da via manipulada.

Duplo J
Cateter duplo J

O cateter apresenta as duas extremidades em forma parecida com a letra J, daí o seu nome. O Duplo J apresenta furos em seu trajeto que permitem o escoamento da urina

Como funciona o Duplo J

Uma ponta fica dentro do rim e a outra dentro da bexiga. Portanto, mesmo que haja obstrução em algum ponto do ureter, independente da causa, o duplo J garante a permeabilidade da via urinária. Este cateter pode permanecer por várias semanas até que o urologista ache seguro retirá-lo.

Após a colocação do duplo J pode haver dor lombar e abdominal , ardor ao urinar e sangramentos na urina durante alguns dias. Se houver febre, dor excruciante ou sangramento exuberante com coágulos, deve-se contactar o urologista para uma reavaliação.

O cateter duplo J pode ficar no ureter por 3 a 9 meses dependendo do seu diâmetro. Na maioria dos casos, não é necessário ficar com o cateter durante tanto tempo. Quando o urologista indica o uso prolongado do duplo J, o ideal é que a cada 3 meses o cateter seja reavaliado para termos certeza que ele não está obstruído.

A retirada do cateter é um procedimento simples e feito por via endoscópica com um cistoscópio. Entra-se pela uretra com esse endoscópio e puxa-se o cateter para fora. Se não houver complicações como aderências ou deslocamentos do duplo J, a retirada é um procedimento rápido, e na maioria das vezes, indolor.

Investigação da composição do cálculo renal

Uma vez resolvido o problema do cálculo, seja de modo espontâneo ou através de uma intervenção médica, o próximo passo é tentar identificar a composição da pedra para que se possa traçar estratégias para prevenir o aparecimento de novos cálculos renais.

Se o paciente conseguir guardar a pedra eliminada, o seu conteúdo pode ser analisado em um laboratório. Mas mesmo que não seja possível recuperar a pedra expelida, um acompanhamento com médico Nefrologista está indicado para que ele, através da avaliação da composição da sua urina, possa procurar por problemas que facilitem a formação de cálculos.

Pacientes que apresentam excesso de cálcio, oxalato, fósforo ou ácido úrico na urina possuem maior risco de formar pedras. Por outro lado, falta de citrato na urina ou uma urina pouco diluída também são fatores de risco. Muitas vezes, a correção destas alterações na composição da urina são suficientes para impedir o surgimento de novos cálculos.

Existem remédios que dissolvem pedras?

Se a pedra de for composta principalmente por ácido úrico, a alcalinização da urina com bicarbonato ou citrato de potássio (Litocit) pode ajudar a dissolver a pedra. Esta é a ÚNICA situação na qual dissolver pedras é possível.

Todavia, a imensa maioria dos cálculos renais é composta por cálcio. Nestes casos, infelizmente, não há modo de dissolver as pedras já formadas.

TOME CUIDADO! Algumas empresas desonestas se aproveitam do fato da maioria dos cálculos saírem sozinhos e de alguns poderem mudar de tamanho espontaneamente para vender “produtos naturais” como milagrosos. Existem dezenas de sites falsos fazendo apologia ao uso de substâncias que supostamente dissolvem cálculos renais. Esses tratamentos não são cientificamente comprovados. Nenhuma Sociedade Internacional de Urologia ou Nefrologia indica o uso de substâncias para dissolver cálculos à base de cálcio.

Quer uma dica para saber se o medicamento contra o cálculo é correto? Antes de comprar qualquer remédio “natural” procure pelo seu registro na ANVISA. Se não estiver registrado, não compre. Se estiver registrado na ANVISA, veja se o registro é apenas como suplemento alimentar ou se o produto tem autorização para ser usado como remédio para cálculo renal. Muitas empresas registram seus produtos apenas como suplemento alimentar e depois usam este registro para fingir que o medicamento é indicado e aprovado pela ANVISA para tratar diversas doenças. Na dúvida, não compre medicamentos sem a orientação de um médico.

E o chá de quebra-pedra?

O famoso chá de quebra-pedra não quebra nenhuma pedra. Mas ele parece ser efetivo na prevenção do cálculo renal. Se o paciente já tem a pedra de cálcio formada, o chá funciona tanto quanto qualquer outro líquido, incluindo água. Porém, se tomado com frequência ele parece diminuir a formação de novas pedras, reduzindo a incidência de cálculos renais.

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