Coronavírus (Covid-19): sintomas e tratamento

Nota importante

A pandemia pelo novo Coronavírus é a mais grave situação de saúde pública dos últimos 100 anos. O vírus é altamente contagioso e se espalha com facilidade.

Muitos sistemas de saúde do mundo, públicos ou privados, não têm recursos técnicos nem humanos para dar conta de um aumento grande e súbito do número de pacientes precisando de internação hospitalar.

Um sistema de saúde em rotura é incapaz de atender não só os casos de covid-19, mas também qualquer outro tipo de doença. Pessoas com doenças tratáveis, inclusive jovens, podem morrer por falta de atendimento médico.

Na Itália, centros cirúrgicos foram transformados em CTI para poder atender a imensa demanda de pacientes críticos. Pessoas precisando de cirurgia não estão tendo onde operar em alguns hospitais. Em Nova Iorque, cidade mais rica do mundo, o sistema hospitalar rapidamente entrou em colapso e hoje a cidade sozinha tem mais casos de covid-19 que qualquer outro país do mundo.

Portanto, fique em casa com sua família, mesmo que você não seja grupo de risco. Libere os seus empregados para que eles também possam ficar em casa. Só saia para comprar comida e remédio. Fique a pelo menos 2 metros de distância de qualquer pessoa.

A taxa de transmissão precisa ser freada a todo custo. Você vive em sociedade. Se a sociedade entrar em colapso, você sofrerá junto.

A única forma de parar o vírus que se mostrou eficaz até o momento é o lockdown (todo mundo em casa, tudo fechado e apenas serviços imprescindíveis funcionando) e a testagem massiva da população.

Se o vírus SARS-CoV-2 não for travado, ele pode infectar de 60 a 70% da população. A taxa de mortalidade é de 3 a 4% dos casos notificados, mas pode chegar a mais de 10% em países com sistema de saúde em colapso.

Em um país de 200 milhões de habitantes como o Brasil, o colapso do sistema de saúde em vários estados ao mesmo tempo pode significar a morte de centenas de milhares de pessoas, estejam elas com Covid ou com qualquer outra doença mais grave que não será tratada adequadamente por falta de vagas, materiais e profissionais.

Fique em casa o máximo possível. Distanciamento social é a única medida que funciona no momento.

Se você não consegue ficar em casa, utilize máscaras sempre que for a locais fechados ou em que não seja possível manter uma distância de pelo menos 2 metros para outras pessoas.

O que é o Coronavírus?

Os coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus conhecidos desde os anos 1960, que podem infectar humanos e outros animais.

Os coronavírus humanos são comuns em todo o mundo. Eles geralmente causam doenças respiratórias de intensidade leve a moderada. Estima-se que até 10% dos casos de resfriados comuns sejam provocados por esse tipo de vírus. Portanto, é bem possível que você já tenha tido pelo menos uma virose por algum coronavírus e nem saiba.

Alguns sorotipos, porém, são mais virulentos e podem provocar infecção pulmonar grave, com risco de morte. Nos últimos 10 anos, surtos de estirpes mais agressivas no Oriente médio e no sudeste asiático provocaram centenas de mortes, a maioria delas por pneumonia grave.

O surto mais recente surgiu no final de 2019 na cidade de Wuhan, China. Essa nova cepa já infectou milhares de pessoas e chegou a mais de 100 países.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a doença chama-se Covid-19 e o vírus responsável por ela chama-se SARS-CoV-2.

Inicialmente chamado de 2019-nCoV, o nome do vírus foi alterado para SARS-CoV-2 com base em sua relação genética com o SARS-CoV original que causou o surto da doença em 2002-2003.

Tipos

Alguns coronavírus foram identificados já há muitos anos enquanto outros foram reconhecidos apenas recentemente, como são os casos do coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) em 2012 e o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV) em 2003, que surgiu no sudeste asiático.

Os coronavírus infectam mamíferos e aves. Existem diversas cepas diferentes, sendo os morcegos os animais que abrigam o maior número de variantes do vírus.

Nos humanos há pelo menos 7 sorotipos de coronavírus que provocam doença:

  • HCoV-229E.
  • HCoV-NL63.
  • HCoV-OC43.
  • HCoV-HKU1.
  • MERS-CoV.
  • SARS-CoV.
  • SARS-CoV-2 (anteriormente 2019-nCoV).

Transmissão

Os coronavírus humanos geralmente se espalham de uma pessoa infectada para outras através de:

  • Transmissão pelo ar, quando um paciente infectado tosse, espirra ou fala.
  • Contato pessoal próximo, como tocar ou apertar as mãos de alguém infectado.
  • Tocar em um objeto ou superfície que tenha sido contaminado com o vírus e em seguida levar a mão à boca, nariz ou olhos.
  • Raramente, contaminação por contato com fezes do paciente.

Habitualmente, as infecções pelo coronavírus humanos ocorrem nos meses de outono e inverno.

A maioria das pessoas é infectada com um ou mais dos coronavírus humanos comuns durante a vida, principalmente durante a infância.

Creches e asilos para idosos são estabelecimentos que frequentemente abrigam surtos de resfriado por coronavírus.

Surtos nos anos 2000

Alguns tipos de coronavírus são zoonoses, ou seja, podem ser transmitidos de animais para seres humanos.

O surto de MERS-CoV começou no Oriente Médio após o vírus “saltar” de camelos para humanos. Já o SARS-CoV na China provavelmente surgiu após a transmissão de morcegos para humanos.

Quando o coronavírus “pula” de uma espécie de animal para nós humanos, os surtos costumam ser mais graves, pois são vírus completamente novos para o nosso sistema imunológico. A imensa maioria das pessoas não tem grau nenhum de imunidade e aquelas mais debilitadas acabam desenvolvendo infecção severa.

Novo coronavírus de 2019 (SARS-CoV-2)

Ainda não sabemos exatamente como surgiu esse novo sorotipo de Wuhan, mas as investigações epidemiológicas apontam um mercado de frutos do mar, onde a maioria dos pacientes havia trabalhado ou visitado, como a origem desse novo surto. Esse mercado também vendia carnes processadas e animais para consumo vivos, incluindo aves, burros, ovelhas, porcos, camelos, raposas, texugos, ouriços e répteis.

Nos primeiros casos identificados desse novo surto, a maioria dos pacientes referia algum vínculo com o mercado de frutos do mar e outros animais, sugerindo que disseminação inicial tenha partido de animais para pessoas.

Conforme a quantidade de pessoas contaminadas pelo vírus foi crescendo, verificou-se um número cada vez maior de pessoas que negavam qualquer contato com o mercado ou com outros animais, sugerindo que a virose estava agora se perpetuando através da transmissão direta de uma pessoa para outra.

Na segunda quinzena de janeiro de 2020, o governo chinês anunciou que foi confirmada a transmissão de uma pessoa para outra desse novo sorotipo. As estimativas atuais sugerem que cada pessoa infectada tem transmitido o vírus para mais 2 ou 3.

Não sabemos ainda quanto tempo o SARS-CoV-2 sobrevive no ambiente, mas estudos inicias mostram que ele permanece viável para transmissão por até 4 a 5 dias em materiais como madeira, alumínio, plástico, papel e vidro. Em locais quentes e com direta exposição solar a resistência do vírus é bem menor.

Esse tempo de sobrevida no ambiente torna a propagação da infecção através de produtos importados da China muito pouco provável, pois o tempo que o material leva para chegar ao seu destino costuma ser bem maior que a capacidade de sobrevida do vírus.

Alguns estudos mostram que a taxa de transmissão é menor em países de clima quente e úmido. Porém, o clima por si só não é capaz de impedir a epidemia.

Sintomas

Coronavírus em geral

Na maioria dos casos, as infecções pelo coronavírus provoca quadros respiratórios leves. O período de incubação varia de 2 a 14 dias.

Os coronavírus humanos comuns, incluindo os tipos 229E, NL63, OC43 e HKU1, geralmente causam doenças leves a moderadas do trato respiratório superior, como o resfriado comum (leia: Você sabe qual é a diferença entre gripe e resfriado?).

Os resfriados pelo coronavírus têm curta duração e curam-se espontaneamente. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Coriza.
  • Dor de cabeça.
  • Tosse.
  • Dor de garganta.
  • Febre.
  • Mal-estar.
  • Otite média (mais comum em crianças).

Eventualmente, os coronavírus humanos podem causar doenças do trato respiratório inferior, como pneumonia ou bronquite. Nos sorotipos listados acima, essas complicações são incomuns e só costumam acontecer em pessoas mais debilitadas, com doença cardiopulmonar, com sistema imunológico enfraquecido, em bebês ou idosos.

MERS-CoV e SARS-CoV

Sabe-se que outros dois coronavírus humanos, MERS-CoV e SARS-CoV, frequentemente provocam sintomas graves.

Os sintomas da MERS-CoV geralmente incluem febre, tosse e falta de ar. A doença frequentemente progride para pneumonia. Cerca de 30 a 40% dos pacientes diagnosticados com a síndrome respiratória do Oriente Médio acabam falecendo.

Os sintomas da infecção pelo SARS-CoV geralmente incluem febre, calafrios, tosse e dores no corpo. O quadro também costuma evoluir pneumonia. A mortalidade da síndrome respiratória aguda grave pelo coronavírus costuma ser de 9 a 12%.

Covid-19 (novo coronavírus)

O espectro clínico do SARS-CoV-2 varia desde um quadro leve, semelhante aos resfriados provocados por outros tipos de Coronavírus, até pneumonia grave com insuficiência respiratória e choque séptico. Já existem relatos também de pacientes infectados com SARS-CoV-2 sem sintoma algum de doença.

O período de incubação médio é de 4 a 5 dias. Após cerca de 8 dias de doença, a maioria dos pacientes deixa de ser contagioso.

Entre os pacientes que desenvolvem sintomas, febre, tosse e falta de ar são os mais comuns. A febre, porém, pode não estar presente em alguns pacientes, como bebês, idosos, imunossuprimidos ou pessoas que tomam regularmente medicamentos que podem mascarar a febre, como anti-inflamatórios ou analgésicos comuns.

Embora não reconhecido inicialmente, distúrbios do olfato e do paladar, como anosmia (perda do olfato) e disgeusia (diminuição do paladar), têm sido frequentemente relatados como sintomas comuns da Covid-19, podendo ocorrer em até 1/3 dos pacientes.

Em um estudo com 138 pacientes hospitalizados com pneumonia por Covid-19 em Wuhan, as características clínicas mais comuns no início da doença foram:

  • Febre em 99%.
  • Fadiga em 70%.
  • Tosse seca em 59%.
  • Anorexia (perda de apetite) em 40%.
  • Mialgias (dor muscular) em 35%.
  • Dispneia (falta de ar) em 31%.
  • Tosse com escarro em 27%.

Em outro estudo na China, considerado o maior sobre o SARS-CoV-2 até o momento, pesquisadores do Centro Chinês de Controle e Proteção de Doenças analisaram 44.672 casos confirmados na China entre 31 de dezembro de 2019 e 11 de fevereiro de 2020. Desses casos, 80,9% (ou 36.160 casos) foram considerados leves, 13,8% (6.168 casos) graves e 4,7% (2.087) críticos. Casos críticos foram aqueles que exibiram insuficiência respiratória, choque séptico ou falência de múltiplos órgãos.

Explicamos os sintomas e o quadro clínico em geral da COVID-19 com mais detalhes no artigo: SINTOMAS DA COVID-19 – Quadro clínico e laboratorial.

Mortalidade

A atual taxa de mortalidade está ao redor de 3 a 4%, bem mais baixa que as taxas dos surtos recentes dos Coronavírus MERS e SARS. O problema é o elevado número de pessoas contaminadas, o que torna alto o número absoluto de mortos (cada 100 mil pessoas sabidamente infectadas resultam em pelo menos 3 a 4 mil mortes).

Os pacientes graves também demoram muito a se recuperar e acabam ocupando vagas de CTI por várias semanas. Se não houver isolamento social adequado, o número de novos infectados precisando de CTI acaba por ultrapassar facilmente o número de infectados que recebem alta e liberam a cama para novos pacientes.

O tempo médio de recuperação é de 2 semanas para os casos leves e de 3 a 6 semanas para os casos mais graves.

É por conta do possível colapso dos sistemas de saúde que a taxa de mortalidade da covid-19 pode ultrapassar os 10% em determinadas regiões.

Em situações normais, a atual taxa de mortalidade média do novo coronavírus de acordo com a faixa etária é:

  • 14,8% nos pacientes com 80 anos ou mais.
  • 8% entre as idades de 70 a 79 anos.
  • 3,6% para pessoas de 60 a 69 anos.
  • 1,3% para 50 a 59 anos.
  • 0,4% para a faixa etária de 40 a 49 anos.
  • 0,2% para pessoas de 10 a 39 anos.
  • 0% para pessoas até 9 anos.

Em Portugal, onde o sistema de saúde não mostra sinais de colapso, até 6 de Maio de 2020, apenas 1 morte havia sido registrada em pacientes com menos de 39 anos e apenas 10 óbitos em pacientes entre 40 e 49 anos (0,2% de mortalidade).

Covid-19 nas crianças

Embora tenham sido relatados alguns casos graves de Covid-19 em crianças, incluindo casos fatais, a imensa maioria das crianças costuma ter doença assintomática ou leve e se recupera dentro de uma a duas semanas após o início dos sintomas.

Lactentes com menos de 1 ano de idade e crianças já previamente doentes, como aquelas com imunossupressão, doenças cardiovasculares ou doenças pulmonares, parecem estar em maior risco de desenvolverem doença grave.

Em um estudo chinês com 728 crianças com Covid-19, aproximadamente 55% dos casos foram leves ou assintomáticos e 40% foram moderados, com evidência clínica ou radiográfica de pneumonia, porém sem hipoxemia (baixa oxigenação no sangue). Menos de 1% dos casos foram críticos.

Recentemente surgiram relatos de crianças contaminadas com Covid-10 que desenvolveram características clínicas semelhantes às da síndrome do choque tóxico e da doença de Kawasaki, como sintomas gastrointestinais e miocardite (inflamação do músculo do coração).

Explicamos a Doença de Kawasaki com detalhes no artigo: Doença de Kawasaki – Causas, sintomas e tratamento.

O Coronavírus é mais grave que a gripe (vírus influenza)?

Se a pergunta for em relação ao Covid-19, a resposta é um sonoro sim. Mas vamos começar falando de todos os tipos de Coronavírus e de Influenza.

Neste caso, a resposta depende de qual Coronavírus e qual Influenza estamos comparando. Também depende se estamos falando em taxa de mortalidade ou número absoluto de mortes.

O atual vírus Influenza que tem circulado no mundo entre 2019 e 2020 apresenta taxa de mortalidade de apenas 0,05%, bem mais baixa que os 3 a 4% do SARS-CoV-2.

Em 2019, nos EUA, a gripe infectou cerca de 30 milhões de pessoas e levou 46 mil ao óbito. Em menos de 2 meses, e com intensa quarentena da população, a Covid já infectou mais de 1 milhão de pessoas e levou mais de 56 mil ao óbito.

Na época do surto de gripe A (H1N1) em 2009, a taxa de mortalidade chegou perto dos 2%, cerca da metade do atual surto de SARS-CoV-2. Já a gripe espanhola de 1918 teve uma taxa de letalidade de 8% e infectou mais de 500 milhões de pessoas.

Se formos ver a taxa de mortalidade dos coronavírus comuns que provocam resfriado, ela é tão baixa que é até difícil encontrar dados confiáveis sobre o assunto. Portanto, surtos devem ser comparados com surtos e infecções comuns com infecções comuns.

Outro dado importante é a mortalidade em crianças. O SARS-CoV-2 tem sido bem agressivo com pacientes idosos, mas bastante benigno nas crianças, com nenhuma morte registrada até o momento na maioria dos países. O vírus da gripe não tem esse comportamento tão “dócil” com as crianças, principalmente os bebês.

Para finalizar, devemos levar em conta também a existência de vacina e de medicamentos eficazes contra a gripe. O Coronavírus até o momento não dispõe de nenhum dos dois.

Resumindo, como estamos em plena pandemia de SARS-CoV-2 e a sua mortalidade é relativamente alta em idosos e pessoas debilitadas, o Covid-19 do ponto de vista de saúde pública é atualmente uma doença bem mais perigosa que a gripe comum. Talvez, mais perigosa que qualquer outra doença atualmente, devido a sua elevada taxa de transmissão e rápida propagação.

Diagnóstico

O coronavírus pode ser identificado laboratorialmente através da coleta de amostras de secreção da nasofaringe. O método mais utilizado atualmente é o RT-PCR (reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa).

Tratamento

Não há tratamento disponível para infecções por coronavírus. O tratamento utilizado é apenas sintomático, com controle da febre e das dores. Na imensa maioria dos casos, a doença cura-se sozinha após alguns dias.

Pacientes com quadros mais graves e suspeita de pneumonia precisam ser internados para receber cuidados de suporte. Alguns pacientes evoluem com insuficiência respiratória e precisam de intubação orotraqueal e ventilação mecânica.

Vários antivirais, como lopinavir e ritonavir, e outros agentes, como a cloroquina ou a hidroxicloroquina, estão sendo usados em vários pacientes graves, mas a eficácia desses medicamentos ainda não foi devidamente comprovada.

O que podemos dizer é que nenhum deles apresentou até o momento sinais de serem realmente um tratamento efetivo para o vírus.

Cloroquina ou hidroxicloroquina

A cloroquina ou a hidroxicloroquina são fármacos usados há décadas no tratamento da malária e dos sintomas articulares do lúpus e da artrite reumatoide. Ambos têm sido usados de forma experimental no tratamento dos casos mais graves de Covid-19 desde o início da epidemia na China.

Apesar de apresentarem ação antiviral em estudos invitro, especialmente a hidroxicloroquina, ainda não há dados suficientes que comprovem sua eficácia no tratamento do COVID-19 em humanos. Os poucos estudos disponíveis que mostraram benefícios apresentam importantes problemas metodológicos e foram realizados com um número pequeno de pacientes.

Na verdade, estudos mais recentes, com metodologia mais cuidadosa e maior número de pacientes têm sugerido que a cloroquina ou a hidroxicloroquina podem não só serem ineficazes contra o SARS-CoV-2, como também aumentar a mortalidade, como foi o caso de estudo publicado na revista Lancet com mais de 96 mil pacientes em Maio de 2020.

Hidroxicloroquina com azitromicina

Um pequeno estudo observacional francês publicado em Março de 2020 com apenas 6 pacientes levantou a hipótese de que a azitromicina pudesse potencializar o efeito antiviral da hidroxicloroquina.

Estudos realizados posteriormente com maior número de pacientes, porém, mostraram que a associação não só parece não ser eficaz, como ainda aumenta de forma inaceitável o risco de arritmias cardíacas. Atualmente, tanto o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) como o Centre for Disease Prevention and Control (CDC) dos EUA sugerem não utilizar essa associação para o tratamento da COVID-19.

Lopinavir-ritonavir

A combinação desses dois antivirais, utilizados há anos no tratamento dos pacientes com HIV, chegou a ser utilizado por vários países como tratamento experimental, mas estudos publicados recentemente mostraram que esses fármacos apresentam pouca ou nenhuma eficácia contra o SARS-CoV-2.

O Lopinavir-ritonavir tem sido agora estudado como parte de um coquetel de antivirais, que inclui também Ribavirina e Interferon. Com essa combinação, parece haver redução da gravidade da doença. No entanto, mais estudos ainda são necessários para uma conclusão definitiva.

Remdesivir

Há diversos medicamentos em estudo, mas um deles, chamado Remdesivir, é a grande aposta do momento. Estudos em invitro e em animais tiveram sucesso. A droga agora está em estudos em seres humanos. Há dois grandes estudos em curso. Um com 400 pacientes com Covid grave e outros com 600 pacientes com Covid moderado.

Em Maio de 2020 foi publicado o primeiro ensaio clinico controlado no New England Journal of Medicine que mostrou redução da mortalidade em 30% e redução do tempo de doença em 27%. Os melhores resultados ocorreram em jovens e naqueles que tomaram o medicamento no início da doença.

No site clinicaltrials.gov do Departamento de Saúde dos EUA é possível acompanhar os principais estudos sobre o covid-19 em andamento: https://clinicaltrials.gov/ct2/results?cond=COVID-19

Dexametasona

No dia 16 de Junho de 2020, pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, anunciaram que o braço do estudo RECOVERY (Randomised Evaluation of COVid-19 thERapY) que testou a dexametasona mostrou redução da mortalidade nos casos mais graves.

Nesse estudo, ainda não publicado na íntegra, um total de 2104 pacientes foram randomizados para receber dexametasona 6 mg uma vez por dia (por via oral ou por injeção intravenosa) por dez dias e foram comparados com 4321 pacientes randomizados apenas para os cuidados habituais.

A dexametasona reduziu as mortes em um terço nos pacientes ventilados e em um quinto nos pacientes recebendo apenas oxigênio. Não houve benefício entre os pacientes que não necessitaram de suporte respiratório.

O estudo ainda precisa ser publicado na íntegra para que os resultados possa ser avaliados.

Prevenção

Ainda não existem vacinas disponíveis contra a infecção por coronavírus humano. A prevenção, portanto, resume-se aos cuidados pessoais para reduzir o risco de contágio, incluindo:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos (leia: Por que lavar as mãos é importante para evitar infecções?).
  • Se não houver água e sabão disponíveis, uma alternativa é usar soluções alcoólicas para higienização das mãos, como álcool gel (sim, funciona, não acredite em boatos da Internet).
  • Evitar tocar nos olhos, nariz ou boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas com sintomas respiratórios. Pelo menos 2 metros de distância é recomendado.
  • Evitar viajar para áreas onde estejam ocorrendo surtos.
  • Em cidades onde o vírus esteja comprovadamente circulando, evite aglomerações de pessoas, principalmente em locais fechados. Fique em casa o máximo possível.
  • Locais públicos onde as pessoas tocam com as mãos devem ser frequentemente limpos com álcool 70% ou água sanitária (lixívia).

Dúvidas comuns

As máscaras são eficazes na prevenção do coronavírus?

Apenas parcialmente. O vírus pode ser transmitido por gotículas das vias respiratórias e as máscaras ajudam nessa situação.

É importante salientar que as máscaras cirúrgicas comuns dificultam a transmissão por parte de quem as usa. Ela não impede que você se contamine, ela impede que você contamine os outros.

Mãos infectadas costumam ser a principal via de contágio nesse tipo de virose. Se você contaminar suas mãos e depois for comer ou coçar os olhos, boca ou nariz, o vírus pode ser adquirido. Não importa se você usa máscaras ou não.

Existem máscaras faciais específicas para uso médico, que efetivamente previnem a contaminação, mas essas não são comercializada normalmente nas farmácias.

Não há evidências de que o uso de mascaras faciais por pessoas saudáveis seja uma estratégia eficaz para reduzir a contaminação. A máscara deve ser utilizada apenas em pessoas com infecção comprovada ou suspeita.

Recentemente a OMS tem discutido se o uso de máscara de forma indiscriminada para a população poderia ser uma forma de reduzir a transmissão dos casos assintomáticos. Alguns países têm adotado essa estratégia, mas a real eficácia ainda é desconhecida.

Meu animal de estimação pode transmitir o coronavírus?

Há raros casos relatados de contaminação de animais domésticos, como cães e gatos. Porém, os animais permanecem assintomáticos e não há evidências de que eles possam transmitir o vírus para seres humanos.

Estudos realizados com inoculação voluntária do vírus nos focinhos de gatos e cães mostrou que os primeiros podem adquirir a doença, principalmente se forem filhotes.

O experimento porém foi realizado com grande carga de vírus e a contaminação foi feita de forma muito pouco natural. É pouco provável que em condições naturais, os animais domésticos sejam um problema.

Posso morrer se pegar o coronavírus Covid-19?

Pode. A taxa de mortalidade encontra-se ao redor de 4%, ou seja, cerca de 4 em cada 100 pessoas infectadas acaba falecendo. Idosos e pacientes com doenças cardíacas, pulmonares ou do sistema imunológico são aquelas com maior risco de óbito. Porém, há também casos de morte em adultos saudáveis.

A epidemia na China começou por causa da sopa de morcego?

Não. O RNA do vírus é semelhante ao de dois coronavírus que circulam em morcegos, mas a forma como os primeiros humanos foram infectados ainda não foi esclarecida.

O novo coronavírus é uma arma biológica desenvolvida pela China?

Não. As análises genéticas do vírus mostram que ele é uma mutação de um subtipo do vírus que está amplamente distribuído na natureza. Esse atual coronavírus é estruturalmente semelhante ao que circula entre cobras na China.

Essa também não é a primeira vez que vírus “saltam” de uma espécie para outra. A última pandemia de gripe foi causada por um vírus Influenza que circulava inicialmente em porcos, daí ter sido chamada à época de gripe suína.

Já há estudos comprovando que o Covid-19 é resultado de seleção natural e não de manipulação genética artificial.

Existe vacina contra o coronavírus?

Até o momento, não. E vacinas contra gripe, pneumococos ou Haemophilus influenza tipo B (Hib) não são efetivas contra o Coronavírus.

Comer alho pode ajudar a prevenir a infecção pelo novo Coronavírus?

Não há nenhuma evidência de que o alho ou qualquer outro tipo de alimento tenha efeito protetor.

Secadores de cabelo ou de mãos em banheiros públicos matam o Coronavírus?

Não, o calor dos secadores é insuficiente para matar qualquer tipo de vírus.

Tratamentos homeopáticos funcionam contra o Coronavírus?

Não, não existe nenhum estudo que comprove a eficácia da homeopatia ou qualquer outro tipo de medicina alternativa contra o Coronavírus.

Óleo de gergelim é eficaz contra o Coronavírus?

Não, como já referido, não existe nenhuma evidência sobre a eficácia de qualquer tipo de alimento ou tratamento alternativo.

Antibióticos são eficazes contra o SARS-CoV-2?

Não, antibióticos são fármacos utilizados no tratamento de doenças provocadas por bactérias. O Coronavírus é um vírus. Antibióticos não são eficazes contra vírus.

O Coronavírus é menos perigoso em países quentes?

Provavelmente sim, porém não o suficiente para impedir que ocorram epidemias. O Brasil, por exemplo, tem apresentado crescimento acelerado do número de casos, comprovando que o clima sozinho não é capaz de deter o vírus.

Qual é a diferença entre distanciamento social, isolamento e quarentena?

Isolamento é utilizado em pessoas sabidamente infectadas para que não contagiem outros cidadãos. O isolamento pode ser feito nos hospitais ou em casa, se houver condições e o estado clínico do paciente permitir.

A quarentena é utilizada em indivíduos que imaginamos estarem saudáveis, mas que possam ter estado em contacto com um paciente sabidamente infectado. Estes devem ficar 14 dias reclusos em casa.

Distanciamento social é feito nas pessoas saudáveis que não tiveram contato com infectados, de forma a impedir que as mesmas possam ser contaminadas. O distanciamento é feito em casa por tempo indeterminado até que a cadeia de transmissão do vírus seja interrompida.


Referências


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