sexta-feira, 31 de julho de 2009

CIRROSE HEPÁTICA - Causas e Sintomas

Conheça as causas e os sintomas da cirrose hepática

A cirrose hepática é o resultado final de anos de agressões ao fígado, sendo caracterizada pela substituição do tecido hepático normal por nódulos e tecido fibroso. No fundo, nada mais é do que a cicatrização do fígado. Onde deveria haver tecido funcionante, há apenas fibrose (cicatriz).

Como era de se esperar, quanto mais extensa for a cirrose, menor é o número de células saudáveis e maior é o grau de insuficiência hepática. Em última análise, a cirrose é um estado de falência do fígado, um órgão nobre sem o qual não conseguimos sobreviver.

Cirrose

Várias doenças podem levar a cirrose. Entre as mais comuns podemos citar:

a) Cirrose alcoólica

É uma causa prevínivel de cirrose. O consumo diário e prolongado de álcool pode levar ao desenvolvimento de lesões hepáticas. Por mais que algumas pessoas achem pouco, 720 ml de cerveja ou 300 ml de vinho consumidos diariamente já são considerados fatores de risco para doenças do fígado, principalmente em mulheres.

O consumo regular de álcool leva a esteatose hepática (fígado gorduroso), que pode evoluir para hepatite alcoólica, e por fim, para cirrose e falência hepática.

Para saber mais sobre os perigos do álcool, leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO

b) Hepatites virais

As hepatites virais crônicas, principalmente B e C, são causas comuns de lesão do fígado, podendo levar a cirrose após anos de doença ativa. Muitas vezes o paciente sequer desconfia ser portador de um dos vírus, só descobrindo muitos anos depois quando os sintomas da cirrose começam a se manifestar (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES e ENTENDA A HEPATITE C)

c) Hepatite auto-imune

É uma doença auto-imune (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE), onde os nosso organismo começa inapropriadamente a produzir anticorpos contra o próprio fígado, como se este fosse um ser invasor, um corpo estranho que não nos pertence.

d) Esteatose hepática não alcoólica

Não só o consumo regular de álcool, mas outros fatores também podem levar à um fígado gorduroso. A esteatose hepática pode evoluir para hepatite e posteriormente cirrose. As principais causas são obesidade, diabetes, uso crônico de corticóides e desnutrição

e) Cirrose biliar primária

Também um doença de origem auto-imune onde há destruição das vias biliares e consequentemente do fígado.

f) Outras doenças

  • Hemocromatose
  • Doença de Wilson
  • Deficiência de alfa 1 anti-tripsina
  • Fibrose cística
  • Colangite esclerosante primária
  • Hepatite por drogas
Sintomas da Cirrose

Para um melhor entendimento, podemos dividir os sintomas da cirrose entre aqueles causados pela insuficiência hepática, e aqueles causados pela hipertensão porta.

Cirrose - hipertensão porta

Reparem no gráfico acima que resume o sistema porta.

Todo o sangue vindo das veias do trato digestivo (estômago, intestinos, pâncreas...) e do baço, drenam em direção a uma única grande veia que desemboca no fígado. Essa é chamada de sistema porta ou veia porta.

A existência do sistema porta garante que todas as substâncias absorvidas pelo trato gastrointestinal, passem primeiro pelo fígado antes de caírem na circulação sistêmica.

O paciente cirrótico possuiu um fígado cheio de fibrose (cicatriz), o que em fases avançadas obstrui a chegada de sangue ao fígado. Quanto mais extensa for a cirrose, maior é a obstrução ao sangue que chega pela veia porta.

Quando o sangue vindo dos órgãos abdominais encontra uma obstrução ao seu fluxo, a pressão na veia porta aumenta. Começa então um processo chamado de hipertensão porta.

O sangue quando encontra uma obstrução, não fica parado esperando a mesma acabar. Ele precisa voltar para o coração de alguma maneira, e se à frente há uma obstrução, o único caminho é voltar por outras veias.

A veia porta é bem calibrosa, e suporta grandes fluxos de sangue. O mesmo não acontece com as veias do resto do sistema digestivo. Quando o sangue que deveria ser drenado pela veia porta, começa a retornar em grande quantidade por veias colaterais, surgem as varizes.

Reparem na foto abaixo. Vejam a circulação colateral que foi desenvolvida. As veia abdominais que são finas e recebem um fluxo baixo de sangue, agora são obrigadas a drenar todo o sangue que deveria chegar ao fígado pela veia porta.

Cirrose

Essas veias dilatadas ocorrem também nos órgãos, principalmente no estômago, intestino e esôfago. Pode-se agora entender porque um dos sinais da cirrose é a presença de varizes de esôfago, estômago e intestino.

Pronto. Entendido a parte de cima, já podemos explicar os sintomas da cirrose causados pela hipertensão porta.

a) Anemia, plaquetopenia (plaquetas baixas) e leucopenia (leucócitos baixos)

O baço tem como uma de suas funções eliminar as células do sangue que já estão velhas. Cada vez que o sangue passa pelo baço, milhares de células são removidas para que haja espaço para a chegada de novas hemácias, plaquetas e leucócitos recém-produzidos. Na hipertensão portal, o sangue que deveria sair do baço para o fígado, fica congestionado e permanece mais tempo dentro do mesmo.

Como o sangue fica represado dentro do baço, este acaba por eliminar mais células do que seria necessário. Este fenômeno é chamado de hiperesplenismo (espleno = baço), que significa a sua função exagerada.

Anemia e plaquetopenia são muito comuns na cirrose (leia: SINTOMAS DA ANEMIA)

b) Esplenomegalia

O aumento da pressão de sangue dentro do baço leva-o a aumentar de tamanho, ficando facilmente palpável ao exame físico. Chamamos este aumento de esplenomegalia. Muitas vezes a suspeita de cirrose surge quando ao exame físico detectamos um baço aumentado de tamanho.

C) Hemorragia digestiva

A presença de varizes, no estômago e principalmente no esôfago são um fator de risco para hemorragias. Esses vasos não estão preparados par receber tamanho fluxo e pressão sanguínea, podendo romper-se espontâneamente.

As hemorragias digestivas das varizes de esôfago costumam ser dramáticas, com perdas maciças de sangue através de vômitos. O paciente vomita sangue vivo em grandes quantidades.

d) Ascite (leia: O QUE É UMA ASCITE? )

Ascite

Reparem na foto acima o tamanho do abdômen do paciente. Isto é a ascite, o acumulo de água dentro da cavidade abdominal. É causado pela hipertensão porta e pela falta de albumina no sangue (explico à frente) constituindo-se em um dos sinais mais comuns da cirrose. Pode haver acúmulos de mais de 10 litros de líquido ascítico dentro da cavidade peritonial.

Uma das complicações da ascite é a peritonite, causada quando este líquido dentro da barriga infecciona. Também é um caso grave que se não for identificado e tratado a tempo pode evoluir com sepse (leia: O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ?).

Além do abdômen, pode haver acúmulo de líquidos nas pernas e no pulmão. (leia: INCHAÇOS E EDEMAS).

Os sinais e sintomas causados pela hipertensão porta costumam ser os responsáveis pelas emergências médicas nos pacientes cirróticos, principalmente a hemorragia digestiva e a peritonite.

Além da hipertensão porta, o doente com cirrose também apresenta sintomas pela falência de funcionamento do fígado em si.

e) Encefalopatia hepática

O fígado é o órgão responsável pela metabolização de inúmeras substâncias tóxicas. Quando este para de funcionar, o acúmulo de toxinas leva a alterações no sistema nervoso, que variam desde pequenas alterações mentais, até sonolência, desorientação, coma e morte.

f) Icterícia (leia: ICTERÍCIA NO ADULTO E ICTERÍCIA NEONATAL)

icterícia

icterícia

O fígado insuficiente não consegue eliminar os sais biliares que passam então a acumular na corrente sanguínea. O tom amarelado da pele e dos olhos dos pacientes com doença do fígado ocorre pela deposição da bilirrubina nos mesmos.

O excesso de bilirrubina no sangue é filtrado pelos rins, deixando a urina escura, em tom de mate ou Coca-Cola (leia: URINA COLORIDA ( VERDE, ROXA, LARANJA, AZUL...)).

A cor escura das fezes se dá pela presença de bilirrubina. Como não drenagem da mesma para os intestinos, as fazes começam a sair brancas. Portanto, urina escura e fezes claras são sinais de doença hepática.

g) Falta de proteínas.

O fígado é responsável pela produção de várias proteínas, entre elas a albumina. A falta de albumina causa edemas e ascite, além da desnutrição destes pacientes.

Outra proteína produzida no fígado é a vitamina K, relacionada a coagulação do sangue. Doentes com cirrose avançada apresentam distúrbios da coagulação que podem ser quantificadas por exames de sangue como TAP e INR (leia: CHECK-UP / EXAMES DE SANGUE)

É bom lembra que as plaquetas, que também participam da cascata de coagulação, podem estar diminuídas pelo hiperesplenismo.

Imaginem então a gravidade do quadro de um doente com problemas de coagulação, com plaquetas baixas e com suas varizes de esôfago sempre na iminência de se romperem. O paciente cirrótico quando sangra, o faz para valer, porque junta grandes quantidades de sangue associado a uma incapacidade de coagulá-lo para estancar a hemorragia.

h) Ginecomastia (leia: GINECOMASTIA MASCULINA (mama masculina))

O mau funcionamento do fígado também altera o balanço dos hormônios sexuais. O aumento do estrogênio leva ao aparecimento de mamas e perda de pêlos corporais nos pacientes masculinos.

i) Outros sintomas

Ainda existem vários outros sinais e sintomas relacionados a cirrose. Entre eles

- Câimbras (leia: TUDO SOBRE CÂIMBRAS)

- Síndrome hepato-renal. É uma insuficiência renal aguda (leia: ENTENDA A INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA ) que ocorre na cirrose avançada e geralmente indica um caso terminal. O paciente que desenvolve síndrome hepato-renal tem uma sobrevida muito curta e o único tratamento é o transplante hepático.

- Eritema palmar: Palmas das mãos avermelhadas

cirrose hepática

- Baqueteamento digital: Unhas mais anguladas, dando o aspecto de baquetas aos dedos.

Cirrose do fígado

A cirrose em fases iniciais pode ser assintomática. Nas fases finais, a maioria dos sinais e sintomas descritos acima estão presentes.

A gravidade da cirrose é normalmente descrita pela escala de Child-Pugh, baseada em parâmetros clínicos e laboratoriais.

De acordo com esses resultados, os pacientes são classificados em 3 classes: A,B e C, sendo esta última a mais grave com mortalidade em 2 anos acima de 60%.

Existe também a classificação MELD, baseada na gravidade das análises de sangue.

Tanto o Child quanto o MELD são modos de se padronizar a gravidade da cirrose, servindo também como base para a lista de transplante hepático, que é até o momento o único tratamento efetivo para a cirrose.
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Leia também:
- AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES
- SANGUE NAS FEZES E HEMORRAGIA DIGESTIVA
- HÉRNIA DE HIATO E REFLUXO GASTROESOFÁGICO
- OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA
- TUDO SOBRE GOTA E ÁCIDO ÚRICO
- INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS
- CHECK-UP / EXAMES DE SANGUE
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terça-feira, 28 de julho de 2009

TOSSE E ESCARRO COM SANGUE

Hemoptise ou escarro com sangue é um sinal de lesão das vias respiratórias. Conheça as principais causas.

A expectoração com sangue, chamada cientificamente de hemoptise, é um sinal potencialmente grave, podendo se apresentar como um quadro que varia de pequenas raias de sangue no escarro, até hemorragias maciças.

Qualquer sangramento em algum ponto das vias aéreas pode causar escarro com sangue. Inclusive pequenas lesões nasais. Por isso, o primeiro passo ao se avaliar um escarro com sangue é tentar identificar sua origem.

Sangramentos provenientes de lesões na cavidade nasal ou na própria boca normalmente têm pouca repercussão. Expectorações com sangue vindas do pulmão em geral indicam alguma doença mais grave que merece maior investigação. Também é importante diferenciar a hemoptise do sangramento vindo do sistema digestivo (hematêmese)

De um modo simples, podemos distinguir a origem do sangue da seguinte maneira:
- Eliminação de sangue pela boca junto com vômitos = Trato digestivo
- Eliminação de sangue com tosse e expectoração = Pulmões, laringe ou traquéia
- Eliminação de sangue sem tosse e sem vômitos = Cavidade oral ou nasal

Só é considerado hemoptise quando o sangramento se origina nas vias aéreas inferiores, ou seja, pulmão, traqueia ou laringe. Sangramentos de origem nasal, chamados de epistaxis, serão abordados futuramente em um texto próprio.

A partir deste ponto, toda vez que eu escrever expectoração ou escarro com sangue, estarei me referindo a hemoptise.

Hemoptise - escarro com sangue

Como pode-se ver no gráfico acima, são várias as causas de expectoração sanguinolenta.

As 2 principais são tumores e infecções. Podemos citar ainda:

Entre as infecções podemos destacar a pneumonia (leia: QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA PNEUMONIA ?), tuberculose (leia: SINTOMAS DE TUBERCULOSE ), infecções por fungos e o abscesso pulmonar.

Tuberculose ou infecções de repetição podem causar lesões permanentes nos brônquios, deixando-os dilatados e cronicamente infectados. Chamamos essa alteração de bronquiectasia.

A broquiectasia é uma causa de hemoptise de repetição. A infecção cura, mas as lesões no pulmão podem ficar para sempre.

Nos quadros infecciosos, a expectoração com sangue costuma vir acompanhada de febre, suores, calafrios e aumento dos parâmetros inflamatórios nas análises de sangue (leia: CHECK-UP / EXAMES DE SANGUE ). O padrão da radiografia de tórax e a tomografia computadorizada também ajudam.

Câncer de pulmão é outra causa comum de escarro com sangue. Podem ser tumores primários ou metástases (leia: CÂNCER (CANCRO) - SINTOMAS E DEFINIÇÕES). Uma dica para o diagnóstico é a idade mais avançada, o tabagismo (leia: COMO E PORQUE PARAR DE FUMAR CIGARRO ) e o emagrecimento contínuo. Mais uma vez os exames de imagem colaboram para definir a presença de tumores.

Uma causa menos comum de hemoptise, mas importante de se reconhecer devido a urgência com que se deve iniciar o tratamento, são as vasculites e as doenças auto-imunes como Lúpus, Síndrome de Goodpasture e a Granulomatose de Wegner (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE e LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO ( LES )).

São doenças que causam inflamações difusas dos vasos pulmonares e se apresentam normalmente associados a glomerunefrite e insuficiência renal aguda (leia: O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE ? e ENTENDA A INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA ). Se não tratadas a tempo levam ao óbito.

Uma causa comum e menos grave de hemoptise é a lesão da via aérea por crises de tosse intensas e repetidas. Depois de alguns dias de gripe e tosse contínua, a laringe pode ficar irritada e eventualmente pequenas raias de sangue podem estar presentes na expectoração.

Porém, a presença de expectoração com sangue é um sintoma potencialmente grave e deve ser sempre avaliada por um médico. Muitas vezes a história clínica, o exame físico e uma simples radiografia de tórax são suficientes para o diagnóstico. Nos casos mais difíceis, são necessários a tomografia computadorizada e a broncofibroscopia, exame feito através de um endoscópio que percorre toda a via aérea até dentro do pulmão.

O tratamento da hemoptise é sempre voltado para a sua causa. Não há um remédio específico que faça parar o sangramento, exceto quando este ocorre por alguma alteração na coagulação.
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Leia também:
- EMBOLIA PULMONAR
- CÂNCER (CANCRO) - SINTOMAS E DEFINIÇÕES
- CHECK-UP / EXAMES DE SANGUE
- SINTOMAS DE TUBERCULOSE
- QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA PNEUMONIA ?
- INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

CAUSAS E SINTOMAS DO CHOQUE ANAFILÁTICO

Aprenda a reconhecer os sintomas do choque anafilático e conheça suas causas.

A anafilaxia ou reação anafilática é uma reação alérgica grave e potencialmente fatal.

Toda alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico à alguma substância estranha ao nosso organismo. Os sintomas comuns das alergias não são causados primariamente por comidas, picadas de insetos, pólen, drogas ou qualquer outra substância alérgica. Os sintomas são causados pela ação das células de defesa chamadas de mastócitos e basófilos, pelo anticorpo do tipo IgE e pela grande liberação de uma substância chamada histamina.

Portanto, a reação alérgica é nada mais do que um tipo de reação inflamatória (leia: O que é o pus ? O que é um abscesso? O que é uma inflamação?).

O choque anafilático é a reação alérgica no seu extremo. (leia: CHOQUE CIRCULATÓRIO. O QUE É ISTO ?)

Causas de anafilaxia


  • Comidas: Derivados de leite, ovos, peixes e frutos do mar, soja, amêndoas e amendoim são os mais comuns
  • Picadas de insetos
  • Antibióticos: Derivados da penicilina são os mais comuns
  • Antiinflamatórios: Quem tem alergia a um tipo costuma ter a todos, inclusive aspirina e dipirona (metamizol) que não são propriamente do mesmo grupo
  • Anti-hipertensivos: Inibidores da ECA (ex: captopril e enalapril)
  • Látex
  • Iodo: Incluindo contrastes para exames radiológicos e anti-sépticos para pele.


Ainda existe a anafilaxia idiopática, que ocorre sem causa definida.

Obviamente que para se ter anafilaxia devido a alguma dessas substâncias, a pessoa precisa ser alérgica a elas.

Sintomas da anafilaxia

Choque anafilático

A anafilaxia costuma ocorrer em pacientes com histórico prévio de alergias à alguma substância, mas pode também acometer pessoas que nunca tiveram episódios alérgicos.

O quadro é imprevisível. Os sintomas costumam iniciar poucos minutos após o contacto com a substância alérgena, mas podem demorar até 1 hora.

Os 2 sintomas mais comuns e que ocorrem em até 90% dos casos são:

- Urticária: É uma erupção cutânea, muito pruriginosa, caracterizada por placas avermelhadas distribuídas pelo corpo.

- Angioedema: Inchaço da pele ou mucosa. Os mais comuns são os edemas em volta dos olhos, nos lábios, na língua. O mais perigoso é o edema da laringe, também conhecido como edema de glote.

Urticária
Urticária - Anafilaxia

Angioedema dos lábios + urticária
Angioedema e urticaria - Anafilaxia

Angioedema dos lábios e olhos + urticária
Anafilaxia

Outros sintomas que também podem ocorrer:
- Asma
- Conjuntivite
- Congestão nasal
- Comichão generalizado
- Náuseas e vômitos
- Tonturas
- Hipotensão e/ou síncope (Leia: DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL)

É importante salientar que nem toda urticária ou angioedema significa necessariamente um episódio de anafilaxia. Um quadro de urticária, mesmo que generalizada, sem angioedema ou alguns dos sintomas descritos acima, não se caracteriza como anafilaxia. Do mesmo modo, um angioedema isolado, também não. Quadros de alergia são comuns, mas anafilaxia ou choque anafilático propriamente ditos, são eventos raros.

Nos casos mais graves onde o paciente desenvolve dificuldade respiratória e choque circulatório, pode-se evoluir rapidamente para o óbito se não for tratado a tempo. Esses casos mais sérios de choque anafilático normalmente ocorrem após infusão de medicamentos por via venosa ou picadas de insetos.

Muitas vezes a reação anafilática é bifásica, ou seja, apresenta uma recaída dentro de 48-72h do primeiro episódio.

Não se consegue prever quando uma pessoa vai desenvolver um choque anafilático, porém alguns pessoas apresentam mais riscos que outros, principalmente pacientes com antecedentes de asma ou com episódio anterior de alergia à alguma substância.

Doentes com histórico de insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS) ou DPOC (bronquite crônica / enfisema pulmonar), correm maiores riscos de morte quando apresentam um quadro de anafilaxia.

Tratamento do choque anafilático

O paciente com sintomas de anafilaxia deve ser imediatamente levado para um hospital. Quadros novos de angioedema ou urticárias também devem ser avaliados por um médico, pois não há como prever se eles evoluirão para choque anafilático ou não. A evolução costuma ser rápida e por isso não se deve perder tempo.

O tratamento é feito com adrenalina, corticóides (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICÓIDES), broncodilatadores e anti-histamínicos.

Alguns pacientes com história conhecida de reação anafilática carregam consigo uma seringa automática de adrenalina para auto-administração em casos de urgência.

Todo mundo que já tenha apresentado algum reação anafilática deve ser consultado por um alergologista. É importante também andar com alguma identificação da doença, como uma pulseira, para o caso do paciente estar inconsciente e não poder fornecer história no momento do atendimento médico.
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Leia também:
- CHOQUE CIRCULATÓRIO. O QUE É ISTO ?
- DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL
- O que é o pus ? O que é um abscesso? O que é uma inflamação?
- DENGUE E SEUS SINTOMAS
- PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS
- PRESSÃO BAIXA EXISTE ?
- AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS DOS ANTIINFLAMATÓRIOS
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terça-feira, 21 de julho de 2009

ENTENDA A INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA

Entenda o que é insuficiência renal e quais suas consequências.



Insuficiência renal é o termo que se aplica quando os rins não conseguem desempenhar suas funções adequadamente.

A insuficiência renal pode ser crônica ou aguda. A primeira ocorre quando a perda de função dos rins é permanente e geralmente progressiva; A segunda é um processo que ocorre subitamente e costuma ter duração inferior a 3 meses, podendo haver recuperação completa ou não da função renal.

Uma insuficiência renal aguda pode ser transformar em crônica se a lesão for muito grave e não houver recuperação completa. Do mesmo modo, uma pessoa com insuficiência renal crônica e função baixa mas estável, pode sofrer alguma agressão em seus rins, agudizando sua insuficiência renal e levando a uma abrupta queda na sua função.

Antes de falar de insuficiência renal aguda propriamente dita, cabem algumas explicações.

Os 2 rins filtram em média 180 litros de sangue por dia, mais ou menos 120 ml por minuto. Esse valor é chamado de clareamento renal (clearance renal) ou taxa de filtração glomerular (glomérulo é a unidade básica do rim, assim como o neurônio é a do cérebro)

Uma função renal normal é aquela que se situa entre 70 e 140 ml/min de sangue filtrado por dia. Esse valor varia com idade, tamanho e sexo. Quando o clearance é menor que 70ml/min temos insuficiência renal e quando é maior que 140 ml/min chamamos de hiperfiltração, que também é um sinal de doença renal (muito comum em diabéticos)

Conforme envelhecemos, nossos rins também diminuem a sua capacidade de funcionamento. Idosos chegam a ter rins 30% menores do que quando eram jovens. Por isso, não é de se estranhar que pessoas mais velhas possam ter taxas de até 60 ml/min sem necessariamente terem alguma doença nos rins. São rins "sadios", porém velhos e menos resistentes a injúrias.

Para efeito prático, consideramos insuficiência renal crônica quando a taxa de filtração glomerular permanece abaixo de 60 ml/min por mais de 3 meses e insuficiência renal aguda uma queda abrupta de pelo menos 25% na função renal, independente do valor prévio.

Como em média os rins filtram algo em torno de 100 ml/min de sangue, muitas vezes os médicos usam o valor em percentual para facilitar a compreensão. Deste modo, uma taxa de filtração de 50 ml/min pode ser considerada como rins que funcionam 50%

Quando falamos em função renal estamos sempre falando nos 2 rins. Se o médico te disser que sua função renal é de 40% ou 40 ml/min, isso significa a função total dos 2 rins juntos.

Não existe um modo de medir a filtração renal diretamente, por isso lançamos mão de exames laboratoriais. Um deles é a urina de 24 horas, onde se colhe em uma ou mais garrafas, toda a urina eliminada durante um dia inteiro. Essa urina é então enviada para um laboratório que consegue avaliar a taxa de filtração renal. Este exame é muito chato de se fazer, além de ser muito comum o paciente cometer algum erro de coleta durante o dia. Por isso, hoje em dia prefere-se avaliar a função através da dosagem da creatinina no sangue (leia: VOCÊ SABE O QUE É CREATININA ? para mais informações).

Com os valores de creatinina no sangue podemos estimar a função renal através de cálculos matemáticos. Normalmente os laboratórios já fazem automaticamente esse cálculo e o resultado vem sob o nome de clearance de creatinina.

O clearance de creatinina é igual a taxa de filtração glomerular.

Bom, feitas as explicações, vamos ao que interessa.

INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA

A insuficiência renal aguda ocorre quando há alguma injúria renal com rápida queda na função dos rins. Esta se reflete por uma rápida elevação no valor da creatinina sanguínea. Como já referido, ela pode ocorrer tanto em pessoas com rins normais como em insuficientes renais crônicos.

Em casos mais graves os pacientes podem evoluir com necessidade de hemodiálise em apenas 24 a 48 horas (leia: O QUE É HEMODIÁLISE? COMO ELA FUNCIONA? ).

Normalmente indica-se hemodiálise quando a função renal cai abaixo de 20 ml/min ou quando há sinais claros de ausência de função renal como acidose sanguínea grave, excesso de potássio no sangue, alterações neurológicas pela insuficiência renal, ou quando o paciente urina menos de 100 ml em 24 horas.

As principais causas de insuficiência renal aguda são:

- Choque circulatório (leia: CHOQUE CIRCULATÓRIO. O QUE É ISTO ?)
- Sepse (O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ?)
- Desidratação
- Queimaduras extensas
- Excesso de diuréticos (leia: PARA QUE SERVEM OS DIURÉTICOS ?)
- Rabdomiólise (lesão muscular extensa com em caso de politrauma)
- Obstrução renal por uma próstata aumentada (leia: SINTOMAS DO CÂNCER DE PRÓSTATA)
- Insuficiência cardíaca grave (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS )
- Glomerulonefrite aguda (leia: O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE ?)

Várias drogas são tóxicas para os rins, podendo levar a insuficiência renal aguda:

- Antiinflamatórios (leia: AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS DOS ANTIINFLAMATÓRIOS)
- Antibióticos, principalmente da família dos aminoglicosídeos (gentamicina e amicacina por ex.)
- Alguns quiomeoterápicos
- Contraste a base de iodo para exames radiológicos
- Lítio
- Aciclovir
- Heroína
- Agrotóxicos
- Carambola
- Ervas chinesas

Se quiser saber mais sobre drogas que atacam os rins, leia: REMÉDIOS QUE PODEM FAZER MAL AOS RINS

Algumas causas de insuficiência renal aguda são evitáveis, principalmente em pessoas com função renal já debilitada ou idosos. Um bom exemplo é não abusar dos antiinflamatórios e evitar exames radiológicos com contrastes venosos a base de iodo neste grupo de pacientes.

Nem todo mundo que desenvolve insuficiência renal aguda precisa de hemodiálise. Quanto mais jovem e saudável for o paciente, maiores as chances de seus rins aguentarem injúrias severas. Do mesmo modo, nem toda injúria renal é suficientemente grave para causar uma grande perda da função dos rins.

Imaginem uma pessoa com taxa de filtração de 120 ml/min que sofre uma intoxicação grave por alguma substância nefrotóxica (tóxica para os rins), perdendo 60 ml/min de sua função renal. Ela ainda ficará com uma filtração de aproximadamente 60 ml/min o que é suficiente para mantê-la fora da hemodiálise. Já a mesma situação em um paciente idoso ou em alguém já com doença renal conhecida e uma taxa de filtração prévia entre 40 e 60 ml/min com certeza terminaria na hemodiálise.

A recuperação da insuficiência renal aguda depende de vários fatores, entre eles idade, associação com outras doenças e função renal prévia antes da injúria. Alguns recuperam a função completamente, outros ficam com função permanentemente abaixo de 60 ml/min , e há ainda aqueles que nada recuperam, ficando dependentes de hemodiálise para o resto da vida.

A insuficiência renal é uma complicação comum de doentes graves, principalmente aqueles internados em CTI (leia: ENTENDA O QUE ACONTECE COM PACIENTES NO CTI (UTI)), e é um dos principais fatores que aumentam a taxa de mortalidade neste grupo.

Qualquer pessoa que apresente alguma agressão renal pode evoluir com insuficiência renal aguda, mas ela é mais comum e mais grave quando ocorre em pacientes com doença renal prévia.
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Leia também:
- VOCÊ SABE O QUE É CREATININA ?
- ENTENDA A BIÓPSIA RENAL
- REMÉDIOS QUE PODEM FAZER MAL AOS RINS
- O QUE É HEMODIÁLISE?
- O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE ?
- URINA EM EXCESSO. O QUE PODE SIGNIFICAR ?
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sexta-feira, 17 de julho de 2009

SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)

Saiba quais são os sintomas iniciais da infecção pelo HIV e quais doenças definem a AIDS (SIDA)

Ao contrário do que muita gente pensa, ser portador do HIV não é igual a ter AIDS (SIDA). Para o diagnóstico de AIDS é preciso além da presença do vírus, a coexistência de doenças pela imunossupressão. Algumas pessoas podem ter HIV durante anos e não desenvolver AIDS.

Logo após a contaminação pelo vírus, pode ocorrer um quadro chamado de infecção aguda pelo HIV, que nada tem a ver com AIDS.

Neste texto vou falar sobre 2 quadros clínicos causados pelo HIV: a.) Infecção primária ou aguda pelo HIV e b.) AIDS

a.) INFECÇÃO AGUDA PELO HIV

Uma grande quantidade de sinais e sintomas podem estar associados a infecção aguda pelo HIV. Muitos deles sintomas inespecíficos que ocorrem comumente em uma gama de outros quadros infecciosos, como pode-se ver na figura abaixo

Sintomas HIV

O sintoma mais comum é a febre (38ºC a 40ºC), que ocorre em mais de 80% dos casos.

Também muito comuns são:

  • Faringite sem aumento da amígdalas e sem presença de pus ( leia: DOR DE GARGANTA - FARINGITE E AMIGDALITE )
  • Lesões de pele (rash) que ocorrem 48 a 72h após o início da febre e costumam durar entre 5 e 8 dias. Este rash costuma se apresentar como lesões arredondadas, menores que 1 cm, avermelhadas, com discreto relevo e distribuídas pelo corpo, principalmente no tórax, pescoço e face. Também podem acometer solas dos pés e palmas das mãos.
  • Aumento de linfonodos (inguas) principalmente em axilas e pescoço.
  • Dores articulares, musculares e cefaléia (leia: DOR DE CABEÇA - ENXAQUECA, CEFALÉIA TENSIONAL E SINAIS DE GRAVIDADE)

Em 10% dos casos pode-se ter também aumento de fígado e/ou baço, úlceras orais, anais e genitais, diarréia e vômitos (podendo levar ao emagrecimento de até 5 kg).

A úlceras parecem estar relacionadas ao ponto de entrada do vírus nas mucosas, semelhante ao que ocorre na sífilis (leia: SINTOMAS DA SÍFILIS). Úlceras orais indicam contaminação por sexo oral ativo e a úlceras anais por sexo anal passivo. Do mesmo modo, também pode haver úlceras vaginais e penianas.

Existem também casos descritos de hepatite, pneumonia e pancreatite (leia: PANCREATITE CRÔNICA E PANCREATITE AGUDA) causados pela infecção aguda do HIV.

Em raros casos também pode ocorrer candidíase oral ou vaginal.

Tipicamente os sintomas de infecção aguda pelo HIV iniciam-se entre 2 e 4 semanas após a exposição. Porém, já foram descritos casos com até 10 meses de intervalo.

Como se pode notar, são todos sintomas inespecíficos e nenhum deles consegue definir o diagnóstico de infecção aguda pelo HIV. Mais importante que os sintomas em si, é o tempo de intervalo entre o comportamento de risco (sexo sem preservativos ou compartilhamento de agulhas) e o aparecimento dos mesmos.

De qualquer modo, o diagnóstico não é clínico já que várias doenças têm o mesmo quadro, sendo necessário a realização das sorologias ou da pesquisa do vírus para confirmação (leia: SOROLOGIA PARA HIV / AIDS. COMO E QUANDO TESTAR ?).

Os pacientes na fase aguda do HIV apresentam carga viral elevadíssima estando portanto altamente contagiosos neste momento(leia: SAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS (SIDA)).

O quadro de infecção aguda pode durar até 2 semanas.

b.) SINTOMAS DA AIDS (SIDA)

O término da infecção aguda costuma coincidir com a positivação da sorologia pela produção de anticorpos específicos contra o HIV. Nesta fase a carga viral cai e se estabiliza em níveis baixos durante muitos anos.

O HIV ataca principalmente as células de defesa chamadas de linfócitos CD4. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA ou AIDS) é um quadro de imunossupressão e infecções oportunístas devido aos níveis baixos de linfócitos CD4.

Chamamos de infecção oportunista aquelas que ocorrem aproveitando-se da queda no nosso sistema imunológico. Infecções oportunistas existem não só na AIDS, mas também em doentes transplantados, em quimioterapia, com câncer, ou qualquer outra condição que leve a imunossupressão.

Para se estabelecer o diagnóstico de AIDS é preciso estar infectado pelo HIV e:
1.) ter uma contagem de linfócitos CD4 menor que 200 células/mm3; ou
2.) apresentar uma das doenças definidoras de AIDS, que são:

  • Candidíase pulmonar ou traqueal
  • Candidíase de esôfago (leia: O QUE É A CANDIDÍASE ?)
  • Câncer de colo uterino invasivo
  • Coccidioidomicose disseminada (uma infecção fúngica)
  • Criptococose extra-pulmonar (também infecção fúngica)
  • Criptosporíase intestinal (doença parasitária)
  • Citomegalovirus (doença viral)
  • Encefalopatia do HIV
  • Herpes simples crônica (mais de 1 mês de duração) ou disseminada (leia: DST - HERPES LABIAL E GENITAL)
  • Histoplasmose disseminada (infecção fúngica)
  • Isosporiase intestinal crônica (doença parasitária)
  • Sarcoma de Kaposi's (neoplasia típica da AIDS)
  • Linfoma de Burkitt
  • Linfoma do sistem nervoso central (leia: O QUE É UM LINFOMA ? )
  • Infecção disseminada por Mycobacterium avium complex (infecção bacteriana)
  • Tuberculose disseminada (leia: SINTOMAS DE TUBERCULOSE )
  • Pneumonia pelo fungo Pneumocystis carinii (também chamado Pneumocystis jirovecii)
  • Pneumonia recorrente (leia: QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA PNEUMONIA ? )
  • Leucoencefalopatia multifocal recorrente (doença viral)
  • Sepse por salmonella (leia: O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ?)
  • Toxoplasmose cerebral
  • Síndrome consuptiva (emagrecimento) do HIV

As doenças listadas acima são típicas de pacientes com imunossupressão, não necessariamente por AIDS, mas a sua presença indica obrigatoriamente a investigação do HIV.

Não existe um quadro clínico único da AIDS. O quadro clínico vai depender do tipo de doença que se desenvolver e os órgãos afetados. Se você me perguntar qual os sintomas da AIDS, eu vou responder, depende.

A imunossupressão além de facilitar o surgimento de infecções, também aumenta a frequência de neoplasias malignas. Cânceres como o de colo uterino (leia: SINTOMAS DO HPV E CÂNCER DO COLO DO UTERO) se tornam extremamente agressivos e linfomas são muito mais frequêntes na AIDS que em pessoas sadias. Outros como o Sarcoma de Kaposi são típicos de imunossuprimidos, principalmente em homossexuais. (leia: CÂNCER (CANCRO) - SINTOMAS E DEFINIÇÕES)

Aquela imagem do paciente com AIDS, caquético, cheio de lesões de pele e candidíase oral, já não é mais tão comum. O tratamento avançou muito nos últimos anos e boa parte dos doentes mantém seus níveis de CD4 elevados, impedindo a ocorrência de infecções oportunistas.

Mas o HIV ainda não tem cura e ainda mata. Na verdade, quem leva ao óbito não é o HIV, mas sim as infecções oportunísticas e neoplasias secundárias a imunossupressão.
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Leia também:
- SOROLOGIA PARA HIV / AIDS. COMO E QUANDO TESTAR ?
- SAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS (SIDA)
- ENTENDA O QUE ACONTECE COM PACIENTES NO CTI (UTI)
- O QUE É ANEMIA ?
- SINTOMAS DA SÍFILIS
- DST - GONORRÉIA E CLAMÍDIA
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terça-feira, 14 de julho de 2009

O QUE É HEMODIÁLISE? COMO ELA FUNCIONA?

Um dos tratamentos que mais causa pavor nos pacientes é a hemodiálise. O medo ocorre principalmente pela falta de informação sobre o método. Saiba tudo sobre este procedimento

A hemodiálise (HD) é um dos maiores avanços da medicina. Os rins são os únicos órgãos nobres que podem ser substituídos, ainda que não perfeitamente, por uma máquina. Se você tem uma falência do coração, do cérebro, dos pulmões, do fígado etc... e não se submeter a um transplante de órgãos, o seu destino será impreterivelmente a morte. Se seu rim entrar em falência, você passará a fazer diálise e ainda poderá viver e ser produtivo por muitos anos.

Agora, é agradável fazer diálise? Com certeza não. Mas o tratamento tem que ser encarado como uma oportunidade de vida em uma doença que há poucas décadas era fatal. Hoje as pessoas dialisam e levam uma vida próxima do normal, podem sair, trabalhar, ir ao cinema, viajar, praticar exercícios, jantar fora etc...

90% dos pacientes em hemodiálise afirmam que o método não é tão ruim quanto imaginavam. Alguns inclusive nem se interessam por entrar na fila do transplante de tão bem adaptados que ficam.

A diálise parece complexa, mas é extremamente simples. Aprendemos diálise no colégio, mas ninguém conta isso para a gente.

Vamos recordar as aulas de biologia, quando aprendemos o conceito de osmose, difusão e transporte passivo. Tá difícil? Então uma rápida lembrança.

COMO FUNCIONA A HEMODIÁLISE?

Toda vez que 2 líquidos com concentrações diferentes de uma determinada substância, são separados por uma membrana permeável (ou seja, contenha poros), a tendência é que elas se equilibrem. Após algum tempo, a concentração da substância fica igual dos 2 lados.

Isso só ocorre se as moléculas da suposta substância forem menores que os poros da membrana. Pense na membrana como uma esponja fina.

Reparem no desenho abaixo. São dois líquidos separados por uma membrana com poro de um fictício tamanho 3. De um lado temos três moléculas de tamanhos diferentes. A vermelha que é maior que o poro (tamanho 4), a amarela que é um pouco menor (tamanho 2,5), e a azul que é bem menor (tamanho 1)

Hemodiálise
A molécula azul passa facilmente entre os poros e rapidamente entra em equilíbrio. A amarela por ser apenas pouco menor que o poro, demora um pouco mais, mas acaba por equilibrar-se. Já a vermelha é maior que o poro, e não importa quanto tempo demore, ela nunca irá se equilibrar.

Se você entendeu esse conceito, você já entendeu como funciona a diálise.

Existe a hemodiálise que é feita pelo sangue com um filtro artificial, e a diálise peritoneal, que usa o peritônio, uma membrana que envolve os órgãos abdominais, como filtro.

Vou me ater só a hemodiálise neste texto.

Então como funciona a hemodiálise ? Veja o gráfico.
Hemodiálise
O paciente insuficiente renal é ligado à uma máquina que puxa seu sangue através de uma bomba circuladora. Esse sangue passa por um filtro que possui uma membrana semipermeável, que retira as toxinas e as substâncias em excesso, e devolve o sangue limpo para o paciente. Existe infusão de heparina para evitar que o sangue coagule dentro do sistema.

Reparem no filtro abaixo. No centro fica o sangue cheio de toxinas e em volta o líquido da diálise (chamado de banho de diálise) sem nenhuma toxina. Eles ficam separados por uma membrana porosa que permite a troca de moléculas. O sangue rico em toxinas, através da membrana do filtro, passa estas substâncias para o banho de diálise que não contém toxina nenhuma.

Se este fosse um processo estático, depois de um tempo aquele sangue em contato com o banho se equilibrariam e não haveria mais trocas. Mas o processo é dinâmico, com o sangue correndo em direção contrária ao banho. Como eles estão em circulação, a diferença de concentração é sempre grande, e não ocorre equilíbrio nunca, pois há sempre sangue saturado de toxinas chegando de um lado e líquido de diálise limpo chegando do outro. Após as trocas, o sangue limpo retorna ao paciente e o banho cheio de toxinas é desprezado.
Hemodiálise
Do mesmo modo que ocorreu no primeiro gráfico, moléculas pequenas passam rapidamente de pelo filtro, as médias demoram algumas horas e as grandes não são filtradas. O poro da membrana tem que ter um tamanho que consiga filtrar a maioria das toxinas, mas também impeça a filtração de moléculas importantes como as proteínas e vitaminas que costumam ser grandes. Infelizmente não existe dialisador perfeito, e para evitar essas perdas, algumas substâncias tóxicas de grande tamanho acabam não sendo dialisadas.

Do mesmo modo que o excesso de algumas substâncias são filtradas, o excesso de água acumulado pela falta de urina, também é retirado durante uma sessão de HD. Em geral, de 1 a 4 litros por sessão. Esse processo é chamado de ultrafiltração.

Uma sessão de hemodiálise convencional para pacientes renais crônicos dura 4 horas. Este é o tempo necessário para a filtragem da maioria das moléculas desejadas e de uma ultrafiltração que não provoque queda da pressão arterial . Em geral são realizadas 3 sessões por semana.

Na insuficiência renal aguda, que acontece em pessoas com rins previamente normais que são atacados por algum evento como um sepse ou intoxicação, as sessões de diálise são mais intensas, podendo durar horas e serem diárias. Normalmente são doentes muito graves e internados em CTI.

COMO SE RETIRA O SANGUE PARA HEMODIÁLISE?

Um dos inconvenientes da HD é a punção de uma vaso para puxar, e outro para devolver o sangue. A simples punção de uma veia comum não funciona por 2 motivos. O primeiro é o baixo fluxo e pressão de sangue das veias periféricas. Segundo porque estas apresentam paredes mais frágeis e depois de várias punções repetidas, ficariam inutilizáveis.

As artérias possuem fluxo e pressão elevadas, além de uma parede mais forte. Porém, elas são profundas e de difícil punção.

A solução para esse problema veio através da construção das fístulas artério-venosas. Doentes em diálise são submetidos a uma pequena cirurgia vascular onde se liga uma artéria a uma veia, criando um vaso periférico, com alto fluxo e mais resistente a punções repetidas.

A veia quando passa a receber o alto fluxo da artéria, começa a se desenvolver, crescendo e engrossando sua parede. Com o tempo a fístula adquire o aspecto mostrado na foto abaixo. Trata-se de um grande vaso bem visível, com alto fluxo e pressão de sangue e facilmente puncionável.

Hemodiálise

O problema da fístula é que esta precisa de pelo menos um mês para se tornar apta a punção pelas grossas agulhas da hemodiálise.

Nem todos os pacientes podem esperar por este intervalo para começar a dialisar. Neste caso lança-se mão do cateter de hemodiálise. Este cateter é introduzido geralmente na veia jugular interna, localizada no pescoço, e prolonga-se até a veia cava, que fica na entrada do coração. è um procedimento de 30 minutos e o paciente pode seguir imediatamente para hemodiálise.

Hemodiálise

Reparem no desenho acima. Tudo o que está abaixo da grande seta azul fica para fora do corpo. O resto fica internamente. O cateter possui 2 vias, uma para levar o sangue até a máquina de hemodiálise e outra para devolvê-lo. Enquanto a fístula não estiver pronta, o paciente dialisa pelo cateter.

Então porque não utilizar o cateter sempre ? Apesar de já existirem cateteres de longa duração, que podem permanecer por alguns meses, eventualmente todos eles em algum momento serão infectados por bactérias residentes na nossa pele. Através do cateter essas bactérias conseguem acesso a nossa circulação sanguínea podendo levar a um quadro grave de sepse (leia: O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ? ).

O catater também não consegue fluxos de sangue bons, não proporcionando uma hemodiálise tão eficiente quanto a fístula.

Portanto, o cateter de hemodiálise é uma solução provisória, e deve ser sempre substituído pela fístula o mais rápido possível.

A HEMODIÁLISE SUBSTITUI OS RINS PERFEITAMENTE?

Não. O problema é que o rim não é apenas um mero filtro do sangue, ele exerce várias outras funções no nosso organismo.

Quais são essas funções e como a diálise substitui o rim nesses casos ?

1.) Controle da água corporal

Os rins, através da urina, mantém sempre o nível de água corporal mais ou menos constante. Se estamos desidratados, urinamos menos. Se ingerimos muita água, urinamos mais.

A hemodiálise quando bem feita consegue manter um balanço razoável de água. O processo de retirada de água na HD é chamado de ultrafiltração (UF). Como a maioria dos doentes em diálise já não mais urina, toda água ingerida fica no organismo até a próxima sessão de HD.

Em geral, o corpo tolera uma ultrafiltração de no máximo 4 litros por sessão de hemodiálise (1 litro por hora). Uma ultrafiltração maior pode levar a hipotensão.

Portanto, o paciente renal crônico em HD deve controlar a ingestão de líquidos para não ganhar mais do que 1 kg por dia (1 litro de H2O = 1 kg). Alguns doente não fazem nenhum tipo de controle e às vezes chagam para hemodiálise com 6-7 kg acima do peso. Em geral não toleram retirar todo esse excesso durante a HD e voltam para casa com líquido a mais.

Se o doente permanecer sempre ganhando mais peso do que consegue perder, começam a surgir hipertensão grave, edema das pernas, falta de ar, e em alguns casos, edema agudo do pulmão, uma condição grave, onde o pulmão fica encharcado de água e o paciente morre como se estivesse se afogando (leia: INCHAÇOS E EDEMAS)

2.) Controle do nível de eletrólitos (sais minerais tipo sódio, potássio e fósforo)

Alguns eletrólitos do sangue como potássio (K+) e sódio (Na+) são facilmente dialisados. Outros como o fósforo, são substâncias que ficam muito mais dentro das células do que na corrente sanguínea, e por isso, são dialisados menos eficientemente.

É importante lembrar que a diálise é feita apenas 3x por semana nos renais crônicos, portanto, mesmo as substâncias facilmente dialisáveis como o potássio, sofrem acumulo durante o período interdialítico. E quando em excesso, o potássio pode levar a arritmias cardíacas e morte súbita. Para se evitar esse problema, o doente renal crônico deve ter uma dieta pobre em potássio.

Os rins são muito mais eficientes no controle do fósforo do que a hemodiálise. Por isso, o paciente em HD também deve controlar o ingestão e usar medicamentos que impeçam a absorção do fósforo contido nos alimentos (Carbonato de cálcio ou Renagel).

O excesso de fósforo está associado a uma maior taxa de lesões nos ossos, complicações cardiovasculares e de mortalidade na diálise. O rim trabalha 24 horas por dia durante 7 dias da semana para controlar os níveis dos eletrólitos. A HD só o faz por 4 horas por dia e 3x por semana. Não se pode consumir o mesmo tipo de comida nos dois casos. O doente renal crônico tem que ter uma dieta específica.

3.) Controle do pH do sangue

O controle dos ácidos no organismo segue o mesmo pensamento dos eletrólitos. O corpo produz substâncias ácidas ininterruptamente e o rim as elimina conforme necessário. O doente renal crônico só consegue eliminá-las 3x por semana e passa a maior parte do tempo com o sangue mais ácido do que o normal. O excesso de ácido no sangue leva a uma maior lesão dos ossos, maior consumo de músculo e diminuição da função de várias células no organismo.

4.) Controle da pressão arterial

A pressão arterial no doente em HD está intimamente ligada a quantidade de água corporal. Doentes que não controlam a quantidade de sal que comem, sentem mais sede uma vez que não há rim para eliminar o excesso de sódio. O doente com sede bebe mais água e costuma ganhar mais líquido do que consegue retirar na HD, como explicado no item 1.

Os doentes bem dialisados e que fazem controle da ingestão de água, costumam ter pressões arteriais normais, mesmo sem medicações anti-hipertensivas e ausência de edemas no corpo.

5.) Síntese de hormônios que estimulam a produção de hemácias (glóbulos vermelhos)

Os rins produzem um hormônio chamado de eritropoetina, que estimula a medula óssea a produzir as hemácias. O rim do renal crônico não consegue produzi-la e o resultado final é o surgimento de anemia.

O renal crónico com anemia deve tomar injeções de eritropoetina artificial para manter níveis aceitáveis de glóbulos vermelhos. O valores de hemoglobina desejáveis no renal crônico estão entre 11 e 12 g/dl (um pouco abaixo do normal na população normal).

Doentes insuficientes renais crônicos também apresentam ferro sanguíneo mais baixo, e sua reposição às vezes se faz necessária para correção da anemia.

6.) Controle da saúde dos ossos através da produção de vitamina D

O rim ativa a vitamina D, que por sua vez, controla a saúde dos ossos. O paciente renal crônico apresenta carência desta vitamina, que junto com o hiperparatireoidismo (funcionamento excessivo da paratireóide), leva a lesões graves do ossos.

Os pacientes em diálise podem precisar de vitamina D sintética e medicamentos que inibam a função a paratireóide (Cinacalcet). Em casos mais graves pode ser preciso inclusive a retirada cirúrgica da paratireóide (não confundir com a tireóide)

Como vocês podem ver, a hemodiálise está longe de ser um perfeito substituto para o rim.

O rim normal filtra 100ml de sangue por minuto => 6000 ml (6 litros) por hora => 144000 ml (144 litros) por dia => 1008000 ml (1008 litros) por semana.

A diálise em média filtra 300 ml de sangue por minuto => 18000 ml (18 litros) por hora => 72000 ml (72 litros) por 4 horas de HD => 216000 ml ( 216 litros) por semana em 3 sessões de HD.

Ou seja, em 1 semana o rim normal filtra 1008 litros de sangue enquanto que, 3 sessões de HD apenas 216 litros, quase 5x menos. Apesar de não ser o ideal, a HD é suficiente para manter o paciente vivo e produtivo.
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sexta-feira, 10 de julho de 2009

ENTENDA A VARICOCELE

Entenda o que é a varicocele, suas consequências e tratamentos

A varicocele é causada pela dilatação das veias que drenam o sangue dos testículos. Podemos dizer que são varizes das veias testiculares. É um problema tão comum que acomete até 15% da população adulta jovem. O pico de incidência ocorre entre os 15 e 25 anos.

Na maioria das vezes a varicocele ocorre no lado esquerdo da bolsa escrotal, acometendo o testículo esquerdo. Existe uma explicação bem simples para tal fato.

Reparem na figura abaixo como há diferença entre as veias testiculares esquerda e direita. Enquanto a veia direita desemboca na calibrosa veia cava em um ângulo de 45º, a veia testicular esquerda drena para a veia renal esquerda, de menor calibre e com uma angulação de 90º, o que dificulta o escoamento do sangue.

Lembrando que as artérias são os vasos que levam o sangue para os órgãos e as veia os que o trazem de volta ao coração. Quando a drenagem venosa não é feita corretamente, o sangue acaba ficando represado.



Portanto, a varicocele é uma insuficiência na drenagem de sangue do testículo, que leva ao represamento sanguíneo e ao aumento do volume das veias. Como já foi dito, é nada mais do que uma variz.



fonte: http://www.vivita.com.br/infertilidade_masculino.asp

Existe uma graduação da varicocele.

  • Grau I - varicocele pequena e palpável apenas com aumento da pressão abdominal. (tossir ou assoprar contra uma resistência)
  • Grau II - varicocele média e palpável.
  • Grau III - varicocele grande, não só palpável como visível.

Abaixo podemos ver dois exemplos de varicocele grau III




Na maioria das vezes, a varicocele é assintomática. Quando há sintomas, o mais comum é a dor testicular e uma sensação de peso na bolsa escrotal que piora em pé e alivia ao deitarmos. Isso faz todo o sentido uma vez que quando deitamos, o sangue não precisa vencer a gravidade para voltar ao coração e a drenagem é deste modo facilitada.

Mas a dor não é o pior problema da varicocele, mas sim o risco de infertilidade. Ao tocar no saco escrotal, podemos notar que eles tem uma temperatura mais baixa que o resto do corpo. Se vocês repararem, os testículos são órgãos que ficam fora do corpo. Isto ocorre porque os mesmos funcionam melhor em temperaturas mais baixas que a do nosso organismo. Quando ocorre a varicocele, esse represamento de sangue na bolsa escrotal aumenta a temperatura da mesma, causando estresse para ambos os testículos.

O resultado final é uma queda na taxa de espermatozóides (oligospermia) e grande diminuição na sua mobilidade, levando por fim, à infertilidade.

Pelo mesmo motivo também pode ocorrer a atrofia testicular.

Quando a varicocele inicia-se após os 40 anos é importante investigar a presença de uma neoplasia intra-abdominal que possa estar comprimindo a veia testicular e causando a dilatação.

O diagnóstico da varicocele é feito através do exame físico e confirmado pelo ultra-som, que pode também, se for necessário, avaliar a presença de massas abdominais.

Tratamento da varicocele

O tratamento é indicado naqueles que apresentam sintomas, infertilidade ou sinais de atrofia do testículo.

Existem 3 opções:

1.) Cirurgia aberta: A cirurgia aberta é um procedimento simples, normalmente realizado com anestesia geral (em alguns casos com anestesia local). Dura 45 minutos e o paciente costuma ter alta no dia seguinte.

Devido ao edema, indica-se o uso de um apoio para a bolsa escrotal durante alguns dias. O paciente deve evitar esforço físico por 2 a 4 semanas. Relações sexuais somente após 10 dias.

2.) Cirurgia laparoscópica: É menos usada pois, neste caso, possui tempo operatório maior e alta hospitalar costuma demorar 48 horas. A única vantagem é uma incisão menor.

3.) Embolização da varicocele: É um processo não cirúrgico, semelhante a um cateterismo. Não é preciso anestesia geral (na maioria das vezes apenas sedação) e o procedimento dura apenas 1 hora em média.
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- TUDO SOBRE DENGUE E SEUS SINTOMAS
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sábado, 4 de julho de 2009

PROLAPSO DA VÁLVULA MITRAL

Entenda o que é, e saiba quais os sintomas do prolapso da válvula mitral.
Prolapso mitral - coração normal
Bom, como sempre, para entendermos uma doença, é preciso saber como é que funciona um órgão quando não está doente.

Veja o desenho acima. O coração tem 4 câmaras: 2 átrios e 2 ventrículos. O coração também possui 4 válvulas ou valvas: Aórtica, mitral, tricúspide e pulmonar. As válvulas são estruturas localizadas na saída de cada uma das 4 câmaras cardíacas e impedem que o sangue bombeado retorne para a câmara que o expulsou.

A válvula mitral, objeto de explicação deste texto, fica localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. Quando o átrio esquerdo se contrai, a válvula mitral se abre, permitindo a passagem do sangue para o ventrículo esquerdo. Quando este se enche, é sua vez de contrair, empurrando o sangue em direção a artéria aorta. Neste momento a válvula aórtica se abre e a mitral se fecha, impedindo que o sangue volte para o átrio esquerdo. Deste modo, o sangue segue sempre em uma direção apenas.

Reparem na figura abaixo que a válvula mitral é composta por 2 folhetos e a aórtica por 3. Estes folhetos se abrem como aquelas portas de saloon em filmes de Velho Oeste. Quando o sangue termina de passar, se fecham, encostando firmemente um folheto no outro.

Prolapso mitral - válvula aórtica e mitral

Quando há algum problema no fechamento de uma das válvulas, permitindo retorno de sangue para uma das câmaras, chamamos de regurgitação ou insuficiência. Quando o problema é na abertura da válvula, que não é suficiente para permitir a passagem de sangue, chamamos de estenose. Portanto se o problema for na mitral, teremos uma insuficiência mitral ou uma estenose mitral. O mesmo raciocínio vale para as outras 3 válvulas.

E o que é o prolapso da válvula mitral (PVM) ?

O PVM é um defeito congênito no tamanho dos folhetos fazendo com que a válvula não consiga se fechar corretamente. Um folheto empurra o outro, fazendo a válvula assumir a forma de um para-quedas, causando o prolapso da mesma em direção ao átrio esquerdo. Veja a figura abaixo.

Prolapso mitral

O prolapso da válvula mitral é uma das causas de regurgitação mitral.

Até há pouco tempo, achava-se que o prolapso mitral era uma alteração muito comum, que acometia de 5% a 10% da população. Como desenvolvimento de ecocardiogramas mais sensíveis, notou-se que boa parte das pessoas que recebiam este diagnóstico, na verdade não tinham PVM, mas sim discretas alteração na anatomia normal da mitral. Estima-se que a prevalência correta esteja abaixo de 2,5% de população.

O prolapso mitral é considerado primário quando não está associado a nenhuma outra doença; familiar quando associado a alterações cromossomias que passam de pais para filhos; ou secundário quando associado a outras patologias como síndrome de Marfan, Sindrome de Ehlers-Danlos, osteogenesis imperfecta ou doença renal policística (leia: RINS POLICÍSTICOS / RINS POLIQUÍSTICOS)

Quais são os sintomas do prolapso da válvula mitral?

Nem todo mundo com Prolapso mitral apresenta sintomas. Quando estes ocorrem são normalmente:

A presença de um ou mais destes sinais e sintomas, associados à um sopro cardíaco típico de PVM, indica a síndrome do prolapso da válvula mitral. Portanto, nem todo mundo com prolapso mitral tem a síndrome do prolapso mitral.

O diagnóstico é confirmado pelo ecocardiograma.

Apesar de seu uma alteração benigna na maioria dos casos, até 10% dos pacientes com prolapso de válvula mitral vão precisar de cirurgia de troca valvar no futuro, devido a progressão para insuficiência mitral grave. Quanto maior for o prolapso, maior o risco de evolução da regurgitação mitral.

Outras 2 complicações possíveis, mais pouco comuns, do prolapso mitral são a endocardite infecciosa (infecção as válvula) e arritmias cardíacas.

Tratamento do prolapso mitral

Mudanças no estilo de vida como praticar exercícios aeróbicos, cortar cafeína e álcool e levar uma vida menos estressante, melhoram muito os sintomas da síndrome do prolapso mitral. Pacientes com palpitações frequentes podem se beneficiar do uso de um betabloqueador. Pessoas com pânico e ansiedade devem ser encaminhadas a consulta com psiquiatra.

Não há limitações dietéticas, exceto as descritas acima, nem em relação a prática de atividade física.

Segundo o mais atual guideline da sociedade americana de cardiologia (American Heart Association) não há indicação de profilaxia para endocardite em pacientes com prolapso mitral que irão se submeter a procedimentos dentários.

Mulheres com prolapso mitral sem insuficiência mitral importante não apresentam problemas quando engravidam.
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Leia também:
- SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA
- PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS
- RINS POLICÍSTICOS / RINS POLIQUÍSTICOS
- DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL
- INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS
- CHECK-UP / EXAMES DE SANGUE
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Anuncie no MD.Saúde

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