Vacinas com alumínio são perigosas?

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O que é um adjuvante imunológico?

O adjuvante imunológico é um ingrediente usado em algumas vacinas com intuito de criar uma resposta imunológica mais forte, rápida e duradoura, aumentando, assim, a sua eficácia. Em outras palavras, os adjuvantes ajudam as vacinas a funcionar melhor.

A maioria das vacinas desenvolvidas atualmente inclui apenas pequenos componentes de germes, tais como suas proteínas, ao invés de todo o vírus ou bactéria. Isso torna a vacina mais segura, principalmente para grávidas e pacientes imunossuprimidos, mas aumenta a importância do adjuvante, pois a proteína sozinha é muito menos estimulante para o sistema imunológico do que o vírus vivo enfraquecido.

Existem vários tipos de tipos de adjuvantes imunológicos, sendo os sais de alumínio um dos mais comuns.

Alguns exemplos de substâncias que podem ser utilizadas nas vacinas como
adjuvantes imunológicos são:

  • Fosfato de alumínio.
  • Hidróxido de alumínio.
  • Sulfato de hidroxifosfato de alumínio.
  • Óleo de esqualeno.
  • QS-21 (extrato purificado de quilaia – Quillaja saponaria).
  • Monofosforil lipídio A.
  • Vitamina E
  • CpG 1018 (Citosina fosfoguanina, uma forma sintética de DNA que mimetiza material genético bacteriano e viral).

Quais são as vacinas que contêm alumínio?

Os sais de alumínio têm sido usados como adjuvantes imunológicos já há mais de 80 anos. Desde a década de 1930, pelo menos, o sais de alumínio estão presentes nas vacinas contra difteria e tétano.

Atualmente, as vacinas que contém sais de alúminio são:

  • DT (Tenivac) – Vacina dupla bacteriana contra contra tétano e difteria.
  • DTaP (Daptacel, Infanrix, Adacel, Boostrix) – Vacina tripla bacteriana contra tétano, difteria e coqueluche.
  • DTaP-IPV (Kinrix ou Quadracel) – Vacina quádrupla contra tétano, difteria, coqueluche e poliomielite.
  • DTaP-HepB-IPV (Pediarix ou Pentacel) – Vacina quíntupla contra tétano, difteria, coqueluche, poliomielite e hepatite B.
  • Hep A (Havrix ou Vaqta) – Vacina contra hepatite A.
  • Hep B (Engerix-B ou Recombivax) – Vacina contra hepatite B
  • Hep A/Hep B (Twinrix) – Vacina contra hepatite A e B.
  • HIB (PedvaxHIB) – Vacina contra Haemophilus influenzae tipo b.
  • HPV (Gardasil 9 ou Cervarix) – Vacina contra o papilomavírus humano (HPV).
  • MenB (Bexsero ou Trumenba) – Vacina contra meningite B.
  • Pneumococcal (Prevnar 13) – Vacina contra Streptococcus pneumoniae.

O alumínio faz mal?

O alumínio é o terceiro elemento mais comum no planeta, depois do oxigênio e do silício. É tão onipresente que é impossível evitá-lo. Há alumínio no ar, nos alimentos e na água. Há alumínio também em vários medicamentos, como anti-ácido e analgésicos comuns.

O alumínio é uma substância que em excesso realmente está relacionada a algumas doenças e complicações, tais como doenças ósseas, anemia e demência.

Porém, essas doenças só ocorrem após muito anos de exposição acima da média ao alumínio e são bem mais comuns nos pacientes em hemodiálise, pois esses pacientes não têm rins funcionantes para eliminar os sais do metal pela urina.

Várias substâncias são inócuas ou benéficas se consumidas em quantidades adequadas e tóxicas se consumidas em excesso. Como disse Paracelso, médico suíço da idade média, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose.

As vacinas contendo alumínio fazem mal?

Há uma grande confusão e muita desinformação em relação aos perigos do alumínio nas vacinas.

O primeiro dado que é preciso ser destacado é o fato do alumínio ser usado de forma segura nas vacinas desde a década 1930. Literalmente, bilhões de pessoas já foram vacinadas com esse adjuvante. Poucos são os fármacos com tanto tempo de experiência e tantas doses administradas.

O alumínio nas vacinas é seguro porque quantidade presente é muito baixa, variando entre 0,225 mg e 1,5 mg por dose.

Considerando os diferentes tipos de vacina e doses de reforço, a dose máxima que uma pessoa recebe em toda a sua vida seria de 15 mg. A dose real, porém, é mais baixa, pois a maioria das injeções apresenta menos de 0,6 mg de alumínio por dose.

Mesmo em crianças com menos de 1 ano, a quantidade de alumínio absorvida pela vacinação encontra-se muito abaixo do níveis considerados perigosos.

Um adulto ingere, em média, até 9 mg de alumínio por dia, mas o consumo pode ser maior dependendo do tipo de alimento consumido. Por exemplo, uma fatia de pão feito com fermento em pó à base de alumínio contém até 15 mg de alumínio e alguns tipos de queijo processado podem conter até 50 mg de alumínio por fatia. Até no leite materno há alúminio, cerca de 0,04 mg por litro.

Vários medicamentos também contêm alúminio. Um antiácido à base de alumínio, como o hidróxido de alumínio (Pepsamar®), tem até 240 mg de alumínio em cada comprimido. A dose máxima recomendada do medicamento é de 3840 mg por dia.

Sabemos que a absorção intestinal de alumínio é muito baixa, cerca de 1% apenas. Ainda assim, ao longo da vida, um indivíduo absorve muito mais alumínio do que aquele contido em todas as doses de vacina.

Alguns tratamentos médicos voltados para alergia, como a imunoterapia, chegam a administrar por via subcutânea mais de 350 mg de alumínio nos pacientes, uma quantidade bem maior que os 10 mg que todas as vacinas juntas costumam conter.

Dose média de alumínio em cada vacina

A quantidade de sais de alumínio em cada tipo de vacina costuma ser a seguinte:

  • Vacina pneumocócica – 0,125 mg / dose.
  • Vacina contra difteria-tétano-coqueluche acelular (DTaP) – 0,33 a 0,625
    mg / dose.
  • Vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) – 0,225 mg / dose.
  • Vacina contra a hepatite A (Hep A) 0,225 a 0,25 mg / dose (crianças) e 0,45 a 0,5 mg/dose (adultos).
  • Vacina contra hepatite B (Hep B) – 0,225 a 0,5 mg / dose (pediatria) e 0,5 mg / dose (adultos).
  • Vacina contra Hep A / Hep B – 0,45 mg / dose.
  • Vacina DTaP / poliomielite inativada / vacina contra hepatite B – 0,85 mg / dose.
  • Vacina DTaP / poliomielite inativada / Hib – 0,33 mg / dose.
  • Vacina contra o papilomavírus humano (HPV) – 0,5 mg / dose.
  • Vacina anti-meningocócica B – 0,25 – 0,52 mg / dose.
  • Vacina DT – 0,53 – 1,5 mg / dose.

Efeitos colaterais das vacinas contendo alumínio

Apesar de não haver evidências de que as vacinas contendo alúminio provoquem danos a longo prazo, há sim um risco maior de efeitos colaterais imediatos, tais como dor local, vermelhidão no local da injeção e febre.

Nenhum estudo até o momento encontrou evidências de que as vacinas contendo alumínio aumentem o risco de autismo, Alzheimer, doenças auto-imunes, miofascite macrofágica  ou qualquer outra doença mais grave.

Quais são as vacinas que não contém alumínio?

Nem todas as vacinas contém alumínio, e algumas que o utilizam possuem alternativas sem esse adjuvante.

Exemplo de vacinas que não contêm alumínio:

  • BCG – Tuberculose.
  • Hepatite B (Heplisav-B).
  • Cólera (Vaxchora).
  • Catapora.
  • Herpes Zoster (Zostavax).
  • Sarampo, caxumba e rubéola (MMR).
  • Rotavírus.
  • Influenza sazonal (exceto Fluad).
  • Poliomielite única (IPOL).
  • Febre amarela.
  • Meningocócica (Menactra, Menveo).
  • Pneumococo (PPSV-23 – Pneumovax).
  • Raiva (Imovax, RabAvert).

Referências


O autor deste artigo declara que não recebe nem nunca recebeu qualquer contribuição financeira direta ou indireta da indústria farmacêutica. Não há conflitos de interesse a serem declarados.

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