ANISAQUÍASE – Verme do Sushi – Sintomas e Tratamento

O verme Anisakis costuma ser contraído através da ingestão de peixes crus ou mal cozinhados.

Anisaquíase é o nome de uma parasitose intestinal provocada por vermes da espécie Anisakis, que são habitualmente adquiridos após a ingestão de frutos do mar ou peixes crus.

A anisaquíase ainda é uma doença rara, mas que, devido à crescente popularização dos pratos à base de peixes crus ou mal cozidos, tais como sushis, carpaccios de salmão, salmão defumado ou ceviches, tem vindo a se tornar cada vez mais descrita.

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Neste artigo vamos explicar o que é a anisaquíase, quais são os seus sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento.

O que é a anisaquíase

A anisaquíase é uma parasitose intestinal provocada por vermes nemátodes da família Anisakinae, nomeadamente Anisakis simplex, Anisakis physeteris e Pseudoterranova decipiens.

A anisaquíase é uma parasitose típica dos mamíferos marinhos, como baleias, golfinhos, leões marinhos e focas, sendo o homem apenas um hospedeiro acidental. A anisaquíase comporta-se nos animais marinhos de forma semelhante à ascaridíase no homem (leia: ASCARIDÍASE – Transmissão, Sintomas e Tratamento).

Para entendermos como se dá a contaminação dos seres humanos, precisamos conhecer o ciclo de vida do parasito.

1- Mamíferos marítimos contaminados eliminam ovos do verme pelas fezes.
2- Na água do mar, os ovos chocam e as larvas são liberadas, passando a nadar livremente.
3- Essas larvas são ingeridas por crustáceos e começam a se desenvolver no seu interior.
4- Quando os crustáceos contaminados são comidos por peixes ou lulas, a larva do verme desloca-se do trato gastrointestinal para os músculos.
5- Peixes contaminados são comidos por mamíferos marinhos.
6- A larva, agora no seu hospedeiro definitivo, desenvolve-se, vira verme adulto e passa a liberar ovos no intestino desses mamíferos, dando início a um novo ciclo.

A contaminação dos seres humanos se dá por acidente na 5ª fase. Porém, ao contrário do que ocorre nos mamíferos marinhos, a larva do Anisakis não consegue evoluir para verme adulto nos seres humanos.

Quando um humano se contamina, o ciclo de reprodução do parasito é interrompido, pois ele não consegue sobreviver fora do seu hospedeiro habitual.

Portanto, não existe transmissão de ser humano para ser humano, e as pessoas contaminadas não eliminam ovos nem parasitos pelas fezes.

Contaminação dos seres humanos pelo Anisakis

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Como já mencionado, o homem contamina-se com o parasito Anisakis quando ingere carne crua ou malpassada de peixes contaminados. Salmão, arenque, cavala e lula costumam transmitir espécies de Anisakis enquanto Alabote e anchova transmitem espécies de Pseudoterranova. O bacalhau pode transmitir ambas espécies.

A larva do verme costuma estar alojada no músculo dos peixes, sendo possível sua identificação no momento em que o peixe está sendo fatiado.

As melhores medidas preventivas são a cozedura do peixe a, no mínimo, 70ºC ou congelamento a -20ºC por um período mínimo de 72 horas (idealmente por 7 dias) ou a -35ºC por, pelo menos, 24 horas. O processo de defumação não mata o parasito.

Apesar da recente explosão no número de restaurantes de sushi no mundo ocidental nos últimos anos, a anisaquíase continua sendo pouco comum. Isso ocorre por 3 motivos:

1- Restaurantes de qualidade congelam o peixe antes destes serem servidos ao público.
2- Muitos restaurantes utilizam peixes criados em cativeiro, sem contato com a vida marinha natural.
3- Chefs de sushi devidamente treinados são capazes de detectar as larvas do Anisakis no momento do preparo do peixe.

Em quais países existem casos de anisaquíase?

A anisaquíase é uma verminose ainda bastante desconhecida do público em geral e até da classe médica. Todavia, com a crescente popularização dos restaurantes que servem peixe cru, principalmente ceviche e sushi, os casos de infecção pelo Anisakis começaram a ser descritos com cada vez mais frequência.

No Japão, país com maior incidência dessa verminose, a taxa anual de infecção é de 3 casos novos para cada 1 milhão de habitantes. Isso significa, aproximadamente, 400 novos casos por ano.

Na Holanda, país no qual há o hábito de comer arenque cru (haring), essa parasitose também é relativamente conhecida. Aliás, o primeiro caso de anisaquíase descrito na literatura médica veio exatamente da Holanda, em 1960.

Atualmente, porém, devido a uma lei que obriga o congelamento do haring por 7 dias antes da comercialização ao público, a doença praticamente desapareceu.

Nos restantes dos países ocidentais, a incidência da anisaquíase é desconhecida. É muito provável que a real incidência dessa verminose seja maior do que aquela efetivamente notificada. No Brasil, por exemplo, não há casos registrados de anisaquíase. Entretanto, o verme já foi encontrado pela vigilância sanitária em diversos tipos de peixes, tais como anchova, bacalhau, cavala, dourado, peixe-espada e vieiras. É possível que as pessoas estejam se infectando com o verme, mas o diagnóstico não esteja sendo feito.

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Em Portugal, houve recentemente grande divulgação nas mídias sociais do caso de um paciente de 32 anos que deu entrada no serviço de urgências com intensa dor abdominal, vômitos e febre após ter comido sushi.

Sintomas da ANISAQUÍASE

A maioria dos sintomas associados à anisaquíase são devidos a danos diretos aos tecidos do trato gastrointestinal ou à reação alérgica provocada pelo parasito.

A reação alérgica, que é a forma menos comum, surge rapidamente após a ingestão do peixe cru infectado. Alguns indivíduos desenvolvem rash na pele, coceira e formigamento na garganta. Casos de angioedema e anafilaxia são raros, mas já foram descritos.

O quadro é parecido com o de qualquer alergia alimentar, não sendo improvável que alguns dos casos sejam confundidos com alergia a frutos do mar (leia: ALERGIA ALIMENTAR – Causas, Sintomas e Tratamento). Casos de alergia podem ocorrer mesmo se o peixe tiver sido devidamente cozinhado e a larva estiver morta.

Os sintomas gastrointestinais costumam surgir devido a uma reação inflamatória provocada pela presença do parasito. Habitualmente, a larva tenta penetrar a mucosa do sistema digestivo e acaba morrendo no meio do caminho. A presença do verme morto estimula uma intensa reação inflamatória, que pode provocar uma massa ou abscesso no esôfago, estômago ou intestinos.

A anisaquíase gástrica geralmente surge entre 1 a 8 horas após a ingestão do peixe contaminado e caracteriza-se por dor estomacal aguda, febre baixa, náuseas e vômitos.

Os pacientes que apresentam vômitos podem eliminar a larva desta forma, acabando por ficarem curados.

Já a anisaquíase intestinal costuma desenvolver-se de 5 a 7 dias após a ingestão da larva e pode estar associada a dor abdominal intensa, distensão abdominal, febre e obstrução intestinal pela massa inflamatória. Diarreia com sangue ou muco também são manifestações comuns.

A larva costuma ficar no intestino delgado e raramente chega ao intestino grosso. Eventualmente, a larva consegue perfurar o intestino, caindo na cavidade peritonial e provocando um quadro de peritonite.

Diagnóstico DA ANISAQUÍASE

Na maioria dos casos, o diagnóstico da anisaquíase é feito através da endoscopia digestiva alta, que é capaz de visualizar facilmente a larva do verme dentro do estômago (leia: ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA).

Anisaquíase
Anisakis identificado em uma endoscopia digestiva

Quando o verme já não se encontra mais no estômago, o diagnóstico torna-se mais difícil. Existem exames de sangue capazes de detectar a infecção pelo Anisakis, mas eles não estão disponíveis em todos os laboratórios e é preciso um elevado grau de suspeição por parte do médico para solicitar estas análises. Se o médico nunca viu um caso de anisaquíase, provavelmente não irá passar pela sua cabeça pesquisar por essa parasitose.

Tratamento DA ANISAQUÍASE

Quando o verme encontra-se no estômago, a sua remoção através da endoscopia digestiva é suficiente para curar o paciente. Os sintomas desaparecem logo ao final do procedimento.

Quando o verme já não se encontra mais no estômago e penetrou a mucosa do intestino, provocando abscesso ou obstrução intestinal, a cirurgia é forma mais indicada de tratar a infecção.

Casos de sucesso com o tratamento à base de albendazol 400 mg de 12/12 horas por 3 dias têm sido descritos (leia: BULA SIMPLIFICADA DO ALBENDAZOL).

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