FALTA DE AR – Causas e Tratamento

O cansaço e falta de ar são sintomas que costumam andar juntos, por isso, são muitas vezes tratados pelos pacientes como se fossem a mesma coisa. Mas não são. A falta de ar, designada na medicina como dispneia, é uma sensação de dificuldade para respirar. É a impressão de que a quantidade de ar que entra nos pulmões é insuficiente. Pode-se manifestar também como uma dificuldade para expulsar o ar já respirado.

O cansaço ou a fadiga, é a dificuldade de se realizar esforços, mesmo que mínimos, como escovar os dentes ou pentear os cabelos. Para saber mais sobre as causas de cansaço, leia: CANSAÇO | FADIGA | Principais causas.

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O cansaço e a falta de ar costumam estar juntos, mas podem surgir isoladamente. Neste texto vamos falar apenas sobre a falta de ar. O cansaço será abordado em um texto próprio.

A dispneia apesar de parecer um sintoma muito subjetivo, na verdade não é. A sensação de falta de ar realmente é muito individual, mas nós médicos, através do exame físico e de análises, conseguimos determinar muito bem a gravidade da dispneia.

Este detalhe é importante porque não é raro recebermos pacientes jovens e sem doenças queixando-se de dispneia devido a uma crise de ansiedade. Neste momento é importante saber distinguir quem tem uma dispneia real daqueles que acham que tem falta ar, quando na verdade não apresentam nenhum sinal de má oxigenação.

E uma vez estabelecida que a queixa de falta de ar realmente indica uma má oxigenação tecidual, é preciso quantificá-la para se avaliar a gravidade do caso.

Para poder distinguir as queixas de falta de ar da ansiedade das dispneias reais, é preciso entender como funciona a captação e utilização do oxigênio do ambiente.

O ar entra nas vias aéreas, desce pela traqueia e chega aos pulmões. Nos alvéolos pulmonares (que na verdade são microscópicos e não como está no desenho acima) ocorre o que chamamos de trocas gasosas. O oxigênio vai para o sangue, e o gás carbônico (CO2), que estava no sangue vai pra o alvéolo para ser devolvido às vias aéreas e expelido na respiração. Portanto, inspiramos oxigênio e expiramos gás carbônico.

O oxigênio não fica “solto” no sangue. Ele precisa das hemácias (glóbulos vermelhos) para ser transportado para os tecidos. Uma vez nos tecidos, as células usam o oxigênio para produzir energia. Este processo produz CO2, que é captado novamente pelas hemácias e levado em direção aos pulmões para se reiniciar o ciclo.

A falta de ar é um sintoma que surge quando o cérebro recebe a informação de que a quantidade de oxigênio nos tecidos está baixa e não é suficiente para a sobrevivência das células ou quando a quantidade de CO2 está alta.

A falta de ar verdadeira pode, então, acontecer por vários mecanismos:

– Quando o nível de oxigênio no ar está baixo.
– Quando algo obstrui nossas vias aéreas e não conseguimos respirar adequadamente.
– Quando o coração está fraco ou há alguma obstrução ao fluxo sanguíneo e não se consegue levar sangue oxigenado para os tecidos.
– Quando há algum problema no pulmão que impede a troca dos gases (gás carbônico e oxigênio).
– Quando o sangue não consegue transportar oxigênio adequadamente, como nos casos de anemia grave ou hemácias defeituosas.

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Assim que o cérebro recebe a informação de há má oxigenação dos tecidos, a primeira providência é aumentar a frequência e intensidade da respiração. Em adultos a frequência respiratória média varia entre 12 a 20 incursões por minuto. Chamamos de taquipnéia quando a frequência está acima de 20.

Não conseguimos contar a nossa própria frequência respiratória, pois uma vez que tomamos consciência da nossa respiração, ela passa a ser diferente. Quando nós médicos contamos a frequência respiratória dos pacientes, o fazemos sem que o mesmo se aperceba do fato.

O aumento da frequência respiratória é um processo de adaptação que ocorre a todo momento. Por exemplo, quando corremos precisamos gerar mais energia e por consequência, nossas células precisam de mais oxigênio. O que o cérebro faz? Aumenta a frequência respiratória e cardíaca. Mais oxigênio chega aos pulmões e mais sangue é transportado para os tecidos, resolvendo-se o problema.

Portanto, a primeira coisa que se faz frente a uma queixa de falta de ar, é contar a frequência respiratória. Não se espera que uma verdadeira falta de ar não venha acompanhado de aumento da frequência respiratória.

É importante salientar que uma pessoa com crise de pânico ou muito ansiosa pode perfeitamente estar respirando mais rápido pelo nervosismo, sem que isso indique falta de oxigenação real.

Quando a falta de ar começa a se intensificar, surgem alguns sinais de esforço respiratório. Um deles é o aumento e diminuição do diâmetro das narinas enquanto puxamos o ar. Este sinal é chamado de batimento de asa do nariz. Indica esforço para se puxar o ar.

Outros sinal de esforço é quando podemos notar a contração dos músculos do peito e da barriga enquanto se respira. O uso dos músculos acessórios da respiração é um sinal de desespero do organismo tentando aumentar de qualquer maneira o aporte de oxigênio para os pulmões.

Esse sinais podem ser vistos após exercícios extenuantes. Neste caso não há problemas pois após o repouso, em questão de minutos, a oxigenação adequada se restabelece.

Um sinal de gravidade da falta de ar é a presença de cianose, que é a tonalidade arroxeada dos dedos, lábios e nariz. Pessoas com problemas pulmonares crônicos apresentam um alargamento das pontas dos dedos, chamado de baqueteamento digital pelo fato dos dedos ficarem parecidos com baquetas de tambor.

Cianose
Cianose dos dedos e baqueteamento digital

Cianose
Cianose de lábios e nariz

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A hemácia quando rica em oxigênio fica avermelhada, e quando pobre, arroxeada. Quando as hemácias possuem pouco oxigênio, podemos notar esse tom mais roxo na regiões mais finas da pele como nas fotos acima. É um sinal de grave falta de oxigenação dos tecidos.

Nem todo mundo com dispnéia precisa se apresentar com os sinais de gravidade descritos acima. Pode-se ter apenas falta de ar e o único sinal ser a taquipnéia. Para se saber então se a dispnéia indica alguma doença ou não, temos que avaliar qual o grau de oxigenação do sangue.

Isto pode ser feito através do oxímetro de pulso, que é aquele aparelhinho que se coloca nos dedos dos pacientes. A saturação normal de oxigênio é maior que 95%. Valores abaixo de 90% indicam insuficiência respiratória.

OxímetroSe houver algum sinal clínico ou algo na história que aponte para uma causa de dispnéia, solicita-se uma gasometria arterial, uma análise onde se colhe sangue de uma artéria para se medir diretamente os níveis de oxigênio e CO2 do sangue.

Na gasometria identifica-se facilmente aqueles com falta de ar por ansiedade uma vez que o nível de oxigênio encontra-se bem alto e o de CO2 bem, baixo devido a rápida respiração, fato que não ocorre nas causas reais de dispneia.

Causas de falta de ar

– Asma (leia: ASMA | Sintomas, diagnóstico e tratamento).
– DPOC (bronquite crônica e enfisema pulmonar) (leia: DPOC – ENFISEMA E BRONQUITE CRÔNICA).
– Pneumonia (leia: SINTOMAS DA PNEUMONIA).
– Tuberculose (Leia: SINTOMAS DE TUBERCULOSE).
– Outras infecções pulmonares.
– Derrame pleural volumoso (leia: DERRAME PLEURAL | Tratamento, sintomas e causas).
– Edema pulmonar.
– Embolia pulmonar (leia: EMBOLIA PULMONAR).
– Hemorragia pulmonar.
– Câncer de pulmão (leia: CÂNCER (CANCRO) – SINTOMAS E DEFINIÇÕES).
– Infarto do miocárdio (leia: SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA).
– Insuficiência cardíaca (INSUFICIÊNCIA CARDÍACA – CAUSAS E SINTOMAS).
– Arritmia cardíaca (leia: PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS).
– Hipertensão pulmonar.
– Aspiração de corpo estranho.
– Obesidade mórbida (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA).
– Traumas.
– Asbestose (leia: MESOTELIOMA | ASBESTOSE | Doenças causadas pelo Asbesto).
– Defeitos ósseos na coluna ou tórax.
– Anemia (leia: SINTOMAS DA ANEMIA).
– Tamponamento cardíaco.
– Sepse (O QUE É SEPSE E CHOQUE SÉPTICO ?).
– Intoxicações.
– Anafilaxia (CAUSAS E SINTOMAS DO CHOQUE ANAFILÁTICO).
– Gravidez.
– Ansiedade.

Tratamento da falta de ar

O tratamento depende da causa. Se for devido a uma pneumonia, trata-se com antibióticos; Se for por insuficiência cardíaca, usa-se diuréticos; Se for anemia, trata-se com transfusão de sangue, e assim por diante.

Enquanto a causa da dispneia não for resolvida, é importante assegurar que o paciente tenha sempre saturações de oxigênio adequadas para não entrar em colapso.

Quando há saturação de O2 está reduzida, o tratamento deve ser feito com oxigênio suplementar. Se mesmo com oxigênio em volumes altos o paciente ainda não for capaz de manter boas saturações, faz-se necessária a intubação e adaptação a um ventilador mecânico.

Alguns pacientes com doença pulmonar crônica, tipo enfisema, precisam de oxigênio suplementar com frequência, e às vezes, passam mais de 12 horas por dia com O2 em máscara.

Falta de ar na gravidez

A dispneia é muito comum na gravidez. Até 2/3 das gestantes se queixam de falta de ar, fato que normalmente inicia-se no segundo trimestre. A dispneia da gestação costuma ser pior quando a grávida encontra-se sentada e não apresenta relação com esforço físico.

Alguns fatores contribuem para essa dispneia:

– Anemia que ocorre em toda gravidez.
– Elevação do diafragma pelo feto, principalmente no 3 trimestre
– Excesso de progesterona, que por si só causa aumento da frequência respiratória

Apesar de comum, é importante não confundir a dispnéia normal da gestante com dispneia causada por doenças pulmonares ou cardíacas que podem muito bem ocorrer em quem está grávida. Um exame físico e uma boa história clínica costumam fazer essa distinção.

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