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Câncer de próstata

CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento

O câncer da próstata é o tumor maligno mais comum do sexo masculino (excetuando-se os cânceres de pele) e o segundo que mais mortes causa, perdendo apenas para o câncer de pulmão.

Celulite

CELULITE | Causas e Tratamento

A celulite, aquelas indesejadas irregularidades na pele que proporcionam uma aparência semelhante a casca de laranja, recebe o nome em medicina de hidrolipodistrofia ginóide.

Mioma

MIOMA UTERINO | Sintomas, causas e tratamento

O mioma é um tumor benigno do útero, ou seja, uma lesão que não é câncer e nem apresenta risco de se transformar em um. O útero é um órgão majoritariamente composto por músculos.

Obesidade

TRATAMENTO DA OBESIDADE | Mudanças de hábitos de vida

A obesidade é uma das maiores epidemias do mundo, apresentando crescimento constante nas últimas décadas. Este é o segundo texto da série sobre obesidade, onde vamos abordar as principais mudanças de hábitos de vida.

Calvície

CALVÍCIE | QUEDA DE CABELOS | Causas e tratamento

A queda de cabelo, conhecida como calvície (ou calvíce), recebe em medicina o nome de alopécia androgênica. Alopécia significa queda de cabelo, e androgênica se refere a influência dos hormônio masculinos no processo.

CIRROSE HEPÁTICA | Sintomas e causas

A cirrose hepática é o resultado final de anos de agressões ao fígado, sendo caracterizada pela substituição do tecido hepático normal por nódulos e tecido fibroso. No fundo, nada mais é do que a cicatrização do fígado; onde deveria haver tecido funcionante, há apenas fibrose (cicatriz). Conheça as causas e os sintomas da cirrose hepática.

Como era de se esperar, quanto mais extensa for a cirrose, menor é o número de células saudáveis e maior é o grau de insuficiência hepática. Em última análise, a cirrose é um estado de falência do fígado, um órgão nobre sem o qual não conseguimos sobreviver.

Várias doenças podem levar a cirrose. Entre as mais comuns podemos citar:

a) Cirrose alcoólica

É uma causa prevenível de cirrose. O consumo diário e prolongado de álcool pode levar ao desenvolvimento de lesões hepáticas. Por mais que algumas pessoas achem pouco, 720 ml de cerveja ou 300 ml de vinho consumidos diariamente já são considerados fatores de risco para doenças do fígado, principalmente em mulheres.

CirroseO consumo regular de álcool leva a esteatose hepática (fígado gorduroso), que pode evoluir para hepatite alcoólica, e por fim, para cirrose e falência hepática.

Para saber mais sobre os perigos do álcool, leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO

b) Hepatites virais

As hepatites virais crônicas, principalmente B e C, são causas comuns de lesão do fígado, podendo levar a cirrose após anos de doença ativa. Muitas vezes o paciente sequer desconfia ser portador de um dos vírus, só descobrindo muitos anos depois quando os sintomas da cirrose começam a se manifestar (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES e ENTENDA A HEPATITE C)

c) Hepatite auto-imune

É uma doença auto-imune (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE), onde os nosso organismo começa inapropriadamente a produzir anticorpos contra o próprio fígado, como se este fosse um ser invasor, um corpo estranho que não nos pertence.

d) Esteatose hepática não alcoólica

Não só o consumo regular de álcool, mas outros fatores também podem levar à um fígado gorduroso. A esteatose hepática pode evoluir para hepatite e posteriormente cirrose. As principais causas são obesidade, diabetes, uso crônico de corticóides (leia: PREDNISONA E CORTICÓIDES | Indicações e efeitos colaterais) e desnutrição

e) Cirrose biliar primária

Também um doença de origem auto-imune onde há destruição das vias biliares e consequentemente do fígado.

f) Outras doenças
  • Hemocromatose
  • Doença de Wilson
  • Deficiência de alfa 1 anti-tripsina
  • Fibrose cística
  • Colangite esclerosante primária
  • Hepatite por drogas
Sintomas da Cirrose

Para um melhor entendimento, podemos dividir os sintomas da cirrose entre aqueles causados pela insuficiência hepática e aqueles causados pela hipertensão portal.

Cirrose - hipertensão porta
Reparem no gráfico acima que resume o sistema porta

O que é a hipertensão portal?

Todo o sangue vindo das veias do sistema digestivo (estômago, intestinos, pâncreas...) e do baço, drenam em direção a uma única grande veia que desemboca no fígado. Essa é chamada de sistema porta ou veia porta.

A existência do sistema porta garante que todas as substâncias absorvidas pelo trato gastrointestinal passem primeiro pelo fígado antes de caírem na circulação sistêmica, isto significa que tudo que é digerido é metabolizado pelo fígado antes de seguir para o resto do corpo.

O paciente cirrótico possuiu um fígado cheio de fibrose (cicatriz), o que em fases avançadas obstrui a chegada de sangue ao fígado. Quanto mais extensa for a cirrose, maior é a obstrução ao sangue que chega pela veia porta. Quando o sangue vindo dos órgãos abdominais encontra uma obstrução ao seu fluxo, a pressão na veia porta aumenta. Começa então um processo chamado de hipertensão portal.

O sangue quando encontra uma obstrução não fica parado esperando a mesma acabar. Ele precisa voltar para o coração de alguma maneira, e se à frente há uma obstrução, o único caminho é voltar por outras veias. A veia porta é bem calibrosa e suporta grandes fluxos de sangue. O mesmo não acontece com as veias do resto do sistema digestivo. Quando o sangue que deveria ser drenado pela veia porta, começa a retornar em grande quantidade por veias colaterais, surgem as varizes, que são dilatações anormais das veias.

Cirrose
Ascite e circulação colateral (clique para ampliar)
Reparem na foto ao lado (clique para ampliar). Vejam a circulação colateral que foi desenvolvida. As veia abdominais que são finas e recebem normalmente um fluxo baixo de sangue, agora são obrigadas a drenar todo o sangue que deveria chegar ao fígado pela veia porta, que é bem calibrosa.

Essas veias dilatadas ocorrem também nos órgãos, principalmente no estômago, intestino e esôfago. Pode-se agora entender porque um dos sinais da cirrose é a presença de varizes de esôfago, estômago e intestino.

Pronto. Entendido a parte de cima, já podemos explicar os sintomas da cirrose causados pela hipertensão porta.

Sintomas da cirrose causados pela hipertensão portal

a) Anemia, plaquetopenia (plaquetas baixas) e leucopenia (leucócitos baixos)

O baço tem como uma de suas funções eliminar as células do sangue que já estão velhas. Cada vez que o sangue passa pelo baço, milhares de células são removidas para que haja espaço para a chegada de novas hemácias, plaquetas e leucócitos recém-produzidos. Na hipertensão portal, o sangue que deveria sair do baço para o fígado, fica congestionado e permanece mais tempo dentro do mesmo.

Como o sangue fica represado dentro do baço, este acaba por eliminar mais células do que seria necessário. Este fenômeno é chamado de hiperesplenismo (espleno = baço), que significa a sua função exagerada.

Anemia e plaquetopenia são muito comuns na cirrose (leia: SINTOMAS DA ANEMIA)

b) Esplenomegalia (aumento do baço)

O aumento da pressão de sangue dentro do baço leva-o a aumentar de tamanho, ficando facilmente palpável ao exame físico. Chamamos este aumento de esplenomegalia. Muitas vezes a suspeita de cirrose surge quando ao exame físico detectamos um baço aumentado de tamanho.

C) Hemorragia digestiva

A presença de varizes no estômago e, principalmente, no esôfago é um fator de risco para hemorragias. Esses vasos não estão preparados par receber tamanho fluxo e pressão sanguínea, podendo romper-se espontaneamente.

As hemorragias digestivas das varizes de esôfago costumam ser dramáticas, com perdas maciças de sangue através de vômitos. O paciente vomita sangue vivo em grandes quantidades.

d) Ascite (leia: O QUE É UMA ASCITE? )

Ascite
Ascite (clique para ampliar)
Reparem na foto ao lado o tamanho do abdômen do paciente. Isto é a ascite, o acumulo de água dentro da cavidade abdominal. É causado pela hipertensão porta e pela falta de albumina no sangue (explico à frente) constituindo-se em um dos sinais mais comuns da cirrose. Pode haver acúmulos de mais de 10 litros de líquido ascítico dentro da cavidade peritonial.

Uma das complicações da ascite é a peritonite, causada quando este líquido dentro da barriga infecciona. Também é um caso grave que se não for identificado e tratado a tempo pode evoluir com sepse (leia: O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ?).

Além do abdômen, pode haver acúmulo de líquidos nas pernas e no pulmão. (leia: INCHAÇOS E EDEMAS).

Os sinais e sintomas causados pela hipertensão porta costumam ser os responsáveis pelas emergências médicas nos pacientes cirróticos, principalmente a hemorragia digestiva e a peritonite.

Além da hipertensão porta, o doente com cirrose também apresenta sintomas pela falência de funcionamento do fígado em si.

Sintomas da cirrose causados pela insuficiência hepática

a) Encefalopatia hepática

O fígado é o órgão responsável pela metabolização de inúmeras substâncias tóxicas. Quando este para de funcionar, o acúmulo de toxinas leva a alterações no sistema nervoso, que variam desde pequenas alterações mentais, até sonolência, desorientação, coma e morte.

b) Icterícia (leia: ICTERÍCIA NO ADULTO E ICTERÍCIA NEONATAL)

icterícia
Icterícia (clique para ampliar)
Icterícia (clique para ampliar)
O fígado insuficiente não consegue eliminar os sais biliares, que passam, então, a se acumular na corrente sanguínea. O tom amarelado da pele e dos olhos dos pacientes com doença do fígado ocorre pela deposição da bilirrubina nos mesmos.

O excesso de bilirrubina no sangue é filtrado pelos rins, deixando a urina escura, em tom de mate ou Coca-Cola (leia: URINA COLORIDA ( VERDE, ROXA, LARANJA, AZUL...)).

A cor escura das fezes se dá pela presença de bilirrubina. Como não drenagem da mesma para os intestinos, as fazes começam a sair brancas. Portanto, urina escura e fezes claras são sinais de doença hepática.

c) Falta de proteínas (hipoalbuminemia)

O fígado é responsável pela produção de várias proteínas, entre elas a albumina. A falta de albumina causa edemas e ascite, além da desnutrição destes pacientes.

Outra proteína produzida no fígado é a vitamina K, relacionada a coagulação do sangue. Doentes com cirrose avançada apresentam distúrbios da coagulação que podem ser quantificadas por exames de sangue como TAP e INR (leia: CHECK-UP / EXAMES DE SANGUE)

É bom lembra que as plaquetas, que também participam da cascata de coagulação, podem estar diminuídas pelo hiperesplenismo.

Imaginem então a gravidade do quadro de um doente com problemas de coagulação, com plaquetas baixas e com suas varizes de esôfago sempre na iminência de se romperem. O paciente cirrótico quando sangra, o faz para valer, porque junta grandes quantidades de sangue associado a uma incapacidade de coagulá-lo para estancar a hemorragia.

d) Ginecomastia (leia: GINECOMASTIA MASCULINA (mama masculina))

O mau funcionamento do fígado também altera o balanço dos hormônios sexuais. O aumento do estrogênio leva ao aparecimento de mamas e perda de pêlos corporais nos pacientes masculinos.

e) Outros sintomas

Ainda existem vários outros sinais e sintomas relacionados a cirrose. Entre eles

- Câimbras (leia: TUDO SOBRE CÂIMBRAS)

- Síndrome hepato-renal. É uma insuficiência renal aguda (leia: ENTENDA A INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA ) que ocorre na cirrose avançada e geralmente indica um caso terminal. O paciente que desenvolve síndrome hepato-renal tem uma sobrevida muito curta e o único tratamento é o transplante hepático.

- Eritema palmar: Palmas das mãos avermelhadas
cirrose hepática

- Baqueteamento digital: Unhas mais anguladas, dando o aspecto de baquetas aos dedos.
Cirrose do fígado

Alguns pacientes com cirrose podem apresentar um quadro de nefropatia por IgA, um doença renal causada pelo acúmulo de anticorpos nos rins (leia: DOENÇA DE BERGER | NEFROPATIA POR IgA | Tratamento e sintomas)

A cirrose em fases iniciais pode ser assintomática. Nas fases finais, a maioria dos sinais e sintomas descritos acima estão presentes.

A gravidade da cirrose é normalmente descrita pela escala de Child-Pugh, baseada em parâmetros clínicos e laboratoriais.

De acordo com esses resultados, os pacientes são classificados em 3 classes: A,B e C, sendo esta última a mais grave com mortalidade em 2 anos acima de 60%.

Existe também a classificação MELD, baseada na gravidade das análises de sangue.

Tanto o Child quanto o MELD são modos de se padronizar a gravidade da cirrose, servindo também como base para a lista de transplante hepático, que é até o momento o único tratamento efetivo para a cirrose.

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TOSSE E ESCARRO COM SANGUE | Principais causas

Hemoptise ou escarro com sangue é um sinal de lesão das vias respiratórias, podendo indicar várias doenças, desde câncer até infecções do pulmão. Neste texto vamos abordar as principais causas da tosse com expectoração sanguinolenta. Se quiser ler mais sobre os outros tipos de tosse, leia: TOSSE | Causas e tratamentos.

A expectoração com sangue, chamada cientificamente de hemoptise, é um sinal potencialmente grave, podendo se apresentar como um quadro que varia de pequenas raias de sangue no escarro, até hemorragias maciças.

Qualquer sangramento em algum ponto das vias aéreas pode causar escarro com sangue. Inclusive pequenas lesões nasais. Por isso, o primeiro passo ao se avaliar um escarro com sangue é tentar identificar sua origem.

Sangramentos provenientes de lesões na cavidade nasal ou na própria boca normalmente têm pouca repercussão. Expectorações com sangue vindas do pulmão em geral indicam alguma doença mais grave que merece maior investigação. Também é importante diferenciar a hemoptise do sangramento vindo do sistema digestivo (hematêmese)

De um modo simples, podemos distinguir a origem do sangue da seguinte maneira:
- Eliminação de sangue pela boca junto com vômitos = Trato digestivo
- Eliminação de sangue com tosse e expectoração = Pulmões, laringe ou traquéia
- Eliminação de sangue sem tosse e sem vômitos = Cavidade oral ou nasal

Só é considerado hemoptise quando o sangramento se origina nas vias aéreas inferiores, ou seja, pulmão, traqueia ou laringe. Sangramentos de origem nasal, chamados de epistaxes, serão abordados futuramente em um texto próprio.

A partir deste ponto, toda vez que eu escrever expectoração ou escarro com sangue, estarei me referindo a hemoptise.

Hemoptise - escarro com sangue

Como pode-se ver no gráfico acima, são várias as causas de expectoração sanguinolenta.

Além das infecções pulmonares e do câncer de pulmão,  podemos citar como causas de escarro sanguinolento:
Entre as infecções podemos destacar a pneumonia (leia: QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA PNEUMONIA?), tuberculose (leia: SINTOMAS DE TUBERCULOSE ), infecções por fungos e o abscesso pulmonar.

Tuberculose ou infecções de repetição podem causar lesões permanentes nos brônquios, deixando-os dilatados e cronicamente infectados. Chamamos essa alteração de bronquiectasia.

A broquiectasia é uma causa de hemoptise de repetição. A infecção cura, mas as lesões no pulmão podem ficar para sempre.

Nos quadros infecciosos, a expectoração com sangue costuma vir acompanhada de febre, suores, calafrios e aumento dos parâmetros inflamatórios nas análises de sangue (leia: CHECK-UP / EXAMES DE SANGUE). O padrão da radiografia de tórax e a tomografia computadorizada também ajudam.

Câncer de pulmão é outra causa comum de escarro com sangue. Podem ser tumores primários ou metástases (leia: CÂNCER (CANCRO) - SINTOMAS E DEFINIÇÕES). Uma dica para o diagnóstico é a idade mais avançada, o tabagismo (leia: COMO E PORQUE PARAR DE FUMAR CIGARRO ) e o emagrecimento contínuo. Mais uma vez os exames de imagem colaboram para definir a presença de tumores.

Uma causa menos comum de hemoptise, mas importante de se reconhecer devido a urgência com que se deve iniciar o tratamento, são as vasculites e as doenças auto-imunes como Lúpus, Síndrome de Goodpasture e a Granulomatose de Wegener (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE e LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO ( LES )).

São doenças que causam inflamações difusas dos vasos pulmonares e se apresentam normalmente associados a glomerulonefrite e insuficiência renal aguda (leia: O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE ? e ENTENDA A INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA ). Se não tratadas a tempo levam ao óbito.

Uma causa comum e menos grave de hemoptise é a lesão da via aérea por crises de tosse intensas e repetidas. Depois de alguns dias de gripe e tosse contínua, a laringe pode ficar irritada e eventualmente pequenas raias de sangue podem estar presentes na expectoração.

Porém, a presença de expectoração com sangue é um sintoma potencialmente grave e deve ser sempre avaliada por um médico. Muitas vezes a história clínica, o exame físico e uma simples radiografia de tórax são suficientes para o diagnóstico. Nos casos mais difíceis, são necessários a tomografia computadorizada e a broncofibroscopia, exame feito através de um endoscópio que percorre toda a via aérea até dentro do pulmão.

O tratamento da hemoptise é sempre voltado para a sua causa. Não há um remédio específico que faça parar o sangramento, exceto quando este ocorre por alguma alteração na coagulação.

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CHOQUE ANAFILÁTICO | Causas e sintomas

Aprenda a reconhecer os sintomas do choque anafilático e conheça suas causas.

A anafilaxia, ou reação anafilática, é uma reação alérgica grave e potencialmente fatal.

Toda alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a alguma substância estranha ao nosso organismo. Os sintomas comuns das alergias não são causados primariamente por comidas, picadas de insetos, pólen, drogas ou qualquer outra substância alérgica; os sintomas são causados pela ação das células de defesa chamadas de mastócitos e basófilos, pelo anticorpo do tipo IgE e pela grande liberação de uma substância chamada histamina.

Portanto, a reação alérgica é nada mais do que um tipo de reação inflamatória (leia: O que é o pus ? O que é um abscesso? O que é uma inflamação?). O choque anafilático é a reação alérgica no seu extremo. (leia: CHOQUE CIRCULATÓRIO. O QUE É ISTO ?)

Causas de anafilaxia
  • Comidas: Derivados de leite, ovos, peixes e frutos do mar, soja, amêndoas e amendoim são os mais comuns
  • Picadas de insetos
  • Antibióticos: Derivados da penicilina são os mais comuns
  • Anti-inflamatórios: Quem tem alergia a um tipo costuma ter a todos, inclusive aspirina e dipirona (metamizol) que não são propriamente do mesmo grupo
  • Anti-hipertensivos: Inibidores da ECA (ex: captopril e enalapril)
  • Látex
  • Iodo: Incluindo contrastes para exames radiológicos e anti-sépticos para pele.
Ainda existe a anafilaxia idiopática, que ocorre sem causa definida.
Obviamente que para se ter anafilaxia devido a alguma dessas substâncias, a pessoa precisa ser alérgica a elas.

Sintomas da anafilaxia

A anafilaxia costuma ocorrer em pacientes com histórico prévio de alergias à alguma substância, mas pode também acometer pessoas que nunca tiveram episódios alérgicos.

O quadro é imprevisível. Os sintomas costumam iniciar poucos minutos após o contato com a substância alérgena, mas podem demorar até 1 hora.

Os 2 sintomas mais comuns e que ocorrem em até 90% dos casos são:

- Urticária: É uma erupção cutânea, muito pruriginosa, caracterizada por placas avermelhadas distribuídas pelo corpo.

- Angioedema: Inchaço da pele ou mucosa. Os mais comuns são os edemas em volta dos olhos, nos lábios, na língua. O mais perigoso é o edema da laringe, também conhecido como edema de glote.

Urticária - Anafilaxia
Urticária

Angioedema e urticaria - Anafilaxia
Angioedema dos lábios + urticária

Anafilaxia
Angioedema dos lábios e olhos + urticária

Outros sintomas que também podem ocorrer:
- Asma
- Conjuntivite (leia: CONJUNTIVITE | Sintomas e Tratamento)
- Congestão nasal e rinite (leia: RINITE ALÉRGICA | Sintomas e tratamento)
- Comichão generalizado
- Náuseas e vômitos
- Tonturas (leia: TONTURA E VERTIGEM | Causas e sintomas)
- Hipotensão e/ou síncope (Leia: DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL)

É importante salientar que nem toda urticária ou angioedema significa necessariamente um episódio de anafilaxia. Um quadro de urticária, mesmo que generalizada, sem angioedema ou alguns dos sintomas descritos acima, não se caracteriza como anafilaxia. Do mesmo modo, um angioedema isolado, também não. Quadros de alergia são comuns, mas anafilaxia ou choque anafilático propriamente ditos, são eventos raros.

Nos casos mais graves onde o paciente desenvolve dificuldade respiratória e choque circulatório, pode-se evoluir rapidamente para o óbito se não for tratado a tempo. Esses casos mais sérios de choque anafilático normalmente ocorrem após infusão de medicamentos por via venosa ou picadas de insetos.

Muitas vezes a reação anafilática é bifásica, ou seja, apresenta uma recaída dentro de 48-72h do primeiro episódio.

Não se consegue prever quando uma pessoa vai desenvolver um choque anafilático, porém alguns pessoas apresentam mais riscos que outros, principalmente pacientes com antecedentes de asma ou com episódio anterior de alergia à alguma substância.

Doentes com histórico de insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS) ou DPOC (bronquite crônica / enfisema pulmonar), correm maiores riscos de morte quando apresentam um quadro de anafilaxia.

Tratamento do choque anafilático

O paciente com sintomas de anafilaxia deve ser imediatamente levado para um hospital. Quadros novos de angioedema ou urticárias também devem ser avaliados por um médico, pois não há como prever se eles evoluirão para choque anafilático ou não. A evolução costuma ser rápida e por isso não se deve perder tempo.

O tratamento é feito com adrenalina, corticóides (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICÓIDES), broncodilatadores e anti-histamínicos.

Alguns pacientes com história conhecida de reação anafilática carregam consigo uma seringa automática de adrenalina para auto-administração em casos de urgência.

Todo mundo que já tenha apresentado algum reação anafilática deve ser consultado por um alergologista. É importante também andar com alguma identificação da doença, como uma pulseira, para o caso do paciente estar inconsciente e não poder fornecer história no momento do atendimento médico.

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INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA | Sintomas e tratamento

Insuficiência renal é o termo que se aplica quando os rins não conseguem desempenhar suas funções adequadamente.

A insuficiência renal pode ser crônica ou aguda. A primeira ocorre quando a perda de função dos rins é permanente e geralmente progressiva; A segunda é um processo que ocorre subitamente e costuma ter duração inferior a 3 meses, podendo haver recuperação completa ou não da função renal (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA | Sintomas e tratamento)

Uma insuficiência renal aguda pode ser transformar em crônica se a lesão for muito grave e não houver recuperação completa. Do mesmo modo, uma pessoa com insuficiência renal crônica e função baixa mas estável, pode sofrer alguma agressão em seus rins, agudizando sua insuficiência renal e levando a uma abrupta queda na sua função.

Antes de falar de insuficiência renal aguda propriamente dita, cabem algumas explicações.

Hemodiálise
Hemodiálise
Os dois rins filtram em média 180 litros de sangue por dia, mais ou menos 120 ml por minuto. Esse valor é chamado de clareamento renal (clearance renal) ou taxa de filtração glomerular (glomérulo é a unidade básica do rim, assim como o neurônio é a do cérebro)

Uma função renal normal é aquela que se situa entre 70 e 140 ml/min de sangue filtrado por dia. Esse valor varia com idade, tamanho e sexo. Quando o clearance é menor que 70ml/min temos insuficiência renal e quando é maior que 140 ml/min chamamos de hiperfiltração, que também é um sinal de doença renal (muito comum em diabéticos)

Conforme envelhecemos, nossos rins também diminuem a sua capacidade de funcionamento. Idosos chegam a ter rins 30% menores do que quando eram jovens. Por isso, não é de se estranhar que pessoas mais velhas possam ter taxas de até 60 ml/min sem necessariamente terem alguma doença nos rins. São rins "sadios", porém velhos e menos resistentes a injúrias.

Para efeito prático, consideramos insuficiência renal crônica quando a taxa de filtração glomerular permanece abaixo de 60 ml/min por mais de 3 meses e insuficiência renal aguda uma queda abrupta de pelo menos 25% na função renal, independente do valor prévio.

Como em média os rins filtram algo em torno de 100 ml/min de sangue, muitas vezes os médicos usam o valor em percentual para facilitar a compreensão. Deste modo, uma taxa de filtração de 50 ml/min pode ser considerada como rins que funcionam 50%

Quando falamos em função renal estamos sempre falando nos 2 rins. Se o médico te disser que sua função renal é de 40% ou 40 ml/min, isso significa a função total dos 2 rins juntos.

Não existe um modo de medir a filtração renal diretamente, por isso lançamos mão de exames laboratoriais. Um deles é a urina de 24 horas, onde se colhe em uma ou mais garrafas, toda a urina eliminada durante um dia inteiro. Essa urina é então enviada para um laboratório que consegue avaliar a taxa de filtração renal. Este exame é muito chato de se fazer, além de ser muito comum o paciente cometer algum erro de coleta durante o dia. Por isso, hoje em dia prefere-se avaliar a função através da dosagem da creatinina no sangue (leia: VOCÊ SABE O QUE É CREATININA ? para mais informações).

Com os valores de creatinina no sangue podemos estimar a função renal através de cálculos matemáticos. Normalmente os laboratórios já fazem automaticamente esse cálculo e o resultado vem sob o nome de clearance de creatinina.

O clearance de creatinina é igual a taxa de filtração glomerular.

Bom, feitas as explicações, vamos ao que interessa.

INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA

A insuficiência renal aguda ocorre quando há alguma injúria renal com rápida queda na função dos rins. Esta se reflete por uma rápida elevação no valor da creatinina sanguínea. Como já referido, ela pode ocorrer tanto em pessoas com rins normais como em insuficientes renais crônicos.

Em casos mais graves os pacientes podem evoluir com necessidade de hemodiálise em apenas 24 a 48 horas (leia: O QUE É HEMODIÁLISE? COMO ELA FUNCIONA? ).

Normalmente indica-se hemodiálise quando a função renal cai abaixo de 20 ml/min ou quando há sinais claros de ausência de função renal como acidose sanguínea grave, excesso de potássio no sangue, alterações neurológicas pela insuficiência renal, ou quando o paciente urina menos de 100 ml em 24 horas.

As principais causas de insuficiência renal aguda são:

- Choque circulatório (leia: CHOQUE CIRCULATÓRIO. O QUE É ISTO ?)
- Sepse (O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ?)
- Desidratação
- Queimaduras extensas
- Excesso de diuréticos (leia: PARA QUE SERVEM OS DIURÉTICOS ?)
- Rabdomiólise (lesão muscular extensa com em caso de politrauma)
- Obstrução renal por uma próstata aumentada (leia: SINTOMAS DO CÂNCER DE PRÓSTATA)
- Insuficiência cardíaca grave (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS )
- Glomerulonefrite aguda (leia: O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE ?)

Várias drogas são tóxicas para os rins, podendo levar a insuficiência renal aguda:

- Anti-inflamatórios (leia: AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS)
- Antibióticos, principalmente da família dos aminoglicosídeos (gentamicina e amicacina, por ex.)
- Alguns quimioterápicos
- Contraste a base de iodo para exames radiológicos
- Lítio
- Aciclovir
- Heroína
- Agrotóxicos
- Carambola
- Ervas chinesas

Se quiser saber mais sobre drogas que atacam os rins, leia: REMÉDIOS QUE PODEM FAZER MAL AOS RINS

Algumas causas de insuficiência renal aguda são evitáveis, principalmente em pessoas com função renal já debilitada ou idosos. Um bom exemplo é não abusar dos anti-inflamatórios e evitar exames radiológicos com contrastes venosos a base de iodo neste grupo de pacientes.

Nem todo mundo que desenvolve insuficiência renal aguda precisa de hemodiálise. Quanto mais jovem e saudável for o paciente, maiores as chances de seus rins aguentarem injúrias severas. Do mesmo modo, nem toda injúria renal é suficientemente grave para causar uma grande perda da função dos rins.

Imaginem uma pessoa com taxa de filtração de 120 ml/min que sofre uma intoxicação grave por alguma substância nefrotóxica (tóxica para os rins), perdendo 60 ml/min de sua função renal. Ela ainda ficará com uma filtração de aproximadamente 60 ml/min o que é suficiente para mantê-la fora da hemodiálise. Já a mesma situação em um paciente idoso ou em alguém já com doença renal conhecida e uma taxa de filtração prévia entre 40 e 60 ml/min com certeza terminaria na hemodiálise.

A recuperação da insuficiência renal aguda depende de vários fatores, entre eles idade, associação com outras doenças e função renal prévia antes da injúria. Alguns recuperam a função completamente, outros ficam com função permanentemente abaixo de 60 ml/min , e há ainda aqueles que nada recuperam, ficando dependentes de hemodiálise para o resto da vida.

A insuficiência renal é uma complicação comum de doentes graves, principalmente aqueles internados em CTI (leia: ENTENDA O QUE ACONTECE COM PACIENTES NO CTI (UTI)), e é um dos principais fatores que aumentam a taxa de mortalidade neste grupo.

Qualquer pessoa que apresente alguma agressão renal pode evoluir com insuficiência renal aguda, mas ela é mais comum e mais grave quando ocorre em pacientes com doença renal prévia.

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SINTOMAS DO HIV | AIDS

Saiba quais são os sintomas iniciais da infecção pelo HIV e quais doenças definem a AIDS (SIDA).

Ao contrário do que muita gente pensa, ser portador do HIV não é igual a ter AIDS (SIDA). Para o diagnóstico de AIDS é preciso, além da presença do vírus, a coexistência de doenças causadas pela imunossupressão.

O HIV age infectando e destruindo os linfócitos, células que fazem parte do nosso sistema imunológico. Este processo de destruição é lento e gradual, e os pacientes costumam permanecer assintomáticos por muitos anos. Isto significa que as pessoas podem ser portadoras do HIV por muito tempo sem necessariamente desenvolver a doença AIDS.

A AIDS  surge quando o número de linfócitos torna-se muito baixo e a quantidade de vírus no sangue (carga viral) muito alta. Com poucos linfócitos viáveis, o organismo se torna mais vulnerável a infecções, ficando susceptível a diversos tipos de vírus, bactérias, fungos e até tumores.

Na verdade, o vírus HIV em si provoca poucos sintomas. A gravidade está nas infecções oportunísticas, aquelas que se aproveitam da fraqueza do sistema imunológico para se desenvolver.

Todavia, o HIV em alguns casos pode também causar sintomas. Logo após a contaminação pelo vírus podemos ter um quadro chamado de infecção aguda pelo HIV, que nada tem a ver com a AIDS. É um quadro semelhante a qualquer virose comum, que o ocorre por uma reação do corpo à presença de um vírus novo.

Sintomas HIV - AIDS
Sintomas da infecção aguda pelo HIV (clique p/ ampliar)
Neste texto vamos falar sobre os dois quadros clínicos causados pelo HIV:

a) Infecção primária pelo HIV (infecção aguda pelo HIV).
b) AIDS (SIDA).

a) INFECÇÃO AGUDA PELO HIV

Chamamos de infecção aguda pelo HIV o quadro de infecção viral que surge dias após o paciente ter sido contaminado pelo vírus.

Uma grande quantidade de sinais e sintomas podem estar associados à infecção aguda pelo HIV. Muitos destes sintomas são inespecíficos e ocorrem também em outros quadros infecciosos, principalmente infecções respiratórias por outros vírus, como gripes, resfriados, mononucleose, etc.

O sintoma mais comum da infecção aguda pelo HIV é a febre (38ºC a 40ºC), que ocorre em mais de 80% dos casos.

Também são muito comuns:
  • Faringite sem aumento da amígdalas e sem presença de pus ( leia: DOR DE GARGANTA - FARINGITE E AMIGDALITE )
  • Manchas vermelhas na pele (rash) que ocorrem 48 a 72h após o início da febre e costumam durar entre 5 e 8 dias. Este rash costuma se apresentar como lesões arredondadas, menores que 1 cm, avermelhadas, com discreto relevo e distribuídas pelo corpo, principalmente no tórax, pescoço e face. Também podem acometer solas dos pés e palmas das mãos.
  • Aumento de linfonodos (ínguas) principalmente em axilas e pescoço.
  • Dores articulares, musculares e cefaleia (leia: DOR DE CABEÇA - ENXAQUECA, CEFALÉIA TENSIONAL E SINAIS DE GRAVIDADE)
Em 10% dos casos pode haver também aumento do fígado e/ou baço, úlceras orais, anais e genitais, diarreia e vômitos (podendo levar ao emagrecimento de até cinco quilos).

A úlceras parecem estar relacionadas ao ponto de entrada do vírus nas mucosas, semelhante ao que ocorre na sífilis (leia: SINTOMAS DA SÍFILIS). Úlceras orais indicam contaminação por sexo oral ativo e as úlceras anais por sexo anal passivo. Do mesmo modo, podem haver úlceras vaginais e penianas.

Existem também casos descritos de hepatite, pneumonia e pancreatite (leia: PANCREATITE CRÔNICA E PANCREATITE AGUDA) causados pela infecção aguda do HIV. Em raros casos também pode ocorrer candidíase oral ou vaginal.

Tipicamente, os sintomas de infecção aguda pelo HIV iniciam-se entre 2 e 4 semanas após a exposição ao vírus. Porém, já foram descritos casos com até dez meses de intervalo.

Como se pode notar, os sintomas da infecção aguda pelo HIV são inespecíficos, comuns a várias outras doenças. É muito difícil estabelecer um diagnóstico apenas pelo quadro clínico Por isso, mais importante que os sintomas em si é o tempo de intervalo entre o comportamento de risco (sexo sem preservativos ou compartilhamento de agulhas) e o aparecimento dos mesmos.

De qualquer modo, o diagnóstico não é clínico já que várias doenças têm o mesmo quadro, sendo necessário a realização das sorologias ou da pesquisa do vírus para confirmação (leia: SOROLOGIA PARA HIV / AIDS. COMO E QUANDO TESTAR?).

Os pacientes na fase aguda do HIV apresentam carga viral elevadíssima estando, portanto, altamente contagiosos neste momento (leia: SAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS (SIDA)).

O quadro de infecção aguda pode durar até duas semanas, depois desaparece e o HIV fica silenciosamente alojado no corpo por muito anos. Após a fase aguda, a carga viral (contagem de vírus circulante no sangue) cai e se estabiliza em níveis baixos.

b) SINTOMAS DA AIDS (SIDA)

O término da infecção aguda costuma coincidir com a positivação da sorologia anti-HIV, ou seja, os exames de sangue para a pesquisa do HIV passam a ficar positivos.

O HIV ataca e destrói as células de defesa chamadas linfócitos CD4. A síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA ou AIDS) é um quadro de imunossupressão (queda do sistema imune) por níveis baixos de linfócitos CD4, o que favorece o surgimento de infecções oportunistas.

Chamamos de infecções oportunistas aquelas que se aproveitam da queda no nosso sistema imunológico para nos atacar. Infecções oportunistas existem não só na AIDS, mas também em pacientes transplantados, em quimioterapia, com câncer, ou qualquer outra condição que leve à imunossupressão.

Para se estabelecer o diagnóstico de AIDS é preciso estar infectado pelo HIV e:

1) ter uma contagem de linfócitos CD4 menor que 200 células/mm3; ou
2) apresentar uma das doenças definidoras de AIDS, que são:
Qualquer paciente que apresente uma das doenças acima provavelmente possui alguma deficiência imunológica, pois são problemas de saúde que não costumam surgir em indivíduos com sistema imune perfeito. As doenças listadas acima são típicas de pacientes com imunossupressão, não necessariamente por AIDS. Sua presença, porém, indica obrigatoriamente a investigação do HIV, caso não haja uma causa óbvia para a imunossupressão, como por exemplo, uso de drogas imunossupressoras ou quimioterapia.

Não existe um quadro clínico único da AIDS. A apresentação clínica vai depender do tipo de doença que se desenvolver e os órgãos afetados. Se você me perguntar qual os sintomas da AIDS, eu vou responder: - Depende, há vários.

As doenças mais típicas da AIDS são a candidíase de esôfago, a tuberculose (que na forma pulmonar pode ocorrer também em pessoas sem HIV), o sarcoma de Kaposi, a toxoplasmose cerebral, a pneumonia pelo fungo P.carinii e a citomegalovirose.

A imunossupressão além de facilitar o surgimento de infecções, também aumenta a frequência de neoplasias malignas. Cânceres como o de colo uterino (leia: SINTOMAS DO HPV E CÂNCER DO COLO DO ÚTERO) se tornam extremamente agressivos e linfomas são muito mais frequentes na AIDS do que em pessoas sadias. Outros como o Sarcoma de Kaposi são típicos de imunossuprimidos, principalmente em homossexuais (leia: SARCOMA DE KAPOSI).

Aquela imagem do paciente com AIDS, caquético, cheio de lesões de pele e candidíase oral, já não é mais tão comum. O tratamento avançou muito nos últimos anos e boa parte dos doentes mantém seus níveis de CD4 elevados, impedindo a ocorrência de infecções oportunistas. Os pacientes já são diagnosticados mais precocemente e o tratamento costuma ser iniciado antes de fases avançadas da doença.

Mas o HIV ainda não tem cura e ainda mata. Na verdade, quem leva ao óbito não é o HIV, mas sim as infecções oportunísticas e neoplasias secundárias à imunossupressão.

Para ver algumas imagens de sintomas do HIV/AIDS: AIDS e HIV | FOTOS

Vérsion en español:  SÍNTOMAS DEL VIH Y SIDA

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HEMODIÁLISE| Como funciona, cateter e fístulas

Um dos tratamentos que mais causa pavor nos pacientes é a hemodiálise. O medo ocorre principalmente pela falta de informação sobre o método. Saiba tudo sobre este procedimento

A hemodiálise (HD) é um dos maiores avanços da medicina. Os rins são os únicos órgãos nobres que podem ser substituídos, ainda que não perfeitamente, por uma máquina. Se você tem uma falência do coração, do cérebro, dos pulmões, do fígado, etc. e não se submeter a um transplante de órgãos, o seu destino será impreterivelmente a morte. Se seu rim entrar em falência, você passará a fazer diálise e ainda poderá viver e ser produtivo por muitos anos.

Agora, é agradável fazer diálise? Com certeza não. Mas o tratamento tem que ser encarado como uma oportunidade de vida em uma doença que há poucas décadas era fatal. Hoje as pessoas dialisam e levam uma vida próxima do normal, podem sair, trabalhar, ir ao cinema, viajar, praticar exercícios, jantar fora etc.

90% dos pacientes em hemodiálise afirmam que o método não é tão ruim quanto imaginavam. Alguns inclusive nem se interessam por entrar na fila do transplante de tão bem adaptados que ficam.

A diálise parece complexa, mas é extremamente simples. Aprendemos diálise no colégio, mas ninguém conta isso para a gente. Vamos recordar as aulas de biologia, quando aprendemos o conceito de osmose, difusão e transporte passivo. Tá difícil lembrar? Então, vamos ajudá-lo.
COMO FUNCIONA A HEMODIÁLISE?

Toda vez que dois líquidos com concentrações diferentes são separados por uma membrana permeável (ou seja, contenha poros), a tendência é que elas se equilibrem. Após algum tempo, a concentração da substância fica igual dos dois lados. Isto só ocorre se as moléculas da suposta substância forem menores que os poros da membrana. Pense na membrana como uma esponja fina.

Reparem no desenho abaixo. São dois líquidos separados por uma membrana com poro de um fictício tamanho 3. De um lado temos três moléculas de tamanhos diferentes. A vermelha que é maior que o poro (tamanho 4), a amarela que é um pouco menor (tamanho 2,5), e a azul que é bem menor (tamanho 1)

Hemodiálise
A molécula azul passa facilmente entre os poros e rapidamente entra em equilíbrio. A amarela por ser apenas pouco menor que o poro, demora um pouco mais, mas acaba por equilibrar-se. Já a vermelha é maior que o poro, e não importa quanto tempo demore, ela nunca irá se equilibrar.

Se você entendeu esse conceito, você já entendeu como funciona a diálise.

Existe a hemodiálise, que é feita pelo sangue com um filtro artificial, e a diálise peritoneal, que usa o peritônio, uma membrana que envolve os órgãos abdominais como filtro.

Vou me ater só a hemodiálise neste texto.

Então como funciona a hemodiálise? Veja o gráfico.
Hemodiálise
O paciente insuficiente renal é ligado à uma máquina que puxa seu sangue através de uma bomba circuladora. Esse sangue passa por um filtro que possui uma membrana semipermeável, que retira as toxinas e as substâncias em excesso, e devolve o sangue limpo para o paciente. Existe infusão de heparina para evitar que o sangue coagule dentro do sistema.

Reparem no filtro abaixo. No centro fica o sangue cheio de toxinas e em volta o líquido da diálise (chamado de banho de diálise) sem nenhuma toxina. Eles ficam separados por uma membrana porosa que permite a troca de moléculas. O sangue rico em toxinas, através da membrana do filtro, passa estas substâncias para o banho de diálise que não contém toxina nenhuma.

Se este fosse um processo estático, depois de um tempo aquele sangue em contato com o banho se equilibrariam e não haveria mais trocas. Mas o processo é dinâmico, com o sangue correndo em direção contrária ao banho. Como eles estão em circulação, a diferença de concentração é sempre grande, e não ocorre equilíbrio nunca, pois há sempre sangue saturado de toxinas chegando de um lado e líquido de diálise limpo chegando do outro. Após as trocas, o sangue limpo retorna ao paciente e o banho cheio de toxinas é desprezado.
Hemodiálise
Do mesmo modo que ocorreu no primeiro gráfico, moléculas pequenas passam rapidamente de pelo filtro, as médias demoram algumas horas e as grandes não são filtradas. O poro da membrana tem que ter um tamanho que consiga filtrar a maioria das toxinas, mas também impeça a filtração de moléculas importantes como as proteínas e vitaminas, que costumam ser grandes. Infelizmente não existe dialisador perfeito, e para evitar essas perdas, algumas substâncias tóxicas de grande tamanho acabam não sendo dialisadas.

Do mesmo modo que o excesso de algumas substâncias são filtradas, o excesso de água acumulado pela falta de urina também é retirado durante uma sessão de HD. Em geral, de 1 a 4 litros por sessão. Esse processo é chamado de ultrafiltração.

Uma sessão de hemodiálise convencional para pacientes renais crônicos dura 4 horas. Este é o tempo necessário para a filtragem da maioria das moléculas desejadas e de uma ultrafiltração que não provoque queda da pressão arterial . Em geral são realizadas três sessões por semana.

Na insuficiência renal aguda, que acontece em pessoas com rins previamente normais que são atacados por algum evento, como um sepse ou intoxicação, as sessões de diálise são mais intensas, podendo durar horas e serem diárias. Normalmente são doentes muito graves e internados em CTI.

COMO SE RETIRA O SANGUE PARA HEMODIÁLISE?

Um dos inconvenientes da HD é a necessidade de se puncionar um vaso para puxar e outro para devolver o sangue. A simples punção de uma veia comum não funciona por dois motivos: o primeiro é o baixo fluxo e pressão de sangue das veias periféricas; o segundo é porque as veias superficiais apresentam paredes mais frágeis e depois de várias punções repetidas ficariam inutilizáveis.

As artérias possuem fluxo e pressão elevadas, além de uma parede mais forte. Porém, elas são profundas e de difícil punção.

A solução para esse problema veio através da construção das fístulas artério-venosas. Pacientes em diálise são submetidos a uma pequena cirurgia vascular onde se liga uma artéria a uma veia, criando um vaso periférico, com alto fluxo e mais resistente a punções repetidas.

Hemodiálise
Fístula para hemodiálise
A veia quando passa a receber o alto fluxo da artéria, começa a se desenvolver, crescendo e engrossando sua parede. Com o tempo a fístula adquire o aspecto mostrado na foto ao lado. Trata-se de um grande vaso bem visível, com alto fluxo e pressão de sangue e facilmente puncionável.

O problema da fístula é que esta precisa de pelo menos um mês para se tornar apta à punção pelas grossas agulhas da hemodiálise. Nem todos os pacientes podem esperar por este intervalo para começar a dialisar. Neste caso, lança-se mão do cateter de hemodiálise. Este cateter é introduzido geralmente na veia jugular interna, localizada no pescoço, que prolonga-se até a veia cava, próximo à entrada do coração. É um procedimento de 30 minutos e o paciente pode seguir imediatamente para hemodiálise.

Cateter venoso central na veia jugular
Cateter venoso central para hemodiálise
Cateter venoso central para hemodiálise
Cateter venoso implantado na veia jugular interna

Repare na foto acima que uma extremidade do cateter fica para fora e a outra dentro da veia cava, próximo ao coração. A parte externa do cateter venoso central para hemodiálise possui duas vias, uma para levar o sangue até a máquina de hemodiálise e outra para devolvê-lo. Enquanto a fístula não estiver pronta, o paciente dialisa pelo cateter.

Então por que não utilizar o cateter sempre? Apesar de já existirem cateteres de longa duração, que podem permanecer por alguns meses, eventualmente todos eles serão infectados por bactérias residentes na nossa pele. Através do cateter essas bactérias conseguem acesso a nossa circulação sanguínea podendo levar a um quadro grave de sepse (leia: O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO?).

O cateter também não consegue fluxos de sangue bons, não proporcionando uma hemodiálise tão eficiente quanto a fístula.

Portanto, o cateter de hemodiálise é uma solução provisória e deve ser sempre substituído pela fístula o mais rápido possível. Quando não é possível estabelecer uma fístula a curto prazo, a preferência deve ser sempre pelo cateter tunelizado de longa duração. Atualmente os cateteres temporários de curta duração só devem ser usados em casos urgentes. Qualquer doente com previsão de permanecer em hemodiálise por mais de 15 dias deve ter seu cateter provisório substituído por um de longa duração, para reduzir o risco de infecção do cateter.

A HEMODIÁLISE SUBSTITUI OS RINS PERFEITAMENTE?

Não. O problema é que o rim não é apenas um mero filtro do sangue, ele exerce várias outras funções no nosso organismo.

Quais são essas funções e como a diálise substitui o rim nesses casos ?

1.) Controle da água corporal

Os rins, através da urina, mantém sempre o nível de água corporal mais ou menos constante. Se estamos desidratados, urinamos menos. Se ingerimos muita água, urinamos mais.

A hemodiálise quando bem feita consegue manter um balanço razoável de água. O processo de retirada de água na HD é chamado de ultrafiltração (UF). Como a maioria dos doentes em diálise já não mais urina, toda água ingerida fica no organismo até a próxima sessão de HD.

Em geral, o corpo tolera uma ultrafiltração de no máximo 4 litros por sessão de hemodiálise (1 litro por hora). Uma ultrafiltração maior pode levar a hipotensão.

Portanto, o paciente renal crônico em HD deve controlar a ingestão de líquidos para não ganhar mais do que 1 kg por dia (1 litro de H2O = 1 kg). Alguns doente não fazem nenhum tipo de controle e às vezes chagam para hemodiálise com 6-7 kg acima do peso. Em geral não toleram retirar todo esse excesso durante a HD e voltam para casa com líquido a mais.

Se o doente permanecer sempre ganhando mais peso do que consegue perder, começam a surgir hipertensão grave, edema das pernas, falta de ar, e em alguns casos, edema agudo do pulmão, uma condição grave, onde o pulmão fica encharcado de água e o paciente morre como se estivesse se afogando (leia: INCHAÇOS E EDEMAS)

2.) Controle do nível de eletrólitos (sais minerais tipo sódio, potássio e fósforo)

Alguns eletrólitos do sangue como potássio (K+) e sódio (Na+) são facilmente dialisados. Outros como o fósforo, são substâncias que ficam muito mais dentro das células do que na corrente sanguínea, e por isso, são dialisados menos eficientemente.

É importante lembrar que a diálise é feita apenas 3x por semana nos renais crônicos, portanto, mesmo as substâncias facilmente dialisáveis como o potássio, sofrem acumulo durante o período interdialítico. E quando em excesso, o potássio pode levar a arritmias cardíacas e morte súbita. Para se evitar esse problema, o doente renal crônico deve ter uma dieta pobre em potássio.

Os rins são muito mais eficientes no controle do fósforo do que a hemodiálise. Por isso, o paciente em HD também deve controlar o ingestão e usar medicamentos que impeçam a absorção do fósforo contido nos alimentos (Carbonato de cálcio ou Renagel).

O excesso de fósforo está associado a uma maior taxa de lesões nos ossos, complicações cardiovasculares e de mortalidade na diálise. O rim trabalha 24 horas por dia durante 7 dias da semana para controlar os níveis dos eletrólitos. A HD só o faz por 4 horas por dia e 3x por semana. Não se pode consumir o mesmo tipo de comida nos dois casos. O doente renal crônico tem que ter uma dieta específica.

3.) Controle do pH do sangue

O controle dos ácidos no organismo segue o mesmo pensamento dos eletrólitos. O corpo produz substâncias ácidas ininterruptamente e o rim as elimina conforme necessário. O doente renal crônico só consegue eliminá-las 3x por semana e passa a maior parte do tempo com o sangue mais ácido do que o normal. O excesso de ácido no sangue leva a uma maior lesão dos ossos, maior consumo de músculo e diminuição da função de várias células no organismo.

4.) Controle da pressão arterial

A pressão arterial no doente em HD está intimamente ligada a quantidade de água corporal. Doentes que não controlam a quantidade de sal que comem, sentem mais sede uma vez que não há rim para eliminar o excesso de sódio. O doente com sede bebe mais água e costuma ganhar mais líquido do que consegue retirar na HD, como explicado no item 1.

Os doentes bem dialisados e que fazem controle da ingestão de água, costumam ter pressões arteriais normais, mesmo sem medicações anti-hipertensivas e ausência de edemas no corpo.

5.) Síntese de hormônios que estimulam a produção de hemácias (glóbulos vermelhos)

Os rins produzem um hormônio chamado de eritropoetina, que estimula a medula óssea a produzir as hemácias. O rim do renal crônico não consegue produzi-la e o resultado final é o surgimento de anemia.

O renal crônico com anemia deve tomar injeções de eritropoetina artificial para manter níveis aceitáveis de glóbulos vermelhos. O valores de hemoglobina desejáveis no renal crônico estão entre 11 e 12 g/dl (um pouco abaixo do normal na população normal).

Doentes insuficientes renais crônicos também apresentam ferro sanguíneo mais baixo, e sua reposição às vezes se faz necessária para correção da anemia.

6.) Controle da saúde dos ossos através da produção de vitamina D

O rim ativa a vitamina D, que por sua vez, controla a saúde dos ossos. O paciente renal crônico apresenta carência desta vitamina, que junto com o hiperparatireoidismo (funcionamento excessivo da paratireóide), leva a lesões graves do ossos.

Os pacientes em diálise podem precisar de vitamina D sintética e medicamentos que inibam a função a paratireóide (Cinacalcet). Em casos mais graves pode ser preciso inclusive a retirada cirúrgica da paratireóide (não confundir com a tireóide)

Como vocês podem ver, a hemodiálise está longe de ser um perfeito substituto para o rim.

O rim normal filtra 100ml de sangue por minuto => 6000 ml (6 litros) por hora => 144000 ml (144 litros) por dia => 1008000 ml (1008 litros) por semana.

A diálise em média filtra 300 ml de sangue por minuto => 18000 ml (18 litros) por hora => 72000 ml (72 litros) por 4 horas de HD => 216000 ml ( 216 litros) por semana em 3 sessões de HD.

Ou seja, em 1 semana o rim normal filtra 1008 litros de sangue enquanto que, 3 sessões de HD apenas 216 litros, quase 5x menos. Apesar de não ser o ideal, a HD é suficiente para manter o paciente vivo e produtivo.

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VARICOCELE | Sintomas e tratamento

A varicocele é causada pela dilatação das veias que drenam o sangue dos testículos. Podemos dizer que são varizes das veias testiculares. É um problema tão comum que acomete até 15% da população adulta jovem, sendo o pico de incidência  entre os 15 e 25 anos.

Na maioria das vezes a varicocele ocorre no lado esquerdo da bolsa escrotal, acometendo o testículo esquerdo. Existe uma explicação bem simples para tal fato.

Reparem na figura abaixo como há diferenças entre as veias testiculares esquerda e direita. Enquanto a veia direita desemboca na calibrosa veia cava em um ângulo de 45º, a veia testicular esquerda drena para a veia renal esquerda, de menor calibre e com uma angulação de 90º, o que dificulta o escoamento do sangue. Repare como é feita a drenagem venosa dos testículos (clique na imagem abaixo para ampliar)

Varicocele
Varicocele
Lembrando que as artérias são os vasos que levam o sangue para os órgãos e as veia os que o trazem de volta ao coração. Quando a drenagem venosa não é feita corretamente, o sangue acaba ficando represado.

Portanto, a varicocele é uma insuficiência na drenagem de sangue do testículo, que leva ao represamento sanguíneo e ao aumento do volume das veias. Como já foi dito, é nada mais do que uma variz.

Existe uma graduação da varicocele.
  • Grau I - varicocele pequena e palpável apenas com aumento da pressão abdominal. (tossir ou assoprar contra uma resistência).
  • Grau II - varicocele média e palpável.
  • Grau III - varicocele grande, não só palpável como visível.

Varicocele
  Varicocele (clique p/ampliar. Atenção: A imagem acima  pode ser considerada ofensiva para certas pessoas)

Sintomas da varicocele

Na maioria das vezes a varicocele é assintomática. Quando há sintomas, o mais comum é a dor testicular e uma sensação de peso na bolsa escrotal, que piora em pé e alivia ao deitarmos (leia: DOR NOS TESTÍCULOS | Principais causas). Isso faz todo o sentido, já que, quando deitamos, o sangue não precisa vencer a gravidade para voltar ao coração e a drenagem é deste modo facilitada.

Mas a dor não é o pior problema da varicocele, e sim o risco de infertilidade. Ao tocarmos no saco escrotal, podemos notar que ele tem uma temperatura mais baixa que o resto do corpo. Se vocês repararem, os testículos são órgãos que ficam fora do corpo. Isto ocorre porque os mesmos funcionam melhor em temperaturas mais baixas que a do nosso organismo. Quando ocorre a varicocele, esse represamento de sangue na bolsa escrotal aumenta a temperatura da mesma, causando estresse para ambos os testículos. O resultado final é uma queda na taxa de espermatozoides (oligospermia) e grande diminuição na sua mobilidade, levando por fim, à infertilidade.

Varicocele
Varicocele (Clique para ampliar. Atenção: a imagem acima contém fotos que podem ser ofensivas para algumas pessoas)

Quando a varicocele inicia-se após os 40 anos é importante investigar a presença de uma neoplasia intra-abdominal que possa estar comprimindo a veia testicular e causando a dilatação.

O diagnóstico da varicocele é feito através do exame físico e confirmado pelo ultrassom, que pode também, se for necessário, avaliar a presença de massas abdominais.

Tratamento da varicocele

O tratamento é indicado naqueles que apresentam sintomas, infertilidade ou sinais de atrofia do testículo.

Existem três opções:

1.) Cirurgia aberta: a cirurgia aberta é um procedimento simples, normalmente realizado com anestesia geral (em alguns casos com anestesia local). Dura 45 minutos e o paciente costuma ter alta no dia seguinte.

Devido ao edema, indica-se o uso de um apoio para a bolsa escrotal durante alguns dias. O paciente deve evitar esforço físico por duas a quatro semanas. Relações sexuais somente após dez dias.

2.) Cirurgia laparoscópica: é menos usada pois, neste caso, possui tempo operatório maior e alta hospitalar costuma demorar 48 horas. A única vantagem é uma incisão menor.

3.) Embolização da varicocele: é um processo não cirúrgico, semelhante a um cateterismo. Não é preciso anestesia geral (na maioria das vezes apenas sedação) e o procedimento dura apenas uma hora em média.

Vérsion en español:  VARICOCELE | Síntomas y tratamiento

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