Metformina – Para que serve, dose e efeitos colaterais

Bula simplificada da metformina, medicamento habitualmente usado no tratamento do diabetes mellitus.

258

O que é a metformina?

O cloridrato de metformina é hipoglicemiante oral, ou seja, um medicamento em comprimidos utilizado para o controle da glicemia (taxas de açúcar no sangue) nos pacientes com diabetes mellitus.

A metformina está disponível no mercado desde a década de 1950 e é até hoje é um dos principais fármacos utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, seja como monoterapia ou em conjunto com algum outro hipoglicemiante oral.

Como funciona a metformina?

Enquanto a diabetes tipo 1 é causada por uma deficiente produção de insulina pelo pâncreas, a diabetes tipo 2 ocorre porque a insulina produzida funciona mal.

Essa característica da diabetes tipo 2 permite que ela possa não ser tratada inicialmente com insulina, mas sim com medicamentos por via oral, chamados antidiabéticos orais ou hipoglicemiantes orais.

Entre os antidiabéticos orais, o mais usado atualmente é o cloridrato de metformina, ou simplesmente, metformina, que é um fármaco que só funciona nos pacientes que ainda conseguem produzir insulina em quantidades relevantes.

A metformina ajuda no controle glicêmico do diabetes tipo 2 através de três mecanismos:

  1. Reduz a produção de glicose pelo fígado.
  2. Aumenta a sensibilidade dos tecidos, principalmente dos músculos, à insulina. A metformina não aumenta a produção de insulina, mas sim otimiza a ação daquela já produzida.
  3. Reduz a absorção de glicose pelo trato gastrointestinal.

Metformina e peso corporal

A metformina é a droga de escolha para pacientes diabéticos obesos, pois a mesma não está associada a indesejado ganho de peso, como acontece, por exemplo, com a insulina e outros antidiabéticos orais.

Porém, ao contrário do que algumas pessoas acreditam, a metformina não emagrece ninguém e não deve ser usada como medicação para se perder peso.

Além de não alterar o peso do paciente, a metformina também apresenta como efeito benéfico uma leve redução dos níveis de colesterol LDL e dos triglicerídeos.

Outras indicações da metformina além do diabetes

A única doença que tem indicação formal para ser tratada com metformina é o diabetes tipo 2. Porém, existem outras situações que também apresentam resistência dos tecidos à ação da insulina e têm sido tratadas com metformina em um esquema off-label, ou seja, sem que ainda haja plena validação científica.

Entre essas situações, podemos citar:

  • Síndrome dos ovários policísticos: o uso da metformina parece ser benéfico, principalmente se a paciente tiver sobrepeso e alterações menstruais. Entretanto, não há comprovação de que o medicamento seja realmente benéfico (leia: Ovário policístico – Sintomas e tratamento).
  • Esteatose hepática: a metformina costuma ser prescrita para os pacientes com esteatose hepática, mas os estudos mais recentes não conseguiram demonstrar nenhum benefício, motivo pelo qual o seu uso nesses caso tem vindo a diminuir (leia: Esteatose hepática – Sintomas e tratamento).

Nomes comerciais

A metformina é um medicamento que pode ser encontrado nas farmácias sob a forma genérica ou através dos seguintes nomes comerciais:

  • Diaformin
  • Dimefor.
  • Formet.
  • Glicefor.
  • Glicomet.
  • Glifage.
  • Glifage XR.
  • Glucoformin.
  • Glucophage (Portugal).
  • Jaira Met.
  • Losix.
  • Meta SR.
  • Metformed.
  • Neo Metformin.
  • Risidon (Portugal).
  • Stagid (Portugal).

Como tomar a metformina – Posologia

Tratamento do diabetes mellitus tipo 2

Os comprimidos de metformina podem ser encontrados nas dosagens de 500 mg, 850 mg e 1000 mg. Já os comprimidos de ação prolongada podem ser encontrados nas doses de 750 mg ou 1000 mg.

Adultos ≥ 17 anos:

Dose inicial: 500 mg duas vezes por dia ou 850 mg uma vez por dia. A dose pode ser elevada em 500 mg a cada duas semanas. Se for necessária uma dose maior que 2000 mg por dia, a posologia deve ser alterada para três vezes por dia. A dose total máxima recomendada é de 2550 mg por dia

Nos casos de comprimidos de liberação prolongada, a dose inicial é de 500 a 1.000 mg uma vez por dia. A dosagem pode ser aumentada em 500 mg a cada semana, sendo a dose máxima: de 2000 mg uma vez por dia

Em muitos casos, não conseguimos obter respostas clínicas significativas com doses menores que 1500 mg por dia; no entanto, para minimizar os efeitos colaterais gastrointestinais, recomenda-se uma dose inicial baixa, já imaginando um aumento gradual ao longo das semanas.

A metformina deve ser tomada junto às refeições e o comprimido deve ser engolido por inteiro, evitando parti-lo ou mastigá-lo.

Tratamento da síndrome do ovário policístico (off-label)

  • 1500 mg a 2000 mg por dia, divididos em 2 ou 3 doses diárias (dose inicial de 500 mg por dia, com incrementos de 500 mg a cada 1 ou 2 semanas).
  • Nos comprimidos de liberação prolongada, a dose é de 1000 mg duas vezes por dia (dose inicial de 500 mg por dia, com incrementos de 500 mg a cada 1 ou 2 semanas).

Contraindicações

A metformina é uma droga com pouquíssimas contra-indicações, mas uma delas é muito importante: a insuficiência renal avançada.

A metformina não deve ser usada em pacientes com insuficiência renal, principalmente se a creatinina estiver acima de 1,5 mg/dl ou taxa de filtração glomerular menor que 30 ml/min).

O uso de metformina nesse pacientes está reflacionado a um alto risco de
acidose láctica (aumento do ácido láctico no sangue), que é uma complicação pouco comum, porém potencialmente fatal.

Pacientes com doença hepática (fígado) grave também não devem tomar metformina.

Gravidez e lactação

A metformina pode ser usada com segurança no tratamento do diabetes gestacional.

Nas mulheres amamentando, a presença de metformina no leite costuma ser pequena e o seu uso durante o aleitamento materno costuma ser autorizado pelos pediatras.

Efeitos colaterais

A metformina é uma droga geralmente bem tolerada, principalmente se for respeitada a contraindicação para pacientes com doença renal crônica avançada.

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão a diarreia, náuseas e um gosto metálico na boca.

A hipoglicemia (baixa de glicose no sangue), efeito colateral comum dos outros hipoglicemiantes orais e da insulina, é rara com a metformina.

Referências


ARTIGOS SEMELHANTES

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. OkSaiba mais