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Câncer de próstata

CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento

O câncer da próstata é o tumor maligno mais comum do sexo masculino (excetuando-se os cânceres de pele) e o segundo que mais mortes causa, perdendo apenas para o câncer de pulmão.

Celulite

CELULITE | Causas e Tratamento

A celulite, aquelas indesejadas irregularidades na pele que proporcionam uma aparência semelhante a casca de laranja, recebe o nome em medicina de hidrolipodistrofia ginóide.

Mioma

MIOMA UTERINO | Sintomas, causas e tratamento

O mioma é um tumor benigno do útero, ou seja, uma lesão que não é câncer e nem apresenta risco de se transformar em um. O útero é um órgão majoritariamente composto por músculos.

Obesidade

TRATAMENTO DA OBESIDADE | Mudanças de hábitos de vida

A obesidade é uma das maiores epidemias do mundo, apresentando crescimento constante nas últimas décadas. Este é o segundo texto da série sobre obesidade, onde vamos abordar as principais mudanças de hábitos de vida.

Calvície

CALVÍCIE | QUEDA DE CABELOS | Causas e tratamento

A queda de cabelo, conhecida como calvície (ou calvíce), recebe em medicina o nome de alopécia androgênica. Alopécia significa queda de cabelo, e androgênica se refere a influência dos hormônio masculinos no processo.

EMBOLIA PULMONAR | Sintomas e tratamento

Entenda o que é a embolia pulmonar, quais são suas causas, os sintomas e como evitá-la.

Para entender embolia pulmonar é preciso antes saber alguns conceitos básicos como: o que é uma trombose, o que é embolia, o que é uma isquemia e o que é um infarto. Vamos lá, então.

Trombo = É uma espécie de coágulo de sangue que se localiza dentro de um vaso sanguíneo, aderido a parede do mesmo, obstruindo a passagem de sangue. A obstrução pode ser parcial ou total. Quando um trombo se forma e obstrui o fluxo normal de sangue, chamamos esse evento de trombose. A trombose das artérias coronárias é a principal causa de infartos do miocárdio.

- Êmbolo = Quando um trombo que está aderido a parede do vaso se solta e viaja pela corrente sanguínea recebe o nome de êmbolo. O êmbolo viaja pelo corpo até encontrar um vaso com calibre menor do que o próprio, ficando preso e obstruindo a circulação do sangue. Quando o êmbolo impacta em uma vaso damos o nome de embolia. Se o vaso obstruído fica no cérebro, chamamos de embolia cerebral. Se fica no pulmão, chamamos de embolia pulmonar.
Trombose
Trombose
A trombose costuma ser um processo mais lento, com crescimento progressivo do trombo. A obstrução dos vasos vai piorando com o tempo. Já a embolia é um evento agudo, uma obstrução súbita do vaso acometido.

Abaixo, um gráfico mostrando uma embolia pulmonar com origem nas veias do membro inferior esquerdo.

Embolia pulmonar
Embolia pulmonar
- Isquemia = É a falta de suprimento de sangue para algum tecido orgânico. Toda vez que a circulação de sangue não é suficiente para o funcionamento das células, ocorre a isquemia. É um processo reversível se tratado a tempo. Tanto um trombo como um êmbolo podem ser a causa da isquemia.

- Infarto = É a morte das células por uma isquemia prolongada. Se a trombose ou a embolia não forem tratadas, todo o tecido que recebe sangue pela artéria obstruída morre. Exemplos: se a trombose ocorre nas artérias coronárias, temos o infarto do miocárdio (ataque cardíaco). Se ocorre em um vaso cerebral, temos um AVC. Se ocorre no pulmão, temos o infarto pulmonar, que é o resultado final de um tromboembolismo pulmonar.

Para se entender corretamente a embolia pulmonar, mais 2 explicações são necessárias. Leia com calma essa parte.

Vamos lembrar as diferenças entre as veias e as artérias. A artéria é o vaso responsável por levar o sangue rico em oxigênios aos órgãos, enquanto que a veia é quem leva de volta para o coração o sangue já pobre em oxigênio (O2) e agora rico em gás carbônico (CO2), produzido pelas células e tecidos. A artéria traz sangue com O2 em direção aos tecido e a veia leva o sangue rico em CO2 embora.

Uma trombose pode ocorrer tanto em uma artéria quanto em uma veia. Quando ocorre na artéria, temos a isquemia dos tecidos que receberiam sangue e oxigênio deste vaso. Quando ocorre na veia, não acontece isquemia, já que o sangue venoso não nutre os tecido com O2, e sim, vai na direção contrária. A trombose na veia causa obstrução e represamento do sangue nos tecidos, formando o edema (inchaço) no local acometido.

A última explicação necessária é em relação a circulação do sangue no coração e pulmões. Todo o sangue trazido pelas veias termina na parte direita do coração (ventrículo e átrio direito). Esse sangue é bombeado e imediatamente cai na artéria pulmonar para ser oxigenado nos pulmões. Após a oxigenação, o sangue volta pelas veias pulmonares para o lado esquerdo do coração (átrio e ventrículo esquerdo) sendo agora bombeado para o resto do corpo. Ao contrário do que ocorre em todo o corpo, no pulmão o sangue rico em oxigênio está nas veias e o pobre nas artérias.

Resumindo a história toda:

1- O sangue com pouco O2 e muito CO2 chega ao coração e vai aos pulmões para receber o oxigênio respirado e eliminar o gás carbônico. 2- Novamente rico em oxigênio, o sangue volta ao coração sendo bombeado em duração aos tecidos através das artérias. 3- Após deixar o oxigênio nas células e receber gás carbônico (CO2) das mesmas, o sangue chegas as veias para retornar ao coração e começar o todo o processo novamente.

Pronto agora já podemos falar especificamente sobre embolia pulmonar.

Como mostrado no gráfico acima, a principal causa de embolia pulmonar são embolias que se originam de tromboses nas veias dos membros inferiores. Falarei com mais calma sobre trombose venosa profunda dos membros inferiores em um texto a parte. Aqui é importante destacar que qualquer trombose nas veias profundas das pernas é uma uma urgência médica pelo perigo de embolização para o pulmão. A trombose venosa profunda (TVP) se manifesta como um quadro súbito de dor, inchaço e vermelhidão de uma das panturrilhas (gemelares) ou da coxas.

Trombose venosa profunda
Trombose venosa profunda
Ao lado, uma imagem de uma  TVP. Reparem na assimetria das pernas. O lado inchado e avermelhado é onde ocorreu a trombose.

Portanto, os fatores de risco para tromboembolismo pulmonar são os mesmos da trombose venosa profunda. São eles:
Mesmos pessoas jovens que não têm nenhum dos fatores de risco listados acima, podem apresentar quadro de embolia pulmonar. Isto é particularmente verdade nos casos de cirurgias envolvendo a pelve e/ou os membros inferiores. Além do risco de formação de coágulos pela própria cirurgia, estes pacientes ainda ficam vários dias acamados sem poder andar, aumentando ainda mais o risco de tromboses dos membros.

E quais são os sintomas da embolia pulmonar ?

A resposta é depende. Veja a foto de uma angiografia pulmonar abaixo. Repare na vascularização do pulmão. Os sintomas da embolia pulmonar vão depender do tamanho do êmbolo e do tamanho da região que sofreu infarte.

Angiografia pulmonar
Angiografia pulmonar
Vamos descrever então as três opções acima. Começamos pelo hipótese 3. Imaginemos um êmbolo pequeno que atravesse toda a circulação pulmonar e só obstrua um vaso de pequenos calibre, já na periferia do pulmão, responsável por uma pequena área de parênquima pulmonar.

Como a área infartada é pequena, o paciente sente apenas uma dor na região tórax, que piora a inspiração profunda. Pode haver também uma tosse seca e eventualmente expectoração com sangue (leia: TOSSE E ESCARRO COM SANGUE )

Imaginemos agora um êmbolo um pouco maior que obstrua os vasos pulmonares na altura do número 2. A obstrução por ser mais central vai acarretar em uma área maior de infarte pulmonar. Este paciente além da dor e da tosse, apresenta também súbita falta de ar, palpitações e tosse com expectoração sanguinolenta. Quanto maior for a área infartada, mais grave será o quadro.

Para terminar, vamos ao exemplo 1. Esse é o chamado tromboembolismo maciço. O êmbolo é tão grande que obstrui a circulação sanguínea de praticamente todo o pulmão (veja foto abaixo). Este quadro é gravíssimo pois além de infartar todo um pulmão, o sangue que não consegue ultrapassar a barreira imposta pelo êmbolo, volta para o coração causando um súbito aumento da pressão dentro deste e uma rápida dilatação do mesmo. O paciente pode morrer em minutos por falência cardíaca.

Embolia pulmonar na angiografia
Embolia pulmonar
O diagnóstico do TEP é feito através de exames como a tomografia computadorizada, cintilografia e angiografia.

O tratamento pode ser apenas com anticoagulação e suporte nos casos menos graves, até uso trombolíticos (substâncias que diluem o êmbolo) e cirurgia de emergência.

O mais importante no tromboembolismo pulmonar é a prevenção. Como a gravidade de um TEP é imprevisível e nos casos mais graves os paciente sequer chegam ao hospital com vida, é imprescindível realizar a profilaxia nos casos com maior risco, como nas cirurgias ortopédicas dos membros inferiores.

A profilaxia é feita normalmente com anticoagulação, normalmente com heparina em doses baixas. Em alguns casos coloca-se um filtro na veia cava do paciente para evitar que possíveis êmbolos cheguem aos pulmões. Pacientes com antecedentes de doenças da coagulação devem ficar anticoagulados para o resto da vida.

Ainda existem outros tipos de embolia pulmonar:

a.) Usuários de drogas injetáveis podem sofrer embolização por materiais presentes na droga.
b.) Embolia gasosa que ocorre se injetarmos ar nas veias.
c.) Embolia gordurosa quando há fraturas de grandes ossos com liberação da medula óssea para a corrente sanguínea
d.) Embolia séptica, quando pedaços de vegetações causada por colônias de bactérias viajam pela corrente sanguínea. Isso ocorre principalmente na endocardite (infecções das válvulas do coração)

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VACINAS | Calendário, efeitos colaterais e contra-indicações

Saiba tudo sobre as vacinas: Calendário de vacinação brasileiro, efeitos colaterais, contra indicações e imunizações em casos especiais.

A imunização através da vacinação é uma das formas mais efetivas de se prevenir doenças infecciosas graves e interromper epidemias. Graças a campanhas de vacinação bem sucedidas nas últimas décadas, doenças como poliomielite, varíola e sarampo praticamente não existem mais em diversos países.

Antes de falarmos com mais detalhes sobre vacinas, vamos ao calendário básico de vacinação.

* As informações abaixo se referem ao calendário brasileiro vacinação do ano de 2011.
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AO NASCER
  • VacinaçãoBCG – Vacina contra a tuberculose
  • VHB – Vacina contra a hepatite B - 1ª dose
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1 MÊS
  • VHB – Vacina contra a hepatite B - 2ª dose
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2 MESES
  • Vacina tetravalente (DTP + Hib) - Difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b - 1ª dose
  • VOP (vacina oral contra pólio) - Poliomielite (paralisia infantil) - 1ª dose
  • VORH (Vacina Oral de Rotavírus Humano) - Diarréia por Rotavírus -1ª dose
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4 MESES
  • Vacina tetravalente (DTP + Hib) - Difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b - 2ª dose
  • VOP (vacina oral contra pólio) - Poliomielite (paralisia infantil) - 2ª dose
  • VORH (Vacina Oral de Rotavírus Humano) - Diarréia por Rotavírus -2ª dose
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6 MESES
  • Vacina tetravalente (DTP + Hib) - Difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b - 3ª dose
  • VOP (vacina oral contra pólio) - Poliomielite (paralisia infantil) - 3ª dose
  • VHB – Vacina contra a hepatite B - 3ª dose
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9 MESES
  • Vacina contra febre amarela
  • A vacina contra febre amarela está indicada para crianças a partir dos 09 meses de idade, que residam ou que irão viajar para área endêmica (estados: AP, TO, MA MT, MS, RO, AC, RR, AM, PA, GO e DF), área de transição (alguns municípios dos estados: PI, BA, MG, SP, PR, SC e RS) e área de risco potencial (alguns municípios dos estados BA, ES e MG). Se viajar para áreas de risco, vacinar contra Febre Amarela 10 (dez) dias antes da viagem.
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12 MESES
  • MMR ou SRC (tríplice viral) - Sarampo, rubéola e caxumba
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15 MESES
  • VOP (vacina oral contra pólio)- Poliomielite (paralisia infantil) - reforço (4ª dose)
  • DTP (tríplice bacteriana) - Difteria, tétano e coqueluche ( sem Haemophilus influenzae tipo b) - 1º reforço (4ª dose)
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4 a 6 ANOS
  • DTP (tríplice bacteriana - Difteria, tétano e coqueluche - 2º reforço (5ª dose)
  • SRC (tríplice viral) - Sarampo, rubéola e caxumba - reforço (2ª dose)
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10 ANOS
  • Vacina contra febre amarela - reforço (2ª dose)
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Vacinas não oferecidas gratuitamente na rede pública de saúde

1.) Antimeningocócica tipo C - Meningite meningocócica - Doses aos 3, 5 e 12 meses
2.) PCV7 heptavalente - Infecções pelo pneumococo - Doses aos 2, 4, 6 e 15 meses
3.) Influenza - Gripe - Doses aos 6 e 12 meses
4.) Varicela - Catapora - Dose única aos 12 meses
5.) Anti-Hepatite A - Hepatite A - Dose aos 12 e 18 meses
6.) Papilomavírus - HPV - doses ao 12 anos com reforços após 2 e 6 meses

Vacinação de adultos e idosos

1.) dT (Dupla tipo adulto) - Contra Difteria e Tétano - Reforço a cada 10 anos
2.) Vacina contra febre amarela - Reforço a cada 10 anos se morar em área de risco. Se viajar para áreas de risco, vacinar contra Febre Amarela 10 (dez) dias antes da viagem.
3.) Vacina Contra Hepatite B (em não imunizados durante a infância) - 3 doses (2ª dose 2 meses depois e 3ª dose 6 meses após a primeira)
4.) Influenza - Antigripe - Anualmente após 60 anos
5.) Anti-Pneumococo (23 sorotipos) - pneumonia - Dose única em maiores de 60 anos. Reforço após 5 anos.

Efeitos colaterais e contra-indicações

As vacinas produzidas com vírus ou bactérias atenuados não devem, ser administrados em gestantes ou imunossuprimidos como pacientes portadores de SIDA (AIDS), em quimioterapia, transplantados etc...

Vacinas com germes vivos atenuados:
- BCG – Vacina contra a tuberculose
- MMR ou SRC (tríplice viral) - Sarampo, rubéola e caxumba
- Varicela - Catapora
- Vacina contra febre amarela

Todas as outras vacinas não contém organismos vivos, e por isso, não são capazes de induzir doença vacinal.

Algumas pessoas têm alergia à alguns componentes das principais vacinas. É importante realçar que pequenas reações como dor, febre baixa e mal estar após as vacinas, não são consideradas graves e não contraindicam posteriores reforços vacinais.

Casos especiais que devem ser consultados por alergologista antes das vacinações par se avaliar a gravidade da reação alérgica. São eles:

a.) Pessoas com alergia grave a ovo no caso das seguintes vacinas
- Influenza
- Febre amarela
- MMR ou SRC (tríplice viral) - Sarampo, rubéola e caxumba

b.) Pessoas com alergia a gelatina podem apresentar reações à vacina contra:
- Influenza
- Febre amarela
- MMR ou SRC (tríplice viral) - Sarampo, rubéola e caxumba
- Raiva
- Varicela
- DTP (tríplice bacteriana) - Difteria, tétano e coqueluche

NÃO SÃO CONTRAINDICAÇÕES A VACINAÇÃO:

- Doenças benignas com febre inferior a 38,5ºC, tais como diarreia e infecções respiratórias
- Doenças neurológicas não evolutivas, como a Síndrome de Down e a paralisia cerebral
- Doenças crônicas cardiovasculares, pulmonares, renais e hepáticas
- Diabetes (leia: DIAGNÓSTICO E SINTOMAS DO DIABETES MELLITUS)
- Dermatoses, eczemas ou infecções cutâneas localizadas
- Reações localizadas, ligeiras ou moderadas, após vacinação prévia
- Terapêutica com antibióticos, corticosteroides (até 20 mg por dia) e esteroides tópicos (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais)
- Antecedentes familiares e pessoais de alergia à penicilina, rinite alérgica, febre dos fenos, asma e outras manifestações atópicas
-História familiar de complicações e reações graves pós-vacinais
- Antecedentes familiares de convulsões (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA | Sintomas, tipos e como proceder)
- Períodos de convalescença das doenças
- Períodos de incubação de doenças infecciosas
- Gravidez da mãe ou de outros contatos
- Prematuridade e baixo peso ao nascer
- História de icterícia neonatal ( leia: ICTERÍCIA NO ADULTO E ICTERÍCIA NEONATAL)
- Aleitamento materno
- Gravidez (para as vacinas inativadas)

É importante respeitar as doses e período de intervalo entre as vacinas. Em 2008, durante um surto de Febre Amarela em algumas regiões do Brasil, houve uma histeria coletiva, estimulada por uma cobertura sensacionalista da imprensa que levou a população a tomar vacinas de modo equivocado. Além de casos de pessoas que tomaram a vacina mais de uma vez, houve inclusive a morte por febre amarela vacinal de uma paciente que apresentava contraindicação formal a vacina (usava imunossupressores devido a um quadro de lúpus).

As vacinas devem ser tomadas de acordo com o calendário oficial ou em campanhas organizadas pelo ministério da saúde.

Leia sobre as doenças abordadas neste texto:
- FEBRE AMARELA | Vacina e sintomas
- COQUELUCHE | Sintomas, tratamento e vacina
- RUBÉOLA | Sintomas e vacina
- HEPATITE A | Sintomas, tratamento e vacina
- HEPATITE B | Sintomas e vacina
- TUBERCULOSE | Sintomas e tratamento
- TÉTANO | Vacina e sintomas
- CAXUMBA | Sintomas e complicações
- MENINGITE | Sintomas e vacina
- CATAPORA (VARICELA) | Sintomas e tratamento
- HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO | Sintomas e vacina

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O QUE É O FAN (FATOR ANTINUCLEAR)?

Entenda o exame FAN (Fator Antinuclear), também chamado de ANA (anticorpo antinuclear). Saiba todos os tipos e que doenças ele pode indicar.

Tenho recebido muitos comentários e e-mails de pessoas solicitando explicações sobre o resultado do exames contendo pesquisa do anticorpo antinuclear, também chamado de fator antinuclear, ou simplesmente FAN. Em Portugal o FAN é chamado de ANA (anticorpo antinuclear)

Então vamos entender o que é o FAN (ANA) e em que doenças ele fica positivo.

Seria interessante ler antes o texto sobre DOENÇA AUTO-IMUNE, já que o FAN é solicitado para investigar esse grupo de patologias.

Resumidamente, uma doença auto-imune é aquela onde o nosso sistema de defesa inapropriadamente começa a produzir anticorpos contra nossas próprias células e tecidos. Somos nós atacando nós mesmos.

O FAN (fator antinuclear) como o próprio nome diz, são anticorpos contra estruturas das nossas próprias células, principalmente contra o núcleo celular. Esses auto-anticorpos foram descobertos na década de 1940 em pacientes com Lúpus.

Com o passar do tempo, descobriu-se que o FAN é na verdade um conjunto de anticorpos, contra diferentes estruturas das células, podendo indicar várias doenças auto-imunes diferentes. Sabe-se também que 10% a 15% da população sadia pode ter FAN positivo em valores baixos sem que isso indique qualquer problema de saúde.

Bom, para entender os resultados do FAN, é preciso saber como ele é dosado. Vou tentar ser o mais simples possível.

FAN (fator antinuclear)O primeiro passo é pegar o sangue do paciente e marcar os anticorpos presentes com uma substância fluorescente. A seguir mistura-se esse sangue contra uma cultura de células humanas e vai-se ao microscópio. O resultado é o que se vê na foto do início do texto. Se houver anticorpos contra estruturas da células humanas, estes irão se fixar as mesmas ficando fluorescentes. Se o anticorpo é contra o núcleo, a imagem no microscópio será de vários núcleos fluorescentes. Se for contra o citoplasma da células, vários citoplasmas brilhando, e assim em diante. Se não houver auto-anticorpos, nada ficará fluorescente.

Os resultados são repetidos após diluições até a fluorescência desaparecer. Resultados positivos são aqueles que permanecem brilhando mesmo após 40 diluições (resultado 1/40 ou 1:40).

Como já expliquei antes, até 10% da população tem FAN positivo nas diluições menores que 1/80. São valorizados valores a partir de 1/160 e valores maiores ou iguais a 1/320 indicam doença auto imune em mais de 97% dos casos.

As diluições são normalmente feitas da seguinte forma: (1/40), (1/80), (1/160), (1/320), (1/640)...

A partir de agora, você já pode ter uma idéia dos resultados do FAN. Vamos à alguns exemplos:

1.) FAN (Hep2)= Reagente
Título = 1/80
Padrão = nuclear pontilhado fino

2.) FAN (Hep2) = reagente
Título = 1/640
Padrão = Citoplasmático pontilhado reticulado

São dois resultados positivos. O primeiro em títulos baixos com o núcleo sendo corado com finos pontos fluorescentes. O segundo em altos títulos, com anticorpos contra o citoplasma da célula formando uma imagem reticulada. Hep2 é o tipo de cultura de células humanas mais usado hoje em dia.

Existem mais de 20 padrões diferentes de Imunofluorescência. Algumas são típicas de doenças como Lúpus, esclerodermia, Artrite reumatóide e síndrome de Sjögren. Outros são inespecíficos e podem estar presentes em pessoas normais.

Os padrões mais comuns na prática e suas prováveis patologias, são:
  • Nuclear pontilhado Centromérico = Esclerodermia e Cirrose biliar primária
  • Nuclear homogêneo = Lúpus, Artrite Reumatóide, Artrite Idiopática Juvenil, Síndrome de Felty, Cirrose Biliar Primária.
  • Nuclear tipo membrana nuclear contínua = Lúpus, Hepatite auto-imune
  • Nuclear pontilhado fino = Síndrome de Sjögren Primária, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Lúpus
  • Nuclear pontilhado fino Denso = Inespecífico, pode estar presente em várias doenças auto-imunes e também na Cistite Intersticial, Dermatite Atópica, Psoríase e Asma.
  • Nuclear pontilhado grosso = Doença Mista do Tecido Conjuntivo, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Esclerose Sistêmica e Artrite Reumatóide
  • Nucleolar pontilhado = Esclerose Sistêmica
  • Citoplasmático pontilhado reticulado = Cirrose Biliar Primária e Esclerose Sistêmica
  • Citoplasmático pontilhado fino = Polimiosite e Dermatomiosite
É preciso saber interpretar os resultados do Fator antinuclear. Um mesmo padrão pode significar várias doenças auto-imunes diferentes, e dependendo do caso, não significar nada.

O FAN precisa ser avaliado junto com o quadro clínico do paciente. É importante lembrar que o doente é um todo e não um resultado de uma reação química em um pedaço de papel. As associações descritas acima são possibilidades e não fatos consumados. Tenho recebido pedidos de interpretação de FANs baseados apenas nos seus resultados. O Fator antinuclear sozinho não faz diagnóstico de nada. Este é um exame que não dá para ser avaliado à distância.

As doenças mais associadas com Fator antinuclear positivo são as doenças auto-imunes sistêmicas como o Lúpus e a Esclerodermia (esclerose sistêmica). O FAN pode ser positivo também em doenças auto-imunes restritas à alguns órgãos como na Tireoidite de Hashimoto e na hepatite auto-imune. Podemos também ter resultados positivos em doença que não são auto-imunes como mononucleose, HIV, linfomas, e tuberculose.

Uma vez que se tenha um FAN positivo, associado a um quadro clínico que sugira doença auto-imune, deve-se solicitar a pesquisa de auto-anticorpos específicos para tentar definir exatamente com qual doença auto-imune estamos lidando. O FAN sugere a presença de um auto-anticorpo, mas não define qual.

Por exemplo, um FAN sugestivo de lúpus indica a pesquisa do Anticorpo anti-DNA nativo. Na suspeita de Sjögren solicita-se o Anticorpo anti SS-A/Ro e Anticorpo anti SS-B/La. Na Esclerodermia dosa-se o Anticorpo anti-centrômero etc...

Portanto, o Fator antinuclear é um exame de triagem das doenças auto-imunes. Não é para ser usado como exame final e só deve ser pesquisado se houver suspeita de patologia auto-imune.

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DOR DE CABEÇA | Enxaqueca e sinais de gravidade

Saiba tudo sobre a cefaléia, a famosa dor de cabeça. Quais as causas mais comuns e quando se preocupar?

A dor de cabeça ou cefaléia é uma das mais comuns queixas médicas. Difícil encontrar alguém que nunca tenha tido uma crise durante a vida.

A dor de cabeça é um sintoma que muitas vezes causa preocupação nos pacientes. Não é incomum recebermos pessoas apavoradas com a possibilidade de uma doença grave como aneurisma ou tumor, querendo que o médico solicite uma tomografia computadorizada de qualquer maneira, quando na verdade se trata apenas de uma cefaléia simples, facilmente diagnosticada clinicamente.

Apesar de muito comum, as pessoas sabem muito pouco sobre as cefaléias e pensam que todas são iguais. Na verdade, existem várias causas para dor de cabeça. A grande maioria é benigna e 90% são causados por uma dessas 3 síndromes.

- Enxaqueca (migrânea)
- Cefaléia tensional
- Cefaléia em salvas

Entre as causas graves de dor de cabeça, menos de 10% dos casos, destacam-se:

- Tumores cerebrais
- Aneurismas
- AVE hemorrágico
- Arterite temporal
- Trombose venosa cerebral
- Meningite

Ainda existem as cefaléias relacionadas a sinusite e a problemas de coluna.

Ao contrário do que se imagina, problemas de visão como miopia, hipermetropia e astigmatismo não são causas comuns de cefaléia. Também é lenda a associação entre cefaléia crônica e problemas no fígado.

1.) ENXAQUECA (também chamada de migrânea)

Ao contrário do que muita gente pensa, enxaqueca não é o termo para cefaléia de grande intensidade. Enxaqueca é um tipo específico de dor de cabeça.

Dor de cabeça - enxaqueca
Enxaqueca
Caracteriza-se por ser unilateral (70% dos casos), pulsátil, de inicio gradual, costuma atingir grande intensidade, piora com luz forte e barulho, pode vir acompanhada de náuseas, vômitos ou tonturas. As dores normalmente pioram à movimentação de cabeça e ao esforço físico. Também é comum a hipersensibilidade do couro cabeludo, causando dor com uma simples escovação dos cabelos. As crises podem durar de 4h até 72h.

A enxaqueca é 3x mais comum em mulheres, ocorre principalmente entre os 20 e 40 anos e costuma ser hereditário. Pessoas obesas apresentam maior incidência. As crises podem ser tão frequentes a ponto de aparecerem mais de 4x por mês.

20% dos pacientes apresentam um sintoma que é característico da enxaqueca, chamado de aura. São sinais neurológicos que precedem o início da dor. Tipicamente são pontos brilhantes ou raios luminosos na vista e formigamento em alguma região do corpo que ocorrem antes do início da cefaléia. Às vezes, a aura pode apresentar sintomas como fraqueza muscular, perda parcial da visão e alterações na fala que assustam muito os pacientes por lembrarem um AVC. A diferença está no fato das auras durarem em média apenas 20 minutos e normalmente desaparecerem espontaneamente após o início da dor. Eventualmente alguns sintomas de fraqueza podem demorar mais tempo para desaparecer.

Existem vários subtipos de enxaqueca, mais raros, que podem causar sintomas neurológicos que não se enquadram na definição de aura. São sinais e sintomas muito parecidos com os de um AVC. Muitas vezes só o neurologista consegue diferenciá-los.

A síndrome dos vômitos cíclicos é um quadro raro que ocorre normalmente em pessoas com enxaqueca e se caracteriza por episódios repetidos (3-4x por ano) de crises de vômitos que podem durar de 3 a 6 dias. Às vezes é necessário internar os doentes para controle do quadro e realização de hidratação e correção de distúrbios hidreletrolíticos.

As crises de enxaqueca podem ser desencadeadas por estresse, menstruação, fome, exercícios, anticoncepcionais, perfume, fumaça, refrigerantes ou comidas que contenham nitritos, aspartatos, tiramina ou glutamato.

O diagnóstico é clínico. Exames com ressonância magnética e tomografias computadorizadas só são realizados quando o quadro é atípico e há suspeita de outro diagnóstico.

Não existe cura para migrânea, mas os tratamentos disponíveis hoje em dia são muito eficazes.

2.) CEFALÉIA TENSIONAL

A cefaléia tensional é o tipo de dor de cabeça mais comum na população. Acomete mais mulheres que homens. A classificação mais moderna a subdivide em 3:

Cefaleia tensional infrequente - Menos de 1 episódio por mês
Cefaléia tensional frequente - De 1 a 14 episódios por mês
Cefaleia tensional crônica - mais de 15 episódios por mês

Dor de cabeça - cefaléia tensional
Cefaléia tensional
A apresentação típica é de uma dor de cabeça leve a moderada, não pulsátil, sem outros achados associados, diferentemente da enxaqueca. Pode durar de 30 minutos até 1 semana. A queixa mais comum é de uma dor em aperto por toda a cabeça. Também é muito comum encontrar a musculatura da cabeça, pescoço e ombros tensa e contraída.

Outros sintomas incluem insônia, fadiga, irritabilidade, falta de apetite, dificuldade de concentração.

Estresse é o principal desencadeador das crises.

O tratamento é feito com analgésicos ou anti-inflamatórios. (leia: AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS)

Como é uma cefaléia que pode ser muito frequente, existe um grupo de pacientes que acaba por abusar nos medicamentos para dor. Esse comportamento pode levar a cefaléia induzida por remédios. Os doentes apresentam cefaléia apesar do uso de analgésicos, sugerindo um quadro de tolerância. Existe uma discussão se os próprios analgésicos podem causar a dor de cabeça. Para evitar essa complicação, pessoas com crises de cefaléia frequentes (independente do tipo) devem ser acompanhadas por um neurologista

3.) CEFALÉIA EM SALVAS

A cefaléia em salvas é a menos frequente e a mais severa dos 3 principais tipos de dor de cabeça primária. Ocorre em ciclos de crises (salvas) que podem durar várias semanas, intercalados por períodos assintomáticos que podem durar meses a anos. É mais comum em homens. Um ataque costuma durar de 30 minutos a 3 horas e ocorrer até 3 vezes por dia.

Dor de cabeça - cefaléia em salvas
Cefaléia em salvas
A dor é tipicamente unilateral e ao contrário da enxaqueca que pode variar de lado, a cafaléia em salvas costuma atacar sempre o mesmo lado. É uma dor de início abrupto, que rapidamente atinge sua maior intensidade, muitas vezes excruciante, localizada em volta de uma dos olhos.

Normalmente está associada a lacrimejamento e vermelhidão do olho acometido. Pode também ocorrer nariz entupido e coriza.

Não existe uma associação clara de fatores precipitantes como na enxaqueca e na tensional. O consumo de álcool e cigarro desencadeia uma crise durante os período de salvas.

Curiosamente é uma cafaléia que responde a administração de oxigênio, além dos analgésicos comuns.

4.) SINAIS DE GRAVIDADE

Como já foi explicado antes, a grande maioria dos episódios de cefaléia são causados por patologias benignas. Mas, mesmo pessoas com história de dor de cabeça crônica ficam assustadas com algumas crises. O medo de todos é que uma doença grave não identificada, como um tumor ou aneurisma, possa ser a causa da cefaléia.

É impraticável realizar tomografias computadorizadas (TC) em todas as pessoas que apresentam dor de cabeça. Em geral, a história clínica e um bom exame físico são suficientes para definir se há ou não necessidade da realização de um exame de imagem.

É importante ter em mente as principais características das cefaléias primárias descritas acima, para não confundi-las com as causas graves.

Os principais sinais de alerta são:

- Início súbito: Cefaléias persistentes, de início abrupto, que atingem sua maior intensidade em alguns segundos, podem indicar rotura de aneurismas ou trombose venosa. É importante lembrar que a cefaléia em salvas pode apresentar essas características, porém, costuma durar poucas horas, possui localização típica e sinais como lacrimejamento e olhos vermelhos. A enxaqueca costuma começar como uma dor leve a moderada e piorar ao longo das horas.

- Pior cefaléia da vida: Quando o paciente refere que o atual quadro é de longe a pior dor de cabeça de sua vida, ou uma cefaléia completamente diferente das que costuma ter, deve-se ter mais atenção com o quadro. Hemorragias e infecções podem ser a causa. Essas queixas em pacientes com câncer, SIDA (AIDS) e imunossuprimidos são particularmente preocupantes.

- Infecções concomitantes : Pacientes que apresentam quadro de sinusite, otite, infecções de pele na face apresentam maior risco de desenvolver abcessos cerebrais e meningite (leia: SINTOMAS DA MENINGITE). Infecções após implantação de piercings podem ser a porta de entrada (leia: PERIGOS E COMPLICAÇÕES DO PIERCING)

- Febre: A presença de cefaléia intensa associado a febre sem causa definida, principalmente se houver rigidez de nuca, indica meningite. É importante lembrar que a febre por si só pode causar dor de cabeça. Não confunda uma gripe com algo mais grave.

- Medicações: Alguns pacientes usam medicamentos como corticóides, que facilitam infecções, e anticoagulantes, que facilitam sangramentos.

- Alteração do estado de consciência: Obviamente, doentes que entram em coma, apresentam crises convulsivas, desorientação súbita ou déficits neurológicos devem procurar imediatamente um serviço de emergência.

- Trauma: Cefaléias que ocorrem após traumatismos devem ser avaliadas com mais cuidado, principalmente em idosos, devido ao risco de hemorragias intracranianas. Algumas pessoas desenvolvem dores de cabeça crônica após um traumatismo do crânio.

- História familiar: Pacientes com parentes de primeiro grau que sofreram rotura de aneurismas, também devem ser avaliados com mais cuidado.

Outros sinais também devem chamar a atenção, como uma cefaléia que acorda o paciente, cefaléia cuja as características não se enquadram em nenhuma da causas primárias, piora da dor aos esforços (lembrar que enxaqueca pode ter essa característica), inicio de dor de cabeça após os 50 anos ou alterações visuais que possam sugerir glaucoma (leia: GLAUCOMA | Sintomas e tratamento)

Não existe um protocolo definido de quando pedir, ou não, uma tomografia computadorizada. Alguns quadros são óbvios, como nas alterações neurológicas, em outros, mais questionáveis. Depende do bom senso do médico e do quadro clínico do paciente.

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MENINGITE | Sintomas e vacina

Meningite é o nome que damos à inflamação da meninge, membrana que recobre o sistema nervoso central. Neste texto vamos explicar o que é a meninge, quais os principais sintomas da meningite, como ela é transmitida e qual o seu tratamento.

O que é a meninge?

Do mesmo jeito que o pulmão é envolvido pela pleura e o coração pelo pericárdio, o sistema nervoso central (cérebro e medula) é envolvido pela meninge.

A meninge é uma membrana que serve como barreira contra agentes infecciosos; é composta por três camadas (acompanhe o texto com a ilustração abaixo. Clique para ampliá-la):

- Pia Mater = Uma membrana finíssima que fica colada no cérebro e na medula.
- Aracnóide = É a membrana do meio, transparente e fica entre a pia mater e a dura mater. O liquor ou líquido cefalorraquidiano fica entre a pia mater e a aracnoide.
- Dura Mater = É a membrana mais grossa, opaca e próxima do osso.

Meninges
Meningite é o nome que se dá à inflamação das meninges, normalmente acometendo a membrana aracnoide e o líquido cefalorraquidiano (liquor). A meningite é causada por agentes infecciosos, como bactérias, fungos ou vírus.

Até o advento dos antibióticos no início do século passado, a meningite tinha uma mortalidade próxima dos 100%. Ainda hoje, com todos os avanços, pelo menos 15-20% dos casos evoluem para óbito. Trata-se, portanto, de uma doença muito séria.

Quais são os tipos de meningite?

A meningite bacteriana é a forma mais grave. Costuma ser causado por bactérias como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e, principalmente, Neisseria mengitidis, também conhecida como meningococo (leia: DOENÇAS CAUSADAS POR BACTÉRIAS).

Meningite - meninges
Pinça retirando a dura mater e expondo a membrana aracnoide   (clique p/ampliar. Atenção: A imagem acima  pode ser considerada forte para certas pessoas)
 A N.mengitidis, também conhecida como meningococo, é o principal agente em adultos com menos de 60 anos. Com a inclusão da vacina contra o S.pneumoniae e H.influenzae no calendário vacinal de vários países, a ocorrência de meningite por essas duas bactérias vem caindo drasticamente, principalmente entre as crianças. Porém, nos adultos que não foram vacinados, a incidência de meningite por S.pneumoniae ainda é alta.

A meningite também pode ser causada por vírus, normalmente da família dos enterovírus. A meningite viral é menos agressiva que a bacteriana, com taxa de mortalidade bem mais baixa e com resolução espontânea, sem necessidade de tratamento específico.

Mais raramente a meningite pode ser causada por outros vírus e agentes como HIV, herpes simplex, caxumba, herpes zoster (vírus da catapora), sífilis, fungos, protozoários ou tuberculose. Também existe a meningite neoplásica, causada pela invasão da meninge por metástases de cânceres.

Como se pega meningite?

O modo mais comum de se pegar meningite é através do contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas. A meningite não se transmite com tanta facilidade como a gripe, e um contato mais prolongado é necessário para o contágio.

Familiares, colegas de turma, namorados e pessoas que residem no mesmo dormitório são aqueles com maior risco. A meningite é transmitida pela saliva, porém, compartilhar copos e talheres parece não ser um fator de risco grande. É preciso que esse comportamento se repita com frequência para haver um risco elevado. Já a troca de beijos, principalmente se de língua e prolongados, é um via perigosa de transmissão.

Contatos ocasionais como apenas um comprimento, uma pequena conversa, ou dividir o mesmo ambiente como uma sala de aula, oferece pouco risco. Mesmo que durante uma aula você sente ao lado de alguém infectado, se esta exposição for menor do que seis horas, o risco também é baixo.

As bactérias não sobrevivem no ambiente, não sendo necessário isolamento dos locais onde foi registrado algum caso. Fechamento de escolas e salas de aula são desnecessárias e só servem para causar pânico na população.

Não há risco de transmissão de meningite durante velórios. Primeiro porque o falecido não respira e, portanto, não libera bactérias nas secreções respiratórias. Segundo porque em um velório o tempo de exposição é bem menor do que seis horas.

A maioria das pessoas que se contaminam com o meningococo não desenvolvem doença. A bactéria fica na orofaringe durante algum tempo até ser eliminada pelo sistema imune. Apesar de não desenvolver a meningite, as pessoas contaminadas podem transmitir a bactéria para outras. Na verdade, apenas 1% das pessoas que têm o meningococo na saliva adoecem, o resto torna-se apenas transmissores assintomáticos e transitórios da bactéria.

Portanto, já se pode perceber que existe muito sensacionalismo oportunista em relação a meningite. Antes de entrar em pânico porque algum conhecido está com a doença, é preciso lembrar que nem todos os casos são causados por bactérias (os mais graves), que para haver contágio é necessário um contato mais íntimo e que a maioria das pessoas contaminadas não adoece.

A meningite também pode ocorrer como complicação de um infecção das vias aéreas, como sinusites e otites. Traumatismos cranianos com exposição da meninge e usuários de drogas endovenosas também correm risco.

Prevenção da meningite

Todos aqueles que tiveram contato prolongado ou íntimo com um paciente com meningite devem iniciar tratamento profilático com antibióticos nas primeiras 24 horas após a identificação do primeiro caso. Os contactantes devem ficar em observação por 10 dias (não é necessário internamento) e devem procurar atendimento médico ao surgimento de qualquer sintoma.

A profilaxia reduz em 95% a chance de infecção além de eliminar o estado de portador assintomático da bactéria, reduzindo a assim, a cadeia de transmissão.

Sintomas da meningite


meningite - lesões de peleA meningite é um quadro grave e agudo. O período de incubação é em média de 3 a 4 dias. A maioria dos pacientes são internados 24 horas após o aparecimento dos primeiros sintomas. O quadro típico é de febre alta, rigidez da nuca, intensa dor de cabeça e prostração. A evolução para sepse é rápida (leia: O QUE É SEPSE E CHOQUE SÉPTICO ?) e quanto mais se posterga o início do tratamento com antibióticos, pior é o prognóstico.

A crise convulsiva também pode ser uma das manifestações inicias da meningite (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA | Sintomas, tipos e como proceder).

Na meningite pelo meningococo podem ocorrer lesões de pele tipo petéquias, o que às vezes causa confusão com outras infecções como rubéola, sarampo e até dengue.

Conforme a doença se agrava as lesões evoluem como nas fotos abaixo.

meningite - lesões de pelemeningite - lesões de pele

Quando a infecção ultrapassa as meninges e atinge o cérebro, temos o quadro de meningoencefalite podendo ocorrer convulsões, coma e paralisia motora.

O diagnóstico é feito através da punção lombar, onde consegue-se aspirar o liquor para avaliação laboratorial.

Tratamento da meningite


A meningite bacteriana é uma emergência médica e o tratamento com antibióticos intravenosos deve ser iniciado o mais rápido possível, de preferência logo após a realização da punção lombar. A demora de apenas algumas horas pode ter influência no prognóstico. Se há suspeita de meningite, o paciente deve ser encaminhado imediatamente para um setor de emergência.

Na meningite viral, antibióticos não são necessários e muitas vezes o paciente sequer precisa ser internado. O tratamento é apenas com sintomáticos. O quadro só é preocupante em neonatos. Porém, a distinção com a meningite bacteriana não possível de ser feita apenas pelo quadro clínico, sendo a avaliação médica indispensável e urgente. O diagnóstico diferencial costuma ser feito através dos resultados da aspiração do liquor pela punção lombar

Vacina para meningite


Como já explicado, a meningite pode ser causada por mais de um tipo de bactéria, por isso, não existe uma vacina única que previna todos os casos. Todavia, há vacinas individuais contra as principais bactérias. A vacina contra Haemophilus influenzae já faz parte do calendário básico de vacinação. Também já existe vacina para o Streptococcus pneumoniae, bactéria muito associada a pneumonia, otites e sinusites, mas que frequentemente é causa de meningite.

A Neisseria meningitidis, a bactéria causadora da famosa meningite meningocócica, que costuma ser a forma mais grave de meningite bacteriana, apresenta uma particularidade. Esta bactéria possui 13 sorogrupos diferentes. 8 destes sorogrupos são responsáveis por quase todas as epidemias de meningite meningocócica: A, B, C, X, Y, Z, W135 e L, sendo B e C os mais comuns.

Atualmente existe vacina individual apenas contra o meningococo C e uma vacina conjugada que atua contra os meningococos A, C, Y e W135.

Ainda não há vacina contra o meningococo B disponível mundialmente. Esta vacina atualmente só encontra-se disponível em larga escala em Cuba, país que a desenvolveu.

Sequelas da meningite

Os pacientes que se recuperam da meningite podem ficar com sequelas como AVC com paralisias motoras, surdez, diminuição da capacidade intelectual e epilepsias.

A meningite viral, em geral, não deixa sequelas.

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PEDRA NA VESÍCULA | COLECISTITE | Sintomas e tratamento

Saiba as causas e sintomas da pedra na vesícula (colelitíase) e entenda o que é a colecistite (inflamação da vesícula biliar)

Bom, antes de falar sobre pedra na vesícula e colecistite, vamos às explicações básicas sobre o sistema biliar.

Não confundam colelitíase, que é o nome científico da pedra ou cálculo na vesícula, com colecistite, que é a inflamação da vesícula.

O que é a bile? Aonde ela é produzida? Para que serve a vesícula?

A bile é um líquido amarelo-esverdeado, rico em colesterol, pigmentos e bicarbonato, produzido pelo fígado. Sua principal função é auxiliar na digestão das gorduras da alimentação.

Veja a ilustração abaixo e siga o texto (clique na foto se quiser ampliá-la).

Após a sua produção, a bile é escoada pelos ductos hepáticos até o ducto biliar. A bile no ducto biliar comum se junta com as substâncias produzidas no pâncreas (suco pancreático) e são despejadas no duodeno, a primeira parte do intestino delgado, logo na saída do estômago.

Como a bile e suco pancreático são utilizados na digestão dos alimentos, não há necessidade de liberar estes dois para o duodeno quando não há comida. Por isso, enquanto estamos de estômago vazio, a saída da via biliar fica fechada pelo esfíncter de Oddi e toda a bile produzida é armazenada na vesícula biliar.

Vias biliares
Anatomia das vias biliares (clique p/ampliar)
Quando comemos, a vesícula começa a se contrair e libera a bile para digerir os alimentos que estão chegando no duodeno.

A vesícula biliar portanto, é um mero armazenador da bile produzida pelo fígado. Sua capacidade é de mais ou menos 50 ml. Para que consiga armazenar uma quantidade maior, a bile na vesícula começa a perder água e vai ficando cada vez mais concentrada e potente. Quando finalmente liberada para o duodeno, a bile da vesícula é muito mais espessa e forte do que a que foi originalmente produzida no fígado.

Como é que surge, então, a pedra na vesícula (colelitíase)?

A pedras surgem quando a ocorre um desequilíbrio entre a quantidade de água e das substâncias presentes na bile, favorecendo a solidificação da mesma. Pode ocorrer por falta de água ou excesso de alguns dos componentes, particularmente colesterol e pigmentos.

Os principais fatores de risco são:
Vias biliares
Múltiplas pedras na vesícula
  • Idade: incomum em pessoas jovens, o risco de se desenvolver colelitíase (cálculo na vesícula) é 4x maior a partir dos 40 anos de idade.
  • Sexo: A pedra na vesícula é 3x mais comuns em mulheres do que em homens. A partir dos 60 anos essa diferença cai bastante, pela também queda dos níveis de estrogênio.
  • Gravidez: pelo excesso de estrogênio durante a gestação
  • Reposição hormonal: também pelo estrogênio
  • Obesidade : é o principal fator em jovens, principalmente do sexo feminino
  • História familiar positiva: parentes de 1º grau com história de pedras na vesícula aumenta em 2x o risco.
  • Rápida perda de peso: grandes perdas de peso em pouco tempo ou dietas com muito baixa caloria também são fatores de risco
  • Diabetes
  • Cirrose (leia: CIRROSE HEPÁTICA - Causas e Sintomas)
  • Jejum prolongado: quanto maior o tempo da bile na vesícula, mais desidratada ela fica e maior o risco de formação de pedras
  • Drogas: Ceftriaxona, anticoncepcionais, fibratos
  • Sedentarismo
  • Doença de Crohn (leia: ENTENDA A DOENÇA DE CROHN E A RETOCOLITE ULCERATIVA)
  • Anemia falciforme

sintomas da pedra na vesícula

Na verdade, a maioria das pessoas com cálculo não apresentam sintoma nenhum. As pedrinhas ficam lá dentro da vesícula quietinhas sem causar nenhum problema. Às vezes são tão pequenas que saem junto da bile e acabam nas fezes.

Os problemas começam quando a pedra é maior que a saída da vesícula ou do que os ductos biliares. Imaginem uma pedra que ficou presa bem na saída da vesícula biliar, impedindo a drenagem da bile. O paciente come, o alimento chega a estômago e depois ao duodeno enviando sinais a vesícula para que ela se contraia e traga a bile para a digestão. A se contrair com sua saída obstruída pela pedra, a pressão dentro da mesma aumenta muito e causa uma intensa dor.

Esta é a cólica biliar, uma intensa dor no lado direito do abdome, abaixo das costelas, que ocorre após uma alimentação. Quanto mais rico em gordura for o alimento, maior o estímulo para contração da vesícula, e consequentemente, maior a cólica. A dor em geral ocorre 1 hora após a refeição, momento em que o alimento começa a chegar ao duodeno. Depois que o alimento todo passa, a vesícula relaxa e a dor desaparece.

Em alguns casos a vesícula apresenta múltiplos cálculos como na foto que abre o texto. Quanto maior o número de pedras, maior a chance de ocorrerem sintomas

O que é a colecistite?

A colecistite é a inflamação da vesícula biliar e está normalmente associada a obstrução da mesma por uma pedra. A colecistite pode ter origem em um infecção ou apenas em alguma fator irritativo que causa uma inflamação em um vesícula obstruída. (leia:O que é o pus ? O que é um abscesso? O que é uma inflamação?)

Ao contrário da cólica biliar onde a dor é limitada e desaparece após o relaxamento da vesícula fora dos períodos de alimentação, a colecistite é uma dor constante e mais forte. Normalmente associada a vômitos e febre. Na colecistite a dor também piora com a alimentação.

A colecistite normalmente está associada a obstrução da vesícula, mas em 10% dos casos ela pode ocorrer em pacientes sem história de pedra na vesícula.

E quando a pedra fica presa nas vias biliares?

Quando a pedra é menor que a saída da vesícula, mas maior que o diâmetro dos ductos biliares, ela fica impactada em algum ponto, impedindo a drenagem da bile por completo. Neste caso, a bile não é excretada e seus pigmentos são absorvidos para o sangue, levando ao quadro de icterícia, que é a coloração amarelada da pele e dos olhos devido ao acumulo de bilirrubina no sangue e na pele. A icterícia também ocorre em outras doenças do fígado como hepatite e cirrose

Icterícia
Icterícia
Um quadro ainda mais grave surge quando a bile obstruída é contaminada por alguma bactéria vinda dos intestinos. Neste caso temos a colangite que é uma infecção das vias biliares, um quadro que leva a sepse e tem alta mortalidade. (leia: O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ?)

pedra na vesícula - colecistiteSe a impactação for bem distal, próximo ao esfincter de Oddi, não só a bile, mas também o suco pancreático ficam obstruídos (reveja a imagem anterior), podendo levar a pancreatite aguda (leia: PANCREATITE CRÔNICA E PANCREATITE AGUDA).

Tratamento da pedra na vesícula

O exame de escolha para o diagnóstico é a ultra-sonografia. A partir do diagnóstico de pedra na vesícula, existem 3 opções de tratamento.

Nos pacientes assintomáticos que encontram uma pedra acidentalmente em exames de rotina, em geral a conduta é expectante. Trabalhos mostram que menos de 15% das pessoas com pedras assintomáticas desenvolvem sintomas em um prazo de 10 anos. E as que desenvolvem, o fazem como cólica biliar, e não colecistite ou outras das complicações descritas anteriormente.

Portanto, a não ser que haja outros dados na história clínica, não se leva a cirurgia pacientes com colelitíase assintomática.

Os pacientes que apresentam cólica biliar, colecistite ou algumas das complicações devem abordados para a eliminação dos cálculos. O mais comum é a colecistectomia (retirada cirúrgica da vesícula).

Nos casos de colangite, cálculos nas vias biliares ou pancreatite, o procedimento é cirúrgico com desobstrução da via biliares. Retira-se também a vesícula no mesmo ato cirúrgico para evitar recorrências.

Nos pacientes com pedras predominantemente de colesterol e sem evidências de complicações, há a opção pelo tratamento com drogas. Existe uma substância chamada de ácido ursodeoxicólico que dissolve este tipo de cálculo. Através da tomografia computadorizada muitas vezes é possível avaliar a composição das pedras e indicar o tratamento com remédios.

Existe ainda a opção pela tratamento com ondas de choque, semelhante ao feito com o cálculo renal.

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DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL

Entenda o que é a síncope, conhecida popularmente como desmaio

O desmaio é um sintoma relativamente comum. Pode significar doenças sérias ou apenas uma manifestação de histeria (transtorno conversivo)

O desmaio é cientificamente chamado de síncope e pode ser descrito como uma abrupta perda da consciência, associado a perda do tônus postural seguido de uma rápida e completa recuperação. Ou seja, a pessoa perde a consciência e cai, acordando logo a seguir sem sequelas. A síncope não é uma doença, é um sintoma.

É importante diferenciar as síncopes dos AVCs (leia: AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | DERRAME CEREBRAL) e das paradas cardíacas ou morte súbitas.

Desmaio / síncopeNo AVC, o doente pode apresentar uma queda por uma paralisia dos membros inferiores sem necessariamente desmaiar. Quando há a perda da consciência, em geral a recuperação não é rápida e quase nunca completa, ocorrendo sequelas com frequência. Se o paciente desmaia, e acorda com sequelas como paralisia dos membros, boca torta ou incapacidade de falar, isso é um AVC e não uma síncope.

Na parada cardíaca, também chamada de morte súbita, o paciente evoluiu para o óbito se não forem imediatamente iniciadas as manobras de ressuscitação. Uma parada cardio-respiratória não é um desmaio.

É muito importante também diferenciar as síncopes verdadeiras das histerias ou simulações, que recebem vários nomes na prática médica: distúrbio neurovegetativo, transtorno conversivo ou disfunção autonômica somatoforme. Não são síncopes reais e o paciente muitas vezes realiza estas simulações de modo inconsciente. Ele realmente acredita que desmaiou.

Outra situação que pode ser confundida com síncope são as epilepsias. Às vezes, a distinção é difícil em um primeiro momento, mas em geral o paciente não se recupera tão rapidamente após retomar a consciência. Muitas vezes o doente apresenta crises convulsivas não testemunhadas e só é encontrado caído no chão após o quadro ter desaparecido. A presença de mordidas na língua, o fato do doente ter urinado ou evacuado e múltiplas lesões no corpo sugerem crise convulsiva prévia. Leia mais sobre epilepsias: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA | Sintomas, tipos e como proceder

A síncope ou desmaio é um evento que causa muita apreensão no paciente e nas pessoas que testemunham o fato. Muitas vezes é também um desafio diagnóstico para o médico, e não é incomum não se identificar a origem do problema.

A síncope ou desmaio tem várias causas, sendo as principais os ataques vasovagais e causas cardíacas. Até 1/3 dos casos ficam sem diagnóstico definitivo.

Antes de descrever com mais detalhes cada uma das principais causas, é preciso explicar um pouco da fisiologia do corpo humano para uma melhor compreensão. Leiam os próximos 4 parágrafos com calma para entederem bem o mecanismo das síncopes.

O nervo vago, também chamado de nervo pneumogástrico, inerva diversos órgãos do nosso corpo, como o coração, estômago, laringe, pulmão, esôfago, intestinos, pele etc... É através dele que o cérebro recebe as informação do estado das nossas vísceras.

O nervo vago também é responsável pelo controle de algumas das funções destes órgãos como a produção de suor, a frequência cardíaca, a pressão arterial, os movimentos dos intestinos, a musculatura do pescoço e da boca.

O nervo vago carrega fibras do sistema nervoso parassimpático (SNP) que de um modo simples pode ser descrito como um antagonista dos efeitos da adrenalina no corpo, liberada pelo sistema nervoso simpático (SNS). Por exemplo, o SNS aumenta a pressão, acelera os batimentos cardíacos e nos deixa mais alerta, enquanto que o SNP, através do nervo vago, reduz a pressão arterial e lentifica o coração.

Resumindo, o SNS acelera o organismo e é estimulado por eventos de estresse e o SNP desacelera. A boa função dos dois mantém o corpo em equilíbrio.

Pronto, agora podemos explicar algumas das principais causas dos desmaios / síncopes

1- Síncope vasovagal

Uma anormal estimulação do nervo vago pode levar a grande desaceleração do coração e uma abrupta queda da pressão arterial, diminuindo temporariamente o aporte de sangue e oxigênio para o cérebro.

Esse tipo de desmaio ocorre normalmente em pessoas jovens e sem outras doenças. A síncope é normalmente precedida de sintomas como suores frios, palidez e escurecimento súbito da visão.

A síncope vasovagal pode ser induzida por dor intensa, calor forte, por ficar em pé durante muito tempo, por medo ou estados de ansiedade intensa. É a causa de desmaios naqueles que tem pavor de agulha e precisam colher sangue, daquelas meninas em shows de música, ou de cirurgiões ou guardas que ficam muito tempo em pé sem se movimentar.

O estímulo vagal pode não ser suficiente para causar desmaios, levando apenas a mal estar, tonturas, enjoos e vômitos.

Apesar de ocorrer preferencialmente em jovens, alguns idosos apresentam repetidos episódios de síncope vasovagal, muitas vezes sem um fator desencadeante claro, como os citados acima.

Em alguns pacientes o estimulo desencadeador pode ser algo simples como urinar ou tossir.

Existe também aqueles com a chamada hipersensibilidade do sino carotídeo, uma região do pescoço onde passam as fibras do nervo vago. Nestes, uma simples massagem na região lateral do pescoço pode estimular o nervo vago e levar a síncope. São pessoas que podem desmaiar com um simples virar mais rápido do pescoço ou mesmo fazendo pequenos esforços como evacuar ou assoprar contra uma resistência.

Manobra vagal é o nome que se dá a estímulos provocados no nervo vago. Ela inclusive pode ser um procedimento médico. Algumas arritmias com frequências cardíacas elevadas, podem ser controladas apenas com estímulo repetido no seio carotídeo, através de intensa massagem na região lateral do pescoço.

2- Hipotensão postural

Hipotensão postural é queda da pressão arterial quando mudamos da posição deitada/sentada para a em pé. Todo mundo já sentiu isso alguma vez na vida ao se levantar muito rápido e ficar tonto e com a vista escura. Em alguns casos, a hipotensão pode ser tão grande que chega a causar síncope.

Essa queda abrupta da pressão ocorre geralmente em pessoas desidratadas, que tomam diuréticos (leia: PARA QUE SERVEM OS DIURÉTICOS ?), diabéticos, idosos, pessoas medicadas com remédios para a pressão alta e consumo de álcool.

3- Arritmias cardíacas

As arritmias cardíacas são causas comuns de desmaios. Um coração arrítmico bombeia o sangue ineficientemente, levando a má oxigenação cerebral e consequentemente a síncope.

Quando a arritmia que dá origem a síncope ainda se encontra presente no momento do atendimento médico, o diagnóstico é fácil de ser estabelecido. O problema é que boa parte dessas arritmias são intermitentes, duram alguns segundos e desaparecem. Quando o doente chega ao médico não há sinais de alteração na condução elétrica do coração.

Na síncope causada por arritmias normalmente o paciente perde a consciência sem apresentar sintomas prévios, no máximo um quadro de palpitações precede o desmaio.

PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS

4- Outras doenças cardíacas

Doenças das válvulas cardíacas, principalmente da válvula aórtica podem levar a síncope. Outras doenças como cardiomiopatia hipertrófica e embolia pulmonar também podem causar desmaios.

Boa parte das síncopes ocorrem por causas benignas, porém, todo episódio deve ser investigado pensando que os desmaios podem ser uma manifestação de uma patologia grave e potencialmente fatal.

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GRIPE SUÍNA | Gripe A | Informações para leigos

Saiba tudo sobre a gripe suína (gripe A) e descubra porque não há motivos para pânico.

Texto atualizado em 18/08/09

Divulgue este link. Evite pânico desnecessário na população.

A gripe suína ou gripe A, é causada pelo vírus influenza A(H1N1), o mesmo da gripe comum que todo mundo já teve.

Então, por que tanta repercussão agora?

Gripe suínaO Influenza A é um vírus presente no mundo inteiro que infecta não só humanos, mas também outros mamíferos e aves. Existem vários subtipos - como o A(H1N1) - e entre os subtipos, várias cepas diferentes. A gripe suína é causada por uma nova cepa do subtipo A(H1N1) do vírus Influenza.

O grande problema do vírus Influenza é a sua grande capacidade de mutação, fazendo com que praticamente a cada ano circule uma nova cepa, causando novas epidemias de gripes.

Nós temos contato frequente com vários subtipos e várias cepas diferentes do Influenza, o que faz com que tenhamos sempre algum grau de imunidade contra os vírus que circulam entre os humanos. As epidemias graves costumam acontecer quando cepas vindas de aves ou outros mamíferos conseguem atravessar a barreira das espécies e contaminar o homem. Normalmente não temos anticorpos contra estas e ficamos mais susceptíveis a infecções.

O mesmo Influenza A(H1N1) foi o responsável pela famosa gripe espanhola no início do século XX, uma pandemia que levou a morte mais de 50 milhões de pessoas ao redor do mundo. A origem da epidemia também parece ter sido cepas originárias de gripes suínas.

No início desta década tivemos a epidemia de gripe aviária, que era causado por outro subtipo de Influenza A, o H5N1.

Antes que você entre em pânico e saia correndo para comprar máscaras e estoque de remédios, vale aqui uma explicação.

A gripe sempre causou mortes e internamentos. Só para ilustrar, nos Estados Unidos, anualmente são internadas mais de 200.000 pessoas devido a gripe, e entre 1972 e 1992 foram mais de 400.000 mortes atribuídas a complicações do Influenza. Há uma média de 20.000 mortes por gripe anualmente, só nos Estados Unidos. Como se pode ver, morrer de gripe não é nada incomum.

Grupo de risco:
- Menores que 5 anos
- Maiores que 65 anos
- Indivíduos menores que 19 anos que fazem uso crônico de aspirina
- Grávidas
- Indivíduos com doenças pulmonares, incluindo asma, bronquite e enfisema
- Indivíduos com doença cardiovascular (exceto aqueles com hipertensão isolada)
- Insuficiência renal
- Insuficiência hepática/cirrose
- Diabetes
- Anemia falciforme
- Imunossuprimidos, incluindo HIV com CD4 menor que 200 ce/microL
- Desnutrição
- Obesidade mórbida

Atenção, este é considerado grupo de risco tanto para gripe suína, quanto para gripe comum. A gripe suína, neste grupo, não é mais grave do que a gripe pelos outros vírus influenza.

Essa cepa do vírus influenza A era restrita a porcos, e por alguma mutação genética, adquiriu a capacidade de ser transmitida de porcos para homens e de homens para homens. A gripe suína é conhecida na medicina veterinária desde 1930. Existe inclusive vacina para os porcos.

O fato do vírus agora atravessar espécies, pegou nós humanos com o sistema imunológico despreparado já que o vírus da gripe sazonal é diferente do da gripe suína. Porém, o que teoricamente parecia uma epidemia grave, na prática vem se mostrando muito menos perigosa do se imaginou. Os dados atuais atestam que não há sinais do vírus ser mais perigoso do que os da gripe comum. Pelo contrário, parece ser até mais brando.

Uma curiosidade na atual epidemia é a menor taxa de acometimento entre idosos, provavelmente porque o atual vírus é semelhante às estirpes que circulavam antes da década de 50-60, conferindo assim algum grau de imunidade a este grupo.

A mortalidade tem sido baixa como em qualquer gripe, principalmente naqueles que não estão no grupo de risco descrito acima. Nos E.U.A até agora, a taxa de mortalidade está abaixo do 0,5%. No México, epicentro da epidemia e país com piores condições de saúde pública, a mortalidade é menor que 1%.

Atualização em 23/07/09

Devido ao grande número de infecções pouco sintomáticas pelo H1N1, o critério de mortalidade citado acima não mais é confiável. Muitos casos não estão sendo computados simplesmente porque as pessoas não procuram atendimento médico. Isto está subestimando o número de casos reais e super estimando a taxa de mortalidade, uma vez que só os casos mais graves estão sendo notificados.

Outro dado importante: o número de atendimentos com casos suspeitos de gripe (suína ou sazonal) de Janeiro até Julho é semelhante ao que ocorre desde 2003 neste mesmo período. O que parece estar acontecendo é apenas uma troca do influenza sazonal pelo influenza H1N1, sem influência no número de casos totais, na mortalidade ou na taxa de complicações.

Atualização em 31/07/09

Dos 10.623 casos suspeitos de algum tipo de gripe, 1.958 (18,4%) foram confirmados como influenza A (H1N1) e 669 (6,3%) como influenza sazonal. Portanto, menos de 25% das pessoas que procuram atendimento médico com suspeita de gripe, realmente têm esse diagnóstico.


A taxa de complicações da gripe pelo H1N1 mantém-se semelhante a da gripe sazonal (19% contra 18,5% dos casos confirmados). Lembrando que só os casos mais sintomáticos têm sido notificados. Esses valores de 19% e 18,5% de complicações não se referem a todos os casos de gripe A, mas só aqueles mais sintomáticos em que os médicos solicitam a confirmação diagnóstica.


A taxa de mortalidade do H1N1 entre aqueles que apresentam complicações como a síndrome respiratória aguda grave (SRAG) caiu de 12,8% para 10,3% desde o último boletim do Ministério da Saúde

Dentre os casos de SRAG causados pelo H1N1 a taxa de mortalidade é de 15,1% para pacientes com pelo menor 1 fator de risco e de 4,36% para quem não apresenta fator de risco.

Doenças respiratórias crônicas e gestação são os principais fatores de risco para o desenvolvimento da SRAG, tanto no H1N1 como na gripe sazonal.

No caso específico das gestantes, 7,2% das que tiveram o H1N1 confirmados apresentaram complicações, contra 7,9% das com gripe sazonal. Portanto, no Brasil, a gripe comum ainda causa estatisticamente mais complicações na gestação do que a gripe A. Mais uma vez lembro que os números se referem a casos notificados e não a totalidade das grávidas com gripe. 


TRANSMISSÃO DA GRIPE SUÍNA

A gripe suína é transmitida como qualquer outra gripe, através de secreções respiratórias e das mãos. O primeiro caso foi transmitido através de um porco, porém a epidemia se dá pela transmissão de humano para humano.

Não há riscos de contaminação pela carne do porco. O vírus não sobrevive ao processo de cozimento.

Como a epidemia é muito recente ainda, não se sabe bem o período de incubação, nem durante quanto tempo a pessoa contaminada transmite o vírus. Acredita-se que os dados sejam semelhantes as de outras gripes causadas por outras cepas do A(H1N1), com transmissão indo do dia anterior ao surgimento dos sintomas até 24 horas após a resolução da febre, e um período de incubação de 1 a 7 dias.

Portanto, a atual recomendação da OMS para aqueles com sintomas gripais é quarentena até 24 horas após resolução dos sintomas (febre), para evitar contágio de outras pessoas.

O uso de máscaras tem sido muito difundido na população, já sendo possível observar algumas pessoas andando na rua vestindo uma. Não há indicações de que máscaras comuns efetivamente protejam contra a infecção pelo H1N1. As máscaras comuns após algum tempo ficam úmidas devido a respiração e transpiração, perdendo completamente a sua capacidade de proteção. O seu uso deve ser restrito a profissionais de saúde em contato com doentes e pessoas do grupo de risco que tenham familiares doentes no mesmo domicilio. Pessoas contaminadas devem usá-la, caso consigam tolerá-la.

O vírus pode ficar vivo em objetos inanimados por até 8 horas. Uma simples limpeza com sabão ou detergente é suficiente para matá-lo. Piscinas não transmitem o vírus devido a presença de cloro.

Como prevenção deve-se:
Evitar contato próximo com pessoas contaminas (pelo menos 2 metros).
Evitar contato direto das mãos com olhos e boca sem antes as terem lavado.
Lavar as mãos frequentemente.
Evitar ficar em ambientes com pouca circulação de ar e com muitas pessoas.

SINTOMAS DA GRIPE SUÍNA

O quadro clínico da gripe suína é muito semelhante ao da gripe comum, com febre, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, dores musculares. A única diferença é que pode ocorrer também diarréias e vômitos, o que é pouco comum na gripe simples.

Nas crianças pequenas e nos idosos, grupo de risco para as complicações, os sintomas podem ser menos típicos, ocorrendo apenas febre e letargia.

A febre é o sintoma mais importante para o diagnóstico.

Se não há temperaturas maiores que 37,5ºC, o diagnóstico de gripe suína passa a ser menos provável.

As complicações da gripe suína são as mesmas da gripe comum. A principal é a pneumonia e a SRAG, que costuma ser a causa de morte naqueles que evoluem mal.

Ao contrário dos resfriados, a gripe é uma infecção que evoluiu muito rápido. Em questão de 24-48 horas o doente já apresenta todo o quadro clínico (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO)

Pessoas que voltam de viagem de países com altos índices de contaminação devem ficar atentas aos sintomas por pelo menos 10 dias após o regresso. Não há necessidade de quarentena se não houver sintomas, nem mesmo para aqueles que tem familiares doentes em casa.

Quais são os sinais de gravidade ?

- Dificuldade respiratória
- Dor torácica para respirar
- Pressão baixa
- Alterações da consciência
- Desorientação
- Vômitos persistentes

É importante perceber que quando falamos em grupo de risco nos referimos aqueles que apresentam mais riscos de desenvolver complicações pela gripe (sazonal ou suína). Isto não quer de modo algum dizer que estas pessoas obrigatoriamente terão complicações, ou que, quem não pertence ao grupo não corre nenhum risco. Estamos falando em probabilidades e não em certezas.

TRATAMENTO

Mais uma vez é importante ressaltar que na maioria das pessoas a gripe suína apresenta um quadro leve, semelhante a qualquer gripe, com resolução espontânea.

O tratamento com antivirais diminuiu a incidência de complicações e encurta o tempo de doença favorecendo a quebra da cadeia de transmissão. A principal droga que tem sido usada é o oseltamivir (Tamiflu®). O medicamento funciona melhor se tomado nas primeiras 48h de sintomas.

ATENÇÃO, NÃO TOME MEDICAMENTOS POR CONTA PRÓPRIA. ENTRE EM CONTATO COM SEU MÉDICO ANTES DE COMEÇAR QUALQUER DROGA.

Não existem trabalhos que atestem a segurança do oseltamivir (Tamiflu®) em grávidas. Porém, devido ao maior número de complicação neste grupo, o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) americano autoriza o uso do Tamiflu® em gestantes.

O oseltamivir (Tamiflu®) já há alguns anos é usado em casos de gripes comuns. Não é preciso a confirmação do H1N1 para se iniciar a droga. Basta a presença de sintomas de gripe (seja suína ou não). Porém, o antiviral só está indicado em pacientes com sinais de gravidade ou que pertençam ao grupo de risco. Pessoas fora do grupo de risco e com sintomas leves não correm risco de morte e por isso, não necessitam da droga.

A banalização do uso de oseltamivir (Tamiflu®) pode levar a um aumento da resistência do H1N1. Junte-se o fato da droga ter efeitos colaterais comuns, e pode-se entender porque ela não deve ser prescrita indiscriminadamente.

Já existe vacina contra o H1N1 no Brasil e em Portugal.

Quem tomou a vacina contra gripe comum pode apresentar pelo menos uma imunização parcial, já que o H1N1 humano é semelhante a cepa suína. Quem já pegou gripe suína e se recuperou, está imune.

O importante é não criar pânico na população. Até agora não há indícios de que a gripe suína seja mais grave do que as gripes comuns que todos nós temos.

Todas as atenções estão voltadas para se tentar evitar que o vírus circule na população. Primeiro porque quanto mais gente tiver e transmitir o vírus, maior será o número de óbitos. Uma doença com mortalidade baixa, quando atinge milhões de pessoas, causa um número alto de mortes. Segundo porque quanto mais o vírus circula, mais difícil é para idosos e pessoas com sistema imune fraco evitarem a contaminação.

Papel da imprensa

A atuação da mídia em todo mundo tem sido sensacionalista com destaque em primeira página para cada óbito que ocorre. Se resolvessem cobrir a gripe comum com a mesma intensidade, teriam manchete para o resto da vida.

No Brasil, a atuação da mídia já ultrapassou a barreira da irresponsabilidade. Infelizmente, a divulgação de dados incorretos e a falta de contextualização dos fatos têm levado a população a um estado de pânico desnecessário. Esta reportagem de Julho de 2009 da Folha de São Paulo exemplifica bem a irresponsabilidade que foi a cobertura da gripe A nesta época: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u597124.shtml

Todos os anos e em todos os países, milhares de pessoas morrem por complicações da gripe sazonal. Como a gripe suína é nada mais que uma gripe, era mais do que esperado que surgissem mortes decorrentes da contaminação de milhares de pessoas. Aliás, se a gripe comum fosse assim tão branda, faria sentido todos os países gastarem milhões de dólares em vacinas anualmente?

07/08/2009
Situação no mundo: 162.380 casos notificados - 1.154 mortes (0,7%)

18/08/09
Algumas pessoas, estimuladas pela mídia, estão desconfiadas com fato do governo estar divulgando a taxa de mortalidade por 100.000 habitantes. É importante esclarecer que este é o modelo internacional e correto de se calcular taxa de mortalidade em qualquer doença, seja infecciosa ou não. O modelo de morte por casos notificados é muito falho, pois em qualquer doença, a maioria dos casos não são notificados, o que acaba super estimando a taxa de mortalidade. Portanto, esta é a forma correta de se divulgar.

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