O QUE É A PLASMAFERESE?


A plasmaferese (ou plasmaférese) é um processo de remoção de elementos do plasma sanguíneo que possam ser responsáveis por algumas doenças. A indicação mais comum é para remoção de anticorpos e complexos autoimunes.

Para que o texto não fique muito complexo, é preciso primeiro entender o que é o plasma sanguíneo.

O que é o plasma?

O sangue é o fluido responsável por transportar nutrientes e oxigênio para todos os tecidos do corpo. No sangue também estão presentes enzimas, proteínas, anticorpos, células, sais minerais, glicose, hormônios e uma gama de outras moléculas necessárias para o funcionamento do organismo.

Plasma - plasmaferese
Sangue x plasma (clique p/ampliar)
O sangue é composto por uma parte líquida, chamada de plasma, e outra sólida, composta por células circulantes que são as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas.

Quando se pega uma amostra de sangue e coloca-se em uma máquina centrifugadora, conseguimos separar esses elementos do sangue como demonstrado ao lado (clique na imagem para ampliá-la)

O plasma sanguíneo, que é a parte líquida (sem células), corresponde a 55% do volume de sangue. Ele é composto por 90% de água e 10% de proteínas, anticorpos, enzimas, glicose, sais minerais, fatores da coagulação, hormônios e outras substâncias diluídas do sangue.

Como muitas doenças são causadas por auto-anticorpos (leia DOENÇA AUTOIMUNE para entender o conceito de auto-anticorpos), toxinas e excesso de proteínas indesejadas, ou seja, produtos presentes no plasma, inventou-se um método onde estas substâncias possam ser removidas do sangue.

A plasmaferese é, portanto, o procedimento realizado para a "limpeza" do plasma, removendo substâncias que sejam responsáveis por causar danos ao organismo.

Como é feita a plasmaferese?

A plasmaferese é um método semelhante à hemodiálise (leia: O QUE É HEMODIÁLISE? COMO ELA FUNCIONA?), realizado, inclusive, com uma máquina muito parecida.

Enquanto na hemodiálise o filtro remove as toxinas acumuladas pela insuficiência renal (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA - SINTOMAS), o filtro da plasmaferese é capaz de remover o plasma do sangue, levando consigo as substâncias indesejáveis que estão causando doenças.

Plasmaferese
Plasmaférese
Na foto ao lado podemos ver uma sessão de plasmaferese em andamento.  O sangue do paciente é filtrado pelo plasmafiltro, que remove as proteínas e anticorpos danosos, retornando ao paciente sem estes elementos.

O problema é que a plasmaferese filtra todas as substâncias do plasma, tanto as maléficas quanto as benéficas, inclusive a água presente. Para que o paciente não entre em choque circulatório (leia:CHOQUE CIRCULATÓRIO), o mesmo volume que é eliminado na plasmaferese é reposto com bolsas de plasma fresco ou albumina fornecidos pelo banco de sangue. Na paciente da foto, optamos por fazer reposição com albumina, por apresentar menor risco de efeitos colaterais.

Assim como na hemodiálise, na plasmaferese é preciso um acesso venoso para que possamos levar o sangue até a máquina e depois trazê-lo de volta ao paciente. Habitualmente usamos cateteres de hemodiálise na veia jugular interna ou na veia femoral para realização da plasmaferese. Estes cateteres ficam localizado dentro da veia cava, bem próximo à entrada do coração (veja a ilustração abaixo).

Cateter venoso central
Cateter venoso central implantado na veia jugular interna
As sessões de plasmaferese duram em média duas horas e podem ser realizadas diariamente ou em dias alternados, dependendo da doença em questão. O tempo total de tratamento também depende da substância plasmática que se pretende filtrar e da melhora clínica do paciente, durando em geral uma a duas semanas.

É importante entender que a plasmaferese remove as proteínas indesejáveis, mas não influi na sua produção. Essa informação é importante em duas situações:

1- Se o caso em questão for uma doença autoimune, junto com a plasmaferese para remover os auto-anticorpos, é necessário também o tratamento com drogas imunossupressoras para impedir que novos anticorpos maléficos sejam produzidos enquanto se retira os que já circulam na corrente sanguínea. Caso contrário, em poucos dias, tudo o que foi retirado do plasma estará de volta.

2- Alguns anticorpos e proteínas maléficas sobrevivem por mais de 20-30 dias. Mesmo que o tratamento com drogas imunossupressoras consiga cessar a produção de novos, se não for realizada a plasmaferese, aqueles anticorpos ou proteínas já produzidas continuarão circulando e atacando o organismo ainda por vários dias. Dependendo da virulência da doença, isso é inaceitável, podendo ser tempo suficiente para levar o paciente ao óbito ou à lesão irreversível de algum órgão.

Indicações para plasmaferese

Duas doenças neurológicas de origem autoimune são as maiores indicações para plasmaferese. São elas a Miastenia Gravis e a Síndrome de Guillain-Barré (leia: O QUE É A SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ?).

Outras doenças onde a plasmaferese também pode estar indicada são:

- Mieloma múltiplo (leia: ENTENDA O MIELOMA MÚLTIPLO).
- Macroglobulinemia de Waldenstrom.
- Lúpus (leia: LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO).
- Síndrome de Goodpasture.
- Granulomatose de Wegener (GRANULOMATOSE DE WEGENER).
- Crioglobulinemia.
- Esclerose múltipla (leia. SINTOMAS DA ESCLEROSE MÚLTIPLA).
- Púrpura trombocitopênica trombótica.
- Algumas glomerulonefrites (leia: O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE ?).
- Hipercolesterolemia familiar (leia: COLESTEROL BOM (HDL) E COLESTEROL RUIM (LDL)).
- Síndrome de Crigler-Najjar (leia: SÍNDROME DE GILBERT, CRIGLER-NAJJAR e DUBIN-JOHNSON).
- Alguns casos de rejeição de transplante de órgãos (leia: SAIBA COMO FUNCIONA O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS).

Complicações da plasmaferese

Como qualquer procedimento médico invasivo, a plasmaferese apresenta sua taxa de complicações.

Assim como na hemodiálise, a punção de um vaso profundo para implantação do cateter pode levar a problemas como sangramentos e infecção.

Como no plasma encontram-se os fatores responsáveis pela coagulação, quando a reposição do volume retirado é feita apenas com albumina, e não com plasma fresco, existe o risco de hemorragias pela depleção das proteínas da cascata da coagulação.

Quando a reposição é feita com bolsas de plasma fresco, há menor risco de sangramentos, porém, outras complicações podem surgir. O plasma fresco é obtido através de doações de sangue, onde o plasma é retirado e colocado em bolsas separadas (leia: DOAÇÃO DE SANGUE | informações para doadores). Portanto, a infusão de plasma fresco pode apresentar complicações semelhantes às que ocorrem em transfusões de sangue. Uma delas é a transmissão de infecções como hepatite e HIV (leia: ENTENDA A HEPATITE C e SAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS (SIDA)). Outra é a reação à proteínas presentes no plasma podendo causar anafilaxia (leia: CAUSAS E SINTOMAS DO CHOQUE ANAFILÁTICO).

Os derivados de sangue possuem citrato em seu interior para impedir a coagulação dentro da bolsa. O citrato quando infundido no sangue liga-se ao cálcio impedindo que este exerça suas funções normais no organismo, levando a sintomas semelhantes aos da falta de cálcio no sangue (câimbras, alterações neurológicas, dormências nos membros, etc.)

Apesar de teoricamente ser mais lógico realizar a reposição do plasma retirado com a transfusão de plasma fresco, o fato é que, quando a reposição é feita apenas com soro albuminado, as taxas de complicações são menores.

Algumas doenças, porém, apresentam melhor resposta quando a reposição é feita com plasma, principalmente na púrpura trombocitopênica trombótica. Portanto, a indicação do tipo de reposição é feita individualmente.

O QUE É A PRÓSTATA?


A próstata é um órgão presente apenas no sexo masculino, localizada no trato geniturinário, apresentando íntima relação com a bexiga, uretra e a vesícula seminal.

Neste texto vamos responder as seguintes questões sobre a próstata:
  • O que é a próstata?
  • Onde fica a próstata?
  • Para que serve a próstata?
  • Quais são as doenças mais comuns da próstata?
  • É possível viver sem a próstata?
Se você quiser ler sobre as doenças da próstata, temos uma série de artigos sobre o assunto:

- CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento
- CÂNCER DE PRÓSTATA | Perguntas e respostas
- HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA | Sintomas e tratamento
- PROSTATITE | Sintomas, causas e tratamento
- SINTOMAS DA PRÓSTATA
- BIÓPSIA DA PRÓSTATA | Indicações e complicações

O que é a próstata?
Localização da próstata
Localização da próstata

A próstata é uma glândula de forma arrendondada, que possui em média 3cm de altura, 4cm de comprimento e 2cm de largura, totalizando um volume de aproximadamente 15 a 20 gramas.

A próstata fica localizada logo abaixo da bexiga e à frente do reto (porção final do intestino grosso). Colada à próstata também ficam as vesículas seminais, órgãos responsáveis pela produção de parte do líquido presente no esperma (veja  figura ao lado para entender melhor onde fica a próstata).

Por dentro da próstata passa a uretra, canal que drena a urina da bexiga em direção ao pênis. Também por dentro da próstata passam os vasos deferentes, que são os canais que trazem os espermatozoides produzidos pelos testículos. Os vasos deferentes desembocam na uretra no interior da próstata.

Qual a função da próstata?

A principal função da próstata é produzir uma secreção que sirva de proteção para os espermatozoides. O líquido prostático corresponde a cerca de 30% do volume do esperma ejaculado; é ele quem dá ao esperma a sua aparência leitosa.

Os espermatozoides são produzidos nos testículos e transportados pelo vaso deferente, que se junta à vesícula seminal. Ao passarem pela vesícula seminal, os espermatozoides são misturados ao fluido seminal, uma substância alcalina que corresponde a 50-70% do volume total do esperma. Após a vesícula seminal, os espermatozoides chegam à próstata.

Durante a ejaculação, a próstata se contrai e libera o líquido prostático, misturando-se ao líquido seminal já rico em espermatozoides. A primeira fração do esperma ejaculado é rica em fluido prostático e possui os espermatozoides mais ativos, saudáveis e capazes de fecundar um óvulo. O líquido da próstata protege os espermatozoides do ambiente ácido da vagina, mantendo o seu DNA intacto. O fluido prostático também prolonga a vida dos espermatozoides e faz com que eles se tornem mais móveis, aumentando as chances de chegarem até o óvulo.

Como o vaso deferente desemboca na uretra dentro da próstata, é preciso haver algum controle para que a urina da bexiga não se encontre com os espermatozoides vindos do testículos. Quando o homem ejacula, a próstata se contrai, empurrando os esperma em direção ao pênis e fechando a porção do ureter que se conecta à bexiga. Deste modo, há a garantia de que não haverá passagem de urina durante a ejaculação.

Quais são as doenças mais comuns da próstata?

Hiperpalsia da próstata
Hiperplasia benigna da próstata
a. Hiperplasia benigna da próstata (HBP)

Um dos grandes problemas da próstata é a sua tendencia a crescer com o passar do anos, principalmente após os 40 anos. O aumento da próstata recebe o nome de hiperplasia benigna da próstata.

A hiperplasia benigna da próstata é tão comum que acomete metade dos homens com mais de 50 anos e mais de 80% dos homens com mais de 80 naos de idade.

A HBP tem como principal complicação a obstrução à passagem de urina. Repare na figura acima como uma próstata grande pode obstruir a uretra, dificultando a drenagem da urina.

Para saber detalhes sobre a hiperplasia benigna da próstata, leia: HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA | Sintomas e tratamento.

b. Câncer de próstata

Outra doença comum é o câncer de próstata. O adenocarcinoma da próstata (leia: O QUE É UM CARCINOMA?) é o câncer mais comum no sexo masculino, presente em até 80% dos homens que chegam aos 80 anos de idade.

O câncer da próstata é um tumor que costuma ser indolente, crescendo lentamente, podendo permanecer assintomático por vários anos.

Para saber mais sobre o adenocarcinoma da próstata, leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento.

c. Prostatite

A prostatite é uma doença causada pela inflamação da próstata.

A prostatite aguda, que é a forma mais comum de prostatite, é um quadro inflamatório normalmente causado por uma infecção bacteriana, em geral por E. coli, Klebsiella ou Proteus.

A prostatite aguda pode ocorrer tanto em homens jovens quanto em idosos e os seus principais sintomas são a febre, dor para urinar e dor na região pélvica.

Para saber mais sobre a prostatite, leia: PROSTATITE | Sintomas e tratamento.

Exames da próstata

Existem quatro importantes exames para avaliar a próstata. O mais simples é o toque retal. Como a próstata fica colada ao reto, através do toque retal é possível palpá-la, podendo-se obter informações sobre o seu tamanho e formato.

Outro exame simples é a dosagem sanguínea do PSA, uma enzima produzida pela próstata, que costuma estar aumentada nas doenças, principalmente no câncer e na prostatite.

A ultrassonografia da próstata é um exame de imagem útil para se avaliar o tamanho da mesma e a presença de nódulos suspeitos. Quando o ultrassom é feito pela via retal, a eficácia do exame é muito maior, sendo esta a forma ideal de se realizar uma ultrassonografia prostática.

Por fim, há a biópsia da próstata, que é o procedimento realizado quando há suspeitas de tumores. Explicamos a biópsia prostática com detalhes neste texto: BIÓPSIA DA PRÓSTATA | Indicações e complicações.

Podemos viver sem a próstata?

Sim, a próstata não é um órgão essencial à vida. Na verdade, nas pessoas idosas, que já não pretendem mais ter filhos, a próstata não tem função, servindo apenas como fonte de problemas.

A grande questão é que a remoção da próstata não é um procedimento livre de complicações. Entre as mais comuns estão a impotência sexual (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento) e a incontinência urinária (leia: INCONTINÊNCIA URINÁRIA | Causas, tipos e diagnóstico).

O QUE É UM CARCINOMA?


O carcinoma é o tipo de câncer mais comum nos seres humanos, podendo surgir em praticamente todos os tecidos do nosso corpo. Chamamos de carcinoma o câncer que se origina de um tecido epitelial, ou seja, o tecido que recobre nossa pele e a maioria dos nossos órgãos.

Neste texto vamos explicar os seguintes pontos sobre o carcinoma:
  • O que é uma célula epitelial.
  • O que é câncer.
  • O que é o carcinoma.
  • O que é um adenocarcinoma.
  • O que é carcinoma in situ.
  • Prognóstico e tratamento dos carcinomas.
O que é uma célula epitelial?

Como o carcinoma surge de uma célula epitelial, é importante entender um pouco o que são estas células.

O corpo humano é composto por basicamente quatro tipos de tecidos:

- Tecido conjuntivo.
- Tecido nervoso.
- Tecido muscular.
- Tecido epitelial.

O tecido epitelial, formado por células epiteliais, está distribuído difusamente pelo nosso organismo, pois ele é o responsável pelo revestimento da nossa pele é órgãos. O tecido epitelial é como se fosse uma capa que recobre e protege nossos órgãos. A camada mais superficial da pele, chamada de epiderme, é composta apenas por células epiteliais.

Existem vários tipos diferentes de células epiteliais, várias delas com outras funções que não apenas revestir e proteger órgãos. Por exemplo, no tecido epitelial dos intestinos há células epiteliais com capacidade de absorver nutrientes; na boca há células epiteliais com capacidade de reconhecer sabores; o mesmo ocorre no revestimento interno do nariz, onde células neuroepiteliais reconhecem odores.

Há também células epiteliais que possuem glândulas, sendo capazes de secretar substâncias, como saliva na boca (glândulas salivares), gordura e suor na pele (glândulas sebáceas e sudoríparas), leite nas mamas (glândulas mamárias) e ácido no estômago (células parietais).

Portanto, cada órgão, incluindo a pele, tem o seu tecido epitelial próprio, muitas vezes compostos por mais de um tipo de célula epitelial, cada uma com uma função diferente no organismo.

O que é um câncer?

Todas as células do nosso têm um tempo de vida útil, sendo destruídas quando se tornam velhas ou quando sofrem lesões irreparáveis da sua estrutura. Nosso organismo é programado para que apenas células sadias sobrevivam. Se alguma célula sofre alteração do seu DNA, ela automaticamente se destrói, em um processo chamado de apoptose. A apoptose é um mecanismo de defesa que a natureza desenvolveu para evitar que células com DNA comprometido se multipliquem.

Nós temos genes, chamados  proto-oncogenes, cuja função é controlar o processo de apoptose e impedir o aparecimento de células cancerígenas. Você pode não saber, mas o tempo todo surgem no seu corpo células com potencial cancerígeno, que não se transformam em câncer por causa dos mecanismos de defesa que o organismo possui.

O câncer de pele, por exemplo, surge quando uma célula do epitélio da pele, após prolongada exposição solar, sofre uma mutação do seu DNA devido às ações deletérias dos raios ultravioleta. Se o mecanismo de apoptose não funcionar, a célula mutante não será eliminada e passará a agir por conta própria, fazendo coisas que uma célula normal da pele não faz, como formar novos tecidos, invadir outros órgãos, crescer e se multiplicar de forma descontrolada.

Se você quiser saber mais detalhes sobre o câncer, leia também nossos artigos:
- 14 SINTOMAS DE CÂNCER | Parte 1.
- 14 SINTOMAS DE CÂNCER | Parte 2.
- O QUE É O CÂNCER?
- PREVENÇÃO DO CÂNCER.
- ALIMENTOS E CÂNCER.

O que é um carcinoma?

O carcinoma é o tipo de câncer que surge quando uma célula epitelial qualquer sofre transformação maligna. Por exemplo, se a célula que sofreu mutação é uma célula epitelial do rim, o câncer que surge dela é o carcinoma de células renais; se a origem do câncer for a célula epitelial do fígado, conhecida como hepatócito, o câncer se chamará hepatocarcinoma.

Nem todo carcinoma tem sua origem facilmente reconhecida. Alguns deles sofrem uma mutação tão grande, que perdem totalmente as características da célula original. O patologista consegue reconhecer que o tumor veio de um epitélio, mas de qual é impossível afirmar. Estes tipo de célula maligna recebe o nome de carcinoma indiferenciado ou carcinoma anaplásico.

Um mesmo órgão pode ter mais de um tipo de carcinoma e mais de um tipo de câncer. Por exemplo, dos três cânceres mais comuns de pele, dois são carcinomas (carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular) e uma não é carcinoma (melanoma) (leia: MELANOMA | Câncer de pele e CARCINOMA BASOCELULAR | Câncer de pele). Já no câncer de pulmão, os quatro tipos mais comuns de câncer são todos originados de células epiteliais: carcinoma de pequenas células do pulmão, carcinoma epidermoide do pulmão, adenocarcinoma do pulmão e carcinoma de grandes células do pulmão.

O que é um adenocarcinoma?

Se o câncer surge de um tecido epitelial que contém glândulas, como o estômago, cólon, pâncreas, próstata ou mama, o carcinoma é chamado de adenocarcinoma (adeno = pertence a uma glândula).

Na mama, o adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer, correspondendo a mais de 90% dos casos. O adenocarcinoma da mama é dividido em dois grupos:

- Carcinoma ductal da mama, quando a origem do câncer são os ductos que transportam o leite.
- Carcinoma lobular da mama, quando a origem do câncer são os bulbos, pequenos sacos que armazena o leite.

Sobre o carcinoma da mama, leia:
- CÂNCER DE MAMA | Sintomas e diagnóstico.
- CÂNCER DE MAMA | Fatores de risco.

Os carcinomas e adenocarcinomas mais comuns são os da pele, próstata, pulmão, mama, cólon, útero, fígado, rins e pâncreas.

Carcinoma in situ
Carcinoma in situ
Carcinoma in situ

O carcinoma in situ é a forma mais precoce de câncer, quando as células tumorais ainda estão restritas ao local de sua origem, não havendo invasão de estruturas próximas, nem disseminação da doença pelo sangue (não há  metástases). Para tratar o carcinoma in situ basta retirar cirurgicamente o tumor, pois todas as células malignas estarão restritas a este pedaço de tecido removido.

Prognóstico e tratamento dos carcinomas

Os vários tipos de carcinomas são cânceres muito diferentes entre si. De comum, apenas a origem em um tecido epitelial. Somente a informação de um câncer ser um carcinoma não é suficiente para determinar a agressividade, o prognóstico e o tipo de tratamento ideal.

Alguns carcinomas são muito agressivos, como o carcinoma do pâncreas ou os carcinomas do pulmão; outros são de evolução mais lenta, como o carcinoma da próstata ou o carcinoma basocelular da pele.

Cada carcinoma tem que ser avaliado individualmente, levando-se em cota sua agressividade e o estágio no qual o tumor se encontra no momento do diagnóstico. Um carcinoma in situ tem excelente prognóstico, enquanto a maioria dos carcinomas diagnosticados após já existirem metástases, apresentam mau prognóstico e sobrevida curta.

O QUE SÃO DST | Doenças sexualmente transmissíveis


DST é a sigla para Doenças Sexualmente Transmissíveis, também chamada de doenças venéreas. As DST são um importante problema de saúde pública em todos os países. Entre as complicações mais comuns das doenças sexualmente transmissíveis estão a infertilidade, o câncer do colo do útero, a doença inflamatória pélvica e o aumento do risco de contaminação pelo HIV.

Neste texto vamos fazer uma revisão sobre as principais doenças sexualmente transmissíveis, abordando as seguintes questões sobre as DST:
  • O que é DST?
  • Quais são as DST mais comuns?
  • Como se pega uma DST?
  • Quais são os fatores de risco para DST?
  • Como prevenir as DST?
  • Qual é o tratamento para as DST?

Quais são as DST mais comuns?


Existem várias doenças sexualmente transmissíveis, causadas por diferentes tipos de germes, incluindo bactérias, vírus, parasitas e protozoários. Entre as DST mais comuns, podemos citar:

- Cancro mole (cancroide) (leia: CANCRO MOLE | Haemophilus ducreyi).
- Chato (pediculose pubiana)
- Clamídia (leia: CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento).
- Donovanose (granuloma inguinal).
- Gonorreia (leia: GONORREIA | Sintomas e tratamento).
- Hepatite B (leia: HEPATITE B | Sintomas e vacina).
- Hepatite C (leia: HEPATITE C | Sintomas e tratamento).
- Herpes genital (leia: HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento).
- HIV / AIDS (leia: SINTOMAS DO HIV | AIDS).
- HPV / condiloma acuminado (leia: HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO | Sintomas e vacina).
- Linfogranuloma venéreo.
- Sífilis (leia: SÍFILIS | Sintomas e tratamento).
- Tricomoníase (leia: TRICOMONÍASE | Sintomas e tratamento).

Das DST citadas acima, as que apresentam maior incidência, em ordem decrescente, são HPV, clamídia, tricomoníase e gonorreia.

Candidíase, hepatite A e vaginose bacteriana (infecção pela bactéria Gardnerella) não são consideradas doenças sexualmente transmissíveis, apesar de eventualmente poderem ser transmitidas por esta via. Do mesmo modo, algumas infecções intestinais, como amebíase, giardíase, shigeloses e outras, podem ser transmitidas pela via sexual se houver contato com fezes contaminadas, como nos casos de penetração anal ou anilingus (sexo oral no ânus).

Para ser considerada uma DST a doença precisa ter a via sexual como modo de transmissão principal.

DST

Como se pega uma DST?


Parece um bocado óbvio perguntar como se pega uma doença sexualmente transmissível, porém, a maioria das DST pode ser transmitidas por outras vias que não a sexual.

Por exemplo, HIV e Hepatites B e C podem ser transmitidas através de agulhas contaminadas, transfusão de sangue ou de mãe para filho durante a gravidez. A sífilis pode ser transmitida através do beijo, caso existam lesões na boca. Já a pediculose pubiana (chato) pode ser transmitida através de toalhas ou roupas íntimas.

Portanto, DST é uma doença que é preferencialmente, mas não necessariamente, transmitida pela via sexual.

Das três vias sexuais (anal, vaginal e oral), a via anal é aquela que apresenta maior risco de transmissão e contaminação. Só para se ter uma ideia, um homem que é passivo em uma relação anal com parceiro contaminado apresenta 30 vezes mais chances de se contaminar com HIV do que um homem que é ativo em uma relação vaginal com uma parceira contaminada.

Algumas DST são mais contagiosas que outras. O risco de contaminação com uma única relação sexual vaginal é muito maior para doenças como hepatite B, gonorreia e clamídia do que para HIV, sífilis e HPV, por exemplo.

O sexo oral é a forma com menor taxa de transmissão, porém ela não é isenta de riscos. A pessoa que recebe o sexo oral costuma ter menos riscos, pois seu órgão genital só tem contato com a saliva. O parceiro(a) que fornece o sexo oral sofre mais riscos, pois tem contato com secreções vaginais ou penianas contaminadas.

Em geral, mulheres ou homens homossexuais têm maiores riscos de contaminação que homens heterossexuais. O risco mais baixo ocorre em mulheres homossexuais, contanto que não se compartilhe dildos ou qualquer outro objeto para penetração.

Já ter uma DST aumenta o risco de ter outras. Indivíduos com herpes genital ou gonorreia, por exemplo, se tiverem relações sexuais com pessoas portadoras do HIV aumentam muito seu risco de contaminação. A inflamação e as lesões genitais causadas por uma DST favorecem o contágio por outras DST.

Fatores de risco para DST


O principal fator de risco para se contrair uma DST é ter vida sexual ativa. A melhor maneira de se prevenir contra as DST é não praticar sexo. Porém, isso é uma opção viável para apenas um minoria das pessoas. Naqueles que não pretendem praticar o celibato, usar preservativos e não ter uma vida promíscua é a melhor conduta.

Quando se estuda a população que tem ou já teve alguma doença venérea, algumas dados são encontrados com certa frequência, podendo ser caracterizados como fatores de risco para contaminação. Através destes estudos é possível afirmar que as doenças sexualmente transmissíveis são mais comuns nas pessoas que apresentam as seguintes características:

- Idade entre 15 e 24 anos.
- Solteiro.
- Múltiplos parceiros sexuais.
- Início precoce da vida sexual.
- Pratica de sexo sem preservativos.
- Consumo frequente de álcool.
- Usuários de drogas.
- Relações sexuais com prostitutas.

 Além dos fatores acima, indivíduos que já tiveram uma DST têm maior risco de terem outras.

Sintomas das DST


O grupo das doenças sexualmente transmissíveis é bastante heterogêneo, por isso os sintomas são muito variados. De modo didático, podemos dividir o quadro clínico das DST em 3 grandes grupos.

1- Corrimento uretral (uretrite)

A inflamação da uretra, canal que drena a urina, é a principal característica de várias DST. Os sintomas mais comuns da uretrite são a ardência para urinar, chamada de disúria (leia: DOR AO URINAR | Principais causas) e o corrimento peniano ou vaginal (leia: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE). Nas mulheres, além do corrimento é possível haver dor e sangramento vaginal.

Gonorreia, clamídia, tricomoníase e outras causas menos comuns, como infecções por Mycoplasma genitalium e Ureaplasma urealyticum são as principais DST que cursam com uretrite, como principal característica.

2- Úlceras genitais

Outra manifestação comum de doenças sexualmente transmissíveis é aparecimento de úlceras nos órgãos genitais. As DST com essa característica são a sífilis, donovanose (granuloma inguinal), linfogranuloma venéreo, herpes genital e o cancro mole.

Cada DST costuma formar úlceras com características próprias. Por exemplo: a sífilis cursa com úlcera indolor e limpa; o cancro mole com úlcera dolorosa e purulenta; o herpes costuma ter múltiplas pequenas úlceras muito dolorosas, etc.

Nas mulheres, as úlceras podem surgir dentro da vagina, não sendo facilmente visíveis. Na sífilis, que cursa com úlcera indolor, a lesão pode até passar despercebida.

3- Sintomas gerais

As doenças sexualmente transmissíveis também podem se apresentar com sintomas sistêmicos, por acometimento de órgãos internos.

A DIP (doença inflamatória pélvica) é uma infecção grave dos órgãos reprodutores feminino, como útero, trompas e ovários. Pode ser surgir como complicação da gonorreia ou da clamídia.

A inflamação do fígado é o quadro típico das hepatites B e C, mas podem também ocorrer na gonorreia disseminada e na sífilis secundária.

O HIV pode causar febre, faringite e o aparecimento de gânglios pelo corpo.

Em geral, cada DST tem seus sintomas específicos. É preciso ler individualmente sobre cada doença para conhecer seus sintomas.

Prevenção das DST


Como já foi dito, a melhor maneira de se prevenir contra uma DST é não ter relações sexuais. Todavia, esta orientação é impraticável para a imensa maioria da população. Portanto, é preciso pensar em outros modos de prevenção para as doenças venéreas.

As vacinas são métodos com elevada eficiência na prevenção de doenças. O problema é que atualmente só existem vacinas para duas DST: HPV e hepatite B.

Portanto, o método preventivo mais eficaz contra doenças sexualmente transmissíveis ainda é a camisinha (leia: CAMISINHA | Eficácia e instruções de uso). A camisinha não é um método 100% eficaz, mas apresenta uma taxa de sucesso bastante elevada.

Estudos mostram que os preservativos feitos à base de látex e poliuretano são impenetráveis ​​às partículas virais de HIV. O material é altamente seguro. As falhas surgem geralmente pelo mal uso do preservativo, permitindo que o mesmo saia do pênis ou que se rompa durante a relação sexual. Em geral, o uso da camisinha reduz em até 90% o risco de transmissão do HIV.

A camisinha também é muito efetiva na prevenção das outras DST, principalmente da gonorreia em homens. Por motivos ainda não bem entendidos, a DST que apresenta a menor taxa de prevenção com a camisinha é a tricomoníase. Mesmo assim, o uso regular do preservativo reduz em mais de 30% a chance de contaminação. O preservativo pode não ser um método perfeito, mas ele ainda é muito melhor do que ter relações desprotegidas.

A camisinha é ineficaz contra a pediculose pubiana, conhecida popularmente como chato. Esta doença é causada por um tipo de piolho que se aloja nos pelos pubianos, área não coberta pela camisinha. Portanto, durante o ato sexual, o contato íntimo entre as áreas de pelos púbicos não é evitado pelo uso do preservativo, tornando este método ineficaz contra a transmissão do Phthirus pubis, agente causador da pediculose pubiana.

Nos homens, a circuncisão é um modo eficaz para reduzir o risco de contaminação por DST (leia: CIRCUNCISÃO | Riscos e benefícios). Estudos mostram que homens circuncidados apresentam até 50% menos chances de se contaminarem com o HIV através de relações com mulheres quando comparados com homens que não se submeteram a circuncisão. Este benefício só está comprovado em relações heterossexuais.

A circuncisão protege apenas o homem. A taxa de transmissão do HIV para as mulheres é a mesma, independente do homem ser ou não circuncidado.

A circuncisão também parece diminuir a taxa de contaminação do homem contra sífilis, herpes e HPV, mas não contra gonorreia, tricômonas e clamídia.

Tratamento das DST


O tratamento das DST depende, obviamente, da sua causa. Algumas DST têm cura, outras não.

Infecções como sífilis, gonorreia, clamídia, linfogranuloma e tricômonas podem ser curadas com uso de antibióticos apropriados.

As infecções por hepatite B e C têm tratamento, mas a taxa de cura não é alta. Muitos pacientes vivem cronicamente com estas infecções.

O HIV tem tratamento, mas ainda não tem cura. O mesmo ocorre com a herpes genital.

O HPV não tem tratamento, mas em muitos casos o corpo consegue se livrar do vírus espontaneamente. O problema é o risco aumentado de câncer de colo do útero que as mulheres contaminadas apresentam.

Para saber mais detalhes sobre doenças sexualmente transmissíveis, acesse os links fornecidos neste texto para  ler sobre cada uma das DST descritas aqui.

PANCREATITE | Causas e sintomas


Pancreatite é o termo usado para descrever a inflamação do pâncreas. Quando a inflamação do pâncreas ocorre de modo súbito, ou seja, agudamente, estamos diante de uma pancreatite aguda. Quando a inflamação é recorrente e há sinais de lesão persistente do pâncreas, chamamos de pancreatite crônica.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a pancreatite:
  • Funções do pâncreas.
  • O que é pancreatite.
  • Diferenças entre pancreatite crônica e pancreatite aguda.
  • Sintomas da pancreatite.
  • Causas da pancreatite.
  • Tratamento da pancreatite.
Quais são as funções do pâncreas?

O pâncreas é uma grande glândula de formato achatado, com mais ou menos 20cm de comprimento, localizado no abdômen, logo atrás do estômago. Apresenta íntima ligação com as vias biliares e o com duodeno (parte inicial do intestino delgado).

O pâncreas possui duas funções básicas: participa do processo de digestão de alimentos e produz hormônios importantes no controle da glicemia (taxa de glicose do sangue), como a insulina e o glucagon.

O pâncreas produz enzimas que auxiliam no processo da digestão de proteínas, gorduras e carboidratos. Essas enzimas digestivas, diluídas em uma solução chamada de suco pancreático, são lançadas diretamente no duodeno onde encontrarão os alimentos recém saídos do estômago. O suco pancreático também é rico em bicarbonato, que serve para neutralizar a acidez dos alimentos vindos do estômago, que possuem um pH muito baixo.

Pâncreas
Pâncreas
Do mesmo modo que a alimentação estimula a produção do suco pancreático para auxiliar na digestão dos nutrientes, ela também induz a produção de hormônios, que são lançados na corrente sanguínea. Os dois principais hormônios sintetizados pelo pâncreas são a insulina e glucagon, produzidos por um grupo de células chamado de ilhotas de Langerhans.

A insulina é o hormônio que permite que as células captem a glicose do sangue e a use como fonte de energia. O principal estímulo para a produção de insulina é o aumento dos níveis sanguíneos de glicose que ocorre geralmente após as refeições. Quando a glicose do sangue se eleva, a insulina produzida no pâncreas é liberada para a corrente sanguínea, permitindo que as células consigam captar a glicose que está chegando, vinda dos alimentos.

Se por algum motivo não houver insulina, não há como as células consumirem a glicose presente no sangue, permanecendo, assim, a taxa sanguínea de glicose constantemente elevada. Este processo dá origem à famosa diabetes mellitus (leia: O QUE É DIABETES?).

O glucagon é um hormônio antagonista da insulina, ou seja, faz a função inversa. Quando os níveis de glicose estão muitos baixos, o pâncreas impede a liberação de insulina e estimula a produção de glucagon, que além de impedir a captação da glicose pelas células, age no fígado, estimulando a produção de glicose pelo mesmo.

Quando os níveis de glicose voltam a subir, os níveis de glucagon começam a cair e os de insulina voltam a subir novamente. Deste modo, o pâncreas consegue manter nossa taxa glicemia sempre na faixa entre 60mg/dl a 140 mg/dl, mesmo após as refeições.

Pancreatite aguda

As enzimas digestivas produzidas no pâncreas só se tornam ativas após chegarem ao duodeno. A pancreatite ocorre quando por algum motivo, essas enzimas se ativam quando ainda estão dentro do pâncreas, fazendo com que o mesmo comece a ser digerido.

Causas de pancreatite aguda

Em mais de 75% dos casos, a pancreatite aguda ocorre por abuso de bebidas alcoólicas (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO) ou por uma pedra da vesícula, que fica presa na saída do ducto pancreático, impedindo a drenagem das enzimas para o duodeno (leia: PEDRA NA VESÍCULA E COLECISTITE).

Outras causas menos comuns de pancreatite aguda incluem:
  • Hipertrigliceridemia - a pancreatite pode ocorrer quando os níveis de triglicerídeos ficam muito elevados, ultrapassando a barreira dos 1000mg/dl (leia: O QUE SÃO OS TRIGLICERÍDEOS?).
  • Hipercalcemia - níveis elevados de cálcio sanguíneo também podem causar pancreatite aguda. .
  • Drogas - alguns medicamentos, como azatioprina, corticoides, pentamidina, metronidazol, tamoxifeno, furosemida e enalapril já foram descritos como causas de pancreatite. Também é bem conhecida a relação entre consumo de cocaína e pancreatite aguda.
  • HIV (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)) e outras infecções como citomegalovirose, caxumba, salmonelose, amebíase, toxoplasmose, etc., também podem atacar o pâncreas.
  • Traumas abdominais.
  • Malformações do pâncreas.
  • Fibrose cística.
  • Lúpus eritematoso sistêmico (leia:LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO).
  • Idiopático - em alguns casos não se consegue identificar nenhum fator para a pancreatite.
Sintomas da pancreatite aguda

O sintoma universal da pancreatite aguda é a dor abdominal. A dor costuma se localizar difusamente na parte superior do abdômen, podendo irradiar para as costas. Normalmente é uma dor desencadeada e agravada pela alimentação. Ao contrário da cólica biliar que também costuma surgir após alimentação e dura de 6 a 8 horas, a dor da pancreatite aguda pode durar vários dias (leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas). Outra característica da dor da pancreatite aguda é o alívio parcial quando o paciente curva-se para frente.

A dor costuma vir acompanhada de náuseas e vômitos em 90% dos casos e pode ser tão intensa que o paciente rapidamente procura atendimento médico. Porém, existem casos de pancreatite aguda com dor não tão intensa,o que muitas vezes dificulta o diagnóstico, pois o paciente demora a procurar ajuda médica.

A pancreatite aguda alcoólica é mais comum nos indivíduos que bebem cronicamente e costuma surgir dentro de 24 e 72 horas após um episódio de consumo excessivo de álcool.

A pancreatite aguda em mais de 80% dos casos se cura com o tempo e com apoio médico. Em certos pacientes, entretanto, ela pode se transformar em uma emergência médica. Em alguns casos mais graves, a inflamação pode ser tão intensa que se espalha por todo o organismo, levando o paciente a um quadro de choque circulatório (leia: SAIBA O QUE É CHOQUE CIRCULATÓRIO) e falência múltipla dos órgãos.

Diagnóstico da pancreatite aguda

O diagnóstico da pancreatite costuma ser feito com a dosagem sanguínea de duas enzimas pancreáticas que se encontram muito elevadas nos casos de inflamação do pâncreas: amilase e lipase.

A tomografia computadorizada (TC) é um exame complementar importante, não só para ajudar no diagnóstico dos casos duvidosos, mas também para avaliar a presença de complicações, como necrose e abscessos no pâncreas. Através dos achados na TC gradua-se alfabeticamente a gravidade da pancreatite de A a E, sendo A o quadro mais leve e E um quadro grave com sinais de complicações.

A ressonância magnética nuclear (RMN) pode ser usada no lugar da TC. A ultrassonografia é muito inferior a TC e a RNM para avaliar problemas no pâncreas.

Tratamento da pancreatite aguda

Em geral, todo paciente com pancreatite aguda deve permanecer internado. Se o caso for leve a moderado, a resolução é espontânea. Administra-se soros e controla-se a dor.

Neste período inicial, o paciente deve se manter em jejum total por no mínimo 3 a 7 dias, uma vez que a alimentação estimula a produção das enzimas pancreáticas que acabam por lesar ainda mais o pâncreas. Para o paciente não desnutrir, faz-se necessária a alimentação enteral. Para tal, introduzimos uma sonda até o intestino delgado fazendo com que a comida só chegue aos intestinos após o duodeno, não havendo assim estímulo à produção de enzimas pancreáticas. Se mesmo com a nutrição enteral o paciente apresentar sinais de atividade da pancreatite, a solução é a alimentação parenteral, administrada pelas veias.

Conforme o pâncreas vai se regenerando, a alimentação por via oral pode ser reintroduzida lentamente.

Se a causa da pancreatite aguda for obstrução por cálculos biliares, os mesmos devem ser retirados por via cirúrgica ou endoscópica. Como a recorrência da pancreatite aguda por cálculos biliares chega a 50%, o mais indicado é a remoção da vesícula, o que torna a formação de novos cálculos um evento incomum.

Em casos mais graves, com infecção e/ou necrose extensa do pâncreas, antibióticos e cirurgia para retirada do tecido morto podem ser necessários. Como já citado anteriormente, às vezes, o quadro é tão intenso que o doente desenvolve choque circulatório, complicações renais e pulmonares, necessitando ficar internado em uma UTI (leia: ENTENDA O QUE ACONTECE COM OS PACIENTES NA UTI).

Pancreatite crônica

Se o quadro de pancreatite aguda for muito extenso ou se o paciente apresenta repetidos episódios de pancreatite aguda, esta inflamação intensa e repetida pode causar lesão irreversível do tecido pancreático, levando ao que chamamos de pancreatite crônica.

A principal causa de pancreatite crônica é o consumo exagerado e prolongado de álcool. Porém, qualquer situação que imponha quadros repetidos de pancreatite aguda pode levar à lesão permanente do pâncreas.

Sintomas da pancreatite crônica

Assim como na pancreatite aguda, o principal sintoma da pancreatite crônica é a dor abdominal. Todavia, na doença crônica a dor é recorrente e não desaparece após alguns dias. O paciente costuma estar muito emagrecido, pois alimenta-se mal, já que o ato de comer exacerba a dor. A dor costuma surgir após as refeições e dura em média 30 minutos.

A dor na pancreatite crônica costuma ser menos intensa que na pancreatite aguda e até 20% dos pacientes referem sentir pouca ou nenhuma dor. Porém, é possível haver períodos de agudização da pancreatite crônica, principalmente se o paciente continuar a beber. O paciente pode conviver mais ou menos bem com a sua pancreatite crônica, mas quando bebe, apresenta crises semelhantes as da pancreatite aguda.

Conforme a doença progride, como há lesão permanente do tecido do pâncreas, este começa a diminuir progressivamente a sua capacidade de produzir as enzimas responsáveis pela digestão dos alimentos. Com isso, mesmo que a dor não impeça a alimentação, o paciente não consegue digerir o alimento para poder absorvê-lo, acabando por emagrecer do mesmo modo.

Radiografia evidenciando uma pancreatite crônica
Pancreatite crônica
Quando mais de 90% do tecido pancreático encontra-se lesionado o paciente perde completamente a capacidade de absorver as gorduras da dieta, surgindo um quadro de diarreia gordurosa, chamado de esteatorreia. A esteatorreia é caracterizada por fezes misturadas com gotas de gordura.

Seguindo o mesmo raciocínio, o pâncreas também torna-se incapaz de produzir insulina e glucagon, levando o paciente a um quadro de diabetes mellitus (leia: SINTOMAS DO DIABETES).

Outras complicações da pancreatite crônica incluem a formação de cistos ao redor do pâncreas, obstrução das vias biliares e ascite (leia: O QUE É ASCITE?).

Na radiografia acima, podemos ver um pâncreas todo calcificado, um sinal de lesão grave, indicando cicatrização do tecido por pancreatite crônica.

Pacientes portadores de pancreatite crônica apresentam maior risco de desenvolverem câncer do pâncreas.

Tratamento da pancreatite crônica

O tratamento da pancreatite crônica visa o controle da dor e dos sintomas da falência pancreática. É imperativo suspender o consumo de álcool. A dieta deve ser controlada, evitando alimentos gordurosos, que são os que mais estimulam o aparecimento da dor.

Pacientes com síndrome de má absorção precisam tomar suplementos com enzimas pancreáticas. Doentes com diabetes precisam de insulina.

Em casos onde a dor não consegue ser aliviada com drogas, a cirurgia do pâncreas pode ser necessária. Em geral não há cura para a pancreatite crônica. Como já referido, o tratamento visa dar qualidade de vida ao paciente.

DIABETES TIPO 2 | Causas e fatores de risco


O diabetes tipo 2 é a forma de diabetes mellitus mais comum, acometendo mais de 350 milhões de pessoas em todo o planeta. O diabetes tipo 2 está em franca expansão, aumentando sua incidência em todo os países, devido, principalmente, à má alimentação e ao aumento de casos de obesidade. Nos últimos 30 anos o número casos de diabetes tipo 2 aumentou em mais de 100%. Por isso, entender os fatores de risco e as causas do diabetes é essencial para preveni-lo.

Não deixe de ler também nosso outros artigos sobre diabetes mellitus:

Causas do diabetes tipo 2


O diabetes mellitus tipo 2 é um tipo de diabetes que ocorre por uma deficiente ação da insulina presente na circulação sanguínea. Geralmente há dois problemas: 1) o pâncreas produz menos insulina do que seria necessário para o controle adequado dos níveis de glicose; 2) a insulina produzida além de ser insuficiente, funciona mal. Os tecidos perdem a capacidade de reconhecer a presença da insulina, fazendo com que o açúcar presente no sangue não chegue às células. Este processo é conhecido como resistência à insulina.

Se você não está muito familiarizado com as ações da insulina e da glicose no nosso organismo, sugiro a leitura de: O QUE É DIABETES?

Embora seja uma forma de diabetes mellitus mais comum que o diabetes tipo 1, as causas da diabetes tipo 2 são menos conhecidas. Esta forma de diabetes é provavelmente desencadeada por múltiplos fatores, nem todos ainda reconhecidos. O porquê do pâncreas produzir menos insulina e os motivos pelo qual ela funciona mal ainda não estão totalmente esclarecidos.

O desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 2 parece envolver interações complexas entre fatores ambientais e genéticos. Presumivelmente, a doença se desenvolve quando um indivíduo geneticamente susceptível adota um estilo de vida "diabetogênico", ou seja, com ingestão calórica excessiva, sedentarismo, obesidade, tabagismo, etc.

90% dos diabéticos tipo 2 são obesos ou apresentam sobrepeso, porém, nem todo indivíduo obeso é diabético. Este simples dado serve para mostrar que a causa do diabetes tipo 2 não está restrita a um único fator. Muito provavelmente vários fatores estão envolvidos.

Fatores de risco para o diabetes tipo 2

Se por um lado ainda não esclarecemos totalmente
as causas do diabetes mellitus tipo 2, já são bastante conhecidos os seus fatores de risco.Vamos listar abaixo os principais:

1. História familiar - indivíduos que possuem parentes com diabetes tipo 2, principalmente se de primeiro grau, apresentam maior risco de também desenvolver a doença. Estes pacientes devem tomar muito cuidado com o ganho excessivo de peso.

Fatores de risco para diabetes tipo 2
2. Etnia - por motivos ainda desconhecidos, a incidência do diabetes tipo 2 varia de acordo com a origem étnica do paciente. Em ordem decrescente de incidência, as etnias com maiores riscos de diabetes tipo 2 são: descendentes de asiáticos, hispânicos, negros e brancos. Cabe aqui uma ressalva, apesar da maior incidência de diabetes nos descendentes asiáticos, a população da Ásia, por possuir hábitos alimentares mais saudáveis, acaba apresentando menos casos de diabetes que a população americana, composta em sua maioria por brancos.

3. Obesidade - o sobrepeso é talvez o principal fator de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. O risco aumenta progressivamente a partir de um IMC maior que 25 (leia: OBESIDADE | Definições e consequências). A obesidade é um fator tão importante, que alguns pacientes conseguem deixar de ser diabéticos apenas emagrecendo. Atualmente, mais de 90% dos diabéticos tipo 2 apresentam excesso de peso.

4. Gordura abdominal - além do excesso de peso, o modo como a gordura é distribuída pelo corpo também é um fator determinante para um maior risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2. O risco de diabetes é mais elevado nos indivíduos com obesidade central, ou seja, naqueles que acumulam gordura na barriga. Homens com um cintura maior que 102 cm e mulheres com cintura maior que 88 cm apresentam elevado risco. Mulheres que acumulam gordura preferencialmente nos quadris têm menos riscos do que aquelas que acumulam gordura na região abdominal.

5. Idade acima de 45 anos - apesar de ser uma doença cada vez mais prevalente em jovens, o diabetes tipo 2 é mais comum em indivíduos acima de 45 anos. Provavelmente, a queda na massa muscular e o aumento da gordura corporal que ocorrem com o envelhecimento desempenham papel importante nestes pacientes.

6. Sedentarismo - um estilo de vida sedentário reduz o gasto de calorias, promove ganho de peso e aumenta o risco de diabetes tipo 2. Dentre os comportamentos sedentários, assistir televisão por muito tempo é um dos mais comuns, estando comprovadamente associado com o desenvolvimento de obesidade e diabetes. A atividade física regular não só ajuda a controlar o peso, como também aumenta a sensibilidade dos tecidos à insulina, ajudando a controlar os níveis de glicose do sangue. Tanto a musculação quanto exercícios aeróbicos ajudam a prevenir o diabetes tipo 2.

7. Cigarro - indivíduos que fumam apresentam 40% mais chances de desenvolver diabetes tipo 2 do que não fumantes. Quanto mais tempo o paciente fuma e quanto maior for o número de maços consumidos por dia, maior é o risco. A associação do fumo com o diabetes é tão forte que são precisos 5 anos sem fumar para que o risco de diabetes comece a cair. E somente após 20 anos sem fumar é que o paciente volta a ter o mesmo risco de pessoas que nunca fumaram (leia: DOENÇAS DO CIGARRO | Como parar de fumar).

8. Glicemia de jejum alterada - o diagnóstico do diabetes é feito quando o paciente apresenta glicemias (níveis de glicose no sangue) persistentemente acima de 126 mg/dl. Porém, os valores normais da glicemia são abaixo de 100 mg/dl. Os pacientes que ficam no meio do caminho, com valores entre 100 e 125 mg/dl, são considerados como portadores de glicemia de jejum alterada, que é um estágio de pré-diabetes. O risco de evolução para diabetes estabelecido é muito elevado neste grupo.

9. Dieta hipercalórica - a dieta ocidental, baseada no consumo excessivo de carne vermelha, carnes processadas, calorias, doces e refrigerantes, está associada a um maior risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2. Se for paciente tiver sobrepeso, o risco é ainda maior. O consumo regular de cereais, vegetais, soja e fibras reduz o risco do diabetes.

10. Hipertensão - paciente hipertensos apresentam maior risco de terem diabetes. Não se sabe se a hipertensão tem algum papel no desenvolvimento da doença ou se ela, por possuir muitos fatores de risco em comum, apenas aparece junto com o diabetes, sem relação de casualidade. Alguns medicamentos usados no tratamento da hipertensão, como diuréticos e betabloqueadores interferem na ação da insulina, aumentando o risco de diabetes (leia: HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento).

11. Colesterol elevado - Pacientes com níveis elevados de colesterol também estão sob maior risco de diabetes tipo 2. Níveis elevados de LDL (colesterol ruim) e triglicerídeos e/ou níveis baixos de HDL (colesterol bom) são os principais fatores.

12. Síndrome dos ovários policísticos (SOP) -  mulheres portadoras de SOP apresentam frequentemente resistência à insulina e, consequentemente, riscos de desenvolver diabetes tipo 2 (leia: OVÁRIO POLICÍSTICO | Sintomas e tratamento).

13. Diabetes gestacional - o diabetes gestacional é um tipo de diabetes que surge durante a gravidez e habitualmente desaparece após o parto. Porém, mesmo com a normalização da glicose com o término da gravidez, estas pacientes passam a apresentar elevado risco de desenvolverem diabetes tipo 2 nos 10 anos seguintes à gravidez.

14. Uso de corticoides - os corticoides são uma classe de medicamentos muito usados na prática médica, principalmente contra doenças de origem imunológica e/ou alérgica. Um dos efeitos colaterais comuns do uso prolongado de corticoides é o desenvolvimento de diabetes (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais).

Conclusão

Como se pôde notar, já foram identificados inúmeros fatores de risco para o diabetes tipo 2. Neste artigo listamos apenas os mais comuns e comprovados. Existem ainda estudos que mostram relação do diabetes com dezenas de outros fatores, como níveis elevados de ácido úrico (leia: ÁCIDO ÚRICO E GOTA), esquizofrenia, depressão (leia: SINTOMAS DA DEPRESSÃO), nunca ter amamentado, ciclo menstrual irregular, exposição à bisfenol A, uso de esteroides anabolizantes, etc.

Ninguém pode mudar a sua etnia, idade ou histórico familiar, por isso, o paciente deve sempre ter em mente quais são os fatores de risco modificáveis. Se você tem história familiar de diabetes, procure se manter ativo, dentro do peso, não fume e adote uma dieta saudável. Não é porque seu pai ou sua mãe tiveram diabetes tipo 2 que você necessariamente terá. A prevenção pode estar ao seu alcance.

Se você fez um exame de glicose e gostaria de informações personalizadas sobre o seu resultado, experimente o novo site do grupo MD.Saúde, clicando no banner abaixo.
MD.Consultas banner

OVÁRIO POLICÍSTICO | Sintomas e tratamento


A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma doença caracterizada pela presença de múltiplos cistos nos ovários, associados a uma desregulação do ciclo ovulatório e dos hormônios femininos.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a síndrome dos ovários policísticos:
  • O que é o ovário policístico.
  • Causas da síndrome dos ovários policísticos.
  • Sintomas do ovário policístico.
  • Ovário policístico e gravidez.
  • Tratamento da síndrome dos ovários policísticos.
  • Diferenças entre ovário policístico e cisto no ovário .

O que é ovário policístico?

Um cisto é uma espécie de saco formado por uma fina membrana, contendo líquido ou ar em seu interior. É como aquelas bolhas que surgem na pele após uma queimadura ou no pé após o uso de um sapato desconfortável. O cisto é uma estrutura fechada, não tendo comunicação direta com o tecido no qual ele está inserido.

O ovário policístico, como o próprio nome diz, é um ovário que desenvolve múltiplos cistos. Para entender por que surgem vários cistos no ovário é preciso primeiro conhecer o ciclo ovulatório normal. Vamos resumi-lo:

Ciclo menstrual normal

Ovário policístico
Ovário policístico x ovário normal 
O ciclo da ovulação ocorre por uma sequência de eventos desencadeados pelo cérebro, ovários e útero, que ocorrem em média uma vez a cada 28 dias (em algumas mulheres este ciclo é maior, em outras menor). O ciclo ovulatório é controlado basicamente por 4 hormônios, dois deles, FSH e LH, produzidos pela glândula hipófise do cérebro, e outros dois, estrogênio e progesterona, produzidos pelos ovários.

Durante a primeira metade do ciclo, o cérebro produz o hormônio FSH, que estimula o ovário a desenvolver vários folículos (um tipo de cisto). Na presença do FSH, os folículos começam a se desenvolver, crescendo e amadurecendo. Sete dias após o início do ciclo, é possível detectar na ultrassonografia do ovário vários folículos medindo entre 9 e 10 milímetros.

Estes folículos ovarianos começam a produzir estrogênio. Conforme os níveis de estrogênio vão crescendo, um dos folículos se torna dominante, desenvolvendo-se mais rápido que os outros, que param de crescer e começam a involuir. Este folículo dominante é quem vai liberar o óvulo no momento da ovulação.

O pico na produção de estrogênio ocorre um dia antes da ovulação. No momento de concentração máxima do estrogênio, outro hormônio da hipófise é liberado, o LH. Estamos agora exatamente no meio do ciclo, ao redor do 14º dia em casos de ciclos menstruais de 28 dias. 36 horas após a liberação do LH, ocorre o rompimento do folículo dominante e a liberação do óvulo.

Após a ovulação, o ovário produz estrógeno e progesterona, que preparam o útero para a implantação e possível gravidez. Se o óvulo não for fecundado, ele é absorvido e a produção de LH, estrogênio e progesterona é interrompida. Sem estes hormônios o útero descama, surgindo assim a menstruação.

Portanto, a menstruação é um sinal que a mulher ovulou mas não foi fecundada.

Para ler sobre o ciclo menstrual com mais detalhes sugerimos dois textos:
- CICLO MENSTRUAL | PERÍODO FÉRTIL
- PERÍODO FÉRTIL PARA ENGRAVIDAR.

Ciclo menstrual na síndrome dos ovários policísticos

Nas mulheres com SOP, os folículos que surgem devido à ação do FSH são incapazes de crescer até um tamanho que provocaria a ovulação, não havendo, portanto, o desenvolvimento de um folículo dominante. Sem o folículo dominante, não ocorre ovulação nem estímulo para os folículos restantes involuírem, havendo acúmulo progressivo dos mesmos, o que é responsável pelo aspecto policístico que os ovários adquirem. A ausência de ovulação e a presença constante de folículos desregula todo o ciclo de produção de FSH, LH, estrogênio e progesterona. A mulher com ovário policístico pode não ovular por vários ciclos, o que é facilmente perceptível pela natureza irregular das suas menstruações.

O que causa a síndrome dos ovários policísticos?


Não se sabe bem ao certo o que provoca a SOP. É provável que a mesma seja o resultado da associação de fatores genéticos e factores ambientais. Cerca de 10% das mulheres possuem a síndrome dos ovários policísticos em algum grau.

A influência genética é forte. Mulheres com ovário policístico frequentemente possuem uma mãe ou irmã também com a doença. Pesquisadores ainda estão à procura dos genes responsáveis pela doença.

Uma achado muito comum nas mulheres com síndrome dos ovários policísticos é um aumento dos níveis de testosterona, o principal hormônio masculino. Outra alteração comum é a resistência a insulina. A paciente produz insulina normalmente, mas os seus tecidos são resistentes a sua ação, causando uma alteração nos valores de glicose no sangue.

Sintomas do ovário policístico

O ovário policístico é chamado síndrome porque possui um conjunto de sinais e sintomas que podem ou não estar presentes. Existe uma grande variabilidade dos sintomas da síndrome dos ovários policísticos, sendo a doença mais branda em algumas mulheres e mais exuberante em outras.

As principais características da SOP são a menstruação irregular, o que indica a presença de ciclos anovulatórios (ausência de ovulação), infertilidade, obesidade, aumento dos pelos e acne. Laboratorialmente é comum encontrar níveis elevados de glicose no sangue, em alguns casos (cerca de10%), altos o suficiente para causar diabetes (leia: DIABETES MELLITUS | Diagnóstico).

O excesso de testosterona, chamado de hiperandrogenismo, é responsável por alguns dos sinais e sintomas típicos da síndrome dos ovários policísticos. Hirsutismo é o nome dado à presença de pelos na mulheres em locais com características masculinas. Os pelos costumam surgir acima do lábio superior, no queixo, ao redor dos mamilos e abaixo do umbigo. A mulheres também podem apresentar uma calvície com padrão masculino (leia: CALVÍCIE | QUEDA DE CABELOS | Causas e tratamento). O excesso de hormônios masculinos também é o responsável pelo aumento da oleosidade da pele e surgimento da acne (cravos e espinhas) (leia: ACNE | CRAVOS | ESPINHAS | Causas e tratamento).

acantose nigricans
Acantose nigricans
A dificuldade para engravidar é muito comum nas mulheres com ovário policístico. A frequente ausência de ovulação é a responsável pela infertilidade. Muitas das pacientes com SOP acabam precisando de tratamento para infertilidade para conseguir engravidar.

A ausência de ovulação e as alterações hormonais da SOP aumentam o risco do desenvolvimento do câncer do endométrio (parede que reveste o útero).

Outro achado comum na síndrome dos ovários policísticos é a síndrome metabólica, caracterizada per excesso de peso, resistência à insulina, níveis elevados de colesterol e hipertensão (leia: OBESIDADE | Síndrome metabólica). Pacientes com síndrome metabólica têm maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

A acantose nigricans é uma aumento da pigmentação da pele nas regiões da nuca, dobras cutâneas, articulações ou cotovelos, tonando-as enegrecidas, como na imagem acima. É uma achado típico nos pacientes obesos e com resistência à insulina.

Outras alterações comuns são a apneia do sono e esteatose hepática (leia: ESTEATOSE HEPÁTICA | Sintomas e tratamento).

Tratamento da síndrome dos ovários policísticos

Não existe cura para a síndrome dos ovários policísticos, porém, há tratamento efetivos que conseguem controlar bem os sintomas da doença.

O tratamento é geralmente direcionado para os sintomas mais exuberantes. Nas mulheres com hiperandrogenismo, o uso de pilulas anticoncepcionais ajuda a diminuir a produção de hormônios masculinos. O Acetato de ciproterona, presente no Diane, tem uma boa ação antiandrogênica.

Se não houver resposta esperada após 6 meses de pílula, um diurético chamado espironolactona pode ser usado, por ter também atividade antiandrogênica, principalmente na pele, inibindo o hirsutismo. Outra droga com efeito antiandrogênico que pode ser usada é a Finasterida. Existe um creme chamado Vaniqa, que pode ser usado na pele, pois ele inibe o crescimento de pelos.

O uso de anticoncepcionais, além da parte estética, também é importante para regularizar o ciclo menstrual, diminuindo os riscos de câncer do endométrio. A pílula também age contra a acne.

A metformina é uma droga antidiábetica muito usada na SOP, pois ajuda a controlar a resistência à insulina, ajustando os níveis de glicose sanguíneos. A metformina também ajuda a regular o ciclo menstrual (leia: CLORIDRATO DE METFORMINA | Indicações e efeitos colaterais).

Nas mulheres que desejam engravidar, o Clomid (CITRATO DE CLOMIFENO | Informações sobre Clomid®) costuma ser o medicamento mais usado para induzir ovulação. A metformina é frequentemente usada para aumentar a eficácia do Clomid.

A prática de exercícios físicos e a perda de peso são importantes, pois atuam melhorando a resistência à insulina, reduzem a produção de hormônios masculinos e protegem contra as doenças cardiovasculares.

Diferenças entre ovário policístico e cisto no ovário


O cisto de ovário e a SOP são doenças completamente distintas.

Na síndrome dos ovários policísticos a paciente apresenta múltiplos cistos de tamanho pequeno, cerca e 5 mm (0,5 cm), espalhados pelos dois ovários. Geralmente estão presentes mais de dez cistos em cada ovário.

O cisto de ovário é diferente. É habitualmente uma lesão única e de tamanho maior, habitualmente acima de 2 cm.

URINA COLORIDA (URINA VERDE, ROXA, LARANJA, AZUL)


A cor da urina pode ser um sinal de doença ou apenas um achado interessante sem nenhum significado clínico. Mesmo a urina normal pode apresentar variações na sua coloração, porém, mantendo-se sempre próximo ao espectro da cor amarela.

Neste texto vamos abordar as causas mais comuns de urina de cor diferente, incluindo as seguintes colorações:
  • Urina amarela escur
  • Urina roxa.
  • Urina laranja.
  • Urina verde.
  • Urina vermelha .
  • Urina rosa.
  • Urina azul.
  • Urina preta.

Urina Amarela escura


Urina escura
Urina amarela escura
A cor natural da urina varia de amarelo bem claro até amarelo escuro. Quanto mais hidratada a pessoa estiver, mais clara a urina será. Uma urina acastanhada ou amarela escura normalmente é uma urina extremamente concentrada devido a pouca quantidade de água para diluí-la.

Algumas doenças como hepatite, que cursam com a presença de bilirrubina na urina, podem apresentar uma urina escurecida, às vezes semelhantes ao mate ou até mesmo Coca-Cola (leia: HEPATITE | Sintomas e tipos).

A presença de sangue em pequenas quantidades também pode levar a uma urina amarelo escuro.

Entre os medicamentos, o Metronidazol é aquele que mais comumente causa escurecimento do amarelo da urina.

Urina Roxa:

urina roxa
Urina roxa por infecção urinária

Uma urina arroxeada pode ser causada por infecção urinária, em geral, por bactérias que alcalinizam a urina, como a Providencia stuartii, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli ou Enterococcus.

A urina roxa causada por uma infecção urinária é um achado incomum e ocorre geralmente em pacientes acamados, que usam cateter vesical de forma prolongada (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE). Na foto ao lado, o paciente estava infectado pela bactéria Pseudomonas aeruginosa.

A urina também pode apresentar um tom arroxeado se o paciente ingerir grandes quantidades de amoras ou beterraba.

Urina Laranja:


Urina laranja
Urina laranja
Uma urina muito concentrada também pode assumir uma coloração alaranjada. Porém, a urina laranja é geralmente uma urina vermelha diluída (ver causas de urina vermelha abaixo). A presença de sangue na urina é a causa mais comum.

Ingestão de beterraba, cenoura e amoras silvestres podem levar a uma urina alaranjada. Alimentos com corantes de cor laranja ou vermelha também podem ser a causa.

Entre os medicamentos, os mais comuns são a Rifampicina, Pyridium e a Nitrofurantoína. Ingestão de vitamina B, principalmente a Riboflavina (Vitamina B2), também levam à urina alaranjada.

Urina verde:


Urina verde
Urina verde
A urina verde é normalmente causada pela ingestão de corantes, principalmente o azul de metileno.

Entre os alimentos, o aspargo é quem mais frequentemente provoca esta alteração na cor.

Raramente, uma infecção urinária é a causa de uma urina verde. A bactéria que pode tornar a urina esverdeada é a Pseudomonas aeruginosa.

Entre os medicamentos que tornam a urina verde, os mais comuns são a Amitriptilina, Propofol e Indometacina.

Urina vermelha ou rosa:


Urina vermelha
Urina vermelha
Urina vermelha, em geral, é sinal de sangramento nas vias urinárias (leia: HEMATÚRIA (URINA COM SANGUE)), mas pode ser causada também por medicamentos e alimentos:

Laxantes, principalmente os que possuem Sena em sua fórmula, Rifampicina, Pyridium, vitamina B, beterraba e amoras são causas descritas. Anticoagulantes como Varfarina e heparina, podem levar à hematúria e, consequentemente, urina avermelhada.

Uma doença chamada metahemoglobinemia também pode ser a causa.

Em uma pessoa com boa hidratação, a urina vermelha pode ficar diluída pela água e se apresentar mais rosada ou alaranjada. Ao longo do dia, a urina pode variar entre vermelho, rosa ou laranja, dependendo da quantidade de água para diluí-la.

Urina Azul:

Urina azul
Urina azul

Normalmente a urina azulada é causada por medicamentos ou ingestão de corantes, como azul de metileno. Assim como na urina verde, a infecção pela bactéria Pseudomonas aeruginosa pode causar uma urina azulada.

Drogas descritas como causas de urina azul incluem Triantereno, amitriptilina, indometacina e o famoso Viagra.

Existe uma doença genética metabólica, chamada de síndrome da fralda azul, que é a causa de urina azulada em recém-nascidos.

Urina preta ou marrom escura

Urina preta
Urina preta

Uma urina preta pode ser causada por uma doença genética rara chamada de Alcaptonúria.

Uma urina muito concentrada, que também contenha sangue, pode adquirir uma cor bem escura. Nos casos de icterícia a urina pode ficar com cor bem castanha escura, semelhante à Coca-Cola (leia: ICTERÍCIA | Neonatal e adulto).

Entre os medicamentos, aqueles que podem causar uma urina preta são: Cloroquina, Levodopa, Metronidazol, Metildopa e Hidroquinona

Outras alterações além da cor


Além da cor, o aspecto da urina pode ser uma dica para se identificar doenças precocemente.

Uma urina com excesso de espuma sugere a presença de proteínas (leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA), que é um sinal de doença renal. Uma urina "leitosa" pode significar a presença de pus. Uma urina com odor forte indica que a mesma está muito concentrada,  favorecendo a formação de cálculo renal (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas da cólica renal).

Uma urina saudável tem cor amarelo clara, quase transparente, sem cheiro, com uma quantidade pequena de espuma e não causa dor ou desconforto ao urinar.

Vérsion en español:  COLOR DE LA ORINA

CÁLCULO RENAL | Tratamento e duplo J


A pedra no rim, também conhecida como cálculo renal ou litíase renal, é uma doença relativamente comum e uma das condições médicas que mais causa dor no seres humanos.

No artigo de hoje vamos falar sobre o tratamento e a prevenção dos cálculo renal,  abordando os seguintes pontos:
  • Tratamento durante a crise de cólica renal.
  • Tratamento das pedras de grande tamanho.
  • Cirurgia para cálculo renal.
  • Utilização do cateter duplo J.
  • Investigação da composição do cálculo renal.
  • Remédios que dissolvem as pedras.
A primeira parte deste texto, abordando as causas e sintomas do cálculo renal, pode ser acessado neste link: CÁLCULO RENAL | Causas e sintomas.
    Tratamento da crise aguda de cólica renal

    A crise de cólica renal geralmente surge quando uma pedra formada no rim move-se e fica impactada em uma região do trato urinário, obstruindo a passagem da urina. Esta obstrução pode ocorrer dentro do próprio rim, mas é mais comum nos ureteres, o ducto que leva a urina do rim à bexiga.

    Localização comum das pedras nos rins.
    2 cálculo renais, um dentro do rim e outro no início do ureter.
    A cólica renal costuma ser uma dor severa, com crises que duram até 60 minutos ininterruptos. Há pessoas que dizem que a cólica renal é a pior dor que já sentiram na vida.

    O primeiro passo no tratamento da cólica renal é obviamente aliviar a dor do paciente. As drogas mais usadas são os anti-inflamatórios e os opioides (derivados da morfina).

    Uma vez que o paciente encontre-se mais aliviado da dor, deve-se tentar encontrar a causa da cólica renal. Uma radiografia simples de abdômen e uma ultrassonografia geralmente são suficientes para se localizar a pedra. Se o cálculo já estiver no final do ureter, próxima à bexiga, o melhor exame para detectá-la é a tomografia computadorizada.

    A localização e o tamanho da pedra são os fatores que definem os próximos passos no tratamento do cálculo renal.

    Locais mais comuns de cálculo renal (pedra no rim)
    Localizações mais comuns da litíase renal
    Cálculos menores que 5 mm (0,5 cm), principalmente se localizados na parte final do ureter, habitualmente saem espontaneamente pela urina sem tratamento. Menos de 20% dos pacientes com pedras menores que 5mm precisam de alguma intervenção médica para retirar seu cálculo renal. O cálculo demora em média 8 a 14 dias para ser expelido. Porém, dependendo da localização, o tempo pode ser maior que 1 mês.

    A partir dos 5 mm, quanto maior for a pedra, menor a chance dela ser eliminada espontaneamente. 60% dos cálculos renais entre 5 e 7 mm são eliminados sem tratamento; esta taxa cai para menos de 50% nas pedras com tamanho entre 7 e 9 mm. Já a pedras grandes, com mais de 9mm somente 25% saem espontaneamente, mesmo assim, apenas se já estiverem na parte final do ureter. Cálculos maiores que 10 mm (1cm) localizados no início do ureter, próximo ao rim, não costumam sair sozinhos, pois são até 3x maiores que o diâmetro médio do ureter.

    Tratamento expectante do cálculo renal

    Uma vez controlada a dor do paciente e diagnosticado um cálculo renal com menos de 10 mm sem sinais de complicações, como hidronefrose (dilatação do rim por obstrução da passagem de urina), o paciente pode ser tratado em casa, à espera da eliminação espontânea da pedra.

    Geralmente o paciente é liberado para casa medicado com anti-inflamatórios para controlar a dor e medicamentos que relaxem o ureter, o que facilita a passagem do cálculo em direção à bexiga. As drogas mais usadas para este fim são a Tansulosina (medicamento também usado na hiperplasia benigna da próstata) ou a Nifedipina (medicamento também usado para tratar hipertensão arterial).

    Orienta-se também o paciente a ingerir bastante líquidos para que um grande volume de urina ajude a empurrar a pedra.

    Se o paciente tiver pedras maiores que 1 cm, dor de difícil controle, sinais de obstrução do rim (hidronefrose), sinais de infecção urinária ou se após 4 a 6 semanas a pedra não tiver saído espontaneamente, a avaliação por um urologista está indicada.

    Cirurgias para cálculos renais

    Se o cálculo renal for demasiadamente grande ou se surgirem complicações, como infecção urinária ou obstrução do funcionamento de um dos rins, a única maneira de tratar o paciente é através de uma intervenção médica.

    O tratamento do cálculo renal evoluiu muito ao longo dos anos e hoje existem várias opções para se eliminar uma pedra no trato urinário.

    Grosso modo, os métodos mais usados são:
    • Litotripsia extracorpórea (LECO)- método onde as pedras são quebradas por meio de ondas de choque aplicadas através da pele.
    • Ureterolitotripsia - as ondas de choque são aplicadas diretamente nos cálculos, através de endoscópio inserido pela uretra até o ureter.
    • Nefrolitotomia percutânea - uma pequena cirurgia onde o endoscópio é inserido através da pele até o local onde esta o cálculo.
    • Cirurgia convencional - procedimento onde o rim necessita ser aberto para retirada das pedras. Normalmente usada em cálculos complicados, principalmente nos cálculos coraliformes.
    A litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO) é atualmente o procedimento mais utilizado, principalmente se a pedra estiver dentro do rim ou no ureter proximal (parte inicial, próxima ao rim).

    Nos casos de pedras muito grandes, maiores que 15 mm (1,5 cm) ou se a pedra estiver impactada na metade inferior do ureter, a litotripsia extracorpórea não consegue ser tão efetiva. Nestes casos, a Ureterolitotripsia ou a Nefrolitotomia percutânea apresentam melhores resultados.

    Cateter Duplo J
      Duplo J
      Após qualquer manipulação do ureter, este pode apresentar um grau de edema secundário à reação inflamatória, que por si só pode obstruir a passagem de urina e de restos de cálculos que ainda possam permanecer. Por isso, costuma-se inserir um cateter chamado de duplo J, ou rabo de porco (pig-tail em inglês), para garantir a permeabilidade da via manipulada.

      O cateter apresenta as duas extremidades em forma parecida com a letra J, daí o seu nome. O Duplo J apresenta furos em seu trajeto que permitem o escoamento da urina

      Como funciona o Duplo J
      Uma ponta fica dentro do rim e a outra dentro da bexiga. Portanto, mesmo que haja obstrução em algum ponto do ureter, independente da causa, o duplo J garante a permeabilidade da via urinária. Este cateter pode permanecer por várias semanas até que o urologista ache seguro retirá-lo.

      Após a colocação do duplo J pode haver dor lombar e abdominal , ardor ao urinar e sangramentos na urina durante alguns dias. Se houver febre, dor excruciante ou sangramento exuberante com coágulos, deve-se contactar o urologista para uma reavaliação.

      A retirada do cateter é um procedimento simples e feito por via endoscópica com um cistoscópio. Entra-se pela uretra com esse endoscópio e puxa-se o cateter para fora. Se não houver complicações como aderências ou deslocamentos do duplo J, a retirada é um procedimento rápido, e na maioria das vezes, indolor.

      Investigação da composição do cálculo renal

      Uma vez resolvido o problema do cálculo, seja de modo espontâneo ou através de uma intervenção médica, o próximo passo é tentar identificar a composição da pedra para que se possa traçar estratégias para prevenir o aparecimento de novos cálculos renais.

      Se o paciente conseguir guardar a pedra eliminada, o seu conteúdo pode ser analisado em um laboratório. Mas mesmo que não seja possível recuperar a pedra expelida, um acompanhamento com médico Nefrologista está indicado para que ele, através da avaliação da composição da sua urina, possa procurar por problemas que facilitem a formação de cálculos.

      Pacientes que apresentam excesso de cálcio, oxalato, fósforo ou ácido úrico na urina possuem maior risco de formar pedras. Por outro lado, falta de citrato na urina ou uma urina pouco diluída também são fatores de risco. Muitas vezes, a correção destas alterações na composição da urina são suficientes para impedir o surgimento de novos cálculos.

      Existem remédios que dissolvem pedras?

      Se a pedra de for composta principalmente por ácido úrico, a alcalinização da urina com bicarbonato ou citrato de potássio (Litocit) pode ajudar a dissolver a pedra. Esta é a ÚNICA situação na qual dissolver pedras é possível.

      Todavia, a imensa maioria dos cálculos renais é composta por cálcio. Nestes casos, infelizmente, não há modo de dissolver as pedras já formadas.

      TOME CUIDADO! Algumas empresas desonestas se aproveitam do fato da maioria dos cálculos saírem sozinhos e de alguns poderem mudar de tamanho espontaneamente para vender "produtos naturais" como milagrosos. Existem dezenas de sites falsos fazendo apologia ao uso de substâncias que supostamente dissolvem cálculos renais. Esses tratamentos não são cientificamente comprovados. Nenhuma Sociedade Internacional de Urologia ou Nefrologia indica o uso de substâncias para dissolver cálculos à base e cálcio.

      Quer uma dica para saber se o medicamento contra o cálculo é correto? Antes de comprar qualquer remédio "natural" procure pelo seu registro na ANVISA. Se não estiver registrado, não compre. Se estiver registrado na ANVISA, veja se o registro é apenas como suplemento alimentar ou se o produto tem autorização para ser usado como remédio para cálculo renal. Muitas empresas registram seus produtos apenas como suplemento alimentar e depois usam este registro para fingir que o medicamento é indicado e aprovado pela ANVISA para tratar diversas doenças. Na dúvida, não compre medicamentos sem a orientação de um médico.

      E o chá de quebra-pedra?

      O famoso chá de quebra-pedra não quebra nenhuma pedra. Mas ele parece ser efetivo na prevenção do cálculo renal. Se o paciente já tem a pedra de cálcio formada, o chá funciona tanto quanto qualquer outro líquido, incluindo água. Porém, se tomado com frequência ele parece diminuir a formação de novas pedras, reduzindo a incidência de cálculos renais.