Principais informações sobre a clamídia
A clamídia é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Ela é transmitida principalmente por relações sexuais sem preservativo e muitas vezes não provoca sintomas, o que facilita a transmissão sem que a pessoa saiba que está infectada.
Quando há suspeita de infecção, o exame mais confiável atualmente é o teste molecular por PCR/NAAT, feito em urina ou em amostra colhida com swab do local suspeito.
A clamídia tem cura e, na maioria dos adultos, o tratamento de primeira escolha é a doxiciclina por 7 dias; a azitromicina continua sendo uma alternativa importante e é uma das principais opções de tratamento para gestantes.
Durante o tratamento, é preciso ficar 7 dias sem relações sexuais, e os parceiros também devem ser avaliados e tratados quando necessário. Sem tratamento, a infecção pode causar complicações, especialmente nas mulheres, como doença inflamatória pélvica e infertilidade.
O que é clamídia?
A clamídia é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Trata-se de uma das DSTs bacterianas mais comuns e, em muitos casos, não provoca sintomas, o que facilita a transmissão sem que a pessoa perceba que está infectada.
Quando causa manifestações clínicas, o quadro pode ser muito parecido com o de outras DSTs, especialmente a gonorreia. Por isso, apenas pelos sintomas nem sempre é possível distinguir uma infecção da outra.
Um dos principais problemas da clamídia é justamente o fato de ela poder permanecer silenciosa por bastante tempo. Quem transmite pode não saber que está contaminado, e quem se infectou muitas vezes não consegue identificar de quem adquiriu a bactéria. A infecção é mais comum em pessoas jovens, em quem tem múltiplos parceiros e em quem não usa preservativo com regularidade.
Como a transmissão ocorre principalmente por contato sexual, a forma mais eficaz de prevenção é o uso de camisinha em todas as relações.
Se você procura informações sobre gonorreia, o seu texto é este: Gonorreia – Sintomas e Tratamento.
Formas de transmissão
A Chlamydia trachomatis pode ser transmitida por duas maneiras: pela via sexual (anal, vaginal ou oral) ou de mãe para filho, durante a passagem do bebê pelo canal vaginal na hora do parto.
Nos adolescentes e adultos, a via sexual é de longe a forma mais importante de transmissão. A clamídia não é adquirida em piscinas, vasos sanitários ou pelo beijo. A transmissão por toalhas ou roupas íntimas não é considerada uma forma habitual de contágio.
A contaminação dos olhos pela clamídia pode ocorrer se as mãos estiverem contaminadas com secreções vaginais e o indivíduo coçar os olhos sem lavá-las antes.
Sintomas de clamídia em mulheres e homens
Como já foi referido, a maioria dos pacientes que se contaminam com clamídia não apresenta sinais da doença. Nas mulheres, somente 10% desenvolvem sintomas; nos homens, o número é um pouco maior, ao redor dos 30%. Entretanto, é bom destacar que, mesmo sem sintomas, o paciente contaminado é capaz de transmitir a doença para seus parceiros.
Nos pacientes que desenvolvem sintomas, os mesmos costumam surgir entre 1 e 3 semanas após a contaminação.
Nas mulheres, os principais sintomas da Chlamydia trachomatis são:
- Corrimento vaginal.
- Coceira vaginal.
- Sangramento vaginal.
- Dor abdominal.
- Dor durante o sexo.
- Ardência ou dor ao urinar.
Nos homens, os sintomas mais comuns de clamídia incluem:
- Ardência ou dor ao urinar.
- Saída de corrimento purulento pela uretra.
- Dor nos testículos.
- Inchaço do saco escrotal.
- Proctite (inflamação do ânus que ocorre em homens homossexuais passivos).
A clamídia também pode infectar o reto, causando dor anal, secreção, sangramento ou desconforto para evacuar, especialmente em pessoas que praticam sexo anal receptivo. A infecção da garganta é menos comum e, quando ocorre, costuma estar relacionada ao sexo oral.
Qual exame confirma clamídia?
O exame mais confiável para diagnosticar clamídia é o teste molecular, conhecido como PCR ou NAAT. Esse exame procura diretamente o material genético da bactéria e pode ser feito na urina ou em amostras colhidas com swab na vagina, no colo do útero, na uretra, no ânus ou na garganta, dependendo do local suspeito da infecção.
Nos homens, a urina do primeiro jato costuma ser uma boa amostra. Nas mulheres, a coleta com swab vaginal ou do colo do útero costuma ser mais sensível do que a urina. Quando há suspeita de infecção anal ou na garganta, o ideal é colher material exatamente desses locais.
IgG e IgM para clamídia: o que significam?
Muitos pacientes chegam ao consultório com exames de sangue mostrando IgG ou IgM para clamídia, mas esses testes têm utilidade limitada para diagnosticar infecção genital ativa.
De forma geral, um IgG positivo sugere contato prévio com a bactéria, mas não confirma que a infecção esteja ativa naquele momento. Já o IgM isolado também pode ser difícil de interpretar e, sozinho, não é suficiente para fechar o diagnóstico.
Na prática, quando a dúvida é saber se a pessoa está com clamídia agora, o exame que mais ajuda é o PCR/NAAT feito no local adequado.
Clamídia tem cura? Qual é o tratamento?
Sim, a clamídia tem cura.
Nos adultos não grávidos, a doxiciclina 100 mg, duas vezes por dia, por 7 dias, costuma ser o tratamento de primeira escolha. A azitromicina em dose única continua sendo uma alternativa em algumas situações e também é uma das principais opções durante a gravidez.
Se houver suspeita de outra DST associada, especialmente gonorreia, o médico pode indicar um esquema que cubra mais de uma bactéria. Nesses casos, a ceftriaxona pode ser usada, mas ela não é o tratamento padrão da clamídia isoladamente.
Mesmo quando os sintomas melhoram rápido, o antibiótico deve ser tomado corretamente até o fim do esquema prescrito. Além disso, a pessoa deve ficar pelo menos 7 dias sem atividade sexual após iniciar o tratamento. Os parceiros sexuais recentes também precisam ser avaliados e, quando indicado, tratados, mesmo que não tenham sintomas.
Em geral, recomenda-se novo teste cerca de 3 meses depois, não para confirmar se o antibiótico “funcionou”, mas para pesquisar reinfecção, que é relativamente comum. Na gestação, o médico pode solicitar um teste de controle mais cedo.
Tomei azitromicina para clamídia e não resolveu: o que pode explicar?
Isso nem sempre significa falha real do antibiótico.
Uma causa comum é reinfecção, que acontece quando o parceiro não foi tratado e a pessoa se contamina novamente. Outra possibilidade é que os sintomas tenham outra causa, como gonorreia associada, uretrite por outra bactéria ou até um diagnóstico inicial incorreto.
Também é importante considerar o momento em que o exame foi repetido. Quando o teste molecular é feito cedo demais após o tratamento, ele pode continuar detectando fragmentos do material genético da bactéria, mesmo sem infecção ativa.
Além disso, em algumas situações, especialmente nas infecções retais, a doxiciclina costuma ter desempenho melhor do que a azitromicina. Se os sintomas persistirem ou se houver dúvida sobre o exame, o ideal é reavaliar o caso com o médico antes de repetir antibióticos por conta própria.
Complicações
As complicações são mais comuns em pessoas com poucos sintomas ou sem sintomas, porque nesses casos a infecção pode permanecer sem tratamento por mais tempo.
Nas mulheres, a principal complicação é a progressão da bactéria em direção ao útero e às trompas, causando doença inflamatória pélvica (DIP). Esse quadro pode provocar dor pélvica crônica, infertilidade e aumento do risco de gravidez ectópica.
Na gravidez, a clamídia está associada a maior risco de parto prematuro. O bebê também pode se contaminar durante o parto e desenvolver conjuntivite ou pneumonia nas primeiras semanas de vida.
Nos homens, a complicação mais importante é a epididimite, uma inflamação dolorosa da estrutura que fica junto ao testículo e participa do armazenamento e transporte dos espermatozoides.
Linfogranuloma venéreo
Existem sorotipos da Chlamydia trachomatis, chamados L1, L2 e L3, que podem causar uma doença diferente da clamídia genital comum, chamada linfogranuloma venéreo.
Nessa forma da infecção, pode surgir inicialmente uma pequena lesão genital, muitas vezes pouco perceptível. Algumas semanas depois, aparecem gânglios inflamados e dolorosos na virilha, que podem aumentar bastante de tamanho e, em casos mais intensos, drenar pus.
Como o linfogranuloma venéreo tem manifestações e tratamento próprios, ele costuma ser abordado separadamente do quadro clássico de clamídia genital.
Perguntas frequentes sobre clamídia
Clamídia tem cura?
Sim. A clamídia é uma infecção bacteriana e, na grande maioria dos casos, tem cura com o antibiótico adequado, desde que o tratamento seja feito corretamente e o parceiro também seja avaliado quando necessário.
É possível ter clamídia sem sentir nada?
Sim. Muitas pessoas com clamídia não apresentam sintomas. Isso é um dos principais motivos pelos quais a infecção se espalha com facilidade, já que a pessoa pode transmiti-la sem saber que está infectada.
IgG positivo para clamídia quer dizer infecção ativa?
Não necessariamente. Em geral, um IgG positivo sugere contato prévio com a bactéria, mas não confirma que a infecção esteja ativa naquele momento. Para investigar infecção atual, o exame mais útil costuma ser o teste molecular por PCR/NAAT.
Ceftriaxona trata clamídia?
A ceftriaxona não é o tratamento padrão da clamídia isoladamente. Ela costuma ser usada quando há suspeita de gonorreia associada, porque a gonorreia e a clamídia podem ocorrer ao mesmo tempo.
Tomei azitromicina para clamídia e não melhorei. O que pode ter acontecido?
Isso pode ocorrer por vários motivos, como reinfecção por parceiro não tratado, diagnóstico incorreto, presença de outra DST ao mesmo tempo ou teste repetido cedo demais. Se os sintomas persistirem, o ideal é ser reavaliado pelo médico antes de repetir antibióticos por conta própria.
Quanto tempo depois de iniciar o tratamento posso voltar a ter relação sexual?
Em geral, recomenda-se evitar relações sexuais por pelo menos 7 dias após o início do tratamento. Esse cuidado é importante para reduzir o risco de transmissão e de reinfecção.
Clamídia pode atrasar a menstruação?
A clamídia não costuma ser uma causa direta de atraso menstrual. Porém, infecções pélvicas, estresse físico associado à doença, gravidez ou outras alterações ginecológicas podem coexistir. Se houver atraso menstrual, o ideal é considerar também a possibilidade de gravidez e procurar avaliação médica.
É possível pegar clamídia mais de uma vez?
Sim. Ter tido clamídia no passado não gera imunidade permanente. Por isso, mesmo quem já tratou a infecção pode se contaminar novamente se houver nova exposição.
- Chlamydia Trachomatis Infections: Screening, Diagnosis, and Management – American Family Physician.
- Chlamydia – CDC Fact Sheet – Centers for Disease Control and Prevention.
- Antibiotics for treating genital Chlamydia trachomatis infection in men and non-pregnant women – Cochrane.
- Clinical manifestations and diagnosis of Chlamydia trachomatis infections – UpToDate.
- Treatment of Chlamydia trachomatis infection – UpToDate.
- Epidemiology of Chlamydia trachomatis infections – UpToDate.
- Chlamydia (Chlamydial Genitourinary Infections) – Medscape.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Posso pegar clamídia no sexo oral mesmo sem ejaculação?
Posso descobrir que tenho clamídia estando em um relacionamento fixo há anos ou isso é obrigatoriamente sinal de traição recente?
Mais comentários dos leitores
Dr Pedro, estou apresentando sinais de Clamídia a 1 semana, e desde ontem comecei a tomar o Doxicilina que vi que serve para Clamídia e Gonorreia tbm (caso seja). Porém eu li aqui no post que o Doxicilina é mais indicado para infecção anal, sou heterosexual e no meu caso os sintomas são apenas no pênis. Você acha que o tratamento apenas com Doxicilina pode resolver o meu caso?
Se eu tiver clamídia na gravidez, meu bebê vai nascer infectado?
Dr. após 2g de azitromicina e 25 dias de doxiciclina o exame sorologico IGM continua positivo e o IGG negativo. Médico solicitou PCR do semen e da urina, ambos deram negativo. Poderia ajudar na interpretação?
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Olá! Tenho uma dúvida em relação ao procedimento da minha médica: fiz exames de rotina e obtive o resultado de reagente para clamídia. Porém, entre os exames e a nova consulta, tive infecção urinária e tomei Levofloxacino por 14 dias (1x ao dia). A médica disse que esse tratamento foi eficiente também para tratar a clamídia e não me passou outro antibiótico. Está correto?
Exame do meu esposo de chlamydia trachomatis_ anticorpos igg 50ur/ml e o anticorpos igM índice 0,05 qual resultado o que é
Dr Pedro, tomei azitro 1g por causa de suspeita de clamidia e, cerca de 90h depois, já quase sem sintomas, colhi o PCR Multiflex por primeiro jato de urina. No dia seguinte, o resto de secreção que saía de manhã tinha sumido, e a disúria já desaparecera 2 dias antes.
Contudo, o resultado deu POSITIVO pra clamidia, com valor de referencia NEGATIVO (sic). Continuo sem qualquer sintoma.
Pode ser que o PCR tenha detectado pedaços da bactéria já morta/neutralizada? Isso é comum de acontecer ?
Azitromicina 1000mg seria indicado, pra tomar durante quantos dias ?
IGG reagente 1/1280 quer dizer reinfecção ou que já teve? Precisa de mais exames para confirmação? referencia laboratorio 1/80
Dr. Apresentei uma coceira na vagina, pensei q fosse candida, mas hj percebi q tem um corrimento rosado. Eu estou preocupada demais. Pode ser infecção por Clamidia?
Meu exame de Igm deu 1/20, enquanto o igg deu reagente 1/320 o que isso quer dizer?
Estou tomando azitromicina 500g de 24 em 24h por 6 dias, ou seja, 6 comprimidos ao todo! Esse tratamento é eficaz contra clamídia?