RUBÉOLA – Sintomas, Diagnóstico e Vacina

A rubéola é uma doença de origem viral, que costuma ser benigna na maioria dos pacientes, mas que se for adquirida na gravidez pode provocar graves alterações na formação do feto.

A rubéola é uma infecção viral, altamente contagiosa, que costuma acometer crianças. A rubéola é habitualmente uma infecção benigna, mas que pode causar sérias complicações se adquirida durante a gravidez.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a rubéola:

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  • O que é rubéola.
  • Como se pega.
  • Sintomas.
  • Diagnóstico (rubéola IgG e IgM).
  • Tratamento.
  • Rubéola na gravidez.
  • Vacina.

O que é rubéola?

A rubéola é uma infecção viral que costuma causar febre e manchas avermelhadas pelo corpo, chamadas de rash. O homem é o único hospedeiro deste vírus.

A rubéola é uma doença que vem se tornando cada vez menos comum, principalmente após a intensificação das campanhas de vacinação nos últimos anos. No Brasil, não há casos de rubéola notificados desde 2009.

Transmissão da rubéola

A rubéola é transmitida pelas vias aéreas, através de perdigotos (gotículas de saliva), como a maioria das infecções virais de transmissão aérea. O vírus da rubéola é altamente contagioso e costuma ser transmitido por espirros, tosse, beijos, talheres, ou mesmo através de conversas, caso haja tempo e proximidade suficientes para contato com perdigotos.

O período de incubação da rubéola, ou seja, o intervalo de tempo entre a contaminação e o aparecimento dos sintomas, é em média de 14 a 18 dias. Entretanto, o individuo contaminado já torna-se contagioso entre uma a duas semanas antes da infecção se tornar clinicamente aparente. Isso significa que poucos dias depois de ter sido contaminado, e antes de qualquer sintoma, o paciente já é capaz de passar o vírus para outras pessoas.

Em muitos casos a infecção pela rubéola é tão fraca que passa despercebida, o que não impede, porém, que o paciente contamine outras pessoas. Por este motivo, muitos indivíduos com rubéola não conseguem identificar quem os contaminou.

O vírus da rubéola habitualmente invade o organismo pelas vias aéreas, mas cinco a sete dias após a contaminação já se encontra espalhado por todo o corpo, podendo ser encontrado no sangue, urina, pulmão, liquor, pele, etc.

Após o aparecimento do rash, a taxa de transmissão começa a cair, deixando o paciente de ser contagioso 5 ou 7 dias depois.

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Sintomas da rubéola

Na maioria das pessoas, a rubéola apresenta poucos ou nenhum sintoma. Isto é particularmente verdadeiro nas crianças, que costumam ter uma quadro de rubéola bem fraquinho.

Naqueles que desenvolvem sintomas, estes surgem 2 a 3 semanas após terem sido contaminados. Os sintomas inicias da rubéola são inespecíficos, semelhantes aos de qualquer virose, com febre, dores pelo corpo, dor de cabeça, dor de garganta, coriza e prostração. Um exame físico mais cuidadoso pode revelar linfonodos (ínguas) na nuca e atrás das orelhas, que são bem característicos da rubéola.

rash da rubéolaApós 1 a 3 dias de sintomas inespecíficos, surge o rash (exantema) da rubéola, que são pequenas manchas vermelhas difusas, discretamente elevadas, como na foto ao lado. O rash costuma começar na face e descer para o resto do corpo em questão de horas. Esse exantema dura em média 3 dias e depois desaparece. Além da pele, o rash também pode surgir no palato (céu da boca). Nesta fase, um quadro de dor nas articulações e conjuntivite também é comum.

O rash desaparece rápido, mas os linfonodos e as dores articulares podem durar ainda alguns dias. Crianças se recuperam mais rápido que adultos, que podem manter dores nas articulações por até um mês.

Como já dito, a maioria das pessoas não desenvolve sintomas após contato com o vírus. Mesmo aqueles que desenvolvem sintomas de rubéola, praticamente todos melhoram espontaneamente. Raramente, em média 1 a cada 6000 casos, o vírus pode acometer o cérebro, levando ao que chamamos de encefalite viral, um quadro gravíssimo e com alta mortalidade.

Crianças com rubéola devem ficar em casa até o rash desaparecer completamente, para evitar a contaminação dos colegas. Como a rubéola é uma doença que está em vias de ser erradicada, todos os casos devem ser notificados à secretaria de saúde.

Diagnóstico da rubéola

O diagnóstico da rubéola é habitualmente feito através do quadro clínico. O diagnóstico diferencial deve ser feito com parvovirose (leia: ERITEMA INFECCIOSO – Parvovírus B19) e escarlatina (leia: ESCARLATINA – Sintomas e tratamento), que apresentam um rash muito parecido.

Quatro dias após o aparecimento do rash, o corpo já possui anticorpos contra a rubéola, o que permite realizar sorologia para confirmar laboratorialmente a doença. Como nesta fase a maioria das pessoas já está curada ou em processo de cura, e como não há tratamento específico para rubéola, sua confirmação laboratorial é geralmente desnecessária (exceto na gravidez. Explico mais abaixo).

Na sorologia existem dois tipos de anticorpos: anticorpos IgM e anticorpos IgG. O primeiro a aparecer é o IgM, que é o anticorpo que ataca o vírus. O IgM contra rubéola costuma já ser detectável no 4º dia de rash e permanece positivo por até 8 semanas. Após a cura, surge o segundo tipo de anticorpo, o IgG contra rubéola. O IgG é um anticorpo que indica que o paciente teve a doença e agora encontra-se curado e imunizado. Portanto, quem está com rubéola apresenta IgM positivo. Quem já teve rubéola ou foi vacinado apresenta IgG reagente.

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Após a cura, os anticorpos IgG proporcionam uma imunização contra novos episódios de rubéola. Portanto, rubéola só se pega uma vez na vida. São raros e brandos os casos de reinfecção. O paciente pode ter contato novamente com o vírus da rubéola, mas os títulos de IgG se elevam rapidamente, impedindo que o paciente desenvolva a doença uma segunda vez.

Explicamos a interpretação da sorologia da rubéola com mais detalhes neste artigo: RUBÉOLA IGG E IGM – DIAGNÓSTICO DA RUBÉOLA NA GRAVIDEZ

Tratamento da rubéola

Não existe tratamento para rubéola. Mas isso não é um problema já que mais de 99% dos pacientes se curam espontaneamente. Em geral, prescrevemos antitérmicos e analgésicos para aliviar os sintomas até que o paciente esteja totalmente recuperado.

Síndrome da rubéola congênita

A grande preocupação em relação a rubéola está na contaminação de mulheres grávidas. Se em crianças e adultos a doença é branda, no feto em desenvolvimento ela pode ser catastrófica.

Se a rubéola for adquirida durante o primeiro trimestre, o risco de mal formações é maior que 80%. Além dos defeitos morfológicos, 1 em cada 5 mulheres infectadas sofre aborto nesta fase. A síndrome da rubéola congênita se caracteriza por catarata (leia: CATARATA – O que é, Sintomas e Tratamento), surdez, defeitos cardíacos, alterações no fígado e lesão neurológica, inclusive com retardo do desenvolvimento mental. Em vários países do mundo, o aborto é permitido em casos de rubéola no 1º trimestre.

Recém-nascidos com rubéola congênita podem transmitir o vírus por até um ano, sendo necessário evitar o seu contato com outras grávidas não imunizadas.

Infecções contraídas após a 20º semana trazem pouco risco de mal formações, porém ainda existe a chance de transmissão da virose para o feto. Normalmente estas crianças nascem com baixo peso, mas sem defeitos na formação.

Nas grávidas a sorologia ganha muita importância. Toda gestante deve ser testada para rubéola; caso seja IgG negativo, deve-se dobrar os cuidados em relação a contatos com pessoas com sintomas de virose.

Mulheres que sejam IgG reagente não correm risco de pegar rubéola durante a gravidez.

Vacina contra rubéola

A vacina contra rubéola é composta de vírus vivo atenuado, e portanto, é contraindicada na gravidez. Porém, em 2006 um trabalho do ministério da saúde mostrou que em 26000 mulheres vacinadas inadvertidamente por desconhecerem o fato de estarem grávidas, nenhuma apresentou caso de rubéola congênita. Logo, não se vacina mulheres sabidamente grávidas, mas se ocorrer a vacinação por engano, o risco de complicações é baixo (leia: VACINAS NA GRAVIDEZ).

Toda mulher em idade fértil deve realizar uma sorologia para saber seu estado imunológico contra rubéola. Naquelas com resultado negativo (IgG negativo), deve-se aplicar a vacina. Pacientes que tenham IgG positivo estão imunizadas e não correm risco de terem  rubéola. Não é preciso vacinar pessoas que já tenham anticorpos IgG.

Não há problemas em receber a vacina durante a amamentação. Também não há problema em ser revacinado. Se durante uma campanha de vacinação a pessoa não lembra se já recebeu a vacina alguma vez na vida, ou se não sabe seu estado imunológico, ela pode ser vacinada. Esta orientação vale para homens e mulheres entre 20 e 39 anos.

Uma única dose da vacina contra rubéola é eficaz para criar imunização permanente em mais de 95% dos casos.

Como toda vacina com vírus vivo, ela também não deve ser tomada por pessoas imunodeprimidas ou com doença febril ativa.

Vale lembrar que a rubéola faz parte do atual calendário oficial de vacinação nas crianças (leia: VACINAS – Calendário, efeitos colaterais e contraindicações).

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