DIABETES TIPO 2 – Causas e Fatores de Risco

10

diabetes tipo 2
O diabetes tipo 2 é a forma de diabetes mellitus mais comum, acometendo mais de 350 milhões de pessoas em todo o planeta. O diabetes tipo 2 está em franca expansão, aumentando sua incidência em todo os países, devido, principalmente, à má alimentação e ao aumento de casos de obesidade. Nos últimos 30 anos o número casos de diabetes tipo 2 aumentou em mais de 100%. Por isso, entender os fatores de risco e as causas do diabetes é essencial para preveni-lo.

Neste artigo abordaremos apenas as causas e os fatores de risco para  o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Se você quiser  mais informações sobre o diabetes, acesse nosso arquivo de textos sobre o diabetes mellitus: DIABETES MELLITUS

Publicidade - Publicidad

Causas do diabetes tipo 2

O diabetes mellitus tipo 2 é um tipo de diabetes que ocorre por uma deficiente ação da insulina presente na circulação sanguínea. Geralmente há dois problemas: 1) o pâncreas produz menos insulina do que seria necessário para o controle adequado dos níveis de glicose; 2) a insulina produzida além de ser insuficiente, funciona mal. Os tecidos perdem a capacidade de reconhecer a presença da insulina, fazendo com que o açúcar presente no sangue não chegue às células. Este processo é conhecido como resistência à insulina.

Se você não está muito familiarizado com as ações da insulina e da glicose no nosso organismo, sugiro a leitura de: O QUE É DIABETES?

Embora seja uma forma de diabetes mellitus mais comum que o diabetes tipo 1, as causas da diabetes tipo 2 são menos conhecidas. Esta forma de diabetes é provavelmente desencadeada por múltiplos fatores, nem todos ainda reconhecidos. O porquê do pâncreas produzir menos insulina e os motivos pelo qual ela funciona mal ainda não estão totalmente esclarecidos.

O desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 2 parece envolver interações complexas entre fatores ambientais e genéticos. Presumivelmente, a doença se desenvolve quando um indivíduo geneticamente susceptível adota um estilo de vida “diabetogênico”, ou seja, com ingestão calórica excessiva, sedentarismo, obesidade, tabagismo, etc.

90% dos diabéticos tipo 2 são obesos ou apresentam sobrepeso, porém, nem todo indivíduo obeso é diabético. Este simples dado serve para mostrar que a causa do diabetes tipo 2 não está restrita a um único fator. Muito provavelmente vários fatores estão envolvidos.

Fatores de risco para o diabetes tipo 2

Se por um lado ainda não esclarecemos totalmente
as causas do diabetes mellitus tipo 2, já são bastante conhecidos os seus fatores de risco. Vamos listar abaixo os principais:

1. História familiar – indivíduos que possuem parentes com diabetes tipo 2, principalmente se de primeiro grau, apresentam maior risco de também desenvolver a doença. Estes pacientes devem tomar muito cuidado com o ganho excessivo de peso.

2. Etnia – por motivos ainda desconhecidos, a incidência do diabetes tipo 2 varia de acordo com a origem étnica do paciente. Em ordem decrescente de incidência, as etnias com maiores riscos de diabetes tipo 2 são: descendentes de asiáticos, hispânicos, negros e brancos. Cabe aqui uma ressalva, apesar da maior incidência de diabetes nos descendentes asiáticos, a população da Ásia, por possuir hábitos alimentares mais saudáveis, acaba apresentando menos casos de diabetes que a população americana, composta em sua maioria por brancos.

Publicidade - Publicidad

3. Obesidade – o sobrepeso é talvez o principal fator de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. O risco aumenta progressivamente a partir de um IMC maior que 25 (leia: OBESIDADE | Definições e consequências). A obesidade é um fator tão importante, que alguns pacientes conseguem deixar de ser diabéticos apenas emagrecendo. Atualmente, mais de 90% dos diabéticos tipo 2 apresentam excesso de peso.

Para saber mais sobre o índice de massa corporal e o cálculo do IMC, acesse o seguinte artigo: IMC | cálculo do índice de massa corporal.

4. Gordura abdominal – além do excesso de peso, o modo como a gordura é distribuída pelo corpo também é um fator determinante para um maior risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2. O risco de diabetes é mais elevado nos indivíduos com obesidade central, ou seja, naqueles que acumulam gordura na barriga. Homens com um cintura maior que 102 cm e mulheres com cintura maior que 88 cm apresentam elevado risco. Mulheres que acumulam gordura preferencialmente nos quadris têm menos riscos do que aquelas que acumulam gordura na região abdominal.

5. Idade acima de 45 anos – apesar de ser uma doença cada vez mais prevalente em jovens, o diabetes tipo 2 é mais comum em indivíduos acima de 45 anos. Provavelmente, a queda na massa muscular e o aumento da gordura corporal que ocorrem com o envelhecimento desempenham papel importante nestes pacientes.

6. Sedentarismo – um estilo de vida sedentário reduz o gasto de calorias, promove ganho de peso e aumenta o risco de diabetes tipo 2. Dentre os comportamentos sedentários, assistir televisão por muito tempo é um dos mais comuns, estando comprovadamente associado com o desenvolvimento de obesidade e diabetes. A atividade física regular não só ajuda a controlar o peso, como também aumenta a sensibilidade dos tecidos à insulina, ajudando a controlar os níveis de glicose do sangue. Tanto a musculação quanto exercícios aeróbicos ajudam a prevenir o diabetes tipo 2.

7. Cigarro – indivíduos que fumam apresentam 40% mais chances de desenvolver diabetes tipo 2 do que não fumantes. Quanto mais tempo o paciente fuma e quanto maior for o número de maços consumidos por dia, maior é o risco. A associação do fumo com o diabetes é tão forte que são precisos 5 anos sem fumar para que o risco de diabetes comece a cair. E somente após 20 anos sem fumar é que o paciente volta a ter o mesmo risco de pessoas que nunca fumaram (leia: DOENÇAS DO CIGARRO | Como parar de fumar).

8. Glicemia de jejum alterada – o diagnóstico do diabetes é feito quando o paciente apresenta glicemias (níveis de glicose no sangue) persistentemente acima de 126 mg/dl. Porém, os valores normais da glicemia são abaixo de 100 mg/dl. Os pacientes que ficam no meio do caminho, com valores entre 100 e 125 mg/dl, são considerados como portadores de glicemia de jejum alterada, que é um estágio de pré-diabetes. O risco de evolução para diabetes estabelecido é muito elevado neste grupo.

9. Dieta hipercalórica – a dieta ocidental, baseada no consumo excessivo de carne vermelha, carnes processadas, calorias, doces e refrigerantes, está associada a um maior risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2. Se for paciente tiver sobrepeso, o risco é ainda maior. O consumo regular de cereais, vegetais, soja e fibras reduz o risco do diabetes.

Publicidade - Publicidad

10. Hipertensão – paciente hipertensos apresentam maior risco de terem diabetes. Não se sabe se a hipertensão tem algum papel no desenvolvimento da doença ou se ela, por possuir muitos fatores de risco em comum, apenas aparece junto com o diabetes, sem relação de casualidade. Alguns medicamentos usados no tratamento da hipertensão, como diuréticos e betabloqueadores interferem na ação da insulina, aumentando o risco de diabetes (leia: HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento).

11. Colesterol elevado – Pacientes com níveis elevados de colesterol também estão sob maior risco de diabetes tipo 2. Níveis elevados de LDL (colesterol ruim) e triglicerídeos e/ou níveis baixos de HDL (colesterol bom) são os principais fatores.

12. Síndrome dos ovários policísticos (SOP) –  mulheres portadoras de SOP apresentam frequentemente resistência à insulina e, consequentemente, riscos de desenvolver diabetes tipo 2 (leia: OVÁRIO POLICÍSTICO | Sintomas e tratamento).

13. Diabetes gestacional – o diabetes gestacional é um tipo de diabetes que surge durante a gravidez e habitualmente desaparece após o parto. Porém, mesmo com a normalização da glicose com o término da gravidez, estas pacientes passam a apresentar elevado risco de desenvolverem diabetes tipo 2 nos 10 anos seguintes à gravidez.

14. Uso de corticoides – os corticoides são uma classe de medicamentos muito usados na prática médica, principalmente contra doenças de origem imunológica e/ou alérgica. Um dos efeitos colaterais comuns do uso prolongado de corticoides é o desenvolvimento de diabetes (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais).

Comer doces em excesso provoca diabetes?

Essa é uma dúvida muito comum na população. A resposta simples é: não, comer doces em excesso não causa diabetes. Porém, é bom destacar que uma má alimentação, com excesso de carboidratos e gorduras, é um dos fatores que levam à obesidade ou ao sobrepeso, estes sim, fatores de risco para o diabetes.

Conclusão

Como se pôde notar, já foram identificados inúmeros fatores de risco para o diabetes tipo 2. Neste artigo listamos apenas os mais comuns e comprovados. Existem ainda estudos que mostram relação do diabetes com dezenas de outros fatores, como níveis elevados de ácido úrico (leia: ÁCIDO ÚRICO E GOTA), esquizofrenia, depressão (leia: SINTOMAS DA DEPRESSÃO), nunca ter amamentado, ciclo menstrual irregular, exposição à bisfenol A, uso de esteroides anabolizantes, etc.

Ninguém pode mudar a sua etnia, idade ou histórico familiar, por isso, o paciente deve sempre ter em mente quais são os fatores de risco modificáveis. Se você tem história familiar de diabetes, procure se manter ativo, dentro do peso, não fume e adote uma dieta saudável. Não é porque seu pai ou sua mãe tiveram diabetes tipo 2 que você necessariamente terá. A prevenção pode estar ao seu alcance.

Assuntos Relacionados:

  • Celya

    O que pode acontecer com uma pessoa que tem diabetes tipo 2 e é usuário da droga cocaína?

  • efigenia

    contrariedade,aborrecimento,desilusao provoca diabetes?

  • Taina

    Minha mãe foi diagnosticada com diabétes a glicose dela esta em 152 . Gostaria de saber o que ela pode comer e o que não pode. Outra dúvida, ela pode comer pão normal?

    • Eu não posso definir isso à distância. Ela precisa de um endocrinologista.

  • valério

    é reversível?

    • Dr. Pedro Pinheiro – MD. Saúde

      Em alguns casos, sim, principalmente em pessoas obesas que conseguem perder peso de forma relevante.

  • Simone

    Fui diagnosticada recentemente com diabetes tipo 2 e comecei a ler muitos artigos em vários sites sobre essa doença, porque a princípio fiquei muito ansiosa e sabia muito pouco a respeito. Agradeço muito aos responsáveis pelas informações detalhadas, precisas e de fácil entendimento que, com certeza farão muita diferença para mim e várias outras pessoas.