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16 de maio de 2010

GLAUCOMA | Sintomas e tratamento

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Glaucoma não é uma doença única, mas sim, um grupo de doenças que resultam na lesão no nervo óptico, o responsável por levar os estímulos visuais captados pelos olhos até o cérebro. Com o nervo óptico lesado, as imagens captadas pelos olhos não chegam cérebro e o resultado é a cegueira.

O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. A cegueira pela catarata é mais comum que pelo glaucoma, mas ela é uma causa de cegueira reversível.

A cegueira causada pelo glaucoma costuma ocorrer de modo lento e de fora para dentro, ou seja, acomete primeiro o campo de visão periférico e progressivamente vai se tornando mais central, como na ilustração ao lado. Às vezes, o processo de perda de visão é tão gradual que o paciente só nota estar ficando cego em fases avançadas do glaucoma.

O que causa o glaucoma?

GlaucomaUm aumento da pressão intra-ocular (dentro dos olhos) é a principal causa de glaucoma, porém, não é a única. Existem casos de glaucoma onde a pressão intra-ocular encontra-se normal.

Vamos entender o que é a pressão intra-ocular. Acompanhe a figura ao lado.

Entre a córnea e o cristalino existe uma cavidade que é preenchida com um líquido, chamado de humor aquoso. O humor aquoso é constantemente produzido e drenado, de modo que o seu volume e pressão mantém-se sempre mais ou menos constantes.

humor aquoso e glaucoma
Glaucoma
Quando ocorre algum distúrbio neste ciclo, seja por aumento da produção do humor aquoso, ou por uma diminuição da sua drenagem, o aumento de líquido nesta cavidade causa uma aumento da pressão dentro dos olhos.

A pressão intra-ocular normal varia entre 8 e 21 mmHg. Quando esta se torna maior que 21 mmHg, começa a haver risco de lesão do nervo óptico. O problema do glaucoma é o fato deste ser uma doença silenciosa já que o simples aumento da pressão intra-ocular não é capaz de causar nenhum sintoma. Dor nos olhos só costuma ocorrer quando a pressão já está altíssima, normalmente acima dos 40 mmHg.

Qual a diferença entre glaucoma de ângulo aberto e glaucoma de ângulo fechado?

O humor aquoso que circula na cavidade anterior do olho é drenado constantemente através de um tecido poroso, parecido com uma peneira, chamado de malha trabecular.

O glaucoma de ângulo fechado ocorre quando há uma obstrução física à malha trabecular e, consequentemente, à drenagem deste líquido. No glaucoma de ângulo aberto a malha trabecular está livre de obstruções, porém, sua capacidade de drenagem está reduzida.

Para facilitar o entendimento, imagine a malha trabecular como o ralo da pia e a água da torneira aberta como a produção de novo humor aquoso. O glaucoma de ângulo fechado é semelhante ao que ocorre quando subitamente colocamos uma tampa no ralo e impedimos por completo a drenagem da água. Já o glaucoma de ângulo aberto seria aquele caso em que a abertura do ralo está livre, mas há algum grau de entupimento dos canos impedindo a drenagem completa da água, fazendo com está lentamente vá subindo de nível.
Glaucoma de ângulo aberto
Glaucoma de ângulo aberto
Glaucoma de ângulo fechado
Glaucoma de ângulo fechado
O glaucoma de ângulo fechado agudo (que ocorre subitamente) é uma emergência médica, pois a pressão intra-ocular sobe rapidamente, e em questão de horas, o nervo óptico pode ser destruído, levando a perda irreversível da visão.

Os principais sintomas do glaucoma de ângulo fechado agudo são:
- Forte dor nos olhos
- Náuseas e vômitos
- Visão borrada
- Olhos vermelhos
- Diminuição da visão, perincipalmente se há baixa luminosidade.

O glaucoma de ângulo fechado também pode ocorrer de modo crônico, quando a obstrução da malha trabecular ocorre de modo progressivo. Neste caso a evolução é mais lenta, parecida com o glaucoma de ângulo aberto.

No glaucoma de ângulo aberto, como já dito, o quadro é insidioso, progredindo lentamente sem causar sintomas até fases avançadas da doença, quando o paciente nota estar perdendo a visão.

Fatores de risco para o glaucoma
  • Pressão intraocular elevada - A imensa maioria dos casos de glaucoma estão associados a hipertensão ocular, porém, por motivos ainda não bem esclarecidos, existem casos de lesão do nervo óptico mesmo com a pressão intraocular normal.
  • Raça negra - Não se sabe o porquê, mas negros têm de 6 a 8x mais chances de desenvolver glaucoma que brancos. Além disso, o glaucoma em negros também costuma ser mais grave.
  • Idade - Todo mundo com mais de 60 anos apresenta maior risco de desenvolver glaucoma. Negros devem começar a ter sua pressão ocular avaliada a partir dos 30 anos.
  • História familiar de glaucoma - Pessoas com parente de primeiro grau com glaucoma apresentam até 6x mais chances de também desenvolverem a doença.
  • Diabetes - Pacientes diabéticos parecem ter maior risco de desenvolverem glaucoma (leia: DIABETES MELLITUS - DIAGNÓSTICO E SINTOMAS).
  • Uso crônico de corticóides (leia:INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICÓIDES).
Diagnóstico do glaucoma

Como se trata e uma doença silenciosa, somente uma avaliação com o oftalmologista é capaz de identificar o glaucoma em fases iniciais, o que é essencial para evitar lesões irreversíveis do nervo óptico. Durante a avaliação do glaucoma, o seu oftalmologista deverá realizar diversos testes diferentes para se chegar ao diagnóstico

Normalmente o primeiro exame realizado é a tonometria, usada para medir a pressão intra-ocular. Este exame deve ser feito rotineiramente em toda consulta com oftalmologista.

O exame de fundo de olho, ou fundoscopia, é realizado para se avaliar o nervo óptico. Do mesmo modo, a retinografia ou estereofoto de papila é um exame onde se obtém fotografias do nervo óptico para uma melhor avaliação e posterior comparação com futuros exames (leia: FUNDO DE OLHO | Oftalmoscopia)

A campimetria é usada para avaliar se há defeitos no campo visual causados por lesão do nervo óptico.

A gonioscopia é o exame que distingue o glaucoma de ângulo aberto do glaucoma de ângulo fechado.

Tratamento do Glaucoma

O glaucoma não tem cura e as lesões já existente não podem ser revertidas. Portanto, o objetivo do tratamento do glaucoma é reduzir a hipertensão ocular e evitar o aparecimento novas lesões no nervo óptico.

O melhor tratamento é feito com colírios. A classe mais usada é dos beta-bloqueadores, como o timolol. Outras opções são alfa-agonistas como brimonidina, inibidores da anidrase carbônica como dorzolamida e acetazolamida, ou ainda, prostaglandinas como a latanoprosta.

Em casos mais graves, quando os colírios já não mais funcionam, ou em glaucomas de ângulo fechado, pode ser necessária uma cirurgia para desobstruir a drenagem do humor aquoso.

Se você ainda tem dúvidas ou quer ler mais informações sobre glaucoma e outras doenças oculares, sugiro uma visita ao blog Oftalmologia e Saúde Ocular do oftalmologista Renato Souza Oliveira

Dr. Pedro PinheiroAutor do artigo
Dr. Pedro Pinheiro - Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2002. Diploma reconhecido pela Universidade do Porto, Portugal. Título de especialista em Medicina Interna pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2005. Título de Nefrologista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) em 2007. Título de Nefrologista pelo Colégio Português de Nefrologia.

2 comentários:

Obrigado pelo texto sobre glaucoma. Estava aprocura destas informações para um trabalho escolar sobre glaucoma e catarata
Patrick

Excelente texto com uso de uma linguagem técnica mas ao mesmo tempo de fácil compreensão para os leigos. Além disso o texto é objetivo, conciso e bem ilustrado.
Parabéns e Muito Obrigado.
Gordinho