mini lipoaspiração

Hidrolipo, minilipo, lipolaser e lipo light são procedimentos vendidos como formas alternativas de lipoaspiração, porém, apresentam os mesmos riscos e as mesmas indicações.

A lipoaspiração é a cirurgia plástica mais realizada no Brasil, com mais de 200.000 procedimentos anualmente.

A técnica foi criada pelo Cirurgião Plástico francês, Yves Gerard Illouz em 1978. Não demorou muito para a lipoaspiração aterrissar em terras tupiniquins. Em 1980, o próprio Dr. Illouz realizou a primeira lipoaspiração no Brasil, mais precisamente no Hospital Servidores do Estado, na cidade do Rio de Janeiro.

Nos seus primórdios a lipoaspiração era realizada com cânulas muito grossas, que traumatizavam muito o tecido gorduroso e frequentemente originavam irregularidades no contorno corporal. Além disso, pouco se sabia à época sobre os limites de volume aspirado seguros para o paciente.

Desde então a lipoaspiração evoluiu muito. Atualmente as cânulas são muito mais finas, minimizando a agressão cirúrgica e permitindo um trabalho mais delicado e preciso, propiciando um melhor resultado.

Hoje temos um conhecimento muito maior das repercussões de uma lipoaspiração para o organismo, permitindo o estabelecimento de limites que aumentaram enormemente a segurança do procedimento.

O Art. 9º da resolução Nº 1.711 do Conselho Federal de Medicina estabelece que “os volumes aspirados não devem ultrapassar 7% do peso corporal quando se usar a técnica infiltrativa; ou 5% quando se usar a técnica não-infiltrativa. Da mesma forma, não deve ultrapassar 40% da área corporal, seja qual for a técnica usada.”

Trocando em miúdos, uma pessoa de 60 kg só pode ter 40 % do seu corpo e 4,2 L de gordura lipoaspirados. Ou seja, aqueles que prometem lipoaspirar todo o corpo e tirar 7,8,9, 10 L de gordura ou são mentirosos ou são inconsequentes e levianos, além de descumprirem uma resolução do CFM.

Mas afinal, o que é técnica infiltrativa e técnica não-infiltrativa?

 Bom, técnica infiltrativa é aquela em que a lipoaspiração é precedida pela injeção, na gordura que será lipoaspirada, de uma solução composta por soro, vasoconstrictores e, às vezes, anestésicos locais. A solução injetada faz com que as células de gordura “inchem”, facilitando a lipoaspiração, e faz com que as artérias e veias se contraiam, diminuindo o sangramento cirúrgico. Devido a essas propriedades, a técnica infiltrativa é a preferida pela grande maioria dos Cirurgiões Plásticos, em detrimento da técnica não-infiltrativa, na qual, obviamente nada é injetado.

Nos últimos anos novas tecnologias vêm sendo incorporadas à lipoaspiração, tais como a utilização de cânulas que vibram em altíssimas frequências (vibrolipoaspiração), que emitem ultrassom ou raios Laser. Todas têm o intuito de facilitar o trabalho do Cirurgião Plástico, diminuir a agressão cirúrgica e permitir um melhor resultado pós-operatório. Na minha humilde opinião, nenhuma dessas novas tecnologias mostrou-se superior à lipoaspiração clássica, além de aumentarem os custos do procedimento, e me parece que este é o pensamento da maioria dos Cirurgiões Plásticos. Porém, é possível que com o seu aperfeiçoamento, essas e ou outras novas tecnologias sejam incorporadas futuramente à lipoaspiração pela maioria dos Cirurgiões Plásticos.

Muito se engana quem pensa que a lipoaspiração é uma cirurgia feita para emagrecer. Seu objetivo é a harmonização do contorno corporal. Estas premissas estão bem explicitadas logo nos 2 primeiros artigos da Resolução Nº 1.711 do Conselho Federal de Medicina, que regulamenta a lipoaspiração:

“CONSIDERANDO o decidido em sessão plenária de 10 de Dezembro de 2003, resolve:

Art. 1º – Reconhecer a técnica de lipoaspiração como válida e consagrada dentro do arsenal da cirurgia plástica, com indicações precisas para correções do contorno corporal em relação à distribuição do tecido adiposo subcutâneo.

Art. 2º – Que as cirurgias de lipoaspiração não devem ter indicação para emagrecimento.”Trocando em miúdos, a lipoaspiração está indicada para resolver o problema da companheira inseparável de muitas mulheres: a gordura localizada.

Porém, nem toda paciente com gordura localizada é uma candidata à lipoaspiração. O grau de flacidez da pele pode ser um fator impeditivo. A flacidez traduz a redução, ou até mesmo a perda, da elasticidade da pele. Quanto maior a flacidez menor a elasticidade. A presença das famigeradas estrias também é um forte indicador de uma pele pobre em elasticidade (leia: ESTRIAS | Tratamento e prevenção).

Mas qual a importância da elasticidade da pele na lipoaspiração? Eu lhes respondo: toda! Para melhor explicar o quão importante é a elasticidade me utilizo de um momento da vida comum a quase todas as mulheres; a gravidez. Com o desenrolar da gestação, a pele se expande progressivamente para melhor comportar o aumento do volume abdominal. Imediatamente após o parto, o volume retorna ao normal e a pele se retrai lentamente durante as semanas subsequentes para adaptar-se novamente ao volume abdominal de outrora. Aí que entra a elasticidade da pele. Quantos de vocês conhecem mulheres que após o parto nem pareciam que tiveram um filho? E as que ficam com o abdômen flácido? E as que além de flacidez ficam cheias de estrias? O que determina o grau de retração da pele é a sua elasticidade e, analogamente à gravidez, desempenha o mesmo importante papel na lipoaspiração.

Sabemos que em se tratando de lipoaspiração, atuam na retração da pele, além do grau de elasticidade, a contração cicatricial. Ao realizarmos uma lipo, ocorre a lesão do tecido gorduroso pelas cânulas. Essa lesão, como todo ferimento, cicatriza. Acontece que todo processo de cicatrização em nosso organismo evolui com uma retração dos tecidos vizinhos. Isto também é verdade na lipoaspiração, onde a cicatrização do tecido gorduroso acarretará na retração da pele, graças ao fenômeno de contração cicatricial.

Quando há flacidez pequena ou moderada, a lipoaspiração pode ser realizada, pois podemos contar com a elasticidade da pele e com a contração cicatricial. Quando a flacidez da pele é de moderada a grande, a lipo isolada deve ser evitada, sob pena de agravá-la. Nestes casos, a associação da ressecção de pele à lipoaspiração deve ser considerada.

Para saber mais sobre a lipoaspiração, leia: CIRURGIA DE LIPOASPIRAÇÃO | Técnicas, indicações e riscos.

HIDROLIPO, MINI LIPO e LIPO LIGHT

Notem que não são mencionados na resolução do CFM os termos hidrolipoaspiração, minilipoaspiração, lipoaspiração light e afins. Isso por que simplesmente não existe “hidrolipo”, não existe “mini lipo” nem “lipo light”!

A lipoaspiração é um procedimento único, que compreende as técnicas infiltrativa e não-infiltrativa, onde através de uma pressão negativa originada por um aparelho ou por seringas, a gordura é aspirada por cânulas introduzidas por pequenos cortes na pele

Para melhor explicar o motivo pelo qual os termos “hidrolipo”, “mini lipo”, “lipo light” e afins foram inventados, recorro à seguinte resolução do Conselho Federal de Medicina:

RESOLUÇÃO Nº 1.711, DE 10 DE DEZEMBRO DE 2003

Art. 1º – Reconhecer a técnica de lipoaspiração como válida e consagrada dentro do arsenal da cirurgia plástica, com indicações precisas para correções do contorno corporal em relação à distribuição do tecido adiposo subcutâneo.

Art. 3º – Que há necessidade de treinamento especifico para a sua execução, sendo indispensável a habilitação prévia em área cirúrgica geral, de modo a permitir a abordagem invasiva do método, prevenção, reconhecimento e tratamento de complicações possíveis.

Art. 5º – Que as cirurgias de lipoaspiração devem ser executadas em salas de cirurgias equipadas para atendimento de intercorrências inerentes a qualquer ato cirúrgico.

Por essa resolução ficou estabelecido que a lipoaspiração é um procedimento cirúrgico habilitado preferencialmente a Cirurgiões Plásticos, com formação prévia em Cirurgia Geral (caso de todos os Cirurgiões Plásticos membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e que só deve ser realizada em centro cirúrgico.

Pois bem, e como ficam, a partir desta resolução do CFM, os médicos de outras especialidades que, desiludidos com suas carreiras, enveredam pelo mundo da “Medicina Estética” atrás do “pote-de-ouro”, atrás do “dinheiro fácil”, após fazerem cursos de fim de semana? Como ficam os médicos que, para baixar os custos da lipoaspiração, realizam o procedimento no consultório? Simples! É só rebatizar a lipoaspiração! “De agora em diante nós não fazemos lipoaspiração, nós fazemos hidrolipoaspiração, fazemos minilipoaspiração, fazemos lipolight”.

A invenção dos termos “hidrolipo”, “mini lipo”, “lipo light” e outros tem um único propósito: burlar a resolução do Conselho Federal de Medicina!

E para piorar a situação a “hidrolipo”, a “minilipo” e a”lipolight” são vendidas para a população como sendo procedimentos mais modernos, que não precisam de internação e que o paciente vai do consultório direto para o trabalho. Na realidade, a lipoaspiração realizada em consultório é muito inferior. Além de infringir uma resolução do CFM, não fornece a segurança e o ambiente necessários para a realização de um procedimento cirúrgico, o paciente não é sedado, sentindo, na melhor das hipóteses, um incômodo durante todo o procedimento e muitas vezes é mais dispendiosa financeiramente pois tem que ser feita em várias etapas, uma vez que há limites de toxicidade na utilização de anestésicos locais.

Não esqueçam que lipoaspiração é uma CIRURGIA e como tal está sujeita à complicações CIRÚRGICAS, devendo ser realizada em ambiente CIRÚRGICO . Sendo assim, se você deseja realizar uma lipoaspiração, consulte-se com um Cirurgião Plástico, certifique-se que ele é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e exija que a cirurgia seja realizada em um centro cirúrgico.

Esse texto é de autoria do Dr. Carlos André Meyer – Cirurgião Plástico.

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Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (U.F.R.J) em 2002. Especialista em Medicina Interna e Nefrologia. Títulos reconhecidos pela Faculdade do Porto, Ordem dos Médicos de Portugal e Colégio de Nefrologia Português.