Raiva humana: o que é, transmissão, sintomas e vacina

Atualizado:
1 ago. 2026
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1 ago. 2026

Principais informações sobre a raiva humana

A raiva é uma infecção viral que provoca encefalite, inflamação grave do tecido cerebral, e é quase sempre fatal depois que os sintomas neurológicos se iniciam. A doença, porém, pode ser prevenida quando a profilaxia é realizada antes do aparecimento dos sintomas.

Após mordida, arranhão ou contato da saliva de um mamífero com os olhos, a boca ou a pele ferida, lave imediatamente a área com água corrente e sabão por pelo menos 15 minutos e procure uma unidade de saúde.

A profilaxia pode incluir a vacina antirrábica e, nas exposições consideradas graves, o soro ou a imunoglobulina antirrábica. A indicação depende do animal envolvido, do tipo e do local da lesão, da possibilidade de observar o animal e do histórico de vacinação da pessoa.

Cães e gatos saudáveis e disponíveis podem, em determinadas situações, ser observados por dez dias. Se o animal adoecer, morrer ou desaparecer durante esse período, o serviço de saúde deve ser imediatamente informado.

O contato direto com morcegos exige avaliação médica urgente, mesmo quando não existe mordida ou arranhão visível. As lesões provocadas por esses animais podem ser muito pequenas e passar despercebidas.

Não espere pelo aparecimento de sintomas. Quando os sinais neurológicos da raiva começam, a doença já não dispõe de um tratamento comprovadamente eficaz.

O que é a raiva humana?

A raiva é uma zoonose, isto é, uma doença transmitida de animais para seres humanos, causada por vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae. É uma das doenças infecciosas mais graves conhecidas, pois, depois que os sintomas neurológicos aparecem, a taxa de mortalidade é de praticamente 100%.

Apesar dessa elevada letalidade, a raiva pode ser prevenida. A primeira vacina contra a doença foi desenvolvida ainda no século XIX, e atualmente a vacinação, associada à imunoglobulina nos casos indicados, é altamente eficaz para impedir o desenvolvimento da infecção quando administrada antes do aparecimento dos sintomas.

Mesmo assim, a raiva ainda provoca aproximadamente 59 mil mortes por ano em todo o mundo, principalmente em regiões onde o acesso à profilaxia após a exposição é limitado.

A transmissão ao ser humano ocorre por mamíferos infectados, geralmente por meio da mordida, que inocula na pele o vírus presente na saliva. Arranhões e o contato da saliva com mucosas ou feridas abertas também podem transmitir a doença.

Após ser inoculado, o vírus pode se multiplicar inicialmente nos tecidos próximos à área exposta e, em seguida, alcançar as terminações nervosas periféricas. A partir daí, desloca-se pelos nervos em direção ao sistema nervoso central.

Ao chegar ao cérebro, o vírus provoca a encefalite rábica, responsável pelos sintomas neurológicos. Nessa fase, a doença é praticamente sempre fatal.

Transmissão

O vírus da raiva é transmitido principalmente pela saliva de mamíferos infectados, geralmente por meio de mordidas. Arranhões que rompem a pele, lambedura de feridas abertas e contato da saliva com os olhos, a boca ou outras mucosas também podem transmitir a doença.

Em escala mundial, os cães ainda são responsáveis pela grande maioria dos casos de raiva humana, principalmente na Ásia e na África. Nos países e regiões que implantaram programas eficazes de vacinação canina, porém, a transmissão por cães caiu acentuadamente. Nas Américas, os morcegos passaram a ter maior importância epidemiológica.

Vários mamíferos podem desenvolver e transmitir raiva, entre eles:

  • Cães.
  • Morcegos.
  • Gatos.
  • Furões.
  • Raposas.
  • Coiotes.
  • Guaxinins.
  • Gambás.
  • Macacos e saguis.

Mamíferos não carnívoros, como porcos, vacas, cabras e cavalos, também podem transmitir a doença, embora esses casos sejam menos frequentes.

Pequenos roedores urbanos ou de criação, como ratos, camundongos, hamsters e porquinhos-da-índia, assim como os coelhos, são considerados animais de baixo risco e não são transmissores habituais da raiva humana.

Animais não mamíferos, como lagartos, peixes, tartarugas e pássaros, não transmitem raiva.

Como o vírus está presente na saliva, o antigo hábito de deixar cães lamberem feridas, além de favorecer infecções bacterianas, pode representar risco de transmissão caso o animal esteja infectado.

Por outro lado, tocar ou alimentar cães e gatos sem ser mordido ou arranhado não transmite raiva. O contato da saliva com a pele íntegra também não oferece risco na maioria das situações, e o contato com sangue, urina ou fezes do animal não é uma forma habitual de transmissão.

Também não há casos comprovados de transmissão da raiva por frutas manipuladas por morcegos.

Os morcegos são uma exceção importante. Qualquer contato direto com um morcego deve ser avaliado por um serviço de saúde, mesmo que a pessoa não identifique mordida, arranhão ou ferida visível, pois essas lesões podem ser muito pequenas e passar despercebidas.

Um morcego apenas voar perto da pessoa, sem tocá-la, não configura exposição (falamos mais sobre o morcego no final do artigo).

Raiva no Brasil

O perfil da raiva humana no Brasil mudou nas últimas décadas. A vacinação de cães reduziu de forma acentuada a transmissão urbana da doença, e os casos provocados pelas variantes caninas tradicionais tornaram-se raros. Atualmente, o principal risco está relacionado à circulação do vírus entre animais silvestres.

Entre 2010 e junho de 2026, foram registrados 54 casos de raiva humana no país. Os morcegos foram os transmissores mais frequentes, seguidos pelos primatas não humanos, principalmente saguis. Também ocorreram casos relacionados a cães, gatos, raposas, bovinos e cervídeos.

Portanto, embora a raiva humana seja atualmente rara no Brasil, a doença não foi eliminada. Mordidas, arranhões ou contato direto com morcegos, saguis, raposas e outros mamíferos silvestres devem sempre ser avaliados por um serviço de saúde.

Raiva em Portugal

Em Portugal, a raiva autóctone foi eliminada há várias décadas. Segundo a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, a doença foi oficialmente erradicada no país em 1961.

O último caso de raiva animal importado ocorreu em 1984, em um cachorro proveniente de Moçambique. Portugal mantém atualmente o estatuto de país livre da infecção pelo vírus clássico da raiva em animais domésticos e silvestres.

O último caso humano conhecido em Portugal ocorreu em 2011, em uma mulher que havia sido mordida por um cão durante uma viagem à Guiné-Bissau. A infecção foi, portanto, adquirida fora do país.

Esse estatuto não torna irrelevante o contato com morcegos. Outros vírus do gênero Lyssavirus, capazes de provocar uma doença semelhante à raiva clássica, podem ser encontrados em morcegos europeus. Por isso, mordidas, arranhões ou contato direto com morcegos em Portugal também devem ser avaliados por um serviço de saúde.

Transmissão da raiva por arranhões

Arranhões podem transmitir raiva quando rompem a pele e existe contato com saliva infectada.

Isso pode ocorrer porque o animal lambe as patas ou porque a saliva entra em contato com a área arranhada. O arranhão não precisa necessariamente provocar sangramento visível para ser considerado uma exposição.

Se o animal apenas encostar a unha na pele sem provocar qualquer lesão, não existe uma porta de entrada para o vírus.

Transmissão da raiva entre humanos

A raiva não é transmitida pelo contato cotidiano com uma pessoa infectada. Abraçar, tocar, conversar, permanecer no mesmo ambiente ou compartilhar objetos com o paciente não oferece risco de transmissão.

Embora o vírus possa estar presente na saliva de uma pessoa com raiva, a transmissão por beijo, mordida ou contato da saliva com mucosas ou feridas é considerada apenas teoricamente possível e não foi confirmada de forma adequada.

Os casos comprovados de transmissão entre seres humanos ocorreram por transplantes de órgãos ou tecidos provenientes de doadores infectados.

Profissionais de saúde ou cuidadores que tenham contato da saliva ou de tecido nervoso do paciente com os olhos, a boca ou uma ferida aberta devem comunicar o acidente para avaliação da necessidade de profilaxia.

A raiva também não costuma ser transmitida por objetos, roupas ou alimentos. O vírus é pouco resistente fora do organismo e perde rapidamente a capacidade de infectar quando a saliva seca ou é exposta à luz solar.

Sintomas da raiva humana

O período entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos sintomas é chamado de período de incubação.

Na maioria dos casos, a incubação dura de um a três meses, mas pode variar de aproximadamente uma semana a mais de um ano. Esse intervalo depende de fatores como:

  • Local da mordida ou do arranhão.
  • Profundidade e extensão da lesão.
  • Quantidade de vírus inoculada.
  • Variante viral envolvida.
  • Proximidade da lesão com o sistema nervoso central.

Lesões na cabeça e no pescoço são especialmente preocupantes pela proximidade do sistema nervoso central. Mordidas e arranhões nas mãos e nos pés também são classificados como exposições graves, entre outros motivos pela rica inervação dessas regiões.

A encefalite, inflamação do encéfalo, é o resultado da instalação e da multiplicação do vírus no sistema nervoso central. Os sintomas neurológicos da raiva incluem:

  • Confusão mental.
  • Desorientação.
  • Agitação.
  • Agressividade.
  • Alucinações.
  • Dificuldade para engolir.
  • Espasmos musculares.
  • Salivação excessiva.
  • Fraqueza e paralisia.
  • Convulsões.

Depois que os sintomas neurológicos começam, a doença é quase sempre fatal.

Em resumo, a evolução da raiva pode ser dividida em quatro fases:

1. Incubação

É o período entre a exposição e o aparecimento dos primeiros sintomas. Durante essa fase, a pessoa geralmente não apresenta qualquer alteração.

A duração mais comum é de um a três meses, mas existe grande variação entre os pacientes.

2. Pródromos

São os sintomas inespecíficos que surgem antes da encefalite. Em geral, essa fase dura de dois a dez dias e pode provocar:

  • Dor de cabeça.
  • Mal-estar.
  • Febre baixa.
  • Falta de apetite.
  • Náuseas e vômitos.
  • Dor de garganta.
  • Ansiedade e irritabilidade.

Também podem surgir dor, ardência, dormência, formigamento ou coceira no local da mordida ou do arranhão, mesmo que a ferida já esteja cicatrizada.

3. Encefalite

A raiva pode apresentar-se de duas formas principais: furiosa ou paralítica.

Na raiva furiosa, o paciente pode desenvolver agitação, hiperatividade, confusão, alucinações e espasmos dolorosos da musculatura da garganta.

A hidrofobia é um dos sintomas mais característicos. Apesar de o nome significar “medo de água”, o paciente não apresenta propriamente uma fobia. A tentativa de engolir líquidos provoca espasmos dolorosos na garganta, fazendo com que ele evite beber.

Também pode ocorrer aerofobia, na qual correntes de ar ou o simples ato de soprar sobre o rosto desencadeiam espasmos.

Na raiva paralítica, que representa uma parcela menor dos casos, ocorre fraqueza muscular progressiva, geralmente começando perto do local da exposição. O quadro pode ser confundido inicialmente com outras doenças neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré.

4. Coma e óbito

Com a progressão da encefalite, o paciente pode desenvolver paralisia, coma, insuficiência respiratória e parada cardiorrespiratória.

A evolução costuma ser rápida, com óbito em poucos dias ou semanas após o início dos sintomas neurológicos.

Tratamento da raiva humana

Depois que o paciente desenvolve os sintomas da raiva, não existe tratamento comprovadamente capaz de curar a doença de forma confiável. A taxa de mortalidade é de praticamente 100%.

O chamado protocolo de Milwaukee, que incluía coma induzido e diferentes medicamentos antivirais, ficou conhecido após a sobrevivência de uma paciente em 2004. Entretanto, o tratamento falhou em dezenas de outros pacientes e não demonstrou eficácia reprodutível.

Pacientes com suspeita ou confirmação de raiva devem ser internados para suporte intensivo, controle dos sintomas e tratamento das complicações. Sobreviventes são extremamente raros, e muitos permanecem com sequelas neurológicas importantes.

Felizmente, embora a raiva seja quase sempre fatal após o início dos sintomas, existe prevenção eficaz. A vacina e o tratamento profilático com anticorpos são altamente eficientes em impedir o desenvolvimento da doença quando administrados em tempo oportuno.

Cuidados iniciais após possível exposição ao vírus

Em caso de mordida, arranhão ou contato de saliva de um mamífero com uma ferida ou mucosa, lave imediatamente a área com água corrente e sabão por pelo menos 15 minutos.

A lavagem ajuda a retirar saliva, sujeira, bactérias e parte das partículas virais presentes no local.

Após a limpeza, pode-se aplicar um antisséptico, como povidona-iodo ou clorexidina. Não aplique substâncias caseiras, produtos irritantes, pó de café, ervas, ácidos ou outros materiais sobre a ferida.

Se você procura informações sobre os cuidados necessários com feridas provocadas por mordidas de cães, acesse o seguinte link: Mordida de cachorro – Cuidados e Tratamento.

Depois desses primeiros cuidados, procure uma unidade de saúde no mesmo dia para que a equipe avalie a necessidade de vacinação e de aplicação do soro ou da imunoglobulina antirrábica.

A situação vacinal contra o tétano também deve ser verificada. O reforço costuma ser feito a cada dez anos, mas pode ser antecipado para cinco anos em feridas graves ou contaminadas. Algumas mordidas também precisam de tratamento com antibióticos.

Se o animal agressor for um cão ou gato, procure obter informações sobre sua vacinação, condições de saúde e possibilidade de observação. A caderneta de vacinação ajuda na avaliação, mas o fato de o animal estar vacinado não elimina, sozinho, a necessidade de analisar o caso.

Nos acidentes provocados por cães ou gatos saudáveis e que possam ser acompanhados, o animal pode ser mantido em observação durante dez dias.

A eliminação do vírus pela saliva de cães e gatos ocorre apenas nos últimos dias antes do aparecimento dos sintomas e durante a doença. Portanto, se o animal permanecer vivo, saudável e com comportamento normal durante os dez dias, considera-se que ele não estava transmitindo o vírus no momento da agressão.

Se o cão ou gato adoecer, morrer, desaparecer ou apresentar mudança importante de comportamento durante a observação, o serviço de saúde deve ser informado imediatamente.

Entre os possíveis sinais de raiva nos animais estão:

  • Agressividade incomum.
  • Apatia ou isolamento.
  • Salivação excessiva.
  • Dificuldade para engolir.
  • Alteração do latido ou do miado.
  • Andar cambaleante.
  • Paralisia.
  • Convulsões.

Não tente capturar ou manipular diretamente morcegos, raposas, saguis ou outros animais silvestres. Se for possível manter o animal isolado sem tocá-lo, acione o serviço municipal de Zoonoses ou a Vigilância em Saúde para orientação e captura.

O atendimento médico não deve ser adiado enquanto se tenta localizar, capturar ou examinar o animal.

Mordidas ou arranhões na cabeça, face, pescoço, mãos, pés ou mucosas, assim como lesões profundas, múltiplas ou extensas, são consideradas exposições graves. Esses casos precisam de avaliação urgente, mas a conduta também depende da espécie, das condições do animal e da possibilidade de observá-lo.

O mais importante é entender a gravidade da raiva. Não se deve negligenciar uma mordida ou um arranhão provocado por um mamífero. Não se baseie somente na aparência do animal para decidir se existe risco.

A profilaxia contra a raiva é dividida em profilaxia pré-exposição e profilaxia pós-exposição.

Profilaxia pré-exposição

A profilaxia pré-exposição é o tratamento preventivo para pessoas que ainda não foram expostas ao vírus, mas apresentam risco aumentado de contato.

Ela é feita com a vacina contra a raiva e está indicada principalmente para:

  • Médicos veterinários.
  • Biólogos, zootecnistas e agrônomos com exposição a animais.
  • Profissionais e auxiliares de laboratórios que trabalham com o vírus da raiva.
  • Pessoas que trabalham com animais silvestres.
  • Profissionais envolvidos na captura de morcegos.
  • Funcionários de zoológicos, parques ambientais e centros de reabilitação de animais.
  • Espeleólogos e pessoas que frequentam cavernas com risco de contato com morcegos.
  • Pessoas que trabalham no resgate e manejo de animais sem histórico conhecido.
  • Moradores de comunidades remotas com risco elevado de raiva e acesso difícil à profilaxia.
  • Viajantes que realizarão atividades de risco em regiões onde a raiva é frequente e o acesso ao atendimento médico pode ser limitado.

No Brasil, a profilaxia pré-exposição é realizada com duas doses da vacina antirrábica, administradas nos dias 0 e 7.

A vacina pode ser aplicada por via intramuscular ou intradérmica, de acordo com o produto utilizado e a organização do serviço. A via subcutânea não faz parte do esquema recomendado.

Na aplicação intramuscular, a vacina costuma ser administrada no músculo deltoide. Em crianças menores de dois anos, pode ser aplicada na face lateral da coxa. A vacina não deve ser aplicada na região glútea.

Após a profilaxia pré-exposição, o controle sorológico pode ser realizado a partir do 14º dia após a última dose. São considerados satisfatórios títulos de anticorpos iguais ou superiores a 0,5 UI/mL.

A necessidade de repetir a sorologia depende do grau de exposição. Profissionais de alto risco, como aqueles que trabalham diretamente com o vírus em laboratórios ou realizam captura de morcegos, devem repetir o exame periodicamente. Para profissionais de menor risco, como veterinários que trabalham em áreas onde a raiva está controlada, a repetição rotineira da sorologia não costuma ser necessária.

A vacinação pré-exposição não elimina a necessidade de procurar atendimento após uma mordida, arranhão ou outro contato de risco. Se houver indicação de profilaxia pós-exposição, o esquema costuma ser mais simples e não inclui o soro nem a imunoglobulina antirrábica.

Profilaxia pós-exposição

A profilaxia pós-exposição é indicada após um possível contato com o vírus da raiva. Ela pode ser necessária nas seguintes situações:

  • Mordida.
  • Arranhão que rompa a pele.
  • Lambedura sobre ferida aberta.
  • Contato da saliva com os olhos, a boca ou outras mucosas.
  • Contato direto com morcego.
  • Situação em que não seja possível descartar contato com um morcego.

Tocar ou alimentar um cão ou gato, receber uma lambida sobre pele íntegra ou ter contato de sangue, urina ou fezes do animal com pele íntegra não costuma exigir profilaxia.

Os morcegos são uma exceção importante: qualquer contato direto deve ser avaliado, mesmo quando não existe uma mordida, arranhão ou ferida visível.

A profilaxia pode incluir apenas a vacina ou a combinação da vacina com o soro antirrábico equino ou a imunoglobulina humana antirrábica. A escolha depende do tipo de exposição, do animal envolvido e do histórico de vacinação da pessoa.

Pessoas que nunca receberam a vacina antirrábica

Quando a vacinação é indicada para uma pessoa que nunca foi vacinada, o esquema brasileiro habitual utiliza quatro doses:

  • Dia 0: primeira dose, administrada no dia do atendimento.
  • Dia 3: segunda dose.
  • Dia 7: terceira dose.
  • Dia 14: quarta dose.

A vacina pode ser administrada por via intramuscular ou intradérmica, conforme o esquema utilizado pelo serviço de saúde. Todas as doses devem ser recebidas, mesmo que a ferida já esteja cicatrizada.

Quando o soro ou a imunoglobulina são indicados?

As exposições consideradas graves podem exigir, além da vacina, o soro antirrábico equino ou a imunoglobulina humana antirrábica.

A vacina estimula o organismo a produzir seus próprios anticorpos, processo que leva alguns dias. O soro e a imunoglobulina fornecem anticorpos prontos, oferecendo proteção imediata durante esse período.

Quando indicados, devem ser administrados preferencialmente no primeiro atendimento. A maior quantidade possível deve ser infiltrada dentro e ao redor das lesões, inclusive quando elas já estiverem cicatrizadas.

Se o soro ou a imunoglobulina não estiverem disponíveis no primeiro dia, ainda podem ser administrados até o sétimo dia após a primeira dose da vacina. Depois desse prazo, deixam de ser indicados porque o organismo já começou a produzir anticorpos em resposta à vacinação.

Pessoas que já foram vacinadas

Quem já recebeu um esquema completo de profilaxia pré-exposição deve procurar atendimento após um novo contato de risco. Quando há indicação de nova vacinação, são administradas duas doses, nos dias 0 e 3.

Para quem já realizou profilaxia pós-exposição, a conduta depende do tempo transcorrido desde o esquema anterior:

  • Até 90 dias: se o esquema anterior foi completo, não é indicada nova vacinação. Se estava incompleto, devem ser administradas as doses que faltam.
  • Após 90 dias: quem recebeu pelo menos duas doses anteriormente deve receber duas novas doses, nos dias 0 e 3.

Em geral, pessoas previamente vacinadas com esquema completo não recebem soro nem imunoglobulina em uma nova exposição. Quando o esquema anterior não pode ser comprovado, estava incompleto ou existem situações clínicas especiais, a conduta deve ser definida individualmente.

Crianças, gestantes e pessoas imunossuprimidas

A vacina antirrábica pode ser administrada a crianças de qualquer idade, gestantes e mulheres que estejam amamentando. Diante de uma exposição de risco, não há contraindicação que justifique deixar de realizar a profilaxia.

Pessoas imunossuprimidas devem ser avaliadas individualmente, pois podem produzir uma quantidade insuficiente de anticorpos após a vacinação. Nesses casos, recomenda-se a aplicação da vacina por via intramuscular e a realização de sorologia a partir do 14º dia após a última dose.

Nos pacientes com imunossupressão grave, o soro ou a imunoglobulina também podem ser indicados, inclusive em algumas situações de reexposição, conforme a gravidade do contato e a avaliação do serviço de saúde.

Mesmo que tenham se passado dias ou semanas desde a mordida, o arranhão ou outro contato de risco, a pessoa deve procurar atendimento enquanto ainda não apresentar sintomas. O atraso não é motivo para desistir da avaliação.

O fluxograma de tratamento da raiva abaixo é do Ministério da Saúde do Brasil

Morcegos e raiva: um caso à parte

Os morcegos podem transmitir o vírus da raiva e são atualmente uma das principais fontes de raiva humana nas Américas e no Brasil.

O grande problema é que suas mordidas e arranhões podem ser muito pequenos e passar despercebidos, principalmente quando a pessoa estava dormindo.

Por isso, a profilaxia com vacina e soro pode ser indicada nas seguintes situações:

  • Mordida ou arranhão provocado por morcego.
  • Contato de saliva do morcego com uma ferida ou mucosa.
  • Contato direto com o animal, mesmo sem lesão visível.
  • Morcego encontrado no quarto de uma pessoa que estava dormindo.
  • Morcego encontrado próximo a uma criança pequena, pessoa com alteração cognitiva ou alguém incapaz de dizer se houve contato.
  • Qualquer situação duvidosa em que não seja possível descartar mordida, arranhão ou contato direto.

Se a pessoa estava acordada durante todo o tempo, apenas viu o morcego voando e tem certeza de que não houve contato, o episódio não é considerado exposição. Um morcego apenas passar perto, sobrevoar a pessoa ou estar presente no mesmo ambiente, sem contato direto, não transmite raiva.

Urina e fezes de morcegos também não são formas habituais de transmissão da raiva. Entretanto, o acúmulo de fezes de morcegos pode estar associado a outras doenças, como a histoplasmose.

Nunca pegue um morcego com as mãos, mesmo que ele pareça morto, esteja imóvel no chão ou tenha entrado em casa. Afaste crianças e animais domésticos e entre em contato com o serviço de Zoonoses do município.

Como a raiva é uma doença quase sempre fatal, qualquer contato direto ou situação duvidosa envolvendo morcegos deve ser avaliada imediatamente por um serviço de saúde.


book Referências bibliográficas
  • Rabies – Centers for Disease Control and Prevention.
  • Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 3, 6ª edição revisada. Brasília, 2024.
  • Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 8/2022-CGZV/DEIDT/SVS/MS: atualizações no protocolo de profilaxia pré, pós e reexposição da raiva humana no Brasil.
  • Clinical manifestations and diagnosis of rabies – UpToDate.
  • When to use rabies prophylaxis – UpToDate.
  • Rabies – NIH – U.S. National Library of Medicine.
  • World Health Organization. Rabies: fact sheet.


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. zeze

    doutor, é possível pegar raiva se uma água bebida por um animal contaminado respingar numa ferida?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Água que um animal bebeu respingar em uma ferida não é uma forma reconhecida de transmissão da raiva e, em geral, não indica vacina.

    O risco ocorre quando saliva fresca do animal entra diretamente em contato com a ferida, os olhos ou a boca. Lave a área com água e sabão e procure avaliação se houve lambedura direta ou outro contato relevante com o animal.

  2. Ana

    Boa noite dr, minha cachorra pegou um sagui pela manhã e acabou matando ele enquanto o mordia. Quando fomos levá-la ao centro de zoonoses da minha cidade, na hora de colocar a coleira ela acabou lambendo a boca do meu namorado, que está com um pequeno corte. Esse contato pode ser uma forma de transmissao? Meu medo é, por ter sido pouco tempo depois, ter ficado alguma secreção do sagui, caso ele estivesse infectado pela raiva. Queria que ele tomasse a vacina, por prevenção

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Como a cadela havia acabado de morder um sagui e, pouco depois, lambeu a boca ou o corte do seu namorado, ele deve procurar uma unidade de saúde imediatamente e explicar toda a sequência do ocorrido.

    A preocupação não é a cadela ter desenvolvido raiva em poucos minutos, mas a possibilidade de saliva ou outro material fresco do sagui ter sido transferido para uma mucosa ou ferida.

    O serviço de Zoonoses deve avaliar a cadela e, se o corpo do sagui ainda estiver disponível, orientar sua coleta para análise. A necessidade de vacina e soro deve ser definida pelo serviço de saúde.

  3. Elisson

    Doutor, no período de carnaval acordei com uma pequena ferida na região do ombro que não tinha sangramento. Eu tenho um medo paranóico da raiva humana, então fiquei pensando ser a mordida de um morcego, mas minha mãe disse que, em todos os dias do carnaval, ela fechou todas as janelas, já que havia visitas dormindo no terraço da nossa casa e ela não queria que entrasse insetos. Nesses dias, dormi por volta das 01:00/02:00 e nenhum sinal de morcego. Acordei e também não havia nenhum morcego no meu quarto; nem notado por nenhum dos visitantes que aqui estavam. Mesmo assim, corro algum risco?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Parece-me pouco provável.

  4. Rafael

    Bom Dia !!!

    Estava passeando com meu cachorro e me distrai por menos de 1 min quando eu reparei ele estava cheirando ou lambendo ( não consegui identificar a ação dele) um morcego.

    O morcego encontrava morto meio que esmagado de bruços no chão molhado (pela chuva) com semi sangue seco envolta dele ( como se tivesse acabado de morrer a pouco tempo)

    Porém não sabia dessa possibilidade e esqueci da ação sendo que o cachorro teve interação comigo até dormir comigo, não lavei o cachorro.

    Dia 12 o atendimento. Do dia 14 ao dia 15 (madrugada) tomei a antirrábica primeira dose. Porém o centro epidemiológico do DF (onde moro) cancelou a continuação do protocolo por alegar que eu não sofria risco de contaminação pois meu contato foi indireto pois não toquei no morcego !

    Além disso doutor sou HIV positivo indetectável!!!

    Corro algum risco de ter tido alguma contaminação pela raiva !? A vacina é segura para mim !?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Rafael, eu não vejo risco para você, apenas para o seu cão. Quem tem que ser avaliado sobre necessidade de soro ou vacina é o cão pelo veterinário, você até o momento não teve nenhum contato de risco.

  5. Alan Luiz

    Doutor, esses dias entrou um morcego em meu apartamento (Parecia ser filhote) ele bateu na minha coxa, ele esbarrou em mim, não grudou, nem mordeu, nem nada, apenas bateu rapidamente. É possível que tenha algum perigo? Eu tomei a primeira dose da vacina, vou tomar as outras. Não foi preciso de soro.
    Ainda corro risco? Lavei minha perna depois e higienizei o quarto.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se não houve rompimento da pele, não há risco.

  6. Larissa

    Doutor, o vômito pode transmitir a raiva? Tipo se eu tocar e estiver com um machucadinho, posso ser infectado?
    Me ajuda! Estou paranoica com isso!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pouco provável essa forma de transmissão. Mas o vômito seria de quem, de um cão?

  7. Augusto

    Se cair saliva de morcego na pele integra e a pessoa acabar esfregando essa saliva na pele há risco de contaminação?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pouco provável.

  8. Luis

    Quando as fezes do morcego estão secas, significa que o vírus está inativo?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Nas fezes, sim.

  9. Paula

    Doutor, tirei uma parte do morcego da boca da minha cachorra. Estava com um machucado que estava em processo de cicatrização, devo tomar a vacina?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se a ferida já está fechada, não tem risco.

  10. Jovino Fonseca

    Tomei 1 dose da vacina ant rabica e interrompi pois o animal não apresentou sintomas nos 10 dias
    Posso ter algum problema com essa vacina? Posso ter contraído o vírus através dela?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, não há risco algum.

  11. Marina

    Dr., se por engano eu tiver comido uma fruta (banana), mordida por um macaco, alguns minutos antes, corro o risco de transmissão da raiva pela saliva?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pouco provável, não sei nem se existe algum caso semelhante relatado. De qualquer forma, o ideal é nunca comer uma fruta que já esteja mordida.

  12. Luã

    Ola, tenho uma dúvida. Um gato meu, vacinado contra raiva estava na rua comendo restos de comida com outros gatos em frente da minha casa. O coloquei pra dentro sem contato, mas após 20 minutos ele tava lambendo minha mão onde tinha um minúsculo arranhão quase cicatrizado. Inclusive passei álcool e nem ardeu. Mas minha dúvida é, digamos que um dos gatos que estavam perto dele estivesse infectado e sua saliva tivesse contato com a boca do meu gato. Teria risco dele me infectar por ter lambido minha mão logo em seguida?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não, a contaminação não é imediata.

  13. Marcela

    Doutor, minha cachorra encontrou o que eu acredito ser um morcego e quis comer, tirei da boca dela. Ele já aparentava estar seco e há muito tempo no sol. Devo me preocupar? Na minha mão tinha um machucado que já estava com casca formada e nenhuma ferida aberta. Lavei minha mão com água e detergente

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não.

  14. ramon vargas

    Dr a minha esposa foi mordida por um morcego, ela so foi tomar a vacina após 6 dias e estou preocupado. Ela tomou o soro e a vacina.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se ela já começou a fazer o tratamento, a tendência é ficar tudo bem.

  15. Raieny Ribeiro

    Bom dia Dr, entrei em contato recentemente com umas frutinhas comida por morcego, nao tinha morcego no local, minha dúvida é se posso pegar raiva por manipular sigo que entrou em contato com a saliva dele. Parecia já está seca!!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se não for por mordida ou arranhão, o risco de transmissão é muito baixo.

  16. Fábio Reinaldo Rodrigues

    Oi Dr. Acordei com um ferimento pequeno sem sangue no pé direito. Não vi nenhum animal ou inseto no ambiente. Dias depois, ocorreu irritação na pele, ficou meio avermelhada. Corre o risco de ter sido um morcego? Morro na Zona Rural de minha cidade.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Pode até ter sido um morcego, mas essa é apenas uma entre diversas outras possibilidades.

  17. Raieny

    Olá doutor, tive contato com algumas frutinhas que o morcego levou pra dentro de casa, aparentemente estavam secas, tinha um pouco de fezes também. Corro algum risco de pegar raiva? Não sei a quanto tempo estava na casa, pois a casa estava vazia.. não tinha morcego no local e já era 9 da manhã quando tive esse contato. Fui a vigilância sanitária da minha cidade e n ai deram muita importância. Me disseram que como eu não fui mordida ou arranhada não tinha poblema. Como não sabia que se tratava de morcego, não lavei a mão e nem passei álcool. Corro algum risco ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    O contato com fezes de morcego ou frutas que eles possam ter tocado não é considerado um meio de transmissão do vírus da raiva.

  18. Igor

    Doutor, fui para a roça no final de semana e lá tive contato com um Cabritinho que me arranhou levemente com o seu casco. Não sangrou nem deixou nenhum tipo de marca, corro algum risco? No caso de gatos o arranhão é mais perigoso porque eles tem o habito de se lamberem?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se não houve rompimento da pele, o risco é muito baixo. Além disso, a raiva é pouco comum nos caprinos e a transmissão destes animais para humanos é muito rara.

  19. Marcelo

    doutor, em novembro de 2022 fui mordido por um animal aí tomei 4 doses da vacina pós exposição + soro, por quanto tempo tô imunizado?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Só por 90 dias. Se for mordido novamente por animal com risco de raiva, tem que vacinar de novo (mas geralmente é com apenas 2 doses).

  20. Marcelo

    doutor, se um gato lamber a barriga e eu tocar nesse lugar que ele lambeu e acabar coçando o olho ou uma ferida, posso pegar a doença?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Em teoría, sim, mas é muito pouco provável transmissão dessa forma.

  21. Bruna

    Oi Dr. Pedro, é possível o vírus da raiva grudar na sola do calçado e contaminar uma pessoa ao tocar nessa sola do calçado com as mãos e passar a mão na boca?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não.

  22. GRAZIELLA DO COUTO RIBEIRO

    Dr., fiz taxidermia (empalhei) uma anta da natureza, animal silvestre. Fiquei sabendo depois que ela estava com suspeita de raiva, mas agora recebi o diagnóstico positivo do Instituto Pauster. Ela realmente morreu de raiva, estava contaminada.

    O problema é que mesmo usando luva de látex acabei tendo contato com o sangue, fezes e urina dela. A pele do meu braço e antebraço ficaram diretamente em contato com as vísceras do animal (intestino, bexiga, coração, pulmão, rins, etc). Fiquei muito suja com o sangue, urina e fezes.
    Para piorar descobri que estou grávida (13 semanas).

    Bom, estou fazendo o tratamento pós exposição com 4 doses de vacinas + soro homólogo. Vou tomar a 4ª dose da vacina no 14⁰ dia (só falta essa vacina).

    Minha pergunta é:
    1) Após completar as 4 doses de vacina estou segura? Caso encerrado?
    2) Preciso fazer algum exame sorológico para garantir?
    3) Será que as vacinas + soro podem ter afetado o bebê? Ou o vírus caso eu tenha me contaminado?

    Estou angustiada. Obrigada!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    1) Se o tratamento tiver seguido todas as Normas Técnicas de Profilaxia da Raiva Humana do Ministério da Saúde, você pode ficar descansada.
    2) Costuma ser indicado a sorologia 10 dias após o fim da última dose de vacina. A OMS considera que um título igual ou superior a 0,5 UI/ml representa resposta imunitária satisfatória para proteger do vírus da raiva.
    3) Em princípio, o tratamento profilático não faz mal ao bebê.

  23. Luísa

    Olá. Fiz a Profilaxia pós-exposição e tomei todas as vacinas (a primeira dose com 6 horas após o arranhão) e o soro (com 13 horas após arranhão) isso aconteceu em outubro. Qual a eficácia? O caso tá encerrado?

    O animal que me arranhou era a gata da minha irmã e vivia em casa mas a vacina não tava em dia. E não pude acompanhar pq a gata tava passando mal e fomos socorrer-lá e ela veio a falecer, achamos que ela morreu envenenada pois um dia antes tinham escondido um pedaço de queijo com veneno para rato. A gata tava normal, gordinha e sempre bem tratada e com nenhum comportamento estranho mas fiquei com muito medo de decidi ir no posto e fazer a profilaxia.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Fez o certo. Casos de raiva em animais domésticos é atualmente muito raro. Em 2022, foram notificados no Brasil só 9 casos em gato e 7 em cães. Portanto, é pouco provável que a gata estivesse infectada. Mas como você fez o tratamento correto, não precisa se preocupar.

  24. Letícia

    Adotei um cachorro que não foi vacinado contra a raiva ainda (ele tem 9 meses), ele bateu o dente no dedo da minha mãe e saiu um pouco de sangue. Ela lavou o lugar com água e sabão. Isso foi há uns 3 dias, é melhor ela ir ao médico?

    O cachorro adora morder, não sei se é por que ele é um filhote ainda. Ele gosta de ficar em lugar escondido, como embaixo da cama e vire mexe ele começa a ficar muito eufórico e até a latir para a gente.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se o cachorro está com vocês há mais de 10 dias, significa que ele não veio doente. Esse comportamento que você descreve é típico de cachorro jovem mesmo. Basta ficar de olho, mas o cão precisa ser vacinado.

  25. Lídia de Aurélio Carlos

    Qual é a morfologia da raiva humana?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não entendi a pergunta. A palavra que você quis usar é realmente morfologia (estudo da forma, da configuração ou da aparência externa da matéria)?

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