Leishmaniose em humanos

Mais de 90% dos casos de leishmaniose no mundo ocorrem na Arábia Saudita, Irã, Afeganistão, Peru e Brasil.

Usamos o termo leishmaniose para definir um conjunto de doenças causadas por parasitos do gênero Leishmania. Estes parasitos estão presentes em quase todos os continentes, com exceção da Austrália e Antártica, já tendo sido identificadas mais de 20 espécies.

A leishmaniose é caracterizada pela OMS (organização mundial de saúde) como uma das seis doenças infecciosas mais importantes do mundo. Estima-se que sejam acometidas todos os anos cerca de 2 milhões de pessoas.

Apesar da imensa quantidade de pacientes infectados, a Leishmaniose é considerada uma doença negligenciada pela indústria farmacêutica, por acometer majoritariamente populações menos favorecidas, ou seja, com menor poder de compra e menor potencial de gerar lucros a essas empresas. No Brasil a leishmaniose está presente em todos os estados.

Transmissão da DA LEISHMANIOSE

Apesar de infectarem primariamente animais, o homem pode ser contaminado se estiver presente em uma área endêmica, seja como turistas ou como residentes.

A transmissão da doença se dá através da picada de um inseto, o flebótomo do gênero Lutzomyia, que é pequeno o suficiente para atravessar malhas de mosquiteiros e telas. Ele recebe diversos nomes de acordo com a região onde é encontrado, como mosquito palha, tatuquira, birigüi, cangalhinha, asa branca, asa dura e palhinha.

Não há transmissão direta de pessoa para pessoa. A leishmaniose é uma zoonose. O mosquito só transmite a leishmania se tiver picado um animal infectado.

As fontes de infecção são principalmente animais silvestres infectados, mas o cão doméstico pode servir também como hospedeiro (usamos este termo para designar o ser infectado). Quando o homem é picado pelo inseto que carrega a leishmania, pode desenvolver dois tipos de doença: a leishmaniose tegumentar (que acomete a pele e as mucosas) ou a leishmaniose visceral ou calazar (que acomete os órgãos internos). O que define se o paciente terá a forma cutânea ou a forma visceral é o tipo de leishmania que o contamina.

Classificação e sintomas da leishmaniose

Após a picada do mosquito, o protozoário é inoculado em nosso corpo podendo se reproduzir localmente ou se espalhar pelo organismo.

1- LEISHMANIOSE TEGUMENTAR OU FORMA CUTÂNEA

Mais de 90% dos casos do mundo ocorrem na Arábia Saudita, Irã, Afeganistão, Peru e Brasil. É caracterizada pela presença de uma úlcera indolor, nas partes expostas do corpo, com formato arredondado ou ovalado, de tamanho variável (desde milímetros até alguns centímetros) e bordas elevadas. O período de incubação (tempo decorrido entre a picada do inseto e o aparecimento de sintomas) é em torno de 2 a 3 meses, mas pode variar de 2 semanas a dois anos.

1.1 Leishmaniose forma cutânea localizada: geralmente há resolução espontânea em um espaço de tempo que varia de acordo com a imunidade do hospedeiro e com o tipo de leishmania envolvido. Pode ocorrer mais de uma lesão ao mesmo tempo (até 20 lesões) e geralmente há boa resposta ao tratamento.

1.2 Leishmaniose forma cutânea disseminada: é uma forma rara que ocorre em apenas 2% dos casos, caracterizada pelo aparecimento de múltiplas lesões papulares e acneiformes (semelhantes a acne), envolvendo várias partes do corpo, inclusive a face e o tronco, podendo chegar a centenas. Inicialmente há lesões semelhantes às da forma localizada, havendo posteriormente disseminação do parasita através do sangue, levando ao surgimento de lesões distantes da picada em poucos dias. Pode haver febre, dores musculares, mal-estar geral e emagrecimento. É uma forma que apesar de mais extensa também apresenta boa resposta ao tratamento.

No Brasil, esta forma é normalmente causada pela espécie leishmania amazonensis e leishmania braziliensis.

1.3 Leishmaniose forma cutânea difusa: forma rara e grave, em que o indivíduo não consegue gerar uma resposta imunológica adequada para eliminar o parasito. No Brasil é causada pela espécie  leishmania amazonensis.

Não há úlcera, mas sim lesões nodulares ou em placas, cobrindo grandes extensões do corpo, frequentemente associadas a deformidades e que respondem mal ao tratamento. Habitualmente existem grandes quantidades de leishmania nas lesões.

1.4 Leishmaniose forma mucosa ou muco-cutânea: corresponde a aproximadamente 3 a 5% dos casos de leishmaniose tegumentar. É caracterizada por resposta imunológica exacerbada e ineficaz, com destruição dos tecidos onde se localiza a infecção e má resposta ao tratamento. Acomete as mucosas das vias aéreas superiores (nariz, boca) e é indolor. Geralmente surge após cicatrização de uma lesão cutânea, (tanto espontaneamente como por terapêutica inadequada), através da disseminação do parasito pelo sangue ou vasos linfáticos. Entretanto, pode ocorrer sem evidência de lesão cutânea prévia ou concomitantemente a uma lesão cutânea a distância.

2- LEISHMANIOSE FORMA VISCERAL

forma crônica caracterizada pelo acometimento sistêmico (dos órgãos internos) pela leishmania, em oposição aos casos acima descritos, em que a doença é restrita à pele ou mucosas. No Brasil, a leishmania chagasi é o parasita que causa leishmaniose visceral.

O período de incubação varia de 2 a 6 meses. A infecção pode ser oligossintomática (quase ou nenhum sintoma) ou de moderada a grave, levando o paciente à morte.

Nos casos sintomáticos iniciais, há anemia, esplenomegalia (aumento do baço), hepatomegalia (aumento do fígado) e febre.

Se não for diagnosticada e tratada adequadamente, a doença evolui e pode ocorrer emagrecimento significativo, comprometimento da função hepática e renal, febre contínua e redução do número de plaquetas e de leucócitos, levando a sangramento, infecções bacterianas e óbito.

Na foto ao lado, vê-se um rapaz com leishmaniose visceral, onde foi marcado à caneta a área onde se consegue palpar o baço e o fígado. Repare como ambos encontram-se com tamanhos muito aumentados.

Diagnóstico da leishmaniose

No caso da Leishmaniose Tegumentar, o aspecto clínico da lesão de pele associado a uma história epidemiológica compatível pode levar ao diagnóstico, mas o ideal é que se utilizem métodos parasitológicos (em que se faz a pesquisa do parasito em um pedaço de tecido) para confirmação.

No caso da Leishmaniose Visceral, o diagnóstico parasitológico pode ser realizado em amostras de medula óssea, fígado, baço e linfonodos.

Intradermoreação de Montenegro: teste realizado com injeção intradérmica de antígenos (proteínas) de leishmania. Caso o doente já tenha entrado em contato com o parasita (está infectado ou já esteve), ocorre uma reação inflamatória no local da injeção. Pode, portanto, ser positivo após tratamento bem sucedido e negativo na forma cutânea difusa, uma vez que depende da resposta imunológica do indivíduo. Nos casos de calazar, o teste é negativo, tornando-se positivo somente após a cura clínica.

Diagnóstico imunológico: utiliza-se a imunofluorescência indireta (RIFI) e o ELISA. Estes testes detectam os anticorpos anti-Leishmania circulantes no sangue de pessoas que já entraram em contato com o parasito. Por isso não devem ser utilizados como critério isolado para diagnóstico na ausência de outros dados clínicos e laboratoriais,

Tratamento da leishmaniose

As drogas de primeira escolha para o tratamento da Leishmaniose são os Antimoniais Pentavalentes. Devem ser administrados por via parenteral (ou seja, intra-muscular ou intra-venosa), por uma período mínimo de 20 dias. A dose e o tempo da terapêutica variam com as formas da doença e gravidade dos sintomas.

O seu principal efeito colateral é a indução de arritmias cardíacas e está contra-indicado em mulheres grávidas nos 2 primeiros trimestres, doentes com insuficiência hepática e renal e naqueles em uso de drogas anti-arrítmicas.

Outras drogas usadas no tratamento da leishmaniose incluem a anfotericina B, paromomicina e pentamidina.

Há vacinas em desenvolvimento no Brasil, já em fases avançadas.

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the fool on the hill
Visitante
the fool on the hill

Onde essa vacina está disponível? É um descaso das autoridades de saúde pública não nos informarem sobre a doença e como prevenir, ou mesmo sobre uma vacina, acho que meu cão está com leishmaniose, e estou com medo de pegar também. Quando tem vacinação para os animais, só se preocupam com vacina antirrábica, deveria ter esse tipo de vacina também, ou ao menos informação sobre a doença e formas de prevenir. Infelizmente somos deixados no escuro.

Daniela Ferreira
Visitante
Daniela Ferreira

Estou com o leishmaniose o que devo fazer estou com medo

Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

Tem que tratar. Procure um infectologista.

Eulalia
Visitante
Eulalia

Os textos são escrito de forma muito esclarecedora.
Obrigada!

Tainá
Visitante
Tainá

A leishmaniose em cães tem tratamento?

Pedro Pinheiro
Visitante
Pedro Pinheiro

Não sou veterinário, mas acho que sim. O ideal é perguntar para o veterinário do seu cão.

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

Ainda não existe vacina para leishmaniose em humanos.

neyusso
Visitante
neyusso

estou a procura da vacina para leishmaniose humana , é possível informar o nome ou laboratório onde posso encontrar .

neyusso
Visitante
neyusso

estou a procura da vacina para leishmaniose humana , é possível informar o nome ou laboratório onde posso encontrar .

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

Ainda não existe vacina para leishmaniose em humanos.

Maria Rejane C. Capati Capati
Visitante
Maria Rejane C. Capati Capati

tem tratamento sim e com vacina IM e EV , como vc fala isso.
e ainda e de notificação epidemiologica , ta mau informado em DR.

Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde

Novamente, não existe vacina contra a leishmaniose em humanos.

Vacina e tratamento são coisas completamente distintas. Conforme o próprio texto diz, existe tratamento para a leishmaniose, mas ainda não existe vacina para humanos.

Willian Teodoro
Visitante
Willian Teodoro

estou com ferimento e foi constatado que e leshmaniose cultanea e sou hipoertenso eu posso tomar o antamonio pentavalente??? quais os riscos?

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

Procure um infectologista.

Allexandra2
Visitante
Allexandra2

Meu cachorro tem nove meses e caiu boa parte de seus peles(as costas inteira esta sem pelo,só coro) a boca mudou de coloração( esta preta) ele ainda come carne só! mas eu estou com tosse e cólicas no pé da barriga como se fosse cólica mestrual,como devo proceder?
Allexandra.momesso@hotmail.com

Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde
Visitante
Dr. Pedro Pinheiro - MD.Saúde

Procure um infectologista.

mariazenaide394
Visitante
mariazenaide394

Boa tarde Dr. Pedro! em quantos dias de quimioterapia ja é notado o resultado do tratamento em um Carcinoma Basocelular Tipo Sólido ( Margens Cirurgicas Comprometidas)

mariazenaide394
Visitante
mariazenaide394

Bom dia, Dr.Pedro! Pode um paciente está com leishmaniose Tegumentar America e cancer ao mesmo tempo? Sou Microscopista em Leishmaniose Tegumentar e Malária, Capacitada pelo Ministério da Saúde, há 11 anos nessa função, cuja é típica dos profissionais da Funasa. Há 10 meses realizei um exame da Paciente Rosena Aniba Guajajara, de 72 anos, Pesquisa parasitológico – Leishmaniose Tegumentar Americana em várias lâminas retirada do esfregaço da lesão, Encontrei VÁRIAS LEISHMANIA DA FORMA AMASTIGOTA. O tempo da lesão segundo a paciente e aconpanhantes é de 3 anos ou mais, tipo da lesão, forma de placas, local da lesão face.Foi realizado também a intradermorreação de montenegro cujo resultado negativo.Outro médico coletou biopsia para Cancer, resultado:CARCINOMA BASOCELULAR DA PELE. MARGEM CIRURGICA COMPROMETIDAS DE NEOPALSIA.O exame de Leishmaniose foi descartado e a paciente está fazendo quimioterapia e não está respondendo ao tratamento Dr. Gostaria de saber como faço para provar que o meu resultado está certo, estou disposta a tudo, pois sei que a paciente está sendo prejudicada por isto. Ela mora numa área indígina, Aldéia Cana Brava, Municipio dos Vieira, Estado do Maranhão. Visto que houve vários casos de Leishmaniose Tegumentar Americana na Aldéia,inclusive em crianças.

Izabelamaiaperes
Visitante
Izabelamaiaperes

Gostaria de saber, fui mordida por um cão infectado por leichmaniose há quinze dias não sabia que ele tinha a doença, então não tomei nenhuma providencia ou seja nehuma vacina, estou correndo algum risco, o que devo fazer? Grata desde já. Meu imail: izabelamaiaperes@yahoo.com.br

Izabelamaiaperes
Visitante
Izabelamaiaperes

Gostaria de saber, fui mordida por um cão infectado por leichmaniose há quinze dias não sabia que ele tinha a doença, então não tomei nenhuma providencia ou seja nehuma vacina, estou correndo algum risco, o que devo fazer? Grata desde já. Meu imail: izabelamaiaperes@yahoo.com.br

Marciafael
Visitante
Marciafael

hoje em 19/08/2012, estou com meu gato de 14 anos doente com esta doença, ele fica na varanda sozinho, só eu q. tenho contato com ele. 2 resultados de exames deram negativos um de sangue e o outro de lâmina. Mas, a veterinária disse q. é a doença. Gente, será q. o mosquito comum mordendo ele poderá nos contaminar? tenho filho pequeno em casa, mais eu e minha família..estou preocupada sem saber q. decisão tomar…se alguém com conhecimento no assunto puder me ajudar, ficarei agradecida.

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