Resumo
Principais pontos sobre como engravidar mais rápido
- Não existe método natural que garanta engravidar no primeiro mês ou na primeira tentativa. A melhor estratégia é concentrar as relações sexuais na janela fértil, que corresponde aos cinco dias anteriores à ovulação e ao próprio dia da ovulação.
- As maiores chances de gravidez costumam ocorrer quando a relação sexual acontece um ou dois dias antes da ovulação.
- Durante a janela fértil, ter relações a cada um ou dois dias oferece as maiores taxas de gravidez. Não é necessário o homem ficar dois ou três dias sem ejacular para “acumular” espermatozoides; relações diárias também não reduzem a fertilidade.
- Para quem não quer acompanhar a ovulação de perto, manter relações sexuais duas a três vezes por semana ao longo do ciclo costuma produzir resultados muito próximos.
- Posições sexuais, ficar com as pernas levantadas depois da relação, orgasmo, dietas especiais e outros métodos populares não aumentam de forma comprovada as chances de engravidar. O ácido fólico é recomendado antes da gravidez para prevenir defeitos do tubo neural do bebê, e não para aumentar a fertilidade.
- Em geral, deve-se procurar avaliação de fertilidade após 12 meses de tentativas se a mulher tiver menos de 35 anos, após 6 meses a partir dos 35 anos e mais precocemente após os 40 anos ou quando já existe algum fator conhecido que possa dificultar a gravidez.
É possível engravidar mais rápido de forma natural?
Sim. Existem formas naturais de aumentar as chances de gravidez, principalmente identificando a janela fértil e mantendo relações sexuais com uma frequência adequada.
Para a maioria dos casais sem problemas conhecidos de fertilidade, não é preciso tomar medicamentos, suplementos para “fertilidade” ou adotar dietas especiais.
Mesmo assim, quando a gravidez não acontece nos primeiros meses, é comum surgirem dúvidas e inseguranças:
- “Será que há algo de errado no meu sistema reprodutor?”
- “Será que eu não conseguirei ter filhos?”
- “Será que eu vou precisar tomar remédio?”
Há quem apele para produtos naturais ou simpatias, há quem passe a ter relações sexuais todos os dias, há quem tente novas posições e há também aqueles que procurem ajuda profissional para conseguir engravidar.
O problema é que muitas dessas estratégias não aumentam a fertilidade. O que realmente faz diferença é compreender como funciona o ciclo ovulatório, saber quais são os melhores dias para ter relações e evitar alguns fatores que podem reduzir a fertilidade.
Neste artigo explicamos como otimizar a fertilidade natural do homem e da mulher, aumentando, assim, as chances de uma gravidez mais rápida.
Calculadora para estimar o melhor momento para engravidar
Antes de entrarmos nas explicações, utilize a calculadora abaixo para estimar os dias do ciclo em que a chance de ovulação é maior e, portanto, o melhor período para ter relações sexuais com o objetivo de engravidar.
O resultado é apenas uma estimativa, principalmente se os ciclos forem irregulares, pois a data da ovulação pode variar de um mês para outro.
Calculadora de janela fértil
O que significam fertilidade e infertilidade?
O que é um casal fértil?
Fertilidade é a capacidade natural do indivíduo ou do casal de produzir uma gravidez por meio de relações sexuais. Um homem fértil é aquele capaz de engravidar uma mulher, enquanto uma mulher fértil é aquela capaz de engravidar após relações sexuais sem uso de métodos contraceptivos.
Para um casal ser considerado fértil, tanto o homem quanto a mulher precisam ter capacidade reprodutiva adequada. Se houver redução importante da fertilidade em qualquer um dos dois, o casal pode apresentar dificuldade para engravidar.
O que é um casal infértil?
Infertilidade é a dificuldade de conseguir uma gravidez. Ela não significa necessariamente incapacidade definitiva de ter filhos.
Um casal é considerado infértil quando, na ausência de uma causa conhecida, não consegue estabelecer uma gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de métodos contraceptivos.
Isso não significa, porém, que a investigação da infertilidade deva sempre esperar 12 meses. Em geral, recomenda-se iniciar a avaliação após seis meses de tentativas quando a mulher tem 35 anos ou mais e mais precocemente após os 40 anos ou quando já existe algum fator conhecido que possa dificultar a gravidez.
O fato de o casal preencher critérios de infertilidade também não significa que uma gestação espontânea seja impossível. Alguns casais conseguem engravidar naturalmente depois de períodos mais longos de tentativa.
Existem diversas causas de infertilidade, tanto no homem quanto na mulher. Algumas são reversíveis ou tratáveis; outras podem exigir técnicas de reprodução assistida.
O uso prolongado de anticoncepcionais, por si só, não provoca infertilidade. Na maioria dos métodos contraceptivos reversíveis, a fertilidade retorna rapidamente após a suspensão. A principal exceção são alguns anticoncepcionais injetáveis de depósito, nos quais a ovulação pode demorar vários meses para retornar depois da última aplicação. O tempo que a mulher utilizou anticoncepcionais não costuma determinar sua fertilidade futura.
Portanto, os termos fertilidade e infertilidade dizem respeito à maior ou menor facilidade para conseguir uma gravidez. Infertilidade não significa incapacidade permanente de engravidar ou de ter filhos.
Dicas para aumentar a fertilidade do casal
Engravidar mais rápido e de forma natural torna-se mais fácil se o casal souber as seguintes três informações:
- Qual será o dia da próxima ovulação.
- Quais são os melhores dias do ciclo para ter relações sexuais.
- Qual é a frequência ideal para ter relações sexuais.
Vamos falar sobre cada uma das três.
Como saber o dia da ovulação?
Para engravidar, é preciso que um espermatozoide encontre um óvulo. Para que isso ocorra, é necessário haver relações sexuais próximo ao momento em que a mulher está ovulando.
Sem a realização de exames médicos, como ultrassonografias seriadas dos ovários, não é possível descobrir com absoluta precisão o dia da ovulação. Entretanto, existem maneiras de estimá-lo.
Sabemos que a ovulação costuma ocorrer aproximadamente 14 dias antes da próxima menstruação. Isso significa que, se o primeiro dia da nova menstruação foi em 28 de maio, a ovulação provavelmente ocorreu ao redor de 14 de maio.
Portanto, se a mulher tiver ciclos muito regulares, ela consegue estimar quando virá a próxima ovulação subtraindo aproximadamente 14 dias da data prevista para a menstruação seguinte. Nas mulheres com ciclos irregulares, que em um mês menstruam após 35 dias e em outro após 28, é bem mais difícil fazer essa estimativa.
Mesmo nas mulheres com ciclos regulares, porém, o dia da ovulação pode variar de um mês para outro. Por isso, o período fértil deve ser encarado como uma janela de alguns dias, e não como uma única data.
Os gráficos abaixo mostram como varia a probabilidade de a mulher estar na janela fértil conforme o dia e a duração do ciclo menstrual. Mulheres com ciclos regulares ao redor de 28 dias costumam apresentar a maior probabilidade de ovulação próximo ao 14º dia, mas isso não significa que todas ovulem exatamente nessa data.

Além do cálculo pelo calendário, testes de ovulação vendidos em farmácias podem ajudar a identificar o aumento do hormônio LH que antecede a ovulação. Alterações do muco cervical também podem indicar a proximidade do período fértil.
Para saber mais sobre o período fértil e os sinais de ovulação, sugerimos a leitura dos nossos artigos sobre período fértil e cálculo da data da ovulação.
Como saber os melhores dias para ter relações sexuais?
O óvulo permanece viável para fecundação durante um período curto após a ovulação, geralmente entre 12 e 24 horas.
Os espermatozoides, por outro lado, conseguem sobreviver por mais tempo no aparelho reprodutor feminino. Em condições favoráveis, podem permanecer capazes de fecundar o óvulo por até cerca de cinco dias.
Por isso, não é necessário ter relações exatamente no dia da ovulação para engravidar. Na verdade, as maiores chances costumam ocorrer quando a relação acontece um ou dois dias antes da ovulação, pois os espermatozoides já estarão presentes nas trompas quando o óvulo for liberado.
A chamada janela fértil corresponde aos cinco dias anteriores à ovulação e ao próprio dia da ovulação.
Em uma mulher com ciclo regular de aproximadamente 28 dias e ovulação perto do 14º dia, por exemplo, a janela fértil costuma se situar aproximadamente entre o 9º e o 14º dia do ciclo, contando o primeiro dia da menstruação como dia 1.
Essa conta é apenas uma estimativa. Se a ovulação ocorrer mais cedo ou mais tarde naquele mês, a janela fértil também se deslocará.
O gráfico abaixo mostra quais são os dias, em relação à ovulação, em que é mais provável ocorrer uma gravidez. Repare que as mulheres mais jovens apresentam maior fecundidade, mas em todas as faixas etárias as maiores probabilidades concentram-se nos dias imediatamente anteriores à ovulação.

Saber a frequência ideal para ter relações sexuais
O tempo desde a última ejaculação interfere nas características do sêmen. Períodos mais longos de abstinência costumam aumentar o volume de sêmen, a concentração e o número total de espermatozoides. Por outro lado, abstinências mais curtas tendem a estar associadas a melhor motilidade e menor fragmentação do DNA dos espermatozoides.
Por isso, não existe um intervalo de abstinência que produza um sêmen “ideal” em todos os aspectos. Também não é necessário o homem ficar dois ou três dias sem ejacular para acumular espermatozoides antes de ter relações no período fértil.
Em homens com sêmen normal, relações sexuais diárias não costumam reduzir a quantidade ou a qualidade dos espermatozoides a ponto de prejudicar a fertilidade.
Para aumentar as chances de gravidez, o mais importante é que existam espermatozoides viáveis no aparelho reprodutor feminino quando a ovulação ocorrer. Como eles podem permanecer viáveis por vários dias, ter relações a cada um ou dois dias durante a janela fértil aumenta a probabilidade de haver espermatozoides disponíveis no momento em que o óvulo for liberado.
As maiores taxas de gravidez são observadas com relações a cada um ou dois dias durante esse período. Relações diárias também são adequadas e não diminuem a fertilidade.
Para os casais que não querem acompanhar a ovulação de forma tão precisa, manter relações duas a três vezes por semana ao longo do ciclo costuma produzir resultados bastante próximos.
Como aumentar as chances de engravidar?
Baseado no que foi explicado até agora, podemos concluir que a melhor estratégia para engravidar mais rápido é:
- Concentrar as relações sexuais na janela fértil, principalmente nos dois dias anteriores à ovulação.
- Ter relações a cada um ou dois dias durante esse período é suficiente para maximizar as chances de gravidez.
- Como nem sempre é fácil prever a data exata da próxima ovulação, uma opção simples é manter relações duas ou três vezes por semana durante todo o ciclo. Dessa forma, é bastante provável que pelo menos algumas relações ocorram dentro da janela fértil.
Mesmo utilizando corretamente essas estratégias, não existe método capaz de garantir gravidez no primeiro mês ou na primeira tentativa. Em casais férteis, é perfeitamente normal que sejam necessários vários ciclos menstruais até que a concepção aconteça.
Se a gravidez não ocorrer, o momento de procurar avaliação depende principalmente da idade da mulher e da existência de fatores de risco.
Em geral, recomenda-se investigação médica quanto à infertilidade:
- Após 12 meses de tentativas quando a mulher tem menos de 35 anos.
- Após 6 meses de tentativas quando a mulher tem 35 anos ou mais.
- Mais precocemente quando a mulher tem mais de 40 anos.
A investigação também não deve esperar esses prazos quando já existe alguma condição conhecida que possa dificultar a gravidez, como ciclos menstruais muito irregulares ou ausência de menstruação, suspeita de endometriose, doença das trompas, histórico de quimioterapia ou radioterapia, alteração conhecida do sêmen ou outras condições associadas à infertilidade.
Fatores que interferem na fertilidade
Alguns fatores podem aumentar ou reduzir a fertilidade do casal, mesmo quando não existe uma doença específica impedindo a gravidez. Idade, tabagismo, peso corporal, atividade física, consumo de álcool e alguns hábitos do dia a dia podem influenciar a ovulação, a qualidade dos espermatozoides ou a probabilidade de concepção.
Quando esses fatores são modificáveis, corrigi-los pode favorecer a fertilidade e também melhorar a saúde do casal no período pré-concepcional.
Idade da mulher
A idade da mulher é um dos fatores com maior influência sobre a fertilidade.
O gráfico mostrado anteriormente foi baseado em um estudo que analisou a probabilidade de concepção conforme a idade quando a relação sexual ocorria nos dias de maior fertilidade. Nesse estudo:
- Entre 19 e 26 anos, a probabilidade de gravidez pode chegar a cerca de 50% quando a relação sexual ocorre no momento de maior fertilidade do ciclo.
- Entre 27 e 34 anos, essa probabilidade fica em torno de 35 a 40% nos dias mais férteis.
- Entre 35 e 39 anos, a probabilidade cai para menos de 30% mesmo quando a relação ocorre próximo à ovulação.
Esses números não significam que uma mulher de 25 anos tenha 50% de chance de engravidar em qualquer ciclo ou em qualquer relação sexual. Eles se referem à probabilidade de concepção quando a relação ocorre nos dias de maior fertilidade e servem principalmente para demonstrar como a fecundidade diminui com o avanço da idade.
A partir dos 40 anos, a queda da fertilidade torna-se ainda mais acentuada. Utilizando outra forma de medir a fertilidade — a chance de gravidez por ciclo menstrual —, estima-se que uma mulher de 40 anos tenha, em média, cerca de 10% de chance de engravidar em cada ciclo, percentual que continua diminuindo com o avanço da idade.
A idade do homem também influencia a fertilidade, mas seu efeito costuma ser menos pronunciado que o da idade feminina. Alguns parâmetros do sêmen diminuem gradualmente com o envelhecimento masculino, porém a redução da fertilidade natural é geralmente mais lenta.
Ter mais de 35 anos não significa que a mulher não consiga engravidar. Significa apenas que, em média, o processo tende a se tornar mais difícil e demorado, principalmente porque diminuem a quantidade e a qualidade dos óvulos e aumenta o risco de perda gestacional.
Um modelo que levou em consideração a concepção, o risco de aborto espontâneo e a probabilidade de nascimento vivo estimou os seguintes resultados para mulheres que começam a tentar engravidar naturalmente:
- Aos 30 anos: cerca de 75% das mulheres conseguirão engravidar e ter um bebê nascido vivo dentro de um ano e 91% dentro de quatro anos.
- Aos 35 anos: cerca de 66% dentro de um ano e 84% dentro de quatro anos.
- Aos 40 anos: cerca de 44% dentro de um ano e 64% dentro de quatro anos.
Essas estimativas não representam a chance de engravidar em cada ciclo, mas a probabilidade acumulada de engravidar e ter um bebê nascido vivo ao longo do período de tentativas.
Infelizmente, não existe técnica natural capaz de neutralizar completamente a redução da fertilidade relacionada à idade.
Lubrificantes vaginais
Alguns lubrificantes vaginais podem diminuir a motilidade dos espermatozoides quando testados em laboratório. Entretanto, estudos realizados em casais tentando engravidar não demonstraram de forma convincente que o uso de lubrificantes reduza a probabilidade de gravidez por ciclo.
Para casais que precisam utilizar lubrificante e desejam engravidar, existem produtos formulados especificamente para serem compatíveis com os espermatozoides.
Excesso de atividade física
A prática regular de exercícios faz parte de um estilo de vida saudável e, para a maioria das pessoas, não prejudica a fertilidade.
Nas mulheres, porém, exercícios muito intensos podem se tornar um problema quando estão associados a grande gasto energético, perda excessiva de peso, alterações menstruais ou ausência de ovulação.
Alguns estudos encontraram redução da fecundabilidade em mulheres magras submetidas a grandes volumes de atividade física vigorosa, mas não existe um número universal de horas semanais acima do qual o exercício passe automaticamente a provocar infertilidade.
Nos homens, a atividade física moderada ou vigorosa não apresenta uma associação consistente com redução da fertilidade.
O ciclismo já foi relacionado a alterações de alguns parâmetros do sêmen em determinados estudos, principalmente em ciclistas que treinam muitas horas por semana. Entretanto, estudos mais recentes não encontraram redução consistente da chance de gravidez apenas pelo fato de o homem andar de bicicleta. Portanto, não há evidência suficiente para estabelecer um limite como “cinco horas de bicicleta por semana” a partir do qual a fertilidade masculina seja prejudicada.
Estresse
Tentar engravidar, sem sucesso, durante meses pode ser uma importante fonte de estresse. A chegada de cada nova menstruação pode aumentar a frustração e a ansiedade, principalmente em casais mais velhos ou que têm pressa para ter filhos.
Não está demonstrado, porém, que a ansiedade isoladamente seja uma causa de infertilidade.
O problema é que níveis elevados de estresse podem afetar a qualidade de vida, o desejo sexual e a frequência das relações, tornando o período de tentativas mais difícil para o casal.
Tabagismo
O cigarro reduz a fertilidade feminina e está associado a maior tempo para conseguir engravidar. O tabagismo também aumenta os riscos de aborto espontâneo e gravidez ectópica.
Mulheres que fumam tendem a entrar na menopausa, em média, de um a quatro anos mais cedo que as não fumantes, o que sugere aceleração da perda da função reprodutiva dos ovários.
Nos homens, o cigarro está associado à piora de parâmetros do sêmen, incluindo concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides, embora o impacto direto sobre a capacidade de gerar uma gravidez seja mais difícil de quantificar.
Parar de fumar elimina a exposição contínua aos componentes tóxicos do cigarro e deve fazer parte do planejamento da gravidez. No homem, parte das alterações do sêmen pode melhorar após alguns meses sem fumar. Na mulher, porém, a perda de folículos ovarianos que já ocorreu não pode ser recuperada pela interrupção do tabagismo.
A exposição passiva frequente à fumaça do cigarro também pode ter efeitos reprodutivos negativos.
Peso corporal
Tanto o excesso de peso quanto o peso corporal muito baixo podem dificultar a gravidez.
Mulheres com obesidade, especialmente quando associada a alterações da ovulação, tendem a demorar mais para engravidar. Quando a mulher com obesidade não está ovulando regularmente, a perda de peso pode aumentar a chance de retorno da ovulação e de concepção.
Nos homens, a obesidade também está associada a maior risco de redução da fertilidade.
No extremo oposto, mulheres com peso muito baixo podem apresentar ciclos irregulares ou deixar de menstruar por falta de ovulação. Nessas situações, recuperar um peso adequado costuma favorecer o retorno dos ciclos ovulatórios.
Não existe, portanto, um peso único ideal para engravidar, mas manter o peso corporal dentro de uma faixa saudável favorece a função reprodutiva.
Para saber calcular o seu índice de massa corporal, leia: Calcule o seu IMC e peso ideal.
Consumo elevado de álcool
O consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode prejudicar a qualidade do sêmen e deve ser evitado pelos homens que estão tentando ter filhos.
Nas mulheres, além da possível influência sobre a fertilidade quando o consumo é elevado, existe outro problema: uma gravidez pode começar vários dias ou semanas antes de ser reconhecida.
Por esse motivo, para a mulher que está tentando engravidar, a opção mais segura é evitar bebidas alcoólicas (leitura sugerida: Álcool na gravidez: existe limite seguro?).
Fatores relacionados aos homens
O aumento persistente da temperatura dos testículos pode prejudicar temporariamente alguns parâmetros do sêmen. Por esse motivo, faz sentido evitar exposições prolongadas a calor excessivo diretamente sobre a região escrotal.
Já a hipótese de que as ondas de radiofrequência emitidas por celulares, computadores e outros dispositivos provoquem infertilidade masculina continua sem comprovação adequada. Os estudos disponíveis em seres humanos apresentam muitas limitações e não permitem afirmar que o uso habitual desses aparelhos reduza a fertilidade.
Da mesma forma, existe associação entre temperatura escrotal elevada e pior qualidade do sêmen, mas não está demonstrado que simplesmente trocar cuecas mais justas por modelos largos aumente as chances de gravidez.
Dicas sobre fertilidade que são mitos e não funcionam
Pela internet é possível encontrar diversos mitos e alegações pouco baseadas em evidências científicas sobre como engravidar mais rápido. Falaremos resumidamente das mais comuns.
Posição durante e após o ato sexual
Não há comprovação científica de que a posição na qual se pratica o sexo tenha influência sobre a taxa de fecundação.
Ficar com as pernas para o alto, colocar travesseiros sob o quadril ou permanecer deitada durante vários minutos depois da relação também não aumenta as chances de gravidez.
Os espermatozoides capazes de chegar ao colo do útero começam a fazê-lo rapidamente após a ejaculação. O fato de parte do sêmen escorrer da vagina quando a mulher se levanta não significa que os espermatozoides necessários para a fecundação estejam sendo perdidos.
Portanto, nada indica que retomar as atividades normais logo após o fim da relação diminua as chances de engravidar.
Orgasmo
O fato de a mulher ter ou não orgasmo não parece modificar de forma relevante a probabilidade de fecundação.
O orgasmo pode fazer parte de uma relação sexual satisfatória, obviamente, mas não é necessário para que os espermatozoides alcancem o óvulo.
Sexo oral
A saliva pode reduzir a motilidade dos espermatozoides em estudos realizados em laboratório. Por isso, já foi levantada a hipótese de que grande quantidade de saliva em contato com o sêmen antes da penetração pudesse prejudicar a fecundação.
Esse possível efeito, porém, nunca foi demonstrado de forma convincente em estudos que avaliaram a ocorrência real de gravidez.
Dieta
Quando o casal é saudável e não apresenta deficiências nutricionais ou doenças que exijam uma dieta específica, não existe evidência suficiente para afirmar que determinada dieta seja capaz de aumentar de forma relevante a fertilidade natural.
Não está demonstrado, por exemplo, que seguir dieta mediterrânea, vegetariana, hiperproteica ou rica em determinados alimentos faça uma mulher fértil engravidar mais rápido.
Isso não significa que a alimentação seja irrelevante para a saúde. Uma dieta equilibrada ajuda a manter peso adequado e reduz o risco de várias doenças que podem, indiretamente, interferir na fertilidade.
É importante lembrar também que todas as mulheres que planejam engravidar devem receber suplementação de ácido fólico antes da gestação para reduzir o risco de defeitos na formação do tubo neural do feto.
O ácido fólico não é um “remédio para engravidar”. Sua função é reduzir o risco de determinadas malformações no bebê caso a gravidez ocorra (leia: Por que o ácido fólico é importante na gravidez?).
Café
Não existe evidência consistente de que o consumo moderado de café provoque infertilidade.
Como a gravidez pode ocorrer antes mesmo de a mulher perceber o atraso menstrual, é prudente evitar consumos muito elevados de cafeína. Uma ingestão de até cerca de 200 mg de cafeína por dia é considerada moderada e também se encontra dentro dos limites habitualmente recomendados durante a gravidez.
Isso corresponde, aproximadamente, a 2 a 3 cafés expressos por dia, embora a quantidade de cafeína varie conforme o tipo de grão, a quantidade de café utilizada e o modo de preparo.
É possível aumentar a chance de engravidar de menino ou de menina?
Não existe método natural comprovado para escolher o sexo do bebê.
Ter relações sexuais antes ou depois da ovulação, utilizar determinadas posições, modificar a alimentação ou seguir métodos populares que prometem favorecer espermatozoides “masculinos” ou “femininos” não aumenta de forma confiável a probabilidade de nascer um menino ou uma menina.
O momento da relação sexual em relação à ovulação é muito importante para aumentar as chances de engravidar, mas não para determinar o sexo do bebê.
Em um conhecido estudo prospectivo, os ciclos que resultaram em meninos e meninas apresentaram padrões semelhantes de relações sexuais em relação ao dia da ovulação.
Existe alguma forma natural de engravidar de gêmeos?
Não existe método natural confiável para provocar uma gravidez de gêmeos.
Alguns fatores aumentam espontaneamente a probabilidade de gravidez de gêmeos dizigóticos, como antecedentes familiares maternos de gemelaridade e determinadas características individuais, mas esses fatores não podem ser utilizados como uma técnica para engravidar de gêmeos.
Tratamentos de infertilidade também podem aumentar a frequência de gestações múltiplas, mas não devem ser utilizados com esse objetivo. Uma gravidez gemelar apresenta riscos maiores de parto prematuro e outras complicações para a mãe e para os bebês.
A fertilidade aumenta depois de uma gravidez?
Ter engravidado anteriormente demonstra que havia capacidade de concepção naquele momento, mas não garante que a fertilidade permanecerá igual no futuro. A chance de uma nova gravidez continuará dependendo de fatores como idade, ovulação, condições das trompas e do útero, qualidade do sêmen e eventuais doenças ou alterações que tenham surgido com o passar do tempo.
Por isso, uma mulher que já engravidou pode posteriormente apresentar dificuldade para conseguir outra gestação. Essa situação é chamada infertilidade secundária.
Após uma perda gestacional precoce, alguns estudos sugerem que a chance de uma nova concepção pode ser igual ou até maior no ciclo seguinte ou nos primeiros meses. No entanto, esses dados não comprovam que a gravidez anterior provoque um aumento biológico da fertilidade nem permitem afirmar que exista uma “janela de maior fertilidade” com duração definida, como seis ciclos menstruais.
Também não é raro que casais que precisaram de tratamento para conseguir o primeiro filho engravidem espontaneamente depois. Isso ocorre porque muitas causas de infertilidade reduzem a probabilidade de gravidez, mas não a tornam impossível. Estudos mostram que gestações espontâneas após um nascimento obtido por reprodução assistida acontecem em uma parcela relevante dos casais.
Portanto, uma gravidez anterior pode ser seguida por outra gestação com relativa facilidade, mas não há evidência suficiente para afirmar que toda gravidez deixe a mulher temporariamente mais fértil.
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Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
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Gostei muito das explicações do Doutor. Me tirou varias dúvidas!!!!!
Parabéns pelo site, muito completo!
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