CORONAVÍRUS: principais mentiras e fake news

O que é a Covid-19?

A Covid-19 é a doença provocada por uma nova cepa de Coronavírus, chamada Sars-Cov-2. Desde o seu surgimento no final do ano 2019, na China, o vírus já contaminou mais de 780 mil pessoas e provocou a morte de mais de 37 mil (dados de 31 de Março de 2020).

Já explicamos o que são os Coronavírus, quais são os sintomas e as formas de transmissão no artigo: Informações sobre o Coronavírus (Covid-19).

Neste artigo vamos apenas rebater as principais mentiras que têm sido propagadas sobre a pandemia. Pretendemos atualizar esse texto com frequência, conforme novas informações erradas forem sendo divulgadas.

Mentiras e Fake news sobre a Covid-19

No momento em que vivemos a maior crise de saúde pública dos últimos 100 anos, o acesso a informações corretas e cientificamente embasadas é vital, porque pode significar milhares de vidas salvas.

As campanhas de desinformação e a propagação das fake news chegaram a um ponto tão absurdo, que em vários países até órgãos governamentais e membros do executivo colaboram para desinformar a população, sugerindo medidas sem nenhum embasamento científico, que muitas vezes são opostas àquelas que as sociedades médicas e até a Organização Mundial de Saúde pregam.

Neste artigo eu selecionei as principais fake news, mentiras e informações sem embasamento científico que pude encontrar circulando pelas redes sociais e em alguns veículos de imprensa.

A hidroxicloroquina cura a infecção pelo Coronavírus » Falso

Falso. Não há evidências de que a hidroxicloroquina ou a cloroquina sejam eficazes no tratamento da Covid-19.

Apesar de ter ficado em evidência após ter sido anunciada como tratamento eficaz para o Coronavírus pelo presidente Donald Trump e depois pelo presidente Jair Bolsonaro, a hidroxicloroquina já vinha sendo utilizada por médicos desde o início da epidemia na China, porque alguns pequenos estudos mostravam benefício. Brasil, EUA, Itália, Espanha, Portugal, França e vários outros países já usavam a hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 muito antes dela ficar famosa nos jornais e nas redes sociais.

Não sabemos se há real benefício, pois os estudos maiores ainda estão em andamento, mas podemos dizer com certeza que o fármaco não é a cura para a pandemia, pois grande parte dos mais de 30 mil pacientes falecidos pela infecção foram tratados com essa medicação enquanto estiveram internados.

A hidroxicloroquina é um fármaco bem antigo, utilizado há décadas no tratamento da malária e das artrites provocadas pelo lúpus e pela artrite reumatoide. Na gripe espanhola de 1918, os sais de quinino, que dão origem a hidroxicloroquina, já eram utilizados como possível forma de tratamento. Não há, portanto, novidade nenhuma nesse medicamento.

É importante destacar que mesmo que os estudos em andamento venham a comprovar algum benefício, o uso da hidroxicloroquina deverá ser feito com muito critério, pois o medicamento é bastante tóxico e dificilmente a população leiga saberá como e quando administrar o fármaco de forma segura.

O Covid-19 é só uma gripezinha » Falso

Falso. A Covid-19 tem taxas de mortalidade e de contágio bem superiores às da gripe comum.

A gripe comum, provocada pelo vírus Influenza, tem uma taxa de mortalidade ao redor de 0,05 a 0,1% e uma taxa de transmissão (R0)* ao redor de 1,3. Já o Sars-Cov-2 apresenta taxa de mortalidade entre 2 a 8% e sua R0 é de 2 a 3.

* R0 é um termo matemático que indica o quão contagiosa é uma doença infecciosa. R0 = 1 significa que cada contaminado, em média, transmite a infecção para uma outra pessoa. Um R0 = 2 significa que cada contaminado, em média, transmite a infecção para outras 2 pessoas. Portanto:

  • Se R0 for menor que 1, cada infecção existente causa menos de uma nova infecção. Nesse caso, a doença tende a desaparecer.
  • Se R0 for igual a 1, cada infecção existente causa uma nova infecção. A doença permanecerá viva e estável, mas não haverá um surto ou uma epidemia.
  • Se R0 for maior que 1, cada infecção existente causará mais de uma nova infecção. A doença se espalhará entre as pessoas e pode haver um surto ou epidemia.

Quanto maior for o R0, mas contagiosa e mais difícil de controlar é a doença.

A gripe espanhola, a epidemia de gripe que infectou mais de 500 milhões de pessoas no inicio do século XX, tinha R0 = 1,8. Portanto, mesmo a gripe espanhola era menos contagiosa que o novo Coronavírus.

Isolamento vertical é melhor que isolamento horizontal para combater a pandemia » Falso

Falso. O isolamento vertical não é uma estratégia baseada em estudos ou evidências científicas.

Diante da ameaça do Covid-19, boa parte dos governos adotou estratégias de restrição de contato social entre os seus cidadãos, alguns de forma mais agressiva, outros de forma mais tolerante.

Inspirados pelo modelo adotado pela China e nas grandes epidemias do passado, o isolamento horizontal foi o modelo utilizado por quase todos os países afetados pelo novo Coronavírus.

Isolamento horizontal é aquele em que todos os cidadãos do país devem manter distanciamento social, permanecendo em casa e isolado de outras pessoas o máximo de tempo possível. O indivíduo só deve sair para comprar comida ou remédios ou para trabalhar em áreas de essenciais, como saúde e segurança, por exemplo.

Já o isolamento vertical prega que o distanciamento social só deve ser aplicado aos indivíduos que fazem parte do grupo de risco, como idosos e portadores de doenças crônicas.

O problema é que não existem estudos que corroborem a eficácia do isolamento vertical. Pelo contrário, todos os estudos mostram que essa estratégia não é eficaz a longo prazo e provoca mais mortes e mais perdas econômicas.

Álcool em gel não é eficaz contra o Coronavírus » Falso

Falso, todos os produtos higiênicos à base de álcool com concentração acima de 60% são eficazes.

O álcool é um produto altamente eficaz para matar diferentes tipos de micróbios, incluindo vírus e bactérias, porque ele inativa e destrói as proteínas desses germes.

O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) recomenda o uso de desinfetantes para as mãos à base de álcool com mais de 60% de etanol ou 70% de isopropanol como a forma preferida de higiene das mãos em ambientes de saúde.

Se você não tiver álcool em casa, lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos também é eficaz.

Bebidas alcoólicas não servem para lavar as mãos, pois nenhuma delas têm a concentração adequada de álcool.


Referências


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