Vídeo: O que é a bactéria H.pylori?

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Transcrição do vídeo

Você sabia que a maior parte das as úlceras do estômago e do duodeno são doenças infecciosas?

E que em 90% dos casos, o agente causador desta doença é uma bactéria chamada de Helicobacter pylori?

Nesse vídeo eu vou explicar o que é a Helicobacter pylori e quais os problemas que você pode ter se estiver contaminado com essa bactéria.

Até há bem pouco tempo, achava-se que a origem das úlceras do estômago e do duodeno estava associada somente ao estresse e a determinados hábitos de vida, como, por exemplo, o tabagismo e a ingestão de comidas picantes.

Até que, em 1982, dois médicos australianos, o Barry Marshall e o Robin Warren, observando os tecidos de biópsias de pacientes que tinham gastrite, úlceras do estômago e úlceras do duodeno, que é a parte inicial do intestino delgado, descobriram que na maior parte dos casos, uma mesma bactéria estava presente: a Helicobacter pylori, ou H. pylori.

Essa descoberta era tão oposta a todo o conhecimento científico adquirido nessa área nos últimos 50 anos, que a comunidade clínica fez muitas críticas ao trabalho deles e se posicionou contra os dois médicos.

Só que eles não desistiram. Proibidos de fazer qualquer investigação clínica em humanos e sabendo que a Helicobacter pylori não contamina ratos, o próprio Barry Marshall se propôs a ser cobaia.

Primeiro, ele se submeteu a uma biópsia do estômago para provar que era mesmo normal. Depois, se infectou com a Helicobacter pylori e em 10 dias desenvolveu uma gastrite aguda.

Aí fez uma nova biópsia para provar não só que tinha mesmo a gastrite, mas que a bactéria também estava presente no tecido. E depois publicou esse caso no Jornal Australiano de Medicina, em 1985. A partir daí, mais de 25.000 publicações sobre o tema já foram feitas e hoje em dia, o papel da Helicobacter pylori na doença péptica é indiscutível.

A gente sabe que ela é responsável por mais de 90% dos casos de úlcera duodenal e até 80% dos casos de úlcera gástrica, e que é a infecção crónica mais comum dos seres humanos, chegando a estar presente em 50% da população mundial.

A maior parte das pessoas infectadas com a Helicobacter pylori não têm sintomas e nunca vai desenvolver nenhum problema de saúde relacionado com a presença dela. O motivo pelo qual algumas pessoas desenvolvem e outras não ainda não está muito bem esclarecido.

A transmissão da Helicobacter pylori pode ser feita através do contato com uma pessoa contaminada, mas a forma mais comum é pela ingestão de comidas ou água contaminadas com material fecal.

Por isso mesmo ela é detectada com muito mais frequência nos países em desenvolvimento, em que o acesso à água tratada é menor.

Quando chega ao estômago, a bactéria consegue se grudar nas células da mucosa, que é o tecido que reveste a parte interna do estômago, e liberar enzimas e e outras substâncias que são tóxicas para a mucosa gástrica. O sistema imunológico é então ativado para tentar controlar a infecção, com a produção de anticorpos e liberação de substâncias inflamatórias.

Essa inflamação da parede do estômago é chamada de gastrite. Apesar de todo o esforço do sistema imunológico para destruir a bactéria, ela tem características únicas que garantem sua sobrevivência. Então a inflamação se mantém, por um período prolongado. É o que nós chamamos de gastrite crônica.

A gastrite crônica está relacionada a alterações da secreção normal de ácido pelo estômago, o que junto com a lesão da mucosa pode levar à úlcera do estômago e do duodeno.

Além da gastrite crônica e das úlceras de estômago e do duodeno, a H. pylori também está, mais raramente, associada ao desenvolvimento de linfoma gástrico e de câncer de estômago.

Os principais sintomas da infecção pela Helicobacter pylori são:

  • náuseas e vômitos,
  • dor abdominal,
  • azia,
  • diarreia,
  • fome de manhã, ao acordar,
  • mau hálito.

O diagnóstico da infecção por H.pylori pode ser feito através da endoscopia, com a retirada de uma amostra pequena de tecido do estômago, ou então por testes não invasivos.

Os mais comumente realizados são a pesquisa do antígeno da H. pylori nas fezes e o teste respiratório com ureia marcada.

Os exames de sangue podem ser realizados, mas em alguns casos não determinam com certeza se a infecção é antiga ou se é atual.

O tratamento é feito com três fármacos: um inibidor da secreção de ácido, como o omeprazol, e dois antibióticos, geralmente a Amoxicilina e a Claritromicina, por 14 dias.

Todos os pacientes com evidência de infecção ativa pela bactéria devem ser tratados e a eficácia do tratamento deve ser verificada com nova pesquisa da H. pylori 4 semanas após o fim do tratamento.

Depois de serem duramente criticados pela comunidade científica na década de 80, os dois médicos australianos foram devidamente reconhecidos com a entrega do prêmio Nobel de medicina em 2005.

Se você quiser saber mais sobre a infecção por H. pylori, gastrite e úlceras, acesse os links do MD. Saúde que estão na descrição desse vídeo.

Até a próxima.


Referências


Autor(es)

Médica graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade do Porto. Nefrologista pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e pelo Colégio de Nefrologia de Portugal.

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