COMO FUNCIONAM OS DIURÉTICOS

Diurético é qualquer substância que promova um aumento do volume de urina produzida ao longo do dia.

127

Os medicamentos que pertencem à classe dos diuréticos são uns dos mais utilizados na medicina, sendo úteis para o tratamento de várias doenças diferentes, tais como hipertensão, insuficiência cardíaca, cirrose hepática, insuficiência renal e muitas outras.

Neste artigo, vamos fazer uma revisão sobre os principais diuréticos disponíveis no mercado, abordando suas ações, indicações e efeitos colaterais.

Principais diuréticos presentes no mercado

Existem 3 grandes grupos de medicamentos diuréticos: diuréticos de alça, tiazídicos e poupadores de potássio.

Diuréticos de alça:
– Furosemida (Lasix®).
– Bumetanida (Burinax®).

Diuréticos tiazídicos:
– Hidroclorotiazida (Drenol®).
– Clortalidona (Higroton®, Hygroton®).
– Indapamida (Natrilix®, Indapen®, Fludex®, Vasodipin®).
– Metolazona (Diulo®).

Diuréticos poupadores de potássio:
– Espironolactona (Aldactone®, Spiroctan®, Diacqua®).
– Amilorida.
– Triantereno.

Ainda existem o Manitol e a Acetazolamida, que são diuréticos usados apenas em situações específicas, que não serão abordados nesse texto.

O QUE É um DIURÉTICO

Um diurético é qualquer substância que promova a diurese, ou seja, que aumente o volume de urina produzida. Existem remédios diuréticos e existem substâncias que podem ter efeito diurético, como a cafeína, álcool e alguns tipos de chás, como o verde e o preto.

Ao contrário da crença popular, o poder diurético dos chamados “diuréticos naturais” é muito fraco e não serve para tratar doenças sérias que precisam de um aumento relevante na excreção de sódio e água pelos rins. Se você tem uma doença e precisa aumentar a perda de líquidos, o tratamento deve ser feito com medicamentos de verdade.

Existem várias classes de diuréticos, cada uma com um mecanismo de ação distinto. O que há de comum entre todos os diuréticos é o fato deles aumentarem a excreção de água pelos rins, que geralmente se dá como resposta a um aumento da perda de sódio (sal) nos túbulos renais.

Cada uma das 3 famílias de diuréticos citadas acima age em um local distinto do túbulo renal. Isso se traduz em indicações, poder de ação e efeitos adversos distintos.

Como cada família de diurético age em um local diferente do rim, não se assuste se o seu médico eventualmente prescrever duas classes de diuréticos ao mesmo tempo. Não há nada de errado nesta conduta. Existem, inclusive, combinações já prontas no mercado, como, por exemplo:

– Hidroclorotiazida + Amilorida (Moduretic®).
– Hidroclorotiazida + Espironolactona (Aldazida®, Ondolen®).

Apesar do mecanismo de ação distinto, todos os diuréticos apresentam uma característica em comum: aumentam a eliminação de sódio (sal) e água pela urina. Na verdade, os diuréticos agem primariamente aumentando a excreção de sódio. Como não podemos urinar sal, o rim aumenta a quantidade de água excretada para poder diluir e eliminar esse sódio todo na urina.

Quando usar um diurético

Os diuréticos são indicados principalmente para o tratamento da hipertensão e dos quadros de edema (inchaços). Os dois problemas estão relacionados a um excesso de sal no organismo, que, como consequência, provoca retenção de água.

Para que o diurético exerça seu papel de modo correto, é preciso que o paciente limite sua ingestão de sal durante o uso do medicamento. Não adianta nada o diurético provocar um aumento na eliminação de sal pelos rins se o paciente está se entupindo de sal na dieta. Para haver resposta clínica, é preciso sair mais sal na urina do que a quantidade que é consumida pela dieta (leia: PERIGOS DO CONSUMO EXCESSIVO DE SAL).

Entre as doenças que podem ser tratadas com diuréticos, algumas se destacam:

– Insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA – CAUSAS E SINTOMAS).
– Insuficiência renal (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA – SINTOMAS).
– Cirrose (CIRROSE HEPÁTICA – Causas e Sintomas).
– Hipertensão (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA)).
– Síndrome nefrótica (leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA).
– Hipercalemia (potássio elevado).
– Hipocalemia (potássio baixo).
– Diabetes Insipidus nefrogênico (Não confundir com diabetes mellitus) (leia:DIABETES INSIPIDUS).
– Quadros edematosos (inchaços) (leia: INCHAÇOS E EDEMAS).
– Edema cerebral.
– Glaucoma (leia: GLAUCOMA | Sintomas e tratamento).

É preciso enfatizar que quadros de “retenção de líquidos” que não fazem parte uma doença devidamente diagnosticada não devem ser tratados com diuréticos, isso inclui, por exemplo, os inchaços que ocorrem no período pré-menstrual. O uso de diuréticos sem indicação pode provocar um efeito contrário, criando inchaços e dependência do fármaco.

Diuréticos de alça – Furosemida (Lasix®)

O mais famoso diurético de alça é a furosemida, também conhecida pelo nome comercial Lasix®.

A furosemida é o diurético mais potente no mercado. Para se ter uma ideia, em pessoas normais apenas 0,4% do sódio filtrado nos rins sai na urina, os 99,6% restantes retornam para o sangue. Com o início da furosemida, a quantidade de sódio excretada salta para 20%, um aumento de mais de 50 vezes.

O Lasix está indicado em doenças que apresentam retenção de sódio e líquidos, como insuficiência cardíaca, cirrose, síndrome nefrótica e insuficiência renal.

A furosemida deve ser tomada, de preferência, duas vezes por dia. Como seu efeito dura, em média, 6 horas, este deve ser o intervalo de tempo ideal entre as duas tomadas. Portanto, se o paciente toma a primeira dose às 8h da manhã, a segunda deverá ser às 14h. Em casos mais leves, a furosemida pode ser administrada apenas uma vez por dia.

Os efeitos efeitos colaterais mais comuns da furosemida: baixa de potássio, baixa de magnésio, desidratação, câimbras, hipotensão, aumento do ácido úrico. Edema de rebote pode ocorrer após suspensão súbita do medicamento.

Apesar do seu alto poder de excretar sódio, a furosemida não é um bom diurético para o tratamento da hipertensão arterial. A não ser que o paciente tenha um ou mais das doenças citadas acima, a melhor opção para controlar a pressão arterial são os diuréticos tiazídicos.

Diuréticos Tiazídicos

Os diuréticos tiazídicos promovem uma diurese menor que a furosemida, porém, por terem um efeito que dura até 24 horas, a perda de sódio e água acaba sendo constante ao longo do dia.

Esse longo tempo de ação, associado ao fato de também terem algum efeito vasodilatador, faz com que os diuréticos tiazídicos sejam os mais eficazes no tratamento da hipertensão. Se não houver contraindicações, os tiazídicos devem ser a primeira, ou no máximo, a segunda escolha no tratamento da hipertensão.

Nos pacientes com insuficiência renal avançada, porém, os tiazídicos não funcionam bem. Neste caso específico, o melhor diurético para baixar a pressão arterial é a furosemida.

Os efeitos colaterais mais comuns dos tiazídicos são parecidos com os da furosemida, mas eles também podem provocar aumento da glicose e do colesterol em algumas pessoas. Os tiazídicos causam hiponatremia (sódio baixo no sangue) com mais frequência que a furosemida, principalmente nos idosos.

Diuréticos poupadores de potássio

O diurético poupador de potássio mais prescrito é a espironolactona. Essa classe possui esse nome porque é a única que não aumenta a excreção de potássio na urina. Os poupadores de potássio agem excretando sódio e diminuindo a excreção de potássio. Isso é ótimo para quem tem potássio baixo e perigoso para quem o tem alto.

Os diuréticos poupadores de potássio são o grupo de diuréticos mais fraco e estão contraindicados na insuficiência renal avançada.

A espironolactona também inibe um hormônio chamado aldosterona, que quando está elevado piora a insuficiência cardíaca e a cirrose. Por isso, ela é muito usada nessas duas doenças junto com a furosemida.

Os efeitos efeitos colaterais mais comuns da espironolactona são o aumento do potássio, ginecomastia, aumento de pelos e alterações menstruais.

VEJA OUTROS ARTIGOS SEMELHANTES