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15 de abril de 2011

CANCRO MOLE | Haemophilus ducreyi

O cancro mole é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Haemophilus ducreyi e manifesta-se tipicamente como úlceras na região genital. O cancro mole também é conhecido pelos nomes de cancroide, úlcera mole venérea ou "cavalo". Neste texto vamos abordar a transmissão, diagnóstico e tratamento desta DST.

Estima-se que anualmente ocorram 6 milhões de novos casos de cancro mole no mundo, sendo esta doença mais comum em regiões mais pobres, como Africa, Asia e América Latina.

Transmissão do cancro mole

O Haemophilus ducreyi é uma bactéria altamente contagiosa capaz de penetrar a pele através de microscópicas feridas, como aquelas causadas pelo atrito do ato sexual. Não é preciso haver ejaculação para que ocorra a transmissão, e a bactéria pode ser transmitida através do sexo pela via anal, vaginal ou oral.

Tocar nas lesões contamina os dedos, que podem transportar a bactéria até outros pontos do corpo como a cavidade oral, por exemplo.


O cancro mole é cerca de 20x mais comum em homens do que em mulheres. Entre os homens, a doença é mais comum naqueles não circuncidados.

Sintomas do cancro mole

O período médio de incubação do cancro mole é de 4 a 10 dias, porém há casos em que a lesão surge já no dia seguinte e casos que demoram mais de 30 dias para aparecer.

O quadro inicia-se com uma pequena lesão avermelhada, que rapidamente se transforma em uma pústula (ferida com pus) e posteriormente em uma úlcera, a lesão típica do cancroide.

Cancro mole
Cancro mole 
(clique para ampliar. Atenção: a imagem acima contém fotos que podem ser ofensivas para certas pessoas)

A úlcera do cancro mole costuma medir 1 a 2 cm de diâmetro e é muito dolorosa. A base da lesão costuma ser inflamada e purulenta, sangrando facilmente com atrito. O paciente contaminado normalmente apresenta mais de uma úlcera em sua região genital, tipicamente 1 a 4 lesões ao mesmo tempo.

No homem, as úlceras do cancro mole acometem principalmente o prepúcio, o sulco balanoprepucial e a região perianal (em homossexuais passivos); na mulher, grandes e pequenos lábios, fúrcula, colo uterino e região perianal.

Em cerca de 50% dos casos também há o bubão inguinal, que é o acometimento dos linfonodos da região inguinal (virilha) pelo cancro mole. O bubão costuma ser unilateral e surge de 1 a 2 semanas após as úlceras do cancro mole; é uma lesão dolorosa e inchada, que quando estoura, drena uma grande quantidade de pus. Tanto a úlcera quanto o pus do bubão são altamente contagiosos.

Bubão - cancroide
Bubão do cancro mole
(clique para ampliar. Atenção: a imagem acima contém fotos que podem ser ofensivas para certas pessoas)

A presença do cancro mole aumenta o risco de contaminação pelo HIV e por outras DSTs.

O diagnóstico laboratorial do cancro mole é de difícil realização.Geralmente o diagnóstico é feito de modo empírico, baseado no aspecto clínico das lesões e nos exames negativos para sífilis e herpes genital.

Diagnóstico diferencial do cancro mole

O diagnóstico diferencial do cancro mole deve ser feito com outras DST que cursam com úlceras genitais, nomeadamente:
  • Donovanose - Costuma apresentar úlcera indolor e sem acometimento dos linfonodos inguinais.
  • Linfogranuloma Venéreo - Úlceras pequenas, agrupadas e indolores, semelhantes ao que ocorre no herpes genital.

Tratamento do cancro mole

O tratamento do cancroide é simples e apresenta taxas de cura acima de 90%. Atualmente as três opções mais usadas são:

- Azitromicina : 1 g por via oral, dose única,
- Ceftriaxona : 250 mg intramuscular, dose única.
- Ciprofloxacina 500mg via oral, 12/12 horas por 3 dias.

As úlceras começam a melhorar com 48h de tratamento. Se após 7 dias não houver sinais de melhora, é preciso voltar ao médico para reavaliar o tratamento. Os motivos mais comuns para falha no tratamento são:

- Diagnóstico errado de cancro mole
- Cancro mole em pacientes com HIV
- Coinfecção por outra DST que também cursa com úlceras
- Resistência ao antibiótico.

Dr. Pedro PinheiroAutor do artigo
Dr. Pedro Pinheiro - Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2002. Diploma reconhecido pela Universidade do Porto, Portugal. Título de especialista em Medicina Interna pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2005. Título de Nefrologista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) em 2007. Título de Nefrologista pelo Colégio Português de Nefrologia.

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