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22 de janeiro de 2011

MIOMA UTERINO | Sintomas, causas e tratamento

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O mioma, também chamado de leiomioma, é um tumor benigno originado do tecido muscular do útero. Neste texto vamos abordar as causas, os sintomas e o tratamento dos miomas uterinos.

O que é um mioma?

O mioma é um tumor benigno do útero, ou seja, uma lesão que não é câncer e nem apresenta risco de se transformar em um.

O útero é um órgão majoritariamente composto por músculos. O mioma é um crescimento anormal de uma área desta musculatura, formando geralmente uma tumoração com formato arrendondado. O mioma é composto exatamente pelo mesmo tecido do útero, sendo apenas uma lesão mais densa.

Existem quatro tipos de mioma, classificados de acordo com sua localização no útero. Acompanhe as explicações com a ilustração abaixo:

1. Mioma submucoso: são tumores que crescem logo abaixo do miométrio, a camada que recobre a parede interior do útero. O mioma submucoso se estende para dentro da cavidade uterina, podendo, quando grande, ocupar boa parte da mesma.

Classificação dos miomas de acordo com sua localização
2. Mioma subseroso: são tumores que crescem logo abaixo da serosa, a camada que recobre a parte externa no útero. Miomas subserosos dão ao útero uma aparência nodular

3. Mioma pediculado: são tumores subserosos que crescem e acabam se destacando do útero, ficando presos por um fino cordão, chamado de pedículo. O mioma pediculado pode crescer para dentro da cavidade uterina ou para fora do útero.

4. Mioma intramural: são tumores que crescem dentro da parede muscular do útero. Quando grandes, podem distorcer a parede externa como os miomas subserosos e/ou a parede interna como os miomas submucosos.

Causas e fatores de risco do mioma

O mioma é uma doença de mulheres em idade reprodutiva e apresenta relação com os hormônios estrogênio e progesterona. Os miomas não surgem antes da puberdade e são incomuns em adolescentes.

Não se sabe bem o que causa os miomas, sendo estes provavelmente o resultado de alterações genéticas, hormonais, vasculares e influências do meio externo.

Se as causas ainda não foram elucidadas, alguns fatores de risco para os miomas já são bem conhecidos:
  • História familiar: mulheres cujas mães ou irmãs tenham miomas, apresentam maior risco de também tê-los.
  • Raça negra: O mioma ocorre em todas as etnias, mas as mulheres afrodescendentes apresentam uma maior incidência. Além disso, neste grupo, os miomas costumam surgir mais cedo, ao redor dos 20 anos de idade.
  • Gravidez: mulheres que nunca engravidaram ou que tiverem sua primeira gravidez tarde apresentam maior risco de desenvolverem miomas.
  • Idade da menarca: quanto mais cedo for a idade da primeira menstruação, maior o risco de surgirem miomas.
  • Anticoncepcionais: a pilula costuma diminuir o risco de mioma e é, inclusive, uma das opções de tratamento: Todavia, quando meninas começam a tomá-la muito precocemente, antes dos 16 anos, parece haver um aumento no risco.
  • Bebidas alcoólicas: o consumo de bebidas, particularmente cerveja, aumenta o risco de miomas.
  • Hipertensão: mulheres hipertensas apresentam maior risco de terem miomas.
Sintomas do mioma

O mioma pode ser um tumor único ou vários tumores; pode ser minúsculo ou ter vários centímetros de diâmetro; pode causar sintomas ou ser completamente assintomático, passando despercebido por muito tempo.

A maioria dos miomas são pequenos e assintomáticos. Quando o mioma causa sintomas, estes normalmente se enquadram em uma das três categorias:

- Sangramento vaginal.
- Dor pélvica.
- Problemas reprodutivos.

O sangramento vaginal é o sintoma mais comum do(s) mioma(s), tipicamente se apresentando como uma menstruação mais volumosa e/ou que dura vários dias. Sangramentos vaginais que ocorrem fora dos períodos menstruais não costumam ser causados por miomas. Os miomas submucosos são aqueles que mais frequentemente se apresentam com sangramentos.

Dor ou uma sensação de peso na pelve é um sintoma comum dos miomas subserosos. Dependendo da localização, podem haver outros sintomas, como dificuldade para urinar no caso de miomas que comprimam a bexiga, prisão de ventre nos miomas próximos do reto e dor durante a relação sexual nos miomas localizados nas regiões mais anteriores do útero.

O mioma não interfere na ovulação, mas dependendo do seu tamanho e localização, pode atrapalhar uma eventual gravidez. Miomas grandes, múltiplos e que causam deformidade da cavidade uterina, mais comumente os intramurais e submucosos, podem aumentar o risco de complicações na gestação, como abortos, sangramentos, rotura do útero e problemas no parto. O risco de complicações aumenta quando a placenta encontra-se implantada sob um mioma. Os miomas subserosos não costumam casuar problemas na gestação.

O diagnóstico dos miomas normalmente é feito através do exame ginecológico e do ultrassom.

O mioma é uma causa possível de dismenorreia secundária (leia: CÓLICA MENSTRUAL | Sintomas e tratamento para entender o que dismenorreia).

Tratamento do mioma

Mulheres com miomas pequenos e assintomáticos não necessitam de tratamento. Na verdade, até 40% dos miomas regridem espontaneamente em um período de três anos.

Nas mulheres com sintomas, o tratamento inicial é geralmente feito com drogas, tentando reduzir os sangramentos e diminuir o tamanho dos miomas. Entre as opções estão os medicamentos análogos do GnRH, que induzem a uma temporária menopausa, inibindo a produção de estrogênios pelos ovários, os anticoncepcionais orais e o DIU com liberação de progesterona.

A cirurgia para o mioma torna-se uma opção quando:

- Os sintomas não respondem ao tratamento com drogas.
- Há intenção de engravidar e os miomas podem atrapalhar a gestação.
- Há dúvidas se os tumores são realmente miomas ou alguma lesão maligna.

A miomectomia é a cirurgia na qual retira-se apenas o mioma, mantendo-se o resto do útero intacto. Dependendo do tipo de mioma, a miomectomia pode ser feita por laparoscopia, incisão abdominal ou histeroscopia. Em até 1/4 dos casos, o mioma volta a crescer após algum tempo.

A embolização da artéria uterina é outra opção, sendo realizada com a colocação de um cateter dentro da artéria uterina, responsável pela vascularização do mioma, seguida da injeção de agentes que levam à formação de trombos causando interrupção do fluxo de sangue. A isquemia do mioma leva-o a "murchar" e desaparecer em algumas semanas.

A histerectomia, que é a retirada completa do útero, é a opção de tratamento nas mulheres mais velhas ou naquelas que não mais desejam ter filhos.

Vérsion en español:  MIOMA UTERINO

Dr. Pedro PinheiroAutor do artigo
Dr. Pedro Pinheiro - Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2002. Diploma reconhecido pela Universidade do Porto, Portugal. Título de especialista em Medicina Interna pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2005. Título de Nefrologista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) em 2007. Título de Nefrologista pelo Colégio Português de Nefrologia.

11 comentários:

Prezados Drs.
Parabéns pelo site, muito explicativo e de grande serventia para todos. Sou estudante de Ciências Biológicas e acho seu site excelente. Gostaria de se possível pedir que postasse algum texto sobre a Sindrome de Stevens Johnson. Grato. Almir.

Fiz miomectomia há 6 anos e no segundo ano após os miomas voltaram. Fiquei muito triste, comecei a tomar chás de unha de gato e uxi amarelo (há evidências que curam miomas) mas não é o meu caso.Infelizmente. Atualmente estou me deparando com pressão arterial alta. Quero saber se mioma pode causar a elevção da pressão arterial. Tenho 41 anos, nunca tive filhos. Que devo fazer? Me ajudem, por favor!!!! E.L.S.L.

@ELSL
Não há relação entre mioma e hipertensão.

vs esta de parabens pelo informativo

tenho miomas uterino e ja estou com 54 anos  meu fluxo de sangue  aumenta cada esses  mes 02/2012 tive uma  hemorragia fui ao  genecologista ele me passou um comprinido que tomei  por 10 dias , voltou a menstruação quero  fazer  a cirurgia mas sem retirar o utero e  sim  só os miomas,  é possivel? ficarei  imensamente  grata pela resposta no qual vai me tranquillllizar....obrigada!!

Há casos em que é necessário retirar o útero, há casos que não. O seu ginecologista é quem vai decidir qual a melhor opção para o seu caso.

eu conheço mulheres que já fizeram laquiadura de trompas tem miomas e mesmo assim engravidaram.

conheço mulheres que fizeram laquiadura ,tem miomas e engravidou.

tenho miomas, e dificuldade para engravidar o ideal seria a retirada cirurgica destes para que consiga engravidar?


luciana

quais probalidades de uma mulher engrvidar na menopausa se com a idade a tendencia e nao ter ovulos

Faz 14 dias que estou com sangramento vaginal e cada dia que passa ao invés de diminuir, está é aumentando. Já fui no ginecologista e ele me recomendou fazer uma ultrassonografia endovaginal abdominal e exames laboratoriais para certificar do diagnóstico de mioma. Caso seja mesmo indício de cirurgia, ele irá me operar. Ele está mesmo suspeitando que seja mioma, e de acordo com os sintomas, tenho quase a certeza de que realmente é um mioma. Só tenho medo de ter que passar por um processo cirúrgico. Tenho 48 anos e a idade não me permite mais ficar arriscando a vida de qualquer jeito. Mas se for preciso, terei realmente que operar.