VERRUGAS COMUNS | VERRUGAS GENITAIS


As verrugas são pequenos tumores benignos que aparecem na pele causadas pela infecção pelo Papiloma vírus humano (HPV), o mesmo vírus que causa o câncer do colo do útero.

Neste texto vamos abordar apenas as verrugas comuns e as verrugas genitais. Se você está à procura de informações sobre o HPV e o câncer de colo do útero, leia: HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO | Sintomas e vacina.

Existem mais de 150 subtipos do HPV que é um vírus que infecta principalmente o epitélio da pele e das mucosas. Cada subtipo de vírus tem tropismo (atração) por uma área do corpo. Por exemplo, o HPV-2 e HPV-4 estão associados a verrugas comuns de pele, o HPV-1 a verrugas que acometem a planta dos pés e os HPV-6 e HPV-11 costumam infectar a região dos ânus e dos genitais.

As verrugas são mais comuns em crianças, adolescentes e adultos jovens.

É importante saber que uma pessoa com verrugas comuns não transmite o HPV pela via sexual nem corre risco de desenvolver câncer do colo do útero. A infecção fica confinada àquela área da pele. Uma verruga na mão, significa uma infecção pelo HPV restrita à mão.

A verruga comum de pele é um doença benigna, não causa câncer e costuma desaparecer espontaneamente com o tempo. A ocorrência de câncer está geralmente relacionado a alguns poucos subtipos do HPV, à infecções genitais e à presença de imunossupressão.

Já as verrugas genitais, também chamadas de condilomas,  são altamente contagiosas pela via sexual, seja ela oral, vaginal ou anal. A contaminação das mucosas do ânus e dos genitais pelo HPV acarreta em um maior risco de desenvolvimento de câncer no pênis, ânus e colo do útero, principalmente se forem causados pelos subtipos 6, 11, 16, 18, 31 ou 35.

Nem todo subtipo do HPV provoca verrugas e o surgimento do câncer não está ligado a presença destas. Os subtipos HPV-6 e HPV-11, responsáveis por mais de 90% dos casos verrugas genitais, apresentam baixo potencial de transformação em câncer quando comparados aos subtipos HPV-16 e HPV-18, que causam verrugas menos frequentemente, mas apresentam elevado risco de câncer do colo do útero. Entretanto, é muito muito comum que mulheres que apresentam verrugas genitais também tenham lesões pré-malignas no colo uterino.

Vamos, então, falar um especificamente sobre verrugas comuns e verrugas genitais (condilomas).

1. Verrugas comuns

Os HPVs que infectam a pele são normalmente contraídos quando há lesões como cortes e arranhões que permitem a invasão do vírus para dentro do organismo. A transmissão é de pele para pele, mas pode ocorrer também através de objetos como toalhas e roupas. O vírus também pode contaminar outras áreas do corpo do próprio paciente. Pessoas com doenças de pele ou lesões apresentam maior risco de serem contaminadas.

Desde a contaminação com o HPV até o aparecimento da verruga pode haver um intervalo de até 6 meses.

Cada organismo reage a infecção pelo HPV de modo diferente, o que significa nem todo mundo que é contaminado pelo vírus desenvolve verrugas. Quanto mais fraco o sistema imune, maior o risco de tê-las, isso inclui transplantados e pacientes com HIV (leia: SAIBA COMO FUNCIONA O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS e SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)). Na verdade estima-se que até 80% da população venha a ser infectado pelo HPV em algum momento da vida, porém, apenas 5% destes irão desenvolver verrugas.

Verruga HPV
Verruga plantar (HPV-1)
As verrugas costumam surgir mais frequentemente nas mãos, nos pés, joelhos, cotovelos e na face, porém, qualquer região do corpo pode ser afetada. A verruga pode ser única ou múltiplas, e apresentar diversos aspectos, variando de tamanho, cor e formato.

 Tratamento das verrugas comuns

 Um vez que o HPV fica restrito à região da verruga, a maioria dos tratamentos atuais não visam atacar o vírus propriamente, mas sim destruir a região da pele contaminada, tentando ao máximo preservar a parte sadia ao redor.

Antes de se submeter a um tratamento, é importante saber que 2/3 das verrugas se curam espontaneamente em um prazo de dois anos.

Existem várias opções para se tratar as verrugas, algumas mais efetivas, algumas menos dolorosas e algumas mais lentas. O tratamento das verrugas comuns é diferente do das verrugas genitais., apesar de algumas substâncias usadas serem as mesmas.

O uso de nitrogênio líquido é bastante eficaz, porém costuma ser algo doloroso e crianças tendem a não tolerá-lo. O tratamento precisa ser repetido algumas vezes e dura em média 3 meses. Como ele pode causar um clareamento da pele tratada, deve ser bem discutido se o paciente tiver pele escura.

O ácido salicílico é uma opção menos dolorosa e apresenta taxa de sucesso ao redor dos 70%. Outras opções incluem substância à base de cantarina, ácido bicloroacético, tretinoína, 5-fluorouracil ou excisão cirúrgica de lesão.

O Imiquimod  é uma substância que parece agir de modo distinto, estimulando o sistema imune a destruir o HPV.Ele é normalmente usado em associação com uma das opção de tratamento descritas acima

Se você tem uma verruga e deseja retirá-la, procure um dermatologista e discuta as opções mais adequadas para o seu caso.

2. Verruga genital (condiloma)

As verrugas anais e genitais recebem o nome de condiloma acuminado. Popularmente essas verrugas genitais são conhecidas como crista de galo.

O HPV genital é uma doença altamente transmissível pela via sexual, e como já foi explicado, o surgimento da verruga depende do subtipo do HPV infectante.

A infecção genital pelo HPV, com ou sem condiloma, é a doença sexualmente transmissível (DST) mais comum no mundo, sendo mais comum que a gonorreia e a clamídia (leia: GONORREIA | CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento), que a sífilis (leia: SÍFILIS | SINTOMAS E TRATAMENTO - MD.Saúde) e o herpes genital (leia: HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento).

Como qualquer DST, o seu principal fator de risco é a prática de sexo sem preservativos, principalmente se for com vários parceiros(as). A camisinha diminui o risco de contágio, mas no caso específico do HPV, a sua eficácia parece ficar em torno de 70%, muito abaixo das de outras DSTs (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber). Mais uma vez é importante lembrar que uma pessoa pode estar infectada pelo HPV mesmo que não possua verrugas visíveis. O parceiro(a) contaminado também pode ou não desenvolver condilomas.

O condiloma acuminado pode demorar até 8 meses para se desenvolver após o contágio pela via sexual. O condiloma anal normalmente ocorre em pessoas que praticam sexo anal, porém, principalmente em mulheres, não necessariamente indica que o paciente teve relação sexual pela via anal.

Nas mulheres as lesões do HPV genital costumam acometer a vulva, colo do útero, vagina, períneo e ânus. A presença de condiloma, em qualquer área da região genital, é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo uterino.

Nos homens as lesões do HPV costumam aparecer no pênis, próximo a glande. Outros pontos possíveis são a bolsa escrotal e o ânus, este último principalmente, mas não exclusivamente, após relação homossexual.

A prevalência do condiloma acuminado é maior em pacientes com imunossupressão, principalmente nos portadores de HIV com AIDS (SIDA).

As verrugas genitais costumam ser assintomáticas, causando apenas desconforto estético no caso de condilomas grandes e visíveis. Às vezes, a verruga é tão pequena que o paciente nem se dá conta da sua existência. Em alguns casos, entretanto, podem haver queixas de comichão, dor, queimação, sangramento e, nas mulheres, corrimento vaginal.

As infecções genitais pelo HPV estão relacionadas a um maior risco de câncer anal, peniano, vaginal e de colo do útero.

Tratamento da verruga genital (condiloma acuminado)

Entre as substâncias mais usadas incluem-se o nitrogênio líquido, podofilina, Imiquimod, ácido tricloroacético ou ácido bicloroacético. Nos condilomas grandes, a excisão cirúrgica ou a Laser é muitas vezes necessária.

Vacina contra HPV

A vacina contra o HPV visa a prevenção contra o câncer do colo de útero. Existem 2 vacinas contra o HPV: uma inclui os subtipos 6, 11, 16 e 18, e outra os 45 e 31. Portanto, a vacina inclui os principais, mas não todos os subtipos relacionados ao câncer de colo uterino. Logo, a vacinação não elimina a necessidade do exame preventivo anual já que não elimina em 100% o risco de câncer.

Apesar do objetivo principal ser a prevenção contra o câncer de colo uterino, a presença dos subtipos HSV-6 e HSV-11 na vacina ajuda também na prevenção do condiloma acuminado.

O QUE É A LABIRINTITE


A labirintite, também conhecida como neurite vestibular, neurolabirintite ou vestibulopatia periférica aguda, é uma inflamação do ouvido interno, sendo uma doença benigna e autolimitada que causa intensas vertigens. Dentre todas as causas de tonturas, a labirintite é uma das mais comuns.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a labirintite:
  • O que é o labirinto.
  • O que é labirintite.
  • Sintomas da labirintite.
  • Duração da labirintite.
  • Tratamento da labirintite.
Para um maior entendimento do assunto tonturas e vertigens, sugerimos também a leitura dos textos:
- TONTURA E VERTIGEM | Causas e sintomas
- CINETOSE | ENJOO DE MOVIMENTO

Labirinto e ouvido interno


Para entender o que é a labirintite é preciso primeiro saber o que é o labirinto e como funciona o ouvido interno.

Anatomia do ouvido - Labirinto
Anatomia do ouvido
O labirinto é um órgão que faz parte do aparelho vestibular, responsável pela manutenção do equilíbrio. O labirinto é um conjunto de arcos semicirculares que possuem líquidos em seu interior. A movimentação destes líquidos é interpretado pelo cérebro ajudando a identificar movimentos e a nos manter em equilíbrio.

As informações passadas pelo labirinto através da movimentação destes líquidos ajudam o cérebro a interpretar movimentos angulares, acelerações lineares e forças gravitacionais. Quem "sente" e leva esses movimentos dos líquidos para serem interpretados pelo cérebro é o nervo vestibulococlear, também chamado de nervo auditivo. O nervo auditivo possui dois ramos, cada um responsável por uma das funções básicas do ouvido: o ramo coclear informa o cérebro sobre sons captados pelo ouvido enquanto que o ramo vestibular informa sobre movimentos do nosso corpo captados pelo aparelho vestibular.

Apenas como curiosidade: você sabe por que ficamos tontos depois de rodarmos várias vezes? Porque quando paramos de rodar, apesar de já estarmos parados, os líquidos dentro do nosso ouvido interno ainda ficam em movimento rotacional por alguns segundos, fazendo com que o cérebro interprete que ainda estamos rodando. Se fecharmos os olhos, a tontura aumenta ainda mais, pois de olhos abertos a visão avisa o cérebro que estamos parados, atenuando assim a mensagem errada que o nervo auditivo está enviando.

O que é labirintite?


O termo labirintite tem sido usada erroneamente para designar qualquer doença do labirinto. Na verdade, labirintite é a inflamação do labirinto e/ou da porção vestibular do nervo auditivo, responsável pela inervação do labirinto. Esta inflamação é na maioria das vezes causada por uma infecção viral. Em pelo menos 50% dos casos de labirintite, o paciente refere ter tido uma virose respiratória recente, como gripe, sinusite ou faringite. Leia:
- GRIPE E RESFRIADO | Diferenças e sintomas
- DOR DE GARGANTA | FARINGITE | AMIGDALITE
- SINUSITE | Sintomas e tratamento

A labirintite também pode ser causada por outros tipos de vírus, como o Varicela zoster, o vírus responsável pela catapora (varicela) e pelo herpes zoster (leia: CATAPORA (VARICELA) | HERPES ZOSTER | Sintomas e tratamento). A reativação da catapora, chamada de herpes zoster pode acometer o ouvido interno, em um quadro chamado de síndrome de Ramsay-Hunt, onde se caracterizam a vertigem, perda de audição, lesões dermatológicas e paralisia facial (leia: PARALISIA FACIAL | PARALISIA DE BELL | Causas e Tratamento).

Mais raramente, a labirintite pode ser causada por uma infecção bacteriana, ocorrendo geralmente após um quadro de otite bacteriana (leia: OTITE MÉDIA AGUDA) ou meningite bacteriana (leia: MENINGITE | Sintomas, Transmissão e Vacina). A labirintite de origem bacteriana é um caso mais grave que a labirintite viral, podendo evoluir com surdez permanente e sepse (leia: O QUE É SEPSE E CHOQUE SÉPTICO?).

Sintomas da labirintite


O principal sintoma da labirintite é uma súbita e intensa vertigem*, comumente associada a náuseas, vômitos e desequilíbrio ao andar. O quadro de vertigens costuma ser tão forte que o paciente procura ficar acamado.

* Chamamos de vertigem a tontura que tem característica rotatória, ou seja, aquela em que temos a impressão de que nós ou o ambiente ao redor está girando.

Um sinal importante de vertigem é a presença do nistagmo: involuntários, rápidos e curtos movimento dos olhos, geralmente em direção lateral, como no vídeo abaixo. Ela ocorre na labirintite e em todas as outras doenças que cursam com vertigens.



 As tontura do tipo vertigem também tem como característica o fato de apresentar períodos de melhora e piora ao longo dos dias. As vertigens costumam piorar sempre que há movimentos bruscos da cabeça. Quando a labirintite é causada pela inflamação do labirinto, também está presente a perda auditiva do ouvido acometido. Quando a labirintite ataca apenas o ramo vestibular do nervo auditivo, caracterizando uma neurite vestibular pura, há apenas as tonturas sem que haja perda auditiva, pois o ramo coclear está intacto. O quadro de perda auditiva geralmente é de leve a moderada intensidade, sendo mais evidente para sons de alta frequência. Também é comum a presença de zumbidos. Alguns médicos fazem a distinção entre a labirintite e a neurite vestibular, chamando de labirintite apenas os casos onde há perda auditiva, indicando inflamação do labirinto e não do ramo vestibular do nervo auditivo. Portanto, resumindo os sintomas da labirintite: vertigens, enjoos, vômitos, desequilíbrio, perda de audição e zumbidos.

Duração da labirintite

A labirintite é uma doença autolimitada que melhora espontaneamente, mas em alguns casos os sintomas podem durar algumas semanas. Via de regra, os 2 ou 3 primeiros dias são os piores, com o quadro apresentando melhora progressiva ao longo dos próximos dias. Uma tontura residual, principalmente após movimentos bruscos da cabeça, pode persistir por vários meses. Apenas 1% ou 2% dos pacientes que tiveram labirintite apresentam recorrência da doença, geralmente no ouvido que não havia sido acometido.

Tratamento da labirintite

Como já foi dito, a labirintite é um quadro autolimitado que melhora sozinho com o tempo. Entretanto, os sintomas costumam ser muito intensos, incômodos, e por vezes, prolongados. Repouso e hidratação estão indicados para todos os casos. O uso de corticoides parece acelerar a cura da labirintite de origem viral. O regime mais usado é de prednisona em dose alta (60mg) por 5 dias com redução progressiva até 5mg no 10ª dia (leia:PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais).

O uso de medicamentos para controlar os sintomas também está indicado, os mais usados são antieméticos (contra enjoos) como a metoclopramida (Plasil® ou Primperan®) e anti-histamínicos. Em alguns casos pode-se usar também ansiolíticos como alprazolam e diazepam.

A labirintite bacteriana é tratada com antibióticos.

TONTURA E VERTIGEM | Causas e sintomas


Tontura é um termo difícil de ser definido, sendo muitas vezes equivocadamente usado para descrever sensações como desequilíbrio, náuseas, hipotensão, fraqueza, visão dupla, turvação visual ou mal-estar. A tontura verdadeira é aquela que se apresenta como uma falsa sensação de movimento próprio ou do ambiente, estando frequentemente associada a desequilíbrio e/ou enjoos. Quando a tontura é causada por uma sensação de movimento rotatório, ou seja, parece que tudo ao redor está girando, damos o nome de vertigem. A vertigem é o tipo mais comum de tontura.

Neste texto vamos explicar por que a tontura surge e quais as doenças que a provocam. Se você está a procura de informações sobre cinetose, os enjoos que surgem ao andar de carro ou de navio, ou sobre desmaios e síncope, seus textos são estes:

- CINETOSE | ENJOO DE MOVIMENTO
- DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL

Por que surgem as tonturas e a vertigem?

Para nos mantermos em equilíbrio, para saber em que posição estamos em relação ao meio ambiente (deitado, em pé, inclinado, de lado, pernas esticadas, braços levantados etc..) e para saber se estamos parados ou em movimento, é preciso que o nosso corpo forneça informações detalhadas ao cérebro.

Temos basicamente 3 meios para mandar estas informações para o sistema nervoso central:

1. Visão, que nos orienta onde estamos e como está o meio ao nosso redor.
2. Propriocepção, que é a capacidade do cérebro reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. É a propriocepção que nos permite, de olhos fechados, reconhecer que estamos com o braço levantado, de cabeça para baixo, inclinados para frente, com as pernas dobradas, etc...
3. Ouvido interno, que é o maior responsável pelas tonturas e vertigens. É dele que vamos falar um pouco agora.

Ouvido interno - Labirinto e aparelho vestibular

Dentro do ouvido interno temos um órgão chamado labirinto que faz parte do aparelho vestibular, responsável pela manutenção do equilíbrio.
Anatomia do ouvido

O labirinto é um conjunto de arcos semicirculares que possuem líquidos em seu interior. A movimentação destes líquidos é interpretado pelo cérebro ajudando a identificar movimentos e a nos manter em equilíbrio.

As informações passadas pelo labirinto através da movimentação destes líquidos,  ajudam o cérebro a interpretar movimentos angulares, acelerações lineares e forças gravitacionais.

Apenas como curiosidade: você sabe por que ficamos tontos depois de rodarmos várias vezes? Porque quando paramos de rodar, apesar de já estarmos parados, os líquidos dentro do nosso ouvido interno ainda ficam em movimento rotacional por alguns segundos, fazendo com que o cérebro interprete que ainda estamos rodando. Se fecharmos os olhos, a tontura aumenta ainda mais, pois de olhos abertos a visão consegue atenuar a mensagem errada que o ouvido interno está mandando ao cérebro.

Diferenças entre a vertigem e outros tipos de tontura

A caracterização de uma tontura como vertigem é importante porque este sintoma é típico de doenças do aparelho vestibular. As causas mais comuns de vertigens são as doenças que acometem assimetricamente o ouvido interno, seja por calcificação de áreas do labirinto, por inflamação, por infecções, por traumas ou por excesso de líquido dentro dos aparelho vestibular.

Como já foi citado na introdução deste texto, a vertigem é um tipo de tontura onde há ilusão de movimentos rotatórios. Este dado é essencial para distingui-la de outros tipos de tonturas. Também é característico da vertigem o fato da tontura ser intermitente, ou seja, vai e volta ao longo das semanas. Uma tontura permanente, que não melhora nunca, dificilmente se trata de vertigem. A vertigem costuma piorar com movimentos da cabeça, sendo um modo simples de identificar o tipo da tontura que o paciente apresenta.

Sintomas da vertigem 

Resumindo:
- Tonturas rotatórias. A sensação é de que você ou o ambiente estão rodando
- Dificuldade em manter o equilíbrio
- Tonturas que vão e voltam frequentemente ao longo de vários dias
- Tonturas que pioram com a movimentação da cabeça ou do tronco, quando tossimos ou quando espirramos
- Também podem estar associados a tontura: dor de cabeça, sensibilidade a luz ou barulho, sensação de fraqueza, visão dupla, taquicardia (coração acelerado) e dificuldades para falar.

Um sinal importante de vertigem é a presença do nistagmo: involuntários, rápidos e curtos movimento dos olhos, geralmente em direção lateral, como no vídeo abaixo.



Causas de vertigem e tonturas

Cerca de 40% dos casos de tonturas se devem a doenças do aparelho vestibular, 10% são devidos a lesões cerebrais, 15% a distúrbios psiquiátricos, 25% não são verdadeiramente tonturas, mas sim pré-síncopes e desequilíbrios, e 10% são de origem indeterminada. Vamos citar rapidamente algumas causas comuns de tonturas e vertigens. Posteriormente escreverei um texto individual sobre cada uma destas causas.

a.Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB)

A vertigem posicional paroxística benigna, também chamada de vertigem posicional ou vertigem postural é a a causa nais comum de vertigem; é causado por calcificações nos pequenos canais dentro do sistema vestibular. A vertigem posicional apresenta curta duração (segundos a poucos minutos) e costuma ser desencadeada por certos movimentos da cabeça. A doença pode estar presente por várias semanas.

 b. Doença de Meniere

A doença de Meniere é causada por excesso de líquido no labirinto, causando vertigens, perda auditiva e zumbidos. As crises de tonturas da doença de Meniere duram entre vários minutos até horas.

c. Labirintite (neurite vestibular)

A labirintite é causada por uma inflamação do labirinto ou do ramo vestibular do nervo auditivo que leva as informações do ouvido interno até o cérebro. A principal causa desta inflamação parece ser uma infecção viral. Pacientes com labirintite apresentam um quadro súbito de vertigem fortes, associado a náuseas, vômitos e dificuldade em se manter em pé. Podem também existir perda de audição e zumbidos. Na labirintite os sintomas podem durar vários dias. Para mais informações, leia: LABIRINTITE | Sintomas e tratamento.

d. Vertigens da enxaqueca

Pacientes com enxaqueca também podem podem apresentar episódios de vertigens (leia: DOR DE CABEÇA | Enxaqueca , cefaleia tensional e sinais de gravidade).

e. AVC ou ataque isquêmico transitório

Isquemia ou infarto cerebral podem causar tonturas (leia:  AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | DERRAME CEREBRAL). O quadro é mais comum em idosos, em pacientes com história de diabetes, hipertensão, tabagismo ou doenças cardiovasculares. No AVC costumam estar presentes outros sintomas além da tontura, como perda de movimentos e/ou sensibilidade em um ou mais membros, desorientação, dificuldades para falar, etc.

f. Medicamentos

Intoxicação por algumas drogas podem causar lesão do ouvido interno, entre elas, cisplatina, fenitoína e antibióticos da classe dos aminoglicosídeos.

g. Entupimento do ouvido por cera

Raramente, pacientes com impactação de cera no ouvido podem se queixar de tonturas (leia: CERÚMEN | Cera do ouvido).

h. Esclerose múltipla (leia: ESCLEROSE MÚLTIPLA | Sintomas, diagnóstico e tratamento)

i. Traumatismo craniano

j. Crises de ansiedade ou ataques de pânico

Sinais de gravidade

A maioria dos casos de vertigens são auto-limitados e, apesar dos sintomas serem bastante incômodos, não trazem maiores riscos. O otorrinolaringologista é o especialista indicado para avaliar casos de tonturas. Entretanto, se a tontura vier acompanhada de alguns outros sintomas, um quadro mais grave pode estar por trás.

Portanto, se você apresenta tonturas e alguns dos sinais e sintomas descritos abaixo, procure imediatamente atendimento médico:

- Febre alta.
- Dor de cabeça muito intensa (exceto nos pacientes já sabidamente portadores de enxaqueca).
- Fraqueza em algum membro.
- Dificuldade para falar.
- Perda da consciência.
- Dor no peito (leia: DOR NO PEITO | Causas e sintomas).
- Desorientação.
- Vômitos incoercíveis.

DOR AO URINAR | Principais causas


Dor ao urinar (ou ardência ao urinar) é um dos sintomas mais comuns na prática clínica, recebendo o nome de disúria no meio médico. A maioria das pessoas relaciona a dor para urinar apenas com infecção urinária, mas vários outros problemas do trato urinário ou ginecológico podem causar este tipo de sintoma.

Neste texto vamos tentar explicar quais são as doenças que devem ser pensadas quando um paciente apresenta queixas como dor ao urinar, ardência ao urinar, dor na bexiga ou ardência no canal da urina.

O artigo abordará os seguintes pontos sobre a disúria:
  • O que é disúria .
  • Causas de dor ao urinar.
  • Sintomas associador à disúria.
  • Diagnóstico da disúria.
  • Tratamento da dor ao urinar.

O que é disúria


A disúria abrange uma data de sintomas semelhantes que costumam indicar inflamação de alguma região do trato geniturinário. Entre os sintomas englobados no termo disúria, podemos citar:

Trato geniturinário masculino
Trato geniturinário masculino
- Dor ao urinar.
- Queimação ao urinar.
- Ardência ao urinar.
- Pontada ao urinar.
- Desconforto ao urinar.
- Dor na bexiga ao urinar.
- Dor na uretra (canal que leva a urina) ao urinar.
- Sensação de peso ao urinar.

A maior parte dos episódios de disúria ocorre por inflamação ou infecção da uretra e/ou bexiga. Porém, inflamações na próstata, testículo, epidídimo, vagina e útero também podem apresentar a disúria como um dos seus sintomas.

É muito importante conhecer as causas de disúria e saber correlacioná-las com o restante do quadro clínico para não cair na armadilha de achar que toda dor ao urinar é infecção urinária.

Causas de dor ao urinar


Vamos iniciar as explicações listando as principais causas de disúria para, a seguir, tentar mostrar como distinguir umas das outras:

Doenças que causam dor ao urinar:


Infecção urinária:
a. Cistite (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE | Sintomas e Tratamento).
b. Pielonefrite (leia: PIELONEFRITE | INFECÇÃO URINÁRIA | Sintomas e tratamento).

Uretrite (inflamação da uretra):
a. Clamídia.
b. Gonorreia (leia: GONORREIA | CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento).
c. Herpes genital (leia: HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento).

Vulvovaginites (inflamações da vagina e vulva): (leia: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE)
a. Trichomonas vaginalis.
b. Candida albicans (leia: CANDIDÍASE | Sintomas e tratamento).

Doenças da próstata:
a. Prostatite (leia: PROSTATITE | Sintomas, causas e tratamento).
b. Hiperplasia benigna da próstata (leia: HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA | Sintomas e tratamento).
c. Câncer de próstata (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA |Sintomas e tratamento).

Cálculo renal (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas da cólica renal).

Outras causas de disúria:
a. Epididimite (inflamação do epidídimo).
b. Tumor de bexiga.
c. Vaginite atrófica.
d. Cistite intersticial.
e. Irritação da uretra por substâncias, como sabonetes, amaciantes de roupa, perfumes ou medicamentos.
f. Trauma na região pélvica.
g. Urina muito concentrada (leia: URINA COM CHEIRO FORTE).

Como se pode ver, a dor ao urinar é um sintoma que está presente em mais de uma dezena de doenças diferentes, sendo, portanto, necessária a avaliação médica para se estabelecer um diagnóstico correto.

Sintomas comuns associados à dor ao urinar


Como a dor ao urinar é um sintoma muito comum, o médico costuma usar a história clínica e os sintomas associados à disúria na investigação do quadro. Por exemplo, dor ao urinar em mulheres jovens costuma indicar cistite. Já em homens jovens, é mais provável que a disúria seja devido a uma prostatite ou uretrite. Em homens idosos, doenças da próstata devem ser sempre pensados, e em mulheres com corrimento, a uretrite e a vulvovaginite são as melhores apostas.

Vamos mostrar de forma resumida que tipos de informações ajudam a direcionar o diagnóstico da disúria.

1. A cistite é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
- Mulher jovem.
- Aumento da frequência da urina.
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
- Sangue na urina (leia: HEMATÚRIA | URINA COM SANGUE).
- Sintomas que se iniciaram 24-48h após relação sexual.

2. A pielonefrite é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria mais:
- Febre alta.
- Suores e Calafrios.
- Vômitos.
- Astenia.
- Intensa dor lombar.
- Sangue na urina.

3. A uretrite por gonorréia ou clamídia é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria mais:
- Corrimento uretral purulento.
- História recente de sexo sem preservativos (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber).

4. A prostatite é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
- Sexo masculino.
- Dificuldades para urinar.
- Febre.

5. A vaginite atrófica é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
- Mulher após a menopausa.
- Vagina ressecada.
- Dor durante relação sexual.

6. A vulvovaginite é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
- Sexo feminino.
- Corrimento vaginal.
- Vermelhidão na vagina.
- Dor durante relações sexuais.

7. O cálculo renal é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
- Dor que inicia-se nas costas e desce em direção à virilha e genitália.
- Dor que desaparece após a pedra ser expelida na urina (pode não sumir imediatamente se a pedra ferir a uretra durante a passagem).
- Sangue na urina.

8. O aumento da próstata, seja por hiperplasia benigna ou por tumor, é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
- Homem acima dos 50 anos.
- Jato urinário fraco.
- Dificuldade para urinar.
- Necessidade de levantar à noite várias vezes para urinar.
- Sangue na urina.

9. Tumor de bexiga é um um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
- Idade acima de 55 anos.
- Emagrecimento.
- Sangue na urina.
- História de tabagismo (MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo).

Diagnóstico da disúria


É importante saber que a disúria é um sintoma e não uma doença. A dor para urinar é a consequência e não a causa. O diagnóstico e o tratamento devem mirar na doença que esteja causando a dor ao urinar. Em geral, os exames mais usados na investigação são:

- Análise simples de urina (EAS ou Urina tipo I) (leia: EXAME DE URINA | Entenda seus resultados).
- Urocultura (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher).
- Análise do corrimento uretral.
- Análise do corrimento vaginal.
- Ultrassonografia de próstata, bexiga e rins.
- Dosagem sanguínea do PSA.

A decisão de solicitar ou não cada um dos exames citados acima depende dos prováveis diagnósticos diferenciais estabelecidos após a avaliação médica inicial.

Em mulheres jovens, a cistite é disparada a principal causa de dor ao urinar, sendo, por vezes, desnecessário solicitar exames complementares para se fazer o diagnóstico. Não é uma conduta errada do médico prescrever antibióticos para infecção urinária após uma simples avaliação clínica.

Entretanto, se em mulheres jovens a cistite é o diagnóstico mais provável nos casos de disúria, o mesmo não se aplica aos homens jovens. Neste grupo, a cistite é pouco comum e as uretrites e prostatites devem sempre ser lembradas como diagnóstico diferencial quando há queixas de ardência ao urinar.

Tratamento da ardência ao urinar


O tratamento da disúria depende obviamente da causa. Infecções são tratadas com antibióticos, doenças da próstata devem ser avaliadas por um urologista, a vaginite atrófica melhora com estrogênio vaginal, etc. Não existe um remédio único que trate todas as causas de disúria ao mesmo tempo. Portanto, se não houver uma investigação adequada, não é possível haver um tratamento adequado.

Um erro muito comum é tratar apenas a dor ao urinar com analgésicos, como o Pyridium® (fenazopiridina), deixando de lado a verdadeira causa da disúria. O paciente toma o remédio, sente alívio temporário da dor, mas não se cura. A dor volta assim que o efeito do remédio acaba (em alguns casos a dor nem sequer desaparece completamente). Essa conduta além de atrasar a cura do quadro, pode trazer complicações por deixar a doença causadora da disúria progredir.

HIPERIDROSE | Suor em excesso


Hiperidrose é um estado onde o corpo produz um volume de suor desproporcional às necessidades fisiológicas para a regulação da temperatura corporal, ou seja, o paciente transpira demais e sem motivo. A hiperidrose é normalmente uma condição primária, sem causa aparente, entretanto, existem algumas doenças e medicamentos que podem causar uma sudorese excessiva.

O que é o suor?

O suor é um substância composta por água (99%) e pequenas quantidades de sais minerais (1%), basicamente cloreto de sódio e ureia. Outras substâncias presentes no sangue podem estar presentes no suor, como cálcio, magnésio, potássio, zinco e ferro, porém, em concentrações muito reduzidas. Ao contrário do que muitos pensam, o suor não é uma fonte de eliminação de toxinas e não serve para "purificar" o organismo. Passar um tempo em uma sauna pode ser relaxante, mas não fará você eliminar nada em quantidades relevantes além de água e sal.

Glândula sudorípara
Glândula sudorípara (clique para ampliar)
O suor é produzido pelas glândulas sudoríparas que se localizam nas camadas mais internas da pele, comunicando-se com a camada mais superficial através de micro ductos que desembocam em poros na nossa pele.

O suor tem como função básica ajudar na regulação da nossa temperatura corporal. A produção de suor pelas glândulas sudoríparas é controlada pelo nosso sistema nervoso central, nomeadamente pelo hipotálamo onde os neurônios termossensíveis se encontram. Para entender mais como o cérebro controla nossa temperatura corporal, leia: O QUE É A FEBRE? Por que ela surge?

Além do aumento da temperatura corporal, sistema nervoso também pode estimular a sudorese em momentos de estresse emocional. Geralmente, a transpiração nestes casos se restringe a certas áreas, como mãos, pés, axilas e crânio.

Hiperidrose

Como já referido na abertura do texto, a hiperidrose é um estado onde o corpo transpira mais do que seria necessário para arrefecer o organismo. Qualquer ponto do corpo pode ser afetado, porém, palmas das mãos, solas dos pés, face e axilas são os sítios mais comuns. Via de regra, a hiperidrose é uma sudorese focal, acometendo apenas uma área do corpo.

Atualmente, para o diagnóstico da hiperidrose usamos os seguintes critérios:

1. Sudorese focal excessiva com mais de 6 meses de duração e sem causa aparente.

Mais dois dos critérios listados abaixo:

2. Sudorese bilateral e simétrica (acomete ambas as mãos, pés e/ou axilas).
3. Sudorese que atrapalha as atividades diárias comuns.
4. Sudorese excessiva que ocorre pelo menos 1x por semana.
5. Início do quadro antes dos 25 anos de idade.
6. História familiar de hiperidrose.
7. Sudorese focal durante o sono.

Cerca de 2% da população apresenta critérios para o diagnóstico da hiperidrose. Pessoas de origem asiática, principalmente japoneses, têm um risco maior de apresentarem a doença. A hiperidrose focal é mais comum em adolescentes e jovens; menos de 5% dos casos iniciam-se após a puberdade, o que faz com que todo adulto com quadro de sudorese excessiva de inicio recente seja investigado para doenças metabólicas ou uso de medicamentos.

A hiperidrose costuma piorar em períodos de calor ou durante estresse emocional, mas muitos destes pacientes transpiram a todo momento, sem que haja fator desencadeante aparente.

Apesar de não ser uma doença grave, que traga maiores complicações, a hiperidrose pode ser incômoda e atrapalhar a vida social e profissional dos pacientes. O excesso de suor nas axilas pode manchar roupas e ser esteticamente indesejável, enquanto que a transpiração nas mãos pode molhar papeis, tornar o manuseio de instrumentos uma tarefa difícil e causar constrangimento ao apertar as mãos de outras pessoas.

Além do constrangimento social, a hiperidrose favorece o aparecimento de algumas doenças de pele, como eczemas, verrugas, dermatite atópica, infecção fúngica nas unhas (leia: MICOSE DE UNHA | Onicomicose.), frieiras (leia: FRIEIRA | Pé de atleta), foliculite e odores desagradáveis (leia: COMO ACABAR COM O CHULÉ e BROMIDROSE | Mau odor nas axilas).

Causas de hiperidrose

A hiperidrose primária, ou seja, sem causa aparente, costuma ser localizada, acometendo apenas mãos ou pés ou axilas. Eventualmente o excesso de suor na face e crânio pode fazer parte do quadro. Quando a hiperidrose é difusa e/ou inicia-se após a idade adulta, é preciso pensar em causas secundárias, entre elas podemos citar:

- Neoplasias (leia: CÂNCER | Sintomas e tipos)
- Linfoma (leia: LINFOMA HODGKIN | LINFOMA NÃO HODGKIN | Sintomas e prognóstico)
- Diabetes (leia: DIABETES MELLITUS | Sintomas e consequências)
- Doenças da tireoide (leia: DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREOIDE)
- Tuberculose (leia: TUBERCULOSE | Sintomas e tratamento)
- HIV (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA))
- Outras Infecções
- Doenças Febris
- Alcoolismo crônico (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO)
- Gota (leia: GOTA | ÁCIDO ÚRICO | Sintomas e dieta)
- Menopausa
- Feocromocitoma
- Medicamentos

Entre os medicamentos que podem causar hiperidrose estão:

- Propranolol
- Nifedipina
- Fisiostigmina
- Pilocarpina
- Antidepressivos (leia: ANTIDEPRESSIVOS | Escitalopram, Fluoxetina, Sertralina...)
- Insulina
- Hipoglicemiantes orais
- Tamoxifeno
- Sildenafil
- Omeprazol
- Ciclosporina
- Tramadol

Em geral, quando a hiperidrose é secundária a alguma doença, o paciente já apresenta outros sinais e sintomas da doença de base. Se o paciente apresenta febre, perda de peso, tosse, lesões na pele etc... é fácil suspeitar que o surgimento de hiperidrose esteja relacionado a uma doença sistêmica e não seja um quadro primário. Uma hiperidrose que só surge durante o sono também sugere a presença de uma causa secundária.

Tratamento da hiperidrose

Existem várias opções de tratamento para a hiperidrose, desde desodorantes até cirurgias. O grau dos sintomas, o local que transpira em excesso e as expectativas dos pacientes devem ser levadas em conta na hora de decidir qual o tratamento que melhor se aplica em cada caso.

1. Antitranspirantes (antiperspirantes)

Os desodorantes antitranspirantes são comercializados em farmácias e supermercados e vêm normalmente em apresentações roll-on, creme ou aerossol. São produtos que contêm sais de metais, normalmente sais de alumínio, que obstruem os poros das glândulas sudoríparas na pele. Esses produtos só funcionam em casos de hiperidrose branda.

Se os antitranspirantes comuns falharem, existem soluções mais potentes como o cloreto de alumínio hexaidratado em concentrações que variam de 10 a 30%, que podem ser usados nas mãos, pés e axilas. Os resultados costumam aparecer dentro de uma semana, mas é comum o tratamento precisar ser suspenso por irritação da pele.

2. Remédios

Os anticolinérgicos são um grupo de drogas que agem inibindo os neurotransmissores que estimulam a secreção de suor pelas glândulas sudoríparas. É atualmente um tratamento pouco usado devido ao elevado índice de efeitos colaterais e a baixa eficácia.

Nos pacientes que apresentam hiperidrose relacionada a estresse emocional, o uso do propranolol ou de  ansiolíticos como o diazepam podem aliviar os sintomas.

Iontoforese
Iontoforese
3. Iontoforese

A iontoforese é usada para tratar a hiperidrose palmar (mãos) e a hiperidrose plantar (pés). O tratamento consiste no bloqueio temporário das glândulas sudoríparas através de uma leve descarga elétrica emitida dentro de um recipiente de água. Os tratamentos duram por volta de 30 minutos e são geralmente aplicados em dias alternados, apresentando uma taxa de sucesso acima 85%. Os resultados são temporários e o tratamento precisa ser repetido constantemente.

Os efeitos adversos mais comuns são a irritação e apele seca. O aparelho pode ser adquirido e, após o devido treinamento, o paciente pode utilizá-lo em casa.

4. Aplicação de Botox

Botox para hiperidrose
Aplicação de Botox para hiperidrose axilar
A toxina botulínica, comercializada sob a marca Botox, quando aplicada nas regiões que transpiram em excesso agem bloqueando os neurônios que estimulam o funcionamento das glândulas sudoríparas, causando uma redução temporária da produção de suor nestes locais.

O Botox pode ser aplicado em mãos, pés, axilas e face, apresentando uma elevada taxa de sucesso, com efeitos que duram várias semanas.

As desvantagens das aplicações de Botox são as picadas de agulha e a necessidade de um médico com bastante treino para se evitar as complicações, como a fraqueza muscular. Para saber mais sobre o Botox, leia: BOTOX | Aplicações terapêuticas e cosméticas.

5. Cirurgia para hiperidrose

Se todos os tratamentos explicados acima falharem, a cirurgia torna-se uma opção.

São 2 os tipos de cirurgias usadas no tratamento da hiperidrose. Uma delas é a curetagem ou lipoaspiração da axila, que removem as glândulas sudoríparas. A outra opção é a simpatectomia torácica endoscópica (STE) que é uma cirurgia maior e envolve a remoção dos nervos da medula espinhal ao nível do tórax, responsáveis pela inervação das glândulas sudoríparas das axilas, mãos e face.

A STE é a última opção, pois é o procedimento mais complexo e que apresenta maiores riscos, sendo realizado sob anestesia geral (leia: ANESTESIA GERAL | Como funciona e quais os riscos) onde um endoscópio é inserido no tórax através da axila. Uns dos pulmões é desinflado para que o endoscópio possa chegar mais facilmente à coluna. O procedimento é realizado primeiro de uma lado e depois do outro.

Apesar de ser um procedimento com altas taxas de sucesso, a STE apresenta um efeito adverso comum e inconveniente: a sudorese compensatória. Este efeito colateral consiste em um suor intenso e excessivo que ocorre em outras áreas do corpo, principalmente nas costas, abdômen e pernas. É um efeito colateral importante, que traz grande insatisfação, pois o suor pode ser tão intenso ou até pior que a transpiração original que levou à cirurgia. Atualmente a simpatectomia torácica endoscópica é raramente indicada.

SARCOMA DE KAPOSI | Sintomas da AIDS


O Sarcoma de Kaposi é um tipo incomum de câncer, muito raro há algumas décadas, que passou a ser visto na prática médica com alguma frequência após o surgimento da AIDS (SIDA) e do aumento da incidência de  tratamentos que envolvem imunossupressão, como nos transplantes de órgãos. Neste texto vamos abordar as causas, os sintomas e o tratamento deste tumor

Causas do sarcoma de Kaposi

O sarcoma de Kaposi é um câncer indolente que surge dos tecidos dos vasos sanguíneos e linfáticos. As células cancerígenas do sarcoma de Kaposi formam tumores que normalmente se apresentam clinicamente como nódulos arroxeados ou amarronzados na pele.

O sarcoma de Kaposi é causado por um subtipo de vírus da família do Herpesvírus, chamado de HHV 8 ou KSHV (Kaposi sarcoma herpes vírus). Apesar de serem da mesma família, o HHV 8, que causa o sarcoma de Kaposi, nada tem a ver com os HHV 1 e HHV 2, que causam os herpes labial e herpes genital. Para conhecer todos os tipos de Herpesvírus, leia: HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento.

Apesar do vírus HHV 8 ser o responsável pelo surgimento deste tumor, somente a sua infecção não é suficiente para o desenvolvimento da doença. Na verdade, apenas 0,03% das pessoas saudáveis contaminadas pelo HHV 8 desenvolvem o sarcoma de Kaposi. Esta baixíssima taxa de adoecimento se deve ao fato do nosso sistema imune ser capaz de controlar o vírus, o que fez com que durante séculos o sarcoma de Kaposi fosse um tumor muito raro.

Porém, desde o surgimento da pandemia de AIDS na década de 1980 e do desenvolvimento de tratamentos que envolvem drogas imunossupressoras, como no caso dos transplantes de órgãos e das doenças auto-imunes (leia: O QUE É DOENÇA AUTO-IMUNE?), o número de pessoas vivendo com o seu sistema imune comprometido têm aumentado progressivamente, trazendo consigo uma gama de novas doenças que antes eram raras, entre elas, o sarcoma de Kaposi. Entre as drogas imunossupressoras mais associadas ao surgimento do Kaposi estão a Ciclosporina e os corticóides (leia: PREDNISONA E CORTICÓIDES | Indicações e efeitos colaterais).

Não se sabe bem como é feita a transmissão do HHV 8 de uma pessoa para outra, porém, parece que a via sexual e a transmissão através da saliva são as principais vias.

Neste texto vamos dar ênfase ao sarcoma de Kaposi relacionado a infecção pelo HIV, porém, vale a pena gastarmos algumas linhas falando sobre o sarcoma de Kaposi clássico, que surge em pacientes saudáveis e com sistema imune intacto.

Sarcoma de Kaposi clássico

O sarcoma de Kaposi clássico é um tumor raro, de curso indolente, não relacionado a imunossupressão e que ocorre com mais frequência em pessoas idosas etnicamente ligadas aos povos do mediterrâneo e do oriente médio.

Existe ainda uma segunda forma chamada de sarcoma de Kaposi africano, também raro e não relacionado a imunossupressão, que ocorre em pessoas da África equatorial, Esta forma difere do Kaposi clássico por ser mais agressivo e acometer preferencialmente jovens e crianças.

Sarcoma de Kaposi relacionado a AIDS (SIDA)

Apesar de ser um tipo de câncer conhecido desde o século XIX, o sarcoma de Kaposi tornou-se relativamente comum apenas a partir da década de 1980, com a explosão da AIDS.

O Kaposi é um tumor tipicamente de homens, sendo 15x mais comuns do que em mulheres. Não se sabe por que, mas a doença acomete preferencialmente homens homossexuais, sendo menos comum em homens soropositivos que adquiriram o HIV através de transfusão sanguínea, drogas injetáveis ou por sexo com mulheres.

Sintomas do sarcoma de Kaposi na AIDS

Ao contrário da forma clássica, o sarcoma de Kaposi na AIDS pode ser uma doença disseminada e de rápida evolução, causando significativa mortalidade. Atualmente, porém, devido a elevada eficácia dos anti-retrovirais no controle do HIV, o Kaposi não costuma ser um tumor tão agressivo como víamos nas décadas de 80 e 90.

O envolvimento da pele é o sintoma mais característico e comum, acometendo principalmente membros inferiores, face, mucosa oral e genitália. As lesões variam entre manchas e pequenos nódulos de formato arredondado. As cores podem variar entre roxo, vermelho e marrom. As lesões costumam ser assintomáticas, não doem e não causam comichão.
Sarcoma de KaposiSarcoma de KaposiSarcoma de Kaposi

Imagens de lesões cutâneas do Sarcoma de Kaposi (manchas vermelhas na pele)

Além das típicas lesões na pele, o sarcoma de Kaposi também é muito comum na mucosa oral, acometendo cerca de 30% dos pacientes. O palato (céu da boca) e a gengiva são os locais mais afetados.

Sarcoma de Kaposi na cavidade oral
Nos pacientes com grave imunossupressão, o sarcoma de Kaposi pode se desenvolver em órgãos internos, sendo o trato respiratório e gastrointestinal os mais comuns. Nestes casos, os sintomas são semelhantes ao de qualquer outro tumor nestes sítios, como falta de ar, tosse com ou sem sangue no escarro, dor torácica, sangramento nas fezes, obstrução intestinal e diarréia.

O tumor pode surgir em qualquer órgão do corpo, incluindo linfonodos, ossos, pâncreas, testículos, fígado, coração e músculos.

O diagnóstico do Kaposi costuma ser simples, sendo obtido através de uma biópsia de pele. Após o estabelecimento do diagnóstico, o próximo passo é avaliar o estágio da doença, definindo se a mesma encontra-se restrita a pele, ou já acometeu órgãos internos. Quanto maior o grau de imunossupressão, e no HIV isto é definido pela contagem de CD4+ e pela carga viral, maior o risco de doença difusa. A confirmação do sarcoma de Kaposi é um dos critérios para se classificar um portador do HIV como portador de AIDS (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA) e TESTE PARA HIV | AIDS | Sorologia para HIV).

Tratamento do sarcoma de Kaposi

No sarcoma de Kaposi clássico o tratamento inclui quimioterapia e radioterapia de acordo com o estágio e a localização do tumor.

No Sarcoma de Kaposi relacionado a AIDS ou a imunossupressão, o principal objetivo é tentar restabelecer o sistema imune. Nos pacientes com AIDS está indicado o início do coquetel de anti-retrovirais. Nos pacientes medicados com imunossupressores, deve-se suspender essas drogas, ou pelo menos reduzir as doses para tentar reduzir o grau de imunossupressão. Se a doença for extensa, a quimioterapia pode ser indicada.

CATETERISMO CARDÍACO | Angioplastia com stent


Neste texto vamos abordar algumas das principais armas no diagnóstico e tratamento das doenças coronarianas: o cateterismo cardíaco, a angioplastia e a colocação de um stent.

Introdução

A doença isquêmica cardíaca é causada por uma obstrução de uma ou mais artérias coronárias, impedindo o fluxo adequado de sangue para o músculo cardíaco, chamado de miocárdio. Como qualquer tecido do nosso corpo, o miocárdio, quando privado de seu suprimento de sangue, entra em isquemia e pode sofrer necrose, caracterizando o infarto do miocárdio. Como o mecanismo básico desta doença é uma obstrução da artéria coronária, o tratamento consiste em desobstruí-la o mais rápido possível, impedindo que uma isquemia se torne um infarto. No texto INFARTO DO MIOCÁRDIO | Causas e prevenção nós explicamos com detalhes todo esse processo.

Para tornar a aprendizagem sobre a doença isquêmica cardíaca mais completa, sugerimos também a leitura dos nossos outros textos sobre doença coronariana onde abordamos com detalhes os sintomas, causas e prevenção da angina e do infarto. Nos textos abaixo explicamos os conceitos básicos como angina, isquemia, trombose, necrose e infarto:

- INFARTO DO MIOCÁRDIO E ANGINA | Sintomas
- DOR NO PEITO | Causas e sintomas
- INFARTO EM JOVENS | Causas
- INFARTO FULMINANTE | Causas e sintomas

Existem 3 tipos de tratamento para os pacientes com angina causada pela obstrução das artérias coronarianas: tratamento clínico com drogas, cirurgia de bypass cardíaco (a famosa ponte de safena) e a angioplastia. As duas primeiras opções de tratamento serão explicadas em textos a parte, por ora, focaremos no cateterismo cardíaco e na angioplastia.

O que é cateterismo cardíaco? O que é coronariografia?

Começaremos pelo cateterismo cardíaco, também conhecido como coronariografia ou angiografia coronariana.Vamos usar figuras e vídeos para tornar a explicação mais simples.

O cateterismo cardíaco é uma angiografia, um exame radiológico onde podemos analisar os vasos sanguíneos. A teoria do exame é simples:
Cateterismo cardíaco (clique para ampliar)

1- Escolhemos um vaso a ser estudado, por exemplo, as artérias coronárias.

2- Através de uma punção da artéria femoral (que fica na coxa), ou na artéria radial (no braço), introduzimos um longo cateter pela artéria aorta até chegar ao coração, no ponto onde nascem as artérias coronárias.

3- Através deste cateter administra-se seguidamente pequenos volumes de contraste venoso radiopaco fazendo com que o mesmo, ao passar pelas coronárias, "pinte-as" de modo a torná-las visíveis através de um exame de raio X. Ao invés de uma radiografia simples, na coronariografia, obtemos várias imagens seguidas, fazendo um filme de toda a passagem do contraste pelas artérias.

Vejam o vídeo abaixo para melhor entenderem a explicação. Neste filme é possível ver o contraste sendo administrado pelo cateter diretamente nas artérias coronárias. São 4 administrações seguidas apresentadas neste curto vídeo.



Se uma das artérias estiver com seu interior preenchido por placas de colesterol que obstruam a passagem de sangue, elas também estarão obstruindo a passagem do contraste, sendo isto facilmente perceptível durante a angiografia, como pode ser visto na imagem ao lado. A seta mostra o local exato onde há uma obstrução do vaso. Reparem que o ponto da obstrução quase não apresenta contraste em seu interior.

A coronariografia é atualmente o melhor método para o diagnóstico das obstruções das artérias coronárias.

Uma vez realizada a coronariografia, podemos decidir que estratégia adotaremos com o paciente. Se os vasos estiverem sem sinais de obstrução, o exame termina e o cateter é retirado; se a angiografia apontar lesões obstrutivas das coronárias, torna-se necessário desobstruí-las. Se as lesões forem muito graves e múltiplas, a alternativa é a cirurgia de bypass. Se apenas um, ou no máximo dois ramos das coronárias estiverem doentes, é possível realizar a angioplastia das mesmas.

O que é angioplastia?

Angioplastia por balão (clique para ampliar)
A angioplastia é um procedimento não cirúrgico no qual é possível desobstruir artérias com deficiente fluxo de sangue causado por placas de colesterol em sua parede. A angioplastia pode ser feita em várias artérias do corpo, mas neste texto vamos falar apenas da angioplastia coronariana.

A angioplastia é realizada imediatamente após a coronariografia. Uma vez identificada a artéria obstruída, um balão especial para angioplastia é inserido desinflado pelo cateter que agora está localizado dentro da artéria coronária doente. Ao chegar no local da placa, este balão é inflado até uma pressão de 20 atmosferas, tornando-o inacreditavelmente duro, capaz de literalmente esmagar a placa de gordura, abrindo novamente a luz da artéria e permitindo que o fluxo de sangue retorne ao normal.
Angioplastia por balão (clique para ampliar)

Reparem na imagem abaixo mostrando uma coronariografia feita antes da angioplastia por balão e outra feita depois da angioplastia. Note que antes havia uma falha no enchimento da artéria pelo contraste, indicando uma obstrução do fluxo sanguíneo. Após a destruição da placa pelo balão, o contraste passou a seguir o seu caminho sem restrições.

O termo cateterismo cardíaco engloba 2 procedimentos diferentes: o cateterismo para diagnóstico, que é a simples coronariografia, e o cateterismo terapêutico, que inclui a angioplastia. Quando o paciente apenas diz que fez um cateterismo cardíaco, é preciso completar a informação dizendo se foi feito angioplastia ou não, para que possamos saber exatamente que tipo de procedimento ele foi submetido.

A angioplastia por balão apresenta ótimos resultados a curto prazo, com taxas de sucesso acima de 90% na resolução da dor e no restabelecimento do fluxo sanguíneo. Porém, a médio/longo prazo a reobstrução da artéria coronária é muito comum. Cerca de 30% dos pacientes terão suas artérias novamente obstruídas em período de 6 meses. Por isso, além da angioplastia com balão, um procedimento adicional é necessário para se assegurar uma patência prolongada das coronárias: a implantação de um stent.

O que é angioplastia com stent?

O stent é uma prótese metálica expansível, em forma cilíndrica, que é implantada logo após a angioplastia pelo balão com o intuito de diminuir a chance da artéria coronária ficar novamente obstruída por aterosclerose com o passar do tempo. O processo de implantação do stent é igual ao da angioplastia, como pode ser visto no vídeo abaixo. A narração está em inglês, porém, depois do que foi explicado neste texto é perfeitamente possível entender tudo sem o áudio.



Atualmente praticamente não se faz mais angioplastia sem a colocação de um stent devido a grande diferença de resultados entre os dois procedimentos.

Após a angioplastia com stent

A angioplastia com stent é um procedimento razoavelmente simples e o paciente costuma ter alta no dia seguinte, ficando internado durante a noite apenas para observação.

Ao final do procedimento, o cateter é removido e o paciente deve ficar deitado por algumas horas com compressão sobre a artéria femoral para evitar a formação de hematomas no local da inserção do cateter.

O paciente com stent normalmente precisa tomar medicamentos que inibam a ação das plaquetas para inibir a formação de coágulos e a trombose do stent. Aspirina (leia: ASPIRINA | AAS | Indicações e efeitos colaterais) e clopidogrel (Plavix®) são as duas drogas mais prescritas.

Quando aplicável, o controle do diabetes, da hipertensão, do colesterol, a perda de peso e parar de fumar são fatores essenciais para impedir a trombose do stent.

Os stents mais modernos são compostos por materiais que não contraindicam a realização de ressonância magnética nuclear (RMN), ao contrário das próteses mais antigas. Se você tem um stent e precisa fazer uma RMN, pergunte ao seu cardiologista de o seu stent é seguro, denominado pelo fabricante como "MR safe".

Complicações do cateterismo e da angioplastia com stent

Não existe procedimento médico invasivo sem riscos. As complicações do cateterismo cardíaco são incomuns se tomadas todas as devidas precauções, mas sempre existe um pequeno risco de surgirem problemas. Entre as possíveis complicações, podemos citar:

- Alergia ao contrate venoso (leia: CHOQUE ANAFILÁTICO | Causas e sintomas)
- Hematomas e sangramentos no local da punção
- Embolização de fragmentos do trombo após a angioplastia
- AVC (leia: AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | DERRAME CEREBRAL)
- Infarto agudo do miocárdio
- Rotura da artéria coronária
- Arritmia cardíaca (leia: PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS)
- Insuficiência renal aguda (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA | Sintomas e tratamento)

Sobre esta última complicação, achamos importante gastar algumas linhas.

Insuficiência renal aguda após cateterismo cardíaco

A maioria dos contrastes venosos usados para exames radiológicos são tóxicos para os rins, causando uma temporária queda na taxa de filtração do sangue (leia: REMÉDIOS QUE PODEM FAZER MAL AOS RINS).

Pessoas com rins sadios não apresentam complicações, pois, mesmo que percam metade da função renal por alguns dias, conseguem sobreviver bem com 50% restantes de função. Pessoas que já tem doença renal, entretanto, não têm essa reserva para tolerar grandes quedas na sua função renal, sendo comum a ocorrência de insuficiência renal aguda transitória, com duração média de 7 dias.

O cateterismo cardíaco em paciente com diagnóstico prévio de insuficiência renal crônica (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA | Sintomas e tratamento) deve ser feito com muito cuidado, e se possível com o auxílio de um médico nefrologista, pois o risco de deterioração da função renal nas primeira 48 horas após o contraste é imenso. A toxicidade renal pode ser tão grave que alguns pacientes chegam a precisar de hemodiálise durante alguns dias (leia: O QUE É HEMODIÁLISE?).

Os maiores risco para nefrotoxicidade do contraste ocorrem nos pacientes que têm:

- Creatinina antes do exame maior que 1,5 mg/dl (leia: CREATININA e UREIA | O que são e como indicam doença dos rins).
- Nefropatia por diabetes mellitus (leia: DIABETES MELLITUS | DIAGNÓSTICO E SINTOMAS).
- Mieloma múltiplo.
- Insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA | CAUSAS E SINTOMAS).