Bactrim (sulfametoxazol + trimetoprima): bula simplificada

Atualizado:
25 set. 2026
Atualizado:
25 set. 2026

Resumo

Principais pontos sobre sulfametoxazol + trimetoprima

  • Bactrim é um antibiótico que combina sulfametoxazol + trimetoprima, associação também conhecida como cotrimoxazol ou TMP-SMX.
  • É utilizado principalmente no tratamento de infecções urinárias por bactérias sensíveis, algumas infecções de pele, prostatite e determinadas infecções intestinais, além de ter papel importante no tratamento e na prevenção da pneumocistose (Pneumocystis jirovecii). Também pode ser utilizado contra microrganismos específicos, como Nocardia e Stenotrophomonas maltophilia.
  • A dose depende da infecção. Em adultos, 800 mg de sulfametoxazol + 160 mg de trimetoprima a cada 12 horas é um esquema frequente, mas não serve para todas as situações. Em crianças, a dose deve ser calculada principalmente pelo peso. Pacientes com insuficiência renal podem precisar de redução da dose.
  • O Bactrim não trata infecções virais, como gripe ou resfriado, e não deve ser utilizado por conta própria. A resistência bacteriana varia conforme o microrganismo e a região, portanto, em algumas infecções, seu uso depende do resultado da cultura e do antibiograma.
  • Os efeitos adversos mais comuns são náuseas, vômitos, diarreia e erupções na pele. Reações cutâneas graves, alterações das células do sangue e aumento do potássio são menos frequentes, mas potencialmente importantes.
  • É necessário cuidado especial em pessoas com doença renal, deficiência de G6PD, alergia a sulfonamidas, gravidez e naquelas que utilizam medicamentos como varfarina, metotrexato, espironolactona, IECA ou BRA.

Para que serve o sulfametoxazol-trimetoprima?

O sulfametoxazol-trimetoprima é um antibiótico utilizado há várias décadas no tratamento de diversas infecções causadas por microrganismos sensíveis. Com o passar dos anos, seu uso extenso levou ao surgimento de cepas resistentes, principalmente em infecções comunitárias comuns, como infecção urinária e sinusite. Ainda assim, o Bactrim continua sendo eficaz contra uma variedade relevante de agentes infecciosos, sobretudo em contextos selecionados, em que se conhece ou se presume a sensibilidade do germe.

As principais indicações clínicas do Bactrim incluem:

  • Infecção urinária (cistite e pielonefrite).
  • Prostatite.
  • Exacerbações bacterianas da DPOC/bronquite crônica.
  • Algumas infecções gastrointestinais causadas por microrganismos sensíveis, incluindo shigelose e, em situações selecionadas, diarreia do viajante por E. coli enterotoxigênica sensível. Devido à resistência bacteriana, o sulfametoxazol-trimetoprima não é atualmente uma opção empírica habitual para diarreia do viajante.
  • Pneumocistose (infecção pelo Pneumocystis jirovecii) — tanto tratamento quanto profilaxia.

Otite média: o sulfametoxazol-trimetoprima já foi muito utilizado nessa infecção, mas atualmente não costuma ser uma opção empírica preferencial devido à resistência dos principais agentes bacterianos.

Além dessas situações, o Bactrim pode ser usado em casos específicos nos quais se sabe, por cultura ou experiência local, que as bactérias envolvidas são sensíveis à medicação. Alguns exemplos:

  • Furúnculos e abscessos cutâneos.
  • Meningite por Listeria monocytogenes, como alternativa em situações selecionadas, especialmente quando não é possível utilizar ampicilina.
  • Osteomielite, em casos selecionados, conforme o agente causador e o resultado do antibiograma.
  • Algumas infecções após mordeduras de animais, geralmente em associação com outro antibiótico que ofereça cobertura adequada para bactérias anaeróbias.
  • Toxoplasmose (em alguns esquemas terapêuticos alternativos).

Microrganismos contra os quais o Bactrim pode ter atividade

A atividade do sulfametoxazol-trimetoprima depende da espécie, da cepa bacteriana e dos padrões locais de resistência. Portanto, a presença de um dos microrganismos abaixo não significa que o Bactrim necessariamente será eficaz. Quando disponível, o resultado da cultura e do antibiograma ajuda a orientar a escolha do antibiótico.

a) Microrganismos relacionados a infecções do trato urinário contra os quais o Bactrim pode apresentar atividade:

  • Escherichia coli.
  • Klebsiella pneumoniae.
  • Proteus mirabilis.
  • Enterobacter sp.
  • Morganella morganii.

b) Microrganismos relacionados a infecções do trato respiratório contra os quais o Bactrim pode apresentar atividade:

  • Streptococcus pneumoniae.
  • Haemophilus influenzae.
  • Moraxella catarrhalis.
  • Pneumocystis jirovecii.

c) Microrganismos relacionados a infecções do trato gastrointestinal contra os quais o Bactrim pode apresentar atividade:

  • E. coli enterotoxigênica.
  • Shigella sp.
  • Salmonella sp.
  • Vibrio cholerae.
  • Cyclospora cayetanensis.
  • Cystoisospora belli.
  • Yersinia enterocolitica.

Como tomar (posologia em adultos)

As doses variam conforme o tipo de infecção, gravidade do quadro e características do paciente. A seguir, são apresentadas as indicações mais comuns para adultos, com base em recomendações clínicas amplamente utilizadas.

Nos adultos, as doses recomendadas são as seguintes:

  • Exacerbação bacteriana da DPOC/bronquite crônica: 1 comprimido de sulfametoxazol 800 mg + trimetoprima 160 mg a cada 12 horas, geralmente por 5 dias, quando houver indicação de antibiótico e o microrganismo for sensível ao sulfametoxazol-trimetoprima.
  • Shigelose: 1 comprimido de sulfametoxazol 800 mg + trimetoprima 160 mg a cada 12 horas por 5 dias, quando a bactéria for sensível ao medicamento.
  • Cistite não complicada: 1 comprimido de sulfametoxazol 800 mg + trimetoprima 160 mg a cada 12 horas por 3 dias, desde que haja boa probabilidade de sensibilidade da bactéria ao medicamento.
  • Pielonefrite: 1 comprimido de 800/160 mg a cada 12 horas, desde que a bactéria seja sensível. Em muitos pacientes que apresentam boa resposta clínica, 7 dias de tratamento podem ser suficientes; quadros específicos podem exigir duração maior, conforme avaliação médica.
  • Prostatite bacteriana aguda: 1 comprimido de sulfametoxazol 800 mg + trimetoprima 160 mg a cada 12 horas por 14 dias, quando a bactéria for sensível ao medicamento. Após esse período, o paciente deve ser reavaliado; conforme a resposta clínica, o tratamento pode ser encerrado ou prolongado por mais 14 dias. Na prostatite bacteriana crônica, são necessários esquemas mais prolongados.
  • Pneumonia por Pneumocystis jirovecii: a dose recomendada é baseada no peso: 15 a 20 mg de TMP por kg/dia, dividida em 3 a 4 administrações diárias, com intervalos de 6 a 8 horas. A duração habitual é de 14 a 21 dias, dependendo da gravidade e da resposta clínica. Em pessoas vivendo com HIV, o tratamento da pneumocistose é habitualmente mantido por 21 dias. Exemplo: um adulto de 70 kg pode receber cerca de 1.050 a 1.400 mg de TMP por dia, divididos em doses múltiplas. Por se tratar de uma dose elevada, o tratamento exige prescrição e acompanhamento médico, frequentemente com monitoramento laboratorial.

Uso preventivo (profilaxia)

O sulfametoxazol-trimetoprima também pode ser utilizado para a prevenção dos seguintes problemas:

  • Infecção urinária de repetição (profilaxia contínua): 200/40 mg (meio comprimido de 400/80 mg) uma vez ao dia, geralmente por 6 a 12 meses.
  • Profilaxia da pneumonia por Pneumocystis jirovecii: 800/160 mg uma vez ao dia ou em esquemas intermitentes, por exemplo, 3 vezes por semana, conforme protocolo médico. Essa estratégia é frequentemente utilizada em pacientes imunossuprimidos, como pessoas vivendo com HIV com contagem de CD4 baixa ou pacientes em uso de imunossupressores.

Posologia pediátrica (crianças)

Em crianças, o SMX-TMP é geralmente administrado na forma de suspensão oral contendo 200 mg de sulfametoxazol + 40 mg de trimetoprima por 5 mL.

A posologia é calculada principalmente pelo componente trimetoprima e varia conforme a infecção. Para muitas infecções bacterianas comuns, utilizam-se cerca de 6 a 8 mg de TMP por kg/dia, divididos em duas administrações diárias.

Esquemas com 15 a 20 mg de TMP por kg/dia são empregados em indicações específicas, como o tratamento da pneumocistose, e não representam a dose habitual para qualquer infecção grave.

Cada 5 mL da suspensão padrão contém 40 mg de trimetoprima.

Tabela prática de dose por faixa etária (uso ambulatorial)

Dose de referência: cerca de 30 mg/kg/dia de sulfametoxazol e 6 mg/kg/dia de trimetoprima, divididas em 2 tomadas diárias.

Faixa etáriaDose usual — suspensão 200 mg + 40 mg/5 mLDose equivalente — Bactrim F 400 mg + 80 mg/5 mLObservações
6 semanas a 5 meses2,5 mL a cada 12 h—A idade mínima aprovada varia conforme a bula adotada em cada país.
6 meses a 5 anos5 mL a cada 12 h2,5 mL a cada 12 hInfecções leves a moderadas.
6 a 12 anos10 mL a cada 12 h5 mL a cada 12 hMesma dose utilizada habitualmente para crianças de aproximadamente 30–40 kg.
≥ 12 anosUsar posologia de adultosUsar posologia de adultosDose de adulto.

Essas doses são referências aproximadas por faixa etária. Sempre que possível, a dose pediátrica deve ser confirmada com base no peso corporal (mg/kg), especialmente em crianças com peso significativamente diferente da média para a idade.

Doses mais altas em indicações específicas

Em situações específicas, como pneumocistose, podem ser necessárias doses de TMP de 15 a 20 mg/kg/dia, divididas em 3 a 4 administrações diárias.

Esses esquemas exigem acompanhamento médico e, muitas vezes, monitoramento laboratorial com hemograma, eletrólitos e avaliação da função renal.

Duração do tratamento

A duração depende do tipo de infecção. Alguns exemplos:

  • Infecção urinária simples: geralmente 3 a 5 dias.
  • Otite média, quando o SMX-TMP é utilizado em situação selecionada: a duração depende da idade, gravidade e contexto clínico.
  • Diarreia bacteriana: cerca de 5 dias em muitos esquemas.
  • Pneumocistose: 14 a 21 dias.

Sempre siga a orientação médica específica para cada caso.

Uso em lactentes muito jovens

A idade mínima para uso do sulfametoxazol-trimetoprima varia conforme a formulação e a bula adotada em cada país.

No Brasil, a suspensão de Bactrim 200 mg + 40 mg/5 mL é aprovada a partir de 6 semanas de vida. Em outras referências, especialmente norte-americanas, o medicamento é contraindicado ou não recomendado antes dos 2 meses devido ao risco de deslocamento da bilirrubina e kernicterus.

Em recém-nascidos prematuros, lactentes com hiperbilirrubinemia ou outras condições que aumentem o risco de toxicidade pela bilirrubina, o uso deve ser evitado ou avaliado com especial cautela.

Também é necessário cuidado em crianças com deficiência de G6PD, desnutrição grave ou alterações renais ou hepáticas.

Ajustes da dose em pacientes com insuficiência renal

O sulfametoxazol-trimetoprima é parcialmente eliminado pelos rins. Em pacientes com insuficiência renal, a dose pode precisar ser ajustada para evitar acúmulo da medicação, aumento do risco de efeitos adversos e toxicidade hematológica.

O ajuste é feito com base na taxa de filtração glomerular estimada (TFG) ou clearance de creatinina (ClCr), geralmente calculado em mL/min. O médico pode usar esse valor para orientar a dose correta. Veja também: Calculadoras do clearance de creatinina (taxa de filtração glomerular).

Recomendações por grau de função renal

ClCr estimadoConduta recomendada
≥ 30 mL/minUsar dose habitual, sem necessidade de ajuste.
15–30 mL/minUtilizar aproximadamente metade da dose habitual. A forma de ajuste da dose ou do intervalo depende da indicação e do esquema utilizado.
< 15 mL/minEvitar o uso, exceto em situações específicas com monitoramento rigoroso, por exemplo, em pacientes em diálise.
Pacientes em hemodiáliseA posologia deve ser individualizada conforme a indicação, o esquema terapêutico e o momento das sessões de diálise.

Importante: a trimetoprima pode causar elevação da creatinina por inibição da secreção tubular, sem que isso necessariamente represente piora real da função renal. Mesmo assim, o risco de toxicidade é maior quando a função dos rins está comprometida.

Riscos específicos do Bactrim em pacientes renais

  • Acúmulo de metabólitos: pode agravar efeitos neurológicos e hematológicos.
  • Hipercalemia (aumento do potássio no sangue): mais comum em pacientes com TFG reduzida ou em uso concomitante de IECA, BRA ou espironolactona.
  • Anemia, leucopenia e trombocitopenia: podem ocorrer com maior frequência quando a depuração renal está reduzida, principalmente em tratamentos prolongados.

O que é e como age o sulfametoxazol + trimetoprima (Bactrim)?

Sulfametoxazol + trimetoprima — também chamado de TMP-SMX, cotrimoxazol ou Bactrim, seu nome comercial mais conhecido — é uma combinação de dois antimicrobianos que atuam em conjunto para bloquear a produção de ácido fólico nas células dos microrganismos. Essa ação torna o medicamento eficaz contra diversas bactérias e também contra alguns outros germes, como Pneumocystis jirovecii, Nocardia spp. e Stenotrophomonas maltophilia.

O sulfametoxazol inibe a enzima diidropteroato sintase, enquanto a trimetoprima bloqueia a diidrofolato redutase. Essas duas enzimas participam da mesma via metabólica, essencial para a síntese de folato, substância necessária à produção e à reparação do DNA. Ao agir em etapas diferentes dessa mesma via, os dois fármacos potencializam um ao outro e dificultam a multiplicação dos microrganismos sensíveis.

Isoladamente, o sulfametoxazol e a trimetoprima têm ação bacteriostática, ou seja, inibem o crescimento das bactérias. Quando usados em associação, porém, podem adquirir efeito bactericida contra várias bactérias suscetíveis, especialmente em determinadas condições.

Como os seres humanos não produzem ácido fólico e o obtêm exclusivamente pela alimentação, esse bloqueio metabólico afeta muito mais os microrganismos do que as nossas próprias células. Ainda assim, em algumas situações — como uso prolongado, deficiência nutricional, insuficiência renal ou associação com outros medicamentos — podem surgir efeitos adversos relacionados à interferência no metabolismo do folato.

O sulfametoxazol + trimetoprima é usado no tratamento de diferentes infecções causadas por microrganismos sensíveis, mas sua escolha deve sempre levar em conta o tipo de infecção, a gravidade do quadro e os padrões locais de resistência bacteriana. O medicamento também exige atenção especial em grupos como gestantes, lactentes muito jovens, pacientes com insuficiência renal, pessoas com deficiência de G6PD e usuários de medicamentos com potencial de interação.

Trata-se de um antibiótico de grande relevância clínica, incluído na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reúne fármacos considerados fundamentais para os sistemas de saúde.

Nomes comerciais

O cotrimoxazol, nome genérico da combinação sulfametoxazol + trimetoprima, é um antibiótico utilizado na prática médica desde a década de 1970. Ele pode ser encontrado tanto na forma genérica quanto sob diversos nomes comerciais, dependendo do fabricante.

Entre as marcas disponíveis no Brasil e Portugal, destacam-se:

  • Bacfar.
  • Bacsulfaprim.
  • Bac Sulfitrin.
  • Bacteracin.
  • Bactrim*.
  • Bactropin.
  • Benectrin.
  • Diazol.
  • Espectroprima.
  • Infectrim.
  • Medtrim.
  • Neotrin.
  • Qiftrim.

* Bactrim é a marca mais antiga e amplamente reconhecida de sulfametoxazol + trimetoprima, produzida originalmente pelo laboratório Roche.

Apresentações e composição

O sulfametoxazol + trimetoprima é comercializado no Brasil em diferentes formas e concentrações, destinadas tanto ao público adulto quanto ao infantil. A proporção fixa entre os dois princípios ativos é sempre de 5 partes de sulfametoxazol para 1 parte de trimetoprima.

As principais apresentações disponíveis são:

1. Comprimidos (uso adulto)

Comprimido 400 mg + 80 mg

Cada comprimido contém 400 mg de sulfametoxazol (SMX) e 80 mg de trimetoprima (TMP). É a formulação padrão, utilizada em diferentes esquemas terapêuticos.

Comprimido de dose dupla (800 mg + 160 mg)

Também conhecido como comprimido forte ou de dose dupla, contém 800 mg de SMX e 160 mg de TMP. Essa apresentação permite administrar a dose habitual com menor número de comprimidos.

2. Suspensão oral

Suspensão 200 mg + 40 mg por 5 mL

Cada 5 mL contêm 200 mg de SMX e 40 mg de TMP. Essa é a formulação mais utilizada em crianças, e sua posologia deve ser calculada de acordo principalmente com o peso e com a indicação clínica.

Suspensão 400 mg + 80 mg por 5 mL

Cada 5 mL contêm 400 mg de sulfametoxazol e 80 mg de trimetoprima. É uma formulação mais concentrada, que permite administrar doses maiores com menor volume.

Efeitos colaterais do SMX-TMP

O uso de Bactrim está associado a uma variedade de efeitos adversos, que vão desde sintomas leves e autolimitados até reações graves, embora estas últimas sejam raras em pessoas saudáveis.

De modo geral, entre 6% e 8% dos pacientes apresentam algum efeito colateral durante o uso da medicação. Em pessoas vivendo com HIV, especialmente quando tratadas com doses altas para infecções oportunistas, essa taxa pode ser muito maior — chegando a 25% a 50%.

Os efeitos adversos leves geralmente aparecem nos primeiros dias de tratamento e costumam ser bem tolerados. Os mais frequentes são:

Esses efeitos tendem a desaparecer com a suspensão do medicamento ou com medidas simples, mas o paciente deve comunicar o médico se forem intensos ou persistentes.

Alterações laboratoriais

Alterações eletrolíticas: o uso de SMX-TMP pode causar hipercalemia (elevação do potássio), especialmente em pacientes com insuficiência renal ou que usam medicamentos como IECA, BRA ou espironolactona.

Aumento da creatinina sérica: a trimetoprima pode inibir a secreção tubular de creatinina nos rins, levando a uma elevação transitória desse marcador sem que exista necessariamente deterioração real da função renal.

Efeitos colaterais graves (mais raros)

Embora raros em pessoas sem comorbidades, os efeitos adversos graves devem ser reconhecidos precocemente, pois podem exigir suspensão imediata da medicação. Entre eles, destacam-se:

  • Anafilaxia, reação alérgica grave com risco de vida.
  • Neutropenia, redução dos neutrófilos no sangue, com maior risco de infecções.
  • Hemólise, destruição dos glóbulos vermelhos, especialmente em pessoas com deficiência de G6PD.
  • Síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica, doenças cutâneas graves, com formação de bolhas, febre e risco de complicações sistêmicas.
  • Hepatite medicamentosa e elevação de enzimas hepáticas.
  • Trombocitopenia, redução das plaquetas, com risco de sangramento.

Em pacientes imunossuprimidos, como pessoas vivendo com HIV, esses efeitos graves são mais frequentes, principalmente quando utilizados esquemas de doses elevadas ou prolongadas.

Quando procurar atendimento médico

Interrompa o uso de SMX-TMP e procure orientação médica imediata se apresentar:

  • Febre alta persistente.
  • Lesões na pele com bolhas, descamação ou feridas em mucosas.
  • Icterícia, isto é, pele ou olhos amarelados.
  • Redução importante da diurese.
  • Palidez excessiva, cansaço, sangramentos ou infecções recorrentes.
  • Sinais de reação alérgica, como inchaço, dificuldade para respirar ou urticária generalizada.

Contraindicações e cuidados

O uso de sulfametoxazol-trimetoprima é contraindicado em determinadas situações clínicas nas quais o risco de efeitos adversos graves supera qualquer possível benefício. Também existem condições que exigem avaliação cuidadosa antes da prescrição.

Contraindicações

O SMX-TMP não deve ser utilizado nos seguintes casos:

  • História de alergia importante ao sulfametoxazol, à trimetoprima ou a outra sulfonamida antibacteriana: inclui reações prévias relevantes de hipersensibilidade, como anafilaxia, angioedema ou reações cutâneas graves.
  • Histórico de reações cutâneas graves atribuídas ao medicamento, como síndrome de Stevens-Johnson ou necrólise epidérmica tóxica. Essas reações são potencialmente fatais e contraindicam nova exposição ao fármaco.
  • História de trombocitopenia imune provocada anteriormente pelo sulfametoxazol-trimetoprima.
  • Anemia megaloblástica causada por deficiência de folato: o Bactrim pode agravar a deficiência e a produção inadequada de células sanguíneas.
  • Doença hepática grave.
  • Insuficiência renal grave quando não for possível monitorar adequadamente a função renal e ajustar o tratamento.
  • Uso concomitante de dofetilida: a associação é contraindicada devido ao risco de aumento importante da concentração de dofetilida e arritmias ventriculares.
  • Uso abaixo da idade mínima autorizada para a formulação utilizada: essa idade pode variar conforme a bula e o país. O risco em lactentes muito jovens está relacionado principalmente ao deslocamento da bilirrubina e à possibilidade de kernicterus.

Precauções — uso com atenção especial

Em alguns casos, o uso de SMX-TMP pode ser permitido, mas exige avaliação médica criteriosa e, em muitos pacientes, monitoramento laboratorial durante o tratamento:

  • Pacientes com insuficiência renal avançada: quando o clearance de creatinina é inferior a 15 mL/min, há maior risco de acúmulo da medicação e toxicidade.
  • Pessoas com deficiência de G6PD: apresentam maior risco de hemólise.
  • Pessoas vivendo com HIV: têm maior risco de reações adversas, especialmente com uso prolongado ou em doses elevadas.
  • Pacientes com deficiência de folato, desnutrição ou doenças hematológicas: podem apresentar maior risco de alterações no hemograma.
  • Pessoas com histórico de múltiplas reações medicamentosas: podem exigir maior vigilância quanto ao surgimento de manifestações de hipersensibilidade.

Bactrim na gravidez

O uso de sulfametoxazol + trimetoprima (SMX-TMP) durante a gravidez exige precauções especiais, pois a medicação pode interferir em processos metabólicos importantes para o desenvolvimento fetal.

Primeiro trimestre

O SMX-TMP costuma ser evitado durante o primeiro trimestre da gestação, período crítico da formação do sistema nervoso do embrião. A trimetoprima atua como antagonista do ácido fólico, nutriente essencial na prevenção de defeitos do tubo neural, como anencefalia e espinha bífida. Leia: Importância do ácido fólico na gravidez.

Embora existam dúvidas sobre um possível aumento de algumas malformações com a exposição no primeiro trimestre, os dados disponíveis são inconsistentes. Por isso, o sulfametoxazol-trimetoprima costuma ser evitado quando existe uma alternativa adequada, mas pode ser utilizado quando for a opção mais apropriada para tratar a infecção. Nesses casos, o médico pode recomendar suplementação adicional de ácido fólico.

Durante o segundo trimestre

No segundo trimestre, o sulfametoxazol-trimetoprima pode ser utilizado quando houver indicação clínica e o microrganismo for sensível. No tratamento de infecções urinárias, por exemplo, as sulfonamidas são consideradas opções aceitáveis durante esse período.

A escolha do antibiótico deve levar em conta o tipo de infecção, o antibiograma, a gravidade do quadro e as alternativas disponíveis.

Final da gestação

Nas últimas semanas da gravidez, especialmente próximo ao parto, costuma-se evitar o SMX-TMP quando existe uma alternativa adequada.

As sulfonamidas podem deslocar a bilirrubina da albumina, levantando preocupação teórica com hiperbilirrubinemia e kernicterus no recém-nascido, principalmente em prematuros ou crianças com outros fatores de risco. Os dados clínicos sobre esse risco, porém, são limitados.

Resumo prático:

Período gestacionalConduta geral
1º trimestrePreferir alternativas quando disponíveis. Pode ser utilizado quando for a opção mais apropriada; considerar suplementação de ácido fólico.
2º trimestrePode ser utilizado quando houver indicação clínica.
Final do 3º trimestre/próximo ao partoPreferir alternativas quando disponíveis, devido à preocupação com hiperbilirrubinemia neonatal.

Bactrim durante a amamentação

O sulfametoxazol + trimetoprima passa para o leite materno em pequenas quantidades. Em geral, o uso pela mãe é considerado compatível com a amamentação de bebês saudáveis, nascidos a termo e fora do período neonatal. No entanto, há situações específicas nas quais o medicamento deve ser evitado ou utilizado com maior cautela.

Quando é seguro

O uso de SMX-TMP pela mãe costuma ser seguro durante a amamentação de lactentes saudáveis, nascidos a termo e já fora do período neonatal.

A quantidade transferida pelo leite é pequena e, na maioria dos casos, não causa efeitos adversos clinicamente relevantes no bebê.

Quando evitar ou usar com cautela

É necessário maior cuidado nas seguintes situações:

  • Recém-nascidos muito jovens: existe maior preocupação com o deslocamento da bilirrubina, especialmente se houver icterícia.
  • Prematuros, sobretudo durante o período neonatal, devido ao maior risco relacionado à bilirrubina.
  • Lactentes com deficiência de G6PD: há risco de hemólise induzida pelo fármaco.
  • Bebês com hiperbilirrubinemia ou outras condições que aumentem o risco de toxicidade pela bilirrubina.

Conduta recomendada

Se a mãe estiver em tratamento com SMX-TMP e estiver amamentando uma criança saudável, nascida a termo e já fora do período neonatal, a amamentação geralmente pode ser mantida.

Se o bebê for recém-nascido, prematuro, tiver icterícia, hiperbilirrubinemia ou deficiência de G6PD, a prescrição deve ser reavaliada e outras opções podem ser preferíveis.

Interações medicamentosas

O SMX-TMP interage com diversos medicamentos, podendo aumentar seus efeitos, reduzir sua eficácia ou provocar efeitos adversos graves. Em muitos casos, é necessário ajuste de dose, monitoramento laboratorial ou até evitar completamente o uso concomitante.

A tabela abaixo resume algumas das interações mais importantes:

Classe / FármacoEfeito da interação com SMX-TMP
VarfarinaAumenta o efeito anticoagulante e eleva o risco de sangramento.
IECA e BRA, como enalapril e losartanaEleva o risco de hipercalemia.
EspironolactonaEleva o risco de hipercalemia, que pode ser grave.
Antidiabéticos orais, especialmente sulfonilureiasPode aumentar o risco de hipoglicemia.
FenitoínaPode elevar seus níveis sanguíneos e aumentar o risco de toxicidade.
MetotrexatoPode aumentar significativamente a toxicidade hematológica.
AzatioprinaPode aumentar o risco de supressão da medula óssea.
CiclosporinaPode aumentar o risco de nefrotoxicidade.
DapsonaPode elevar os níveis séricos da dapsona e da trimetoprima.
DofetilidaAssociação contraindicada. A trimetoprima aumenta a concentração de dofetilida, elevando o risco de prolongamento do QT e torsades de pointes.

Interações mais importantes: a associação com dofetilida é contraindicada. Varfarina, metotrexato, IECA/BRA, espironolactona e azatioprina também exigem atenção especial e, frequentemente, monitoramento clínico ou laboratorial.

Perguntas frequentes sobre Bactrim (FAQ)

SMX-TMP é antibiótico?

Sim. SMX-TMP é uma combinação de dois antimicrobianos — sulfametoxazol, uma sulfonamida, e trimetoprima — que juntos atuam inibindo a produção de ácido fólico nos microrganismos sensíveis, dificultando sua multiplicação. Embora os dois componentes sejam bacteriostáticos quando utilizados isoladamente, a associação pode ter efeito bactericida contra determinadas bactérias.

SMX-TMP serve para dor de dente?

Não é o antibiótico de escolha para a maioria das infecções odontológicas. A dor de dente pode ter diferentes causas, e o tratamento principal frequentemente depende de um procedimento odontológico, e não apenas do uso de antibióticos.

Quando há indicação de antibiótico, a escolha deve ser feita pelo dentista conforme o tipo e a extensão da infecção.

Quanto tempo o SMX-TMP demora para fazer efeito?

Em infecções bacterianas sensíveis, a melhora clínica costuma começar dentro de 24 a 48 horas após o início do tratamento. Isso não significa que a infecção esteja curada nesse período nem que o antibiótico deva ser interrompido.

Se não houver melhora ou se os sintomas estiverem piorando, é importante procurar reavaliação médica, pois pode haver resistência bacteriana, complicações ou outro diagnóstico.

Bactrim serve para infecção urinária?

Sim. O Bactrim pode ser usado no tratamento de infecção urinária, incluindo casos de cistite e pielonefrite, desde que a bactéria seja sensível ao medicamento.

Em algumas regiões, porém, a resistência bacteriana ao sulfametoxazol-trimetoprima é elevada, por isso ele nem sempre é a primeira escolha para tratamento empírico.

Bactrim corta o efeito do anticoncepcional?

Não há evidências de que o Bactrim reduza diretamente a eficácia dos anticoncepcionais hormonais.

A principal exceção entre os antibióticos é a rifampicina e medicamentos semelhantes, que aceleram o metabolismo dos hormônios contraceptivos. O maior cuidado durante o uso de Bactrim ocorre se houver vômitos ou diarreia intensos, porque esses sintomas podem comprometer a absorção da pílula anticoncepcional.

Pode beber álcool tomando Bactrim?

Não existe evidência consistente de uma interação clinicamente importante entre o sulfametoxazol-trimetoprima e o álcool.

Foram descritos raros casos de reações semelhantes à provocada pelo dissulfiram, mas essa associação não está bem estabelecida. Ainda assim, evitar consumo excessivo de álcool durante uma infecção é prudente, principalmente se houver náuseas, vômitos, diarreia ou mal-estar.

Bactrim serve para candidíase?

Não. A candidíase é uma infecção causada por fungos do gênero Candida, enquanto o Bactrim é um antimicrobiano utilizado principalmente contra bactérias e alguns microrganismos específicos.

Usar Bactrim para candidíase não trata a infecção e ainda pode provocar efeitos adversos desnecessários.


book Referências bibliográficas
  • Bactrim® / Bactrim® F (sulfametoxazol + trimetoprima) — bula do medicamento.
  • Trimethoprim-sulfamethoxazole: An overview — UpToDate.
  • Trimethoprim-sulfamethoxazole (co-trimoxazole): Drug information — UpToDate.
  • Trimethoprim/sulfamethoxazole (Rx) — Medscape.
  • Co-Trimoxazole Tablets 80/400 mg — electronic Medicines Compendium (eMC).
  • Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD). Global Strategy for the Prevention, Diagnosis and Management of COPD — 2026 Report.
  • American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Urinary Tract Infections in Pregnant Individuals.
  • Drugs and Lactation Database (LactMed). Trimethoprim-Sulfamethoxazole.
  • NIH ClinicalInfo. Pneumocystis Pneumonia: Adult and Adolescent Opportunistic Infections Guidelines.


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Uelcio Gomes

    Com quantos minutos o comprimido de Bactrim começa a fazer efeito. Tive vômito depois de meia hora de ingestão. Tenho que tomar outro?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    É muito difícil saber o quanto do medicamento já tinha sido absorvido. Em geral, usa-se o bom senso. Se você estava de estômago vazio, já tinha realmente mais de 30 minutos e o não foi possível ver o comprimido no vômito, não precisa tomar de novo. Por outro lado, se a barriga estava cheia, você não tem absoluta certeza que já tinham se passado mais de 30 minutos ou se dava pra ver pedaços do comprimido no vômito, então, repetir a dose é uma opção sensata.

  2. marcio

    esse medicamento pode ser usado no tratamento de prevenção de infecções de repetição por uso de 3 meses 12 12 horas prescritos pelo medico????

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pode ser usado, sim, na prevenção da cistite de repetição nas mulheres. Mas a dose que costuma ser indicada é de 1 comprimido de 400/80 mg 1 vez por dia ou 3 vezes por semana. O tempo de tratamento pode ser de 6 meses a 1 ano.

  3. Neide

    Esse remédio serve para dor de barriga e diarréia

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pode ser usado em casos de diarreia bacteriana.

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