Herpes genital: transmissão, sintomas e tratamento


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Revisado e atualizado em abril 22, 2026
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Principais informações sobre o herpes genital

O herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo vírus herpes simplex, geralmente pelo tipo HSV-2. Ele costuma provocar pequenas bolhas e feridas dolorosas na região genital ou anal, mas muitas pessoas infectadas têm sintomas leves ou nem percebem que contraíram o vírus.

Quando há sintomas, o quadro típico é de ardência, coceira, dor local e surgimento de vesículas que se rompem e formam pequenas úlceras. A primeira crise costuma ser mais intensa e pode vir acompanhada de mal-estar, ínguas na virilha e dor ao urinar. Nas recorrências, as lesões geralmente são menos dolorosas, duram menos tempo e podem ser precedidas por formigamento ou queimação na região.

O herpes genital pode ser transmitido mesmo quando não há feridas visíveis. Isso acontece porque o vírus pode ser eliminado de forma intermitente pela pele ou mucosas, inclusive fora das crises. O risco de transmissão é maior durante as lesões ativas, mas não desaparece completamente nos períodos sem sintomas.

O herpes genital não tem cura definitiva, mas tem tratamento eficaz. Os antivirais ajudam a aliviar os sintomas, acelerar a cicatrização das lesões, reduzir as recorrências e também diminuir o risco de transmitir o vírus ao parceiro.

O que é herpes genital?

O herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo vírus herpes simplex. Ele pode ser provocado tanto pelo herpes simplex vírus 2 (HSV-2) quanto pelo herpes simplex vírus 1 (HSV-1) e costuma causar pequenas bolhas e feridas dolorosas na região genital ou anal. Muitas pessoas, porém, têm sintomas leves ou nem percebem que foram infectadas.

Durante muitos anos, o HSV-2 foi o tipo mais associado ao herpes genital, enquanto o HSV-1 era mais ligado ao herpes labial. Hoje se sabe que os dois tipos podem causar herpes genital, embora o HSV-2 continue mais relacionado a recorrências e à eliminação assintomática do vírus.

O herpes genital é uma infecção muito comum. A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 520 milhões de pessoas entre 15 e 49 anos vivam com infecção por HSV-2, que é a principal causa de herpes genital. Em muitos casos, a pessoa não sabe que está infectada, seja porque nunca teve sintomas, seja porque os sinais foram tão leves que passaram despercebidos.

Nesse artigo falaremos exclusivamente do herpes genital. Se você procura informações sobre o herpes labial, acesse o seguinte link: Herpes labial: transmissão, sintomas e tratamento.

Formas de transmissão

O vírus herpes simplex tipo 2 é transmitido pela via sexual, sendo altamente contagioso nos momentos em que o paciente apresenta lesões ativas na genitália. O grande problema do herpes genital é que a transmissão pode ocorrer mesmo nas fases nas quais o paciente está assintomático. Portanto, mesmo fora das crises, o paciente continua eliminando o vírus de forma intermitente, podendo transmitir o herpes genital para o seu parceiro(a). Habitualmente, em um período de 100 dias, o paciente passa 2 ou 3 eliminando o vírus de forma assintomática.

A frequência de eliminação do vírus vai se tornando menor conforme os anos passam em relação à primeira aparição do herpes. A eliminação fora das crises é maior nos primeiros três meses após a infecção primária. Após 10 anos de infecção, a transmissão fora das crises vai se tornando cada vez menos comum. Um estudo selecionou cerca de 400 pacientes com herpes genital há mais de 10 anos e colheu amostras dos seus órgãos genitais fora das crises por um período de 30 dias consecutivos. Somente 9% apresentavam o vírus detectável para transmissão.

Toda vez que o paciente apresenta uma crise, a sua taxa de transmissão assintomática se eleva novamente, voltando a cair conforme a última crise vai ficando mais antiga. 70% das transmissões do herpes genital ocorrem na fase assintomática, já que durante as crises o paciente costuma evitar ter relações sexuais.

Pacientes HIV positivos que também tenham herpes genital formam o grupo que mais apresenta transmissão durante a fase assintomática.

O vírus herpes simplex tipo 1 costuma causar lesão apenas na boca, mas pode ser transmitido para os órgãos genitais em caso de sexo oral. Uma vez contaminados, os pacientes com herpes genital pelo tipo 1 transmitem a doença do mesmo modo que os pacientes contaminados pelo tipo 2. A diferença é que as crises do tipo 1 costumam ser mais brandas e menos frequentes, e a transmissão fora das crises é menos comum.

O vírus herpes simplex tipo 2 sobrevive muito pouco tempo no ambiente, sendo incomum a transmissão através de roupas ou toalhas. Não é habitual haver transmissão do herpes genital em piscinas ou banheiros.

O uso de camisinha reduz a chance de transmissão, mas não a elimina completamente, dado que as lesões do herpes podem surgir em áreas da região genital que não ficam cobertas pelo preservativo. Por exemplo, uma lesão de herpes na bolsa escrotal continua exposta mesmo com o uso apropriado da camisinha.

Quais são os sintomas do herpes genital?

A maioria dos pacientes que se infecta com o vírus herpes simplex tipo 2 não desenvolve doença, permanecendo assintomáticos e sem ter conhecimento do contágio. Há estudos que sugerem que até 80% dos pacientes contaminados não desenvolvem sintomas.

Nos pacientes que desenvolvem sintomas, o quadro clínico é dividido em duas situações: infecção primária e recorrência.

Infecção primária do herpes genital

A primeira vez que as lesões do herpes genital surgem após o paciente ter sido infectado é chamada de infecção primária.

Os sintomas do herpes genital tendem a se desenvolver dentro de três a sete dias após a relação sexual responsável pela infecção, mas em alguns casos pode demorar até duas semanas.

O principal sinal do herpes genital são pequenas bolhas agrupadas nos órgãos genitais. Normalmente, as bolhas surgem e, logo em seguida, se rompem, formando úlceras. Na infecção primária, estas lesões tendem a ser muito dolorosas. Pode haver também coceira no local.

Além da lesão típica do herpes, a infecção primária costuma vir acompanhada de outros sintomas, como febre, mal-estar e dores pelo corpo. Podem surgir linfonodos na região da virilha e, se as úlceras estiverem próximas à saída da uretra, pode haver intensa dor ao urinar.

Nos homens, as feridas de herpes genital geralmente aparecem no pênis ou próximo ao mesmo. Nas mulheres, as lesões podem ser visíveis fora da vagina, mas elas geralmente ocorrem no seu interior, onde ficam escondidas. No caos de lesões internas, os únicos sinais de doença podem ser corrimento vaginal e/ou desconforto durante o ato sexual.

As lesões do herpes genital também podem surgir em qualquer ponto do períneo e em torno do ânus dos pacientes que praticam sexo anal.

As lesões na infecção primária do herpes genital costumam demorar em média 20 dias para desaparecer.

Para ver mais imagens do herpes genital, acesse: Fotos de Herpes Genital em Homens.

Recorrências do herpes genital

Após a infecção primária, as lesões do herpes genital desaparecem, permanecendo silenciosas por vários meses.

Na maioria dos pacientes, a infecção ressurge de tempos em tempos, em alguns casos, mais de uma vez por ano. 90% dos pacientes apresentam a primeira recorrência em um intervalo de 18 meses após a infecção primária. Alguns podem ter mais de 10 recorrências no intervalo de um ano.

Os pacientes que costumam ter recorrências frequentes são aqueles que tiveram uma infecção primária prolongada, com lesões iniciais do herpes durando mais de 1 mês.

As lesões recorrentes tendem a ser menos dolorosas e duram cerca de 10 dias, metade do tempo da infecção primária. Não é comum haver outros sintomas, como mal-estar ou febre. Com o passar dos anos, as recorrências vão ficando mais fracas e menos frequentes.

As recorrências do herpes genital costumam surgir após algum evento estressante para o organismo. Entre os mais comuns estão o esforço físico exagerado, estresse emocional, doença, cirurgia recente, exposição solar em excesso e imunossupressão. Em algumas mulheres, o período menstrual pode ser o gatilho. Todavia, há casos de recorrências em que não é possível identificar nenhum fator desencadeante.

Dias antes das lesões recorrerem, o paciente pode sentir alguns sintomas de aviso, como uma coceira nos grandes lábios, uma dormência no pênis ou formigamento na região genital. Muitos pacientes conseguem identificar que uma recorrência do herpes genital está a caminho.

Em alguns casos, o paciente pode não desenvolver sintomas de infecção primária logo após a contaminação, apresentando as úlceras apenas anos depois, após algum evento que reduza sua imunidade. Nestes casos, apesar de ser a primeira aparição das feridas, a doença se comporta mais como uma recorrência do que como infecção primária, sendo mais curta e menos dolorosa. Também não são comuns sintomas como febre e mal-estar.

O problema é que, como é a primeira aparição das feridas, o paciente tende a achar que foi contaminado recentemente, e isso costuma causar problemas em casais com relacionamento estável há anos. Nestas situações, é muito difícil estabelecer com precisão quando o paciente foi infectado e quem o infectou.

Herpes genital na gravidez

Na maioria dos casos, o herpes genital durante a gravidez não causa malformações nem prejudica o desenvolvimento do bebê. O principal problema não é a infecção durante a gestação em si, mas sim a possibilidade de transmissão do vírus para o recém-nascido no momento do parto.

O risco para o bebê é maior quando a gestante adquire herpes genital pela primeira vez no fim da gravidez, especialmente nas últimas semanas antes do parto. Nessa situação, o organismo materno ainda não teve tempo de produzir anticorpos em quantidade suficiente para oferecer proteção ao bebê, o que aumenta o risco de herpes neonatal.

Quando a gestante já tinha herpes genital antes da gravidez ou apresenta apenas recorrências durante o pré-natal, o risco de transmissão para o bebê é muito menor. Nesses casos, o obstetra pode indicar tratamento supressivo com antiviral no fim da gestação, geralmente a partir de 36 semanas, para reduzir a chance de lesões ativas no momento do parto.

Ter herpes genital não significa, por si só, que a gestante precise obrigatoriamente de cesariana. Se, no início do trabalho de parto, não houver lesões herpéticas nem sintomas sugestivos de recorrência, como ardor ou dor local precedendo o aparecimento das feridas, o parto vaginal costuma ser permitido. A cesariana é indicada principalmente quando há lesões ativas ou pródromos (sinais de que uma nova lesão está para surgir) no momento do parto, pois isso ajuda a reduzir o risco de transmissão para o recém-nascido.

Se houver suspeita de primeiro episódio de herpes genital durante a gravidez, sobretudo na segunda metade da gestação, a avaliação médica deve ser feita sem demora. Além do tratamento da mãe, pode ser necessário um acompanhamento obstétrico mais próximo para definir a melhor conduta até o parto.

Diagnóstico do herpes genital

Como confirmar quando há ferida

Quando o paciente apresenta bolhas, úlceras ou crostas sugestivas de herpes genital, o ideal é confirmar o diagnóstico com coleta de material diretamente da lesão. Hoje, o exame mais útil costuma ser o teste molecular, como o PCR, porque tem maior sensibilidade do que a cultura e ajuda também a identificar se o vírus é HSV-1 ou HSV-2.

Quanto mais cedo a coleta é feita, melhor. Lesões recentes, ainda com vesículas ou úlceras úmidas, oferecem maior chance de confirmação. Quando a ferida já está cicatrizando, o exame pode vir negativo mesmo em casos de herpes.

Quando a sorologia ajuda

A sorologia não costuma ser o melhor exame para confirmar uma crise aguda com ferida ativa. Ela é mais útil em situações selecionadas, como nos pacientes com lesões recorrentes e exames da ferida negativos, nos casos em que o parceiro tem herpes genital conhecido ou quando há suspeita clínica sem lesão disponível para coleta.

Quando indicada, a sorologia deve ser do tipo específico para HSV-1 e HSV-2. Isso é importante porque saber qual tipo de vírus está envolvido ajuda a orientar melhor o prognóstico, o risco de recorrência e a chance de transmissão assintomática.

Limitações dos exames

Nem sempre um exame negativo exclui totalmente o diagnóstico. Se a coleta da lesão for tardia, se houver pouca quantidade de vírus no local ou se a ferida já estiver em cicatrização, o resultado pode vir falso-negativo. Da mesma forma, colher secreção da região genital sem haver lesão visível costuma ter baixa utilidade e não é uma boa estratégia para afastar herpes.

A sorologia também tem limitações. Ela não diz com precisão quando a infecção foi adquirida, pode demorar para positivar após o contágio e, no caso do HSV-1, não consegue diferenciar com segurança se a infecção é oral ou genital. Além disso, resultados fracamente positivos para HSV-2 podem exigir confirmação, porque existem falsos-positivos.

Tenho herpes genital ou outra DST?

Nem toda ferida ou irritação na região íntima é herpes genital. Entre as infecções sexualmente transmissíveis que mais entram no diagnóstico diferencial, a principal comparação costuma ser com a sífilis.

O herpes geralmente provoca pequenas bolhas ou múltiplas feridas dolorosas, muitas vezes acompanhadas de ardor, coceira ou formigamento. Já a sífilis costuma começar com uma ferida única, endurecida e pouco dolorosa ou indolor, embora existam apresentações atípicas.

Quando o sintoma principal é ardência ao urinar ou corrimento, especialmente sem bolhas ou úlceras visíveis, é preciso pensar também em uretrite, cervicite, gonorreia ou clamídia. Nesses casos, o quadro pode ser mais compatível com inflamação da uretra ou do colo do útero do que com herpes genital.

Nas mulheres, coceira intensa, vermelhidão difusa, ardor e corrimento espesso costumam lembrar mais candidíase ou irritação local do que herpes. Já o herpes tende a causar lesões localizadas, dolorosas, às vezes precedidas por queimação ou formigamento.

Por isso, o diagnóstico não deve ser feito apenas pela aparência de uma foto ou pela descrição isolada dos sintomas. Sempre que houver dúvida, principalmente diante de feridas, dor importante, corrimento, febre, lesões recorrentes ou risco recente de DST, o ideal é procurar avaliação médica para definir se o quadro é herpes ou outra infecção genital.

Tratamento

Embora não exista cura para o herpes genital, a infecção pode ser controlada com terapia antiviral. O tratamento com antivirais serve para acelerar a cura das lesões, aliviar os sintomas, impedir complicações e reduzir o risco de transmissão para outros.

Três medicamentos antivirais podem ser utilizados para o tratamento de herpes genital:

  • Aciclovir (Zovirax®).
  • Famciclovir (Famvir®).
  • Valaciclovir (Valtrex®).

Nas grávidas, o fármaco de escolha é o aciclovir, por ser uma substância segura em qualquer momento da gravidez.

O primeiro episódio de herpes genital é geralmente tratado por 7 a 10 dias por via oral. Se não houver melhora das úlceras, o tratamento pode ser estendido por mais uma semana. O tratamento funciona melhor se iniciado nas primeiras 72 horas de sintomas.

Nas recorrências, o tratamento pode ser feito por somente 5 dias. Pessoas com história de herpes genital recorrente são frequentemente aconselhadas a manter um estoque de medicação antiviral em casa, de modo a iniciar o tratamento assim que surgirem os primeiros sinais de uma recorrência.

Se o paciente apresenta raras recorrências e as faz com poucos sintomas, pode não haver necessidade de tratamento com antivirais, principalmente se ele(a) não tiver um parceiro(a) sexual no momento que possa ser infectado(a).

Nos pacientes que apresentam mais de 6 surtos por ano, pode estar indicada a terapia supressiva, que consiste no uso diário e contínuo de um antiviral em doses baixas para evitar as recorrências. A vantagem da terapia supressiva é que ela reduz a frequência e a duração das recidivas, podendo também reduzir o risco de transmissão do vírus do herpes para um(a) parceiro(a) não infectado(a).

Não está claro por quanto tempo a terapia supressiva deverá ser mantida. Alguns especialistas recomendam fazer uma pausa do tratamento periodicamente (a cada poucos anos) para determinar se a terapia supressiva ainda é necessária. Se os surtos retornarem, a terapia supressiva pode ser reiniciada.

A terapia supressiva pode ser indicada também em casos de parceiros sexuais com sorologias discordantes, ou seja, um deles infectado pelo herpes e o outro não. A terapia supressiva reduz em mais de 50% o risco de transmissão. Quando associada ao uso de camisinha, o risco de transmissão do herpes genital torna-se pequeno.

Cuidados pessoais

Além dos medicamentos antivirais, alguns tratamentos caseiros podem ser usados para aliviar os sintomas de um surto de herpes genital. Banho de assento com água fria pode diminuir temporariamente a dor das feridas. As mulheres que estão tendo dor para urinar podem sentir menos desconforto urinando durante o banho de assento ou em um chuveiro com água morna.

Sabões e banhos de espuma devem ser evitados. Também é importante manter a área genital limpa e seca, e evitar roupa interior apertada. Cremes e pomadas geralmente não são recomendados. Se a dor estiver muito incômoda, analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser usados.

Perguntas frequentes sobre herpes genital (FAQ)

Existe vacina para o herpes genital?

Não, ainda não existe vacina nem para o herpes genital, nem para o labial (HSV-2 e HSV-1). É possível que em breve surjam vacinas contra o herpes, dado que a tecnologia das vacinas por mRNA empregada para criar as vacinas contra Covid-19 tem sido utilizada nas novas pesquisas.

Pomadas de aciclovir servem para tratar o herpes genital?

Em geral, não se indica terapia antiviral tópica (cremes ou pomada) no tratamento do herpes genital. Embora as pomadas de aciclovir estejam disponíveis no mercado, elas apresentam pouco benefício e são muito menos eficazes que o tratamento por via oral. Além disso, não parece haver vantagem em adicionar terapia tópica a quem já está fazendo a terapia oral.

O herpes genital tem cura?

Não, o herpes genital tem tratamento, mas não tem cura. Quem tem o vírus permanece com ele por toda a vida, podendo ou não ter sintomas recorrentes.

Quanto tempo demora para o herpes genital desaparecer?

Sem tratamento, a lesão primária costuma durar de 2 a 4 semanas e as lesões recorrentes cerca de 1 a 2 semanas. Se o tratamento antiviral for iniciado precocemente, o tempo de doença costuma ser 4 a 7 dias mais curto, além de o paciente ficar menos tempo contagioso e ter menos tempo de dor.


book Referências bibliográficas


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

  1. Paulo Henrique Silva Dúvida selecionada pelo editor

    Boa tarde Doutor, é possível a transmissão do vírus da herpes genital mesmo que o portador do vírus esteja assintomático? Nesse caso para o homem transmitir para uma mulher, teoricamente, deve ter ejaculação dentro durante o ato, correto? Se ejacular fora o risco seria menor teoricamente? Obrigado!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    1. Sim. O herpes genital pode ser transmitido mesmo quando o portador está sem lesões ou sintomas, porque pode haver eliminação do vírus pela pele e mucosas de forma assintomática. O risco é maior durante a fase com bolhas ou feridas, mas não é zero fora das crises.

    2. A ejaculação não é necessária para haver transmissão. O HSV é transmitido principalmente por contato direto pele a pele ou mucosa a mucosa na região genital, anal ou oral, e não depende do sêmen. Portanto, ejacular fora não elimina o risco; no máximo, não muda o principal mecanismo de transmissão.

  2. Camilly Cristina Dúvida selecionada pelo editor

    Olá Dr, sou Camilly e queria saber por que a primeira crise de herpes genital é a mais intensa

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Olá, Camilly. Em geral, a primeira crise costuma ser a mais intensa porque é o primeiro contato do organismo com o vírus. Nessa fase, o corpo ainda não tem uma resposta imune específica bem preparada, o que permite maior multiplicação viral e uma inflamação mais exuberante. Por isso, a primeira manifestação pode durar mais e causar mais dor, ardor, inchaço e mal-estar do que as recorrências.

    Depois, o vírus permanece “adormecido” nos nervos e pode reativar, mas o sistema imunológico já reconhece melhor o HSV. Por isso, as crises seguintes costumam ser mais leves, mais localizadas e mais curtas. Ainda assim, isso não é regra absoluta: algumas pessoas podem ter recidivas mais incômodas, sobretudo se houver queda da imunidade.

  3. Marcelo Dúvida selecionada pelo editor

    Boa tarde!
    É possível que a herpes genital possa demorar mais de 15 anos para se manifestar?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Apesar de não ser o mais comum, sim, é possível. O herpes genital pode ficar latente no organismo e muitas infecções são assintomáticas ou passam despercebidas; por isso, a primeira crise reconhecida pode surgir muito tempo depois do contágio, inclusive anos mais tarde.

    O ponto mais importante é este: quando a lesão aparece após muitos anos, isso não prova que a infecção seja recente. Muitas vezes, trata-se apenas da primeira manifestação perceptível de um vírus adquirido no passado.

    Na prática, sem exames antigos ou uma história clínica muito clara, geralmente não dá para determinar com segurança quando o herpes foi contraído.

  4. Marta Dúvida selecionada pelo editor

    Minha ginecologista afirmou que a transmissão só ocorre em caso de feridas, mas vejo vários artigos citando que tb na fase assintomática. Em relações mulher x mulher posso transmitir mesmo sem apresentar sintomas há 10 anos? Existe algum exame para checar o citado estado de eliminação do vírus? Grata

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    1. Sim. A transmissão do herpes genital não ocorre apenas quando há feridas visíveis, é possível haver transmissão nas fases assintomáticas. Obviamente, o risco é bem maior durante a crise, mas estudos demonstram eliminação assintomática do vírus, inclusive em pessoas com infecção antiga e aparentemente “silenciosa”.

    2. Em relações entre mulheres, a transmissão também pode ocorrer, embora o HSV-2 pareça ser transmitido de forma menos eficiente entre parceiras do que em outras situações. Ainda assim, contato genital-genital, sexo oral e compartilhamento de brinquedos sexuais podem transmitir o vírus. Portanto, mesmo após 10 anos sem sintomas, o risco é baixo, mas não é zero.

    3. Sobre exames: existe PCR/cultura da lesão, quando há ferida ativa, e sorologia tipo-específica em algumas situações. Mas não há um exame de rotina confiável para dizer se você está eliminando vírus naquele momento sem sintomas. Os guidelines internacionais orientam que swabs “às cegas”, sem lesões, têm baixa sensibilidade, e um resultado negativo não exclui que possa haver eliminação intermitente.

Mais comentários dos leitores

  1. Fernanda

    A lesão de herpes genital pode ser única e indolor, semelhante com uma afta?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não é comum, mas pode. Embora o mais típico seja o herpes genital causar múltiplas vesículas ou úlceras dolorosas, há casos atípicos em que a lesão é única, pequena e com pouca dor ou até praticamente indolor.

    O problema é que uma ferida genital única e indolor lembra mais outras causas, especialmente sífilis, e só pela aparência nem sempre dá para diferenciar com segurança. Úlceras genitais devem sempre ser avaliadas com exame médico e, quando possível, com testes específicos.

    Portanto: é possível, mas não é o padrão clássico e outras DST precisam ser descartadas. Se houver lesão ativa, o ideal é procurar avaliação rapidamente para fazer PCR/swab da lesão.

  2. José

    Boa noite dr. estou com uma ardência para urinar já vai fazer um mês, mas não tenho nenhuma ferida no pênis, será que pode ser herpes genital?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Se não há ferida na região genital, não deve ser herpes genital. O mais provável é que a lesão esteja na uretra, ou seja, você deve ter uma uretrite. Dê uma olhada nesse artigo e veja se ajuda: Uretrite: o que é, causas, sintomas e tratamento.

  3. Thay

    Dr. Quem tem herpes genital tem no útero ou só na vagina ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Em geral, o herpes genital não fica “no útero”. Ele costuma causar lesões na vulva, na entrada da vagina, no períneo e na região anal. Em algumas mulheres, sobretudo na primeira crise, o vírus também pode acometer o colo do útero (cervicite herpética).

    Se houver suspeita de primeiro episódio de herpes genital, o ideal é o exame ginecológico durante a crise, porque lesões no colo do útero não são visíveis a olho nu pela própria paciente.

  4. Natalia

    Olá, Dr Pedro! Parabéns pela qualidade e detalhamento do artigo, um dos melhores que já li.

    O Sr tem conhecimento de estudos que estejam sendo realizados para prevenção ou tratamento do herpes simples? Convivo com herpes genital, não tem sido fácil e gostaria de ressignificar participando como voluntária nestas pesquisas. Obrigada!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Olá, Natalia, há frequentemente estudos sobre herpes em andamento, mas não sei informar se há algum estudo atualmente recrutando pacientes no Brasil. Geralmente, isso é feito através das faculdades de medicina.

  5. Sandro Santos Soneira

    Boa tarde Dr.Pedro! Tudo bem?
    Primeiramente reforçar os já diversos elogios feitos acerca da matéria, meus parabéns!
    Dia 10/06 iniciei o tratamento com Aciclovir 400mg 4/dia, pois no dia anterior estava com sintomas, por não estarem tão claras as vesículas e úlceras, tomei também um Fluconazol 150mg no dia 12/06. Após o ciclo de 5 dias de tratamento, ainda com incômodo na região, consultei um especialista que me indicou tomar Melocox 15mg e terapia tópica com Solução de Thiersch e Bepantol, ambas terapias por mais 5 dias. Medidas estas que foram satisfatórias.
    Porém no dia 27/07 logo após a relação, senti um desconforto então tomei o restante do Aciclovir do tratamento anterior, 2/dia, mas sem sucesso.
    Salientando que de junho para julho passei por alguns episódios de baixa imunidade. Cenário recorrente tão breve é comum ou mais provável se tratar de outra infecção?
    Desde já, meu muito obrigado!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pela sua descrição é difícil dizer se o desconforto no dia 27/07 era mesmo herpes.

  6. Vinicius

    Olá Dr Pedro
    Minhas dúvidas são: já que o vírus não tem cura, qual a lógica por trás da terapia supressiva? Durante o período que eu estivesse tomando o antiviral, dificilmente teria alguma crise. Mas assim que parasse de tomar, voltaria a ter crises? Após meses tomando o antiviral e interromper o uso, o que vai mudar no meu corpo ou no vírus que poderia ser diferente da condição antes da terapia? Não faz mal tomar antiviral por tanto tempo?
    E também tenho um medo (infundado) de o vírus ficar resistente e o antiviral parar de fazer efeito – aí vai piorar a situação, porque nem mesmo nas crises vai ter algo pra amenizar

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    As suas dúvidas são pertinentes. A terapia supressiva para herpes usa antivirais para reduzir a frequência e a gravidade das crises. Ela é importante para os pacientes com crises muito frequentes. Embora o vírus do herpes não tenha cura, essa terapia pode minimizar os surtos enquanto os medicamentos são tomados. Após a interrupção, as crises podem retornar, mas algumas pessoas apresentam menos surtos mesmo depois de parar o tratamento.

    Pessoas que têm crises só raramente não precisam de terapia supressiva.

    O uso prolongado de antivirais é geralmente seguro, mas deve ser supervisionado por um médico para monitorar possíveis efeitos colaterais, como problemas renais.

    A resistência ao antiviral é bem rara, mas pode ocorrer, principalmente em pessoas com sistemas imunológicos comprometidos. Nesse caso, existem outras opções de tratamento disponíveis.

  7. Rafael

    Dr., li em alguns locais que a terapia supressiva não é tão indicada por conta do corpo/vírus criar resistência ao medicamento. Porém, em outros locais, diz que a mesma deve ser feita entre 6 a 12 meses e li em mais um de utilizar durante até 6 anos, então pergunto:
    1. Há possibilidade da criação de resistência pelo vírus?
    2. Quanto tempo geralmente é indicado para a terapia supressiva?

    Outra pergunta: em alguns artigos é dito sobre a questão da Arginina e da Lisina, onde o primeiro “ajuda” o vírus a se replicar e o segundo inibe a replicação do mesmo.
    Então, a suplementação de lisina é indicada para quem tem crises recorrentes.
    É verdade isso?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    1. Resistência em pacientes sem imunossupressão é incomum. No caso de pacientes com HIV ou outro tipo de imunosupressão, o risco pode existir.
    2. Não há um limite, mas a necessidade de manter a terapia supressiva deve ser reavaliado anualmente.
    3. Existem alguns estudos sobre o uso de lisina para o tratamento e prevenção de herpes genital, mas os resultados são contraditórios. A lisina é um aminoácido que alguns estudos sugerem poder ajudar a prevenir surtos de herpes ao bloquear a atividade de outro aminoácido, a arginina, que é necessária para a replicação do vírus.

    Estudos em laboratório indicaram que altas doses de lisina podem inibir a replicação do vírus herpes simplex, mas os estudos clínicos em humanos são menos conclusivos. Por exemplo, alguns estudos relataram uma redução na frequência e severidade dos surtos de herpes com suplementação de lisina, enquanto outros não encontraram nenhum benefício significativo.

  8. Guilherme

    Aliás, excelente artigo. O melhor que encontrei. Muito obrigado.

    Um adendo à pergunta: durante o banho, é absolutamente necessário evitar passar o sabonete na região? Pois eu ficaria “desconfortável” de não lavar a região.
    Não há nenhum tipo de sabonete que poderia ser utilizado?
    (tentei responder à minha própria pergunta anterior para fins de organização, mas respostas a perguntas não aprovadas não são permitidas. Então escrevi numa nova pergunta).

    Obrigado novamente desde já.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Guilherme você pode tentar usar sabão neutro líquido para limpar a região genital. Evite só ficar esfregando as lesões ou deixar o sabão por muito tempo em contato com as úlceras.

  9. Airto

    A injeção de benzetacil ajuda na cura da herpes genital?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não. Benzetacil não trata herpes genital. Ele é geralmente utilizado para tratar sífilis.

  10. Pedro

    Boa noite Dr. Pedro

    Fui infetado com HSV 2 (herpes genital) há um ano atrás, mesmo com o uso do preservativo (as úlceras aparecem onde o preservativo não protegia).
    Aos 10 meses após exposição, testei negativo para anticorpos IGG no teste Elisa para HSV 2. Só testei positivo no teste de recolha de amostra da ferida.
    É normal obter resultado falso negativo para anticorpos IGG no teste Elisa específico do tipo após 10 meses da exposição? Sem qualquer tipo de relação sexual nesses 10 meses.

    Obrigado

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Com 10 meses de infecção, o esperado era que o IgG para HSV 2 viesse positivo. Provavelmente foi um falso negativo. Outra possibilidade é você pode ter um herpes genital pelo HSV-1.

  11. Nilson Godoi

    Dr. Sou HIV positivo. Me trato a 1 ano. Meu CD4 quando descobri que estava doente.. era de 14. Hoje meu CD4 está em 581. A cerca de 3 dias.. observei umas pequenas bolhas (que parecem ser herpes) no meu anus. Porém.. tem mais de 2 anos que NÃO tenho nenhuma relação sexual com ninguém. Pode ser herpes?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Poder, pode. Mas era mais provável que a doença tivesse surgido na fase de imunossupressão.

  12. Juliana

    Depilação com cera é liberado para quem tem herpes genital?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pode fazer se não existir nenhuma lesão visível no momento.

  13. Raquel

    Dr. Tive relações com uma pessoa em novembro(2018)que me causou uma inflamação, depois só vim ter relações em agosto(2019), mas não ocorreu nada, aparentemente tudo certo. Em dezembro(2019)apareceu umas bolhas nas minhas partes íntimas, sumiram e agora voltaram a aparecer(bolhas rosada e ardência)

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pode ser herpes. O ideal é que sua ginecologista possa examiná-la.

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