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9 de setembro de 2011

OBESIDADE | Remédios para emagrecer

O tratamento da obesidade com medicamentos pode ser um boa opção quando associado a modificações da dieta, do padrão de atividade física e de hábitos de vida. No entanto, o papel dos remédios para perda de peso tem sido questionado devido a preocupações com a eficácia, segurança e a observação de que a maioria dos pacientes acaba por recuperar o seu peso quando as drogas são interrompidas. Neste texto vamos abordar as principais opções de remédios para perder peso e suas indicações.

Esta é a quinta parte da série sobre obesidade, composta pelos seguintes temas:

I) OBESIDADE | Definições e consequências
II) OBESIDADE | Calorias para emagrecer
III) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Mudanças de hábitos de vida
IV)
V) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Remédios para emagrecer
VI) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Cirurgia bariátrica (texto a ser publicado nas próximas semanas)
VII) CIRURGIA PLÁSTICA APÓS GRANDE PERDA DE PESO

A leitura da primeira parte desta série é importante para entender conceitos, como obesidade, sobrepeso, IMC, circunferência abdominal e síndrome metabólica, usados frequentemente neste texto.

Observação importante: As opções de dietas e tratamentos divulgadas em nosso espaço publicitário no início e no final dos textos são de inteira responsabilidade dos anunciantes. Apenas cedemos espaço para publicidade, não significando que o tratamento apresentado seja necessariamente endossado pela equipe médica do MD.Saúde.

Objetivos do tratamento medicamentoso para perda de peso

Todo paciente submetido a tratamentos para perda de peso deve ser orientado pelo médico a ter um objetivo factível. O desfecho ideal do tratamento da obesidade é um retorno ao peso corporal normal, mas isso não é realista na maioria dos casos. Em um estudo, a título de exemplo, indivíduos obesos foram questionados antes do início do tratamento sobre quantos quilos eles gostariam de perder. Meses depois, quando o objetivo sonhado foi comparado com a real perda de peso, nenhum dos participantes do estudo havia atingido o peso idealizado e poucos estavam contentes com a perda de peso que conseguiram. Portanto, o médico e o paciente precisam chegar a um entendimento mútuo sobre as reais possibilidades de perda de peso para não haver frustrações ao final de alguns meses.

Remédios para emagrecerNo tratamento medicamentoso da obesidade, perdas de 10 a 15% do peso corporal são considerados excelentes resultados, mesmo que o paciente ainda se encontre longe do peso sonhado. Na verdade, perdas acima de 5% do peso corporal já são suficientes para reduzir substancialmente o risco de diabetes e doenças cardiovasculares. Existe uma diferença grande entre a perda de peso ideal para melhorar a saúde e a perda de peso necessária para se atingir o atual padrão de beleza imposta pela mídia.

Indicações para o uso de remédios para emagrecer

Todos os pacientes com excesso de peso devem, antes de iniciarem remédios, estabelecer uma dieta adequada, uma programação de exercícios físicos e mudanças nos hábitos de vida. No final das contas, perder peso é uma simples conta aritmética: calorias gastas - calorias consumidas. Se você ingere mais calorias do que gasta, não existe tratamento que o faça emagrecer. Não existe remédio milagroso e não existe perda de peso sem esforço. Não é boa prática médica indicar drogas para emagrecer para pacientes que não fazem dietas e/ou exercícios físicos.

Atualmente indica-se o uso de medicamentos para emagrecer em todos os pacientes que já estejam sob dieta, exercícios físicos e se encaixem nos seguintes critérios:

1. Indivíduos com IMC maior que 30 kg/m² .
2. Indivíduos com IMC maior que 27 kg/m² que também apresentem diabetes, hipertensão ou colesterol elevado*.
3. Indivíduos com IMC maior que 25 kg/m² que apresentem circunferência abdominal maior que 102 cm nos homens ou 88 cm nas mulheres.


Remédios para emagrecer

1.) Sibutramina

A sibutramina auxilia na perda de peso por agir diretamente sob neurotransmissores cerebrais responsáveis pela sensação de saciedade, entre eles, serotonina, dopamina e noradrenalina. A sibutramina faz com que esses neurotransmissores permaneçam mais tempo circulando no cérebro, fazendo com que o paciente consiga permanecer mais tempo sem ter vontade de comer. A Sibutramina é, portanto, um moderador do apetite.

Estudos mostram que, se associados a dieta e a exercícios físicos, a sibutramina ajuda a perder em média 10kg após um ano de tratamento.

Para saber mais detalhes sobre a sibutramina, leia: SIBUTRAMINA | Reductil® | Efeitos e contraindicações

2.) Orlistat

O Orlistat é um medicamento que age inibindo a absorção de gordura pelo intestino. O uso contínuo de Orlistat faz com pelo 1/3 das gorduras ingeridas não sejam absorvidas, sendo eliminadas pelas fezes.

Estudos mostram que, se associados a dieta e a exercícios físicos, o Orlistat ajuda a perder em média 9kg após um ano de tratamento.

O Orlistat apresenta também a vantagem de agir nos níveis de colesterol, podendo haver uma redução de até 10% nos valores do LDL, o colesterol ruim.

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão excesso de gases, cólicas abdominais, gotas de gordura nas fezes e incontinência fecal. Geralmente esses efeitos são piores se o paciente não estiver controlando a ingestão de gorduras. Uma dieta com no máximo 30% de gorduras não costuma causar esses efeitos adversos. Outros efeitos colaterais são a diminuição na absorção de algumas vitaminas, como as vitaminas A D e E (leia: MITOS E VERDADES SOBRE VITAMINAS) e um maior risco de desenvolver cálculos renais (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas da cólica renal).

O Orlistat não altera a absorção da maioria dos medicamentos, incluindo anticoncepcionais, anti-hipertensivos, anticoagulantes,  antiepiléticos e digoxina, por exemplo.

ATENÇÃO: AS TRÊS DROGAS CITADAS A SEGUIR: FEMPROPOREX, MAZINDOL E DIETILPROPIONA TIVERAM SUA COMERCIALIZAÇÃO SUSPENSA PELA ANVISA EM OUTUBRO DE 2011

3.) Femproporex

O Femproporex é um derivado da anfetamina que age no sistema nervoso central, nomeadamente no hipotálamo, diminuindo a fome. É, portanto, uma droga inibidora do apetite.

O femproporex é proibido na maioria dos países, mas ainda é muito prescrito no Brasil como droga de tarja preta (assim como a Sibutramina). O medicamento é muito efetivo, entretanto, o fato de ter propriedades estimulantes, reduzindo o sono e aumentando a sensação de bem-estar, faz com que a mesma seja irresponsavelmente usada como droga recreativa (a famosa bolinha).

O Femproporex pode criar dependência, por isso, só deve ser utilizado por curtos períodos, geralmente no máximo quatro meses.

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão: boca seca, insonia, tremores e irritabilidade. Os derivados da anfetamina também causam aumento da pressão arterial e aceleração dos batimentos cardíacos.

Se não houver reais mudanças nos hábitos de vida, o paciente costuma recuperar o peso perdido depois que a droga é suspensa. Uma vez que o efeito anorexígeno do Femproporex desaparece, o paciente volta a ter fome e passa a comer mais novamente.

4.) Anfepramona (dietilpropiona)

A Anfepramona age de modo semelhante ao Femproporex, porém é um inibidor do apetite menos potente. Ao contrário do Femproporex, a Anfepramona é comercializada legalmente em outros países, como EUA, Canadá, Austrália e Suíça.

A Anfepramona apresenta efeitos colaterais muito parecidos com o Femproporex e também é usada inapropriadamente como droga recreativa. Devido ao risco de dependência, também só deve ser prescrita por curtos períodos.

5. ) Mazindol

O Mazindol é mais um medicamento anorexígeno com ação semelhante às anfetaminas (apesar de não ser derivado da anfetamina), estimulando o sistema nervoso central e agindo sobre a saciedade. Possui efeitos colaterais semelhantes às duas drogas descritas acima.

Atualmente os dois medicamentos mais prescritos para redução do peso são a Sibutramina e o Orlistat.

Outros remédios que ajudam a perder peso

Os medicamentos de primeira e segunda linha para a perda de peso no Brasil são os 5 descritos anteriormente. Todavia, existem ainda alguns medicamentos, indicados para outras doenças que podem causar perda peso como efeito secundário. Os medicamentos listados abaixo não devem ser prescritos unicamente para emagrecimento e não apresentam resultados tão satisfatórios como as drogas descritas acima:

- Antidepressivos: Sertralina, Fluoxetina e Bupropiona (leia: ANTIDEPRESSIVOS | Escitalopram, Fluoxetina, Sertralina...)
- Antiepiléticos: Topiramato e Zonisamida
- Antidiabéticos: Metformina, Pramlintida, Exenatida e Liraglutida
- Hormônio tireoidiano: Levotiroxina

Suplementos alimentares para emagrecimento

Não existem evidências cientificas que comprovem a eficácia ou segurança dos inúmeros produtos vendidos como "opções naturais" para perda de peso. As substâncias listadas a seguir são frequentemente vendidas como opções para perder peso, porém não apresentam comprovação científica:

- Pholia magra
- Pholia negra
- Gymnema silvestre
- Ephedra
- Guar gum
- Chitosan
- Ginseng
- Erva-de-são-joão
- Chá-verde
- Hoodia gordonii
- Psyllium
- Ácido Hidroxicítrico
- Glucomannan
- L-carnitina
- Laranja Amarga (Citrus aurantium)

É preciso ter muito cuidado com produtos vendidos como milagrosos emagrecedores. Muitos deles contém escondidos em sua fórmulas medicamentos como anfetamina, diuréticos, hormônios tireoidianos, fluoxetina, ansiolíticos e efedrina.

Conclusão sobre remédios para emagrecimento

Não existe droga milagrosa, assim como não existe perda de peso sem esforço. Qualquer tratamento que prometa redução do peso de modo rápido e fácil deve ser encarado como fraude. Além de gastar seu dinheiro, você ainda pode estar consumindo substâncias que façam mal.

O tratamento com remédios para perda de peso deve ser feito somente com orientação médica e nunca sem um programa nutricional e de exercícios físicos associados. Se o paciente não estiver disposto a controlar seu consumo de calorias e a aumentar seu gasto calórico através de atividades físicas, a chance de sucesso é muito reduzida.

Dr. Pedro PinheiroAutor do artigo
Dr. Pedro Pinheiro - Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2002. Diploma reconhecido pela Universidade do Porto, Portugal. Título de especialista em Medicina Interna pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2005. Título de Nefrologista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) em 2007. Título de Nefrologista pelo Colégio Português de Nefrologia.

4 comentários:

fui no endocrino e ela passou daforin para que server

Daforin é a fluoxetina, um antidepressivo.

Estou tomando Sibutramina a 16 dias, nao tenho mais efeitos colaterais mas sinto muita vontade de doce. Evito doces, mas nao sinto que emagreci acho q ate engordei ê possivel? Foi detectado um nodulo na minha tireoide e o medico disse que ele nao tem aspecto de maligno e nao indicou medicamento mesmo assim tenho muitos sintomas de hipo, um deles é o aumento de peso. Qual especialista procuro?

tenho um filho de 6 anos ele pesa 37,5 kg e ele tem hipotiroidismo  ele toma Euthirox 50 mg e o medico passou pra ele tomar Daforin pra ele tomar 8  gotas .... pra que serve se eu estava vendo na bula uso adulto

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