Resumo
Principais pontos sobre a ciatalgia
- O que é? A dor ciática, também chamada de ciatalgia, é uma dor geralmente provocada pela irritação ou compressão de uma das raízes nervosas que formam o nervo ciático.
- Onde fica o nervo ciático? Ele se forma na região pélvica, passa pelo glúteo e desce pela parte posterior da coxa, dividindo-se em dois grandes ramos próximo ao joelho.
- Onde dói? A dor costuma afetar apenas um lado, descendo pelo glúteo e pela parte posterior ou lateral da perna, podendo chegar até o pé.
- Quais são os sintomas? Dor em queimação, pontadas ou choques elétricos, que podem vir acompanhados de formigamento, dormência e perda da força muscular.
- O que causa? A principal causa é a hérnia de disco lombar, mas alterações degenerativas da coluna também podem comprimir as raízes nervosas.
- Como aliviar a dor? Manter atividades leves conforme a tolerância, evitar esforços que agravem os sintomas e fazer exercícios orientados pode ajudar. Alongamentos inadequados podem piorar a dor.
- Qual é o melhor remédio? Analgésicos e anti-inflamatórios podem proporcionar alívio em alguns casos, mas sua eficácia é variável e a escolha depende dos riscos e das contraindicações.
- Quanto tempo dura? Tem cura? Muitos pacientes melhoram em algumas semanas e se recuperam sem cirurgia, embora alguns casos possam persistir por meses.
- Quando é grave? Fraqueza muscular progressiva, dificuldade para urinar ou perda da sensibilidade na região genital são sinais de alerta que exigem atendimento de emergência.
O que é dor ciática (ciatalgia)?
A ciatalgia, popularmente conhecida como “ciática” ou dor no nervo ciático, é uma síndrome dolorosa provocada, na maioria dos casos, pela irritação de uma das raízes nervosas que saem da parte inferior da coluna vertebral.
A expressão “nervo ciático inflamado” é uma simplificação. Na maioria dos casos, o problema não está no próprio nervo ciático, mas em uma das raízes nervosas que o formam, geralmente devido à compressão ou irritação provocada por uma hérnia de disco ou outra alteração da coluna lombar.
A dor pode surgir subitamente, após um esforço físico, ou desenvolver-se gradualmente ao longo de alguns dias. Habitualmente, afeta apenas uma das pernas, mas também pode ocorrer dos dois lados.
A ciatalgia é uma manifestação clínica, e não uma doença única. Isso significa que diferentes problemas podem provocar o mesmo tipo de dor, sendo a hérnia de disco lombar a causa mais conhecida.
Onde fica o nervo ciático e qual é a sua função?
O nervo ciático, também chamado de nervo isquiático, surge da junção das raízes nervosas que nascem entre a 4ª vértebra lombar (L4) e a 3ª vértebra do osso sacro (S3), dando origem a um espesso nervo que desce em direção ao membro inferior.
O nervo ciático é o nervo mais longo e espesso do nosso corpo. Ele sai da região pélvica, passa pelo glúteo e desce pela parte posterior da coxa. Geralmente próximo ao joelho, divide-se em dois grandes ramos, os nervos tibial e fibular comum, que continuam em direção à perna e ao pé.

Ao longo do seu trajeto, seus ramos são responsáveis pela inervação de várias estruturas dos membros inferiores, como músculos, articulações e pele.
A compressão ou lesão de uma raiz nervosa da coluna vertebral, quando compromete seu funcionamento, recebe o nome de radiculopatia. A dor ciática costuma resultar da irritação das raízes L5 ou S1, podendo ocorrer mesmo sem perda de força ou sensibilidade. Quando há comprometimento da função dessas raízes, o paciente apresenta uma radiculopatia lombossacra.
Quando uma raiz nervosa é comprimida, pode ocorrer inflamação local, inchaço e alteração da transmissão dos impulsos nervosos. Essas alterações provocam dor que se irradia para a perna e, em alguns casos, perda da força muscular, dormência ou formigamento na área afetada.
Um exemplo é a hérnia de disco localizada entre as vértebras L4 e L5, que frequentemente comprime a raiz nervosa L5. Já uma hérnia entre L5 e S1 costuma comprometer a raiz S1.
Isso explica por que um problema localizado na coluna lombar pode provocar dor na panturrilha ou até mesmo no pé.
Quais são as principais causas da dor ciática?
A principal causa de dor ciática é a hérnia de disco na coluna lombar, especialmente nos níveis L4-L5 e L5-S1.
Entre as vértebras existem discos intervertebrais, formados por uma região externa mais resistente e um núcleo de consistência gelatinosa. Esses discos funcionam como amortecedores, permitindo que a coluna suporte o peso corporal e realize movimentos.
Quando parte do disco se desloca para fora da sua posição habitual, ela pode comprimir ou irritar uma raiz nervosa, provocando dor que se irradia para a perna.
Para entender melhor esse mecanismo, leia: Hérnia de disco: sintomas, causas e tratamento.
Outras causas de compressão ou irritação das raízes nervosas são:
- Espondilolistese: deslizamento de uma vértebra sobre outra, que pode provocar estreitamento dos espaços por onde passam os nervos.
- Estenose do canal vertebral: estreitamento do canal por onde passam as raízes nervosas. É mais comum em pessoas idosas e pode provocar dor nas pernas ao caminhar.
- Osteófitos e artrose da coluna: alterações degenerativas que podem provocar compressão das raízes nervosas. Os osteófitos são conhecidos popularmente como bicos de papagaio.
- Traumas: fraturas ou outras lesões da coluna lombar que comprometem as estruturas nervosas.
- Tumores e infecções da coluna: causas menos comuns, mas que precisam ser identificadas rapidamente devido ao risco de comprometimento neurológico.
A estenose do canal vertebral merece uma observação. Ao contrário da ciática típica provocada por uma hérnia de disco, que frequentemente piora ao permanecer sentado, a dor causada pela estenose lombar costuma piorar ao caminhar ou ficar muito tempo em pé, melhorando quando o paciente se senta ou inclina o tronco para a frente.
Outra causa possível de dor no trajeto do nervo ciático é uma condição chamada síndrome do músculo piriforme, frequentemente incluída entre as causas da chamada síndrome glútea profunda.
Este problema surge quando o nervo ciático sofre irritação ou compressão na região glútea, próximo ao músculo piriforme, por onde passa habitualmente pela sua borda inferior.
Nesse caso, a compressão ocorre depois que o nervo já saiu da coluna vertebral. O paciente pode apresentar dor no glúteo com irradiação para a perna, semelhante à ciática provocada por uma hérnia de disco.
Entretanto, essa não é uma das causas mais comuns de ciatalgia, e seu diagnóstico exige cuidado, pois problemas da coluna, do quadril e da musculatura glútea podem provocar sintomas parecidos.
Quais são os fatores de risco para a ciatalgia?
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de uma ciatalgia são:
- Idade: com o envelhecimento, aumenta a frequência de problemas degenerativos da coluna, como bicos de papagaio, artrose e estreitamento do canal vertebral. Já as hérnias de disco sintomáticas são bastante comuns em adultos jovens e de meia-idade.
- Obesidade: o excesso de peso, principalmente após longos anos, sobrecarrega a coluna lombar, favorecendo a ocorrência de lesões ou alterações anatômicas na mesma.
- Trabalho pesado: o tipo de ocupação profissional também é um relevante fator de risco. Pessoas que trabalham carregando peso, precisam frequentemente fazer força com as costas ou realizam movimentos repetitivos de flexão e rotação da coluna apresentam maior risco de problemas lombares. Passar longas horas sentado ou em pé na mesma posição também pode agravar os sintomas em quem já tem ciatalgia.
- Sedentarismo: o sedentarismo e a falta de exercícios para a musculatura da região lombar também favorecem o aparecimento de problemas na coluna.
- Tabagismo: o cigarro está associado à degeneração dos discos intervertebrais e a um maior risco de problemas na coluna.
- Gravidez: o rápido ganho de peso, as mudanças corporais e a ação hormonal, que provoca maior frouxidão de ligamentos, podem favorecer dores lombares e glúteas. Entretanto, é importante distinguir essas dores, relativamente comuns durante a gestação, da verdadeira ciática causada por compressão de uma raiz nervosa.
Quais são os sintomas da dor ciática?
O sintoma mais característico da ciatalgia é uma dor que surge na região lombar ou glútea e irradia para uma das pernas.
No caso específico da compressão das raízes que dão origem ao nervo ciático, a dor pode descer pela parte posterior ou lateral da coxa, alcançar a panturrilha e continuar até o pé.
A intensidade da dor varia muito de caso a caso. Ela pode ser leve, causando apenas desconforto ou queimação ocasional. Em casos mais graves, porém, a dor pode ser excruciante, impedindo o paciente de ficar em pé. Uma sensação de choque elétrico pelo trajeto do nervo também é comum.
A ciatalgia pode piorar após esforço, tosse ou espirro. Ficar sentado por longas horas também costuma agravar os sintomas da dor ciática.
Além da dor, a compressão de uma raiz nervosa também pode provocar dormência, formigamento ou redução da força muscular no membro acometido.
É possível, por exemplo, que o paciente sinta dor na região posterior da coxa e apresente dormência no pé, pois as alterações da sensibilidade nem sempre ocorrem exatamente no mesmo local em que a dor é mais intensa.
Onde dói o nervo ciático?
A localização da dor depende, em parte, de qual raiz nervosa está comprometida.
As duas apresentações mais comuns são:
- Compressão da raiz L5: a dor costuma irradiar da região lombar ou glútea para a parte lateral da coxa e anterolateral da perna, podendo alcançar o dorso do pé e o dedão. Em casos mais graves, pode haver dificuldade para levantar a ponta do pé ou estender o dedão.
- Compressão da raiz S1: a dor costuma percorrer a parte posterior da coxa e da panturrilha, podendo chegar ao calcanhar e à borda externa do pé. A fraqueza muscular pode dificultar o movimento de ficar na ponta dos pés.

Esses trajetos são padrões típicos, mas existe bastante variação entre os pacientes. Não é possível identificar com segurança a raiz nervosa afetada apenas observando a localização da dor.
Também é importante lembrar que nem toda dor que vai das costas para a perna é ciática. Problemas do quadril, das articulações sacroilíacas ou da musculatura glútea podem provocar dores semelhantes, geralmente sem as alterações neurológicas características de uma radiculopatia.
A dor ciática pode ocorrer do lado direito ou esquerdo?
Sim. Existem dois nervos ciáticos, um em cada membro inferior, e a ciatalgia pode acometer tanto a perna direita quanto a esquerda.
Na maioria dos casos, apenas um lado é afetado. O lado da dor, isoladamente, não indica maior ou menor gravidade.
A ciática também pode ocorrer nas duas pernas simultaneamente, especialmente quando há compressão de múltiplas raízes nervosas. Se essa dor bilateral surgir acompanhada de fraqueza, alterações urinárias ou perda de sensibilidade na região genital, é necessária avaliação médica de emergência.
Quando a dor ciática é preocupante?
A maioria dos casos de ciatalgia não representa uma emergência médica. Entretanto, alguns sintomas podem indicar lesões neurológicas graves.
Procure atendimento de emergência se houver:
- Dificuldade recente para iniciar a micção, retenção urinária ou perda do controle da urina.
- Perda do controle das fezes.
- Dormência ou perda da sensibilidade na região genital, no períneo ou ao redor do ânus.
- Fraqueza muscular importante ou progressiva, como dificuldade crescente para caminhar ou levantar o pé.
- Dor e sintomas neurológicos nas duas pernas, especialmente quando acompanhados de qualquer uma das alterações anteriores.
Esses sintomas podem ocorrer na síndrome da cauda equina, uma complicação rara, porém grave, provocada pela compressão das raízes nervosas localizadas na parte inferior do canal vertebral.
A síndrome da cauda equina é uma emergência médica e pode exigir cirurgia para descomprimir as raízes nervosas. O tratamento deve ser realizado rapidamente para reduzir o risco de sequelas permanentes, como perda do controle urinário ou fecal e alterações da força e da sensibilidade nas pernas.
Outras situações que exigem avaliação médica rápida incluem dor ciática acompanhada de febre, trauma importante, histórico de câncer, perda de peso inexplicada ou dor progressiva que não melhora com mudanças de posição.
Mesmo na ausência desses sinais, procure avaliação médica se a dor for muito intensa, impedir as atividades habituais, estiver piorando ou não apresentar melhora após algumas semanas.
Como é feito o diagnóstico da ciatalgia?
Em muitos casos, a dor ciática é típica e não são necessários exames complexos para o seu diagnóstico.
A avaliação médica começa pela descrição dos sintomas e pelo exame físico, incluindo testes da força muscular, da sensibilidade e dos reflexos dos membros inferiores.
O médico também pode realizar algumas manobras que ajudam a identificar sinais de irritação das raízes nervosas.
Uma das mais conhecidas é o teste de Lasègue, no qual o paciente fica deitado de barriga para cima enquanto o examinador eleva lentamente a perna estendida. O teste é considerado sugestivo de ciática quando reproduz a dor irradiada para a perna, e não apenas um desconforto na região posterior da coxa.

Nenhuma dessas manobras, isoladamente, confirma o diagnóstico. O resultado precisa ser interpretado em conjunto com os sintomas e os demais achados do exame neurológico.
Quando é necessário fazer ressonância magnética?
Na maioria dos pacientes com ciática recente, sem sinais de gravidade, não é necessário realizar ressonância magnética logo no início.
Os exames complementares costumam ser solicitados quando há suspeita de uma doença grave, fraqueza muscular importante ou progressiva ou ausência de melhora após o tratamento inicial.
Quando os sintomas persistem por cerca de seis semanas e o resultado pode modificar o tratamento, especialmente se houver possibilidade de infiltração ou cirurgia, a ressonância magnética da coluna lombar costuma ser o exame de escolha.
Na investigação habitual da hérnia de disco, a ressonância geralmente é realizada sem contraste intravenoso. O contraste pode ser necessário em situações específicas, como suspeita de tumor, infecção ou determinadas alterações após cirurgia.
A tomografia computadorizada pode ser utilizada quando a ressonância não pode ser realizada, mas apresenta limitações para avaliar diretamente as raízes nervosas e outros tecidos moles.
A eletroneuromiografia e os estudos de condução nervosa também podem ser úteis quando existe dúvida quanto ao diagnóstico, principalmente quando é necessário diferenciar uma radiculopatia de outras doenças dos nervos periféricos.
Um detalhe importante é que encontrar uma hérnia de disco na ressonância não significa, obrigatoriamente, que ela seja a causa da dor.
Muitas pessoas apresentam protrusões, hérnias ou alterações degenerativas da coluna sem qualquer sintoma. Por isso, os resultados dos exames precisam ser interpretados em conjunto com a história clínica e o exame físico.
Tratamento da dor ciática: medicamentos, exercícios e cirurgia
O tratamento inicial da ciatalgia costuma ser conservador, com medidas para aliviar a dor e manter a mobilidade. Em muitos casos, a dor começa a melhorar após poucos dias e desaparece progressivamente nas semanas seguintes, sem necessidade de nenhuma conduta mais agressiva.
O tratamento depende da causa, da intensidade dos sintomas e da presença ou não de comprometimento neurológico.
Remédios para dor no nervo ciático
Os medicamentos mais utilizados inicialmente são analgésicos comuns e anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno e naproxeno.
Esses medicamentos podem proporcionar algum alívio dos sintomas, mas a eficácia especificamente para a ciatalgia é limitada e variável entre os pacientes.
Os anti-inflamatórios podem ser considerados por períodos curtos, levando em conta as contraindicações. Pessoas com doença renal, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, histórico de úlcera ou sangramento digestivo, entre outras condições, apresentam maior risco de efeitos adversos.
Por isso, devem ser utilizados na menor dose eficaz e pelo menor tempo necessário, conforme orientação médica.
O paracetamol também pode ser utilizado em determinadas situações, mas não apresenta eficácia bem estabelecida para a dor ciática quando usado isoladamente.
E os medicamentos para dor neuropática?
Como a dor da ciatalgia é de origem neurológica, medicamentos como antidepressivos e anticonvulsivantes foram utilizados durante muitos anos no tratamento dos casos mais persistentes.
Entretanto, estudos mais recentes mostraram que alguns desses medicamentos não apresentam a eficácia que se imaginava.
A gabapentina e a pregabalina, por exemplo, não demonstraram benefícios consistentes para o tratamento da ciática e podem causar tontura, sonolência e outros efeitos adversos. Por esse motivo, não são recomendadas de rotina.
Alguns antidepressivos também são utilizados em pacientes com dor persistente, mas as evidências sobre sua eficácia especificamente para a ciatalgia ainda são insuficientes para recomendar seu uso rotineiro.
Os corticoides por via oral apresentam, quando muito, benefícios modestos em situações selecionadas e não costumam proporcionar redução importante da dor. Seu uso também pode provocar efeitos adversos, principalmente em pacientes com diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas. Por isso, não são recomendados de rotina para o tratamento da ciatalgia.
O uso de relaxantes musculares ou benzodiazepínicos, como o diazepam, também não apresenta eficácia bem demonstrada para a dor provocada diretamente por uma raiz nervosa comprimida.
Em casos excepcionais de dor aguda muito intensa, analgésicos opioides, como a morfina e seus derivados, podem ser necessários por um curto período, sob supervisão médica. Entretanto, esses medicamentos não são uma boa opção para o tratamento prolongado da ciatalgia, devido à eficácia limitada e aos riscos de dependência e outros efeitos adversos.
Leia também: Melhores remédios para diferentes tipos de dor.
O que fazer para aliviar a dor ciática?
Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir o desconforto durante uma crise:
- Evitar temporariamente atividades que agravem a dor, como levantar objetos pesados ou fazer movimentos repetitivos de flexão e rotação do tronco.
- Manter atividades físicas leves, dentro do possível, alternando períodos de descanso com caminhadas curtas.
- Evitar permanecer muitas horas seguidas sentado ou deitado.
- Utilizar compressas mornas na região dolorida, caso proporcionem alívio.
- Procurar posições confortáveis para descansar, sem forçar a coluna.
Não é necessário repouso absoluto. Na verdade, atividades leves, que não sobrecarregam a coluna, costumam ser preferíveis a ficar deitado na cama durante vários dias.
O repouso prolongado pode provocar perda de condicionamento físico, rigidez muscular e dificultar o retorno às atividades habituais.
Durante as crises mais intensas, é razoável reduzir temporariamente os esforços. Entretanto, conforme a dor diminui, o paciente deve voltar progressivamente às atividades, respeitando seus limites.
Não existe uma manobra, massagem ou alongamento com eficácia comprovada para desinflamar uma raiz nervosa em três minutos.
Algumas mudanças de posição podem proporcionar alívio rápido e temporário, mas isso não significa que a hérnia de disco ou outra causa da dor tenha sido corrigida.
Qual é a melhor posição para dormir com dor ciática?
Não existe uma posição para dormir que seja a melhor para todos os pacientes com ciatalgia.
Algumas pessoas sentem alívio dormindo de lado, com um travesseiro entre os joelhos. Outras preferem ficar de barriga para cima, com uma almofada sob os joelhos.
Essas posições podem diminuir o desconforto na região lombar, mas a resposta varia conforme a causa da dor.
O mais importante é escolher uma posição confortável, que não aumente a dor irradiada para a perna. Não há necessidade de forçar uma posição apenas porque ela é frequentemente recomendada para problemas da coluna.
Exercícios e alongamentos para o nervo ciático
A atividade física pode contribuir para a recuperação, mas o tipo de exercício mais adequado depende da intensidade da dor, da capacidade funcional e da causa da ciatalgia.
Nas crises mais intensas, o ideal é começar com atividades leves, como pequenas caminhadas, aumentando progressivamente sua duração conforme a tolerância.
Quando a dor começa a diminuir, exercícios de mobilidade da coluna, fortalecimento da musculatura abdominal e lombar e alguns alongamentos podem ser introduzidos.
A natação e outras atividades realizadas na água também podem ser opções, desde que não provoquem piora dos sintomas. Entretanto, não existe uma modalidade de exercício comprovadamente superior para todos os pacientes com ciática.
Um detalhe importante é que nem todo alongamento é indicado para todos os pacientes com ciatalgia.
Alguns movimentos que tensionam excessivamente as raízes nervosas podem aumentar a dor, especialmente durante a fase aguda.
Por exemplo, um alongamento intenso da parte posterior da coxa, realizado com o joelho estendido, pode provocar aumento da dor irradiada em determinados pacientes, em vez de proporcionar alívio.
Um exercício que provoca leve desconforto muscular não é necessariamente prejudicial, mas deve ser interrompido ou modificado se causar dor intensa, aumentar o formigamento ou fizer a dor irradiar mais para baixo na perna.
A fisioterapia pode ajudar na escolha dos exercícios, na recuperação da mobilidade e no fortalecimento muscular, além de orientar o retorno progressivo às atividades habituais.
A acupuntura também é utilizada por alguns pacientes, mas as evidências sobre sua eficácia não são suficientes para recomendá-la como tratamento de rotina da ciática.
Infiltração para dor ciática
Em alguns pacientes com dor ciática muito intensa, especialmente quando existe uma hérnia de disco comprimindo uma raiz nervosa, pode ser considerada uma infiltração epidural com corticoide, associado ou não a um anestésico local.
Nesse procedimento, o medicamento é administrado próximo à região da raiz nervosa afetada, com o objetivo de reduzir a inflamação e aliviar a dor.
As infiltrações podem proporcionar melhora da dor e da capacidade funcional em determinados pacientes, principalmente nas primeiras semanas ou meses após o procedimento.
Entretanto, os benefícios costumam ser limitados e não está demonstrado que a infiltração proporcione alívio duradouro da dor ou evite a necessidade de cirurgia.
O procedimento também não corrige diretamente a hérnia de disco. Por isso, não costuma ser indicado como tratamento inicial para a maioria das crises de ciática.
Quando é necessário operar?
A maioria das pessoas com dor ciática não precisa de cirurgia.
A operação costuma ficar reservada para situações específicas, como comprometimento neurológico grave ou progressivo, síndrome da cauda equina ou dor intensa e incapacitante que persiste apesar do tratamento conservador.
Nos casos de hérnia de disco, a cirurgia mais utilizada é a discectomia, procedimento no qual o cirurgião remove a parte do disco que está comprimindo a raiz nervosa.
A cirurgia pode proporcionar alívio mais rápido da dor em pacientes adequadamente selecionados. Entretanto, ao longo do tempo, muitos pacientes tratados sem cirurgia também apresentam melhora significativa.
Isso significa que operar mais cedo nem sempre proporciona um resultado melhor a longo prazo. A decisão depende da gravidade dos sintomas, dos achados do exame neurológico, dos resultados da ressonância magnética e da resposta aos tratamentos anteriores.
Quanto tempo dura a dor ciática?
A duração da ciatalgia varia conforme a causa e a gravidade do comprometimento nervoso.
Alguns pacientes apresentam melhora após poucos dias, enquanto outros continuam sentindo dor durante várias semanas.
Nos quadros provocados por hérnia de disco, muitos pacientes começam a apresentar melhora importante nas primeiras quatro a seis semanas, com recuperação progressiva ao longo de um a três meses.
Em alguns casos, porém, a dor pode persistir por mais tempo, especialmente quando existem alterações degenerativas avançadas, compressão nervosa importante ou sintomas neurológicos associados.
A melhora da dor não significa necessariamente que a hérnia de disco desapareceu completamente. Muitas vezes, a inflamação ao redor da raiz nervosa diminui e os sintomas melhoram mesmo que alterações estruturais continuem presentes na ressonância magnética.
Também pode ocorrer o contrário: o exame mostrar redução da hérnia enquanto o paciente ainda apresenta alguma dor ou alteração de sensibilidade.
Por isso, a evolução clínica costuma ser mais importante do que pequenas mudanças observadas nos exames de imagem.
Dor ciática tem cura?
Na maioria dos casos, sim. A dor ciática pode desaparecer completamente, muitas vezes sem necessidade de cirurgia.
Entretanto, isso não significa que o paciente nunca terá uma nova crise. Pessoas com alterações degenerativas da coluna ou episódios anteriores de hérnia de disco podem apresentar recorrências.
Após a recuperação, manter atividade física regular, fortalecer a musculatura que sustenta a coluna, controlar o peso corporal e evitar esforços repetitivos excessivos são medidas que podem ajudar a reduzir o risco de novos episódios.
Se a dor não melhorar progressivamente, voltar com frequência ou vier acompanhada de alterações da força ou da sensibilidade, é necessário reavaliar o diagnóstico e a estratégia de tratamento.
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Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Olá bom dia,tenho uma dúvida sinto muito dor lombar que não consegui andar e as vezes não sinto minha pena,tenho uma hernia de disco, muita queimação nas pernas e debaixo dos pés e incha as pernas … Vc pode me explicar… Obrigado
Boa noite! É comum em casos de dor ciatica intensa usar morfina e a dor não passar? Fizeram essa.medicação pra mim e continuo com dor. E ainda estou com a coluna inchada e dolorida no lado da dor ciatica,estou muito preocupada com isso. Ainda não consegui fazer os exames pelo sus. Me ajude por favor
Boa tarde Dr. Eu sou Jorge Ndambuca, Angolano de 42 anos, estou com Dores de articulaçoes a 7 anos. Começaram pelos dedos dos pes e das maos, pulsos e agora estao nas articulaçoes dos braços, ombros, cintura. Oque faço?
Posso fazer esteira com Nervo Ciático inflamado?
Tenho 2 hérnias na zona lombar sempre que tenho crises dirivado fico com o nervo ciático inflamado os sintomas são formigueiro no pé perco força na perna e tenho dores musculares intensas gostaria de saber o que devo fazer pois já ando nisto à muito tempo..