Raiva humana – Transmissão, sintomas e vacina

A raiva é uma grave infecção de origem viral, que, após o início dos sintomas, possui taxa de mortalidade de praticamente 100%.

A raiva é uma zoonose (doença transmitida de animais para o homem) causada por um vírus. É uma das doenças mais graves que se tem conhecimento, com taxa de mortalidade de quase 100%. Nenhuma outra doença infecciosa tem taxa de mortalidade tão elevada. Apesar da existência da vacina e da imunoglobulina, que ajudam a prevenir a raiva humana, ainda morrem de raiva anualmente aproximadamente 70.000 pessoas em todo mundo.

Neste texto vamos abordoar os seguintes pontos sobre a raiva:

  • O que é a raiva humana.
  • Transmissão da raiva.
  • Sintomas da raiva.
  • Tratamento da raiva (vacina contra raiva).
  • Relação da raiva com morcegos.

Se você procura informações sobre os cuidados necessários com feridas provocadas por mordidas de cães, acesse o seguinte link: MORDIDA DE CACHORRO – Cuidados e Tratamento.

O que é a raiva humana

A raiva é uma grave doença infecciosa causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, que leva ao óbito praticamente 100% dos pacientes contaminados. Desde o século XIX, porém, já existe vacina contra a raiva, sendo ela bastante efetiva em impedir o avanço da doença, caso administrada em tempo hábil.

A raiva é uma doença transmitida somente por animais mamíferos, geralmente através da mordida e inoculação do vírus presente na saliva dentro da pele.

O vírus da raiva tem atração pelas células do sistema nervoso, invadindo imediatamente os nervos periféricos após ser inoculado através da pele. Quando nos nervos, o vírus passa a se mover lentamente, cerca de 12 milímetros por dia, em direção ao sistema nervoso central. Ao chegar no cérebro, o vírus causa a encefalite rábica, a temida complicação que leva os pacientes à morte.

Transmissão da raiva

A raiva é uma zoonose. O vírus é transmitido por mordidas e arranhaduras de mamíferos contaminados. Na maioria dos casos, a transmissão ocorre através de cães ou morcegos. Porém, vários outros mamíferos podem transmitir a doença, entre eles:

– Furão (ferrets).
– Raposas.
– Coiotes.
– Guaxinins.
– Gambás.
– Gatos.
– Macacos.

Mamíferos não carnívoros, como porco, vaca, cabra, cavalo, etc., também estão associados a casos de raiva, mas estes são mais raros.

Roedores pequenos, como esquilos, ratos, coelhos, porquinho-da-índia e hamsters não são transmissores usuais de raiva, não havendo na literatura médica relatos de casos de raiva humana transmitidos por eles. Animais não mamíferos, como lagartos, peixes e pássaros NUNCA transmitem raiva.

Desde a implementação de programas de vacinação contra a raiva em cães e gatos, o número de casos de raiva humana despencou. Na Europa e nos EUA, por exemplo, o vírus da raiva circula atualmente mais em raposas e morcegos do que em cães, o que diminui o risco de exposição dos seres humanos.

Segundo dados do Ministério da Saúde, no período de 1990 a 2009, foram registrados no Brasil 574 casos de raiva humana, nos quais, até 2003, a principal espécie transmissora foi o cão. A partir de 2004, porém, o morcego passou a ser a principal fonte de transmissão de raiva no Brasil.

Virtualmente todos os casos de raiva humana são transmitidos através de mordidas ou arranhões de animais infectados. Como o vírus encontra-se presente na saliva dos animais contaminados, outra via de transmissão possível, mas bem menos comum, é através de lambidas em mucosas, como a boca, ou feridas abertas. Aquele antigo hábito de oferecer feridas para cães lamberem, além de facilitar a infecção bacteriana da lesão, pode também ser uma fonte de contaminação de raiva.

Não existe transmissão entre seres humanos, não havendo nenhum risco para familiares ou para a equipe médica que cuida dos pacientes*. A transmissão também não ocorre por objetos ou alimentos, uma vez que o vírus não sobrevive no meio ambiente, morrendo rapidamente quando exposto à luz solar ou quando a saliva contaminada seca. Não há casos, por exemplo, de transmissão da raiva através de frutas manipuladas por morcegos contaminados.

* Na verdade, há raros relatos na literatura médica de transmissão de raiva entre humanos, mas estes são casos isolados e mal documentados. A única forma de transmissão da raiva entre humanos devidamente documentada é através do transplante de órgãos, com doador infectado.

O contato com a pele íntegra não oferece risco, mesmo que o animal a lamba. Do mesmo modo, tocar em animais contaminados, como fazer carinho em cães ou apenas encostar a mão em um morcego, também não oferece risco de contaminação. O vírus só está presente para transmissão na saliva, não havendo risco de contaminação quando há contato com sangue, fezes ou urina de animais infectados.

Sintomas da raiva humana

O vírus da raiva tem atração pelo sistema nervoso central, alojando-se frequentemente no cérebro, após longa viagem pelos nervos periféricos.

A encefalite, inflamação do encéfalo, é o resultado final da instalação e multiplicação do vírus no sistema nervoso central. Os sintomas da raiva são todos decorrentes deste acometimento do cérebro. São eles:

– Confusão mental.
– Desorientação.
– Agressividade.
– Alucinações.
– Dificuldade de deglutir.
– Paralisia motora.
– Espasmos musculares.
– Salivação excessiva.

Uma vez iniciados os sintomas neurológicos, o paciente evolui para o óbito em 99,99% dos casos.

A evolução da raiva pode ser dividida em 4 partes:

1) Incubação – O vírus se propaga pelos nervos periféricos lentamente. Desde a mordida até o aparecimento dos sintomas neurológicos costuma haver um intervalo de 1 a 3 meses. Mordidas na face ou nas mãos são mais perigosas e apresentam um tempo de incubação mais curto.

2) Pródromos – São os sintomas não específicos que ocorrem antes da encefalite. Em geral, é constituído por dor de cabeça, mal-estar, febre baixa, dor de garganta e vômitos. Podem haver também dormência, dor e comichão no local da mordida ou arranhadura.

3) Encefalite – É o quadro de inflamação do sistema nervoso central já descrito anteriormente.

4) Coma e óbito – Ocorrem em média 2 semanas após o início dos sintomas.

Tratamento da raiva

Uma vez que o paciente tenha desenvolvido os sintomas da raiva, já não há tratamento eficaz. A taxa de mortalidade é de praticamente 100%. Existem relatos de 2 pacientes que sobreviveram à raiva após o uso das drogas antivirais ribavirina e amantadina (chamado protocolo Milwaukee). Esse tratamento, porém, foi testado em vários outros pacientes com sintomas raiva e foi ineficaz.

Felizmente, se por um lado praticamente 100% dos pacientes morrem após o início dos sintomas, por outro, há vacina e tratamento profilático com imunoglobulinas (anticorpos), que são altamente eficazes e impedem o desenvolvimento da raiva, se administrados em tempo hábil (explicaremos esse tratamento mais à frente).

Cuidados iniciais

Em caso de mordida por qualquer mamífero, devemos lavar bem a ferida com água e sabão para evitar a contaminação pelas bactérias presentes na saliva dos animais (leia: TRATAMENTO DE FERIDAS E MACHUCADOS). Depois desta primeira limpeza, o paciente deve procurar um centro médico para que a equipe de saúde possa avaliar se há necessidade de iniciar tratamento profilático (preventivo) com a vacinação contra raiva. É importante também vacinar o paciente contra o tétano, caso a última vacinação tenha mais de 10 anos (leia: TÉTANO | VACINA E SINTOMAS).

Se o animal for doméstico é importante obter a caderneta de vacinação do mesmo, atestando sua imunização contra a raiva. Animais devidamente vacinados não são fontes de transmissão da raiva. Nestes casos, não há necessidade de iniciar qualquer tratamento a não ser que o animal passe a apresentar sintomas da raiva poucos dias depois da mordida.

Em cães, gatos e furões, o tempo máximo de evolução da doença, desde o aparecimento do vírus na saliva até a morte, é de apenas 10 dias. Quando alguém é mordido ou arranhado por um destes animais, indica-se a observação do mesmo por até 10 dias. Se o animal não adoecer neste intervalo é porque ele não estava contaminante no dia da mordida, não havendo, portanto, risco algum de raiva para o paciente.

Se o animal for um cão de rua, sem dono, ou selvagem, como um morcego ou raposa, é importante capturá-lo para que ele possa ser analisado por um veterinário, de modo a procurar sinais do vírus da raiva. Se a captura do animal não for viável, o tratamento profilático deve ser indicado, partindo do princípio que este esteja contaminado com o vírus da raiva. Portanto, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, já que a profilaxia contra a raiva é considerada uma urgência médica.

Mordidas na cabeça ou no pescoço são bem mais graves por estarem próximas do cérebro. Mãos e pés também são perigosos pois são áreas com muita inervação, facilitando a chegada do vírus aos nervos periféricos. Nestes casos, o tempo de viagem do vírus até o encéfalo é bem mais curto do que o habitual, podendo o período de incubação ser de poucos dias. Estes pacientes devem receber tratamento profilático urgente independente da situação do animal.

O mais importante é entender a gravidade da raiva. Não se deve nunca negligenciar uma mordida ou arranhadura por animais. Não se baseie apenas na aparência do animal para definir se este tem ou não raiva. Uma vez mordido, procure um posto de saúde para receber as orientações.

O tratamento contra a raiva é divido em profilaxia pré-exposição e profilaxia pós-exposição. Vamos falar um pouquinho sobre elas.

Profilaxia pré-exposição

A profilaxia pré-exposição é o tratamento preventivo para os indivíduos que ainda não foram expostos ao vírus. Ela é feita com a vacina contra raiva e só está indicada para indivíduos com alto risco de contaminação, como:

– Médicos veterinários.
– Biólogos.
– Agrotécnicos.
– Pessoas que trabalham em laboratórios de virologia.
– Pessoas que trabalham com animais silvestres.
– Pessoas envolvidas na captura e estudo de animais suspeitos de raiva.
– Pessoas que vão viajar para áreas onde ainda não há controle da raiva nos animais.

A vacina contra raiva é administrada em três doses, nos dias 0, 7 e 28. Duas semanas após o fim da vacinação deve-se colher sangue para avaliar se houve resposta imunológica, com produção adequada de anticorpos.

A vacina contra a raiva pode ser administrada por via subcutânea ou intramuscular. A região glútea, porém, não costuma ser usada, pois resulta em níveis mais baixos de anticorpos que o desejado.

Profilaxia pós-exposição

A profilaxia pós-exposição é aquela que é feita somente após o indivíduo ter sofrido uma mordida de um mamífero.

Existem vários esquemas de tratamento profilático, envolvendo vacinas e imunoglobulinas. Dependendo da gravidade da lesão, o esquema pode incluir até 10 dias seguidos de vacinações diárias mais a administração de imunoglobulina. Todo paciente agredido por animais deve procurar um posto de saúde o mais rápido possível para receber orientações sobre o tratamento.

Segundo o Ministério da Saúde, a profilaxia pós-exposição pode ser resumida neste quadro:

vacina+raivaPara saber mais detalhes técnicos sobre a vacinação contra raiva, acesse as normas técnicas de profilaxia da raiva humana do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/normas_tecnicas_profilaxia_raiva.pdf

Morcegos e raiva – Um caso à parte

Morcegos são animais habitualmente infectados pela raiva. Nos EUA nos últimos 15 anos, mais de 90% dos casos de raiva foram causados por mordidas de morcego.

O grande problema é que a mordida pode passar despercebida, principalmente enquanto a vítima dorme. Por isso, é indicada profilaxia pós-exposição para todos aqueles que acordam e encontram um morcego em seu quarto, mesmo não havendo sinais de mordida ou arranhadura. Como a raiva é muito letal, na dúvida, deve-se sempre assumir que a mordida aconteceu.

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Lea
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Lea

Meu cachorro pegou um morcego morto pela boca e depois me lambeu no braço
A cachorra é vacinada tem alguma risco para ela e pra mim?

Alessandra Gonçalves
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Alessandra Gonçalves

Doutor.
Minha filha só me falou agora que foi mordida na perna por um morcego à 6 dias atrás. Vou levá-la amanhã no posto. Devo me preocupar mesmo ela tomando a vacina?

Domingos Neto
Visitante
Domingos Neto

Bom dia doutor!
Uma cachorro do sítio do meu pai tentou me morder quando eu tentava separar uma brigar entre osi cachorros , porém, eu estava de calça e cabos sendo apenas um arranhão superficial sem sangramento.
Não sabemos se o cachorro foi vacinado contra a raiva, pois quando compramos o sítio o cão já estava lá.
Infoemaro que o cachorro não apresentar qualquer sinal de Raiva, pois é bem saudável. Também informo que é possível observa-lo tranquilamente nos próximos 10 dias.
Pergunto, e necessário procurar atendimento médico ou espero os próximos 10 dias?

Renata
Visitante
Renata

Minha gata mordeu meu pe ela e muito docil devo procura medico

Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

Se a sua gata for vacinada, não precisa.

Amanda silva
Visitante
Amanda silva

Boa Noite Dr , fui mordida pela mh cachorrinha cortou um pouco e sangrou pouco e ela toma vacina anti-Rabica anual,sera que é presiso tomar alguma vacina?? Obrigado!

Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

Se a sua cadela é vacinada anualmente, não tem com que se preocupar.

Rita De Cassia Feliciano
Visitante
Rita De Cassia Feliciano

Dr ,um morcego me mordeu essa noite,levantei e fui tomar vacina mas nao tem o soro ,como devo preceder?tomei uma vaciana anti rabica e tenho que voltar e tomar as outras.

Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

O ideal era que você consultasse um infectologista para ter certeza de que o soro é desnecessário no seu caso.

João Pedro
Visitante
João Pedro

Ola dtr, há 3 dias,um cachorro me arranhou na perna, fez-me duas feridas , umas delas sangrou, contudo quando cheguei a casa lavei a ferida com muito alcool e pus o antisseptico, meu amigo disse que estava vacinao , mas o cao apareceu em sua casa, .A zona onde ele bateu com a pata, doi como se fosse um hematoma, e está quente, será necessário tomar a vacina, ou observar o cao durante 10 dias.

Pedro Pinheiro
Visitante
Pedro Pinheiro

Peça um comprovante da vacinação do cão. Se não houver, o ideal é observar por 10 dias.

Pilar
Visitante
Pilar

Passei embaixo de uma árvore com morcegos e parece que a saliva de um deles caiu na minha mão ! Corro algum risco ?!?! Na minha mãe não tinha nenhum machucado !!!

Pedro Pinheiro
Visitante
Pedro Pinheiro

Não.

Everton Almeida
Visitante
Everton Almeida

Doutor, acordei com um morcego na cabeceira da minha cama. Olhei pelo corpo todo e não identifiquei nenhuma mordida aparente! Há a possibilidade dele ter me mordido? já se passaram 3 dias que isso aconteceu, ainda posso tomar o soro?

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

O ideal é fazer a vacinação. Procure um posto de saúde.

Shymenny Goulart Mota
Visitante
Shymenny Goulart Mota

Ola Dr. Bom dia!!! Na fazenda dos meus país um cavalo foi a óbito e o diagnóstico final acusou Raiva… Após isso enterraram o animal na fazenda mesmo , isso pode acarretar algum problema para o solo? Como devemos proceder???

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

Acredito que não, mas essa é uma questão que foge da minha alçada. Um veterinário saberá lhe responder melhor o que fazer com o corpo do animal.

Tainá
Visitante
Tainá

Olá doutor, parabéns pelo site.
É o seguinte, um cachorrinho muito fofo da rua veio brincar comigo, na brincadeira ele encostou os dentes na minha mão e apertou um pouco, isso não causou nenhuma lesão na minha pele, mesmo assim eu devo procurar um medico e tomar a medicação anti-rabica?

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

Se não houve lesão da pele, não há risco.

Priscilla João
Visitante
Priscilla João

Meu cachorro foi mordido por um rato não lembro quando o vacinei, por isso corri para um veterinário e dei uma anti rabica , já faz 10 dias e não vi nenhuma alteração nele, devo me preocupar ? Tenho que me tratar também já que sempre mexo nele e cuidei da ferida dele?

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

Ratos não costumam transmitir raiva.

Pryscilla
Visitante
Pryscilla

Doutor fui mordida pelo meu cachorro, tomei 5 doses da vacina só que uma foi na data errada tem algum problema?

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

Provavelmente não.

isabella andrade
Visitante
isabella andrade

estou grávida de 2 meses. fui socorrer um gato de rua filhote que estava afogando, como ele estava desesperado ele me mordeu. eu posso tomar a vacina e o soro? é necessario?

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

Sim, pode e é necessário.

junior de Oliveira
Visitante
junior de Oliveira

Doutor, fui fechar a porta da minha casa e tinha um morcego nela, ele mordeu meu dedo mas aparentemente não teve nenhuma lesão, so ficou um pouco avermelhado. Existe risco de contaminação com o vírus da raiva? O que devo fazer?

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

Sim, corre. O ideal é você procurar um posto de saúde e contar essa história para eles avaliarem o real risco.

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