NÓDULO NA TIREOIDE


A tireoide, ou tiroide, é uma glândula em forma de borboleta localizada no pescoço, logo abaixo da laringe. Os nódulos da tireoide são lesões arrendondas, em forma de esfera, que surgem no tecido da tireoide, podendo ser causadas por várias condições, a maioria delas benigna.

A presença de um nódulo na tireoide é um evento bastante comum na prática clínica. Estima-se que até 1/3 das mulheres adultas tenham nódulos que possam ser detectados pela ultrassonografia. Apesar de ser um diagnóstico que causa certa preocupação nos pacientes, a verdade é que menos de 5% dos nódulos diagnosticados acabam por ser causados por uma doença maligna.

Antes de seguirmos em frente explicando os nódulos da tireoide, sugiro a leitura dos nossos outros textos sobre a glândula tiroide, onde eu explico com mais detalhes o seu funcionamento e os efeitos dos hormônios tireoidianos:

- DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREOIDE
- HIPOTIREOIDISMO (TIREOIDITE DE HASHIMOTO)
- HIPERTIREOIDISMO E DOENÇA DE GRAVES

Tipos de nódulo de tireoide


Nódulo da tireóide
Nódulo na tireoide
A doença nodular da tireoide pode se apresentar de diversos modos. O nódulo pode ser único ou podem haver múltiplos nódulos, chamado de bócio multinodular; os nódulos podem ser sólidos ou podem conter líquidos no seu interior (cisto da tireoide). Se o nódulo for grande pode ser visível no pescoço e causar sintomas como dificuldade para engolir; se for pequeno pode passar despercebido por anos. Alguns nódulos produzem hormônios tireoidianos de modo independente da glândula tireoide, causando os sintomas de hipertireoidismo.

A maioria dos nódulos da tireoide são causados por adenomas, tumores benignos (ou seja, não é câncer). Entre os tipos de nódulos mais comuns podemos citar:

- Nódulo coloide: são tumores benignos formados por tecido idêntico ao da tireoide. Podem ser únicos ou múltiplos.
- Adenoma folicular: também é um tipo de tumor benigno da tireoide. Normalmente solitário, o adenoma folicular pode produzir hormônios tireoidianos de forma independente, sendo chamado de adenoma tóxico.
- Cisto da tireoide: são os nódulos que contém líquido no seu interior. A imensa maioria dos cistos da tireoide é benigna, porém, alguns cistos que apresentam uma mistura de material sólido e líquido, chamados de cistos complexos, podem ser na verdade um câncer de tireoide.
- Nódulo inflamatório: é um nódulo que se desenvolve devido a uma inflamação da glândula tireoide (tireoidite). Também é um nódulo que não é câncer
- Bócio multinodular: é uma tireoide com múltiplos nódulos que podem variar de tamanho, desde alguns milímetros até vários centímetros. Quando estes múltiplos nódulos são funcionantes, ou seja, capazes de produzir hormônio tireoidiano, chamamos a doença de bócio multinodular tóxico (ou doença de Plummer), sendo esta, depois da doença de Graves, a principal causa de hipertireoidismo.
- Câncer de tireoide: geralmente são nódulos únicos, sólidos, bem aderidos a tireoide, de rápido crescimento e não produtores de hormônios. É comum haver a presença de linfonodos palpáveis no pescoço associados ao nódulo maligno.

Sintomas do nódulo de tireoide


A maioria dos nódulos da tireoide não causa sintomas. Quando o fazem, há dois motivos: (1) porque são funcionais, produzindo hormônios tireoidianos em demasia, ou (2) porque são grandes, obstruindo estruturas próximas e tornando-se aparentes. Os sintomas mais comuns dos nódulos grandes são o incômodo para engolir e a sensação de um caroço na base do pescoço. Os nódulos funcionante causam os mesmo sintomas do hipertireoidismo (leia: HIPERTIREOIDISMO E DOENÇA DE GRAVES).

O câncer de tireoide quando causa sintomas, o faz pelo seu crescimento rápido. Pode causar dificuldade para engolir, para respirar e rouquidão. Outros sintomas comuns são o emagrecimento e a presença de linfonodos no pescoço.

Diagnóstico do nódulo de tireoide


Uma vez identificado o nódulo de tireoide, seja pelo exame físico ou por algum exame de imagem, o passo mais importante é determinar se se trata de um nódulo benigno ou maligno.

A ultrassonografia é um bom exame para avaliar a morfologia do nódulo, porém é ruim para determinar se o mesmo é funcionante ou não. Lembre-se que o câncer costuma ser um nódulo não funcionante. Um nódulo suspeito de ser câncer à ultrassonografia costuma ter bordos irregulares, ser hipoecoico, ter calcificações e apresentar fluxo sanguíneo. Porém, estes achados não são suficientes para se confirmar um câncer, sendo a biópsia sempre necessária em casos suspeitos.

Outros exames de imagem que podem ser usados na investigação de um nódulo da tireoide são a tomografia computadorizada, cintigrafia da tireoide e o PET (tomografia por emissão de pósitrons).

A dosagem do TSH, T3 e T4 sanguíneos é importante para se avaliar o funcionamento do nódulo (leia: DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREOIDE para entender os funcionamento da tireoide). Dependendo deste resultado, a investigação toma um rumo diferente. De modo simplificado podem dizer que:

- Quando o TSH está baixo, isto normalmente indica um nódulo produtor de hormônios, sendo o próximo passo a realização de uma cintigrafia de tireoide para confirmar que o nódulo é ativo. Nódulos funcionantes não costumam ser malignos.
- Quando o TSH está alto é provável haver uma tireoidite, sendo indicada a dosagem dos anticorpos contra a tireoide (anti-TPO e anti-tireoglobulina). Pode-se tratar de um Hashimoto em fase inicial.
- Se o TSH for normal, indica-se a punção por agulha fina, removendo-se um pequeno pedaço de tecido do nódulo para avaliação microscópica. A aspiração por agulha fina é nada mais que uma biópsia que pode ser feita no próprio consultório com anestésico local.

A aspiração por agulha fina (PAF) pode não ser conclusiva em alguns casos de câncer, por isso, uma boa investigação do nódulo é necessária para não se deixar passar o diagnóstico. Há também raros casos em que a aspiração por agulha fina pode falsamente sugerir o diagnóstico de câncer, sendo necessária a retirada da tireoide e nova avaliação pelo patologista para se confirmar a ausência de malignidade (um caso famoso ocorreu com a presidenta argentina, Cristina Kirchner).

Tratamento do nódulo de tireoide


O tratamento do nódulo de tireoide depende do tipo de nódulo que foi identificado na investigação. Se houver segurança de que se trata de um nódulo benigno, não é preciso fazer nada e indica-se apenas a monitorização.

Se o nódulo for benigno, mas estiver produzindo hormônios de forma indesejada, a cirurgia para remoção do mesmo está indicada. Outra opção é a destruição do nódulo com irradiação.

A cirurgia também está indicada quando há suspeita de que o nódulo possa ser um câncer. Atualmente maioria dos pacientes com câncer de tireoide tem boas chances de cura. Falaremos do câncer de tireoide em um texto a parte.

ANESTESIA GERAL | Quais são os riscos?


A anestesia geral é uma técnica anestésica que promove abolição da dor (daí o nome anestesia), paralisia muscular, abolição dos reflexos, amnésia e, principalmente, inconsciência. A anestesia geral faz com que o paciente torne-se incapaz de sentir e/ou reagir a qualquer estímulo do ambiente, sendo a técnica mais indicada de anestesia nas cirurgias complexas e de grande porte.

Como é feita a anestesia geral

A anestesia geral possui quatro fases: pré-medicação, indução, manutenção e recuperação.

A fase de pré-medicação é feita para que o paciente chegue ao ato cirúrgico calmo e relaxado. Normalmente é administrado um ansiolítico (calmante) de curta duração, como o midazolam, deixando o paciente já com um grau leve de sedação. Deste modo, ele entra na sala de operação sob menos estresse.

A fase de indução é normalmente feita com drogas por via intravenosa, sendo o Propofol a mais usada atualmente. Após a indução, o paciente rapidamente entra em sedação mais profunda, ou seja, perde a consciência, ficando em um estado popularmente chamado de coma induzido (leia: COMA INDUZIDO). O paciente apesar de estar inconsciente, ainda pode sentir dor, sendo necessário aprofundar ainda mais a anestesia para a cirurgia poder ser realizada. Para tal, o anestesista também costuma administrar um analgésico opióide (da família da morfina) como o Fentanil.

Neste momento o paciente já apresenta um grau importante de sedação, não sendo mais capaz de proteger suas vias aéreas das secreções da cavidade oral, como a saliva. Além disso, na maioria das cirurgias com anestesia geral é importante haver relaxamento dos músculos, fazendo com que a musculatura respiratória fique inibida. O paciente, então, precisa ser intubado* e acoplado a ventilação mecânica para poder receber uma oxigenação adequada e não aspirar suas secreções.

* Em algumas cirurgias mais rápidas, ou que não abordem o tórax ou o abdômen, pode não ser necessária intubação, ficando o paciente apenas com uma máscara de oxigênio.

Anestesia geral
Anestesia geral
No início da fase de manutenção as drogas usadas na indução, que têm curta duração, começam a perder efeito, fazendo com que o paciente precise de mais anestésicos para continuar o procedimento. Nesta fase, a anestesia pode ser feita com anestésicos por via inalatória ou por via intravenosa. Na maioria dos casos a via inalatória é preferida. Os anestésicos são administrados através do tubo orotraqueal na forma de gás (vapores) junto com o oxigênio, sendo absorvidos pelos alvéolos do pulmão, passando rapidamente para a corrente sanguínea. Alguns exemplos de anestésicos inalatórios são o óxido nitroso e os anestésico halogenados (halotano, sevoflurano e desflurano), drogas administradas continuamente durante todo o procedimento cirúrgico.

A profundidade da anestesia depende da cirurgia. O nível de anestesia para se cortar a pele é diferente do nível para se abordar os intestinos, por exemplo. Conforme o procedimento cirúrgico avança, o anestesista procura deixar o paciente sempre com o mínimo possível de anestésicos. Uma anestesia muito profunda pode provocar hipotensões e desaceleração dos batimentos cardíacos, podendo diminuir demasiadamente a perfusão de sangue para os tecidos corporais.

Quando a cirurgia entra na sua fase final, o anestesista começa a reduzir a administração das drogas, já planejando uma cessação da anestesia junto com o término do procedimento cirúrgico. Se há relaxamento muscular excessivo, drogas que funcionam como antídotos são administradas. Nesta fase de recuperação, novamente analgésicos opioides são administrados para que o paciente não acorde da anestesia com dores no local onde foi cortado.

Conforme os anestésicos inalatórios vão sendo eliminados da circulação sanguínea, o paciente começa a recuperar a consciência, passando a ser capaz de voltar a respirar por conta própria. Quando o paciente já se encontra com total controle dos reflexos das vias respiratórias, o tubo orotraqueal pode ser retirado. Neste momento, apesar do paciente já ter um razoável grau de consciência, ele dificilmente se recordará do que aconteceu nesta fase de recuperação devido aos efeitos amnésicos das drogas.

Riscos da anestesia geral

Existe um mito de que a anestesia geral é um procedimento perigoso. Complicações exclusivas da anestesia geral são raras, principalmente em pacientes saudáveis. Na maioria dos casos, as complicações são derivadas de doenças graves que o paciente já possuía, como doenças cardíacas, renais, hepáticas ou pulmonares em estágio avançado, ou ainda, por complicações da própria cirurgia, como hemorragias ou lesão/falência de órgãos vitais.

Só como exemplo, um trabalho canadense de 1997, apenas com cirurgias odontológicas com anestesia geral, ou seja, cirurgias de baixo risco realizadas em pacientes saudáveis, detectou uma taxa de mortalidade de apenas 1,4 a cada 1 milhão de procedimentos. Isto prova que a anestesia em si é muito segura.

É importante destacar que muitas cirurgias sob anestesia geral são realizadas em pacientes com doenças graves ou em cirurgias complexas de alto risco. Porém, na imensa maioria dos casos, quando o desfecho é trágico, raramente a culpa é apenas da anestesia geral.

Também há de se destacar que a anestesia geral é um procedimento complexo, devendo ser feita somente por profissionais qualificados e em ambientes com ampla estrutura para tal.

Fatores que aumentam o risco de complicações em anestesia geral

Antes de qualquer cirurgia, um anestesista irá consultá-lo para avaliar o seu risco cirúrgico. Além do reconhecimento prévio de doenças graves que podem complicar o ato cirúrgico, é importante para o anestesista saber algumas informações pessoais do paciente que possam aumentar o risco da anestesia, tais como:

- História prévia de reação anafilática (leia: CHOQUE ANAFILÁTICO | Causas e sintomas).
- Alergias alimentares ou a drogas.
- Uso frequente de bebidas alcoólicas (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO).
- Uso de drogas, principalmente cocaína (leia: COCAÍNA | CRACK | Efeitos e complicações).
- Uso de medicamentos.
- História de tabagismo (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO).
- Apneia do sono.
- Obesidade (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA).

Conclusão sobre anestesia geral

A anestesia geral é um procedimento seguro quando realizado por uma equipe capacitada, sendo habitualmente o método anestésico mais indicado para cirurgias de médio/grande porte.

Diferenças entre afta e herpes labial


Umas das dúvidas que mais tenho recebido é em relação ao diagnóstico diferencial entre as aftas e o herpes labial. Herpes e as aftas são lesões bem diferentes, mas que em alguns casos podem causar alguma confusão.

Neste texto vamos apontar apenas as diferenças entre aftas e herpes labial, mostrando algumas fotos de lesões para facilitar o entendimento.

Nós temos textos específicos sobre ambas doenças que podem ser encontrados aqui:
- AFTA | CAUSAS E TRATAMENTO
- HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento

A primeira grande diferença está no fato do herpes labial ser uma doença infecciosa e contagiosa, sendo causada pelo vírus Herpes Simplex, enquanto que a afta não é uma infecção nem é contagiosa.

A afta é uma lesão em forma de úlcera, muito dolorosa que ocorre sempre dentro da cavidade oral. Esta é uma boa dica, a afta surge dentro da boca, no máximo na região mais interna dos lábios; é uma ferida que só consegue ser vista se o paciente abrir a boca ou usar os dedos para abaixar os lábios. De modo oposto, a lesão do herpes ocorre na parte exterior dos lábios, muitas vezes atingindo a pele ao redor da boca. Enquanto a afta fica escondida, o herpes pode ser visto por todo mundo.

AFTAS:
Foto de aftaFoto de aftaFoto de afta

HERPES LABIAL:

Foto de Herpes labialFoto de Herpes labial

Enquanto a afta é uma úlcera, geralmente com bordas bem delimitas e uma área central mais rasa e acinzentada, o herpes labial inicia-se como pequenas bolhas que estouram e formam crostas após alguns dias. No herpes, o centro é mais alto que as bordas, na afta as bordas são mais altas que o centro. As aftas costumam ser ovais ou arredondadas, já o Herpes normalmente tem um formato mais irregular.

No caso do herpes, 6 a 48 horas antes de surgirem as lesões, o paciente começa a sentir um incômodo ou um formigamento na região afetada. Como é uma doença que vai e volta, a maioria dos pacientes com herpes sabe identificar antecipadamente quando uma lesão irá surgir. A afta, se não for causada por um trauma, surge sem aviso, começando como uma pequena lesão que cresce ao longo dos dias.
O herpes pode vir acompanhado de febre, principalmente na sua primeira aparição após o paciente ter sido contaminado. A presença de linfonodos no pescoço é mais comum no herpes, mas pode surgir também nas aftas, principalmente as de maior tamanho.

DIFERENÇAS ENTRE ARTRITE E ARTROSE


Artrite e artrose são doenças com causas e tratamento diferentes, porém com sintomas que podem ser muito semelhantes, o que costuma causar alguma confusão, fazendo com que as duas condições, que realmente são parecidas, sejam erradamente tratadas como uma patologia única.

Neste texto vamos procurar explicar de modo simples o que é artrite e o que é artrose, destacando suas diferenças. Mas antes, é necessária uma rápida explicação do que são as articulações, já que esta é a estrutura comprometida em ambas condições.

Articulações

Articulação ombroA articulação é a região onde há conexão de dois ou mais ossos distintos. Exemplos: joelhos, cotovelo, punhos, tornozelo, ombros, etc. A ilustração à esquerda mostra a articulação do ombro.

As articulações ao longo do corpo não são todas iguais. Algumas articulações são conectadas por um tecido fibroso, que cola um osso ao outro, tornando-os imóveis, como no caso dos ossos do crânio; outras são ligadas por cartilagens e permitem uma pequena mobilidade como os discos vertebrais que unem as vértebras da coluna; há ainda as articulações móveis, que normalmente são ligadas por uma cartilagem e uma bolsa cheia de líquido (líquido sinovial) permitindo amplo movimento dos ossos com mínimo atrito entre eles, como é o caso do joelho, cotovelo, ombros, etc.
Articulações do crânio

Na ilustração ao lado, mostramos em cores diferentes todos os ossos do crânio. Notem como eles estão grudados entre si e não se movem. A exceção é a articulação que liga a mandíbula ao osso temporal (têmpora), chamada de articulação temporomandibular. Esta articulação é obviamente móvel, senão não seríamos capazes de abrir e fechar a boca para falar e mastigar, por exemplo. Esta articulação possui sinóvia, ou seja, cartilagem e líquido entre os ossos, permitindo sua mobilidade.

O que é uma artrite?

Artrite é o nome que damos quando há um processo inflamatório das articulações; falando de modo mais simples, quando uma ou mais articulações estão inflamadas. Se você não entende bem o conceito de inflamação, sugiro uma rápida pausa para a leitura do texto: O QUE É INFLAMAÇÃO? O QUE É UM ABSCESSO?

Os principais sintomas da artrite são dor, vermelhidão, inchaço e dificuldade para mover uma ou mais articulações.

Existem várias doenças que podem cursar com artrites, entre elas podemos citar:

- Artrite reumatóide (leia: ARTRITE REUMATÓIDE | Sintomas, diagnóstico e tratamento)
- Lúpus (leia: LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO | Sintomas, diagnóstico e tratamento)
- Febre reumática (leia: FEBRE REUMÁTICA | Sintomas e tratamento)
- Gota (leia: GOTA | ÁCIDO ÚRICO | Sintomas e dieta)
- Psoríase (leia: PSORÍASE | Tipos e sintomas)
- Síndrome de Reiter (artrite reativa)
- Doença de Crohn (leia:  DOENÇA DE CROHN | Sintomas e tratamento)
- Espondilite anquilosante
- Granulomatose de Wegener (leia: GRANULOMATOSE DE WEGENER )
- Outras doenças auto-imunes (leia: DOENÇA AUTO - IMUNE)
- Artrite séptica
- Traumas

Chamamos de poliartrite quando 4 ou mais articulações encontram-se inflamadas ao mesmo tempo. As poliartrites costumam ocorrer em doenças sistêmicas como no lúpus e na artrite reumatoide. Monoartrite é quando apenas uma única articulação apresenta inflamação; ocorrem geralmente na gota ou na artrite séptica (artrite infecciosa).

A causa mais comum de artrite, porém, é a artrose. É dela que vamos falar a seguir.

O que é artrose?

A artrose, também chamada de osteoartrite, osteoartrose ou artrite degenerativa, é uma artrite que ocorre por degeneração das cartilagens das articulações. A cartilagem é um tecido que serve como "almofada" ou "amortecedor" entre dois ossos.

Dos mais de 100 tipos de artrite conhecidos, a osteoartrose é o mais comum. Ela pode acometer qualquer articulação que tenha cartilagem, porém, na maioria dos casos a doença ataca as articulações das mãos, joelho, quadril e coluna. A osteoartrose pode acometer uma ou várias articulações ao mesmo tempo.

ArtroseA degeneração da cartilagem na artrose ocorre geralmente pelo envelhecimento da mesma. Podemos dizer que ela vai "gastando" ao longo dos anos, até o momento que os ossos passam a entrar em contato direto um com outro, fazendo com que o atrito dos movimentos também leve a lesão destes. Este processo de destruição da cartilagem, e posteriormente dos ossos, causa incapacitação da articulação afetada uma vez que qualquer movimento torna-se muito doloroso.

Além da idade, outros fatores contribuem para o aparecimento das artroses como a genética, obesidade, diabetes, hipotireoidismo etc... Todas as causas de artrite citadas anteriormente também podem acelerar a destruição das cartilagens, podendo causar osteoartrose precocemente. Outro fator importante são os traumas nas articulações.

A osteoartrose é uma doença progressiva e sem cura; quanto mais insultos sofrerem as articulações ao longo da vida, mais cedo ela se manifesta. Uma vez destruída, a cartilagem não se regenera.

Para saber mais sobre artrose, leia: ARTROSE | Causas e sintomas

BOTOX | Aplicações e complicações


O famoso Botox® é a marca comercial e farmacêutica da toxina botulínica A, uma proteína tóxica originalmente produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Esta toxina é um veneno poderoso, sendo a mesma que causa o botulismo, uma grave intoxicação alimentar.

Para ler sobre a doença botulismo: BOTULISMO | Causas e Sintomas.

A toxina botulínica é uma neurotoxina que impede a contração dos músculos, levando à paralisia dos mesmos. A intoxicação pela toxina botulínica é uma emergência médica, pois pode causar a paralisação dos músculos respiratórios, levando o paciente ao óbito por insuficiência respiratória. Esta neurotoxina é um dos venenos mais poderoso que se tem conhecimento; se aspirada, basta 1 micrograma para levar uma pessoa ao óbito por paralisia difusa dos músculos do corpo.

Botox para uso terapêutico


Reconhecida inicialmente como um temido veneno, após o entendimento do seu mecanismo de ação, a toxina botulínica passou a ser usada na medicina para pacientes cuja a paralisação controlada de alguns músculos se mostrava benéfica. Porém, para ser administrada de modo seguro, era preciso primeiro isolar e purificar a toxina para que esta pudesse ser sintetizada. Surgiu então o Botox®, a forma farmacêutica da toxina botulínica A. Botox® é a marca mais famosa no mercado, existindo ainda a Myobloc®, Dysport® e a Prosigne®.

Apesar de ser muito famoso o seu uso cosmético, com aplicações do Botox no rosto para tratar rugas, esta droga inicialmente foi usada para o tratamentos de doenças. Como seu tempo de ação é longo, podendo paralisar músculos por até 6 meses, a inoculação controlada através de uma pequena injeção com quantidades mínimas da toxina se tornou uma boa opção no tratamento de doenças neurológicas/musculares. Entre as principais indicações para o uso terapêutico do Botox estão:

Pontos de aplicação do Botox no blefarospasmo
Pontos de aplicação do Botox no blefarospasmo
1) Blefarospasmo: uma doença neuromuscular que causa contração involuntária dos músculos ao redor dos olhos, fazendo com que o paciente pisque de modo involuntário e vigoroso.

A aplicação de Botox na musculatura ao redor dos olhos paralisa estes músculos, impedindo estas contrações indesejadas por até 4 meses, época em que é necessária nova administração da droga.

2) Estrabismo: é o grupo de doenças onde os olhos não ficam paralelos, o popular "olho vesgo", que ocorre por assimetria na contração dos músculos oculares. A aplicação de Botox ajuda a diminuir a força muscular de um dos olhos, conseguindo alinhar os globos oculares.

Para saber mais sobre o uso do Botox na oftalmologia, leia: Botox - Uso na Oftalmologia

3) Distonia cervical: é uma doença muito dolorosa onde os músculos do pescoço se contraem involuntariamente, causando movimentos abruptos da cabeça para os lados, para frente e para trás.

A aplicação de Botox nestes músculos do pescoço, 3x a 4x por ano, é o tratamento mais indicado

4) Hiperidrose: o excesso de suor, que costuma acometer axilas, palmas das mãos e plantas dos pés, também pode ser tratado com aplicações de Botox, neste caso não para paralisar algum músculo, mas sim para inibir o funcionamento das glândulas sudoríparas.

A aplicação de Botox nas axilas para hiperidrose axilar costuma ter melhores resultados que na hiperidrose palmar e plantar, onde a injeção da toxina, além de ser muito dolorosa, pode causar fraqueza muscular nas mãos e nos pés.

Para saber mais sobre hiperidrose, leia: HIPERIDROSE | Suor em excesso

5) Enxaqueca: o Botox para o tratamento da enxaqueca foi aprovado recentemente pelo FDA americano. A aplicação da toxina nos músculos da face e do pescoço, a médio prazo, diminui a incidência da enxaqueca, parecendo ser uma ótima opção para aqueles pacientes com dores de cabeça frequentes.

6) Fissura anal: um dos mecanismos que perpetua a fissura anal é o espasmo do esfincter do ânus, que acaba por esgarçar a fissura e dificultar a evacuação. O uso de Botox ajuda a relaxar esta musculatura, facilitando o processo de cicatrização.

Para saber mais sobre fissura anal, leia: FISSURA ANAL | Tratamento e sintomas.

Uso cosmético do Botox


Desde o ano 2000 o Botox foi aprovado no Brasil para o uso estético no tratamento das rugas de expressão. É importante salientar que o Botox só funciona para aquelas rugas que surgem quando usamos os músculos faciais. Rugas causadas por excesso de sol e fumo não são corrigidas pelo Botox.

É preciso muito cuidado e técnica na aplicação do Botox em algumas regiões da face, principalmente ao redor da boca para que não cause paralisia nos músculos responsáveis pela fala e mastigação. Se o médico não for treinado, podem surgir assimetrias no rosto, devido a uma maior paralisia de um lado da face.

Botox antesBotox antes e depois

As fotos acima mostram que, após a aplicação do Botox, houve o desaparecimento das rugas que surgiam ao franzir a testa. O objetivo do Botox cosmético é diminuir a força muscular sem causar paralisia total do mesmo, impedindo assim, complicações como queda da pálpebra e perda da expressão facial.

O uso do Botox cosmético costuma ter efeito máximo nas 2 primeiras semanas, sendo necessária nova aplicação acada 3-4 meses.

Contraindicações ao uso do Botox


As contraindicações à aplicação do Botox incluem reação alérgica após exposição prévia, gravidez, amamentação, aplicação em locais inflamados ou infectados.

Interação medicamentosa com Botox


Os seguintes medicamentos podem exacerbar os efeitos do Botox, não sendo indicado o seu uso concomitante: antibióticos da classe aminoglicosídeo (amicacina, gentamicina, neomicina...), quinina, penicilamina(não confundir com penicilina), e anti-hipertensivos do grupo bloqueadores do canal de cálcio (nifedipina, amlodipina, verapamil, diltiazem...)

Complicações do Botox


A aplicação do Botox é um procedimento médico e deve ser sempre feito em ambiente médico. Lembre-se que estamos lidando com um veneno poderosíssimo que pode levar à morte se usado de forma irresponsável.

Entre as complicações mais comuns do Botox estão:

- Dor e hematomas no local da aplicação
- Alergias
- Vermelhidão local
- Náuseas
- Dor de cabeça

Em alguns casos os efeitos do Botox acabam sendo maiores que o desejado, causando paralisia do músculo. Isso pode acarretar em queda das pálpebras e/ou ausência de expressão facial quando aplicada na fronte; alterações na fala e na mastigação quando aplicadas próximo aos lábios; dificuldade para engolir e fraqueza para levantar a cabeça quando aplicada no pescoço.

Se aplicada de modo correto e por profissionais treinados, o risco da toxina se espalhar pelo corpo é irrisório. Nos raros casos de intoxicação sistêmica, o quadro clínico é semelhante ao botulismo.

Perda do efeito do Botox

O Botox é uma toxina e como consequência, toda vez que é aplicada, provoca uma resposta imunológica do organismo contra esse corpo estranho danoso. Após aplicações repetidas, o nosso organismo é capaz de criar anticorpos conta a toxina botulínica, fazendo com o seu efeito seja neutralizado rapidamente.

SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA


A síndrome da fadiga crônica é uma doença controversa e de difícil explicação, sendo muito frustrante de se lidar, não só para os pacientes como também para os médicos, pois ainda não se conseguiu estabelecer definitivamente suas causas, o diagnóstico é difícil de ser feito e o tratamento atual é pouco efetivo. Apesar de não diminuir a expectativa de vida do paciente acometido, a síndrome da fadiga crônica pode ser considerada uma doença grave devido a grande queda na qualidade de vida que a mesma pode causar.

É importante saber que existem diferenças entre possuir a síndrome da fadiga crônica e apresentar fadiga com frequência. Na verdade, apenas 10% dos pacientes que se queixam de cansaço crônico, efetivamente possuem critérios para o diagnóstico da síndrome da fadiga crônica. Para ler sobre outras causas de cansaço prolongado: CANSAÇO | FADIGA | Principais causas.

Sintomas da síndrome da fadiga crônica

Além da fadiga crônica que dá o nome a doença, os pacientes com esta síndrome também costumam apresentar os seguintes sintomas:

Síndrome da fadiga crônica1. Dificuldade de concentração e "memória fraca"
2. Dor de garganta
3. Dor muscular
4. Dor articular
5. Dor de cabeça
6. Dificuldades em dormir
7. Linfonodos discretamente aumentados e dolorosos
8. Exaustão após esforço físico ou mental, mesmo após 24 horas de repouso.

Estes são os sintomas clássicos, porém, vários outros podem ocorrer como tonturas, diarréia, alergias...

É importante destacar que o exame físico costuma ser normal. O paciente se queixa de dores, mas nenhuma lesão é encontrada, queixa-se de febre, mas o termômetro nunca a mostra, os linfonodos dolorosos são normais à biópsia e a eletroneuromiografia não consegue comprovar a fraqueza muscular.

Esta incapacidade em se documentar as queixas dos pacientes muitas vezes levam a uma errada interpretação de que estão fingindo ter uma doença. Porém, assim como na fibromialgia, a síndrome da fadiga crônica deve ser encarada como uma doença de verdade, evitando-se a estigmatização dos pacientes.

Causas da síndrome da fadiga crônica

Apesar de todos os esforços, as causas da síndrome da fadiga crônica ainda não foram elucidadas. Algumas doenças e infecções, principalmente das vias respiratórias, parecem precipitar a doença, mas o mecanismo no qual isso ocorre e por que só acontece em algumas pessoas ainda é um mistério. Sabe-se, porém, que a doença é mais comum em pessoas jovens e adultos de meia-idade do que em crianças e idosos, e duas vezes mais comum em mulheres que em homens.

Entre as doenças que podem precipitar a síndrome da fadiga crônica, citamos:

- Infecções virais, principalmente das vias respiratórias
- Depressão
- Anemia por carência de ferro (leia: ANEMIA | CAUSAS E SINTOMAS)
- Alterações hormonais
- Causas autoimunes (leia: DOENÇA AUTO- IMUNE | O que é e quais são as causas mais comuns)
- Pressão baixa crônica (leia: PRESSÃO BAIXA EXISTE ?)
- Fibromialgia (leia:  FIBROMIALGIA | Sintomas e tratamento)

Durante muitos anos acreditava-se que havia uma relação muito forte entre a mononucleose (leia: MONONUCLEOSE | DOENÇA DO BEIJO | Sintomas e contágio) e síndrome, porém, as últimas evidências mostram que esta relação não é tão importante.

Diagnóstico da síndrome da fadiga crônica

A síndrome da fadiga crônica é um diagnóstico de exclusão, ou seja, é preciso ter certeza que o cansaço e os sintomas não são causados por nenhuma outra doença identificável. Doenças cardíacas, pulmonares, hepáticas e renais, além de dezenas de outros problemas, como obesidade mórbida, uso de drogas, apnéia do sono, anorexia, etc. podem causar fadiga e devem ser descartadas sempre.


Mesmo que o paciente não tenha nenhuma causa identificável para o seu cansaço, para o diagnóstico da síndrome ainda é preciso que a fadiga tenha estado presente nos últimos seis meses e esteja associada a pelo menos 4 dos 8 sintomas descritos acima.

Tratamento da síndrome da fadiga crônica

Não existe cura para a síndrome da fadiga crônica e o tratamento nem sempre é satisfatório. De todos os tratamento já tentados, os que realmente fornecem melhora clínica são a psicoterapia e exercícios físicos regulares. Este último pode ser muito difícil uma vez que no início os sintomas parecem piorar. Porém, o exercício deve ser iniciado com cargas muito, mas muito leves, com lento e progressivo aumento conforme o paciente tolere. A longo prazo, a prática de exercícios melhora muito a qualidade de vida.

Não existe tratamento com drogas ou dieta específica que comprovadamente melhore os sintomas da síndrome da fadiga crônica.

APENDICITE | Sintomas e tratamento


Apendicite é o nome dado à inflamação do apêndice, quadro que se apresenta habitualmente como uma intensa dor abdominal. A apendicite é, em geral, uma emergência médica que necessita de tratamento cirúrgico. Se não tratada a tempo, há risco de rotura e infecção generalizada.

Neste artigo explicaremos as seguintes questões sobre a apendicite:
  • O que é o apêndice.
  • O que é apendicite.
  • Causas da apendicite.
  • Sintomas da apendicite.
  • Diagnóstico da apendicite.
  • Tratamentos da apendicite.

O que é o apêndice?


Foto de um apêndice
Apêndice - Clique para ampliar
O apêndice é um prolongamento do ceco, região de fronteira entre o intestino delgado e o intestino grosso (cólon). Possui aproximadamente 10 cm de comprimento e tem um fundo cego, como se fosse um dedo de luva. Seu formato lembra o de um verme, por isso também é chamado de apêndice vermiforme.

A parede do apêndice contém tecido linfático e participa na produção de anticorpos. O apêndice também serve como reservatório de bactérias intestinais que ajudam no processo de digestão.

É comum aprendermos no colégio que o apêndice é um órgão sem função, o que não é totalmente errado. O apêndice parece ser apenas um resquício evolutivo, que se não é de todo inútil, também não parece fazer falta quando retirado cirurgicamente.

Por que o apêndice inflama causando a apendicite?

Localização do apêndice
Apêndice
O apêndice normalmente produz um volume constante de muco que é drenado para o ceco e se mistura nas fezes. O seu grande problema é ser a única região de todo o trato gastrointestinal que tem um fundo cego, ou seja, é um tubo sem saída, como um dedo de luva. Qualquer obstrução à drenagem do muco faz com que o mesmo se acumule, causando dilatação do apêndice. Conforme o órgão vai ficando maior, começa a haver compressão dos vasos sanguíneo e necrose da sua parede. O processo pode evoluir até o rompimento do apêndice, o que é chamado de apendicite supurada.

Existem várias causas para obstrução do apêndice. Em jovens é comum ocorrer um aumento dos tecidos linfáticos em resposta a alguma infecção viral ou bacteriana. Como o diâmetro interior do apêndice tem menos de 1 cm, qualquer aumento na sua parede pode obstruir a saída. Em idosos, o mais comum é a obstrução por pedaços ressecados de fezes. Também existe a possibilidade de obstrução por tumores ou por vermes intestinais, como o oxiúrus (leia: OXIÚRUS | Enterobius vermicularis).

Quando o apêndice fica obstruído e inflamado, as bactérias que vivem no seu interior conseguem atravessar a sua parede e alcançar a circulação sanguínea e o peritônio (membrana que recobre todo o trato intestinal). Este processo é chamado de translocação bacteriana e é responsável por grande parte dos sintomas da apendicite.

Sintomas da apendicite


O ceco e o apêndice ficam no quadrante inferior direito do abdômen, por isso, uma apendicite se apresenta tipicamente como uma dor nesta região. O problema é que em fases iniciais, quando há somente a distensão do apêndice ainda sem intensa inflamação ao seu redor, os sintomas podem ser muito vagos e não necessariamente localizados neste sítio. No começo da apendicite a dor pode ser difusa, normalmente localizada na região do estômago ou em volta do umbigo. O apêndice é muito pouco inervado e sua inflamação isolada é mal percebida pelo cérebro. Somente quando o peritônio, este sim rico em terminações nervosas, fica inflamado é que o cérebro consegue identificar mais precisamente a região afetada. O quadro típico é de uma súbita dor ao redor do umbigo que vai ficando mais intensa conforme dirige-se para o quadrante inferior direito.

Náuseas, vômitos e febre são sintomas comuns nas fases avançadas da apendicite. Também pode haver diarreia ou prisão de ventre.

Quando a inflamação e a distensão levam à perfuração do apêndice, ocorre uma peritonite (inflamação do peritônio). O paciente com peritonite apresenta intensa dor e o abdômen costuma ficar duro que nem uma pedra. O doente sente dor com estímulos simples como pisar no chão ou mudar de posição. Este quadro grave costuma cursar com sepse (leia O QUE É SEPSE?).

Para saber mais causas de dor abdominal, leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas

Apendicite crônica

Alguns pacientes apresentam quadros de obstrução intermitente do apêndice, havendo desobstrução espontânea sempre que a pressão dentro da luz fica elevada. Imagine um pedaço ressecado de fezes alojado exatamente na saída do apêndice, que agora já não tem mais como escoar o seu muco produzido. Se esse pedacinho de fezes não estiver bem preso, conforme a pressão dentro do apêndice for ficando maior, ele acaba sendo empurrado pelo excesso de muco acumulado e a obstrução desaparece. Este é um exemplo de um apêndice que inflama e desinflama repetidamente. A apendicite crônica apresenta-se como um quadro de dor abdominal cíclica que costuma ser difícil diagnosticar.

Diagnóstico da apendicite


Como em qualquer doença, o diagnóstico começa pela avaliação dos sinais e sintomas através da história clínica e do exame físico. Como explicado acima, o apêndice é pouco inervado e quando não há inflamação dos órgãos ao seu redor, nomeadamente do peritônio, pode não haver sinais claros de apendicite ao exame físico.

Conforme a inflamação progride, torna-se fácil detectar uma intensa dor à palpação profunda no quadrante inferior direito do abdômen. Quando há peritonite, o paciente sente muita dor durante o exame físico no momento em que apertamos o abdômen com uma das mãos e subitamente a retiramos. Esta dor à descompressão é típica de processos inflamatórios do peritônio.

Os exames laboratoriais também são úteis, já que pacientes com peritonite costumam apresentar um número elevado de leucócitos no hemograma (leucocitose) (leia: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados).

Porém, uma suspeita clínica/laboratorial de um peritônio inflamado não é suficiente para fecharmos o diagnóstico da apendicite, já que existem várias outras causas para peritonite (ver a seguir em diagnóstico diferencial).

Casos típicos de apendicite, principalmente se avaliados por médicos experientes, podem ser diagnosticados sem maiores dificuldades, mas atualmente é muito comum e fácil solicitar exames de imagem para confirmação do diagnóstico. Os dois exames mais solicitados são a ultrassonografia e a tomografia computadorizada, sendo esta última a mais indicada em casos duvidosos ou com suspeitas de complicações.

Diagnóstico diferencial da apendicite

A apendicite é uma das principais causas de dor e necessidade de cirurgia abdominal. Entretanto, vários outros processos inflamatórios dentro do abdômen podem ser parecidos com os sintomas da apendicite, como:

- Diverticulite (leia: DIVERTICULITE | DIVERTICULOSE | Sintomas e tratamento).
- Doença de Crohn (leia: DOENÇA DE CROHN | RETOCOLITE ULCERATIVA | Sintomas e tratamento).
- Doença inflamatória pélvica.
- Diverticulite de Merckel.
- Ileíte aguda (inflamação do íleo, porção final do intestino delgado).

Tratamento da apendicite


O tratamento da apendicite é cirúrgico, podendo ser feito de modo tradicional ou pela laparoscopia. A via laparoscópica é preferida em pessoas obesas, idosos e quando o diagnóstico ainda não é 100% certo na hora da cirurgia.

A cirurgia é imediatamente indicada naqueles casos com menos de 3 dias de evolução. Nos casos onde o paciente demora para procurar atendimento, a inflamação pode estar tão grande que dificulta a ação do cirurgião, aumentando o risco de complicações. Nestes casos, se a tomografia computadorizada demonstrar presença de muita inflamação ao redor do apêndice, com formação de abscesso (leia: O QUE É INFLAMAÇÃO? O QUE É UM ABSCESSO?), pode ser preferível tratar a infecção com antibióticos por algumas semanas antes de levá-lo para cirurgia.

CINETOSE | ENJOO DE MOVIMENTO


A cinetose, conhecida como enjoo de movimento, é aquele quadro de náuseas, com ou sem vômitos, que ocorre em algumas pessoas quando em movimento, seja dentro de um automóvel, avião, trem ou barco. Neste texto vamos explicar as causas da cinetose, seus sintomas mais comuns e como preveni-los.

Entender uma doença se torna muito mais fácil quando primeiro entendemos o funcionamento normal dos órgãos e sistemas afetados. Vou gastar algumas linhas explicando como o corpo se mantém em equilíbrio para que vocês possam entender a cinetose com mais facilidade.

Como o corpo sabe que está em movimento?

Um dos principais trabalhos do nosso cérebro é interpretar as mensagens do meio externo recebidas pelo corpo. Para saber como se encontra nosso corpo em relação ao espaço e se estamos ou não em movimento, o cérebro precisa receber e interpretar informações de três sistemas diferentes:

- Visão
- Ouvido interno
- Propriocepção

Vamos perder um pouquinho de tempo explicando esses três sistemas, pois o seu funcionamento é bastante interessante. Vou procurar descrever esses mecanismos de um modo bem simples.

a) Visão

Todo mundo consegue entender por que a visão ajuda o cérebro interpretar se estamos em movimento, já que basta estar de olhos abertos para vermos se estamos nos movimentando ou não.

Mas a visão pode nos pregar peças. Quem é que, dentro de um carro parado no semáforo, nunca teve a sensação do carro estar andando para atrás apenas porque o carro do lado andou um pouquinho para frente? A visão do carro ao lado indo para frente pode fazer com que o cérebro interprete que somos nós que estamos andando para trás, levando o motorista a pisar no freio instintivamente. Este simples exemplo mostra com a visão pode dizer ao cérebro que estamos nos movimentando, quando na verdade estamos parados.

b) Propriocepção

Este é um sentido pouco conhecido pela população geral. A propriocepção é a capacidade do cérebro reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. É a propriocepção que nos permite, de olhos fechados, reconhecer que estamos com o braço levantado, de cabeça para baixo, inclinados para frente, com as pernas dobradas, etc.

É graças a propriocepção que conseguimos, mesmo de olhos vendados, facilmente tocar a ponta do nariz com a ponta dos nosso dedos. A gente não precisa da visão para saber sempre onde está cada parte do nosso corpo.

c) Ouvido interno

Dentro do ouvido interno temos um órgão chamado labirinto, que faz parte do aparelho vestibular, responsável pela manutenção do equilíbrio.

O labirinto é um conjunto de arcos semicirculares que possuem líquidos em seu interior. A movimentação destes líquidos é interpretado pelo cérebro ajudando a identificar movimentos e a nos manter em equilíbrio.

As informações passadas pelo labirinto ajudam o cérebro a interpretar movimentos angulares, acelerações lineares e forças gravitacionais.
Anatomia do ouvido

A labirintite, que é a inflamação desta região do ouvido interno, é uma das mais comuns causas de tonturas e náuseas, exatamente por atacar o órgão responsável pelo nosso equilíbrio. Falamos especificamente de labirintite em um artigo distinto: LABIRINTITE | Sintomas e tratamento.

Apenas como curiosidade: você sabe por que ficamos tontos depois de rodarmos várias vezes? Porque apesar de já estarmos parados, os líquidos dentro do nosso ouvido interno ainda ficam em movimento rotacional por alguns segundos, fazendo com que o cérebro interprete que ainda estamos rodando. Se fecharmos os olhos, a tontura aumenta ainda mais, pois, de olhos abertos, a visão consegue atenuar a mensagem errada que o ouvido interno está mandando ao cérebro.

O que causa a cinetose?

A cinetose, ou enjoo de movimento, ocorre quando o cérebro recebe informações desconexas destes três sistemas.

Quando andamos, estamos nos movimentando intencionalmente e o cérebro consegue conjugar as informações recebidas da visão, propriocepção e ouvido interno.  As três trabalham em sinergismo, ou seja, dizendo a mesma coisa. Em um carro, navio ou avião, isto não ocorre. Estamos "parados" mas ao mesmo tempo em movimento. Se pararmos para pensar, o ser humano é único animal que costuma se movimentar de modo passivo, sem precisar fazer esforço para se locomover. Isto pode causar confusão no cérebro.

Quando estamos em um carro, por exemplo, estamos efetivamente em movimento apesar do corpo estar parado em relação ao carro. Isto provoca uma enxurrada de sinais confusos para o cérebro, que ao mesmo tempo recebe informações dizendo que o corpo está parado e sem fazer esforço (com músculos e tendões relaxados) e informações dizendo que o corpo está em movimento, graças à aceleração e curvas.

Quando olhamos para a frente e vemos a paisagem passar, o cérebro ainda consegue compreender melhor os movimentos do automóvel e o fato de estamos nos movimentando, por isso, a maioria das pessoas anda de carro sem sentir enjoos. Se, entretanto, você abaixar a cabeça e começar a ler, a visão junto com a propriocepção vão dizer ao cérebro que estamos parado, enquanto que o labirinto, estimulado pelas curvas e acelerações do carro, vai estar mandando sinais de movimento, o que facilita o surgimento de náuseas e tonturas.

Do mesmo modo, quando estamos em um simulador de parque de diversões, os sinais que o cérebro recebe muitas vezes são confusos, já que estamos efetivamente parados, apenas balançado para um lado e para o outro, enquanto que nossa visão está recebendo inúmeras informações, como se estivéssemos nos movimentando em alta velocidade, acelerando e desacelerando, fazendo curvas, subindo e descendo.

A cinetose, portanto, surge sempre que o cérebro estiver tendo dificuldades em interpretar o real estado de movimento do nosso corpo.

Fatores de risco para cinetose (enjoo de movimento)

Todas as pessoas são susceptíveis ao enjoo por movimento, o que varia é a intensidade do estímulo necessária para desencadear os sintomas. Isto é facilmente notado em viagens de navios, quando uma parte dos passageiros sente-se muito mal, outros referem ligeiro desconforto e a maioria nada sente.

Algumas características pessoais já foram identificadas como de maior risco para a cinetose. Por exemplo, mulheres são mais sensíveis que homens, o que de modo alguns significa que homens não possam ter enjoos de movimento. Abaixo, listarei os fatores de risco mais comuns:

- Sexo feminino.
- Crianças maiores que 2 anos.
- Gravidez.
- Labirintite .
- Enxaqueca (leia: DOR DE CABEÇA | ENXAQUECA , CEFALEIA TENSIONAL E SINAIS DE GRAVIDADE).
- Ansiedade.

O tipo de movimento também influencia na ocorrência dos enjoos. Ao contrário do que se pensa, movimentos de baixa frequência são aqueles que mais induzem cinetose. Viajar deitado parece reduzir a intensidade dos sintomas, enquanto estar em pé parece ser pior.

Em viagens de navio, cerca de 40% dos passageiros referem cinetose, com graus de intensidade que variam desde um ligeiro mal estar até sintomas fortes, com vômitos incoercíveis. Em viagens de avião, a incidência é menor, mais ainda chega a 25% (leia: PROBLEMAS DE SAÚDE EM VIAGENS DE AVIÃO).

Sintomas da cinetose (enjoos de movimentos)

Os sintomas mais comuns da cinetose incluem náuseas, vômitos, mal estar, tonturas, vertigens, suores, sensação de calor e eructações (arrotos).

Os sintomas da cinetose tendem a melhorar com o tempo, após exposição repetida ao estímulo desencadeador. Em viagens de navio, por exemplo, os sintomas são piores nas primeiras 72 horas, melhorando com o tempo. Também é comum o paciente melhorar, mas voltar a ficar enjoado quando em terra firme novamente.

Prevenção da cinetose (enjoo de movimento)

Para aquelas pessoas que costumam enjoar em carros, aviões ou navios, o importante é tentar transmitir pela visão a mesma informação de movimento transmitida pelo ouvido interno. Por isso, fixar o olhar em pontos próximos ao horizonte e sempre melhor.

Por exemplo, quando em um navio, olhar para o horizonte transmite mais sensação de movimento do que ficar dentro do quarto, olhando para parede. O mesmo vale dentro de um carro, quando sentar no banco da frente e olhar em direção ao objeto terrestre mais longínquo é melhor do que olhar para dentro do carro.

Algumas dicas:

- Não leia durante as viagens, principalmente em automóveis.
- O motorista sempre sente menos enjoos que os passageiros, provavelmente porque o cérebro consegue prever com antecedência os movimentos do carro. Se você enjoa com facilidade, evite ser o "carona".
- No avião, sente-se na janela e olhe a paisagem se movimentar (quando há alguma).
- Também no avião, os assentos próximos às asas sofrem menos movimentos.
- No navio, evite cabines sem janelas.
- Não sente de costas para a direção em que o veículo se locomove.
- Evite comer em movimento.
- Evite odores fortes.
- Evite locais quentes .
- Não fume.
- Evite bebidas alcoólicas.

Tratamento das cinetose (enjoo de movimento)

Alguns medicamentos ajudam a minimizar os efeitos destes sinais conflituosos que causam a cinetose. Estes remédios funcionam melhor se tomados preventivamente, ou seja, antes dos sintomas surgirem. Algumas opções incluem:

- Anti-histamínicos, como Dramin®.
- Escopolamina (Buscopan®).
- Prometazina + cafeína.

Algumas destas drogas podem ser administradas através de adesivos implantados atrás da orelha.

Entre os tratamentos não medicamentosos, algumas dicas costumam funcionar bem. A principal são comprimidos de gengibre. Algumas pulseiras que fazem pressão no punho também podem ajudar em alguns casos, mas a maioria dos paciente precisa mesmo é tomar remédios para evitar as náuseas.