GRIPE H1N1 – Causas, Sintomas e Tramento

A gripe H1N1, antigamente chamada de gripe suína, ficou famosa após a epidemia de 2009. Conheça seus sintomas e saiba quais são as suas diferenças em relação à gripe comum.

Entre 2009 e 2010 o mundo viveu uma pandemia de gripe A (gripe H1N1), que ficou conhecida popularmente como gripe suína, uma variação da gripe comum provocada pelo vírus Influenza A.

O vírus Influenza A (H1N1) circula no mundo desde, pelo menos, o início do século XX, tendo sido ele o responsável por grandes epidemias de gripe do passado, como a famosa gripe espanhola de 1918, que levou ao óbito cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo.

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Assim como qualquer Influenza A, o subtipo H1N1 possui uma grande capacidade de mutação, fazendo com que de tempos em tempos uma nova cepa seja responsável por novas epidemias.

Neste artigo vamos abordar especificamente a Gripe A (H1N1), causadora das epidemias de gripe de 2009 em diante. Se você procura informações sobre a gripe comum, acesse o seguinte link: GRIPE SAZONAL.

Epidemia de gripe A (H1N1) de 2009

Nós temos contato frequente com vários subtipos e várias cepas diferentes do vírus Influenza, o que faz com que tenhamos sempre algum grau de imunidade contra os vírus da gripe que circulam entre os humanos. As epidemias graves costumam acontecer quando cepas vindas de aves ou outros mamíferos conseguem atravessar a barreira das espécies e contaminar o homem. Normalmente, não temos anticorpos contra estas novas cepas e ficamos mais susceptíveis a infecções.

A última epidemia de gripe H1N1  havia ocorrido no final da década de 1970. Desde então o vírus circulava entre humanos sem causar grandes estragos. Em 2009, porém, surgiu no México uma nova cepa de H1N1 que teve origem no Influenza A H1N1 que afetava porcos (daí o nome gripe suína). Esta cepa suína sofreu uma mutação e passou a ser capaz de infectar seres humanos. Este novo H1N1 possuía em seu DNA características do vírus Influenza A presentes em aves, porcos e humanos, sendo diferente do H1N1 que circulava até então.

Entre 2009 e 2010 cerca de 99% dos casos de gripe provocados pelo Influenza A (H1N1) foram causadas por essa nova estirpe originada dos porcos.

Curiosamente, esse novo H1N1 atacou preferencialmente pessoas jovens, princialmente aqueles com menos de 25 anos. Ao contrário do que ocorre nas outras formas de gripe A, os idosos foram o grupo com menos casos de gripe durante a epidemia de 2009. Isso provavelmente ocorreu porque esse grupo já tinha uma imunidade parcial ao H1N1 adquirida durante as epidemias da década de 50 e 70.

Diferenças entre a gripe H1N1 e a gripe comum

Apesar do pânico gerado, em grande parte pela cobertura sensacionalista dos meios de comunicação, a nova gripe H1N1 não era mais letal do que a gripe comum, conhecida também como gripe sazonal.

A gripe sazonal é provocada por variações do vírus Influenza A e B e sempre causou mortes e internações hospitalares. Nos Estados Unidos, anualmente são internadas mais de 200.000 pessoas devido à gripe comum. Entre 1972 e 1992 foram mais de 400.000 mortes atribuídas a complicações dos diversos tipos de Influenza A.

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Assim como a gripe sazonal, a gripe H1N1 apresentava uma taxa muito baixa de mortes, menor que 1% dos casos.  A gripe A assustou muito porque o número de pessoas susceptíveis a esta nova cepa do vírus era imenso. Isto resultou em milhões de casos da nova gripe A (H1N1) em todo mundo entre 2009 e 2010. Doenças que acometem milhões de pessoas em pouco tempo levam a muitas mortes, mesmo que a sua taxa de mortalidade seja baixa. Em todo mundo foram cerca de 20.000 mortes pelo novo H1N1 durante a epidemia.

Na verdade, a gripe A apresentou durante a epidemia uma taxa de mortalidade mais baixa que nas outras epidemias de gripe. Porém, como as mortes ocorreram em um curto espaço de tempo e foram amplamente divulgadas pela mídia em todo mundo, foi gerada a falsa sensação de que vivíamos uma epidemia altamente letal.

A pandemia de H1N1 durou um pouco mais de 1 ano, entre Abril de 2009 até Agosto de 2010. Desde então, esta nova cepa do H1N1 continua circulando no mundo junto com as outros subtipos de Influenza A e B, sendo responsável ainda por vários casos de gripe.

Hoje em dia, grande parte da população já teve contato com o influenza H1N1 e, por isso, ele já é considerado uma cepa que faz parte do grupo de Influenzas que causam a gripe comum. Isso não significa, porém, que o H1N1 não possa sofrer novas mutações e passar a ser capaz de causar uma nova epidemia.

A atual vacina para gripe já cobre essa cepa de H1N1, sendo esta uma das causas da grande redução do número de novos casos nos últimos anos.

Transmissão da gripe H1N1

A gripe A é transmitida, como qualquer outra gripe, através de secreções respiratórias e de mãos contaminadas. O primeiro caso foi transmitido através de um porco, porém os atuais casos se dão pela transmissão de humano para humano. Não é preciso ter medo de entrar em contato com porcos. Da mesma forma, não há riscos de contaminação pela carne do porco. O vírus não sobrevive ao processo de cozimento.

O período de incubação é semelhante ao da gripe sazonal, variando de 1 a 3 dias. O período de infectividade, ou seja, a fase em que o paciente pode contaminar outras pessoas, inicia-se no dia anterior ao surgimento dos sintomas e dura por cerca de 5 a 7 dias. Em geral, o paciente deixa de eliminar o vírus pelas secreções respiratórias 1 a 2 dias depois do fim dos sintomas.

O uso de máscaras foi muito difundido na população durante a epidemia de 2009, porém, não há indícios de que máscaras comuns efetivamente protejam contra a infecção pelo H1N1 ou qualquer outra forma de gripe. As máscaras comuns após algum tempo ficam úmidas devido à respiração e à transpiração, perdendo completamente a sua capacidade de proteção. O seu uso deve ser restrito a profissionais de saúde em contato com doentes e pessoas que tenham familiares doentes no mesmo domicilio. Na verdade, a máscara é mais indicada para as pessoas que estão doentes, diminuindo a disseminação de vírus pelo ambiente, do que para as pessoas que estão saudáveis.

O vírus H1N1 pode ficar vivo em objetos inanimados por até 8 horas. Uma simples limpeza com sabão ou detergente é suficiente para matá-lo. Piscinas não transmitem o vírus devido à presença de cloro.

Como prevenção sugere-se:

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– Evitar contato próximo com pessoas contaminas (pelo menos 2 metros).
– Evitar contato direto das mãos com olhos e boca sem antes as terem lavado.
– Lavar as mãos frequentemente.
– Evitar ficar em ambientes com pouca circulação de ar e com muitas pessoas.

Sintomas da gripe H1N1

Os sintomas da gripe A são muito semelhantes aos da gripe comum, sendo comum a ocorrência de febre, dor de cabeça, tosse, dor de garganta e dores musculares. Ao contrário da gripe sazonal, a gripe A (H1N1) provoca mais sintomas gastrointestinais, como diarreia e vômitos.

A febre é o sintoma mais importante para o diagnóstico, ocorrendo em mais de 90% dos casos. Tosse é o segundo sintoma mais comum, presente em cerca de 83% dos pacientes.

Ao contrário dos resfriados, que são provocados por vírus diferentes do Influenza, a gripe é uma infecção que evoluiu muito rápido. Em questão de 24 horas, o doente já apresenta todo o quadro clínico estabelecido. No resfriado, os sintomas vão surgindo de forma mais lenta. Para entender as diferenças entre gripe e resfriado, acesse o seguinte link:  DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO.

Complicações da gripe H1N1

É importante destacar que na maioria dos casos, a gripe H1N1, assim como a gripe sazonal, provoca sintomas brandos.  Porém, quando a doença é forte o suficiente para que o paciente procure atendimento médico, a taxa de complicações é relativamente alta, ao redor de 20%.

As complicações da gripe A são as mesmas da gripe comum. A principal é a pneumonia e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que costuma ser a causa de morte naqueles que evoluem mal.

Os sinais e sintomas que merecem atenção, pois podem indicar a ocorrências de complicações da gripe são:

– Dificuldade respiratória.
– Dor torácica para respirar.
– Pressão arterial baixa.
– Alterações da consciência.
– Desorientação.
– Vômitos persistentes.

As complicações da gripe são mais comuns nos pacientes que pertencem aos grupos de risco que serão expostos a seguir.

Fatores de risco para gripe H1N1

Qualquer pessoa pode ser contaminada com o influenza A (H1N1), mas determinados grupos são susceptíveis a terem doença severa, com maior risco de complicações. São eles:

– Menores que 5 anos.
– Maiores que 65 anos.
– Indivíduos menores que 19 anos que fazem uso crônico de aspirina.
– Grávidas.
– Indivíduos com doenças pulmonares, incluindo asma, bronquite e enfisema.
– Indivíduos com doença cardiovascular (exceto aqueles com hipertensão isolada).
– Insuficiência renal.
– Insuficiência hepática/cirrose.
– Diabetes.
– Anemia falciforme.
– Imunossuprimidos, incluindo pacientes com AIDS.
– Desnutridos.
– Obesidade mórbida.

Obs: os grupos de risco são basicamente os mesmos da gripe sazonal.

Tratamento da gripe H1N1

Mais uma vez, é importante ressaltar que na maioria das pessoas, a gripe A apresenta um quadro leve, semelhante a qualquer gripe, com resolução espontânea, sem complicações.

O uso de um antiviral só está indicado em pacientes com sinais de gravidade ou que pertençam ao grupo de risco. Pessoas fora do grupo de risco e com sintomas leves não correm risco de morte, por isso, não necessitam da droga.

O tratamento com antivirais diminui a incidência de complicações e encurta o tempo de doença, favorecendo a quebra da cadeia de transmissão. As principais drogas usadas no tratamento da gripe são o oseltamivir (Tamiflu®) ou o Zanamivir (Relenza®) . O medicamento funciona melhor se tomado nas primeiras 48 horas de sintomas.

Desde 2010, a vacina anual contra a gripe já é capaz de imunizar os pacientes contra a cepa H1N1 que provocou a pandemia de 2009 (leia: VACINA DA GRIPE | Benefícios e efeitos colaterais).

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