BUPROPIONA – Para que Serve, Doses e Efeitos Colaterais

Antidepressivo muito utilizado quando o paciente pretende parar de fumar.

O Cloridrato de Bupropiona (Bupropiom, em Portugal), conhecido também pelos nomes comerciais Bup, Wellbutrin, Zetron e Zyban, é um fármaco da classe dos antidepressivos atípicos, cujas principais indicações são o tratamento da depressão e da dependência à nicotina.

Apesar de não ser um medicamento novo – ela existe desde a década de 1980 -, a bupropiona nos últimos anos tem ganhado bastante destaque nos sites e nas publicações não médicas, sendo equivocadamente tratada como o “antidepressivo da moda” ou a “nova droga da felicidade”. Também é comum vermos a bupropiona sendo divulgada como “novo tratamento para emagrecer”.

Neste artigo vamos fazer uma revisão sobre o Cloridrato de Bupropiona, abordando suas indicações, doses, efeitos colaterais e contra-indicações.

Atenção: esse texto não tem como objetivo reproduzir a bula completa do Cloridrato de Bupropiona. O que faremos é uma revisão crítica da bula, eliminando as partes com linguagem mais técnicas e comentando com um vocabulário mais acessível ao público leigo as informações mais importantes sobre esse medicamento.

O que é o Cloridrato de Bupropiona

A bupropiona foi lançada no mercado americano pela primeira vez em 1985 sob o nome comercial Wellbutrin. Na época, a dose preconizada era bem mais alta que a atual, e a venda do medicamento acabou sendo proibida em 1986 depois da identificação de diversos casos de crise convulsiva provocadas por intoxicação pelo fármaco.

Após novos estudos, a bupropiona voltou ao mercado em 1989, dessa vez com a dose máxima preconizada mais baixa (450 mg por dia).

O Cloridrato de Bupropiona é um antidepressivo atípico da classe de inibidores da recaptação de noradrenalina-dopamina. Esse fármaco age no sistema nervoso central aumentando a disponibilidade dos neurotransmissores noradrenalina e dopamina, que estão associados à sensação de bem-estar.

O mecanismo pelo qual a bupropiona reduz a vontade de fumar, auxiliando no tratamento da dependência ao cigarro, ainda não estão totalmente esclarecidos. Sabemos, porém, que alguns dos seus metabólitos agem sobre os receptores de nicotina no cérebro, e a própria ação do fármaco sobre os neurotransmissores noradrenalina e dopamina também influenciam no grau de dependência do paciente.

Para que serve a Bupropiona

A bupropiona só está aprovada para ser utilizada em três situações:

  • Depressão.
  • Transtorno afetivo estacional (uma forma de depressão que só aparece no inverno).
  • Tratamento da dependência da nicotina.

Qualquer outra indicação de uso da bupropiona que não sejam as três citadas acima são consideradas off-label, ou seja, situações nas quais o medicamento pode até ter algum efeito, mas ainda sem comprovação científica adequada nem aprovação das entidades governamentais reguladoras.

Os principais uso off-label da bupropiona são para:

  • Tratamento da obesidade.
  • Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).
  • Transtorno bipolar.
  • Disfunção sexual induzida por antidepressivos.

Falaremos um pouco mais das indicações off-label mais à frente, principalmente da sua suposta ação emagrecedora.

Nomes comerciais do Cloridrato de Bupropiona

A bupropiona já pode ser encontrada nas farmácias sob a forma genérica. Entre os nomes comerciais mais famosos estão:

  • Budep SR.
  • Bup.
  • Bupium.
  • Bupogran.
  • Inip.
  • Noradop.
  • Seth.
  • Wellbutrin XL*.
  • Wellbutrin SR.
  • Zetron.
  • Zetron XL*.
  • Zyban.

 * Formas de liberação prolongada que permitem toma única diária.

O Cloridrato de Bupropiona é habitualmente comercializado nas doses de 150 mg ou 300 mg, em caixas de 30 ou 60 comprimidos.

O preço médio da bupropiona varia de 50 reais (caixa de 30 comprimidos de 150 mg de marca genérica) até 200 reais (caixa de 60 comprimidos de 300 mg de algumas marcas comerciais). Em Portugal, o preço varia entre 20 a 36 euros.

Como existem muitas opções no mercado e os preços variam muito entre as farmácias e os laboratórios, sugerimos que você faça uma pesquisa cuidadosa antes de comprar a sua bupropiona. Em tese, todas elas têm a mesma eficácia, incluindo as formas genéricas.

Como tomar a bupropiona

Para diminuir o risco de eventos adversos, os fabricantes sugerem que os comprimidos de cloridrato de bupropiona sejam ingeridos inteiros, não devendo ser partidos, triturados, ou mastigados.

A ingestão do medicamento com alimentos não parece influenciar na sua eficácia.

1. Depressão:

A dose inicial costuma ser de 150 mg por dia. Se for bem tolerada, após 3 dias, a dose pode ser aumentada para 300 mg por dia (150 mg duas vezes por dia ou 300 mg em dose única nas formas de liberação prolongada).

Observações:

a) Nas formas de liberação prolongada (Wellbutrin XL ou Zetron XL), o comprimido de 300 mg pode ser tomado em dose única pela manhã. Nas formas de liberação rápida (todas as outras), a dose máxima de cada comprimido deve ser de 150 mg.

b) Muitos fabricantes sugerem que 300 mg  por dia seja a dose total máxima, mas estudos mostram que a dose de 450 mg por dia (150 mg, 3 vezes por dia) pode ser utilizada com segurança nos pacientes com depressão que, após várias semanas de uso, não respondem a dose 300 mg.

c) O tempo mínimo de intervalo entra cada uma das doses deve ser de 8 horas.

2. Transtorno afetivo estacional

A dose inicial costuma ser de 150 mg por dia. Se for bem tolerada, após 7 dias, a dose pode ser aumentada para 300 mg por dia (150 mg duas vezes por dia ou 300 mg em dose única nas formas de liberação prolongada).

3. Dependência do cigarro

A dose inicial costuma ser de 150 mg uma vez ao dia durante 3 dias. Se for bem tolerada, após 3 dias, a dose pode ser aumentada para 300 mg por dia (150 mg duas vezes por dia ou 300 mg em dose única nas formas de liberação prolongada).

Observações:

a) O tratamento deve ser iniciado pelo menos 1 semana antes da data estipulada para interrupção do cigarro, pois são necessários de 5 a 7 dias para que o fármaco alcance os níveis sanguíneos desejados. Habitualmente, sugere-se que o paciente tente parar de fumar somente na segunda semana de tratamento.

b) Apesar da habitual indicação para aumento da dose de 150 mg/dia para 300 mg/dia a partir do 4º dia de tratamento, há evidências de que a dose 150 mg por dia seja suficiente.

c) Se o doente deixar de fumar com sucesso, o medicamento deve ser mantido por pelo menos 12 semanas. Nos pacientes mais propensos à recaída, porém, o tratamento de manutenção pode durar até 1 ano.

d) Se até a sétima semana de tratamento, o paciente não tiver conseguido largar o cigarro, o sucesso é improvável e a descontinuação do medicamento deve ser considerada.

e) A taxa de sucesso da bupropiona para os pacientes que querem para de fumar é de cerca de 40 a 50%. Em comparação, a taxa de sucesso dos pacientes que tentam parar de fumar sem tratamento médico é de apenas 10 a 20%.

Para saber mais sobre o tratamento para deixar de fumar e sobre as doenças provocadas pelo tabagismo, leia: DOENÇAS DO CIGARRO – Como Parar de Fumar.

Uso off-label

Entre as indicações off-label da bupropiona, duas merecem alguns comentários: perda de peso e impotência sexual.

Bupropiona emagrece?

O Cloridrato de Bupropiona é uma substância estruturalmente semelhantes às anfetaminas, que são drogas conhecidas por causar perda do apetite.

No caso específico da bupropiona, essa ação anorexígena é pequena. Estudos mostram que a perda de peso total com o tratamento varia entre 0 e 2,5 kg. Isso significa uma perda de peso semelhante à que ocorre com outros antidepressivos e inferior àquela que a Sibutramina e o Orlistat costumam provocar.

Também é importante destacar que a perda de peso só ocorre em cerca de 20% dos pacientes. E em cerca de 10%, o efeito é o oposto, havendo pequeno ganho de peso ao longo do tratamento.

Portanto, tratar a bupropiona como uma droga altamente eficaz para emagrecer é simplesmente propaganda enganosa. A baixa eficácia associada à elevada taxa de efeitos colaterais (descritas mais à frente) fazem com que a bupropiona não seja o fármaco mais indicado para o tratamento da obesidade para a maioria dos pacientes.

Isso não significa, porém, que a sua pequena ação anorexígena não seja uma vantagem nos casos dos pacientes que estão tentando parar de fumar, uma vez que o ganho de peso é um dos efeitos mais comuns da suspensão do cigarro.

Disfunção sexual

Um dos efeitos adversos mais comuns dos antidepressivos em geral é a disfunção sexual, que pode se manifestar como impotência, perda da libido, anorgasmia ou alterações da ejaculação.

O Cloridrato de Bupropiona é um dos raros antidepressivos com pouco ou nenhum efeito sobre a função sexual.

Nos pacientes com disfunção sexual provocada por antidepressivos, o psiquiatra pode optar pela substituição simples do atual medicamento pela bupropiona ou pela associação dos dois antidepressivos.

Efeitos colaterais do Cloridrato de Bupropiona

Historicamente, o efeito adverso mais temido da bupropiona sempre foi a crise convulsiva. Porém, com a redução da dose máxima permitida, a ocorrência dessa complicação tornou-se rara, afetando menos de 0,1% dos pacientes.

A crise convulsiva quando ocorre geralmente é devida à ingestão acima da dose máxima permitida.

Apesar da convulsão ser rara atualmente, vários outros efeitos adversos são bastante comuns, vários deles com incidência acima de 30% (1 em cada 3 pacientes).

Nas doses atualmente preconizadas, os efeitos colaterais mais comuns e suas respectivas incidências são:

  • Taquicardia (coração acelerado) (11%).
  • Insônia (11% a 40%).
  • Dor de cabeça (25% a 34%).
  • Agitação (2% a 32%),
  • Boca seca (10% a 28%).
  • Constipação (8% a 26%).
  • Perda de peso (14% a 23%).
  • Náuseas e vômitos (23%).
  • Tonturas (6% a 22%).
  • Transpiração excessiva (5% a 22%).
  • Tremor (1% a 21%).
  • Visão turva (3% a 15%).
  • Faringite (3% a 13%).
  • Rinite (12%).
  • Falta de concentração (9%).
  • Ganho de peso (9%)
  • Ansiedade (3% a 8%).
  • Erupção cutânea (1% a 8%).
  • Diarreia (4% a 7%)
  • Flatulência (6%),
  • Zumbido (1% a 6%).
  • Distúrbios do sono (5%).
  • Dor torácica (≤ 4%).
  • Hipertensão (1% a 4%).
  • Fraqueza (4%)
  • Tosse (2% a 4%)
  • Prurido (2% a 4%).
  • Sonolência (2% a 3%).
  • Hipotensão (3%).
  • Comprometimento da memória (3%).
  • Úlcera da mucosa oral (2%).
  • Disfagia (dificuldade para engolir) (2%).

Contra-indicações

A bupropiona é contra-indicada nas seguintes situações:

  • Hipersensibilidade a bupropiona.
  • Pacientes com história de crise convulsiva, anorexia ou bulimia.
  • Pacientes submetidos à suspensão abrupta de álcool ou sedativos, incluindo benzodiazepínicos, barbitúricos ou antiepilépticos.
  • Uso de inibidores de MAO (simultaneamente ou dentro de 14 dias após descontinuação de bupropiona ou do inibidor de MAO).
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