Principais informações sobre pressão arterial normal
A pressão arterial ideal em adultos é abaixo de 120/80 mmHg, valor popularmente conhecido como “menor que 12 por 8”. Leituras entre 120/80 e 139/89 mmHg não costumam ser emergência, mas já indicam que a pressão deve ser acompanhada, principalmente se forem frequentes.
No Brasil, a hipertensão arterial geralmente é confirmada quando a pressão se mantém igual ou acima de 140/90 mmHg, ou “14 por 9”, em medidas feitas corretamente e em mais de uma ocasião.
Uma única medida alterada não significa necessariamente hipertensão. Estresse, dor, exercício recente, café, cigarro, bexiga cheia, conversa durante a aferição ou erro na técnica podem elevar a pressão temporariamente.
Em termos práticos: abaixo de 120/80 é ideal; entre 120/80 e 139/89 é uma faixa de atenção; 140/90 ou mais deve ser investigado; e valores em torno de 180/110 ou 180/120 exigem avaliação imediata, sobretudo se houver sintomas.
Tabela de pressão arterial: valores normais e alterados
A forma mais prática de saber se a pressão está normal é comparar os dois números da medida: a pressão sistólica, que é o primeiro valor, e a pressão diastólica, que é o segundo.
Na linguagem popular, uma pressão de 120/80 mmHg costuma ser chamada de “12 por 8”. Da mesma forma, 140/90 mmHg é o mesmo que “14 por 9”.
| Pressão arterial | Como costuma ser interpretada |
|---|---|
| Menor que 120/80 mmHg | Pressão ideal para a maioria dos adultos. |
| 120–129 e menor que 80 mmHg | Pressão um pouco acima do ideal, mas ainda sem hipertensão. |
| 130–139 ou 80–89 mmHg | Faixa de atenção; merece acompanhamento, principalmente se for frequente. |
| 140/90 mmHg ou mais | Valor compatível com hipertensão se confirmado em novas medições. |
| 180/110 ou 180/120 mmHg ou mais | Pressão muito elevada; exige orientação médica imediata, especialmente se houver sintomas. |
A pressão deve ser interpretada pelo valor acima do valor. Por exemplo, se a pressão for 128/92 mmHg, a sistólica está abaixo de 140, mas a diastólica está acima de 90; portanto, o resultado não deve ser considerado normal.
Da mesma forma, uma pressão de 145/78 mmHg também é alterada, porque a pressão sistólica está acima de 140, mesmo com a diastólica normal.
Por isso, não basta olhar apenas para o primeiro ou para o segundo número: qualquer um dos dois valores, quando persistentemente elevado, pode indicar hipertensão arterial.
O que é a pressão arterial?
A pressão arterial é a pressão que o sangue exerce sobre as paredes das artérias. Vamos fazer uma analogia: imaginem uma mangueira toda vazia e murcha. Conforme abrimos a água, a pressão dentro da mangueira eleva-se e as suas paredes distendem-se. Como a mangueira é um sistema aberto, por mais que a gente abra a torneira, o fato de a água sair por uma das extremidades impede que a pressão sob a parede da mangueira fique muito elevada.
No corpo humano, porém, o sistema circulatório é um sistema fechado, se a pressão dentro dos vasos for se elevando, o sangue não tem para onde ir, e a única coisa que o organismo pode fazer é distender os vasos sanguíneos de forma a comportar o volume sanguíneo circulante.
Teoricamente, os vasos sanguíneos são autorreguláveis, ou seja, eles se dilatam ou se comprimem conforme o volume de sangue circulante, para manter a pressão arterial mais ou menos constante.
Se o volume de sangue diminui um pouco, os vasos se comprimem (vasoconstrição); se o volume de sangue aumenta um pouco, os vasos dilatam-se (vasodilatação). É lógico que existe um limite, se o volume de sangue diminui muito ou aumenta de forma excessiva, por mais que as artérias se comprimam ou se expandam, elas não vão conseguir manter a pressão arterial em um nível adequado.

Portanto, você já consegue entender que uma das causas da hipertensão arterial é um aumento excessivo do volume de sangue dentro dos vasos sanguíneos. Esse excesso costuma ocorrer quando o organismo retém muito sal e água. Porém, a maioria dos pacientes hipertensos não tem excesso de líquidos no organismo, pelo menos não o suficiente para ultrapassar a capacidade de dilatação dos vasos. O que ocorre é uma falha na capacidade de autorregulação. As artérias ficam sempre mais comprimidas do que o necessário para a pressão arterial ficar normal.
A origem da perda da capacidade de autorregular a pressão arterial, que dá origem à hipertensão, é um processo complexo e ainda não bem esclarecido. Ele envolve fatores genéticos, quantidade de sal (sódio) no organismo, capacidade dos rins de lidarem com o volume de água corporal, produção de hormônios que agem diretamente sobre a parede dos vasos sanguíneos e a própria saúde das artérias, que precisam estar capazes de se contrair e dilatar adequadamente.
Quanto menor for a capacidade dos vasos se autorregularem conforme o volume de sangue presente, maior é o risco do paciente desenvolver hipertensão arterial. Os casos mais graves costumam ser aqueles nos quais o paciente tem um real excesso de volume e seus vasos são incapazes de dilatar para comportar o aumento da pressão sobre suas paredes.
O que são a pressão arterial sistólica e diastólica?
Para podermos entender o que é uma pressão arterial normal, precisamos antes compreender a forma como descrevemos os valores da pressão. Por exemplo, você sabe o que significa dizer que um paciente tem pressão arterial de 120/80 mmHg?
O coração bombeia o sangue através dos seus batimentos. Quando o coração se contrai, ele expulsa o sangue do seu interior em direção aos vasos. Quando ele relaxa, volta-se a encher de sangue. Essa alternância de contração e relaxamento ocorre, em média, de 60 a 100 vezes por minuto. O coração enche e esvazia, enche e esvazia… A pressão sob as paredes das artérias é pulsátil, ou seja, aumenta na fase de contração do coração e diminui na fase de relaxamento.
A contração do músculo cardíaco é chamada de sístole. Portanto, a pressão sistólica é aquela que ocorre durante a sístole. O relaxamento do músculo cardíaco é chamado de diástole, logo, pressão diastólica é aquela que ocorre durante a diástole. A pressão arterial atinge o seu maior valor durante a sístole e o menor durante a diástole. Por isso, elas também são chamadas de pressão máxima e pressão mínima.
A aferição da pressão arterial é descrita sob a unidade milímetros de mercúrio (mmHg). Logo, se o paciente tem uma pressão arterial de 120/90 mmHg, isso significa que a pressão máxima sobre a parede da artéria, que ocorre durante a sístole, é de 120 mmHg e a pressão mínima, que ocorre durante a diástole, é de 80 mmHg.
O público leigo costuma chamar de 12/8 (12 por 8), mas, na verdade, a forma correta é 120/80 (120 por 80), pois este é o valor da pressão em milímetros de mercúrio.
Entendendo os valores normais da pressão
A pressão arterial não tem um ponto exato em que passa de “segura” para “perigosa”. O risco cardiovascular aumenta de forma gradual: quanto mais alta e mais persistente for a pressão, maior tende a ser o risco de lesões nos vasos sanguíneos, coração, rins, cérebro e retina.
Quando as artérias são submetidas por anos a níveis elevados de pressão, suas paredes sofrem maior tensão. Esse processo favorece a perda de elasticidade, formação de placas de aterosclerose, maior risco de trombose, AVC, infarto, insuficiência renal e sobrecarga do coração. Com o tempo, o coração precisa trabalhar contra uma resistência maior e pode dilatar ou perder força, levando à insuficiência cardíaca.
Por isso, a pressão arterial considerada ideal é aquela que mantém baixo o risco de lesão vascular e de sobrecarga cardíaca. Em adultos, o valor ideal é abaixo de 120/80 mmHg.
Atualmente, porém, há uma diferença importante entre a classificação brasileira e a americana. As diretrizes americanas consideram hipertensão estágio 1 a partir de 130/80 mmHg. Já as diretrizes brasileiras mantêm o diagnóstico de hipertensão arterial a partir de 140/90 mmHg, desde que o valor seja confirmado em medidas repetidas e corretamente realizadas.
Na prática, isso significa que uma pressão de 130/80 mmHg não deve ser ignorada, mas também não é classificada da mesma forma em todos os países. No Brasil, ela costuma ser interpretada como uma faixa de atenção ou pré-hipertensão; nos Estados Unidos, pode ser classificada como hipertensão estágio 1.
Pela classificação brasileira atual, os valores em adultos são organizados da seguinte forma:
| Classificação | Pressão sistólica | Pressão diastólica |
|---|---|---|
| Pressão arterial normal | Menor que 120 mmHg | E menor que 80 mmHg |
| Pré-hipertensão | 120 a 139 mmHg | E/ou 80 a 89 mmHg |
| Hipertensão estágio 1 | 140 a 159 mmHg | E/ou 90 a 99 mmHg |
| Hipertensão estágio 2 | 160 a 179 mmHg | E/ou 100 a 109 mmHg |
| Hipertensão estágio 3 | 180 mmHg ou mais | E/ou 110 mmHg ou mais |
Valores muito elevados, especialmente em torno de 180/110 mmHg ou mais, exigem orientação médica imediata. Se houver dor no peito, falta de ar, confusão mental, alteração na fala, fraqueza em um lado do corpo, perda visual ou dor de cabeça súbita e intensa, o atendimento deve ser de urgência.
Temos um texto específico sobre crise hipertensiva, que pode ser acessado através deste link: Crise hipertensiva – hipertensão maligna.
Valores das diretrizes americanas
Atualmente, pela classificação americana da American Heart Association e do American College of Cardiology, os níveis de pressão arterial em adultos são divididos da seguinte forma:
- Pressão arterial normal: pressão sistólica menor que 120 mmHg e pressão diastólica menor que 80 mmHg.
- Pressão arterial elevada: pressão sistólica entre 120 e 129 mmHg e pressão diastólica menor que 80 mmHg.
- Hipertensão estágio 1: pressão sistólica entre 130 e 139 mmHg ou pressão diastólica entre 80 e 89 mmHg.
- Hipertensão estágio 2: pressão sistólica igual ou maior que 140 mmHg ou pressão diastólica igual ou maior que 90 mmHg.
- Hipertensão grave ou crise hipertensiva: pressão sistólica acima de 180 mmHg e/ou pressão diastólica acima de 120 mmHg, especialmente se houver sintomas como dor no peito, falta de ar, alteração na fala, fraqueza em um lado do corpo, confusão mental ou alteração visual.
É importante destacar que esses valores servem para classificar a pressão e ajudar no diagnóstico, mas não são necessariamente os mesmos alvos usados no tratamento de quem já tem hipertensão. As metas de pressão em pacientes em uso de medicamentos dependem da idade, risco cardiovascular, presença de diabetes, doença renal crônica, doença cardiovascular, fragilidade, efeitos colaterais e tolerância ao tratamento.
Em muitos adultos hipertensos, especialmente aqueles com maior risco cardiovascular, diabetes ou doença renal crônica, o médico pode buscar valores abaixo de 130/80 mmHg, desde que isso seja seguro e bem tolerado. Em idosos frágeis ou pacientes com tonturas, quedas, hipotensão postural ou múltiplas doenças, a meta pode precisar ser individualizada para evitar queda excessiva da pressão.
Por que a classificação da pressão arterial vem mudando ao longo dos anos?
Os valores usados para classificar a pressão arterial podem mudar ao longo dos anos porque as diretrizes são atualizadas conforme surgem novos estudos. Esses estudos avaliam, por exemplo, a partir de quais níveis de pressão o risco de infarto, AVC, insuficiência renal e morte cardiovascular começa a aumentar de forma relevante, e em quais grupos o tratamento mais precoce realmente traz benefício.
À medida que novas evidências científicas se acumulam, as diretrizes precisam ser atualizadas para incorporar esse conhecimento à prática clínica.
Além disso, as diretrizes não levam em conta apenas o número da pressão. Elas também consideram o equilíbrio entre benefício e risco do tratamento, a idade do paciente, a presença de diabetes, doença renal ou doença cardiovascular, o risco de efeitos colaterais dos medicamentos e a realidade de cada sistema de saúde. Por isso, diferentes sociedades médicas podem adotar pontos de corte um pouco distintos, mesmo analisando evidências semelhantes.
Valores normais de pressão arterial nas crianças
A definição de hipertensão nas crianças é mais complexa, pois depende do percentil de altura em que ela se encontra. Por exemplo, uma criança de 5 anos que esteja no percentil 10 de altura é considerada hipertensa se tiver valores persistentemente acima de 109/70 mmHg. Já uma criança, também de 5 anos, mas no percentil 90 de altura precisa ter valores frequentemente acima de 115/74 mmHg para ser diagnosticada com hipertensão.
Existem tabelas com os valores de pressão arterial aceitáveis conforme a idade e com os percentis 5, 10, 25, 50, 75, 90 e 95 de altura. São dezenas de valores possíveis, por isso, não é possível sabê-los de cor. Após aferir a pressão da criança, é preciso definir em que percentil de altura ela está para poder, através da tabela, interpretar os seus níveis de pressão arterial.
Pressão arterial normal nas grávidas
Os valores da pressão arterial nas grávidas devem ser os mesmos que nos adultos em geral. Portanto, o normal para uma gestante é ter uma pressão menor que 140/90 mmHg.
Porém, apesar dos valores de referência da pressão arterial serem os mesmos, a indicação para começar tratamento com medicamentos é diferente, pois não há benefícios claros com o controle muito rigoroso da pressão nas grávidas, e ainda há o risco de efeitos colaterais para o feto.
Na grávida existem três tipos de hipertensão:
- Hipertensão de início durante a gravidez.
- Hipertensão crônica, já preexistente antes da gravidez.
- Pré-eclâmpsia / eclâmpsia.
Se a hipertensão é de início recente, ou seja, não existia antes e apareceu durante a gravidez, a maioria dos médicos opta por não indicar tratamento com medicamentos, a não ser que os valores fiquem acima de 160 mmHg de pressão sistólica ou 110 mmHg de pressão diastólica. Se a após 12 semanas do parto a hipertensão ainda estiver presente, aí, sim, o tratamento com medicamentos deve ser considerado para mulheres com pressão arterial acima de 140/90 mmHg.
Se a paciente já era hipertensa antes de ficar grávida, ela deve continuar o tratamento da hipertensão, tendo cuidado apenas para não usar drogas que possam fazer mal ao feto. Todavia, se a paciente durante a gestação tiver níveis pressóricos abaixo de 120/80 mmHg, os medicamentos podem ser reduzidos ou suspensos, contanto que, com isso, os valores da pressão não ultrapassem os 150/100 mmHg.
O tratamento da pré-eclâmpsia e da eclâmpsia já foram discutidos em um artigo à parte, que pode ser acessado através do link: Eclâmpsia e pré-eclâmpsia – Sintomas e tratamento.
Perguntas frequentes (FAQ)
Pressão 12 por 8 é normal?
Sim. A pressão 120/80 mmHg, ou “12 por 8”, fica no limite superior do que muitas diretrizes consideram normal. Não é um valor perigoso, mas também não significa que a pressão deva subir mais sem atenção. O ideal é mantê-la abaixo disso quando possível, principalmente com controle do peso, alimentação saudável, pouca ingestão de sal, atividade física regular e acompanhamento médico periódico.
Uma medida isolada alterada já significa hipertensão?
Não. A pressão arterial varia ao longo do dia. Ela pode subir com estresse, dor, esforço físico, cafeína, cigarro, sono ruim, bexiga cheia, conversa durante a medição ou uso de manguito inadequado.
Para interpretar melhor, a pressão deve ser medida com a pessoa sentada, em repouso por pelo menos 5 minutos, com o braço apoiado na altura do coração, sem falar durante a aferição. Quando os valores ficam repetidamente altos, o médico pode solicitar medidas em casa, para confirmar se há hipertensão sustentada, hipertensão do avental branco ou hipertensão mascarada.
Qual é a pressão arterial normal em idosos
Em idosos, a pressão sistólica, o primeiro número, tende a subir com a idade por causa da maior rigidez das artérias. Mesmo assim, isso não significa que valores altos devam ser considerados automaticamente “normais da idade”.
Uma pressão persistentemente acima de 140/90 mmHg deve ser avaliada. Em idosos frágeis, com tonturas, quedas, doença cardiovascular ou uso de vários medicamentos, o alvo de tratamento pode precisar ser individualizado para evitar pressão baixa excessiva e hipotensão postural.
Quando a pressão alta indica procurar atendimento médico?
Procure orientação médica se a pressão ficar repetidamente acima de 140/90 mmHg, mesmo sem sintomas. A hipertensão costuma ser silenciosa, mas aumenta o risco de infarto, AVC, insuficiência renal, insuficiência cardíaca e lesões nos vasos sanguíneos.
Procure atendimento com urgência se a pressão estiver em torno de 180/110 ou 180/120 mmHg ou mais, especialmente se houver dor no peito, falta de ar, fraqueza em um lado do corpo, alteração na fala, confusão mental, perda visual, desmaio, dor de cabeça súbita e intensa ou sintomas neurológicos.
Resumo em vídeo
Antes de seguirmos em frente, assista a esse curto vídeo que explica o que é a hipertensão arterial:
- High Blood Pressure – National Heart, Lung, and Blood Institute – NIH.
- Understanding Blood Pressure Readings – American Heart Association.
- How High Blood Pressure is Diagnosed – American Heart Association.
- Clinical Practice Guideline for Screening and Management of High Blood Pressure in Children and Adolescents – American Academy of Pediatrics.
- 2017 ACC/AHA/AAPA/ABC/ACPM/AGS/APhA/ASH/ASPC/NMA/PCNA Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation, and Management of High Blood Pressure in Adults: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines – Hypertension.
- Overview of hypertension in adults – UpToDate.
- Evaluation of hypertension in children and adolescents – UpToDate.

Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
oi, minha pressão esta 132 por 76 e sinto muitas tonturas e pressão na cabeça, isso é normal?
Tenho 60 anos. Hoje minha pressão estava 12×6. Está normal?
tenho 15/8, há problemas?
Boa noite tenho 22 anos e hoje minha pressão foi a 14×09 isso é preocupantes por causa da minha idade ?