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Câncer de próstata

CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento

O câncer da próstata é o tumor maligno mais comum do sexo masculino (excetuando-se os cânceres de pele) e o segundo que mais mortes causa, perdendo apenas para o câncer de pulmão.

Celulite

CELULITE | Causas e Tratamento

A celulite, aquelas indesejadas irregularidades na pele que proporcionam uma aparência semelhante a casca de laranja, recebe o nome em medicina de hidrolipodistrofia ginóide.

Mioma

MIOMA UTERINO | Sintomas, causas e tratamento

O mioma é um tumor benigno do útero, ou seja, uma lesão que não é câncer e nem apresenta risco de se transformar em um. O útero é um órgão majoritariamente composto por músculos.

Obesidade

TRATAMENTO DA OBESIDADE | Mudanças de hábitos de vida

A obesidade é uma das maiores epidemias do mundo, apresentando crescimento constante nas últimas décadas. Este é o segundo texto da série sobre obesidade, onde vamos abordar as principais mudanças de hábitos de vida.

Calvície

CALVÍCIE | QUEDA DE CABELOS | Causas e tratamento

A queda de cabelo, conhecida como calvície (ou calvíce), recebe em medicina o nome de alopécia androgênica. Alopécia significa queda de cabelo, e androgênica se refere a influência dos hormônio masculinos no processo.

MAU HÁLITO | Causas e tratamento

O mau hálito, também chamado de halitose, é um problema que atormenta a humanidade há milênios. Existem relatos de tratamentos para o mau hálito desde há três mil anos. Até na Bíblia, no livro Gênesis, há menção de tratamentos para refrescar o hálito.

É importante salientar que muitas pessoas que não têm halitose se preocupam exageradamente com seu hálito, enquanto boa parte das que realmente tem mau hálito não suspeita do fato. Até 25% das pessoas que procuram atendimento médico queixando-se de mau hálito, na verdade não o tem. É muito difícil para o indivíduo notar se o próprio hálito ruim é crônico ou aparece apenas pontualmente.

Causas do mau hálito

Existes mais quarenta causas diferentes para o mau hálito. Vamos focar apenas nas mais comuns.

Mau hálito
Mais de 80% dos casos de halitose se originam na própria boca. São causados pela ação da flora bacteriana natural da nossa orofaringe sobre os alimentos que ingerimos. Possuímos mais de 600 tipos de bactérias na nossa cavidade oral, muitas delas capazes de produzir gases com odor devido à metabolização de materiais orgânicos, principalmente proteínas.

Dois pontos da cavidade oral são críticos: os dentes e a região posterior da língua, onde frequentemente ocorrem acúmulo da bactérias. O cheiro da halitose provém da produção de gases por bactérias após a metabolização de alimentos que ficam depositados nestas regiões.

Como é previsível, quanto menor for higiene bucal, mais bactérias existirão, mais detritos alimentares permanecerão na cavidade oral e mais intenso será o mau hálito. Inflamações como gengivites e periodontites, causadas por má higine oral, também favorecem a halitose.

A saliva é uma anti-séptico bucal natural. Além de possuir substâncias antibacterianas, ela ajuda no enxague da orofaringe, diminuindo os resíduos de bactérias e alimentos. Quanto mais ressecada for a boca, pior é o hálito.
Língua saburrosa
Língua saburrosa

A saburra lingual, ou língua saburrosa, é outra causa comum de mau hálito. Esta alteração se manifesta como uma placa esbranquiçada composta por bactérias e células descamadas que se aderem à língua. A saburra costuma surgir por falta de hidratação na cavidade oral, geralmente por falta de saliva ou por uma deficiente escovação da língua. Entre outros fatores de risco para a saburra estão dormir de boca aberta, roncar, uso de antissépticos bucais à base de álcool e uso de aparelhos ortodônticos. Escovar a língua e beber bastante água para manter a boca sempre hidratada são simples modos de diminuir a incidência da saburra e, consequentemente, do mau hálito.

Ainda na boca, outro ponto que pode dar origem ao mau hálito são as amígdalas. Um mau hálito que surge subitamente pode ser o primeiro sinal de um faringite ou amigdalite em desenvolvimento. Isto é particularmente real nas crianças.

Os pacientes com amigdalite de repetição costumam apresentar pequenas criptas em suas amígdalas, que favorecem a deposição de alimentos e de restos celulares, formando o cáseo (ou caseum). De vez em quando pequenas "pedrinhas" extremamente mal cheirosas se soltam destas criptas levando o paciente a imaginar que o seu hálito é tão ruim quanto este odor. Na verdade, nem sempre o cáseo amigdaliano é causa de mau hálito. O fato da "pedrinha" ser mau cheirosa não significa que o hálito seja igual. (leia: DOR DE GARGANTA - FARINGITE E AMIGDALITE ).

Outro sítio que pode ser a causa da halitose é o nariz, ocorrendo principalmente devido a quadros de sinusite. A existência de gotejamento pós-nasal pode levar ao acúmulo de substâncias mal cheirosas na base da língua (leia: SINUSITE | Sintomas e tratamento).

Muito raramente, um tumor oculto da orofaringe ou laringe pode ser a causa do mau cheiro.

Um tipo de mau hálito extremamente comum e normalmente passageiro é aquele que ocorre ao acordarmos. Dois fatos contribuem para essa halitose:

1. Muitas pessoas dormem de boca aberta, levando a um ressecamento da boca durante a noite que, como já foi explicado anteriormente, leva ao mau hálito.

2. Porém, o fator mais importante é outro. Durante o sono, chegamos a ficar mais de 10 horas em jejum. O corpo precisa produzir energia constantemente e em períodos de jejum há pouca glicose disponível como combustível. O organismo passa então a queimar gorduras para produzir energia. A metabolização de gorduras leva à produção de corpos cetônicos, substâncias com odor forte que são eliminadas pelos pulmões. Reparem que toda vez que estamos com muita fome, ou em longos períodos de jejum, ficamos com mau hálito. Felizmente este é fácil de resolver; é só comer.

O hálito cetônico do jejum é o mesmo que ocorre nos pacientes com diabetes mal controlados (leia: DIAGNÓSTICO E SINTOMAS DO DIABETES MELLITUS para maiores explicações).

Outras doenças sistêmicas que podem causar mau hálito são a cirrose (leia: CIRROSE HEPÁTICA | Sintomas e causas) e a insuficiência renal avançada. Esta última causa um hálito com cheiro de urina devido ao acúmulo de uréia e outras substâncias que não são devidamente eliminadas pelos rins (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA). Infecções nos pulmões também podem causar halitose.

Costuma-se supervalorizar o papel do estômago na halitose, todavia, raramente doenças deste são causas do mau hálito. A exceção ocorre no pacientes com refluxo gastroesofágico que podem ,em alguns casos, apresentar halitose (leia: HÉRNIA DE HIATO E REFLUXO GASTROESOFÁGICO). Porém, não se justifica uma investigação do estômago se o paciente apresentar mau hálito sem outros sintomas do refluxo.
Nossos hábitos diários também influenciam no hálito. O tabagismo, o consumo regular de bebidas alcoólicas e excesso de café são causas de mau hálito. Existe também uma relação ainda pouco entendida entre obesidade e halitose.

Alguns alimentos como alho e cebola são capazes de causar mau hálito por várias horas. No caso do alho, um dos gases produzidos pela sua digestão consegue ser absorvido pela circulação sanguínea, sendo eliminado pelos pulmões. Por isso, após a ingestão de alho, o hálito ruim pode permanecer por horas mesmo após a escovação dos dentes.

Tratamento do mau hálito

Como a grande maioria dos casos têm origem na boca, o dentista costuma ser o melhor especialista para diagnosticar e tratar a halitose. Já o otorrinolaringologista pode ser o melhor médico nos casos de mau hálito originado nas amígdalas, faringe ou nariz.

Algumas dicas podem resolver, ou pelo menos aliviar o problema:
  • Adequada higiene oral e uso frequente de fio dental.
  • Check-up dental regular.
  • Gargarejos com anti-sépticos orais, principalmente à noite.
  • Escovação da língua. Molhe sua escova com anti-sépticos orais em vez de pasta de dente (dentífrico) para limpar a língua.
  • Ingestão de líquidos para evitar desidratação e ressecamento da boca.
  • Chicletes sem açúcar aumentam a salivação e ajudam a "lavar" a boca. Cinco minutos de mastigação são suficientes.
  • Evitar álcool, café e cigarro.
  • Evitar longos períodos de jejum.
  • Alimentar-se bem no café da manhã.

Vérsion en español:  MAL ALIENTO | Causas e tratamiento

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PRESSÃO BAIXA | Sintomas e causas

Todo mundo sabe que existem pessoas com pressão alta. Mas será que também existem pessoas com pressão baixa?

Bom, vamos antes reforçar alguns conceitos.

A pressão arterial normal é em média 120 x 80 mmHg, variando entre 90 x 60 mmHg e 139 x 89 mmHg. Valores como 80 x 50 mmHg ou até 150 x 90 mmHg também podem ser normais dependendo da situação.

A pressão arterial (PA) é um dos indicadores da perfusão sanguínea para os tecidos. Chamamos de hipertensão quando a pressão arterial sanguínea está acima do necessário e hipotensão quando a mesma está baixa, não sendo suficiente para nutrir todos os tecidos do corpo. Portanto, mais do que um número absoluto, a pressão normal é aquela que mantém todos os órgãos e tecidos bem supridos de sangue, sem perigo de causar lesão aos mesmos (leia SINTOMAS E TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO ).

Se uma pessoa tem 85 x 55 mmHg e consegue fazer suas atividades diárias, ela não tem pressão baixa, ela tem pressão normal. A única diferença é que os seus valores são mais baixos que a média da população. Já conheci pessoas com PA = 60 x 30 mmHg que levam a vida normalmente.

Pressão baixaAlgumas doenças como insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS) e cirrose apresentam pressão arterial baixa. Mas são pessoas normalmente com doença avançada na qual a hipotensão é muitas vezes sintomática.

Mais um exemplo de como pressão baixa não depende de valores absolutos é o paciente hipertenso de longa data que baixa sua pressão arterial rapidamente. Imaginem uma pessoa que há anos tem PA = 170 x 100 mmHg e começa a tomar remédios ou aumenta a dose dos mesmos. Ela rapidamente consegue baixar sua pressão para 110 x 70 mmHg, mas irá se sentir mal pois o seu corpo não está habituado a trabalhar com esse valores tensionais. Isto é hipotensão relativa. Apesar dos valores estarem dentro da faixa de normalidade, ela apresenta baixa perfusão de sangue nos tecidos. O nosso organismo não sabe ler números, para ele o que importa é se o sangue chega ou não a todos os tecidos.

Logo, mais importante do que avaliar um valor específico de pressão arterial é avaliar o paciente como um todo.

E quando devemos nos preocupar com uma pressão baixa?

Todas as vezes que houver sintomas de pressão baixa como tonturas, incapacidade de se manter em pé, suores frios, pele úmida e fria, taquicardia (coração acelerado), vômitos, câimbras ou redução do nível de consciência. Resumindo, nos preocupamos com níveis tensionais baixos quando há sinais de choque circulatório estabelecido ou iminente (leia : CHOQUE CIRCULATÓRIO. O QUE É ISTO ?)

E aquelas tonturas que sentimos em dias quentes ou quando nos levantamos rapidamente?

Quando estamos submetidos a situações de estresse, como medo, calor intenso, dor etc... o corpo pode apresentar uma súbita queda da pressão por uma manobra vagal. Leia: DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL para entender melhor esta situação.

Já aquelas tonturas que sentimos quando nos levantamos muito rápidamente ocorrem pela chamada hipotensão postural. Quando estamos deitado, o corpo não precisa vencer a gravidade para levar sangue de volta ao coração e, principalmente, para o cérebro. Ao nos levantarmos, a pressão que era suficiente deitado, passa a ser insuficiente quando em pé. Em geral, o corpo rapidamente se adapta e não sentimos muitos sintomas, mas em idosos, diabéticos e pessoas desidratadas, esta resposta pode demorar alguns segundos, sendo o suficiente para ocorrerem sintomas mais fortes como tonturas, vista escurecida, suores e até quedas da própria altura.

É importante destacar que estes são eventos agudos que rapidamente são corrigidos. Algumas pessoas acreditam ter pressão baixa porque apresentam constantemente desânimo, preguiça, falta de energia, sono frequente, letargia etc... Estes não são sintomas de hipotensão.

Um caso particular são os pacientes com síndrome da fadiga crônica, um grupo de pessoas que apresentam quadro de cansaço persistente, muitas vezes incapacitante, e que, muitas vezes, apresentam níveis de pressão arterial abaixo da média, o que parece ser uma das causas para os sintomas (leia: SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA).

Na verdade, ao contrário da hipertensão, a hipotensão não é uma doença, mas sim um sinal de uma doença. Se a pessoa tem pressão baixa, nada ou quase sente, e consegue ser produtiva, levando uma vida normal, ela na verdade tem pressão normal.

Um erro comum é pôr sal embaixo da língua. Não existe doença que se trate com sal sublingual. Se for uma hipotensão real, não será isso que irá resolver. Se o paciente se sente mal, o melhor é deitá-lo com as pernas para o alto e solicitar atendimento médico caso não haja melhora espontânea.

Para finalizar:
  • Nem toda pressão arterial abaixo de 90 x 60 mmHg tem algum significado clínico
  • Nem toda pressão arterial precisa estar abaixo de 90 x 60 mmHg para ser sintomática
  • A maioria das pessoas que acredita ser hipotensa, não é.
  • Não se trata hipotensão com sal em baixo da língua
  • Hipotensão não é doença e sim um sinal de uma doença.
  • A hipertensão normalmente não tem causa. A hipotensão sempre tem.

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DIABETES MELLITUS | Sintomas, tipos e diagnóstico

Saiba como identificar os sintomas e quais os valores que indicam Diabetes.

O diabetes acontece quando há acúmulo de glicose no sangue por incapacidade das células de consumi-lo para produção de energia.

Isso pode ocorrer principalmente de 2 maneiras:

DIABETES TIPO 1 - Ocorre pela destruição das células pancreáticas que são responsáveis pela produção de insulina. Essa destruição é em geral um processo autoimune (ou seja, os anticorpos atuam contra o próprio corpo). O resultado é a ausência de insulina e a elevação da glicose sanguínea, chamada de hiperglicemia. O diabetes tipo 1 ocorre geralmente na juventude e deve ser tratado com reposição de insulina. Corresponde a apenas 10% dos caso de diabetes.

DIABETES TIPO 2 - Ocorre por diminuição na produção de insulina, mas principalmente por um mal funcionamento desta. Existe insulina, mas as células apresentam problemas em usá-la para captar a glicose. O diabetes tipo 2 ocorre em adultos, geralmente obesos e com história familiar positiva. O tratamento é feito com remédios que aumentam a afinidade das células pela insulina. Corresponde por mais de 80% dos casos de diabetes mellitus.

Diabetes mellitusCom o tempo o paciente com diabetes 2 também apresenta lesão das suas células beta do pâncreas, passando a precisar também de insulina. Portanto, não se distingue o diabetes 1 do diabetes 2 apenas pela necessidade ou não de reposição de insulina.

Existem, na verdade, outros tipos de diabetes, como o diabetes gestacional e diabetes pela pancreatite crônica (leia: PANCREATITE CRÔNICA E PANCREATITE AGUDA), mas que serão abordados em texto próprio.

Diagnóstico do diabetes mellitus

O diagnóstico do diabetes é normalmente realizado após 2 medições (em dias diferentes) da glicose sanguínea (glicemia) em jejum de 8 a 12 horas. Valores maiores ou iguais a 126 mg/ml, confirmados em 2 exames, indicam diabetes.

O valor normal é menor que 100 mg/dl. Pessoas com glicemia entre 100 e 125, apresentam sinais de resistência a insulina. Esta fase é o chamada de pré-diabetes. É o momento de fazer dieta, emagrecer e começar a praticar exercícios, para evitar a progressão da doença.

O exame de sangue deve ser feito preferencialmente em jejum, mas se o paciente apresenta sintomas de diabetes (descritos mais abaixo), um valor de glicose acima de 200mg/dl, mesmo que realizado sem jejum, também é indicativo de diabetes mellitus.

O exame correto para o diagnóstico é a analise de sangue. As fitinhas para avaliação de glicemia capilar são usadas para controle de diabéticos já em tratamento e não servem para estabelecer o diagnóstico. Obviamente, valores elevados nas fitinhas sugerem o diagnóstico, mas devem sempre ser confirmadas com análises de sangue.

Para saber mais sobre o diagnóstico do diabetes mellitus e o controle da glicemia, leia: GLICEMIA | HEMOGLOBINA GLICOSILADA | Diagnóstico do diabetes

Fatores de risco para diabetes mellitus
Sintomas do diabetes

O diabetes mellitus nas fases iniciais pode ser assintomático. Os seus sintomas são normalmente relacionados ao excesso de açúcar no sangue:

- Sede: A hiperglicemia aumenta a osmolaridade do sangue e desencadeia o mecanismo de sede. O diabético, principalmente quando a glicemia está muito alta, bebe muita água e tem muita sede.

- Urina em excesso: Normalmente o rim não elimina glicose na urina, mas em situações de hiperglicemia, ele faz seu papel de órgão regulador do organismo: excreta o que está em excesso. Como não se pode urinar açúcar, para eliminar a glicose é preciso diluí-la em água, com isso, o volume de urina aumenta. O excesso de água perdido na urina causa desidratação e contribui ainda mais para a sede. Leia mais em URINA EM EXCESSO. O QUE PODE SIGNIFICAR ?

- Fome: Como as células não conseguem captar glicose, o corpo interpreta isso como um estado de falta de alimento e gera fome. O diabético bebe muita água e não mata sede. Come e não mata a fome.

- Emagrecimento: O diabetes é uma das causas de emagrecimento sem perda de apetite.

- Visão borrada: Níveis elevados de glicose também causam alterações na acuidade visual, que às vezes podem ser confundidos com miopia pelos pacientes.

Para saber mais sobre os sintomas do diabetes, leia: SINTOMAS DO DIABETES.

Cetoacidose diabética

A cetoacidose diabética é uma complicação do diabetes tipo 1, devido a ausência de insulina. Como as células não recebem glicose, ela precisam arranjar outra fonte para gerar energia e não morrer. A solução é queimar gordura. O problema é que além de não gerar tanta energia como a glicose, a metabolização das gorduras gera uma quantidade imensa de ácidos (chamados de cetoácidos) levando a cetoacidose. O pH do sangue cai muito e pode chegar a níveis incompatíveis com a vida se não for tratado rapidamente.

Ocorre normalmente com glicemias maiores que 500 mg/dl

Estado hiperosmolar

O estado hiperosmolar é a complicação do diabetes 2 análoga a cetoacidose do diabetes 1. Como o problema não é a ausência da insulina, não ocorre a produção de cetoácidos, porém, a glicemia pode ultrapassar 1000 mg/dl. Tanta glicose deixa o sangue espesso e com uma osmolaridade elevadíssima podendo levar ao coma hiperosmolar.

Tanto a cetoacidose quanto o estado hiperosmolar têm quadro clínico semelhante. O doente apresenta desidratação grave, alterações do nível de consciência, respiração rápida e dor abdominal (estes dois últimos são mais comuns na cetoacidose).

Ambas são consideradas urgências médicas.

São normalmente desencadeados por má aderência ao tratamento, com descontrole da glicemia, mas também por infecções, uso de drogas, infartos, AVC e outros fatores de estresse.

Complicações do diabetes mellitus

O excesso de glicose sanguínea e as alterações metabólicas levam a um estado de inflamação crônica que propicia o aparecimento de todas as complicações à longo prazo do diabetes:

- Infarto do miocárdio (leia: SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA )
- AVC / Derrame (leia: AVC (acidente vascular cerebral))
- Insuficiência renal (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA - SINTOMAS)
- Cegueira
- Insuficiência arterial e amputações de membros
- Acometimento dos nervos periféricos
- Úlceras de pele.
- Síndrome do túnel do carpo (leia: SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO | Sintomas e tratamento)

Pé diabético
Pé diabético
O pé diabético é uma complicação comum do diabetes mal tratado. A diminuição do aporte de sangue e a lesão dos nervos (neuropatia diabética) dos membros inferiores, diminuem a sensibilidade do pé e das pernas fazendo que o paciente lesione esta região sem sentir dor. A dor é um dos nossos principais mecanismos de defesa e nos indica que algo de errado está acontecendo. Os doentes com neuropatia diabética não notam quando há algo ferindo seus pés, por isso, não tomam as devidas providências para proteger a pele.

É comum a formação de úlceras e em casos avançados pode ser necessário amputação do membro devido a necrose.

O diabetes também é a principal causa de insuficiência renal no mundo. Pode não só levar o doente à diálise como também causar síndrome nefrótica pelo excesso de perda de proteínas na urina. (leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA). O controle da proteinúria é um dos principais meios de evitar progressão da doença renal.

Uma imagem triste, mas comum, é a do paciente cego, com uma perna amputada, ligado à uma máquina de hemodiálise e que, depois de alguns anos, morre de infarto fulminante. Típico epílogo do diabético mal tratado.

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EJACULAÇÃO PRECOCE | Causas e tratamento

A ejaculação precoce é o distúrbio sexual mais comum em homens abaixo dos 40 anos. Saiba mais.

A ejaculação precoce é um distúrbio típico de homens jovens, em início de atividade sexual. Quando ocorre ocasionalmente, principalmente com parceiras novas, após longo período de abstinência ou nas primeiras relações sexuais da vida não é considerado nenhum problema médico.

Não existe ejaculação precoce feminina. Este é um distúrbio exclusivamente masculino.

A ejaculação precoce é considerada um problema quando afeta mais de 50% das relações sexuais de adultos.

Não há uma definição muito objetiva do que é ejaculação precoce. Não existe um tempo limite. Alguns casos são óbvios com a ejaculação acontecendo antes mesmo de haver penetração. Em geral, define-se como uma incapacidade de controlar a ejaculação de modo que a relação seja satisfatória para o casal.

Hoje em dia se considera a ejaculação precoce um distúrbio psicológico e não uma doença orgânica propriamente dita. Não existe nenhum tipo de problema no sistema reprodutivo masculino. Pênis, testículos, próstata e vesículas seminais estão em perfeita ordem.
ejaculação precoce
A ejaculação precoce pode ser dividia em primária, quando ocorre desde início da vida sexual, ou secundária, quando surge depois de alguns anos de vida sexual normal.

Normalmente nos casos primários existe algum distúrbio psicológico como ansiedade, sentimento de culpa em relação ao sexo, ou antecedentes de situações traumáticas, como abusos sexuais ou simplesmente ter sido surpreendido por alguém enquanto se masturbava.

Nos casos secundários, a ejaculação precoce pode ocorrer por um sentimento de inferioridade do homem em relação a mulher. Algo como: ela é "muita areia para o meu caminhão". Novas parceiras depois de um relacionamento longo podem levar a um sentimento de obrigação de ser efetivo. A ejaculação precoce pode também surgir após um episódio isolado de impotência sexual, provocando um quadro de ansiedade nas próximas relações. Cobranças da mulher em relação ao desempenho sexual masculino ou simplesmente o fato da nova parceira demorar mais tempo do que a anterior para atingir o orgasmo também podem ser a causa.

Como se pode ver, são todos problemas de fundo psicológico. O fato é que um episódio isolado de ejaculação precoce pode causar um estresse e uma frustração tão grande que este passa a ser o próprio fator desencadeante.

Na verdade, existem relatos de que a ejaculação precoce pode ser causada por alterações hormonais ou dos nervos que transportam os sinais dos órgãos sexuais ao cérebro. Porém, nenhuma causa objetiva foi identificada até o momento.

Tratamento da ejaculação precoce

O tratamento da ejaculação precoce pode ser feito em quatro linhas:

1. Controle da ejaculação

Algumas técnicas ajudam no prolongamento do ato sexual, como pausas quando o estímulo começar a ficar muito intenso; pode-se retirar o pênis da vagina e fazer compressão da glande (cabeça do pênis) por alguns segundos. Outra opção é pensar em fatos pouco estimulantes durante o ato sexual, como contas a pagar ou problemas no trabalho, voltando a se concentrar no mesmo após diminuição do estímulo.

Outra opção é treinar o controle através da masturbação, realizando pausas para se prolongar ereção e o período sem orgasmo.

Quando é possível prever uma relação sexual para as próximas horas, algumas pessoas sem problemas para iniciar uma ereção podem se masturbar algum tempo antes de modo que no momento do ato, a excitação não seja tão intensa.

Em alguns homens a simples presença da camisinha é suficiente para diminuir a sensibilidade peniana e evitar a ejaculação precoce. Há camisinhas mais grossas, que diminuem a sensibilidade do pênis, ajudando em alguns casos (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber).

2. Apoio psicológico

Alguns casos de ansiedade intensa ou problemas psicológicos podem precisar de ajuda profissional. Muitos homens conseguem controle da sua ereção após iniciar tratamento psicológico.

3. Medicamentos

Existem algumas opções, como cremes anestésicos ou camisinhas com produtos que diminuem a sensibilidade do pênis.

Em alguns caso antidepressivos como Sertralina, Dapoxetina, Fluoxetina ou Paroxetina ajudam no tratamento da ejaculação precoce (leia: ANTIDEPRESSIVOS: Escitalopram, Citalopram, Fluoxetina, Sertralina e Paroxetina)

Nunca se automedique, pois o uso inapropriado de um medicamento pode trazer efeitos colaterais e piorar o quadro.

4. Amadurecimento

A ejaculação precoce é muito comum em adolescentes e pessoas no início da vida sexual. A ajuda e compreensão da parceira é essencial para não se criar um peso excessivo sobre o fato. Conforme o homem vai ficando mais à vontade com a vida sexual, ele começa a ter maior controle sobre a sua ejaculação.

O melhor tratamento para a ejaculação precoce em jovens é o treino, ou seja, praticar sexo sem culpa.

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SINTOMAS DE GRAVIDEZ | TESTE DE GRAVIDEZ

"SERÁ QUE ESTOU GRÁVIDA?"

Quantas mulheres já não se fizeram esta pergunta antes? Basta uma única relação sexual sem o uso efetivo de um método anticoncepcional para que a mulher esteja sob risco de engravidar. Neste texto abordaremos os primeiros sintomas de gravidez e quais os melhores testes para diagnosticá-la.

Teste de gravidez / Diagnóstico de gravidez

O método mais confiável para diagnosticar uma gravidez é a dosagem sanguínea de um hormônio chamado gonadotrofina coriônica humana (hCG). Como costumamos dosar apenas a fração beta do hCG, o exame de sangue usado para diagnosticar a gravidez chama-se beta hCG (BhCG)

Os níveis de beta hCG começam a subir já com oito dias de fecundação, exatamente após a implantação do ovo (espermatozoide + óvulo) no útero.

Quais valores do beta hCG indicam gravidez?

- Valores de beta hCG abaixo de 5 mIU/ml são negativos, ou seja, descartam gravidez.

- Valores entre 5 e 25 mIU/ml são indefinidos e podem significar gravidez muito recente, quando ainda não houve tempo do hormônio ser suficientemente produzido para ser detectado no sangue. Nestes casos deve-se repetir o teste após três dias.

- Valores acima de 25 mIU/ml são positivos e indicam gravidez em curso.

Durante os primeiros trinta dias, o valor do beta hCG quase que dobra a cada 24-48 horas, podendo chegar até 150.000 mIU/ml na 10ª semana de gestação. Depois disso, o seu valor cai, estabilizando-se ao redor das 10.000 mIU/ml.

O beta hCG é dosado em laboratórios através de exame de sangue. A maioria das mulheres, porém, prefere métodos mais confortáveis, que possam ser feitos em casa e sem a necessidade de agulhas para colher sangue. Por isso, desde a década de 1970 existem testes de gravidez caseiros, os famosos testes de gravidez vendidos em farmácias. São nada mais do fitas que detectam a presença do beta hCG na urina.

Como as concentrações de beta hCG na urina são menores que no sangue, os testes de gravidez de farmácia demoram um pouco mais para ficarem positivos. Enquanto o beta hCG sanguíneo pode estar positivo já no primeiro dia de atraso menstrual, os testes com beta hCG urinário são melhores quando feitos após uma ou duas semanas de atraso, para se evitar falsos negativos. Quanto mais tempo se passar após a concepção, maior será o nível de BhCG sanguíneo e, consequentemente, urinário. Após duas semanas de falha do período menstrual, a sensibilidade dos testes de farmácia chega a 99%.

Teste de gravidez
Teste de gravidez
Em geral, pode-se fazer o teste de gravidez de farmácia já no primeiro dia de atraso menstrual, porém, deve-se ter em mente o risco de um resultado falsamente negativo pela precocidade do exame. Portanto, se o teste de farmácia feito com pouco tempo de atraso menstrual for negativo, é necessário repeti-lo após uma semana, caso a menstruação continue atrasada, logicamente.

Para saber mais sobre o teste de gravidez de farmácia, leia: TESTE DE GRAVIDEZ DE FARMÁCIA

Outros métodos para diagnosticar gravidez

Em gestações mais avançadas, podemos identificar o saco gestacional (estrutura que abriga o embrião) a partir da 5ª semana de gravidez através da ultrassonografia transvaginal ou a partir da 7ª semana através da ultrassonografia abdominal.

Por incrível que pareça algumas mulheres só procuram o diagnóstico após fases avançadas da gestação. Às vezes, a gravidez está tão evidente que conseguimos identificá-la através do exame físico. Com doze semanas o útero começa a ficar palpável e após 20 semanas já podemos identificar os batimentos cardíacos do feto com o estetoscópio, assim como perceber seus movimentos através da palpação abdominal.

O diagnóstico precoce da gravidez é importante para se começar logo o atendimento pré-natal. Além do controle da pressão arterial e dos níveis de glicose, o reconhecimento de uma gestação é importante para se evitar ingestão de álcool e medicamentos que possam ser danosos ao feto.

É sempre bom lembrar que o uso correto dos anticoncepcionais confere uma proteção com eficiência maior que 99%. Se você toma a pílula de forma correta, a chance de ficar grávida é quase nula.

Se o seu objetivo é engravidar e você está a procura de informações sobre o seu período fértil e o melhor momento para ter relações sexuais, leia: PERÍODO FÉRTIL | PERÍODO PARA ENGRAVIDAR.

Sintomas de gravidez


a) Atraso menstrual

O mais óbvio sintoma de gravidez é o atraso menstrual. Toda mulher em idade fértil, sexualmente ativa, com atraso no período maior que uma semana deve pensar em gravidez.

Todavia, nem todas as mulheres conseguem identificar facilmente um atraso na menstruação. Há mulheres com ciclos ovulatórios irregulares que, às vezes, ficam até dois meses sem menstruar. Outro problema é o fato de algumas grávidas apresentarem pequenos sangramentos cíclicos nos primeiros meses de gestação, levando-as a pensar que trata-se apenas de uma menstruação mais fraca. Também existe a possibilidade de ocorrer um pequeno sangramento durante a implantação do embrião na parede do útero. Essa implantação ocorre normalmente dez a quatorze dias após a fertilização, mais ou menos na época que a menstruação deveria vir, podendo também causar confusão.

Se quiser saber mais sobre o ciclo menstrual, leia: CICLO MENSTRUAL | PERÍODO FÉRTIL.

b) Náuseas e vômitos

Um clássico sintoma da gravidez são as náuseas e vômitos durante a 6ª e 12ª semanas de gestação. O quadro tende a ser pior de manhã e melhorar ao longo do dia. As náuseas podem durar até a 20ª semana de gravidez.

Para saber mais sobre enjoos durante a gravidez, leia: ENJOOS E VÔMITOS NA GRAVIDEZ | Tratamento e causas

c) Seios doloridos e inchados

O beta hCG e o aumento do estrogênio e da progesterona promovem uma estimulação das glândulas mamárias, levando ao aumento do volume dos seios, dor local e o escurecimento do mamilo. Em algumas mulheres estas alterações são precoces, enquanto outras só notam modificações nos seios após algumas semanas de atraso menstrual.

d) Cansaço

Mais comum no primeiro trimestre, a fadiga é provavelmente causada pelo aumento nos níveis de progesterona. Mulheres que praticam exercícios regularmente começam a notar uma diminuição na sua resistência, não tolerando a mesma carga de exercícios que fazia anteriormente. Mulheres sedentárias podem ficar cansadas com esforços pequenos, como subir um lance de escada ou lavar louça.

Para saber mais sobre fadiga e cansaço, leia: CANSAÇO | FADIGA | Principais causas

e) Urina frequente

Uma vontade frequente de urinar, normalmente associado à interrupção do sono e à necessidade de se levantar à noite para fazer xixi, é comum. Isto acontece por alterações do sistema renal, principalmente pelo aumento da excreção de sódio (sal).

Leia: URINA EM EXCESSO. O QUE SIGNIFICA?

f) Outros sintomas de gravidez comuns

- Desejos e aversões alimentares
- Mudanças de humor
- Constipação intestinal
- Azia
- Tonturas
- Dores de cabeça (leia: DOR DE CABEÇA | Enxaqueca e sinais de gravidade)
- Dor lombar

Para saber mais sobre os primeiros sintomas da gravidez, leia: PRIMEIROS SINTOMAS DE GRAVIDEZ.

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HEPATITE | Sintomas e tipos

Hepatite significa inflamação do fígado. Pode acometer pessoas em todas as idades.

As hepatites são causadas principalmente por:

- Vírus: Hepatite A,B,C,D e E.
- Infecções
- Álcool
- Medicamentos e drogas
- Doença autoimune (quando o corpo inapropriadamente cria anticorpos contra nós mesmos)
- choque circulatório
- Esteato-hepatite (leia: O QUE É ESTEATOSE HEPÁTICA? )

Vamos falar um pouquinho de cada uma delas. No final abordarei os sintomas, que são basicamente os mesmos independente da causa da hepatite.

1.) HEPATITES VIRAIS

Vários vírus podem causar quadros de inflamação do fígado, ou seja, hepatite. Podemos citar a dengue (leia: DENGUE | Sintomas e tratamento), o citomegalovírus e a febre amarela (leia: FEBRE AMARELA | Vacina e sintomas). Porém, chamamos de hepatites virais apenas aquelas causadas por vírus que atacam preferencialmente o fígado.

São cinco as hepatites virais: A, B, C, D e E. As três primeiras correspondem por mais 95% dos casos.

Ao contrário do que o senso comum nos leva a pensar, os vírus que causam as hepatite virais são muito diferentes entre si. O vírus da hepatite C, é por exemplo, muito mais parecido geneticamente com o vírus da dengue do que com os das outras hepatites. As hepatite virais devem ser encaradas como doenças diferentes, com tratamento e prognósticos distintos, mas que apresentam em comum o fato de serem vírus que causam hepatite.

Hepatite A (leia: HEPATITE A - Sintomas, tratamento e vacina)

É transmitida pela chamada via fecal-oral, ou seja, quando o vírus eliminado nas fezes de alguém contaminado é ingerido por uma pessoa sadia.

Você deve estar pensando como isso é nojento e que nunca aconteceria consigo. Pois a hepatite A é extremamente comum. Para entrar em contato com o vírus basta nadar em uma praia ou lago poluído por esgoto, comer algo preparado por alguém que não lava as mãos após evacuar ou se alimentar de frutos do mar oriundos de águas infectadas.

hepatite
Hepatite A no mundo
Como é de se esperar, locais com carência de saneamento básico, com esgoto a céu aberto, apresentam altas taxas de contaminação. Reparem no mapa ao lado como a prevalência da doença é muito maior nos países pobres (verde escuro).

A hepatite A costuma ser mais branda que a B ou a C. Quando contraída em criança, pode passar despercebida, sendo confundida com uma gripe comum. Nos adultos costuma ser mais sintomática (falarei dos sintomas mais para baixo). Mesmo nos casos sintomáticos, a infecção costuma curar.

Já existe vacina para hepatite A.

Hepatite B (Leia: HEPATITE B - Sintomas, diagnóstico e vacina)

É transmitida em geral por contato sexual, transfusão sanguínea ou por agulhas contaminadas, não só em usuários de drogas endovenosas, mas também em tatuagens, piercings e acupuntura.

A maioria dos doentes também costumam ter hepatite subclínica, com sintomas inespecíficos de infecção viral. O problema na hepatite B é que 5 a 10% nunca curam e desenvolvem o que chamamos de hepatite crônica, que a longo prazo pode levar a cirrose, falência hepática e câncer hepático. A chance da doença tornar-se crônica é maior nas crianças abaixo de 5 anos e chega a 90% nas infecções adquiridas por recém-nascidos durante o parto.

O vírus da hepatite B é 100 vezes mais infeccioso que o HIV. Estima-se em 350 milhões de pessoas com hepatite B crônica em todo mundo, 25% destes devem desenvolver cirrose ou câncer de fígado.

A hepatite B também tem vacina.

Hepatite C (leia : HEPATITE C - Sintomas e tratamento)

Apresenta as mesmas vias de transmissão que a hepatite B, com a diferença de ser muito menos infeccioso pela via sexual. Enquanto que a via sexual é o principal meio de transmissão na hepatite B, a via endovenosa é a mais comum na hepatite C.

A grande tragédia da hepatite C é que seu vírus só foi reconhecido no início da década de 1990. Antes disso não se sabia da sua existência, e portanto, nem as bolsas de sangue para transfusão, nem os doadores, eram testados para essa infecção.

Mais uma vez, a hepatite C aguda costuma ser pouco sintomática em 75% dos pacientes. O grande problema é que mais de 80% das pessoas infectadas evoluem para forma crônica. Destes 25% evoluirão para cirrose ou câncer em 20 a 30 anos.

Hoje estamos pegando aquelas pessoas que adquiriram o vírus nos anos 80 e agora começam a apresentar as complicações da infecção crônica.

São 170 milhões de pessoas no mundo com hepatite C.

Não há vacina, mas o tratamento evoluiu muito nos últimos anos, podendo chegar a taxas de cura de até 80%, dependendo do subtipo de vírus C (existem 3 subtipos).

2.) HEPATITE ALCOÓLICA

O álcool é reconhecidamente uma droga hepatotóxica. A hepatite alcoólica é uma síndrome associada ao consumo prolongado de álcool (leia: PERIGOS DO CONSUMO DE ÁLCOOL E DO ALCOOLISMO). Como toda hepatite crônica, também pode evoluir para cirrose e falência hepática (leia: CAUSAS E SINTOMAS DA CIRROSE HEPÁTICA). Se o paciente já é portador de hepatite viral e ainda assim consome álcool, o risco de cirrose é muito maior.

Mulheres são mais susceptíveis aos riscos do álcool que homens.

O principal tratamento é a suspensão total do consumo de álcool.

3.) HEPATITE AUTOIMUNE

Como em qualquer doença autoimune, este tipo de hepatite é causado devido a um mau funcionamento do nosso sistema de defesa que deveria atacar somente vírus, bactérias e outros invasores, mas que, inapropriadamente começa atacar também as células do fígado.

Se não for tratado a tempo, a hepatite autoimune leva a um quadro de hepatite crônica que progride com cirrose e falência hepática. Sem tratamento, metade dos pacientes com hepatite autoimune vai ao óbito em menos de 5 anos.

70% dos casos ocorrem em mulheres. Fatores genéticos estão ligados ao desenvolvimento da doença que pode ser desencadeada após quadros de hepatites virais, infecção pelo Epstein-Barr vírus (leia: MONONUCLEOSE - DOENÇA DO BEIJO ), ou por drogas como Metildopa, Nitrofurantoína e Minociclina.

A hepatite autoimune está relacionada à presença de auto-anticorpos presentes no sangue como o FAN (leia: O QUE É O FAN (FATOR ANTINUCLEAR) ? ), o anti-LKM e anticorpo anti-músculo liso.

O tratamento é feito com imunossupressores como os corticoides e a Azatioprina.

4.) HEPATITE POR DROGAS

Também pode ocorrer inflamação do fígado secundário ao uso de alguns medicamentos. Já foram descritos mais de 900 drogas ou produtos ditos "naturais" como causas de hepatite medicamentosas.

Os mais famosos são o paracetamol, ibuprofeno, amiodarona, isoniazida, drogas para baixar colesterol, eritromicina, anticoncepcionais, alopurinol, ácido valproico e esteroides anabolizantes (leia: EFEITOS COLATERAIS DOS ESTEROIDES ANABOLIZANTES).

Como vocês podem reparar são todas drogas comuns na prática médica. Não conseguimos saber de antemão quem irá evoluir com hepatite ou não. Por isso, é importante evitar a medicação desnecessária e a auto-medicação. Isto vale principalmente em relação aos "medicamentos naturais" que muitas vezes não apresentam os benefícios alegados e ainda podem levar a lesões hepáticas graves.

5.) HEPATITE ISQUÊMICA

A hepatite isquêmica é aquela que ocorre devido a um baixo fluxo de sangue para o fígado.

Normalmente ocorre após quadros de choque circulatório como em sepse grave (leia: O QUE É SEPSE / CHOQUE SÉPTICO ?) ou em estados insuficiência cardíaca avançada (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS). A cocaína pode causar espasmos das artérias hepáticas e também causar hepatite isquêmica.

6.) ESTEATO-HEPATITE

A esteato-hepatite é uma forma avançada de esteatose hepática, causada pelo acúmulo de gordura no fígado. Os principais fatores de risco são o álcool, obesidade, diabetes tipo 2 e a hipercolesterolemia (leia: COLESTEROL BOM (HDL) E COLESTEROL RUIM (LDL))

A esteato-hepatite é explicada em detalhes neste texto: O QUE É ESTEATOSE HEPÁTICA?

Sintomas da hepatite

Os sintomas da hepatite são a icterícia (pele e olhos amarelados), colúria (urina cor de mate) e acolia fecal (fezes claras, quase branca) (leia: ICTERÍCIA NO ADULTO E ICTERÍCIA NEONATAL).

Outros sintomas menos específicos incluem fraqueza, comichão generalizado, náuseas, perda de apetite, dores no fígado e febre.

icterícia
hepatite - icterícia

Colúria (à esquerda)
hepatite - colúria

O diagnóstico precoce das hepatites é importante uma vez que a interrupção do agente causador ou a instituição de tratamento precoce pode evitar a evolução para cirrose ou insuficiência hepática.

Os principais exames de sangue para identificação de uma hepatite são as transaminases (AST e ALT). Leia O QUE SIGNIFICA AST (TGO) E ALT (TGP)? para maiores detalhes.

Nas hepatites virais agudas não ha tratamento específico, mas o seguimento é importante para se identificar aqueles que evoluirão para hepatite crônica, principalmente na hepatite B e C.

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PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS

Palpitação é o nome que se dá a percepção dos batimentos cardíacos, normalmente com desconforto e sensação de que estes batimentos estão irregulares.

O nosso coração, quando estamos em repouso, realiza entre 60 e 100 batimentos por minuto. São, portanto, em média, 4.800 batimentos por hora e 115.200 batimentos por dia.

Exceto quando nos exercitamos, não sentimos os nossos batimentos cardíacos. Na verdade nem nos damos conta que temos uma bomba funcionando ininterruptamente dentro do nosso peito, colocando o sangue para circular.

A palpitação é exatamente uma anormal consciência do batimento do coração quando estamos em repouso. Normalmente o paciente se queixa de que o coração está acelerado, que sente os batimentos na garganta, ou ainda, que o coração vai sair pela boca. Normalmente estão associadas a mal estar, cansaço aos pequenos esforços, falta de ar, e às vezes, dor no peito. Se a palpitação ocorrer por uma arritmia, é possível até ocorrer desmaios (leia: DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL).

Algumas pessoas quando estão deitadas com o lado esquerdo para baixo, podem sentir os batimentos cardíacos normais sem que isso possa ser chamado de palpitação.

Palpitações e taquicardiaComo foi descrito acima, a frequência cardíaca normal varia entre 60 e 100 batimentos por minutos (bpm). Quando o coração está com mais de 100 bpm chamamos de taquicardia. Quando está abaixo dos 60 bpm, chamamos de bradicardia. As palpitações estão associadas normalmente às taquicardias.

As taquicardias são dividas entre sinusais e taquiarritmias. Vamos descrever rapidamente como funciona a atividade elétrica do coração para melhor entendermos esses dois tipos de taquicardia.

O que é taquicardia sinusal e taquiarritmia?

No ápice do átrio direito (aurícula direita), na ponta de cima do coração, encontra-se a sua fonte elétrica, chamada de nódo sinusal. O nodo sinusal produz, em uma frequência regular, uma descarga elétrica que induz a contração dos músculos cardíacos. Qualquer batimento cardíaco normal sempre se origina de um impulso elétrico originado neste nódo, por isso, chamamos o ritmo cardíaco normal de ritmo sinusal.

O caminho normal desta corrente elétrica segue primeiro para ambos os átrios (aurículas) e, depois, desce para os ventrículos. Esses impulsos elétricos são gerados a uma frequência média de 80 por minuto, podendo variar entre 60 e 100 bpm.

Palpitações e taquicardia
Sistema de condução elétrica do coração (clique para ampliar)

Toda vez que temos uma frequência cardíaca elevada devido a um aumento da frequência destes impulsos gerados no nódo sinusal, estamos diante da taquicardia sinusal. É o que ocorre, por exemplo, quando nos exercitamos ou tomamos um susto. É uma resposta normal e esperada do coração.

Quando temos impulsos elétricos vindos de outros pontos do coração que não o nódo sinusal, estamos diante de impulsos anômalos, caracterizando uma arritmia cardíaca. Se esses impulsos anômalos forem transmitidos com grande frequência para os ventrículos, levando a uma aceleração dos batimentos cardíacos, o resultado é uma taquiarritmia., ou seja, uma taquicardia causada por uma arritmia. As taquiarritmias podem chegar a 200 batimentos por minuto.

Na animação abaixo, podemos ver à esquerda um ritmo sinusal e à direita um tipo de arritmia cardíaca (neste caso uma fibrilação atrial), onde vários pontos diferentes do átrio geram impulsos elétricos ao mesmo tempo.

Reparem que neste exemplo temos uma arritmia sem taquicardia, pois apesar da grande produção de estímulos elétricos nos átrios, poucos são transmitidos para o ventrículos. Portanto, apesar da arritmia, o paciente mantém a frequência cardíaca entre 60 e 100 bpm.

Palpitações e taquicardiaPalpitações e taquicardia

Vamos fechar os conceitos:
- Taquicardia: coração com frequência acelerada (maior que 100 bpm)
- Bradicardia: coração com frequência lentificada (menor que 60 bpm)
- Ritmo sinusal: é o batimento cardíaco normal. Pode haver taquicardia sinusal ou bradicardia sinusal.
- Arritmia: ritmo cardíaco anômalo, não gerado pelo nódo sinusal. Pode existir taquiarritmia, bradiarritmia ou até arritmia com frequência normal (entre 60 e 100 bpm)

Causas de palpitações e arritmias

Diante de um quadro de palpitação, a primeira coisa a se fazer é tentar definir se trata-se de uma arritmia ou apenas um taquicardia sinusal.

Entra as causas comuns de palpitações por taquicardias sinusais podemos citar:
  • Quadros psiquiátricos como síndrome do pânico, distúrbios de ansiedade e depressão
  • Anemia
  • Febre (leia: POR QUE TEMOS FEBRE? )
  • Desidratação
  • Exercício físico
  • Estresse emocional (ex: final de campeonato ou uma apresentação em público)
Alguns fatores podem ser responsáveis por taquicardias sinusais, mas também por desencadear arritmias. São eles:
  • Consumo exagerado de cafeína
  • Cocaína
  • Anfetaminas
  • Hipertireoidismo (leia: DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREÓIDE)
  • Hipoglicemia (queda na taxa de açúcar do sangue)
  • Nicotina
As arritmias cardíacas podem também ser geradas por defeitos na condução elétrica do coração,  por quadros de isquemia do músculo cardíaco (leia: SINTOMAS DO INFARTO E DA ANGINA) ou por insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA).

A distinção entre taquicardia sinusal e taquiarritmias é feita através do eletrocardiograma (ECG). O grande problema é que grande parte das palpitações são intermitentes, e no momento do ECG elas podem já não estar mais presentes. Uma opção, então, é o Holter, que nada mais é do que uma máquina que registra o ECG durante 24 horas. Deste modo, consegue-se detectar qualquer arritmia que se manifeste neste período. Mais uma vez, existe o risco de não haver episódios de arritmias durante o período do exame, não sendo possível estabelecer o diagnóstico.

A importância de se determinar a causa das palpitações está no fato de que, apesar deste sintoma ser benigno na sua grande maioria dos casos, existem algumas alterações cardíacas que podem levar arritmias graves com risco de morte (leia: INFARTO FULMINANTE | Causas e sintomas)

Exitem 4 fatores na história clínica dos pacientes que apontam para etiologia cardíaca.

- Sexo masculino
- Descrição pelo paciente de batimentos irregulares
- História prévia de doença cardíaca como insuficiência cardíaca ou infarto
- Duração da palpitação maior que 5 minutos

Se você tem palpitações mas não apresenta nenhum dos fatores acima a chance dos seus sintomas ter origem em problemas cardíacos é muito pequena. Se tem os 4, é quase certo que tenha alguma arritmia cardíaca.

Deve-se salientar que mesmo aqueles que têm palpitações por arritmias cardíacas apresentam prognóstico favorável na maioria dos casos. Palpitações causadas arritmias malignas são a minoria. Mas como são muito graves, devem sempre ser descartadas.

Se você sente palpitações é importante colocar o dedo no próprio pulso e avaliar 2 dados. O primeiro é o ritmo cardíaco. O coração normal bate de modo regular, com intervalos de tempo iguais entre os batimentos. Se notar um ritmo irregular, é provável tratar-se de uma arritmia cardíaca. Atenção, porém, que nem toda arritmia se manifesta com um ritmo cardíaco irregular.

Ritmo regular:
tum.....tum.....tum.....tum.....tum.....tum.....tum.....tum.....tum.....tum....tum.

Ritmo irregular:
tum.....tum.............tum.tum.tum...........tum..tum............tum......tum...........tum.tum.tum.

Outro dado importante é a frequência cardíaca. Frequências maiores que 150 batimentos em repouso e na ausência de febre são quase sempre indicativas de arritmias, mesmo se houver um ritmo cardíaco regular. Em idosos, frequências maiores que 130 BPM já sugerem arritmias.

Existem vários tipos de arritmias, mas as mais comuns são a fibrilação atrial (auricular) e a taquicardia supraventricular. A primeira é mais comum em idosos e a segunda em jovens.

Tratamento das palpitações e arritmias

O tratamento das palpitações depende da causa. Se a palpitação for causada por um taquicardia sinusal e a sua origem for anemia. Basta corrigi-la. Se for febre, ela desaparecerá quando a temperatura corporal se normalizar. Se a taquicardia ocorre por distúrbios de ansiedade, o tratamento com o ansiolíticos costuma ser eficaz.

No caso de arritmias cardíacas, principalmente naqueles sem doença cardíaca prévia, o tratamento pode ser a ablação (destruição por cauterização) do foco elétrico anômalo. Em outros casos, pode-se lançar mão de alguns medicamentos para o controle da frequência cardíaca como, entre outros, a amiodarona e os beta-bloqueadores, este último, medicamentos também usados no tratamento da hipertensão.

Em casos de taquiarritmias graves que podem levar à parada cardíaca, chamada de arritmias malignas, pode ser necessária a colocação cirúrgica de um desfibrilador implantável, um aparelho que detecta estas arritmias  e imediatamente lança um choque elétrico no coração, restabelecendo o ritmo cardíaco normal e abortando a parada cardíaca.

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GLOMERULONEFRITE | O que é, sintomas e tratamento.

Glomerulonefrite é o nome que se dá ao grupo de doenças renais causadas pela inflamação dos glomérulos.

Tá bom, eu sei que a frase acima não explica muita coisa. O fato é que, para se entender glomerulonefrite, é preciso primeiro entender o que é um glomérulo.

Dos mais de 200 assuntos que eu já escrevi, este talvez seja o mais difícil de explicar para leigos devido a complexidade das lesões e das doenças que afetam o glomérulo.

Bom, vamos lá então...

Todos os nosso órgãos são compostos por unidades básicas de funcionamento. Temos os neurônios no cérebro, os hepatócitos no fígado, os alvéolos no pulmão, etc... No rim, a unidade básica é o néfron.

Cada rim possui um milhão de néfrons. Essas unidades microscópicas são as responsáveis pela filtragem do sangue e pelas substâncias produzidas nos rins. Cada néfron é composto de um glomérulo e seu respectivo túbulo renal.

Essa coisinha "simples" aí do gráfico abaixo é um néfron com seu glomérulo, vasos sanguíneos e túbulo renal. Não é preciso entender o desenho, ele é só ilustrativo.

nefron
Néfron - clique na imagem para ampliá-la

Podemos resumir o funcionamento do rim da seguinte maneira.

O sangue que chega ao rins, passa obrigatoriamente pelos glomérulos, um conjunto de microscópicos capilares enovelados que possuem uma membrana filtradora na sua parede. O glomérulo é o verdadeiro filtro do organismo.

Glomérulo
Glomérulo visto por microscopia eletrônica


Reparem no gráfico abaixo. O sangue chega por uma arteríola (uma artéria microscópica), passa por vários capilares dentro do glomérulo, sofre o processo de filtração e depois retorna a corrente sanguínea. Tudo o que foi filtrado pelos capilares vai em direção ao túbulo renal. No túbulo renal, algumas importantes substâncias filtradas como glicose, sódio, potássio, cálcio etc... serão reabsorvidas de acordo com as necessidades do organismo antes da urina estar pronta. Só sai na urina o que não é necessário ou está em excesso.

Podemos dizer que o glomérulo separa o que vai para a urina e o que volta para o sangue, enquanto que os túbulos definem o quanto de cada substância filtrada vai realmente sair na urina. Por exemplo, se tivermos com o potássio baixo no sangue, o túbulo vai reabsorver todo o potássio que for filtrado impedindo que este saia na urina. Se o potássio estiver alto, ele não vai reabsorver nada.

Substâncias grandes, como as proteínas, não são filtradas por serem maiores que os poros da membrana glomerular. Elas nem chegam ao túbulo. Por isso, uma urina normal quase não tem proteínas em seu conteúdo.

O processo final da filtração glomerular e reabsorção tubular destes 1 milhão de néfrons é que forma a nossa urina.
Glomerulonefrite
Glomérulo - Clique na imagem para ampliá-la


Portanto, como é o glomérulo o principal responsável pela filtração do sangue, qualquer doença que o acometa, afeta a função dos nossos rins.

Existem 2 tipos básicos de lesão dos glomérulos:

- Síndrome nefrítica ou glomerulonefrite.
- Síndrome nefrótica, explicada com detalhas em outro texto (leia SÍNDROME NEFRÓTICA)

Na síndrome nefrítica, um processo inflamatório (leia O que é o pus ? O que é um abscesso? O que é uma inflamação) causa lesão e reduz a capacidade do glomérulo de filtrar o sangue, causando um quadro de insuficiência renal aguda (leia: ENTENDA A INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA), hipertensão e sangue na urina (leia HEMATÚRIA ( URINA COM SANGUE )).

Na síndrome nefrótica o mais comum é lesão na membrana glomerular sem inflamação evidente. Podemos fazer a analogia com coador furado. As proteínas que normalmente não são filtradas, quando há lesões na membrana do glomérulos, "vazam" em direção ao túbulos e são indevidamente eliminadas na urina. Por isso, perda de proteínas na urina, chamada de proteinúria, é um sinal de doença glomerular. Na verdade, a proteinúria é sinal de doença, mas também é responsável pela progressão da mesma. Os túbulos não estão preparados para receber proteínas e, na tentativa de reabsorvê-las de volta ao sangue, suas células acabam sofrendo lesão.

Portanto, em um primeiro momento a proteinúria nos mostra que há algo de errado no rim. Se não tratada, ela passa a ser mais um fator de agressão e evolução para insuficiência renal.

Não é incomum encontrarmos síndrome nefrótica e síndrome nefrítica ao mesmo tempo, basta que haja lesões na membrana glomerular e intensa atividade inflamatória no glomérulo.

Qual a causa das doenças glomerulares ?

As doenças glomerulares têm várias causas. Didaticamente são divididas em primárias, quando não há etiologia aparente, ou secundárias, quando ocorrem devido a alguma doença sistêmica.

Entre as glomerulopatias secundárias (nefrítica e/ou nefrótica) podemos citar algumas causas:

- Lúpus (leia: LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO ( LES ))
- Hepatite B (Leia: HEPATITE B - Sintomas, diagnóstico e vacina)
- Hepatite C (leia : HEPATITE C - Sintomas e tratamento)
- HIV (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA))
- Diabetes (leia: DIABETES MELLITUS - DIAGNÓSTICO E SINTOMAS)
- Obesidade mórbida (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA)
- Uso de heroína
- Sífilis (leia: SÍFILIS - SINTOMAS E TRATAMENTO)
- Granulomatose de Wegener (leia: GRANULOMATOSE DE WEGENER)
- Doença de Goodpasture
- Câncer (leia: CÂNCER (CANCRO) - SINTOMAS E DEFINIÇÕES)
- Faringites ou lesões de pele pela bactéria Estreptococos (glomerulonefrite pós infecciosa) (leia: DOR DE GARGANTA - FARINGITE E AMIGDALITE)
- Infecções de pele causadas pela bactéria Estreptococos, como o impetigo (leia: IMPETIGO COMUM e IMPETIGO BOLHOSO | Sintomas e tratamento)
- Amiloidose

Já as glomerulopatias primárias são:

- Glomeruloesclerose segmentar e focal (síndrome nefrítica e/ou nefrótica)
- Doença de lesão mínima (Síndrome nefrótica)
- Nefropatia membranosa (Síndrome nefrótica)
- Glomerulonefrite membranoproliferativa ( síndrome nefrítica e/ou nefrótica)
- Nefropatia por IgA (síndrome nefrítica) (leia: DOENÇA DE BERGER | NEFROPATIA POR IgA | Tratamento e sintomas).

Amarrando os conceitos, podemos dizer que as glomerulopatias secundárias são aquelas causadas por alguma doença e que as glomerulopatias primárias são a própria doença.

Cada uma destas doenças glomerulares tem quadro clínico, prognóstico e tratamento distintos. Por isso, o diagnóstico do tipo de lesão glomerular e o reconhecimento da presença ou não de doença sistêmica associada é vital para o tratamento.

Análises de sangue podem evidenciar insuficiência renal através do aumento da creatinina (leia: VOCÊ SABE O QUE É CREATININA ?) e proteínas sanguíneas, como a albumina, em valores baixos pela excesso de perda urinária. Análises de urina podem demonstrar sangue e perda de proteínas. O exame físico pode identificar hipertensão e edemas pelo corpo.

Porém, esses fatores apenas sugerem a presença de uma doença glomerular, sem estabelecer qual dos tipos descritos acima se trata. Isto é particularmente real nas glomerulopatias primárias. É claro que se um paciente tem hepatite C e de repente começa a apresentar sinais de glomerulopatia, a causa da lesão renal é mais ou menos óbvia. O problema é que algumas doenças como o lúpus podem causar diferentes tipos de glomerulonefrite e lesão glomerular, sendo necessário diferentes tratamentos para cada uma.

Por tudo isso, o exame definitivo par o diagnóstico das glomerulopatias é a biópsia renal (leia: ENTENDA A BIÓPSIA RENAL). A biópsia além de definir o tipo de glomerulonefrite, também fornece indicações do prognóstico da doença. Se na amostra da biópsia evidenciarmos várias lesões graves e muitas cicatrizes, dificilmente este doente irá responder aos medicamentos.

Como a maioria das glomerulonefrites e glomerulopatias têm origem em fatores imunológicos, às vezes relacionados a doenças auto-imunes (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE), o tratamento se baseia no uso de imunossupressores pesados como corticóides (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICÓIDES ), ciclofosfamida, ciclosporina, azatioprina e micofenolato mofetil. Se na biópsia já se identifica muita lesão avançada e pouca possibilidade de cura, muitas vezes o tratamento trás mais complicações do que alguma melhora.

Em relação ao prognóstico, vários fatores interferem. Algumas doenças como a lesão mínima e a nefropatia por IgA são naturalmente mais benignas do que a nefrite lúpica ou a glomerulonefrite secundária a granulomatose de Wegener que evoluem muito mal se não tratadas a tempo.

As glomerulopatias ficam apenas atrás do Diabetes e da hipertensão como causas de insuficiência renal crônica com necessidade de hemodiálise. O grande problema é que elas são mal diagnosticadas e, muitas vezes, mal tratadas.

Se você tem algum sinal que possa sugerir uma doença glomerular, principalmente sangue ou proteínas na urina (mesmo que em pequena quantidade), a não ser que a causa seja óbvia como em uma infecção urinária ou cálculo renal, deve-se sempre procurar a ajuda de um nefrologista.

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