Com 17 semanas de gravidez, o bebê continua crescendo rapidamente, os movimentos dos braços e das pernas estão mais coordenados e algumas gestantes já começam a perceber as primeiras movimentações fetais. Para muitas outras, porém, ainda é completamente normal não sentir o bebê mexer nesta fase.
A barriga costuma ficar mais evidente e vários desconfortos do primeiro trimestre já diminuíram. Além disso, aproxima-se a fase da ultrassonografia morfológica do segundo trimestre, geralmente realizada a partir das próximas semanas.
Resumo
Principais pontos sobre a 17ª semana de gravidez
- Tempo em meses: 17 semanas correspondem ao final do 4º mês de gravidez.
- Trimestre de gestação: segundo.
- Tamanho do feto: cerca de 13 cm da cabeça às nádegas.
- Peso: em torno de 180 gramas.
- Desenvolvimento fetal: movimentos mais coordenados, continuidade da ossificação, amadurecimento do sistema nervoso e início progressivo do acúmulo de gordura sob a pele.
- Movimentos: algumas gestantes já conseguem senti-los, principalmente se já tiveram outras gestações, mas ainda é normal não perceber nada.
- O que a grávida pode sentir: aumento do apetite, dores ligamentares ou lombares, prisão de ventre, congestão nasal, sensação de calor e veias mais aparentes.
- Ultrassom: a 17ª semana antecede a janela habitual da ultrassonografia morfológica do segundo trimestre, geralmente realizada entre 18 e 24 semanas.
Desenvolvimento do bebê na 17ª semana
Nesta fase, o bebê já apresenta uma aparência corporal bem definida e movimenta braços e pernas com frequência. O crescimento continua acelerado, enquanto órgãos e sistemas que já estão formados passam por um longo processo de amadurecimento.
Tamanho e peso
Com 17 semanas, o bebê mede cerca de 13 cm da cabeça às nádegas e pesa, em média, aproximadamente 180 gramas.
Esses valores servem apenas como referência. Existe uma faixa relativamente ampla de tamanhos considerados normais para a mesma idade gestacional.
Na curva de crescimento fetal da Organização Mundial da Saúde (OMS), o peso estimado mediano na 17ª semana é de aproximadamente 179 gramas. O percentil 10 fica em torno de 155 gramas e o percentil 90, em torno de 207 gramas.
Uma única estimativa de peso não determina, isoladamente, se o bebê está crescendo bem ou mal. Quando existem ultrassons seriados, a evolução das medidas ao longo da gravidez costuma ser mais informativa do que um único valor.

Pele, lanugem e gordura corporal
A pele ainda é muito fina e possui pouca gordura por baixo dela. Ao longo das próximas semanas, o acúmulo de gordura subcutânea aumentará progressivamente e terá papel importante no armazenamento de energia e, mais adiante, na manutenção da temperatura corporal após o nascimento.
A lanugem, formada por pelos muito finos, começa a recobrir cada vez mais o corpo do bebê. A pele também começará progressivamente a receber a proteção do vérnix caseoso, uma substância esbranquiçada e gordurosa que se tornará mais evidente nas semanas seguintes.
Sistema nervoso central
O cérebro continua crescendo e formando novas conexões nervosas. Isso contribui para movimentos progressivamente mais coordenados dos braços, pernas, mãos e face.
Os olhos permanecem fechados, embora as estruturas oculares continuem amadurecendo e possam ocorrer movimentos sob as pálpebras.
As estruturas relacionadas à audição também continuam se desenvolvendo. Nas próximas semanas, a capacidade de responder a estímulos sonoros ficará progressivamente mais evidente.
Movimentos, mãos e pés
O bebê movimenta braços e pernas, flexiona as articulações, leva as mãos ao rosto e à boca e pode realizar movimentos de sucção.
Os dedos das mãos e dos pés já estão formados. As unhas continuam se desenvolvendo e os padrões que darão origem às impressões digitais estão cada vez mais definidos.
Apesar de toda essa atividade, o bebê ainda é pequeno e possui bastante espaço para se movimentar dentro do útero. Por isso, muitos desses movimentos ainda podem passar despercebidos pela gestante.
Desenvolvimento dos órgãos
Os órgãos continuam amadurecendo:
- Coração: mantém atividade cardíaca rápida e regular, geralmente em torno de 140 a 150 batimentos por minuto nesta fase.
- Pulmões: continuam seu desenvolvimento estrutural, mas ainda estão muito imaturos e não realizam as trocas gasosas, que durante a gestação dependem da placenta.
- Sistema urinário: os rins produzem urina, que é eliminada no líquido amniótico. A bexiga fetal enche e esvazia periodicamente à medida que a urina é produzida e eliminada.
- Sistema digestivo: o intestino continua amadurecendo e apresenta atividade motora crescente. O bebê já engole pequenas quantidades de líquido amniótico, enquanto o fígado e o pâncreas seguem amadurecendo suas funções.
- Sistema endócrino: a tireoide fetal já produz hormônios e continua amadurecendo sua função. A hipófise e as glândulas suprarrenais também estão ativas e seguem se desenvolvendo, tornando a regulação hormonal do feto progressivamente mais complexa.
- Esqueleto: a ossificação continua avançando, tornando vários ossos progressivamente mais visíveis ao ultrassom.
- Genitália externa: já está suficientemente diferenciada para que, em muitos casos, seja possível identificar o sexo fetal pelo ultrassom.
Placenta, cordão umbilical e líquido amniótico
A placenta segue funcionando ativamente, garantindo a oxigenação, a nutrição e a eliminação de resíduos fetais. A produção hormonal — principalmente de progesterona e estrogênio — continua essencial para a manutenção da gestação.
O cordão umbilical normalmente possui duas artérias e uma veia e estabelece a ligação entre o bebê e a placenta.
O líquido amniótico protege o bebê contra impactos e oferece espaço para que ele se movimente, o que é importante para o desenvolvimento dos músculos e das articulações.
Movimentos do bebê com 17 semanas
Com 17 semanas, o bebê já se movimenta bastante dentro do útero, mas isso não significa que todos esses movimentos sejam percebidos pela mãe.
Quem já esteve grávida anteriormente pode começar a reconhecer os primeiros movimentos por volta desta fase. Por outro lado, se essa for a primeira gravidez, é frequente que eles só sejam claramente identificados algumas semanas depois.
As primeiras sensações costumam ser muito sutis e podem ser descritas como:
- Pequenas bolhas.
- Vibrações.
- Ondulações.
- “Borboletas” na barriga.
- Pequenos toques ou movimentos difíceis de distinguir dos gases intestinais.
Nesta fase, não existe necessidade de contar chutes nem de esperar um padrão diário de movimentos.
Leitura sugerida: Movimentos fetais: quando sentirei o bebê chutando?
Onde é possível sentir o bebê mexer com 17 semanas?
Quando os primeiros movimentos começam a ser percebidos, é comum senti-los na parte inferior do abdômen, geralmente abaixo do umbigo.
A localização pode variar de acordo com a posição do bebê e da placenta. Uma placenta localizada na parede anterior do útero pode amortecer parte dos movimentos e fazer com que a mãe demore um pouco mais para identificá-los.

É normal não sentir o bebê mexer com 17 semanas?
Sim. Não sentir movimentos com 17 semanas ainda pode ser completamente normal, principalmente na primeira gravidez.
A maioria das gestantes começa a perceber movimentos entre aproximadamente 18 e 20 semanas, mas existe variação considerável. Algumas percebem antes, enquanto outras só conseguem reconhecê-los depois das 20 semanas.
Uma placenta anterior também pode atrasar essa percepção.
Se nenhum movimento tiver sido percebido até aproximadamente 24 semanas, é importante comunicar a equipe responsável pelo pré-natal para que o bebê seja avaliado.
Ultrassonografia na 17ª semana
Nessa fase, a ultrassonografia pode mostrar claramente o bebê, seus movimentos, a atividade cardíaca, várias estruturas anatômicas, a posição da placenta e a quantidade de líquido amniótico.
Entretanto, 17 semanas ainda costuma ser cedo para a ultrassonografia morfológica rotineira do segundo trimestre, cuja janela habitual começa por volta das 18 semanas e pode se estender até aproximadamente 24 semanas, dependendo do protocolo utilizado.
Portanto, se um ultrassom for realizado com 17 semanas por alguma indicação específica, ele pode fornecer muitas informações úteis, mas o pré-natal deve seguir a programação estabelecida para o exame morfológico.
Leitura sugerida: Ultrassom na gravidez: quando fazer e para que serve
É possível saber o sexo do bebê com 17 semanas?
Sim. Com 17 semanas, geralmente já é possível identificar o sexo do bebê pela ultrassonografia, desde que a genitália externa possa ser visualizada adequadamente.
Nesta fase, a diferenciação é feita principalmente pela visualização direta da genitália externa. A precisão costuma ser alta no segundo trimestre, mas o exame não é infalível e, em algumas situações, não é possível chegar a uma conclusão segura.
A possibilidade de identificar o sexo depende de fatores como:
- Posição do bebê durante o exame.
- Posição das pernas.
- Quantidade de líquido amniótico.
- Biotipo materno.
- Qualidade do equipamento de ultrassom.
- Experiência do profissional.

Feto do sexo masculino (menino)
No feto do sexo masculino, o ultrassonografista procura visualizar principalmente:
- Pênis: aparece como uma pequena estrutura projetando-se entre as pernas.
- Escroto: pode ser identificado como uma estrutura arredondada localizada na base do pênis.
Quando essas estruturas são claramente visualizadas, a identificação do sexo masculino costuma ser bastante confiável nesta fase. A visualização do pênis e do escroto é um dos principais critérios utilizados para determinar o sexo fetal no segundo trimestre.
Uma possível fonte de erro é o cordão umbilical posicionado entre as pernas, que em determinados ângulos pode ser confundido com a genitália masculina. Por isso, quando a imagem não é suficientemente clara, o mais adequado é não confirmar o sexo naquele momento.
Feto do sexo feminino (menina)
No feto do sexo feminino, procura-se visualizar a aparência característica da vulva.
Um dos achados clássicos é o chamado sinal das três linhas, também conhecido informalmente como “sinal do hambúrguer”. Ele corresponde à visualização de linhas paralelas na região genital, relacionadas principalmente às pregas labiais. O clitóris também pode ser visualizado, dependendo do plano obtido e da qualidade da imagem.
Quando esse aspecto é bem definido e obtido em uma posição adequada, a identificação do sexo feminino costuma ser bastante confiável.
Limitações da identificação do sexo pelo ultrassom
Mesmo com 17 semanas, nem sempre é possível confirmar o sexo do bebê em um único exame. A ultrassonografia não tem precisão de 100%, e a dificuldade costuma estar mais relacionada à visualização inadequada do que ao estágio de desenvolvimento da genitália.
Algumas situações podem dificultar a identificação:
- Pernas fechadas ou cruzadas.
- Posição fetal desfavorável.
- Cordão umbilical entre as pernas.
- Movimentação do bebê durante o exame.
- Imagem com definição insuficiente.
- Dificuldade técnica relacionada ao biotipo materno.
- Gestação múltipla.
Quando não é possível visualizar a região genital com clareza, não há problema em deixar a identificação para uma ultrassonografia posterior, quando a posição do bebê pode estar mais favorável.
Leitura sugerida: Menino ou menina? Como saber o sexo do bebê?
Preciso fazer exames na 17ª semana de gravidez?
Se o pré-natal estiver atualizado e a gestação estiver evoluindo normalmente, não existe um exame obrigatório especificamente na 17ª semana para todas as gestantes.
Nas consultas de rotina são avaliados aspectos como pressão arterial, peso materno, crescimento do útero e atividade cardíaca fetal, além de sintomas ou alterações que possam exigir investigação adicional.
Um dos próximos marcos do pré-natal é a ultrassonografia morfológica do segundo trimestre, geralmente realizada entre 18 e 24 semanas. Nesse exame são avaliadas detalhadamente diversas estruturas do bebê, além do crescimento fetal, da placenta e da quantidade de líquido amniótico.
Caso ainda não tenha sido realizado o rastreamento de alterações cromossômicas, as opções que permanecem disponíveis podem ser discutidas com o obstetra. Entre elas está o NIPT (teste de DNA fetal livre no sangue materno), que pode ser realizado nesta fase da gestação. O NIPT é um exame de rastreamento, e não um teste diagnóstico.
Quando existe indicação específica de investigação diagnóstica — por exemplo, após um resultado de rastreamento alterado ou diante de determinadas alterações no ultrassom — outros exames, como a amniocentese, também podem ser considerados.
O que a grávida pode sentir na 17ª semana?
Para muitas mulheres, o segundo trimestre é acompanhado de melhora das náuseas e do cansaço intenso das primeiras semanas. Ao mesmo tempo, o crescimento do útero e as alterações circulatórias podem causar novos desconfortos.
Dor nas laterais da barriga
Pontadas ou sensação de puxão nas regiões inferiores e laterais do abdômen podem ocorrer devido ao estiramento dos ligamentos que sustentam o útero.
Essas dores costumam surgir ao levantar-se rapidamente, virar na cama, tossir, espirrar ou fazer movimentos bruscos e geralmente desaparecem em pouco tempo.
Leitura sugerida: Principais causas de dor abdominal na gravidez
Dor lombar
O crescimento do útero começa a modificar a postura e a distribuição do peso corporal. Algumas gestantes já apresentam desconforto lombar leve nesta fase.
Dor intensa, persistente ou acompanhada de outros sintomas não deve ser atribuída automaticamente às alterações normais da gravidez.
Aumento do apetite
Com a melhora das náuseas e dos enjoos do primeiro trimestre, algumas gestantes percebem aumento do apetite.
Isso não significa que seja necessário “comer por dois”. A quantidade de calorias e o ganho de peso adequados dependem do peso anterior à gravidez, da atividade física e de outros fatores individuais.
Prisão de ventre e gases
As alterações hormonais da gravidez reduzem a velocidade do trânsito intestinal, podendo favorecer prisão de ventre, distensão abdominal e gases.
Congestão nasal e pequenos sangramentos
O aumento da vascularização das mucosas pode causar nariz entupido e facilitar pequenos sangramentos nasais.
Esses sintomas podem ocorrer mesmo na ausência de resfriado ou alergia.
Sensação de calor e veias mais aparentes
O aumento do volume sanguíneo e as alterações circulatórias da gravidez podem causar maior sensação de calor e deixar algumas veias mais visíveis, principalmente nas mamas, abdome e pernas.
Corrimento vaginal
Um aumento do corrimento vaginal branco ou transparente, sem odor forte e sem coceira, pode ocorrer normalmente durante a gravidez.
Corrimento acompanhado de mau cheiro, coceira, ardência, sangue ou mudança importante de coloração precisa ser avaliado.
Leitura sugerida: Corrimento na gravidez: causas, sintomas e tratamento.
Alterações físicas no corpo da mãe na 17ª semana
A barriga costuma estar cada vez mais perceptível, mas o tamanho varia bastante de uma gestante para outra. Mulheres com a mesma idade gestacional podem apresentar barrigas bem diferentes sem que isso signifique qualquer problema com o crescimento do bebê.
O útero já ocupa boa parte da região inferior do abdome e seu fundo geralmente ainda se encontra abaixo do umbigo.
Outras alterações possíveis incluem:
- Ganho de peso: tende a tornar-se mais regular durante o segundo trimestre. A quantidade adequada depende principalmente do IMC antes da gravidez e da evolução ao longo do pré-natal (leitura sugerida: Qual é o ganho de peso ideal na gravidez?).
- Mamas: podem continuar aumentando e as aréolas podem ficar maiores ou mais pigmentadas.
- Linha nigra: uma linha mais escura pode começar a ficar evidente no centro do abdome.
- Melasma: algumas mulheres desenvolvem ou percebem intensificação de manchas escuras no rosto (leia: Melasma (manchas no rosto): causas, sintomas e tratamento).
- Estrias: podem começar a surgir conforme a pele se distende (leia: Estrias: causas, prevenção e tratamento).
- Veias mais aparentes: podem ficar mais visíveis devido ao aumento do volume sanguíneo e às alterações circulatórias da gravidez (leia: Varizes: causas, graus, sintomas e tratamento).
Quando procurar orientação médica
Procure avaliação médica se surgirem:
- Sangramento vaginal.
- Perda de líquido pela vagina.
- Dor abdominal forte, persistente ou progressiva.
- Contrações dolorosas e repetitivas.
- Febre ou calafrios.
- Dor ou ardência ao urinar, principalmente se houver febre, dor lombar ou mal-estar (leia: Infecção urinária na gravidez: riscos e tratamento).
- Vômitos persistentes ou dificuldade para manter líquidos e alimentos.
- Desmaio, falta de ar importante ou dor no peito.
- Dor e inchaço importantes em apenas uma perna.
- Corrimento acompanhado de mau cheiro, sangue, coceira intensa ou dor (leia: Corrimento na gravidez: causas, sintomas e tratamento).
A ausência de movimentos fetais não deve ser utilizada como sinal de alerta com apenas 17 semanas, pois muitas gestantes ainda não conseguem senti-los nesta fase.
Dicas práticas para a 17ª semana de gravidez
Algumas medidas ajudam a manter o conforto e a saúde durante esta fase:
- Mantenha-se fisicamente ativa: na ausência de contraindicações, caminhada, exercícios de fortalecimento, hidroginástica, yoga ou pilates adaptados para gestantes podem ser boas opções.
- Mantenha uma hidratação adequada: beber líquidos regularmente ajuda no funcionamento intestinal e na adaptação às alterações circulatórias da gravidez.
- Consuma fibras regularmente: frutas, verduras, legumes e cereais integrais ajudam a reduzir a prisão de ventre (leia: Dieta na gravidez: o que a grávida não deve comer).
- Mantenha fontes adequadas de ferro na alimentação: carnes, leguminosas e vegetais verde-escuros ajudam a suprir a crescente necessidade desse mineral durante a gravidez.
- Cuide da postura: evitar permanecer muitas horas na mesma posição e prestar atenção à postura ao sentar ou levantar objetos pode reduzir o desconforto lombar.
- Use roupas confortáveis: à medida que a barriga e as mamas crescem, roupas e sutiãs que não comprimam o corpo tendem a proporcionar mais conforto.
- Hidrate a pele se houver ressecamento: cremes hidratantes podem melhorar o conforto da pele, embora não exista garantia de que previnam o surgimento de estrias.
- Prepare-se para o ultrassom morfológico: a partir das próximas semanas começa a janela habitual para o exame morfológico do segundo trimestre.
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