DENGUE - Sintomas e tratamento (Texto para leigos)
Diferenças entra os sintomas do dengue clássico e do dengue hemorrágico
O dengue é uma doença febril causado por uma infecção viral. Existem 4 sorotipos do vírus do dengue, DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. A infecção por um sorotipo só confere imunização contra o próprio, podendo o doente ter dengue novamente se for exposto a outro subtipo.
O DEN-4 ainda não existe no Brasil. O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. O mesmo mosquito também é responsável pela transmissão da febre amarela.
Estima-se em 100 milhões de pessoas infectadas anualmente em todo mundo. A maioria dos casos ocorre na América Latina, Ásia e África. Em Portugal encontramos o mosquito na ilha da Madeira.
O Aedes aegypti é um mosquito de aproximadamente 1 cm, preto com listras brancas distribuídas pelo corpo e patas (veja foto no início do texto). Ao contrário dos mosquitos comuns, o mosquito do dengue tem hábitos diurnos e costuma voar baixo, picando preferencialmente os pés, tornozelos e pernas.
O Aedes aegypti vive e reproduz-se em áreas próximas a domicílios, onde haja água relativamente limpa e parada (pneus, vasos, latas, caixas d'água e até em bromélias).
Características do mosquito da dengue
A eliminação do mosquito é muito difícil pois o mesmo se reproduz com muita rapidez e os ovos podem suportar até um ano a seca, e assim, serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes. Por isso, é necessária colaboração da população evitando a criação de ambientes propícios a reprodução do vírus.
Só pegamos dengue se formos picados por um mosquito que carregue o vírus, ou seja, que tenha picado alguém infectado nas últimas 2 semanas. O vírus do dengue precisa de 10 a 14 dias dentro do mosquito para se tornar viável para transmissão. Portanto, se você está visitando um paciente com dengue no hospital ou no seu domicilio, entra pela janela um mosquito Aedes aegypti que pica o doente e logo depois você, ao não ser que o mosquito já esteja previamente contaminado, ele não tem condições ainda de transmitir a dengue.
Sintomas do dengue
Uma vez picado pelo mosquito carreador do vírus, o tempo de incubação é em média de 4 a 7 dias. Os 4 sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4, causam os mesmos sintomas, não sendo possível distingui-los pelo quadro clínico.
O espectro de manifestações varia desde um quadro assintomático ou com mínimos sintomas, até a temida dengue hemorrágica. Sim, é possível se contaminar com um dos tipos de vírus da dengue e nada apresentar, isso é particularmente verdadeiro em adolescentes e crianças.
Nos doentes que desenvolvem sintomas temos 2 apresentações típicas: o dengue clássico e o Dengue hemorrágico.
Dengue clássico
O dengue clássico se manifesta como um quadro de febre alta, acompanhado de cefaléias (dores de cabeça), dores nos olhos, fadiga e intensa dor muscular e óssea, que justifica a alcunha de "febre quebra-ossos". O quadro dura de 5 a 7 dias. Outro sintoma comum é o rash, manchas avermelhadas predominantes no tórax e membros superiores, que desaparecem momentaneamente a digitopressão. O rash normalmente surge no 2º ou 3º dia de febre.
Fonte: http://portal.saude.gov.br/
Outras manifestações como diarréia, vômitos, tosse e congestão nasal não são incomuns e podem levar a confusão com outras viroses.
Dengue hemorrágico
O dengue hemorrágico é a manifestação mais grave da doença. Caracteriza-se por alterações na coagulação e por inflamação difusa dos vasos sanguíneos, nomeadamente dos capilares (menores vasos do corpo). Como resultado, temos as seguintes manifestações:
1.) Aumento da permeabilidade dos vasos. A inflamação dos capilares (capilarite) faz com que haja extravasamento de líquido para os tecidos, podendo causar derrame pleural (água na pleura do pulmão) e ascite (água dentro da cavidade abdominal) (leia: INCHAÇOS E EDEMAS para entender melhor este mecanismo). O extravasamento pode ser tão intenso que o doente pode evoluir para choque circulatório (leia: CHOQUE CIRCULATÓRIO ).
2.) Trombocitopenia (queda do número de plaquetas). As plaquetas são células que fazem parte do sistema de coagulação. São a primeira linha de defesa contra sangramentos. Indivíduos normais apresentam uma contagem entre 150.000 e 400.000 plaquetas. Na dengue hemorrágica esse número cai para menos de 100.000, às vezes menos que 10.000 (trombocitopenia grave). Leia: ENTENDA OS RESULTADOS DO SEU HEMOGRAMA para saber mais sobre a contagem de plaquetas.
Devido a queda das plaquetas e a inflamação dos vasos, os doentes apresentam tendência a apresentar sangramentos. Mais uma vez, a presença de sangramentos sem evidências de capilarite e plaquetas abaixo de 100.000, não caracteriza o dengue hemorrágico, o que porém, também não significa que este não possa causar complicações mais graves. Como o dengue hemorrágico evoluiu em horas, na dúvida, é melhor sempre levar o doente para ser avaliado por um médico.
Um sintoma muito comum é a dor abdominal. Também pode ocorrer hepatite pelo dengue (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES)
A ocorrência da forma hemorrágica parece ser mais comum em pacientes que apresentam um segundo episódio de dengue, causado por um sorotipo diferente do primeiro caso.
Sinais de gravidade
- Dor abdominal intensa e contínua
- Pele fria, úmida e pegajosa
- Hipotensão (choque)
- Sangramentos que não cessam espontaneamente
- Letargia
- Dificuldade respiratória
O diagnóstico do dengue clássico é clínico. As sorologias só ficam positivas vários dias depois do início do quadro, normalmente quando o paciente já se recuperou. Por isso, têm valor apenas como documentação.
No dengue hemorrágico, a queda das plaquetas e a elevação do hematócrito, que reflete o extravasamento de líquidos para fora dos vasos, fazem parte do critérios diagnósticos.
Tratamento do dengue
Não existe tratamento específico para dengue. O indicado é repouso e ingestão generosa de líquidos.
O mais importante é descartar doenças com apresentações semelhantes e que possuem tratamento específico como malária, leptospirose (leia: SINTOMAS DA LEPTOSPIROSE) e meningite (leia: MENINGITE).
A aspirina, ácido acetilsalicílico (AAS) é contra-indicada no dengue, por ser uma droga que diminui a função das plaquetas. O doente com dengue já apresenta tendências hemorrágicas e um número reduzido de plaquetas. Inibir a função das remanescentes não será nada interessante. Par aliviar as dores e a febre os mais indicados são a Dipirona (Metimazol em Portugal) e o Paracetamol
Doentes com sinais de gravidade devem ser internados e tratados agressivamente para evitar progressão do choque circulatório.
Ainda não existe vacina para o dengue.
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Leia também:
- DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO
- INCHAÇOS E EDEMAS
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5 comentários:
Obrigado pelo texto dr.
Muito completo e explicativo
Dr, como o sr vê a atual atuação do governo no combate a dengue ?
Olá.
Estou fora do Brasil há mais de 1 ano. Não tenho dados para fazer um comentário mais profundo.
É preciso notar que o combate a dengue não deve ser tratado exclusivamente como dever do estado, é muito importante a atuação da população evitando a formação das larvas em água parada.
É óbvio que o governo, principalmente municipal, tem que dar apoio.
Sou carioca e não sei como está agora, mas acho difícil estar pior do que na época do Cesar Maia.
Abraços
Dr. Pedro, esse ano de 2009 não tivemos uma epidemia no Rio de Janeiro como a do ano passado. Até porque muito poucas epidemias são e vão ser como a de 2008! Não sei se as campanhas diminuiram a presença do mosquito, ou se todos já estamos imunizados pelo fantasma da infecção passada, mas é inegável que não se vêem tantos casos como outrora. Não, também não é mérito do Eduardo Paes...
Abraço,
Flavio e Sabrina
valeu eu tava fazendo trabalho.Guilherme
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