VASECTOMIA | Cirurgia e reversão


A vasectomia é modo mais efetivo de contracepção masculina. A vasectomia é uma cirurgia simples que resulta em esterilização permanente do homem por impedir a liberação de espermatozoides no líquido ejaculado. Neste texto vamos explicar o que é a cirurgia de vasectomia e quais as chances de reversão.

Neste texto falaremos somente da vasectomia, método de esterilização masculina. Para saber sobre a laqueadura tubária, método de esterilização feminina, leia: LAQUEADURA | Ligadura de trompas

O que é o ducto deferente?

Antes de falarmos da vasectomia, para entendermos como funciona a cirurgia, vamos dar uma olhada na anatomia do sistema reprodutivo masculino. Acompanhe o texto junto com a ilustração fornecida abaixo.

Os espermatozoides são produzidos em nossos testículos e armazenados até ficarem maduros no epidídimo, um estrutura localizada na parte superior de cada testículo. O epidídimo liga-se à vesícula seminal por dois finos tubos chamados de canal deferente (ducto deferente). A vesícula seminal junto com a próstata são as responsáveis pela produção do líquido conhecido como sêmen ou esperma, que é ejaculado durante o orgasmo masculino.

Vasectomia (clique para ampliar)
A lógica da cirurgia de vasectomia é muito simples, basta causar uma interrupção no ducto deferente, que os espermatozódes armazenados no epidídimo não mais conseguirão chegar à vesícula seminal. Deste modo, o esperma ejaculado passa a sair sem um único espermatozoide presente.

Como é feita a cirurgia de vasectomia?

A vasectomia é um procedimento cirúrgico tão simples que não precisa ser feito em ambiente hospitalar. O urologista faz uma pequena anestesia local na pele da bolsa escrotal e com um pequeno corte exterioriza o ducto deferente. A partir daí, basta cortá-lo e depois suturar cada uma das pontas. A cirurgia dura cerca de 15-20 minutos.

Cirurgia de vasectomia 
(clique p/ampliar. Atenção: A imagem acima  pode ser considerada ofensiva para certas pessoas)

O paciente recebe alta alguns minutos após o término do procedimento e deve se manter em repouso por dois ou três dias. Banho só após 24-48h, retorno ao trabalho após cinco dias e exercícios físicos somente após uma semana, no mínimo. É sempre seguro confirmar esses prazos com o médico que realizou a operação.

Nos dois ou três primeiros dias é possível haver dor e desconforto na região escrotal. Esta dor, entretanto costuma ser fraca e cede com analgésicos comuns.

O paciente pode voltar a ter relações sexuais após uma semana, mas neste período ainda podem haver espermatozoides viáveis no esperma. São precisos em média 20 ejaculações para se limpar todo o ducto. Após três meses indica-se uma avaliação do sêmen à procura de espermatozoides. Se já não houver mais nenhum, o paciente pode ser considerado estéril. A taxa de sucesso da vasectomia é de 99,8%.

Complicações da vasectomia

A vasectomia é um cirurgia simples com baixa taxa de complicações. Nos primeiros dias do pós-operatório é comum haver sangue no esperma, inchaço na bolsa escrotal e dor local.

É possível nas primeiras semanas haver através da incisão dos ductos deferentes um pequeno vazamento de espermatozoides para dentro da bolsa escrotal. Este vazamento pode desencadear uma reação inflamatória e a formação de granulomas do esperma, que podem ser notados como pequenos nódulos dolorosos no trajeto do ducto deferente. O granuloma é uma massa formada pela mistura de espermatozoides e células de defesa do nosso sistema imune.

Outra complicação possível é a sensação de peso, plenitude ou dor na bolsa escrotal causado pelo acúmulo de espermatozoides no epidídimo. Após algumas semanas o testículo começa a diminuir a produção de espermatozoides e o organismo começa a absorver os já que existem, resultando em uma melhora da congestão. São raros os casos onde não há melhora do desconforto e o paciente precisa ser avaliado novamente pelo urologista (leia: DOR NOS TESTÍCULOS | Principais causas).

Mitos sobre a vasectomia 

Existem muitas informações falsas sobre a vasectomia circulando entre os pacientes. Podemos afirmar que:

- Vasectomia NÃO causa impotência sexual.
- Vasectomia NÃO causa perda da libido.
- Vasectomia NÃO aumenta o risco de nenhum tipo de câncer.
- Vasectomia NÃO aumenta o risco de nenhuma doença cardíaca.

Também é importante destacar que a vasectomia é um método contraceptivo que não diminui a chance de transmissão ou contaminação por qualquer doença sexualmente transmissível (DST). O homem continua a ejacular normalmente, a diferença é que não haverá mais espermatozoides no meio do esperma.Se o paciente vasectomizado tiver alguma DST, o risco de transmissão permanece o mesmo.

Reversão da vasectomia

A vasectomia em alguns casos pode ser reversível, mas a cirurgia de reversão é bem mais complexa. Quanto maior o tempo de vasectomia, menores as chances da reversão ter sucesso. Após 15 anos de vasectomia, menos de um terço das reversões são efetivas.

Vérsion en español:  VASECTOMÍA | Cirugía y reversión

HIPOTIREOIDISMO | Perguntas e respostas


A tireoide é uma pequena glândula localizada na base do pescoço, logo abaixo do pomo de Adão. A tireoide produz dois hormônios chamados T3 e T4 que agem controlando o metabolismo do nosso corpo, incluindo o quão rápido você consegue queimar calorias e quão rápido o seu coração bate.

Uma tireoide que funciona corretamente irá produzir quantidades adequadas de hormônios para manter o metabolismo do seu corpo trabalhando a uma taxa que não seja nem muito rápida nem muito devagar. Quando a tireoide produz menos hormônios do que o necessário, mantendo nosso metabolismo mais lento, chamamos de hipotireoidismo;  quando produz mais hormônios que o necessário, acelerando em demasiado nosso metabolismo, chamamos de hipertireoidismo.

O texto a seguir é um apanhado das principais dúvidas sobre o hipotireoidismo.

Para saber mais sobre a tiroide e suas doenças, sugerimos também a leitura de:

- DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREOIDE
- HIPOTIREOIDISMO | Tireoidite de Hashimoto
- HIPERTIREOIDISMO | Doença de Graves
- NÓDULO DE TIREOIDE | Diagnóstico e como diferenciá-lo do câncer

1.) Quais são os sintomas do hipotireoidismo?

Os principais sintomas do hipotireoidismo são a astenia, pele seca, constipação intestinal (prisão de ventre), aumento do colesterol (leia: colesterol HDL, colesterol LDL e triglicerídeos), alterações da menstruação, ganho de peso (não o suficiente para causar obesidade), intolerância ao frio, perda de cabelo e bócio.

É importante destacar que nem todos os pacientes com hipotireoidismo têm todos esses sinais e sintomas

Bócio
Bócio
2.) O que é o bócio?
O bócio, também conhecido como papo, é um abaulamento da região do pescoço causado pelo aumento do volume da tireoide. O bócio surge principalmente em casos de hipotireoidismo, hipertireoidismo ou nódulos da tireoide.

3.) Quais os sintomas do bócio?
 
O paciente com bócio costuma apresentar os sintomas da doença que está causando o bócio, geralmente sintomas de hipertireoidismo ou hipotireoidismo.O bócio em si não costuma causar sintomas, a não ser que o mesmo seja muito grande. Bócios como o da foto acima não são grandes o suficiente para casuar sintomas compressivos, como rouquidão, dificuldade para engolir ou para respirar.

4.) Quais são as principais causas de hipotireoidismo?

A causa mais comum de hipotireoidismo é a tireoidite de Hashimoto. Outras causas incluem deficiência de iodo, retirada cirúrgica da tireoide e destruição da tireoide por radiação são outras causas comuns.

5.) Tenho engordado muito nos últimos anos e me sinto sem disposição. Isto pode ser hipotireoidismo?

Pode, mas muitas vezes é apenas reflexo de um estilo de vida sedentário. A má alimentação e a falta de exercícios físicos causam ganhos de peso e uma sensação de preguiça permanente. O ganho de peso relacionado ao hipotireoidismo costuma estar mais relacionado à retenção de líquidos do que ao acúmulo de gordura. Na verdade, é muito raro o hipotireoidismo causar obesidade e a maioria dos pacientes com sobrepeso e disfunção da tireoide não notam uma grande alteração no percentual de gordura após o controle do hipotireoidismo.

6.) Como é feito o diagnóstico do hipotireoidismo?

Através da dosagem dos hormônios da tireoide. Geralmente dosamos o TSH e o T4 livre. No hipotireoidismo o TSH está elevado e o T4 livre normal ou baixo.

7.) Quais são os valores normais de TSH?

O limites inferir e superior do TSH costumam variar entre laboratórios, mas são geralmente ao redor de 0,5 mU/L e 4,5 mU/L.Valores abaixo de 0,5 mU/L sugerem hipertireoidismo; valores acima de 4,5 mU/L sugerem hipotireoidismo.

8. ) O que é hipotireoidismo subclínico?

Chamamos de hipotireoidismo subclínico quando o paciente apresenta laboratorialmente TSH elevado, T4 livre normal e ausência de sintomas de hipotireoidismo. Mais da metade dos pacientes com hipotireoidismo subclínico costuma desenvolver hipotireoidismo de fato em um período de 10 a 20 anos.

9.) Quando se indica o tratamento do hipotireoidismo subclínico?

Ainda existe muita controvérsia sobre o beneficio de se tratar hipotireoidismo subclínico. Atualmente há consenso apenas nos seguintes casos: TSH maior que 10 mU/L, altos títulos de anti-TPO, grávidas, mulheres com dificuldade em engravidar ou pessoas com colesterol muito alto.

10.) O que são os anticorpos anti-tireoglobulina e anti-TPO?

A anti-tireoglobulina e anti-TPO são auto-anticorpos que o nosso organismo produz inapropriadamente contra a tireoide. Estão presentes em praticamente todos os casos de tireoidite de Hashimoto. Pacientes com hipotireoidismo subclínico mas com altos títulos desses anticorpos apresentam um elevado risco de evoluírem para o hipotireoidismo clínico.

11.) O hipotireoidismo pode causar dificuldade em engravidar?

Sim. o hipotireoidismo altera o ciclo menstrual (leia: CICLO MENSTRUAL | PERÍODO FÉRTIL) podendo causar infertilidade. Mesmo que a paciente consiga engravidar, o hipotireoidismo aumenta o risco de aborto.

Nos homens o hipotireoidismo é causa de infertilidade por alterar a morfologia dos espermatozoides.

12.) Hipotireoidismo causa impotência sexual em homens?

Sim, além de causar diminuição da libido e dificuldade em ejacular. (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento)

13.) Como se trata o hipotireoidismo?

O tratamento é feito com levotiroxina, uma forma sintética do hormônio T4. O objetivo do tratamento é manter o TSH abaixo de 5 mU/L.

14.) Quanto tempo dura o tratamento do hipotireoidismo?

Na imensa maioria dos casos o tratamento é por tempo indefinido. São raros os casos de hipotireoidismo que se curam com o tempo.

15.) Qual o melhor horário pra se tomar a levotiroxina?

Em jejum, antes do café da manhã.

16.) Meu colesterol está muito alto devido ao hipotireoidismo. Após o início do tratamento ele vai melhorar?

Sim, mas geralmente os melhores resultados ocorrem naqueles que tem TSH maior 10 mU/L.

17.) Mulheres que fazem reposição de levotiroxina podem amamentar?

Sim, é preciso apenas seguimento médico para evitar doses elevadas da droga.

18.) Tenho vários sintomas de hipotireoidismo, mas meu TSH e T4L são normais. Posso ter hipotireoidismo mesmo assim?

Não. Os seus sintomas têm outra causa. E nestes casos não adianta usar levotiroxina pois a droga não melhora os sintomas.

CÂNCER DE PULMÃO | Cigarro e outros fatores de risco


O câncer de pulmão é o câncer mais comum e o que causa mais mortes em todo o mundo. Para se ter uma ideia da agressividade deste tumor, a mortalidade do câncer de pulmão é maior que as dos cânceres de mama, próstata e intestino juntos. Neste texto vamos abordar os fatores de risco do câncer de pulmão.

Este artigo é específico sobre câncer de pulmão, se você quiser informações gerais sobre todos os tipos de câncer, leia: CÂNCER | Sintomas e tipos.

Câncer de pulmão | epidemiologia
Curva de mortalidade do câncer de pulmão nas últimas décadas
Mortalidade do câncer de pulmão nas últimas décadas

O câncer de pulmão é o segundo câncer mais comum nos homens, perdendo apenas para o câncer de próstata (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento), e o segundo câncer mais comum nas mulheres, atrás apenas do câncer de mama (leia: CÂNCER DE MAMA | Sintomas, auto exame e diagnóstico). Entretanto, como o câncer de pulmão acomete tanto homens quanto mulheres, ao contrário dos cânceres de próstata e mama, que só surgem em um sexo, ele acaba sendo, no geral, o câncer mais comum de todos.

O gráfico ao lado mostra a evolução da mortalidade por câncer de pulmão nos EUA ao longo das últimas décadas. Nas próximas linhas explicarei o porquê deste salto na mortalidade a partir da década de 1940. Os dados são americanos, mas podem ser transportados para a maioria dos países.

A incidência do câncer de pulmão está diretamente relacionada ao consumo de cigarro pela população. Até a década de 20 do século passado, quando o cigarro ainda não era produzido e comercializado em larga escala, o câncer de pulmão era uma doença rara, correspondendo a menos de 1% de todos os cânceres.

Propaganda sugerindo o apoio de dentistas ao fumo
No início do século XX, apenas 0,5% da população americana fumava mais de 100 cigarros (5 maços) por ano. Na década de 1960, auge do tabagismo, 50% da população masculina fumava pelo menos 100 cigarros (5 maços) por ano. Sabendo estas informações, volte ao gráfico e veja as curvas de mortalidade.

Desde a década de 1980, medidas anti-tabágicas cada vez mais restritivas têm sido implementadas em todo o mundo, conseguindo reduzir o número de fumantes. Graças a elas, pela primeira vez em décadas, notamos uma redução da mortalidade do câncer de pulmão.

Só como curiosidade, a campanha de marketing da indústria tabagista nas décadas de 1940 e 1950 era tão forte que chegaram ao absurdo de sugerir que médicos e dentistas recomendavam o uso de determinadas marcas de cigarro. As principais estrelas de Hollywood e os mais famosos atletas esportivos recebiam milhares de dólares para promover marcas de cigarro. Naquela época o normal era ser fumante. Não fumantes eram uma minoria em vários círculos sociais. O resultado de toda esta eficiente campanha de marketing foi uma vertiginosa subida na curva de mortalidade por câncer de pulmão nas décadas que se sucederam.

Como ainda não existem exames que detectem o câncer de pulmão suficientemente cedo para garantir a cura com o tratamento, a melhor estratégia continua sendo a prevenção. Para se prevenir contra qualquer doença, é essencial conhecer os seus fatores de risco. Portanto, é dos fatores de risco do câncer de pulmão que falaremos a seguir.

Câncer de pulmão | Fatores de risco

a.) Cigarro (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo)


Como o início deste texto já deixou claro, o cigarro é o principal fator de risco para o câncer de pulmão. 90% dos pacientes que têm câncer de pulmão são ou foram fumantes.

Inacreditavelmente ainda hoje é possível encontrar pessoas que se deixam enganar por falsos relatos sobre uma suposta ausência de provas da relação entre cigarro e câncer de pulmão. Desde a década de 1960 que já há evidencias científicas de que o cigarro causa câncer de pulmão. Atualmente já sabemos até quais são as alterações genéticas provocadas pelas substâncias tóxicas do cigarro responsáveis pelo surgimento das células cancerígenas.

O que sabemos hoje sobre a relação do cigarro com o câncer de pulmão:

- Quem fuma pelo menos um maço de cigarro por dia tem até 25x mais chances de desenvolver câncer de pulmão quando comparados com não fumantes.
- Já foram identificados mais de 4000 substâncias tóxicas no cigarro e pelo menos 50 que comprovadamente causam câncer.
- Após 15 anos de abstinência o risco de câncer do pulmão cai em 90%. Todavia, ele nunca será tão baixo quanto o daqueles que nunca fumaram.
- Não existe uma quantidade mínima de cigarros por dia que seja segura, nem tipos de cigarro que não causem câncer. Sabe-se que se você já fumou mais de 100 cigarros na sua vida, você está no grupo de alto risco para câncer de pulmão. Não importa se você fuma 1 cigarro por dia ou 1 por semana.
- Quanto maior o consumo diário, maior o risco; quanto maior o tempo de tabagismo, maior o risco; quanto mais cedo se inicia o hábito de fumar, maior o risco.
- Fumantes passivos apresentam 25% mais risco de desenvolverem câncer de pulmão do que pessoas não expostas cronicamente à fumaça do cigarro.

Para ver fotos fortes sobre doenças causadas pelo tabagismo: DOENÇAS CAUSADAS PELO CIGARRO | Fotos.

b.) Charuto, cachimbo e maconha

Existe um mito que apenas o fumo de cigarro é um fator de risco para o câncer de pulmão. Esta suposta ausência de danos é ainda mais forte quando falamos da maconha, uma droga cuja discussão é pautada muito mais pela emoção do que por dados científicos e estatísticos. O uso crônico de maconha causa alterações nas células da árvore respiratória idênticas àquelas vistas nas lesões pré-malignas de fumantes de cigarro. Além disso, os indivíduos que fumam maconha e cigarro apresentam um risco de desenvolverem câncer de pulmão ainda maior do que os fumantes apenas de cigarro. Fizemos uma grande revisão sobre os efeitos da maconha no organismo que pode ser encontrada neste texto: MACONHA | Efeitos no organismo.

O fumo de cachimbos ou charutos também aumenta o risco de câncer de pulmão. Entretanto, o risco não parece ser tão elevado quanto o do cigarro. Enquanto o fumo por vários anos de cigarro aumenta em até 25x o risco de câncer de pulmão, o fumo de charutos ou cachimbos parece aumentar em torno de 5x, o que não deixa de ser uma aumento considerável no risco.

Assim como acontece com o cigarro, o risco de câncer com o fumo da maconha, charutos ou cachimbos também cresce proporcionalmente à quantidade fumada e ao tempo de uso.

c) Exposição ocupacional

Algumas pessoas trabalham em áreas ou profissões onde há exposição frequente a substâncias nocivas à saúde. A exposição a algumas substâncias químicas estão relacionadas a um maior risco de câncer de pulmão; entre as mais estudadas está o asbesto (amianto). O asbesto (amianto) é usado em várias áreas da indústria, como na mineração, construção civil, construção de navios, construção de ferroviária, indústria química, indústria automobilística, encanamentos, revestimentos à prova de fogo, isolamento acústico, fabricação de telhas de fibrocimento e mais de 2500 outros produtos. Proibido em muitos países, infelizmente o amianto ainda é legal em vários estados brasileiros devido a uma forte lobby no Congresso Nacional. Se você quiser saber mais sobre o amianto e suas doenças, leia: MESOTELIOMA | ASBESTOSE | Doenças do AMIANTO (ASBESTO).

Outras substâncias de exposição ocupacional relacionadas a uma maior risco de câncer de pulmão incluem o radônio, arsênio, cromo, formaldeído, níquel, radiação ionizante, poeira metálica e fumaça de madeira queimada.

Trabalhadores expostos frequentemente a estes químicos, se forem fumantes, aumentam ainda mais o risco de desenvolverem câncer. Só como exemplo, o fumo mais a exposição ao amianto aumentam em 60x o risco de câncer do pulmão.

d.) História familiar

Há claramente uma predisposição genética para o desenvolvimento do câncer de pulmão. Esta influencia genética é um dos fatores que explicam o porquê de nem todos os fumantes inveterados desenvolverem câncer. Indivíduos com um parente de primeiro grau com câncer de pulmão apresentam maior risco de desenvolvê-lo, princialmente se também forem fumantes ou apresentarem alguma exposição ocupacional. Quanto mais parentes tiverem tido câncer ou quanto mais jovem sejam os familiares com câncer, maiores os riscos.

e.) Dieta

Vários alimentos têm sido estudados como potenciais protetores contra o desenvolvimento do câncer de pulmão. Os mais estudados incluem antioxidantes, vegetais crucíferos (couve, repolho, couve-flor, brócolis e couve de Bruxelas) e vitamina B. Embora pareça haver uma ligação entre a ingestão desses alimentos e a incidência de câncer, nenhum trabalho até hoje conseguiu demonstrar benefícios reais com nenhum tipo de dieta.

TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO | Nifedipina, Amlodipina...


Os bloqueadores dos canais de cálcio são um grupo de drogas frequentemente prescritas no tratamento da hipertensão arterial. Entre os mais usados na prática clínica estão a Nifedipina, Amlodipina, Nicardipina, felodipina, Verapamil e Diltiazem. Neste texto vamos falar um pouco das indicações e dos efeitos colaterais dos bloqueadores dos canais de cálcio.

Para saber mais sobre hipertensão arterial, sugerimos também a leitura dos nossos textos:

- HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento
- CAUSAS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL (PRESSÃO ALTA)
- TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO | Captopril, Enalapril, Losartan
- DIURÉTICOS | Furosemida, Hidroclorotiazida, Indapamida...
- HIPERTENSÃO ARTERIAL DE DIFÍCIL CONTROLE
- EFEITOS DO SAL NA PRESSÃO ARTERIAL 
- ECLÂMPSIA | PRÉ-ECLÂMPSIA | Sintomas e tratamento

Tipos de bloqueadores dos canais de cálcio

Hipertensão arterialOs bloqueadores dos canais de cálcio são divididos em dois grupos:

- Bloqueadores dos canais de cálcio dihidropiridinas
- Bloqueadores dos canais de cálcio não-dihidropiridinas

Vale a pena falarmos rapidamente do porquê desta divisão uma vez que cada grupo apresenta ações, indicações e efeitos colaterais distintos.

Os bloqueadores dos canais de cálcio dihidropiridinas são os mais indicados para o tratamento da hipertensão arterial por apresentarem uma grande efeito vasodilatador. As drogas que pertencem a este grupo serão o foco deste artigo.
Exemplos de bloqueadores dos canais de cálcio dihidropiridinas:

- Nifedipina
- Amlodipina (Anlodipina)
- Nicardipina
- Felodipina
- Lercanidipina
- Nitrendipina

Os bloqueadores dos canais de cálcio não-dihidropiridinas apresentam um menor poder vasodilatador, mas possuem um efeito de diminuir a frequência e a contratilidade do coração, sendo assim, opções nos pacientes com arritmias ou doença isquêmica cardíaca.

Exemplos de bloqueadores dos canais de cálcio não-dihidropiridinas:

- Verapamil
- Diltiazem

Indicações dos bloqueadores dos canais de cálcio

Os bloqueadores dos canais de cálcio, principalmente o grupo das dihidropiridinas, são drogas muito efetivas no controle da hipertensão arterial. Nas hipertensões leves os bloqueadores dos canais de cálcio podem ser usados como droga única; nas hipertensões que necessitam de mais de uma droga para o controle, a associação com diuréticos, inibidores da ECA (enalapril, ramipril, lisinopril...) ou com ARA2 (losartan, irbesartan, candesartan...) são ótimas opções.

Os bloqueadores dos canais de cálcio são anti-hipertensivos que funcionam muito bem para pacientes idosos ou afrodescendentes. Nestes dois grupos, os bloqueadores dos canais de cálcio e os diuréticos são as drogas com melhor desempenho. Entretanto, em pacientes caucasianos (brancos) e jovens, os bloqueadores dos canais de cálcio não costumam ser a melhor opção para início do tratamento. Neste grupo os diuréticos e os IECA (ou ARA2) são mais indicados. Os bloqueadores dos canais de cálcio são apenas a 3º opção.

Os bloqueadores dos canais de cálcio não-dihidropiridinas (Verapamil e Diltiazem) não são consideradas drogas de primeira linha no tratamento da hipertensão e só devem ser usadas para este fim caso o paciente apresente outras indicações, como arritmia cardíaca, por exemplo.

Efeitos colaterais dos bloqueadores dos canais de cálcio

Os bloqueadores dos canais de cálcio são drogas com um bom perfil de segurança e não costumam apresentar efeitos adversos graves quando bem indicadas.

O efeito colateral mais comum é o aparecimento de edemas dos pés (leia: INCHAÇOS E EDEMAS | Causas e tratamento). Este edema não costuma melhorar com a associação de diuréticos, mas sim com os IECA. Há casos que o edema responde à redução da dose, todavia, alguns pacientes só se livram definitivamente do inchaço com a suspensão da droga. A redução da ingestão de sal pode ajudar.

O edema, na maioria dos casos, não causa nenhum problema relevante além do incômodo estético e para calçar os sapatos. Alguns pacientes têm que aprender a conviver com ele caso só consigam controlar suas pressões arteriais com um bloqueador dos canais de cálcio. Se o edema for acentuado, deve-se optar por outra droga para controlar a pressão arterial.

Outros efeitos colaterais comuns dos bloqueadores dos canais de cálcio são a dor de cabeça, tontura e constipação intestinal. As formulações mais atuais, de liberação lenta, já não apresentam tantos esses efeitos colaterais, que eram muito comuns na antiga apresentação da Nifedipina (Adalat®). Atualmente a Nifedipina mais prescrita é a nifedipina retard (Adalat retard® ou Adalat CR®) que apresenta ação prolongada e menos efeitos colaterais.

Há alguns anos era muito comum o uso de uma capsula de Adalat® de rápida ação embaixo da língua para tratar crises hipertensivas. Esta prática hoje em dia não é mais indicada devido ao elevado risco de uma rápida queda da pressão arterial que pode desencadear eventos isquêmicos cardíacos e cerebrais.

Os bloqueadores dos canais de cálcio não-dihidropiridinas (Verapamil e Diltiazem) devem ser evitados em pacientes com insuficiência cardíaca grave ou frequência cardíaca baixa. Estas duas drogas nunca devem ser usados em associação com beta-bloqueadores devido ao risco de grave bradicardia (frequência cardíaca abaixo de 50 batimentos por minuto).

Assim com a maioria dos anti-hipertensivos quando usados em pessoas mais idosas, os bloqueadores dos canais de cálcio também podem causar impotência sexual (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento)

CAUSAS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL (PRESSÃO ALTA)


A hipertensão arterial, chamada popularmente de pressão alta, é uma doença que atinge cerca de 1/3 da população adulta. Atualmente definimos a hipertensão arterial de dois modos, de acordo com suas causas: hipertensão essencial (ou primária) e hipertensão secundaria. Neste texto vamos abordar as causas e os fatores de risco para a hipertensão arterial.

Se você está à procura de informações sobre hipertensão arterial, não deixe de ler também nossos outros textos sobre o assunto:

- HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento
- SINTOMAS DA HIPERTENSÃO
- TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO | Captopril, Enalapril, Losartan
- TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO | Nifedipina, Adalat, Amlodipina...
- DIURÉTICOS | Furosemida, Hidroclorotiazida, Indapamida... 
- HIPERTENSÃO ARTERIAL DE DIFÍCIL CONTROLE
- EFEITOS DO SAL NA PRESSÃO ARTERIAL 
- ECLÂMPSIA | PRÉ-ECLÂMPSIA | Sintomas e tratamento

Hipertensão arterial
Pressão arterial
Causas de hipertensão arterial

Como foi dito na introdução, a hipertensão possui duas categorias: hipertensão essencial e hipertensão secundária.

A hipertensão essencial, também chamada de hipertensão primária, é aquela que surge sem causa esclarecida, enquanto que a hipertensão secundária é aquela que ocorre devido a uma doença identificável, como insuficiência renal, apneia do sono, hipotireoidismo etc.

1.) Hipertensão arterial essencial (primária)

A hipertensão primária é a causa da pressão alta em 95% dos pacientes. Sim, é isso mesmo, praticamente todos os casos de pressão alta são causados pelo que definimos como hipertensão essencial.

Não se sabe exatamente por que a hipertensão primária surge, mas sabe-se que ela é causada por múltiplos fatores genéticos e de hábitos de vida. Sabe-se que entre os mecanismos responsáveis pela elevação da pressão arterial na hipertensão primária estão um aumento de absorção de sal pelos rins, uma excessiva resposta dos vasos sanguíneos a estímulos nervosos mediados por neurotransmissores, como a adrenalina, e uma perda de elasticidade das artérias, tornando-as mais rígidas.

A hipertensão essencial geralmente surge gradativamente, piorando ao longo dos anos. O porquê destas alterações surgirem em determinadas pessoas ainda é desconhecido, mas já conseguimos identificar alguns fatores de risco para a hipertensão essencial.

Fatores de risco para hipertensão arterial

- Afrodescendência: ainda não se sabe bem por que negros têm uma incidência de hipertensão essencial maior que outras etnias, mas o fato é que afrodescendentes não só têm mais hipertensão, como ela inicia-se mais cedo e costuma causar mais complicações. Acredita-se que haja uma interação de fatores genéticos e econômicos por trás desta incidência maior. Negros costumam ter uma pressão arterial mais sensível ao consumo de sal, e como na nossa desigual sociedade há muitos negros pobres, a qualidade da alimentação destes costuma ser ruim, havendo grande consumo de alimentos hipercalóricos e ricos em sal.

- História familiar: a influência genética na hipertensão primária é muito conhecida. Quanto mais parentes portadores de pressão alta você tiver, maiores são suas chances de também desenvolver hipertensão arterial. Pessoas com pelo menos um parente de primeiro grau hipertenso têm o dobro de chances de desenvolver pressão alta quando comparado com pessoas sem história familiar.

- Consumo de sal: a hipertensão arterial essencial é uma doença típica das sociedades do mundo ocidental que habitualmente consomem muito sal. Pessoas que ingerem mais de 6g de sal por dia (ou 2,3g de sódio) apresentam maior risco de terem pressão alta. O sal aumenta a pressão arterial por induzir duas alterações nos vasos sanguíneos: a.) o sal (cloreto de sódio) aumenta o volume de líquidos dentro dos vasos, pois para o sangue não ficar com níveis altos de sódio, os rins absorvem mais água para dilui-lo; b.) o sódio age diretamente nas paredes das artérias causando um constrição das mesmas, levando a um aumento da resistência (pressão) à passagem do sangue e uma menor capacidade de vasodilatação.

- Obesidade: o excesso de peso é outro importante fator de risco para a hipertensão arterial. Pessoas obesas (IMC maior que 30) (leia: OBESIDADE | SÍNDROME METABÓLICA para entender o conceito de IMC) apresentam até 6x mais chances de apresentarem pressão alta do que indivíduos com IMC abaixo de 25. Além do excesso de peso, o tamanho da circunferência abdominal também é um fator de risco importante. A barriguinha (barrigona em muitos casos) não é só esteticamente indesejável, ela é também um fator de risco para diversas doenças, entre elas a hipertensão.

- Consumo de álcool: O consumo diário de mais de 2 copos de vinho ou 2 copos de cerveja, ou o equivalente em álcool de qualquer outra bebida, aumenta em 2x o risco de hipertensão. Quanto maior o volume regular de álcool ingerido, maior é o risco. Por outro lado, o consumo moderado de álcool, isto é, consumo não diário e não maior do que 2 drinks ao dia, não parece ter efeitos maléficos sobre a pressão arterial (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL | Tratamento do alcoolismo).

- Idade: quanto mais velha é a pessoa, maior o risco de desenvolver hipertensão. Isto ocorre porque com o passar dos anos os vasos sanguíneos vão sofrendo um processo chamado de arteriosclerose, que é o endurecimento da parede das artérias, fazendo com que as mesmas percam elasticidade e capacidade de se acomodar de acordo com as variações da pressão arterial. A hipertensão do idoso é tipicamente sistólica, isto é, a pressão máxima (pressão sistólica) fica alta e a pressão mínima (pressão diastólica) fica baixa.

- Colesterol alto: o colesterol elevado aumenta a deposição de gordura nas artérias, um processo chamado de aterosclerose. A aterosclerose é uma das principais causas de arteriosclerose, explicada no tópico acima (leia: COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS).

- Sedentarismo: a falta de exercício físico também é outro importante fator de risco para hipertensão arterial. A prática regular de exercícios diminui os níveis circulantes de adrenalina, que causa constrição das artérias, e aumenta a liberação de endorfinas e óxido nítrico, que causam vasodilatação. Além disso, o sedentarismo contribui para o sobrepeso e aumento do colesterol.

- Tabagismo: O cigarro não só causa aumento imediato da pressão arterial por ação vasoconstritora da nicotina, mas também acelera o mecanismo de arteriosclerose, deixando os vasos duros e rígidos. O fumo passivo também é fator de risco para hipertensão arterial (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo).

- Anticoncepcionais orais (ACO):  a pílula anticoncepcional costuma aumentar a pressão arterial de modo discreto, porém, em algumas mulheres, principalmente as fumantes com mais de 25 anos, os ACO podem levar à hipertensão.

O que foi listado acima são apenas fatores de risco para hipertensão, ou seja, fatores que aumentam a chances de um indivíduo apresentar pressão alta. Nenhum dos fatores acima sozinho é capaz de causar hipertensão arterial. Como já dito, os mecanismos de desenvolvimento da hipertensão primária ainda não estão totalmente elucidados.

2.) Hipertensão arterial secundária

Ao contrário da hipertensão essencial onde há fatores de risco identificados, mas não há uma causa claramente estabelecida, a hipertensão secundária é por definição aquela que tem uma causa bem definida. O paciente tem uma doença que leva à hipertensão. São várias as doenças que podem causar hipertensão secundária, mas todas juntas representam apenas 5% do total de casos de hipertensão. Isto é importante frisar: 95% dos casos de hipertensão arterial são primárias.

Ao contrário da hipertensão essencial que costuma piorar progressivamente, a hipertensão secundária costuma ter inicio abrupto, iniciando-se já com níveis pressóricos altos.

Como o rim é o principal controlador do volume de água e de sódio do organismo, as doenças renais são causas comuns de hipertensão secundária. A seguir listarei as principais causas de hipertensão secundária. Escreverei um texto especifico para cada uma dessas doenças posteriormente.

- Insuficiência renal crônica (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA | Sintomas e tratamento).

A insuficiência renal é uma das principais causas de hipertensão secundária. Quando os rins começam a falhar, o corpo passa a ter dificuldade em excretar o excesso de sal e líquidos consumidos, levando a um aumento da pressão arterial. Cerca de 85% dos pacientes com insuficiência renal crônica têm hipertensão.

É importante salientar que a insuficiência renal causa aumento da pressão arterial, mas também pode ser causada pela hipertensão. Uma pressão constantemente elevada durante anos costuma causar lesão dos vasos e dos glomérulos dos rins, podendo levar à insuficiência renal. O paciente passa então a apresentar um mecanismo de auto-alimentação: a hipertensão causa lesão nos rins que por sua vez causa piora da pressão arterial. Quanto mais a insuficiência renal progride, mais grave torna-se a hipertensão.

- Glomerulonefrite (leia: GLOMERULONEFRITE | O que é, sintomas e tratamento)

O glomérulo está para o rim como o neurônio está para o cérebro. São os glomérulos que possuem os filtros responsáveis pela "limpeza" do sangue. Chamamos de glomerulonefrite o grupo de doenças que causa inflamação dos glomérulos. São várias as doenças que causam glomerulonefrite e quase todas apresentam hipertensão como parte do seu quadro clínico.

- Rins policísticos (leia: RINS POLICÍSTICOS | Doença policística renal)

A doença policística renal é outra causa de hipertensão secundária. A expansão dos cistos provoca um aumento da liberação de um hormônio chamado renina, que causa maior absorção de sódio nos túbulos renais, aumentando assim o risco de hipertensão. Pacientes com rins policísticos podem ter hipertensão mesmo quando ainda não apresentam alterações detectáveis da função renal.

- Estenose da artéria renal

Estenose é o termo que usamos para indicar um estreitamento em uma artéria. A estenose da artéria renal causa uma diminuição no aporte e sangue para o rim. Como a pressão do sangue que chega ao rim está muito baixa, este imagina que a pressão está baixa em todo corpo e passa a reter mais sal e líquidos para compensar esta falsa hipotensão.

- Feocromocitoma

O feocromocitoma é um tumor maligno da glândula supra-renal produtor de adrenalina. Este excesso de adrenalina pode levar à hipertensão.

- Aldosteronismo primário

Geralmente causado por tumor benigno da supra-renal ou por um crescimento anormal de toda a glândula, causa hipertensão devido a uma maior produção de um hormônio chamado aldosterona, que age no rim aumentando a absorção de sódio nos túbulos renais.

- Síndrome de Cushing

A síndrome de Cushing é uma doença causada por excesso de corticoides no organismo, seja por produção exagerada da glândula supra-renal, seja por ingestão excessiva de corticoides sintéticos para tratamento de algumas doenças (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais).

- Apneia obstrutiva do sono

A apneia obstrutiva do sono é uma doença que ocorre principalmente em obesos e se caracteriza por períodos de apneia (ausência de respiração) durante o sono. 50% dos pacientes apresentam hipertensão que costuma estar mais elevada no período da manhã, ao contrário do que ocorre em outras causas de hipertensão.

- Doenças da tireoide (leia: DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREOIDE)

Tanto o hipotireoidismo (leia: HIPOTIREOIDISMO (TIREOIDITE DE HASHIMOTO)) quanto o hipertireoidismo (leia: HIPERTIREOIDISMO | DOENÇA DE GRAVES | Sintomas e tratamento) podem cursar com hipertensão arterial.

RINITE ALÉRGICA | Sintomas e tratamento


Rinite alérgica é um quadro de inflamação das mucosas da cavidade nasal causada por uma reação exagerada do sistema imune a partículas alérgenas do ar.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a rinite alérgica:
  • O que é alergia.
  • O que é rinite alérgica.
  • Fatores de risco para rinite alérgica.
  • Sintomas da rinite alérgica.
  • Tratamento da rinite alérgica.

O que é alergia?


Alérgeno é qualquer partícula que tenha capacidade de desencadear uma reação alérgica, que nada mais é do que uma reação do sistema imune a agentes estranhos. Os alérgenos podem entrar em contato com nosso corpo por:

1. inalação, como pólen, fumaça, produtos químicos, poeira, etc.
2. ingestão, como comidas, remédios e suplementos.
3. contato com a pele, como substâncias químicas, perfumes, cremes, látex, plantas, etc.
4. inoculação na pele, como picadas de insetos.

Gatilhos da rinite alérgica
Alergia
O que causa a reação alérgica não é a ação direta e ativa do alérgeno, mas sim a resposta exagerada do organismo ao contato com o mesmo. Isto explica por que algumas pessoas têm alergia a determinadas partículas e outras não. O pólen, por exemplo, pode ser alérgeno para alguns e inócuo para outros.

Rinite é a inflamação das mucosas da cavidade nasal, causada geralmente por uma infecção viral ou por uma reação alérgica. Neste texto vamos nos ater à rinite alérgica.

Nos próximos dois parágrafos usarei um pouco mais termos técnicos para explicar o mecanismo de inflamação da rinite alérgica, mas não se assuste, procurarei usar analogias e ser o mais didático possível. A informação a seguir será importante para entender como funcionam alguns dos tratamentos.

O que é rinite alérgica?


A rinite alérgica surge quando uma pessoa alérgica inala alguma partícula que estimula o seu sistema imune. Quando criança, nós entramos em contato com diversos potenciais alérgenos sem que tenhamos maiores problemas. As pessoas alérgicas são aquelas que ao entrar em contato com determinadas partículas passam a produzir anticorpos contra elas, como se fossem agentes invasores danosos, tipo vírus, bactérias, etc.

Vamos usar o pólen como exemplo. Pessoas alérgicas ao pólen são aquelas que ao entrar contato com este alérgeno pela primeira vez produzem em grande quantidade um anticorpo chamado IgE. A partir deste momento, a mucosa nasal começa a ficar povoada com uma célula do sistema imune chamada mastócito, que possui vários anticorpos IgE em sua superfície. É como se o corpo pensasse que o pólen era um assaltante e passasse a encher a cavidade nasal de seguranças (mastócitos) altamente armados (IgE). Assim que esta pessoa entra novamente em contato com o pólen, os anticorpos IgE rapidamente o capturam, ativando os mastócitos que liberam vários mediadores químicos para destruir o invasor, sendo o mais importante a histamina, responsável pelos principais sintomas da rinite, que serão explicados mais à frente.

Os sintomas alérgicos da rinite alérgica são, portanto, um efeito colateral da guerra química que o sistema imune trava contra algumas partículas. O pólen em si não causa nenhum mal, mas o sistema imune do alérgico não pensa assim.

Pessoas não alérgicas são aquelas que entram em contato com o pólen, por exemplo, e corretamente não desenvolvem IgE específicas contra ele. Em outras palavras, o corpo reconhece o pólen como partícula estranha, mas não o vê como uma ameaça e não produz anticorpos contra o mesmo.

Fatores de risco para rinite alérgica


Como a rinite alérgica é nada mais do que uma reação alérgica da cavidade nasal, pessoas com outras doenças de origem alérgica, como asma, eczema, conjuntivite alérgica, urticária, etc. apresentam um maior risco de também terem rinite de origem alérgica.

Outros fatores de risco para rinite alérgica incluem:

- Ser do sexo masculino.
- História familiar de alergias.
- Nascimento durante a época do pólen.
- Bebês que pararam o aleitamento materno precocemente .
- Exposição frequente à fumaça de cigarro no primeiro ano (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo).
- Exposição precoce a antibióticos.
- Viver ou trabalhar em ambientes ricos em potenciais alérgenos.

Sintomas da rinite alérgica


 Sinais de rinite alérgica
Sinais de rinite alérgica
Os sintomas da rinite alérgica incluem espirros, coriza nasal, entupimento nasal, lacrimejamento e coceira nos olhos, nariz e palato (céu da boca). A ocorrência de sinusite também é frequente, caracterizando um quadro de rinossinusite (rinite + sinusite). Falamos mais especificamente da sinusite neste texto: SINUSITE | Sintomas e tratamento). Outros sintomas comuns são dor de garganta, rouquidão, tosse e diminuição do paladar e olfato.

Dois sinais típicos da rinite alérgica são o acentuamento das linhas das pálpebras inferiores (sinal chamado de linhas de Dennie-Morgan) e o escurecimento da pele abaixo dos olhos, tipo uma olheira. A foto acima ilustra bem esses dois sinais.

A rinite alérgica em algumas pessoas pode ser sazonal, ocorrendo apenas em determinadas épocas do ano. Entretanto, muitos pacientes apresentam um quadro quase constante de rinite alérgica, como numerosos episódios ao longo de todo o ano. Estes geralmente são aqueles que ficam expostos a alérgenos constantemente, seja em casa ou no trabalho.

Se o paciente convive em um meio onde está exposto ao alérgeno de forma frequente, a tendencia é de que os sintomas fiquem cada vez piores e cada vez mais uma menor quantidade de alérgeno seja capaz de desencadear as crises. Algumas pessoas se tornam tão sensíveis que outros fatores podem passar a desencadear a rinite, como exposição ao frio, fumaça ou cheiro forte.

Tratamento da rinite alérgica


Além do controle dos sintomas, o tratamento da rinite alérgica deve sempre visar a redução da exposição aos alérgenos desencadeadores das crises. Se o alérgeno for desconhecido, existem testes de alergia de pele que podem identificá-lo.

a.) Solução salina: a lavagem das narinas com soro fisiológico ou outras soluções salinas é eficiente para eliminar os alérgenos aderidos na mucosa nasal naqueles casos mais leves. A lavagem pode ser feita várias vezes ao dia e pode ser usada para limpar a cavidade antes da aplicações de outros medicamentos.

b.) Descongestionantes nasais: durante muitos anos os descongestionantes nasais foram as drogas mais populares no tratamento da rinite. As substâncias mais usadas são pseudoefedrina, fenilefrina e oximetazolina. Estas drogas causam uma constrição dos vasos nasais, diminuindo a secreção de muco e aliviando os sintomas. Entretanto, esses sprays nasais NÃO devem ser usados por mais do que três dias seguidos, pois costumam causar dependência, fazendo com que o nariz volte a ficar entupido a não ser que os descongestionantes voltem a ser usados repetidamente. Esta dependência é difícil de ser revertida.

c.) Anti-histamínicos: como a histamina é a substância que causa os sintomas da rinite alérgica, drogas anti-histamínicas podem ser usadas para o tratamento. Entretanto, os anti-histamínicos apesar de melhorarem os espirros, a coceira e a coriza, não são tão efetivos contra a congestão nasal, sendo um descongestionante normalmente necessário. É muito comum no mercado a associação de uma solução nasal que combine um anti-histamínico e um descongestionante.

Os anti-histamínicos também podem ser tomados em comprimidos, mas geralmente causam alguma sonolência. Os mais comuns são: Loratadina, desloratadina, cetirizina, levocetirizina, difenidramina , clemastina e fexofenadina.

d.) Corticoides nasais: os corticoides por via nasal são atualmente a droga de primeira linha no tratamento da rinite alérgica. Existem várias opções no mercado: fluticasona, mometasona, budesonida, flunisolida, triancinolona e beclometasona. São todos semelhantemente eficazes. Pacientes com quadro de congestão nasal muito intensa às vezes precisam usar descongestionantes nasais e anti-histamínicos por um ou dois dias antes de iniciarem o corticoide, para que este tenha maior eficácia.

Os corticoides nasais são efetivos no tratamento e na prevenção da rinite alérgica, podendo ser usados mesmo fora das crises.

Ao contrário dos corticoides sistêmicos, os corticoides nasais são drogas seguras que podem ser usadas seguidamente por muitos anos (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais). Aconselha-se apenas que os pacientes que estão usando corticoides nasais por prolongados períodos tenham sua cavidade nasal examinada por um otorrinolaringologista periodicamente para evitar as raras complicações, como lesões da mucosa e infecções.

e.) Imunoterapia: chamada também de "vacinas", a imunoterapia é um tratamento que visa dessensibilizar o paciente aos alérgenos. Consiste na injeção de pequenas doses do alérgeno de modo a acostumar o organismo ao mesmo, diminuindo a resposta à sua exposição. A imunoterapia atualmente só existe para os alérgenos mais comuns, como pólen, ácaros, pelo de animais, etc. O tratamento dura alguns anos e não deve ser interrompido sob o risco da perda de eficácia.

Vérsion en español:  RINITIS ALÉRGICA | Síntomas y tratamiento

CÓLICA MENSTRUAL | Sintomas e tratamento


A cólica menstrual, chamada em medicina de dismenorreia, é uma das queixas ginecológicas mais comuns. Dividimos as cólicas menstruais em duas categorias: dismenorreia primária, que é a cólica menstrual que surge sem que haja alguma doença ginecológica por trás, e dismenorreia secundária, que é aquela causada por doenças ginecológicas, como endometriose, miomas ou infecções.

Incidência da cólica menstrual

A cólica menstrual surge tipicamente em adolescentes, geralmente um ou dois anos após a menarca (primeira menstruação), época em que o ciclo hormonal ovulatório já encontra-se estabelecido.

Até 90% das adolescentes e 1/4 das mulheres adultas sofrem de cólicas menstruais. Não existe diferença de prevalência entre mulheres de diferentes etnias ou nacionalidades, mas a dismenorreia tende a melhorar conforme a mulher envelhece.

A dismenorreia em si não causa grandes problemas de saúde, porém em algumas mulheres a cólica é tão intensa que compromete seus afazeres diários.

Como referido na introdução deste texto, dividimos as cólicas menstruais em dois grupos: dismenorreia primária e dismenorreia secundária. Neste texto vamos dar ênfase à dismenorreia primária, aquela que surge sem que haja uma doença ginecológica por trás. Todavia, antes de prosseguirmos, vale a pena perdemos algumas linhas resumindo a dismenorreia secundária.

Dismenorreia secundária
Cólica menstrual
Cólica menstrual

Ao contrário da dismenorreia primária, que surge logo após as primeiras menstruações, a dismenorreia secundária geralmente surge em mulheres após seus 20-30 anos. Para ser caracterizada como dismenorreia secundária, a cólica menstrual precisa ter como causa, ou fator agravante, alguma condição ginecológica identificada. As mais comuns são:

- Endometriose (leia: ENDOMETRIOSE | Sintomas e tratamento)
- Miomas uterinos (MIOMA UTERINO | Sintomas, causas e tratamento)
- Doença inflamatória pélvica (infecção dos órgãos reprodutivos femininos, geralmente causada por uma doença sexualmente transmissível)
- Estenose do canal cervical (abertura do colo do útero tão pequena que impede a saída do fluxo menstrual)
- Uso de DIU (leia: MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS | Métodos de barreira).

Dismenorreia primária

A partir de agora, sempre que falarmos em cólica menstrual estaremos nos referindo à dismenorreia primária.

Durante muitos anos a cólica menstrual foi um sintoma que recebeu pouca importância, sendo a dor frequentemente associada a condições emocionais e psicológicas das mulheres. Entretanto, atualmente já conhecemos o mecanismo fisiopatológico que leva às cólicas menstruais, não havendo relação com estado emocional, personalidade da paciente ou estresse.

Durante o ciclo menstrual a parede do útero vai se tornando mais grossa e vascularizada à espera da implantação de um possível embrião. Se o óvulo liberado não é fecundado, a queda nos níveis hormonais faz com esse excesso de parede do útero desabe, caracterizando a menstruação (se você quiser ler sobre o ciclo menstrual: CICLO MENSTRUAL | PERÍODO FÉRTIL).

Durante o descolamento da parede uterina, isto é, durante a menstruação, há a liberação de uma substância chamada prostaglandina, que causa contrações no útero. Essas contrações são importantes para que o útero expulse todo o tecido uterino descamado. Todavia, em algumas mulheres as contrações são tão intensas que até mesmos os vasos sanguíneos que irrigam o útero ficam comprimidos, causando uma isquemia temporária do mesmo (angina do útero). As mulheres que costumam ter intensas cólicas menstruais geralmente apresentam níveis elevados de prostaglandina no fluido menstrual.

Fatores de risco para cólicas menstruais

O principal fator de risco é a idade; as cólicas são comuns em mulheres antes dos 20 anos e vão melhorando conforme a mulher envelhece. Entretanto, algumas pacientes podem continuar apresentando quadros de cólica menstrual muito incômodos mesmo com o passar com anos. Entre os fatores de risco para a dismenorreia, podemos citar:

- Menarca (primeira menstruação) antes dos 12 anos
- Índice de massa corporal (IMC) menor que 20 ou maior que 30 (para entender o IMC. leia: OBESIDADE | SÍNDROME METABÓLICA | Definições e consequências)
- Menstruação volumosa ou com duração de vários dias
- Ciclos menstruais irregulares
- Tabagismo (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo)
- História familiar de dismenorreia
- Nuliparidade (nunca ter tido filhos)

Sintomas da cólica menstrual


A cólica menstrual é uma dor que caracteristicamente inicia-se junto, ou logo antes da menstruação, amenizando progressivamente nas primeiras 72 horas. As cólicas são intensas e intermitentes, tendendo a localizar-se na região inferior do abdômen. Em algumas mulheres a dor pode irradiar-se para as costas ou membros inferiores (para saber mais sobre outras causas de dor abdominal, leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas). Náuseas, suores, diarreia, tonturas, dor de cabeça e cansaço podem surgir junto com as cólicas.

Tratamento da cólica menstrual

O remédio de primeira linha no tratamento das cólicas menstruais são os anti-inflamatórios (AINES), que agem diminuindo a liberação das prostaglandinas (leia: ANTI- INFLAMATÓRIOS | Ação e efeitos colaterais) e apresentam boa resposta em até 90% dos casos. Atualmente o mais indicado é o Ácido Mefenâmico (Ponstan®), mas há dúvidas se este é realmente superior aos outros anti-inflamatórios no controle da cólica.

Outra opção além dos AINES são os anticoncepcionais orais, que ao controlar os níveis hormonais fazem com menstruação e as cólicas sejam menos intensas. Os anticoncepcionais em injeção ou adesivo também funcionam.

Mulheres que não respondem aos tratamento acima devem ser investigadas para dismenorreia secundária.

Em relação a tratamentos caseiros para as cólicas menstruais, o uso de bolsas de água quente são efetivos para aliviar as dores. Exercícios físicos regulares, ingestão de líquidos e uma dieta pobre em gorduras também são indicados e melhoram as cólicas

A acupuntura é uma opção, mas ainda não existem evidências inequívocas de que este procedimento seja superior ao placebo.

BACTÉRIA Escherichia coli | E.coli


A Escherichia coli, também chamada de E.coli, é uma bactéria que vive habitualmente dentro dos intestinos dos mamíferos. Todos nós eliminamos diariamente nas fezes trilhões de bactérias do tipo Escherichia coli. Quem nunca ouviu falar na pesquisa de coliformes fecais para avaliar a qualidade da água e dos alimentos? Quando procuramos por coliformes fecais, estamos à procura da E.coli, cuja presença indica contaminação da água ou dos alimentos por fezes.

Mas se a Escherichia coli vive normalmente nos intestinos de todos os mamíferos, por que de tempos em tempos ouvimos falar de doenças causadas por esta bactéria?

Existem duas explicações para a pergunta acima. A primeira está no fato de que a maioria das cepas da E.coli costuma ser inofensiva quando restrita aos intestinos. As doenças surgem quando a bactéria consegue alcançar outros órgãos do nosso corpo, como por exemplo a bexiga. A maioria das infecções urinárias são causadas pela Escherichia coli, que devido a proximidade da uretra feminina com o ânus, frequentemente consegue passar do trato digestivo para o trato urinário.
Temos dois textos sobre infecção urinária em que explicamos com detalhes como se dá a infecção da bexiga e dos rins pela E.coli:
- INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE | Sintomas e Tratamento
- PIELONEFRITE | INFECÇÃO URINÁRIA | Sintomas e tratamento
A infecção urinária é a infecção mais comum causada pela Escherichia coli, todavia, esta bactéria também pode causar vários outras infecções como abscesso no fígado, pneumonia, meningite, artrite, colecistite (infecção da vesícula) etc...

Um quadro gravíssimo de sepse (leia: O QUE É SEPSE E CHOQUE SÉPTICO?) costuma ocorrer nos pacientes que apresentam  perfuração do intestino, o que permite um grande afluxo de bactérias intestinais para dentro da cavidade abdominal, causando grave peritonite.

Escherichia coli
Escherichia coli
A segunda explicação reside no fato de que existem diferentes cepas de Escherichia coli, sendo algumas delas capazes de causar doenças mesmo quando restritas aos intestinos. Existem várias cepas diferentes de E.coli responsáveis por quadros de diarreia, com diferentes graus de gravidade. Todas elas são adquiridas após ingestão de água contaminada com fezes. A contaminação através de alimentos também é comum e se dá por vegetais regados ou lavados com água contaminada ou alimentos crus ou mal cozidos preparados por cozinheiros ou açougueiros que não lavam as mãos adequadamente após avacuarem. A carne também pode se contaminar no momento do abate, ainda antes de chegar ao açougue ou supermercado.

Entre as diarreias causadas pela Escherichia coli, podemos destacar as seguintes cepas:

a) EPEC - E.coli Enteropatogênica: Causa comum de diarreia em crianças

A E.coli Enteropatogênica é uma cepa capaz de se aderir à parede do intestino, causando inflamação e alterando a capacidade deste em absorver água e alimentos, o que resulta em diarreia aquosa. Adultos costumam ganhar imunidade contra esta cepa, daí o motivo desta diarreia ser mais comum em crianças e bebês.

b) ETEC - E.coli Enterotoxinogênica: Causa a diarreia conhecida como diarreia dos viajantes

A E.coli Enterotoxinogênica é uma cepa que produz uma toxina semelhante à da bactéria da cólera, que causa uma diarreia aquosa profusa. Esta Escherichia coli é comum nos países tropicais, sendo causa frequente de diarreia em crianças nativas ou em turistas vindos de países de clima temperado. Geralmente o paciente desenvolve imunidade após a infecção, motivo pelo qual ela só costuma acontecer uma vez.

c) EIEC - E.coli Enteroinvasiva: Causa quadro semelhante à disenteria

A E.coli Enteroinvasiva é uma cepa com uma virulência parecida com a bactéria Shigella, causadora da disenteria. O quadro clínico desta infecção é de profusa diarreia, geralmente com sangue, intensa dor abdominal e febre alta.

d) EHEC - E.coli Enterohemorrágica: Causa grave diarreia e síndrome hemolítica urêmica

A E.coli Enterohemorrágica é uma cepa que também se comporta de modo semelhante à bactéria Shigella, sendo capaz de produzir uma toxina altamente agressiva que leva à colite hemorrágica. O quadro da E.coli Enterohemorrágica é também de diarreia sanguinolenta e intensa dor abdominal, porém, com um fator agravante: esta cepa de Escherichia coli pode levar a um quadro de síndrome hemolítica urêmica, uma complicação grave que cursa com anemia e queda das plaquetas por destruição maciça das mesmas, além de insuficiência renal aguda (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA | Sintomas e tratamento) que em muitos casos requer a realização de hemodiálise (leia: HEMODIÁLISE | Como funciona, cateter e fístulas).

A E.coli Enterohemorrágica é frequentemente a responsável por surtos de grave intoxicação alimentar, levando até à morte de alguns pacientes. Somente neste ano de 2011 já foram descritos 3 surtos de infecção por E.coli Enterohemorrágica, dois nos EUA (em Março e Abril) e um muito noticiado em Junho na Alemanha, com pelo menos 520 casos e 11 mortes.

Como evitar contaminação pela Escherichia coli?

No caso da infecção urinária a contaminação ocorre quando bactérias das fezes alcançam a entrada da uretra. Isto pode se dar durante o ato sexual, principalmente se houver relação anal precedendo a vaginal, por descuido na higiene após evacuação, por ducha vaginal etc... No texto sobre cistite (INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE | Sintomas e Tratamento) explicamos com detalhes como evitar a infecção urinária.

Em relação às diarreias causadas por cepas mais virulentas da E.coli, a transmissão pode se dar dos seguintes modos:

- Entre humanos: é uma forma pouco comum e se dá por pessoas contaminadas que não lavam as mãos após evacuarem.É mais comum em creches e asilos.
- Por contato com animais: geralmente ocorre em fazenda após contato com gado ou porcos sem a devida higienização das mãos.
- Por alimentos: É a forma mais comum. Como a E.coli costuma ficar no alimento por alguns dias antes deste ser ingerido, há tempo das bactérias se multiplicarem. Quanto maior a quantidade de bactéria ingerida, maior as chances de intoxicação alimentar. A contaminação imediatamente antes do consumo por mãos contaminadas (geralmente do cozinheiro) também é possível.

Dicas para prevenção da E.coli:

- Lave bem as frutas e verduras antes de consumi-las.
- Evite comer carnes mal passadas (o cozimento mata a E.coli).
- Não consuma leites ou sucos em caixa que estejam fora da geladeira há muito tempo após abertos.
- Lave bem as mãos antes de preparar alimentos ou após ir ao banheiro.
- Lave bem as mãos após contato com animais, principalmente porcos e vacas.
- Lave bem os talheres que foram usados para cortar alimentos crus.

Temos um texto somente sobre as causas de diarreias que sugerimos que vocês leiam: DIARRÉIA | Causas, sinais de gravidade e tratamento