O tratamento da obesidade com medicamentos pode ser um boa opção quando associado a modificações da dieta, do padrão de atividade física e de hábitos de vida. No entanto, o papel dos remédios para perda de peso tem sido questionado devido a preocupações com a eficácia, segurança e a observação de que a maioria dos pacientes acaba por recuperar o seu peso quando as drogas são interrompidas. Neste texto vamos abordar as principais opções de remédios para perder peso e suas indicações.
Esta é a quinta parte da série sobre obesidade, composta pelos seguintes temas:
I) OBESIDADE | Definições e consequências
II) OBESIDADE | Calorias para emagrecer
III) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Mudanças de hábitos de vida
IV) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Dieta para emagrecer
V) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Remédios para emagrecer
VI) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Cirurgia bariátrica (texto a ser publicado nas próximas semanas)
VII) CIRURGIA PLÁSTICA APÓS GRANDE PERDA DE PESO
II) OBESIDADE | Calorias para emagrecer
III) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Mudanças de hábitos de vida
IV) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Dieta para emagrecer
V) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Remédios para emagrecer
VI) TRATAMENTO DA OBESIDADE | Cirurgia bariátrica (texto a ser publicado nas próximas semanas)
VII) CIRURGIA PLÁSTICA APÓS GRANDE PERDA DE PESO
A leitura da primeira parte desta série é importante para entender conceitos, como obesidade, sobrepeso, IMC, circunferência abdominal e síndrome metabólica, usados frequentemente neste texto.
Observação importante: As opções de dietas e tratamentos divulgadas em nosso espaço publicitário no início e no final dos textos são de inteira responsabilidade dos anunciantes. Apenas cedemos espaço para publicidade, não significando que o tratamento apresentado seja necessariamente endossado pela equipe médica do MD.Saúde.
Objetivos do tratamento medicamentoso para perda de peso
Todo paciente submetido a tratamentos para perda de peso deve ser orientado pelo médico a ter um objetivo factível. O desfecho ideal do tratamento da obesidade é um retorno ao peso corporal normal, mas isso não é realista na maioria dos casos. Em um estudo, a título de exemplo, indivíduos obesos foram questionados antes do início do tratamento sobre quantos quilos eles gostariam de perder. Meses depois, quando o objetivo sonhado foi comparado com a real perda de peso, nenhum dos participantes do estudo havia atingido o peso idealizado e poucos estavam contentes com a perda de peso que conseguiram. Portanto, o médico e o paciente precisam chegar a um entendimento mútuo sobre as reais possibilidades de perda de peso para não haver frustrações ao final de alguns meses.
No tratamento medicamentoso da obesidade, perdas de 10 a 15% do peso corporal são considerados excelentes resultados, mesmo que o paciente ainda se encontre longe do peso sonhado. Na verdade, perdas acima de 5% do peso corporal já são suficientes para reduzir substancialmente o risco de diabetes e doenças cardiovasculares. Existe uma diferença grande entre a perda de peso ideal para melhorar a saúde e a perda de peso necessária para se atingir o atual padrão de beleza imposta pela mídia.Indicações para o uso de remédios para emagrecer
Todos os pacientes com excesso de peso devem, antes de iniciarem remédios, estabelecer uma dieta adequada, uma programação de exercícios físicos e mudanças nos hábitos de vida. No final das contas, perder peso é uma simples conta aritmética: calorias gastas - calorias consumidas. Se você ingere mais calorias do que gasta, não existe tratamento que o faça emagrecer. Não existe remédio milagroso e não existe perda de peso sem esforço. Não é boa prática médica indicar drogas para emagrecer para pacientes que não fazem dietas e/ou exercícios físicos.
Atualmente indica-se o uso de medicamentos para emagrecer em todos os pacientes que já estejam sob dieta, exercícios físicos e se encaixem nos seguintes critérios:
1. Indivíduos com IMC maior que 30 kg/m² .
2. Indivíduos com IMC maior que 27 kg/m² que também apresentem diabetes, hipertensão ou colesterol elevado*.
3. Indivíduos com IMC maior que 25 kg/m² que apresentem circunferência abdominal maior que 102 cm nos homens ou 88 cm nas mulheres.
* Para ler sobre essas três doenças:
- DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas
- HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento
- COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS
- DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas
- HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento
- COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS
Remédios para emagrecer
1.) Sibutramina
A sibutramina auxilia na perda de peso por agir diretamente sob neurotransmissores cerebrais responsáveis pela sensação de saciedade, entre eles, serotonina, dopamina e noradrenalina. A sibutramina faz com que esses neurotransmissores permaneçam mais tempo circulando no cérebro, fazendo com que o paciente consiga permanecer mais tempo sem ter vontade de comer. A Sibutramina é, portanto, um moderador do apetite.
Estudos mostram que, se associados a dieta e a exercícios físicos, a sibutramina ajuda a perder em média 10kg após um ano de tratamento.
Para saber mais detalhes sobre a sibutramina, leia: SIBUTRAMINA | Reductil® | Efeitos e contraindicações
2.) Orlistat
O Orlistat é um medicamento que age inibindo a absorção de gordura pelo intestino. O uso contínuo de Orlistat faz com pelo 1/3 das gorduras ingeridas não sejam absorvidas, sendo eliminadas pelas fezes.
Estudos mostram que, se associados a dieta e a exercícios físicos, o Orlistat ajuda a perder em média 9kg após um ano de tratamento.
O Orlistat apresenta também a vantagem de agir nos níveis de colesterol, podendo haver uma redução de até 10% nos valores do LDL, o colesterol ruim.
Entre os efeitos colaterais mais comuns estão excesso de gases, cólicas abdominais, gotas de gordura nas fezes e incontinência fecal. Geralmente esses efeitos são piores se o paciente não estiver controlando a ingestão de gorduras. Uma dieta com no máximo 30% de gorduras não costuma causar esses efeitos adversos. Outros efeitos colaterais são a diminuição na absorção de algumas vitaminas, como as vitaminas A D e E (leia: MITOS E VERDADES SOBRE VITAMINAS) e um maior risco de desenvolver cálculos renais (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas da cólica renal).
O Orlistat não altera a absorção da maioria dos medicamentos, incluindo anticoncepcionais, anti-hipertensivos, anticoagulantes, antiepiléticos e digoxina, por exemplo.
ATENÇÃO: AS TRÊS DROGAS CITADAS A SEGUIR: FEMPROPOREX, MAZINDOL E DIETILPROPIONA TIVERAM SUA COMERCIALIZAÇÃO SUSPENSA PELA ANVISA EM OUTUBRO DE 2011
3.) Femproporex
O Femproporex é um derivado da anfetamina que age no sistema nervoso central, nomeadamente no hipotálamo, diminuindo a fome. É, portanto, uma droga inibidora do apetite.
O femproporex é proibido na maioria dos países,
O Femproporex pode criar dependência, por isso, só deve ser utilizado por curtos períodos, geralmente no máximo quatro meses.
Entre os efeitos colaterais mais comuns estão: boca seca, insonia, tremores e irritabilidade. Os derivados da anfetamina também causam aumento da pressão arterial e aceleração dos batimentos cardíacos.
Se não houver reais mudanças nos hábitos de vida, o paciente costuma recuperar o peso perdido depois que a droga é suspensa. Uma vez que o efeito anorexígeno do Femproporex desaparece, o paciente volta a ter fome e passa a comer mais novamente.
4.) Anfepramona (dietilpropiona)
A Anfepramona age de modo semelhante ao Femproporex, porém é um inibidor do apetite menos potente. Ao contrário do Femproporex, a Anfepramona é comercializada legalmente em outros países, como EUA, Canadá, Austrália e Suíça.
A Anfepramona apresenta efeitos colaterais muito parecidos com o Femproporex e também é usada inapropriadamente como droga recreativa. Devido ao risco de dependência, também só deve ser prescrita por curtos períodos.
5. ) Mazindol
O Mazindol é mais um medicamento anorexígeno com ação semelhante às anfetaminas (apesar de não ser derivado da anfetamina), estimulando o sistema nervoso central e agindo sobre a saciedade. Possui efeitos colaterais semelhantes às duas drogas descritas acima.
Atualmente os dois medicamentos mais prescritos para redução do peso são a Sibutramina e o Orlistat.
Outros remédios que ajudam a perder peso
Os medicamentos de primeira e segunda linha para a perda de peso no Brasil são os 5 descritos anteriormente. Todavia, existem ainda alguns medicamentos, indicados para outras doenças que podem causar perda peso como efeito secundário. Os medicamentos listados abaixo não devem ser prescritos unicamente para emagrecimento e não apresentam resultados tão satisfatórios como as drogas descritas acima:
- Antidepressivos: Sertralina, Fluoxetina e Bupropiona (leia: ANTIDEPRESSIVOS | Escitalopram, Fluoxetina, Sertralina...)
- Antiepiléticos: Topiramato e Zonisamida
- Antidiabéticos: Metformina, Pramlintida, Exenatida e Liraglutida
- Hormônio tireoidiano: Levotiroxina
Suplementos alimentares para emagrecimento
Não existem evidências cientificas que comprovem a eficácia ou segurança dos inúmeros produtos vendidos como "opções naturais" para perda de peso. As substâncias listadas a seguir são frequentemente vendidas como opções para perder peso, porém não apresentam comprovação científica:
- Pholia magra
- Pholia negra
- Gymnema silvestre
- Ephedra
- Guar gum
- Chitosan
- Ginseng
- Erva-de-são-joão
- Chá-verde
- Hoodia gordonii
- Psyllium
- Ácido Hidroxicítrico
- Glucomannan
- L-carnitina
- Laranja Amarga (Citrus aurantium)
É preciso ter muito cuidado com produtos vendidos como milagrosos emagrecedores. Muitos deles contém escondidos em sua fórmulas medicamentos como anfetamina, diuréticos, hormônios tireoidianos, fluoxetina, ansiolíticos e efedrina.
Conclusão sobre remédios para emagrecimento
Não existe droga milagrosa, assim como não existe perda de peso sem esforço. Qualquer tratamento que prometa redução do peso de modo rápido e fácil deve ser encarado como fraude. Além de gastar seu dinheiro, você ainda pode estar consumindo substâncias que façam mal.
O tratamento com remédios para perda de peso deve ser feito somente com orientação médica e nunca sem um programa nutricional e de exercícios físicos associados. Se o paciente não estiver disposto a controlar seu consumo de calorias e a aumentar seu gasto calórico através de atividades físicas, a chance de sucesso é muito reduzida.



4 comentários:
fui no endocrino e ela passou daforin para que server
Daforin é a fluoxetina, um antidepressivo.
Estou tomando Sibutramina a 16 dias, nao tenho mais efeitos colaterais mas sinto muita vontade de doce. Evito doces, mas nao sinto que emagreci acho q ate engordei ê possivel? Foi detectado um nodulo na minha tireoide e o medico disse que ele nao tem aspecto de maligno e nao indicou medicamento mesmo assim tenho muitos sintomas de hipo, um deles é o aumento de peso. Qual especialista procuro?
tenho um filho de 6 anos ele pesa 37,5 kg e ele tem hipotiroidismo ele toma Euthirox 50 mg e o medico passou pra ele tomar Daforin pra ele tomar 8 gotas .... pra que serve se eu estava vendo na bula uso adulto
Postar um comentário