Resumo
Principais pontos sobre a mpox (varíola dos macacos)
- A mpox é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus.
- A doença era anteriormente chamada de monkeypox ou varíola dos macacos.
- O vírus não é novo e a doença não é exclusiva de macacos.
- Os sintomas podem aparecer entre 1 e 21 dias após a exposição, geralmente após cerca de uma semana.
- As lesões de pele ou mucosas são a manifestação mais característica e podem ser únicas ou múltiplas.
- Nos surtos atuais são frequentes lesões genitais, perianais e orais, mas qualquer parte do corpo pode ser afetada.
- A transmissão ocorre principalmente pelo contato físico próximo com as lesões, crostas ou mucosas infectadas.
- O contato íntimo durante relações sexuais é atualmente uma importante forma de transmissão, mas a mpox não é transmitida exclusivamente pelo sexo.
- O diagnóstico é confirmado principalmente pela pesquisa do DNA do vírus por PCR em material coletado das lesões.
- A maioria dos pacientes apresenta doença autolimitada e necessita apenas de tratamento dos sintomas.
- Pessoas com imunossupressão importante, especialmente HIV avançado e não controlado, apresentam maior risco de doença grave.
- Existem vacinas contra a mpox, utilizadas principalmente em pessoas com maior risco de exposição ou após determinadas exposições ao vírus
O que é mpox?
A mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos (monkeypox), é uma doença infecciosa causada pelo monkeypox virus (MPXV), um vírus de DNA pertencente ao gênero Orthopoxvirus. Nesse mesmo grupo estão o vírus da varíola humana, o vírus vaccinia utilizado em vacinas e outros vírus semelhantes.
O nome varíola dos macacos surgiu porque o vírus foi identificado pela primeira vez em 1958, após um surto em macacos mantidos para pesquisa na Dinamarca. O primeiro caso humano conhecido foi descrito em 1970.
Os macacos podem ser infectados, assim como diversos outros animais, mas provavelmente são hospedeiros ocasionais. O reservatório natural do vírus ainda não foi estabelecido e acredita-se que pequenos mamíferos, especialmente roedores africanos, tenham papel importante.
Apesar da antiga denominação “varíola dos macacos”, a mpox não é a mesma doença que a varíola humana. Elas são causadas por vírus diferentes, embora ambos pertençam ao gênero Orthopoxvirus. A varíola humana foi erradicada mundialmente em 1980.
Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o nome mpox, em substituição a monkeypox, para evitar associações inadequadas com animais ou regiões geográficas e reduzir situações de estigmatização.
O vírus da mpox é novo?
Não. Como referido acima, o MPXV é conhecido há mais de seis décadas e causa infecção humana documentada desde 1970.
O que mudou nos últimos anos foi principalmente a forma como o vírus passou a circular entre seres humanos. Durante décadas, a maioria dos casos era registrada na África Central e Ocidental, frequentemente após exposição a animais infectados ou transmissão dentro de famílias.
Em 2022 ocorreu um grande surto internacional, predominantemente pelo clado IIb, com transmissão sustentada entre pessoas em países onde a doença anteriormente era muito rara. Desde então, a circulação mundial do vírus não desapareceu.
Clados I e II
O vírus da mpox apresenta dois grandes grupos genéticos, chamados clado I e clado II, cada um subdividido:
- Clado Ia.
- Clado Ib.
- Clado IIa.
- Clado IIb.
Historicamente, o clado I tem sido associado a quadros mais graves que o clado II, embora a gravidade também dependa da idade, estado imunológico, acesso à assistência médica e outras características do paciente.
O grande surto internacional iniciado em 2022 foi causado predominantemente pelo clado IIb. A partir de 2023, surtos pelos clados Ia e Ib aumentaram na África Central e Oriental, e o clado Ib posteriormente passou a ser identificado em outros continentes.
Como a mpox é transmitida?
A principal forma de transmissão da mpox atualmente é o contato físico próximo com uma pessoa infectada, especialmente o contato direto com lesões da pele ou das mucosas.
O vírus pode estar presente nas lesões, crostas e secreções. A transmissão pode ocorrer por:
- Contato pele a pele com as lesões.
- Beijos e outros contatos íntimos.
- Relações sexuais.
- Contato da boca com pele ou mucosas infectadas.
- Contato com secreções corporais.
- Compartilhamento de roupas, toalhas ou roupas de cama contaminadas.
- Acidentes com agulhas ou outros materiais contaminados.
- Contato com animais infectados.
A transmissão através de objetos contaminados é possível, embora pareça ter importância bem menor que o contato físico direto nos surtos atuais.
Partículas respiratórias também podem participar da transmissão durante contato próximo e prolongado, especialmente quando existem lesões na boca ou na garganta. Entretanto, a mpox não apresenta o mesmo padrão de transmissão aérea de infecções como sarampo ou Covid-19, e o contato físico próximo é muito mais relevante epidemiologicamente.
Mpox é uma infecção sexualmente transmissível?
A resposta depende do significado dado ao termo.
A mpox pode claramente ser transmitida durante relações sexuais, e essa tem sido uma das principais situações de transmissão desde 2022. Relações sexuais envolvem contato prolongado entre peles e mucosas, exatamente a situação ideal para transmissão do MPXV.
Entretanto, a doença não depende do sexo para ser transmitida. Uma pessoa pode adquirir mpox por contato físico não sexual com lesões, durante cuidados de um familiar doente, através de materiais contaminados ou, mais raramente, por outras formas de exposição.
O DNA do vírus já foi identificado no sêmen e em secreções genitais, mas ainda não está totalmente estabelecido quanto da transmissão sexual ocorre pelos próprios fluidos e quanto resulta do intenso contato entre pele e mucosas.
O preservativo reduz alguns tipos de exposição, mas não oferece proteção completa contra a mpox, pois partes da pele potencialmente infectadas permanecem descobertas.
Por quanto tempo a pessoa transmite o vírus?
Para fins práticos, uma pessoa com mpox deve ser considerada contagiosa até que:
- Todas as lesões tenham cicatrizado.
- Todas as crostas tenham caído.
- Uma nova camada íntegra de pele tenha se formado.
Esse processo costuma levar algumas semanas.
A maior parte da transmissão ocorre em pessoas sintomáticas. Entretanto, estudos demonstraram que, em alguns casos, o vírus pode ser transmitido alguns dias antes do aparecimento evidente dos sintomas. Infecções completamente assintomáticas também já foram documentadas, embora pareçam pouco frequentes e sua importância na transmissão ainda não esteja bem definida.
Quem tem maior risco de pegar mpox?
Qualquer pessoa que tenha contato suficiente com o vírus pode adquirir mpox.
Atualmente, o risco é maior principalmente entre pessoas que mantêm contato físico íntimo com indivíduos infectados ou que fazem parte de redes sociais ou sexuais nas quais o vírus está circulando.
Desde 2022, grande parte dos casos registrados fora da África ocorreu em homens que fazem sexo com homens, especialmente aqueles com múltiplos parceiros. Isso descreve o padrão epidemiológico atual, mas não significa que a doença seja exclusiva desse grupo. Mulheres, crianças e pessoas heterossexuais também podem adquirir mpox quando expostas ao vírus.
Sintomas e lesões da mpox (com fotos)
Os sintomas da mpox podem variar bastante de uma pessoa para outra. As manifestações mais comuns incluem lesões na pele ou nas mucosas, febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço e aumento dos gânglios linfáticos.
As lesões podem ser poucas ou numerosas e surgir em diferentes regiões do corpo, inclusive genitais, ânus e boca. Em alguns pacientes, elas são a principal manifestação da doença.
Entre os sintomas possíveis da mpox estão:
- Lesões na pele ou nas mucosas.
- Febre.
- Aumento dos gânglios linfáticos, popularmente chamados de ínguas.
- Dor de cabeça.
- Dor muscular.
- Dor nas costas.
- Dor de garganta.
- Calafrios.
- Cansaço e falta de energia.
O aumento dos gânglios linfáticos pode ocorrer próximo ao local das lesões ou de forma mais disseminada.
Nos surtos mais recentes, entretanto, a apresentação clínica tem sido mais variável. Nem todos os pacientes apresentam o quadro clássico de febre, linfonodos aumentados e numerosas lesões disseminadas pelo corpo. Algumas pessoas apresentam apenas lesões genitais, anais ou orais, às vezes sem febre ou outros sintomas sistêmicos prévios.
Quanto tempo após o contato aparecem os sintomas?
O período entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos primeiros sintomas é chamado de período de incubação.
Os sintomas podem surgir entre 1 e 21 dias após a exposição. Na maioria dos casos estudados nos surtos recentes, o intervalo foi de aproximadamente uma semana.
Uma pessoa que teve exposição relevante deve, portanto, permanecer atenta ao aparecimento de lesões ou outros sintomas durante 21 dias.
Quais são os primeiros sintomas da mpox?
Não existe uma sequência obrigatória. Tradicionalmente, a doença começava com febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço e aumento dos gânglios linfáticos. As lesões apareciam alguns dias depois.
Nos surtos atuais, porém, a lesão de pele ou mucosa pode ser o primeiro ou até o único sinal perceptível da infecção.
Por isso, a ausência de febre não exclui mpox.
Alguns pacientes apresentam manifestações específicas conforme o local infectado. Lesões anais e retais podem provocar dor intensa, sangramento, secreção ou sensação persistente de vontade de evacuar, quadro denominado proctite. Lesões na boca e garganta podem provocar dor ao engolir. Lesões genitais podem causar edema importante do pênis ou da vulva.
Como são as lesões da mpox?
As lesões da mpox costumam ser bem delimitadas, firmes e relativamente profundas, características que frequentemente ajudam a diferenciá-las de erupções mais superficiais.
Uma lesão típica pode evoluir pelas seguintes fases:
- Mácula: área inicialmente plana e avermelhada.
- Pápula: a região torna-se elevada e firme.
- Vesícula: surge aspecto semelhante ao de uma pequena bolha.
- Pseudopústula: a lesão torna-se esbranquiçada ou amarelada e pode parecer conter pus, embora frequentemente seja preenchida principalmente por tecido inflamatório e restos celulares.
- Crosta: a lesão seca e forma uma crosta.
- Cicatrização: a crosta se desprende e surge pele nova por baixo.
Muitas lesões apresentam uma pequena depressão em sua região central, chamada umbilicação.

A dor é frequente durante as fases iniciais. Quando as lesões começam a cicatrizar, a coceira pode tornar-se mais evidente.
Apesar dessa descrição típica, nem todas as lesões apresentam exatamente a mesma aparência ou atravessam todas as fases de forma facilmente reconhecível.
Quantas lesões aparecem?
O número varia muito.
Nos surtos atuais, muitos pacientes apresentam apenas uma a vinte lesões, e algumas pessoas têm somente uma ou duas. Em outros casos, podem surgir dezenas ou centenas de lesões.
Portanto, ter apenas uma lesão genital, anal, facial ou em outra região não exclui mpox.
Em quais partes do corpo aparecem?
As lesões podem aparecer em praticamente qualquer região, incluindo:
- Região genital.
- Ao redor ou dentro do ânus.
- Nádegas.
- Boca, língua e garganta.
- Face.
- Lábios.
- Tronco.
- Braços e pernas.
- Mãos e pés.
- Palmas das mãos e plantas dos pés.
Nos casos associados a contato sexual, as primeiras lesões frequentemente aparecem na região genital, anal ou oral, provavelmente refletindo o local de entrada do vírus.


Como nos surtos atuais a transmissão ocorre frequentemente durante contato íntimo ou sexual, as lesões tendem a se concentrar nas regiões genital, anal ou oral. Isso contrasta com a apresentação clássica da mpox, na qual eram mais comuns numerosas lesões distribuídas principalmente pela face e extremidades.
Quanto tempo dura a doença?
Na maioria dos pacientes, os sintomas desaparecem em duas a quatro semanas.
A evolução pode ser mais prolongada em pessoas com imunossupressão importante, nas quais novas lesões podem continuar aparecendo e a cicatrização pode ser bastante lenta.
Quem tem maior risco de desenvolver mpox grave?
Ter maior probabilidade de entrar em contato com o vírus não é a mesma coisa que ter maior probabilidade de desenvolver doença grave.
O principal fator de risco para formas muito graves é a imunossupressão importante, particularmente em pessoas com HIV avançado e não controlado.
Pacientes com HIV e contagens muito baixas de linfócitos CD4 podem desenvolver doença extensa, com numerosas lesões que não cicatrizam, necrose da pele, infecções bacterianas, comprometimento pulmonar, ocular ou de outros órgãos.
É importante ressaltar que simplesmente viver com HIV não significa ter alto risco de mpox grave. Estudos com pacientes em tratamento antirretroviral eficaz e boa situação imunológica não demonstraram o mesmo excesso de complicações observado nos pacientes com HIV avançado.
Outros grupos que merecem maior atenção pelo risco de evolução mais grave incluem:
- Pessoas com outras formas importantes de imunossupressão, como transplantados em uso de imunossupressores intensos, pacientes com câncer hematológico ou em quimioterapia com neutropenia.
- Crianças pequenas, especialmente menores de 8 anos e em surtos causados pelo clado I.
- Gestantes, devido também ao risco de transmissão para o feto e de complicações da gravidez.
Quais são as possíveis complicações?
As principais complicações da infecção pelo mpox incluem:
- Infecção bacteriana das lesões.
- Abscessos e necrose da pele.
- Proctite intensa.
- Obstrução urinária por edema genital.
- Desidratação por dificuldade para beber ou engolir.
- Pneumonia.
- Encefalite.
- Miocardite.
- Sepse.
- Lesões oculares e comprometimento da visão.
O risco de complicações é particularmente elevado quando o sistema imunológico não consegue controlar adequadamente a replicação viral.
Quando procurar atendimento com urgência?
Uma pessoa com suspeita ou diagnóstico de mpox deve procurar avaliação médica rapidamente se apresentar:
- Lesão próxima ou dentro dos olhos.
- Dificuldade para respirar.
- Confusão, convulsões ou alteração do estado de consciência.
- Dor muito intensa ou de difícil controle.
- Incapacidade de ingerir líquidos.
- Sinais de desidratação.
- Piora rápida ou aparecimento contínuo de novas lesões.
- Vermelhidão crescente, pus ou outros sinais de infecção bacteriana.
- Edema genital importante ou dificuldade para urinar.
Gestantes e pessoas com imunossupressão significativa também devem ter avaliação médica precoce mesmo que o quadro inicial pareça leve.
O acometimento dos olhos merece atenção especial. Lesões nas pálpebras, conjuntiva ou córnea podem causar inflamação ocular e, em casos mais graves, comprometer a visão. Por isso, sintomas oculares como dor, vermelhidão intensa, fotofobia ou alteração visual exigem avaliação médica rápida, preferencialmente com oftalmologista.
Como é feito o diagnóstico?
A aparência das lesões pode levantar a suspeita, mas não é suficiente para confirmar mpox.
O principal exame diagnóstico é a PCR, que detecta o material genético do MPXV. A amostra é habitualmente obtida diretamente de uma ou mais lesões, por meio de swab da superfície, exsudato ou material da crosta.
No Brasil, a PCR em tempo real é o método utilizado para confirmação laboratorial da doença. Amostras positivas podem posteriormente ser submetidas a testes adicionais ou sequenciamento para identificação do clado viral quando necessário.
Exames de sangue não costumam ser a melhor forma de confirmar uma infecção aguda. Testes sorológicos têm aplicação mais limitada porque anticorpos contra outros Orthopoxvirus ou vacinação anterior podem interferir na interpretação.
Quais doenças podem ser confundidas com mpox?
A aparência das lesões pode ser semelhante à de várias outras doenças, entre elas:
- Herpes genital ou oral.
- Catapora.
- Sífilis.
- Impetigo.
- Molusco contagioso.
- Linfogranuloma venéreo.
- Outras causas de úlceras genitais ou proctite.
Algumas características ajudam na avaliação, mas nenhuma delas substitui o exame laboratorial.
Um ponto importante é que a identificação de uma infecção sexualmente transmissível não afasta o diagnóstico de mpox. Coinfecções com gonorreia, clamídia ou sífilis foram identificadas com frequência relevante nos surtos recentes.
Tratamento da mpox
Na maioria das pessoas com sistema imunológico normal, a mpox desaparece espontaneamente e não necessita de medicamento antiviral.
O tratamento concentra-se em manter o paciente confortável e prevenir complicações. Dependendo dos sintomas, podem ser necessários:
- Analgésicos.
- Boa hidratação.
- Cuidados locais com as lesões.
- Tratamento da dor provocada por lesões orais, genitais ou anais.
- Medidas para facilitar a evacuação em pacientes com proctite.
- Antibióticos quando ocorre infecção bacteriana secundária.
Alguns pacientes precisam ser internados, principalmente quando apresentam dor difícil de controlar, incapacidade de ingerir líquidos, desidratação, doença extensa ou alguma complicação importante.
Tecovirimat funciona contra mpox?
O tecovirimat é um antiviral desenvolvido contra Orthopoxvirus e foi bastante utilizado nos primeiros anos do surto internacional de mpox.
Apesar dos resultados inicialmente promissores, ensaios clínicos posteriores não demonstraram benefício significativo na cicatrização das lesões ou na redução da dor. Por esse motivo, o tecovirimat não é atualmente indicado de rotina para adultos imunocompetentes com doença leve ou moderada.
Em pacientes com imunossupressão grave ou formas muito graves da doença, especialistas ainda podem considerar o tecovirimat como parte de um esquema com outros antivirais. Nesses casos, porém, a eficácia do tratamento ainda não está bem estabelecida.
Mpox é perigosa? Pode matar?
Na maioria das pessoas saudáveis, a mpox apresenta evolução favorável e termina com recuperação completa.
Entretanto, a doença pode ser grave e pode causar morte, principalmente em pacientes com imunossupressão importante e em determinados surtos causados pelo clado I.
Não existe uma única taxa de mortalidade aplicável a todos os casos de mpox. O risco varia bastante conforme o clado viral, idade dos pacientes, estado imunológico, acesso à assistência médica e características do surto.
Nos surtos internacionais causados predominantemente pelo clado IIb desde 2022, a mortalidade entre pessoas sem imunossupressão grave tem sido muito baixa, diferentemente das taxas significativamente maiores que foram observadas em alguns surtos africanos relacionados ao clado I.
Como prevenir a transmissão da mpox?
A prevenção baseia-se principalmente em evitar o contato com as lesões e com materiais potencialmente contaminados enquanto a pessoa estiver contagiosa.
Quem está com mpox deve, enquanto houver lesões ativas:
- Evitar contato físico próximo e relações sexuais.
- Manter as lesões cobertas sempre que possível.
- Evitar compartilhar roupas, toalhas e roupas de cama.
- Evitar compartilhar objetos pessoais.
- Higienizar frequentemente as mãos.
- Lavar roupas e roupas de cama normalmente com água e detergente, evitando sacudi-las antes da lavagem.
- Limpar superfícies potencialmente contaminadas.
- Evitar contato próximo com animais domésticos.
- Usar máscara bem ajustada quando precisar permanecer perto de outras pessoas, especialmente se houver lesões orais ou sintomas respiratórios.
O isolamento pode terminar quando todas as crostas tiverem caído e todas as lesões estiverem cobertas por uma nova camada íntegra de pele.
A OMS recomenda, por precaução, o uso consistente de preservativo durante relações sexuais por cerca de 12 semanas após a recuperação. Essa orientação leva em consideração a possibilidade de persistência do vírus em secreções genitais, embora o papel exato dessas secreções na transmissão após a cicatrização das lesões ainda não esteja totalmente esclarecido.
Vacina contra mpox
Existem vacinas capazes de oferecer proteção contra a mpox porque os diferentes Orthopoxvirus apresentam grande semelhança imunológica.
A vacina atualmente mais utilizada é baseada no vírus vaccinia Ankara modificado (MVA), um vírus altamente atenuado que não consegue produzir novas partículas virais infecciosas nas células humanas.
Essa característica proporciona um perfil de segurança muito melhor que o das antigas vacinas contra a varíola.
Dependendo do país, a vacina MVA é comercializada sob nomes como Jynneos, Imvanex ou Imvamune. O esquema habitual utiliza duas doses com aproximadamente quatro semanas de intervalo, e a proteção máxima é esperada cerca de duas semanas após a segunda dose.
A vacinação reduz o risco de desenvolver mpox e, quando a infecção ocorre apesar da vacinação, os casos tendem a apresentar menos lesões e evolução mais branda. A proteção, porém, não é absoluta.
Quem deve tomar a vacina contra mpox no Brasil?
A vacina contra mpox não faz parte de uma estratégia de vacinação universal da população brasileira.
A indicação depende da disponibilidade de doses e das orientações vigentes do Ministério da Saúde.
Segundo as recomendações atuais, a vacinação pré-exposição é direcionada principalmente a grupos selecionados de maior risco, como:
- Pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão importante.
- Profissionais de laboratório com exposição ocupacional relevante a Orthopoxvirus.
A estratégia brasileira também prevê vacinação pós-exposição em determinadas pessoas que tiveram contato considerado de médio ou alto risco com um caso suspeito ou confirmado, após avaliação pelos serviços de vigilância em saúde.
As prioridades podem ser alteradas conforme o estoque disponível e a situação epidemiológica. Em uma estratégia operacional adotada pelo Ministério da Saúde em 2025 para um lote específico de vacinas, foram inicialmente priorizadas pessoas vivendo com HIV/aids com CD4 abaixo de 100 células/mm³. Para evitar perda de doses remanescentes, a vacinação poderia ser ampliada para pessoas com CD4 abaixo de 200 células/mm³, usuários de PrEP e profissionais de laboratório que manipulavam amostras de mpox.
A vacina pode ser usada depois do contato?
Sim. A vacinação pós-exposição pode prevenir a doença ou reduzir sua gravidade se for realizada rapidamente.
Quando indicada, deve ser administrada preferencialmente nos primeiros quatro dias após a exposição. Ainda pode ser considerada até 14 dias depois, embora a capacidade de impedir o aparecimento da doença seja menor quando a vacinação ocorre mais tarde.
Por esse motivo, quem teve uma exposição relevante não deve esperar o surgimento das lesões para procurar orientação.
Tive contato com alguém com mpox. O que fazer?
Quem teve contato próximo com uma pessoa com mpox deve ficar atento ao aparecimento de sintomas durante 21 dias após a última exposição. Contatos que permanecem assintomáticos, em geral, não precisam ficar em isolamento, embora seja recomendável evitar relações sexuais durante esse período de monitoramento.
Também é recomendável procurar orientação de um serviço de saúde o quanto antes, principalmente após exposições consideradas de maior risco, pois algumas pessoas podem ter indicação de vacinação pós-exposição.
Se surgirem lesões na pele ou mucosas, febre ou outros sintomas compatíveis, a pessoa deve evitar contato próximo com outras pessoas e procurar avaliação médica.
A antiga vacina contra a varíola humana protege contra mpox?
Pessoas vacinadas contra a varíola décadas atrás podem ainda conservar algum grau de proteção contra a mpox, inclusive contra formas graves. Essa proteção cruzada ocorre porque os vírus da varíola e da mpox pertencem ao mesmo gênero, Orthopoxvirus.
Entretanto, a proteção diminui com o passar dos anos e não é completa. Casos de mpox ocorrem também em pessoas que receberam a antiga vacina contra a varíola durante a infância. Por isso, ter a cicatriz da vacinação antiga não significa estar protegido contra a infecção ou ser incapaz de transmitir o vírus.
Quem atualmente pertence a um grupo com indicação de vacinação contra mpox deve ser vacinado mesmo que tenha recebido a antiga vacina contra a varíola. Essa é, inclusive, a orientação atual da OMS.
Situação atual da mpox no Brasil e no mundo
A grande emergência internacional iniciada em 2022 diminuiu substancialmente, mas o vírus não desapareceu.
Atualmente, diferentes clados do MPXV continuam circulando simultaneamente. O clado IIb, responsável pelo surto global de 2022, permanece presente em vários países, enquanto os clados Ia e Ib provocaram importantes surtos na África a partir de 2023.
A OMS voltou a declarar a mpox uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional em agosto de 2024 em razão da expansão do clado I. Essa emergência foi encerrada em setembro de 2025 após redução sustentada dos casos, mas a OMS manteve a recomendação de vigilância e controle de longo prazo.
Em 2026, todos os principais clados continuavam circulando em diferentes regiões do mundo. O clado Ib, inicialmente concentrado na África, passou a apresentar transmissão também fora do continente.
No Brasil, a mpox continua sendo uma doença de notificação compulsória e casos continuam sendo diagnosticados. O país também já identificou casos do clado Ib. Segundo a atualização da Organização Pan-Americana da Saúde de 28 de agosto de 2026, cinco casos desse clado haviam sido reportados no Brasil até 31 de julho. A presença desses casos não significa que o país esteja vivendo uma epidemia semelhante à de 2022, mas reforça a necessidade de manter vigilância epidemiológica e capacidade diagnóstica.
- World Health Organization. Mpox – Fact sheet.
- World Health Organization. Clinical management and infection prevention and control for mpox: living guideline.
- World Health Organization. Vaccines and immunization for monkeypox: interim guidance / WHO position papers on smallpox and mpox vaccines.
- Organização Pan-Americana da Saúde. Atualizações epidemiológicas e relatórios regionais sobre mpox.
- Ministério da Saúde. Mpox – Saúde de A a Z.
- Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 3/2025-DATHI/DPNI/CGLAB/SVSA/MS.
- Isaacs SN, Mitjà O. Epidemiology, clinical manifestations, and diagnosis of mpox (formerly monkeypox). UpToDate. Literature review current through August 2026.
- Isaacs SN, Shenoy ES, Goldfarb IT. Treatment and prevention of mpox (formerly monkeypox). UpToDate.
- Isaacs SN, Friedman HM. Vaccines to prevent smallpox, mpox (monkeypox), and other orthopoxviruses. UpToDate.
- Tecovirimat for the Treatment of Mpox (STOMP/A5418). N Engl J Med. 2026;394:884-895.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Boa tarde Dr. Pedro. Sou aluna de enfermagem e achei o artigo muito didático.
Essa nova variante da mpox que está circulando agora é diferente da de 2022 que ficou famosa? Os sintomas são mais graves?
A mpox tem cura? Depois que todas as feridas cicatrizam a pessoa ainda pode transmitir o vírus?