Principais informações sobre a hemoglobina glicada
A hemoglobina glicada (HbA1c) é um exame que ajuda a estimar como estiveram, em média, os níveis de glicose no sangue ao longo dos últimos dois a três meses. As semanas mais recentes têm maior influência sobre o resultado, e o exame pode ser feito a qualquer hora do dia, sem necessidade de jejum.
Em pessoas que ainda não têm diagnóstico de diabetes, valores abaixo de 5,7% são considerados normais. Resultados entre 5,7% e 6,4% ficam na faixa de pré-diabetes, enquanto valores iguais ou superiores a 6,5% preenchem critério laboratorial para diabetes. Na ausência de sintomas típicos ou de hiperglicemia inequívoca, porém, esse diagnóstico geralmente precisa ser confirmado com outro resultado anormal.
Para quem já tem diabetes, a HbA1c deixa de ser interpretada como um exame de diagnóstico e passa a servir principalmente para avaliar o controle da doença. Para muitos adultos, a meta habitual é mantê-la abaixo de 7,0%, embora esse objetivo deva ser individualizado.
Também é importante lembrar que a HbA1c e a glicemia de jejum medem aspectos diferentes do controle da glicose. Por isso, uma glicemia de jejum normal pode coexistir com uma HbA1c elevada. Além disso, algumas condições, como anemia, hemólise, perda ou transfusão de sangue, doença renal avançada, uso de eritropoietina e certas variantes da hemoglobina, podem tornar o resultado da HbA1c menos confiável.
Entenda o resultado da sua HbA1c
Antes de entrarmos nas explicações, utilize a calculadora abaixo para entender o resultado da sua hemoglobina glicada.
Calculadora de hemoglobina glicada – HbA1c
Estas metas são destinadas a adultos. Em pessoas idosas com um estado de saúde muito complexo, como doença avançada, comprometimento cognitivo grave ou dependência funcional importante, geralmente não se recomenda basear o controle do diabetes em uma meta específica de HbA1c; a prioridade é evitar a hipoglicemia e a hiperglicemia sintomática.
Nota: o resultado tem finalidade informativa e educativa. A HbA1c não deve ser interpretada isoladamente quando existe suspeita de diabetes, quando os exames de glicose apresentam resultados discordantes ou quando há alguma condição capaz de interferir na medição.
O que é a hemoglobina glicada?
A dosagem da hemoglobina glicada, também chamada hemoglobina A1c ou simplesmente HbA1c, é um exame de sangue muito utilizado para avaliar os níveis médios de glicose ao longo dos últimos dois a três meses.
O termo hemoglobina glicosilada também é frequentemente utilizado, embora hemoglobina glicada seja a denominação mais adequada para o processo que ocorre no organismo.
A HbA1c é um dos principais exames utilizados para acompanhar pacientes com diabetes mellitus. Sua dosagem regular ajuda a avaliar se o tratamento está mantendo a glicemia dentro da meta e, consequentemente, reduzindo o risco de complicações associadas à hiperglicemia crônica, como lesões nos olhos, rins, nervos e vasos sanguíneos.
A hemoglobina glicada também pode ser utilizada para auxiliar no diagnóstico do pré-diabetes e do diabetes, com a vantagem de não exigir jejum.
Como a hemoglobina glicada estima a glicemia média?
A hemoglobina é uma proteína presente nas hemácias, as células vermelhas do sangue responsáveis pelo transporte de oxigênio.
A glicose que circula no sangue consegue se ligar espontaneamente à hemoglobina por um processo chamado glicação. Quanto maior for a exposição das hemácias à glicose, maior será a quantidade de hemoglobina glicada.
As hemácias permanecem na circulação por cerca de 120 dias. Como o sangue contém hemácias de diferentes idades, a HbA1c fornece uma visão integrada da exposição à glicose ao longo de aproximadamente dois a três meses.
Isso não significa, porém, que os três meses tenham exatamente o mesmo peso no resultado. As glicemias das semanas mais recentes influenciam mais a HbA1c do que aquelas ocorridas dois ou três meses antes.
Uma vez que a glicose se liga à hemoglobina, essa ligação permanece durante a vida daquela hemácia. Por isso, uma refeição isolada ou uma alteração da glicemia ocorrida apenas algumas horas antes da coleta praticamente não modifica o resultado.
Quanto mais elevada estiver a glicemia ao longo do tempo, maior será a proporção de hemoglobina glicada.

O resultado da HbA1c é apresentado em porcentagem e indica a proporção da hemoglobina que está glicada. Assim, uma HbA1c de 7% significa que cerca de 7% da hemoglobina analisada está ligada à glicose.
Nos indivíduos sem diabetes, a HbA1c costuma ser inferior a 5,7%. Em pacientes com diabetes muito descontrolado, valores acima de 10%, 12% ou até mais podem ocorrer.
Para que serve a HbA1c?
A principal vantagem da hemoglobina glicada é oferecer uma visão do comportamento da glicemia ao longo do tempo, enquanto a glicemia de jejum mostra apenas o nível de glicose naquele momento específico.
Imagine, por exemplo, um paciente com diabetes que passou os últimos meses seguindo irregularmente a dieta e o tratamento. Poucos dias antes de realizar os exames, ele começa a tomar corretamente os medicamentos e melhora a alimentação.
No dia da coleta, sua glicemia de jejum pode estar adequada. Se o médico analisasse apenas esse resultado, poderia ter uma impressão excessivamente otimista do controle do diabetes.
A HbA1c, porém, ainda refletiria grande parte do período anterior de hiperglicemia e mostraria que o controle nos últimos meses não foi tão bom quanto a glicemia daquele dia sugere.
Por esse motivo, a hemoglobina glicada é um dos principais exames utilizados no acompanhamento do diabetes.
Atualmente, porém, ela não é a única forma de avaliar o controle glicêmico. Glicemias capilares e, principalmente em pacientes que utilizam sensores, dados da monitorização contínua da glicose fornecem informações complementares importantes, como episódios de hipoglicemia, picos de glicose e tempo passado dentro ou fora da faixa desejada.
Duas pessoas podem, inclusive, apresentar a mesma HbA1c e ter perfis glicêmicos diferentes. Uma pode manter valores relativamente estáveis, enquanto outra alterna entre períodos de hipoglicemia e hiperglicemia. A média pode ser semelhante, mas o comportamento da glicose não é.
Portanto, a hemoglobina glicada tem duas aplicações principais:
- Ajudar no diagnóstico do pré-diabetes e do diabetes em pessoas que ainda não têm diagnóstico da doença.
- Avaliar o controle da glicemia e a resposta ao tratamento em pessoas que já têm diabetes.
Hemoglobina glicada como forma de diagnóstico do diabetes mellitus
A HbA1c pode ser utilizada para auxiliar no diagnóstico do diabetes, principalmente do diabetes tipo 2, e tem a vantagem de não exigir jejum.
Para pessoas sem diagnóstico prévio:
- HbA1c abaixo de 5,7%: não preenche critério de pré-diabetes.
- HbA1c entre 5,7% e 6,4%: faixa de pré-diabetes.
- HbA1c igual ou superior a 6,5%: critério diagnóstico de diabetes.
O exame utilizado para diagnóstico deve ser realizado por método laboratorial devidamente padronizado.
Uma HbA1c de 6,5% já confirma diabetes?
Depende do contexto. Na ausência de sintomas típicos acompanhados de hiperglicemia inequívoca, um resultado alterado precisa ser confirmado.
Essa confirmação não exige obrigatoriamente duas HbA1c colhidas em dias diferentes.
Ela pode ser feita de duas formas:
- Repetindo a HbA1c e obtendo novamente um valor igual ou superior a 6,5%.
- Utilizando outro exame diagnóstico de diabetes, como a glicemia de jejum ou a glicemia medida duas horas após o teste oral de tolerância à glicose (TOTG).
Por exemplo, se uma mesma avaliação laboratorial mostrar HbA1c de 6,7% e glicemia de jejum de 132 mg/dL, dois critérios diagnósticos diferentes estão alterados, o que confirma o diagnóstico.
Se apenas a HbA1c estiver alterada, enquanto a glicemia apresentar resultado normal, geralmente é necessário repetir o exame que ultrapassou o limite diagnóstico e considerar possíveis causas para a discordância.
Por outro lado, quando o paciente apresenta sintomas clássicos de hiperglicemia e uma glicemia ao acaso igual ou superior a 200 mg/dL, pode existir hiperglicemia inequívoca e a confirmação laboratorial adicional pode não ser necessária para estabelecer o diagnóstico.
Para uma explicação completa dos critérios diagnósticos, leia nosso artigo: Diagnóstico do diabetes mellitus.
Valores de HbA1c desejáveis para quem já tem diabetes
Para uma pessoa que já tem diagnóstico de diabetes, os valores acima não são utilizados para decidir se ela é “normal”, “pré-diabética” ou “diabética”.
Nesse caso, a HbA1c é comparada com a meta terapêutica definida para aquele paciente.
Para muitos adultos não gestantes com diabetes, uma HbA1c abaixo de 7,0% é uma meta adequada.
Essa meta reduz o risco de complicações relacionadas à hiperglicemia, mas não deve ser aplicada rigidamente a todos os pacientes.
O objetivo deve ser individualizado levando em consideração:
- Idade.
- Duração do diabetes.
- Expectativa de vida.
- Presença de doenças cardiovasculares ou renais.
- Risco de hipoglicemia.
- Episódios prévios de hipoglicemia grave.
- Capacidade de reconhecer hipoglicemias.
- Fragilidade.
- Limitações cognitivas ou funcionais.
- Medicamentos utilizados.
- Preferências e condições individuais do paciente.
Quando a meta pode ser abaixo de 7%?
Metas mais rigorosas, como HbA1c abaixo de 6,5%, podem ser apropriadas para alguns pacientes se forem alcançadas com segurança e sem hipoglicemias significativas ou carga excessiva de tratamento.
Isso pode ser considerado, por exemplo, em algumas pessoas mais jovens, com diabetes de menor duração e baixo risco de hipoglicemia.
Uma HbA1c mais baixa, entretanto, não é automaticamente melhor se for obtida às custas de episódios frequentes de hipoglicemia.
Quando uma meta mais alta pode ser aceitável?
Metas menos rigorosas podem ser mais seguras em pacientes com alto risco de hipoglicemia, múltiplas doenças, fragilidade importante, limitações funcionais ou cognitivas ou expectativa de vida reduzida.
Em alguns idosos com doenças associadas importantes, uma meta próxima de 8% pode ser apropriada.
Em pacientes muito frágeis ou com saúde muito comprometida, pode ser mais importante evitar hipoglicemia e hiperglicemia sintomática do que perseguir um determinado número de HbA1c.
Por isso, não existe um valor único de HbA1c ideal para todas as pessoas com diabetes.
A ilustração abaixo resume as atuais diretrizes da hemoglobina glicada para pacientes diabéticos:

Por que a HbA1c pode aparecer em % ou mmol/mol?
Tradicionalmente, a HbA1c é relatada como uma porcentagem. Por exemplo:
- HbA1c de 5,7%.
- HbA1c de 6,5%.
- HbA1c de 7,0%.
Essa forma de apresentação é conhecida como sistema NGSP/DCCT.
A Federação Internacional de Química Clínica e Medicina Laboratorial (IFCC) estabeleceu outro sistema de referência, no qual a HbA1c é apresentada em milimoles de HbA1c por mol de hemoglobina, ou mmol/mol.
Por isso, a unidade utilizada no laudo varia conforme o país e o laboratório, e alguns laboratórios apresentam as duas unidades simultaneamente.
Por exemplo, uma HbA1c de 6,5% corresponde a aproximadamente 48 mmol/mol, enquanto uma HbA1c de 7,0% corresponde a cerca de 53 mmol/mol.
Portanto, receber um resultado de 48 mmol/mol em vez de 6,5% não significa que tenha sido realizado um exame diferente. Trata-se apenas de outra forma de expressar a mesma concentração de hemoglobina glicada.
A calculadora disponível no início deste artigo permite converter automaticamente os valores entre % e mmol/mol.
Relação entre hemoglobina glicada, glicemia de jejum e glicemia média estimada
A partir da HbA1c é possível calcular uma estimativa da glicemia média dos últimos meses, chamada glicemia média estimada.
Essa estimativa permite transformar a porcentagem da HbA1c em mg/dL, a mesma unidade utilizada na glicemia de jejum e nos aparelhos de glicemia capilar.
A relação aproximada é a seguinte:
| HbA1c | IFCC | Glicemia média estimada |
| 4,0% | 20 mmol/mol | 68 mg/dl |
| 5,0% | 31 mmol/mol | 97 mg/dl |
| 5,5% | 37 mmol/mol | 111 mg/dl |
| 6,0% | 42 mmol/mol | 126 mg/dl |
| 6,5% | 48 mmol/mol | 140 mg/dl |
| 7,0% | 53 mmol/mol | 154 mg/dl |
| 7,5% | 59 mmol/mol | 169 mg/dl |
| 8,0% | 64 mmol/mol | 183 mg/dl |
| 8,5% | 69 mmol/mol | 197 mg/dl |
| 9,0% | 75 mmol/mol | 212 mg/dl |
| 9,5% | 80 mmol/mol | 226 mg/dl |
| 10% | 86 mmol/mol | 240 mg/dl |
| 10,5% | 91 mmol/mol | 255 mg/dl |
| 11% | 97 mmol/mol | 269 mg/dl |
| 11,5% | 102 mmol/mol | 283 mg/dl |
| 12% | 108 mmol/mol | 298 mg/dl |
| 13% | 119 mmol/mol | 326 mg/dl |
| 14% | 130 mmol/mol | 355 mg/dl |
A glicemia média estimada não é outro exame realizado no sangue. Ela é apenas um valor calculado a partir da HbA1c.
Por exemplo, uma HbA1c de 6,0% corresponde a uma glicemia média estimada de aproximadamente 126 mg/dL. Isso não significa que a glicemia do paciente tenha permanecido em 126 mg/dL durante todo o dia nem que sua glicemia de jejum seja de 126 mg/dL. Ao longo das últimas semanas, podem ter ocorrido valores bem menores e bem maiores que, em conjunto, produziram aproximadamente essa média.
Por que minha glicemia está normal, mas a hemoglobina glicada está alta?
A glicemia de jejum e a hemoglobina glicada medem aspectos diferentes do metabolismo da glicose.
A glicemia de jejum mostra a concentração de glicose em um momento específico, depois de várias horas sem alimentação. A HbA1c reflete a exposição média à glicose ao longo de várias semanas.
Por isso, é perfeitamente possível ter uma glicemia de jejum normal e uma HbA1c elevada.
Isso pode ocorrer, por exemplo, quando a glicemia permanece adequada durante o jejum, mas sobe excessivamente após as refeições ou em outros momentos do dia.
O contrário também é possível: uma glicemia de jejum elevada acompanhada de HbA1c ainda normal. Uma das explicações é que a elevação da glicose seja recente e ainda não tenha durado tempo suficiente para modificar significativamente a HbA1c.
Além disso, algumas doenças e situações clínicas podem fazer a HbA1c parecer artificialmente mais alta ou mais baixa do que seria esperado pela glicemia real.
Quando existe grande discrepância entre a HbA1c e as glicemias medidas, o correto não é simplesmente escolher um dos exames como “verdadeiro”. É preciso investigar a causa da discordância.
Ter HbA1c normal significa que minha glicose nunca fica alta?
Não. A HbA1c representa uma média. Ela não mostra diretamente todas as oscilações da glicemia.
Uma pessoa pode apresentar picos de glicose após as refeições e ainda manter uma HbA1c relativamente baixa se esses episódios forem compensados por glicemias menores durante o restante do dia.
Da mesma forma, a HbA1c não identifica adequadamente episódios de hipoglicemia.
Por esse motivo, principalmente em pacientes com diabetes tratados com insulina ou medicamentos capazes de provocar hipoglicemia, a HbA1c deve ser interpretada juntamente com as medições de glicose e, quando disponível, com os dados de monitorização contínua.
Quando a HbA1c pode não ser confiável?
A hemoglobina glicada é um exame bastante confiável na maioria das pessoas, mas seu resultado não depende apenas da quantidade de glicose no sangue. Ele também é influenciado pelo tempo que as hemácias permanecem na circulação e, em algumas situações, pelas características da própria hemoglobina ou pelo método utilizado pelo laboratório.
Por isso, algumas condições podem fazer a HbA1c parecer mais alta ou mais baixa do que seria esperado pela glicemia real.
As principais situações são:
- Anemia e alterações na vida média das hemácias: diferentes tipos de anemia podem afetar a HbA1c de maneiras distintas. Na anemia por deficiência de ferro, por exemplo, a HbA1c pode ficar artificialmente elevada. Já a hemólise e a perda recente de sangue reduzem o tempo médio de permanência das hemácias na circulação e podem produzir valores falsamente baixos. Portanto, o efeito da anemia sobre a HbA1c depende da sua causa.
- Transfusão de sangue recente: após uma transfusão, o sangue passa a conter hemácias do doador juntamente com as do próprio paciente. A HbA1c pode, temporariamente, não representar adequadamente a glicemia e pode ser deslocada tanto para cima quanto para baixo.
- Doença renal avançada: na doença renal crônica avançada, principalmente em pacientes em diálise, fatores como anemia, redução da sobrevida das hemácias, transfusões e uso de eritropoietina tornam a HbA1c menos confiável. Em pacientes em hemodiálise, ela pode subestimar a exposição real à glicose.
- Variantes da hemoglobina: hemoglobinopatias e variantes como HbS, HbC, HbE ou HbD podem interferir na medição da HbA1c. O efeito depende tanto da variante presente quanto do método utilizado pelo laboratório.
- Gravidez: durante a gestação, alterações fisiológicas, incluindo o aumento da renovação das hemácias, tendem a reduzir a HbA1c, o que modifica sua interpretação. Por isso, a HbA1c não é o exame utilizado para diagnosticar o diabetes gestacional, cujo diagnóstico se baseia em medições diretas da glicose, principalmente por meio da glicemia de jejum e do teste oral de tolerância à glicose.
Uma pista importante de interferência é uma discrepância persistente entre a HbA1c e as glicemias medidas. Por exemplo, o paciente apresenta repetidamente valores elevados de glicose, mas uma HbA1c inesperadamente baixa, ou o contrário.
O que fazer quando a HbA1c não é confiável?
Quando há suspeita de que a HbA1c não represente adequadamente o controle glicêmico, sua interpretação deve ser complementada por outras formas de avaliar a glicose, conforme a situação clínica.
Podem ser utilizados:
- Dosagens laboratoriais da glicose no sangue.
- Monitorização da glicemia capilar com glicosímetro.
- Monitorização contínua da glicose por sensores.
- Em situações selecionadas, outros marcadores laboratoriais, como frutosamina ou albumina glicada.
A escolha depende do motivo pelo qual a HbA1c está pouco confiável e do objetivo da avaliação, seja diagnosticar o diabetes ou acompanhar uma pessoa que já tem a doença.
O que fazer para baixar a hemoglobina glicada?
A HbA1c elevada não é uma doença em si. Ela é um marcador de que a glicemia ficou acima do desejado durante parte relevante das últimas semanas.
A forma de reduzi-la depende, portanto, da causa da hiperglicemia.
Em uma pessoa com pré-diabetes, as medidas mais importantes costumam envolver alimentação adequada, atividade física regular, redução do sedentarismo e perda de peso quando existe sobrepeso ou obesidade.
Em quem já tem diabetes, uma HbA1c acima da meta indica que o tratamento precisa ser reavaliado.
Essa avaliação inclui verificar:
- Alimentação.
- Atividade física.
- Peso corporal.
- Regularidade no uso dos medicamentos.
- Horários e doses prescritas.
- Episódios de hipoglicemia.
- Glicemias ao longo do dia.
- Doenças associadas.
- Medicamentos que possam elevar a glicemia.
- Necessidade de ajustar o tratamento antidiabético.
Nem sempre uma HbA1c elevada significa que basta aumentar a dose de um medicamento. O problema pode estar em picos de glicose após as refeições, interrupções do tratamento, ganho de peso, uso de corticoides, progressão do próprio diabetes ou diversos outros fatores.
Por esse motivo, medicamentos não devem ser aumentados, reduzidos ou substituídos apenas com base em uma HbA1c isolada e sem avaliação do restante do quadro.
Quanto tempo leva para a hemoglobina glicada baixar?
A HbA1c não muda completamente em poucos dias, mas também não é necessário esperar três meses para que qualquer melhora apareça.
Como as glicemias das semanas mais recentes têm maior influência sobre o resultado, uma melhora sustentada do controle glicêmico pode começar a reduzir a HbA1c dentro de algumas semanas.
Entretanto, um período de aproximadamente três meses permite avaliar de forma mais completa o efeito de uma mudança no tratamento ou nos hábitos de vida.
Perguntas frequentes (FAQ)
Como é feito o exame de hemoglobina glicada?
A HbA1c é medida por meio de um exame de sangue simples.
Não é necessário realizar teste de tolerância à glicose nem ingerir uma solução açucarada para medir a hemoglobina glicada.
É preciso estar em jejum para colher a hemoglobina glicada?
Não. A HbA1c pode ser colhida a qualquer hora do dia, independentemente da última refeição, porque seu resultado reflete a exposição à glicose ao longo das últimas semanas e não apenas a glicemia daquele momento.
Se outros exames forem colhidos simultaneamente, porém, eles podem exigir jejum.
Quais são os sintomas da hemoglobina glicada alta?
A HbA1c elevada não provoca sintomas por si própria. Ela apenas indica que a glicemia permaneceu elevada com frequência ao longo das últimas semanas.
Quando a hiperglicemia é importante, podem surgir sede excessiva, vontade frequente de urinar, cansaço, visão embaçada, aumento da fome, perda de peso, desidratação e infecções recorrentes.
Muitas pessoas com diabetes tipo 2, entretanto, podem apresentar HbA1c elevada sem qualquer sintoma perceptível.
Minha hemoglobina glicada deu 5,7%. O que significa?
Uma HbA1c de 5,7% já se encontra na faixa de pré-diabetes pelos critérios atualmente mais utilizados. Isso não significa que a pessoa tenha diabetes.
O resultado indica maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro, principalmente quando existem fatores como excesso de peso, sedentarismo, histórico familiar, hipertensão arterial ou síndrome dos ovários policísticos.
As principais medidas incluem atividade física regular, alimentação adequada, controle do peso quando necessário e acompanhamento periódico.
Dependendo do contexto clínico e dos demais exames, a HbA1c pode ser repetida posteriormente para confirmar a tendência.
Hemoglobina glicada baixa também pode ser um problema?
Não existe um limite inferior de HbA1c utilizado para diagnosticar uma doença específica da mesma forma que existem limites para pré-diabetes e diabetes. Algumas pessoas apresentam naturalmente valores baixos.
Entretanto, uma HbA1c inesperadamente muito baixa, principalmente quando não combina com as glicemias medidas, pode ocorrer quando as hemácias permanecem menos tempo na circulação, como em casos de hemólise, perda recente de sangue ou tratamento com eritropoietina.
Portanto, um resultado muito baixo e inesperado deve ser interpretado no contexto clínico.
HbA1c de 9%, 10% ou 12% é uma emergência?
Valores de 9%, 10% ou 12% indicam que a glicemia esteve bastante elevada ao longo das últimas semanas e que o diabetes está significativamente acima da meta habitual. Isso exige avaliação e revisão do tratamento.
Entretanto, a HbA1c isoladamente não determina se existe uma emergência naquele momento. Ela mostra o controle glicêmico crônico, não a glicemia atual.
A urgência depende principalmente da glicemia presente e dos sintomas.
Vômitos persistentes, desidratação importante, respiração rápida ou profunda, sonolência intensa, confusão mental, dor abdominal ou piora importante do estado geral em uma pessoa com glicemia muito elevada exigem avaliação médica imediata, pois podem indicar uma complicação aguda do diabetes.
De quanto em quanto tempo devo repetir a HbA1c?
Em pacientes com diabetes estável e dentro da meta, geralmente é suficiente medir a HbA1c pelo menos duas vezes por ano.
Quando o tratamento foi modificado, a HbA1c está acima da meta ou existem alterações relevantes do controle glicêmico, ela costuma ser repetida aproximadamente a cada três meses.
A frequência pode ser diferente conforme o quadro clínico de cada paciente.
- American Diabetes Association Professional Practice Committee. Diagnosis and Classification of Diabetes: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026.
- American Diabetes Association Professional Practice Committee. Glycemic Goals, Hypoglycemia, and Hyperglycemic Crises: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026.
- American Diabetes Association Professional Practice Committee. Older Adults: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026.
- National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). The A1C Test & Diabetes.
- National Glycohemoglobin Standardization Program (NGSP). Factors that Interfere with HbA1c Test Results. Atualizado em junho de 2026.
- Nathan DM, Kuenen J, Borg R, et al. Translating the A1C Assay Into Estimated Average Glucose Values. Diabetes Care. 2008;31(8):1473-1478.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
fiquei 2 meses sem tomar o clinfage 500mg, comecei tomar e fui fazer exame deu glicose 154 e hemoglobina glicada 8,
Boa noite,Dr. Sou diabética, glicose na media 160 e a glicada ,ultima vez que fiz o exame em Abril 7.9. Posso fazer o procedimento esclereoterapia (tratamento de varizes)com espuma? Obrigada
Minha hemoglobina glicosilada 5,9% e glicemia estimada 123mg/dl
A endócrino diz que não estou pré diabética.
Você pode explicar melhor Dr. pois o cardiologista diz que estou.
Você pode me esclarecer melhor??
Aguardo, obrigada.
Tenho 76 anos a 3 meses fiz o exame de hemoglobina glicada e o resultado deu,128mg/dl daí a médica receitou Glifage 500mg por 3 meses com algumas restrições alimentar e depois disso repetir o exame agora deu 134mg/dl já estou diabética?
Por favor retorne-me obrigada
Tenho a hemoglobina glicada de 6,9%.
HbA1c 52.
Glicemia media estimada 151.
A minha diabetes está controlada?
Obrigado
Glicemia em jejum 91
Hemoglobina glicada 5.8
Glicose média estimada 120
Está tudo bem?
Olá, a glicemia da minha mãe em jejum deu 180 e a glicada 9,2 porém o médico disse que para refazer o exame novamente, é seguro ficar esse tempo sem tomar remédio? Ele não passou remédio para ela tomar porque ela não sabia ainda se ela seria diabética, então é seguro ela ficar 2 meses sem tomar remédio até refazer o exame novamente?
Meu exame de dosagem de glicose em jejum foi 96 mg/dl; já o exame de HEMOGLOBINA GLICADA
FOI 4,9% E a estimativa da GLICEMIA MEDIA(eGM) foi de 93.9
ELES(os exames) PODEM CONSIDERADOS COMO NORMAIS
Dr minha hemoglobina glicada deu 6.2 glicose em jejum 96 e após 120 min 139
É compatível com pré? Consigo reverter e deixar de ser?
Dr. Tenho 36 anos. Minha Hemoglobina (A1c) (NGSP) 6.0%,Hemoglobina Glicada(A1c) (IFCC) 42mmo/mol, Glicemia média estimada 126mg/dL. Será que devo começar me preocupar?
Bom dia, meu esposo esta com glicemia em jejum 96, media 114,02 e hemoglobina 5,6 ainda não levamos ao médico, algumas literaturas falam que já é pré diabético, outras só que pode ter diabetes a um prazo curto, gostaria de sua orientação.
Dr ainda vou ter meu retorno com a medica endocrinologista que me passou alguns exames de sangue, estou preocupara , pois não entendo bem e meu exame de hemoglobina glicada deu : 5.15% e a glicose media 101.11 mg/dl Glicose72mg e insulina 4.83 uu , indica ao total pre diabetes ? devo me preocupar ?Meu pai tem diabetes
Tenho 47 anos e minha HbA1c deu 5,10% e Glicemia média estimada em 99,7. Devo me preocupar?
no começo do ano fiz um exame de hemogobina glicada deu 13 hj fiz um outro deu 5,7 … Consigo reverter ?
Estou dentro dos 40 e minha glicemia jejum foi 90 mg/dl
Hemoglobina glicada
HbAc% 5,6 %
Glicemia Media 113 mg/dl
O que significa?
Minha filha de 8 anos fez glicemia em jejum e deu 84 mg/dl, já a hemoglobina glicosilada deu 16,9 e o triglicérides deu 108. O que isso indica? Estou apavorada.
Sou Maria Rosa dos Santos, minha glicose deu 136 e a hemoglobina glicada 9,9%. Estou muito preocupada por causa do valor da hemoglobina glicada. Isso é muito sério?
Boa tarde! Meu exame de glicose em jejum deu 89.0
Hemoglobina glicada 5.6
Glicemia média estimada 114
Devo me considerar pre-diabetica?
Gostaria de uma Informação por favor
Meu exame o resultado
Hemoglobina Glicada (A1C) = 5,7%
Glicemia Média Estimada =116,9mg/dL
Glicemia Jejum = 88mg/dL
Esses resultados já mostrar que estou com a Diabetes?
Bom dia!
Minha irmã fez a Hemoglobina glicada e deu , 5.6, e a glicemia 106.
Ela já esta diabetica?
Minha glicemia em jejum deu 99 e a hemoglobina glicada 6,4 sou diabética?
Minha hemoglobina glicada deu 5.7
Sou pré diabética?
Olá, bom dia Dr. O resultado de Hemoglobina Glicada – HBA1C de minha mãe já hipertensa com 69 anos deu resultado de 13,2 num 1° exame e agora no 2° exame constou 14,6% . É uma prova de que está muito elevada e que precisa ser melhor controlada? É uma confirmação de que ela tem diabetes? Pq ela já toma medicamentos para tal doença pelo SUS mas eles se negam acompanhar mais de perto e dar um parecer preciso.
Hb glicada ( A1C ) 5,1%
glicose média estimada: 99,67% mg/dL
devo me preocupar?
Bom dia, o meu marido fez a análise hba1c ifcc (edta) e o resultado foi 43, quais os riscos que corre?