Para entender embolia pulmonar é preciso antes saber alguns conceitos básicos como: o que é uma trombose, o que é embolia, o que é uma isquemia e o que é um infarto. Vamos lá, então.
Trombo = É uma espécie de coágulo de sangue que se localiza dentro de um vaso sanguíneo, aderido a parede do mesmo, obstruindo a passagem de sangue. A obstrução pode ser parcial ou total. Quando um trombo se forma e obstrui o fluxo normal de sangue, chamamos esse evento de trombose. A trombose das artérias coronárias é a principal causa de infartos do miocárdio.
- Êmbolo = Quando um trombo que está aderido a parede do vaso se solta e viaja pela corrente sanguínea recebe o nome de êmbolo. O êmbolo viaja pelo corpo até encontrar um vaso com calibre menor do que o próprio, ficando preso e obstruindo a circulação do sangue. Quando o êmbolo impacta em uma vaso damos o nome de embolia. Se o vaso obstruído fica no cérebro, chamamos de embolia cerebral. Se fica no pulmão, chamamos de embolia pulmonar.
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| Trombose |
Abaixo, um gráfico mostrando uma embolia pulmonar com origem nas veias do membro inferior esquerdo.
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| Embolia pulmonar |
- Infarto = É a morte das células por uma isquemia prolongada. Se a trombose ou a embolia não forem tratadas, todo o tecido que recebe sangue pela artéria obstruída morre. Exemplos: se a trombose ocorre nas artérias coronárias, temos o infarto do miocárdio (ataque cardíaco). Se ocorre em um vaso cerebral, temos um AVC. Se ocorre no pulmão, temos o infarto pulmonar, que é o resultado final de um tromboembolismo pulmonar.
Para se entender corretamente a embolia pulmonar, mais 2 explicações são necessárias. Leia com calma essa parte.
Vamos lembrar as diferenças entre as veias e as artérias. A artéria é o vaso responsável por levar o sangue rico em oxigênios aos órgãos, enquanto que a veia é quem leva de volta para o coração o sangue já pobre em oxigênio (O2) e agora rico em gás carbônico (CO2), produzido pelas células e tecidos. A artéria traz sangue com O2 em direção aos tecido e a veia leva o sangue rico em CO2 embora.
Uma trombose pode ocorrer tanto em uma artéria quanto em uma veia. Quando ocorre na artéria, temos a isquemia dos tecidos que receberiam sangue e oxigênio deste vaso. Quando ocorre na veia, não acontece isquemia, já que o sangue venoso não nutre os tecido com O2, e sim, vai na direção contrária. A trombose na veia causa obstrução e represamento do sangue nos tecidos, formando o edema (inchaço) no local acometido.
A última explicação necessária é em relação a circulação do sangue no coração e pulmões. Todo o sangue trazido pelas veias termina na parte direita do coração (ventrículo e átrio direito). Esse sangue é bombeado e imediatamente cai na artéria pulmonar para ser oxigenado nos pulmões. Após a oxigenação, o sangue volta pelas veias pulmonares para o lado esquerdo do coração (átrio e ventrículo esquerdo) sendo agora bombeado para o resto do corpo. Ao contrário do que ocorre em todo o corpo, no pulmão o sangue rico em oxigênio está nas veias e o pobre nas artérias.
Resumindo a história toda:
1- O sangue com pouco O2 e muito CO2 chega ao coração e vai aos pulmões para receber o oxigênio respirado e eliminar o gás carbônico. 2- Novamente rico em oxigênio, o sangue volta ao coração sendo bombeado em duração aos tecidos através das artérias. 3- Após deixar o oxigênio nas células e receber gás carbônico (CO2) das mesmas, o sangue chegas as veias para retornar ao coração e começar o todo o processo novamente.
Pronto agora já podemos falar especificamente sobre embolia pulmonar.
Como mostrado no gráfico acima, a principal causa de embolia pulmonar são embolias que se originam de tromboses nas veias dos membros inferiores. Falarei com mais calma sobre trombose venosa profunda dos membros inferiores em um texto a parte. Aqui é importante destacar que qualquer trombose nas veias profundas das pernas é uma uma urgência médica pelo perigo de embolização para o pulmão. A trombose venosa profunda (TVP) se manifesta como um quadro súbito de dor, inchaço e vermelhidão de uma das panturrilhas (gemelares) ou da coxas.
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| Trombose venosa profunda |
Portanto, os fatores de risco para tromboembolismo pulmonar são os mesmos da trombose venosa profunda. São eles:
- Obesidade (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA)
- Tabagismo (leia: COMO E POR QUE PARAR DE FUMAR CIGARRO)
- Varizes e insuficiência venosa dos membros inferiores (leia: VARIZES | Causas e Tratamento)
- Câncer (leia: CÂNCER (CANCRO) - SINTOMAS E DEFINIÇÕES)
- Idade avançada
- Insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS)
- Síndrome nefrótica (leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA)
- Gravidez
- Pílula anticoncepcional,
- Reposição hormonal
- Uso de tamoxifeno ou raloxifeno
- Trombofilias (doenças da coagulação como anticorpo antifosfolipídio)
- Imobilização prolongada, como em casos de pessoas acamadas ou longas viagens de avião.
E quais são os sintomas da embolia pulmonar ?
A resposta é depende. Veja a foto de uma angiografia pulmonar abaixo. Repare na vascularização do pulmão. Os sintomas da embolia pulmonar vão depender do tamanho do êmbolo e do tamanho da região que sofreu infarte.
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| Angiografia pulmonar |
Como a área infartada é pequena, o paciente sente apenas uma dor na região tórax, que piora a inspiração profunda. Pode haver também uma tosse seca e eventualmente expectoração com sangue (leia: TOSSE E ESCARRO COM SANGUE )
Imaginemos agora um êmbolo um pouco maior que obstrua os vasos pulmonares na altura do número 2. A obstrução por ser mais central vai acarretar em uma área maior de infarte pulmonar. Este paciente além da dor e da tosse, apresenta também súbita falta de ar, palpitações e tosse com expectoração sanguinolenta. Quanto maior for a área infartada, mais grave será o quadro.
Para terminar, vamos ao exemplo 1. Esse é o chamado tromboembolismo maciço. O êmbolo é tão grande que obstrui a circulação sanguínea de praticamente todo o pulmão (veja foto abaixo). Este quadro é gravíssimo pois além de infartar todo um pulmão, o sangue que não consegue ultrapassar a barreira imposta pelo êmbolo, volta para o coração causando um súbito aumento da pressão dentro deste e uma rápida dilatação do mesmo. O paciente pode morrer em minutos por falência cardíaca.
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| Embolia pulmonar |
O tratamento pode ser apenas com anticoagulação e suporte nos casos menos graves, até uso trombolíticos (substâncias que diluem o êmbolo) e cirurgia de emergência.
O mais importante no tromboembolismo pulmonar é a prevenção. Como a gravidade de um TEP é imprevisível e nos casos mais graves os paciente sequer chegam ao hospital com vida, é imprescindível realizar a profilaxia nos casos com maior risco, como nas cirurgias ortopédicas dos membros inferiores.
A profilaxia é feita normalmente com anticoagulação, normalmente com heparina em doses baixas. Em alguns casos coloca-se um filtro na veia cava do paciente para evitar que possíveis êmbolos cheguem aos pulmões. Pacientes com antecedentes de doenças da coagulação devem ficar anticoagulados para o resto da vida.
Ainda existem outros tipos de embolia pulmonar:
a.) Usuários de drogas injetáveis podem sofrer embolização por materiais presentes na droga.
b.) Embolia gasosa que ocorre se injetarmos ar nas veias.
c.) Embolia gordurosa quando há fraturas de grandes ossos com liberação da medula óssea para a corrente sanguínea
d.) Embolia séptica, quando pedaços de vegetações causada por colônias de bactérias viajam pela corrente sanguínea. Isso ocorre principalmente na endocardite (infecções das válvulas do coração)




























