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Câncer de próstata

CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento

O câncer da próstata é o tumor maligno mais comum do sexo masculino (excetuando-se os cânceres de pele) e o segundo que mais mortes causa, perdendo apenas para o câncer de pulmão.

Celulite

CELULITE | Causas e Tratamento

A celulite, aquelas indesejadas irregularidades na pele que proporcionam uma aparência semelhante a casca de laranja, recebe o nome em medicina de hidrolipodistrofia ginóide.

Mioma

MIOMA UTERINO | Sintomas, causas e tratamento

O mioma é um tumor benigno do útero, ou seja, uma lesão que não é câncer e nem apresenta risco de se transformar em um. O útero é um órgão majoritariamente composto por músculos.

Obesidade

TRATAMENTO DA OBESIDADE | Mudanças de hábitos de vida

A obesidade é uma das maiores epidemias do mundo, apresentando crescimento constante nas últimas décadas. Este é o segundo texto da série sobre obesidade, onde vamos abordar as principais mudanças de hábitos de vida.

Calvície

CALVÍCIE | QUEDA DE CABELOS | Causas e tratamento

A queda de cabelo, conhecida como calvície (ou calvíce), recebe em medicina o nome de alopécia androgênica. Alopécia significa queda de cabelo, e androgênica se refere a influência dos hormônio masculinos no processo.

MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo

Conheça todos os malefícios do cigarro, veja imagens de doenças relacionadas ao fumo e, por fim, descubra como buscar ajuda para abandonar este vício.

Nenhum tipo de publicação médica que se proponha a conscientizar a população sobre saúde pode deixar de lado o assunto tabagismo. Os dados falam por si só. O cigarro é hoje a principal causa de morte prevenível no mundo. Uma a cada dez mortes em todo o planeta está relacionada ao tabaco. Isto significa 5,5 milhões de óbitos por ano ou 1 morte a cada 6 segundos por doenças causadas pelo fumo.

Para se ter uma idéia da tragédia que é o cigarro, morrem mais pessoas de doenças relacionadas ao tabagismo do que de SIDA (AIDS), câncer de mama e acidentes automobilísticos juntos.

Os gastos anuais no mundo com os problemas de saúde do tabagismo ultrapassam os 200 bilhões de dólares. Pessoas que fumam consomem em média 40% mais recursos dos sistemas de saúde que os não fumantes.

Cigarro pulmão
Pulmão normal x pulmão do fumante
O Brasil gasta perto de meio bilhão de reais no tratamento das doenças relacionadas ao fumo. Nos EUA trabalhos mostram que a cada dólar investido em programas de prevenção ao fumo, poupa-se 50 dólares do sistema de saúde. Portanto, pode-se dizer que cigarro também causa "câncer" no orçamento da saúde.

As principais causas de morte relacionadas ao tabaco são as doenças cardiovasculares, o câncer de pulmão e a DPOC (enfisema e bronquite cônica)

Cerca de 20% da população adulta é fumante. 70% destes, quando questionados, expressam desejo de parar de fumar e 40% afirmam já terem tentado pelo menos uma vez largar o vício. A taxa de sucesso, porém, é menor que 10%.

Um fumante de longa data tem sua expectativa de vida reduzida em cerca de 10 anos, e pelo menos 50% dos fumantes morrerão de alguma doença diretamente causada pelo cigarro.

Um simples cigarro contém mais de 4000 substâncias químicas, pelo menos 400 delas sabidamente tóxicas ao organismo e mais de 50 reconhecidamente carcinogênicas (que causam câncer).

Se você quiser ver fotos fortes sobre algumas das doenças causadas pelo cigarro listadas abaixo, clique no link: DOENÇAS CAUSADAS PELO CIGARRO | Fotos.

Principais doenças e problemas relacionadas ao cigarro:

- Alzheimer (leia: MAL DE ALZHEIMER | Sintomas e diagnóstico).
- Aneurismas da artéria aorta (leia: O QUE É UM ANEURISMA?).
- Artrite reumatoide (leia: ARTRITE REUMATOIDE).
- Asma.
- AVC (derrame) (leia: AVC (acidente vascular cerebral)).
- Câncer de bexiga.
- Câncer da boca e língua.
- Câncer de colo do útero (leia: HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO | Sintomas e vacina).
- Câncer de cólon e pólipos intestinais (leia: PÓLIPOS INTESTINAIS | O que são, sintomas e tratamento).
- Câncer do esôfago.
- Câncer do estômago.
- Câncer de laringe.
- Câncer do pâncreas.
- Câncer de próstata (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas, diagnóstico e tratamento).
- Câncer de pulmão (leia: CÂNCER DE PULMÃO | Cigarro e outros fatores de risco).
- Câncer do rim.
- Catarata.
- Celulite (leia: CELULITE | Causas e Tratamento).
- Degeneração macular (leia: DEGENERAÇÃO MACULAR | Causas e sintomas).
- Dismenorreia (cólicas menstruais) (leia: CÓLICA MENSTRUAL | Sintomas e tratamento).
- Doença de Crohn (leia: DOENÇA DE CROHN | RETOCOLITE ULCERATIVA).
- DPOC | Bronquite e enfisema pulmonar (leia: DPOC - ENFISEMA E BRONQUITE CRÔNICA) .
- Envelhecimento precoce.
- Gangrena e amputações.
- Glomerulonefrites (leia: GLOMERULONEFRITE | O que é, sintomas e tratamento.) .
- Hemorroidas (leia: HEMORROIDAS | Sintomas e tratamento).
- Hipertensão (leia: HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA)).
- Impotência sexual (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento).
- Incontinência urinária (leia: INCONTINÊNCIA URINÁRIA | Causas, tipos e diagnóstico) .
- Infarto do miocárdio (leia: SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA).
- Infarto fulminante (leia: INFARTO FULMINANTE | Causas e sintomas).
- Infertilidade.
- Insuficiência renal (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA).
- Insuficiência venosa e varizes dos membros inferiores (leia: VARIZES | Causas e Tratamento).
- Lesões odontológicas.
- Leucemias (leia: LEUCEMIA).
- Mau hálito (leia: SAIBA COMO ACABAR COM O MAU HÁLITO).
- Menopausa precoce (leia: MENOPAUSA | Sintomas e causas).
- Osteoporose (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DA OSTEOPOROSE).
- Neuropatia óptica.
- Perda da audição (leia: SURDEZ | Deficiência auditiva no idoso)
- Pneumotórax (leia: PNEUMOTÓRAX).
- Pneumonia (leia: SINTOMAS DA PNEUMONIA).
- Psoríase (leia: PSORÍASE | Tipos e sintomas).
- Redução do paladar e do olfato.
- Rinite alérgica (leia: RINITE ALÉRGICA | Sintomas e tratamento).
- Úlceras de estômago e gastrite (leia: GASTRITE E ÚLCERA GÁSTRICA).
- Úlceras na pele.
- Vaginose bacteriana (leia: VAGINOSE BACTERIANA | Gardnerella vaginalis).

Fumo passivo

Já está comprovado que o fumo passivo pode levar às mesmas doenças do fumo ativo. Por isso, as leis anti-tabagismo, cada vez mais restritivas em todo mundo, não são apenas uma questão de não-fumantes incomodados com o cheiro da fumaça dos fumantes. É uma questão de saúde pessoal e pública.

Cânceres de pulmão em não-fumantes são pouco comuns, mas boa parte destes acometem pessoas que moram na mesma casa de um fumante. 90% dos cânceres de pulmão ocorrem em fumantes, os restantes 10% ficam em boa parte com os fumantes passivos. Um não-fumante casado com um fumante tem 20% mais de chances de morrer de câncer de pulmão e doenças cardiovasculares que não-fumantes não expostos ao fumo passivo. Não fumantes que vivem com fumantes apresentam uma mortalidade até 15% maior que pessoas sem contato frequente com o cigarro.

Filhos de pais que fumam, expostos ao fumo passivo intra-domiciliar por pelo menos 25 anos, tem o dobro de chances de desenvolver câncer de pulmão.

Recém-nascidos expostos ao cigarro durante a gestação apresentam quase 4x mais chances de morte súbita. O risco de má formação fetal em mães fumantes também é maior. Mulheres grávidas expostas ao fumo passivo apresentam bebês com baixo peso ao nascerem.

Benefícios de se interromper o fumo.

72 horas - Melhora a respiração.
1 mês - Aumenta a perfusão da pele melhorando sua aparência
3 a 9 meses - Os problemas respiratórios, como a tosse, desaparecem. A função pulmonar aumenta em 10%
1 ano - Risco de infarto cai pela metade
10 anos - Risco de câncer de pulmão cai pela metade
15 anos - Risco de infarto é igual ao de não fumantes.

Após 15 dias de abstinência do cigarro o risco de câncer cai em 90%, todavia, nunca será igual ao de quem nunca fumou.

ATENÇÃO: Não existe quantidade segura de cigarros nem cigarro light. Quem fuma está sujeito a todos esses riscos, seja apenas um cigarro ou três maços por dia. Obviamente, quanto maior a quantidade, maior o risco.

Alguns trabalhos científicos tentaram avaliar o benefício da redução da carga tabágica em até 50% como alternativa para aqueles que tem dificuldade em largar o fumo. Nenhum conseguiu mostrar vantagens, a mortalidade permanece a mesma. Os benefícios só ocorrem para quem abandona de vez o vício.

Cigarro - envelhecimento
Irmãs gêmeas idênticas. A da direita é fumante; a da esquerda nunca fumou.
Como parar de fumar | Opções para o tratamento do tabagismo

A nicotina é uma substância psicoativa capaz de causar grande dependência física. A ausência de nicotina na circulação de pessoas viciadas em cigarros causa intenso desejo de fumar e sintomas de abstinência como:

- Irritabilidade
- Insônia
- Angústia
- Aumento do apetite
- Ansiedade
- Dificuldade de concentração
- Depressão

Algumas substâncias como café e álcool sevem como gatilhos para o desejo de fumar.

Na hora que se decide tentar parar de fumar é importante lembrar que o ato de fumar além de ser uma dependência física, é também um comportamento adquirido, que podemos simplificar chamando de "força do hábito".

Por isso, o tratamento psicológico pode ser tão importante quanto o medicamentoso, descrito seguir. A pessoa tem que realmente desejar para de fumar.

1.) Reposição de nicotina

Pode-se oferecer nicotina sem o cigarro através de adesivos de pele, gomas de mascar (pastilha elástica) ou spray nasal.

A quantidade de nicotina oferecida desta maneira é menor que no cigarro, por isso, acaba sendo mais fácil abandonar o tabaco e depois a reposição de nicotina do que cortar o fumo e a nicotina de uma só vez.

2.) Bupropiona (Zyban)

A bupropiona é um antidepressivo especialmente eficaz no controle da dependência da nicotina. O tratamento é normalmente feito com 12-24 semanas de uso da droga.

3.) Vareniclina

A Vareniclina é uma droga que age nos receptores cerebrais de nicotina, "enganando" o cérebro que acha que está recebendo nicotina. O tratamento também dura 12 a 24 semanas.

Atenção: Tanto a Vareniclina como a Bupropiona são drogas, por isso, podem apresentam efeitos colaterais e apresentam algumas contra-indicações. Não se deve tomar esses medicamentos por conta própria, sem avaliação médica, sob o risco de graves efeitos adversos.

O tratamento da dependência do cigarro é feito com aconselhamento médico associado a terapia medicamentosa. Quando se dissocia um do outro, os resultados não são bons.

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MÉDICO NEFROLOGISTA | O que é nefrologia?

Saiba que doenças ou sintomas indicam uma consulta com médico nefrologista.

Antes de mais nada é preciso explicar o que é a nefrologia e, por consequência, o que faz o médico nefrologista. O termo Nefros vem do Grego e significa Rins. Logo, nefrologista é aquele que estuda as funções e as doenças dos rins.

Então, você me pergunta: E o Urologista? A Urologia é a especialidade cirúrgica que lida com o trato urinário e reprodutivo.
Portanto, o nefrologista é o clínico especializado no sistema urinário enquanto que o urologista é o cirurgião. É a mesma relação que há, por exemplo, entre os cardiologistas e os cirurgiões cardíacos, e entre os neurologistas e os neurocirurgiões.

A principal doença com que o nefrologista lida é a insuficiência renal crônica, estado em que o rim funciona menos de 60% de sua capacidade.

Os nossos 2 rins filtram em média 180 litros de sangue por dia, mais ou menos 90 a 125 ml por minuto. Esta é a chamada taxa de filtração glomerular ou clearance de creatinina. Como a média é de 100 ml/min, para um melhor entendimento dos pacientes, costumamos dizer que esse valor corresponde a 100% da função renal. Se o seu médico diz que você tem 60% de função, isso significa grosseiramente que seus rins filtram 60 ml/min. Para
saber mais detalhes sobre a insuficiência renal crônica, leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA | Sintomas e tratamento.

Apesar de ser a doença chave da especialidade, a maioria dos doentes chega a nós nefrologistas tardiamente, já com menos de 30% da função dos rins, em uma fase que pouco pode ser feito para tentar impedir o avanço da doença em direção à hemodiálise. Isso obviamente não é culpa só dos pacientes, mas também dos seus médicos que demoram a referenciar ao nefrologista seus doentes insuficientes renais crônicos.

Os pacientes com insuficiência renal crônica que chegam ao nefrologista precocemente apresentam:

- Menor mortalidade.
- Melhor controle da pressão arterial.
- Menos doenças associadas a falência renal como lesões ósseas, anemia (leia sobre: ANEMIA), desnutrição e doenças cardiovasculares.
- Menor perda de função renal e consequentemente maior chance de não evoluírem para hemodiálise.
- Aqueles que acabam precisando de hemodiálise, apresentam menos complicações e menor mortalidade, além de um melhor preparo e menor tempo para o transplante renal se for este o desejo do paciente ( leia sobre: HEMODIÁLISE e TRANSPLANTE).
- Podem receber tratamento em tempo hábil para doenças que levam a insuficiência renal terminal quando não tratadas corretamente.

Então, quais são os fatores de risco para a insuficiência renal crônica e quando é que se indica uma avaliação pelo nefrologista?
Uma referenciação em tempo certo ao médico nefrologista pode ser a diferença entre estar plenamente curado ou necessitar de hemodiálise para o resto da vida.

É bom ter em mente que na insuficiência renal crônica não há como recuperar a função renal  já perdida. O que o nefrologista procura fazer é reduzir a progressão desta perda. Portanto, quanto mais tarde o encaminhamento, menos o nefrologista terá a oferecer.

Todos os temas sobre nefrologia já abordados no MD.Saúde podem ser acessados aqui: Nefrologia

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SAL e HIPERTENSÃO ARTERIAL

O nosso famoso sal de cozinha é composto basicamente de cloreto de sódio (NaCl). É o principal vilão da hipertensão arterial. O problema não é exatamente o sal, mas sim o sódio presente nele. Entenda por que o sal aumenta a pressão arterial e faz mal à saúde.

Não deixe de ler também:
SINTOMAS E TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO
TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO | Captopril, Enalapril, Losartan
HIPERTENSÃO ARTERIAL DE DIFÍCIL CONTROLE

As populações que apresentam baixa ingestão de sódio praticamente não apresentam casos de hipertensão. Nossa dieta contém muito mais sódio do que o necessário. Temos um paladar que foi acostumado a grandes quantidades de sal desde a infância que não notamos o quanto nossa comida é salgada.

Sal e hipertensãoPraticamente todos os meus pacientes, quando eu peço para reduzir o consumo, afirmam já comer pouco sal. 99% estão enganados. Se você vive no mundo ocidental e consome queijos, molho de tomate, comida congelada, come em restaurantes, consome fast food, biscoitos, comida enlatada e muitos outros alimentos facilmente encontrados nos supermercados, você tem uma dieta hiper sódica (excesso de sal). Você apenas não sabe disso porque seu paladar está adaptado a altas concentrações de sódio.

A quantidade máxima de sódio recomendada é de 2,4 gramas por dia, o equivalente a 6 gramas de sal. Para se ter uma idéia, aquele saquinho de sal, branco e quadradinho que existe em todo restaurante possui 1g de sal. Pacientes hipertensos, cirróticos, insuficientes renais crônicos ou com insuficiência cardíaca devem consumir menos de 1,5 grama de sódio/dia. A população ocidental consome em média de 9 a 15g de sal por dia.

Os efeitos do sal são diferentes em cada indivíduo, mas alguns grupos apresentam maior sensibilidade: negros, obesos e doentes renais crônicos.

Além de provocar hipertensão, o sal também atrapalha o seu tratamento ao inativar alguns anti-hipertensivos. Isso acontece principalmente na família dos diuréticos e dos IECA (captopril e enalapril são os mais famosos).

Além das consequências da hipertensão, o excesso de sódio também está relacionado a:

- AVC (derrames) (leia: ENTENDA O AVC - ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL)
- Insuficiência renal (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA - SINTOMAS)
- Insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS)
- Câncer de estômago
- Pedras nos rins (leia: SINTOMAS DO CÁLCULO RENAL / PEDRA NOS RINS)
- Diabetes (leia: DIAGNÓSTICO E SINTOMAS DO DIABETES MELLITUS)
- Asma
- Osteoporose (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DA OSTEOPOROSE)

Devido aos problemas do sódio, o chamado sal light, composto por cloreto de potássio (Kcl), vem ganhando adeptos. O nome light não é bom e causa confusão, pois o termo normalmente é dado a alimentos de baixo valor calórico. Na verdade o sal light, não é cloreto de potássio puro, ele é uma mistura com cloreto de sódio, porque o gosto do potássio é muito azedo.

Trabalhos científicos mostram que uma maior ingestão de potássio, ao contrário do sódio, protege contra a hipertensão. Alimentos industrializados costumam ser ricos em sódio e pobres em potássio, enquanto que nas frutas e nos vegetais ocorre o oposto.

Mas existe um risco. O potássio em grandes quantidades pode ser letal. Tanto que nos países com pena de morte, o medicamento usado nas injeções letais é o próprio cloreto de potássio, obviamente em quantidades muito elevadas.

Em geral quem controla as concentrações de potássio no nosso sangue são os rins. Se ingerirmos mais potássio que o necessário, o excesso sai na urina. O problema são os pacientes com doenças renais, que não conseguem controlar bem o potássio sanguíneo. Nesses, o KCl é contra-indicado. Pessoas com boa função dos rins não correm risco.

Como a hipertensão é causa de insuficiência renal, assim como, a insuficiência renal leva a hipertensão, não é incomum encontrarmos pacientes com as duas patologias ao mesmo tempo. Por isso, se você é hipertenso ou apresenta fator de risco para doença renal, dose sua creatinina antes de tomar suplementos que contenham potássio (leia: VOCÊ SABE O QUE É CREATININA ?)

Bom, resumindo: O ideal é cortar o sal da dieta, ingerir menos de 6 gramas por dia e associar a uma alimentação rica em frutas e verduras. O sal light faz menos mal que o sal comum, mas ainda contém, mesmo que em menor quantidade, cloreto de sódio. O mais importante é uma reeducação do paladar para não sentir tanta falta do sabor salgado.

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TUBERCULOSE | Sintomas e tratamento

A tuberculose é uma doença infecciosa e contagiosa causada por uma bactéria, que pode acometer vários órgãos diferentes, sendo a tuberculose pulmonar sua principal forma. Neste texto explicaremos quais são os principais sintomas da tuberculose, seu tratamento e quais órgãos são mais acometidos.

Antes de falarmos nos sintomas da tuberculose é preciso esclarecer alguns pontos acerca da doença, que são muito pouco divulgados pelos meios de comunicação.

O que é tuberculose

A tuberculose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada de Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch, em homenagem a Robert Koch, médico alemão que identificou a bactéria. A doença é muito famosa pelo seu acometimento pulmonar (tuberculose pulmonar), mas poucos sabem que vários outros órgãos do corpo também podem ser infectados pela tuberculose, como pele, rins, linfonodos, ossos, cérebro etc...

Desde o surgimento da pandemia de HIV/SIDA (AIDS) na década de 80 que a infecção por tuberculose voltou a ser uma grande preocupação, já que pacientes imunossuprimidos são muito susceptíveis ao bacilo de Koch.

O Brasil é o 16º país com maior incidência de tuberculose no mundo, porém, ao contrário do que muitas vezes é divulgado, esta incidência tem caído substancialmente nos últimos anos. Em 1999 a incidência era de 51 casos para cada 100.000 habitante. Em 2007 já havia caído para 38 por 100.000. Rio de Janeiro e Amazonas são os estados com o maior número de casos (incríveis 73 por 100.000). Portugal é um dos países da Europa com maior taxa, aproximadamente 32 casos por 100.000. Só como comparação, a Alemanha tem 6 casos por 100.000 habitantes.

Atualmente 1/3 da população mundial está infectada pelo bacilo de Koch. O fato é que apenas 10% das pessoas que entram em contato com a bactéria desenvolvem sintomas de tuberculose. Esta resistência se dá pelo nosso sistema imune que é bastante competente em impedir a progressão da doença. Apesar desta resistência,  a bactéria muitas vezes não é completamente eliminada pelo sistema imune e fica adormecida no nosso organismo, sem causar sintomas, à espera de uma queda nas nossas defesas para voltar a se multiplicar.

A infecção pelo bacilo de Koch inicia-se sempre pelos pulmões, mas pode se alastrar por todo o corpo. Nem todo mundo vai desenvolver a tuberculose ativa e alguns permanecerão com a bactéria adormecida no organismo, tendo tido ou não sintomas de tuberculose pulmonar. A bactéria pode ficar alojada durante anos em qualquer parte do corpo, como cérebro, meninge, rins, intestinos, coração, linfonodos, ossos etc.. apenas à espera de uma queda no sistema imune para voltar a multiplicar-se.

Resumindo, você pode entrar em contanto com a bactéria da tuberculose e seguir por um dos três caminhos:

- seu sistema imunológico não consegue controlar a bactéria e você desenvolve a doença, apresentando, na maioria dos casos, sintomas de tuberculose pulmonar.
- seu sistema imunológico consegue controlar a bactéria, mas não a elimina do seu corpo, mantendo-a apenas "adormecida" por vários anos. Se houver alguma queda no sistema imune, a bactéria pode voltar a ficar ativa, causando geralmente um dos tipos de tuberculose extrapulmonar.
- seu sistema imunológico consegue controlar a bactéria e a elimina definitivamente do corpo.

Fatores de risco para o desenvolvimento da tuberculose

Os indivíduos com as características abaixo são aqueles com maior risco de desenvolver tuberculose após contato com alguém contaminado:

- Idosos.
- Diabéticos (leia: DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas).
- População de rua.
- Alcoólatras (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL | Tratamento do alcoolismo).
- Insuficientes renais crônicos (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA | Sintomas e tratamento).
- Doentes com neoplasias ou sob quimioterapia.
- Transplantados (leia: SAIBA COMO FUNCIONA O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS).
- Portadores do vírus HIV

A população prisional também é uma das mais susceptíveis a infecção, devido à contínua exposição à bactéria em ambientes fechados.

Sintomas da tuberculose pulmonar

A tuberculose pulmonar é a manifestação mais comum da doença. A transmissão é feita pelo ar, através de aerossóis expelidos pela tosse, espirro ou pela própria fala. Estima-se que uma pessoas infectada, se não tratada, pode contaminar outras 15 no intervalo de um ano. De acordo com as estatísticas, destas quinze, apenas uma ou duas desenvolverão sintomas. Atenção: apenas os casos sintomáticos são capazes de transmitir a doença. Se você entrou em contato com o bacilo, mas não desenvolveu doença,  não há risco de transmissão da bactéria para outros.

O quadro típico de tuberculose pulmonar é de febre com suores e calafrios noturnos, dor no peito, tosse com expectoração, por vezes com raias de sangue, perda de apetite, prostração e emagrecimento que chega a 10 ou 15 kg em algumas semanas.

Por ser também uma infecção pulmonar, o quadro pode lembrar o de uma pneumonia (leia: PNEUMONIA | Sintomas e tratamento). Porém, enquanto a pneumonia é uma doença mais aguda, que se desenvolve em horas/dias, a tuberculose é mais lenta, evoluindo em semanas. Alguns doentes com tuberculose só procuram atendimento médico dois meses depois do início dos sintomas. Deve-se pensar sempre em tuberculose pulmonar naqueles pacientes com quadro de pneumonia arrastada que não melhoram com antibióticos comuns.

Sintomas da tuberculose extrapulmonar

A tuberculose em outros órgãos também costuma causar emagrecimento, febre, suores noturnos, prostração, perda do apetite etc... A diferença é que não há sintomas respiratórios, como a tosse, mas sim sintomas específicos do acometimento de cada órgão. Exemplos:

Sintomas da tuberculose pleural

A tuberculose extrapulmonar mais comum é tuberculose pleural, que como diz o nome, acomete a pleura, membrana que recobre os pulmões. Os sintomas mais comuns (além dos descritos acima) são dor torácica unilateral e falta de ar, causado pelo aparecimento de derrame pleural, mais conhecido com água na pleura (leia: DERRAME PLEURAL | Tratamento, sintomas e causas).

Sintomas da tuberculose ganglionar:

A tuberculose ganglionar é uma manifestação comum nos pacientes soropositivos infectados pelo bacilo de Koch. O quadro típico é de aumento dos linfonodos na região do pescoço. No início, os gânglios têm crescimento lento e são indolores; posteriormente, aumentam de volume e tendem a se agrupar, podendo criar fístulas (comunicações) para a pele.
Tuberculose da coluna
Tuberculose na coluna vertebral

Sintomas da tuberculose óssea:

A tuberculose óssea costuma envolver a coluna vertebral, causando destruição das vértebras. A tuberculose da coluna também é chamada de "Mal de Pott". A doença progride lentamente com sintomas de dor leve/moderada nas costas que piora progressivamente. Conforme a vértebra vai sendo destruída, a medula pode ser acometida causando intensa dor e alterações neurológicas, incluindo até paralisia dos membros.

Tuberculose urinária

A tuberculose urinária cursa com sintomas semelhantes à infecção urinária (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE | Sintomas e Tratamento), porém sem resposta aos antibióticos e com urocultura negativa. Se não tratada a tempo, pode levar a deformidades do sistema urinário e insuficiência renal terminal (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA | Sintomas e tratamento).

Tuberculose cerebral

É a forma mais grave de tuberculose, podendo evoluir como uma meningite tuberculosa ou com a formação de tuberculomas cerebrais, espécies de tumores no sistema nervoso central (leia: MENINGITE | Sintomas, Transmissão e Vacina).

Ainda existem a tuberculose dos olhos, dos intestinos, da pele, do coração, do peritônio etc... Falaremos destas em outro momento para não tornar o texto muito mais longo.

Diagnóstico da tuberculose
Tuberculose pulmonar
Tuberculose no ápice do pulmão direito
O diagnóstico da tuberculose pulmonar é feito através da história clínica, da radiografia de tórax e do exame de escarro (catarro), este último o exame que identifica a presença do bacilo de Koch.

As infecções extrapulmonares, em geral, ocorrem anos depois da infecção pulmonar ou mesmo da contaminação assintomática. O diagnóstico das formas extrapulmonares é habitualmente feito pela biópsia do órgão acometido.

A radiografia de tórax é importante porque pode detectar lesões pulmonares antigas em pacientes que desconhecem o fato de já terem tido tuberculose. Estas lesões, chamadas de "cavernas", podem se reativar, causando novo quadro de tuberculose pulmonar.

E como saber se você é portador assintomático da bactéria da tuberculose?

PPD
Aplicação PPD
Existe um teste chamado de PPD (derivado de proteína purificada), ou teste da tuberculina, que é feito através da inoculação subcutânea de proteínas de bacilo de Koch morto. Após 48-72h é feita a avaliação do grau de reação do corpo ao material inoculado.

PPD
PPD positivo
Se o paciente já foi exposto à bactéria, seu organismo possui anticorpos que atacam as proteínas inoculadas na pele.

Em pessoas saudáveis, uma inflamação com o centro endurado maior que 15mm (1,5 cm) é considerado positivo. Em diabéticos, renais crônicos ou em profissionais de saúde expostos frequentemente a pessoas infectadas, um resultado maior que 10mm (1 cm) também é considerado positivo. Pacientes com SIDA (AIDS) ou outra causa de imunossupressão, 5 mm (0,5cm) já é considerado positivo.

O teste de PPD só fica positivo após 12 semanas da exposição a pessoas infectadas. Não adianta fazer o PPD apenas alguns dias após o contato com alguém supostamente contagioso.

Doentes com o PPD positivo são candidatos ao tratamento contra tuberculose latente, objetivando impedir uma futura reativação do bacilo.

Tratamento da tuberculose

Os doentes que apresentam sintomas de tuberculose são tratados com um esquema de antibióticos por no mínimo 6 meses. O principal esquema é o chamado RIPE -» Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol por 2 meses + 4 meses de Rifampicina, Isoniazida. Esse coquetel é distribuído gratuitamente pelo governo brasileiro.

O tratamento das formas latentes, isto é, pacientes assintomáticos mas com PPD positivo como descrito anteriormente, é feito apenas com a Isoniazida, também pelo período de 6 meses.

O grande problema do controle da tuberculose é o abandono antes do final dos 6 meses. Como os sintomas melhoram em pouco tempo e os efeitos colaterais são comuns, muitos pacientes não completam o tempo total de tratamento, favorecendo o surgimento de cepas multirresistentes do bacilo de Koch.

Os pacientes deixam de transmitir tuberculose após aproximadamente 15 dias de tratamento. Porém, podem voltar a ser bacilíferos (transmissores do bacilo) se não completarem o curso de 6 meses de antibióticos.

A tuberculose não tratada leva à sepse grave e morte ( leia: O QUE É SEPSE / CHOQUE SÉPTICO?)

Existe vacina contra tuberculose?

Existe uma vacina chamada de BCG, que faz parte do calendário nacional. É administrada quando criança e serve para prevenir as formas mais graves da doença, como a tuberculose disseminada e a meningite tuberculosa. A vacina apesar de diminuir a incidência da tuberculose pulmonar não a evita por completo. Como é feita a partir de bactérias vivas, não deve ser administrada em imunossuprimidos.

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MITOS SOBRE SAÚDE

Este texto é para derrubar alguns dos mitos sobre saúde, muitos deles repetidos tantas vezes que é difícil acreditar que não sejam reais.

Todos os mitos serão contestados pela ótica da ciência. Toda afirmação para ter base científica precisa ser comprovada. Muitas das afirmações abaixo são divulgadas amplamente, mas não apresentam nenhum embasamento científico.

1.) O SER HUMANO SÓ USA 10% DO CÉREBRO

Este é um mito muito antigo que se parece se originar do início do século XX quando ainda se entendia muito pouco sobre as funções do cérebro. Todos os trabalhos atuais de neuro imagem, análise estrutural e metabolismo sugerem que usamos muito mais do que 10% do nosso cérebro.

Não há nenhum indício de que existam áreas inativas ou hipofuncionantes no cérebro humano.

Do ponto de vista evolutivo, não faria sentido termos um cérebro tão grande se usássemos apenas uma pequena fração deste.

2.) DEVE-SE BEBER 2 LITROS DE ÁGUA POR DIA. NÃO SERVE OUTRO TIPO DE BEBIDA.

Em medicina não existe o famoso "one size fits all". Ingerir líquidos é essencial para a manutenção da hidratação, mas não existe um número mágico que se aplique a todos.

O melhor modo de se controlar a hidratação corporal é através da cor da urina (assumindo que a pessoa não tenha nenhum problema renal e não toma diuréticos) e da sensação de sede.

Uma urina saudável é bem clara e apresenta fraco odor.

(leia mais em: URINA COM CHEIRO FORTE)

Em dias quentes precisamos beber mais água, às vezes mais que 2 litros. Em dia frios, talvez não seja necessário tanto. CE não necessariamente precisa ser água. A maioria das bebidas, sejam sucos, refrigerantes, chás etc... apresentam mais de 90% de água na sua composição. Após exercícios, perdemos no suor água e sais minerais. Neste caso a melhor reposição não seria com água pura.

Muitos alimentos também são ricos em água, principalmente as frutas.

Portanto, o ideal é manter uma urina sempre clara, as mucosas sempre úmidas e não ter sede. Isto já é um bom parâmetro para estimar a hidratação de uma pessoa.

3.) RASPAR O CABELO FAZ COM QUE ELE CRESÇA MAIS GROSSO E ESCURO

Apesar de ser uma teoria famosa, as evidências mostram que ela não passa de mito. Primeiro porque ao raspar o cabelo, não se atinge a raiz do mesmo, e portanto, não faz diferença raspar ou cortar com tesoura.

Alguns fatos favorecem esta confusão.

Primeiro, a barba de um adulto é mais encorpada que do adolescente por fatores hormonais. Como o homem começa a se barbear na adolescência o senso comum sugere que esta engrossou pelas sucessivas raspagens.

Segundo, conforme o pêlo cresce, ele fica mais fino nas pontas e ao raspá-lo, ficamos com a impressão de tê-lo engrossado.

Terceiro, o pêlo conforme cresce, é mais exposto a luz solar e a substâncias químicas que o fazem ficar mais claro. Quando raspamos, deixamos apenas a pequena parte mais escura que ainda não teve tempo de se descorar.

4.) TELEFONE CELULAR (TELEMÓVEL) PODE CAUSAR TUMOR CEREBRAL

Não há nenhuma evidência que as ondas de radio frequência dos celulares (telemóveis) aumentem os risco de neoplasia do cérebro. Na verdade, um trabalho dinamarquês seguiu 420.000 usuários de celular por 20 anos e não demonstrou nenhum aumento na incidência de tumores, independente da quantidade de horas expostas ao telefone.

5.) DOAR SANGUE FAZ ENGORDAR

Não consigo nem imaginar qual seria a explicação para tal teoria. Doar sangue não engorda, nem emagrece.

Aproveitando a deixa, doar sangue não afina, nem engrossa o sangue. Doar sangue não causa leucemia. Não é fator de risco para contrair HIV ou qualquer outra doença transmitida pela transfusão de sangue. Doar sangue não vicia e não causa alergia. (leia: DOAÇÃO DE SANGUE | informações para doadores)

6.) FUMAR MACONHA FAZ MENOS MAL QUE FUMAR CIGARRO

A maconha (marijuana) não é uma droga tão inócua como alguns tentam vender. Cigarro e maconha possuem substâncias que fazem mal a saúde. Ambos apresentam potencial de carcinogênico, ou seja, de induzir o aparecimento de cânceres. Um cigarro de maconha apresenta 4x mais alcatrão e 50% mais substâncias cancerígenas que um cigarro comum. A grande diferença entre a maconha e o cigarro é a quantidade consumida diariamente de cada um.

Se quiser saber mais leia: EFEITOS DA MACONHA NO ORGANISMO

7.) ANTICONCEPCIONAL ENGORDA

Não há evidências que confirmem aumento substancial de peso em mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais. Nenhum trabalho conseguiu comprovar diferença maior que 0,5 kg no ganho de peso entre mulheres que tomam e não tomam pílula. O resultado independe do tipo e da dosagem dos hormônios.

Durante um dos trabalhos, 20% das mulheres do grupo que tomava anticoncepcionais, na verdade, emagreceu.

8.) ANTIBIÓTICO CORTA O EFEITO DOS ANTICONCEPCIONAIS.

Esta é uma meia verdade. A Rifampicina, usada principalmente na hanseníase e na tuberculose, interage com os anticoncepcionais. Alguns outros antibióticos como as penicilinas, metronidazol e tetraciclinas também podem causar alterações em algumas mulheres. De resto, não há problemas.

Leia mais sobre INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA DOS ANTICONCEPCIONAIS

9.) HIPOTIREOIDISMO CAUSA OBESIDADE

Muitas pessoas com hipotireoidismo culpam a doença pela sua obesidade. O fato é que o ganho de peso causado pela doença não é suficiente para causar excesso de peso. Na verdade hoje questiona-se se a obesidade, principalmente em crianças, pode causar hipotireoidismo, e não o contrário.

Leia: DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREÓIDE e HIPOTIREOIDISMO

10.) COMER CENOURA MELHORA A VISÃO

A cenoura é rica em vitamina A e a deficiência desta realmente causa cegueira. Agora, pessoas que se alimentam normalmente, não são desnutridas e apresentam níveis normais de vitamina A não obtém nenhuma melhora na performance visual se ingerirem mais cenouras.

Portanto, vitamina A só melhora a visão naqueles que têm deficiência de vitamina A.

Leia: VERDADES E MITOS SOBRE AS VITAMINAS

11.) MASTURBAÇÃO CAUSA ACNE

Masturbação não causa acne, assim como não causa ginecomastia masculina (seios nos homens), não faz crescer pêlos nas mãos, não causa cegueira, não faz aumentar o pênis e não vicia.

Masturbação é algo natural e saudável (leia: MASTURBAÇÃO | Mitos e benefícios).

12.) CAMISINHA NÃO PROTEGE CONTRA DSTs E SIDA (AIDS)

Infelizmente esse é um mito que até a igreja de vez em quando ajuda a propagar. A camisinha realmente não protege 100%, mas as suas falhas estão muito relacionadas ao seu mal uso, facilitando que ela estoure ou saia do pênis, ficando dentro da vagina ou ânus. O uso de preservativo, quando ocorre sem problemas, realmente é muito eficaz contra a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez.

Leia:CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber
Leia: SAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS (SIDA)

13.) BEBER ÁGUA EM JEJUM EMAGRECE

Não há nenhuma indicação de que isso aconteça. Mas uma daquelas teorias que não se tem nem o que argumentar pela total falta de embasamento científico.

14.) HOMEOPATIA FUNCIONA TÃO BEM QUANTO A MEDICINA TRADICIONAL

Sei que vou irritar algumas pessoas, mas a homeopatia não consegue apresentar trabalhos científicos que comprovem sua equivalência em relação a medicina tradicional. Todos os trabalhos já publicados em revistas de renome mostram que a homeopatia apresenta os mesmos resultados do placebo (substância inócua)

Se nos casos de acne, gripe e outras infecções respiratórias pode-se aceitar o tratamento homeopático por serem doenças benignas ou auto-limitadas, o uso de homeopatia em vez da medicina tradicional para doenças graves como SIDA (AIDS), câncer, insuficiência renal, lúpus, infartos do miocárdio e infecções graves com sepse, é perigoso e contra-indicado.

Só porque a homeopatia teoricamente já tratou alguma doença sua, não significa que ela funcione. É preciso comprovar a eficácia de um tratamento em grande número de doentes para se descartar o efeito placebo e do acaso.

15.) COMER BANANAS IMPEDE AS CÂIMBRAS

Não é bem assim. Em alguns casos a banana pode diminuir a incidência de câimbras por ser rica em potássio, carboidratos e água. Na maioria das pessoas com câimbras recorrentes, a banana pouco ajuda se não forem tomadas outras medidas.

Leia mais em: TUDO SOBRE CÂIMBRAS

16.) ESTRESSE CAUSA ÚLCERA NO ESTÔMAGO

Quase todas as úlceras gástricas são causadas pela bactéria H.pylori ou por anti-inflamatórios (leia: Como e Quando tratar H.pylori e Ação e efeitos colaterais dos anti-inflamatórios

O estresse pode causar o que chamamos de dispepsia funcional, que são sintomas de queimação estomacal e azia, que se assemelham aos sintomas das gastrites e úlceras. Muitas vezes esses pacientes são submetidos a endoscopias que não revelam nenhum tipo de lesão no estômago.

Portanto, o estresse costuma causar sintomas parecidos com os de úlceras, porém não as realmente causa.

17.) URINA ALIVIA DOR DE QUEIMADURAS POR ÁGUA VIVA (ALFORRECAS)

Esse mito é muito comum nos E.U.A e acaba por se alastrar no mundo através dos programas de TV.

Não há nenhuma evidência de que a urina possa ser benéfica nestes casos. Pelo contrário, existe o risco de piora do quadro por um maior estímulo a liberação de toxinas por restos da água viva que permanecem grudadas na pele após o contato inicial.

O tratamento das queimaduras deve ser feito com limpeza local com água quente. Se você procura um remédio caseiro, vinagre e creme de barbear podem ser opções para retirar restos aderidos a pele.

18.) CHÁ DE QUEBRA PEDRAS PARA CÁLCULO RENAL

Muito pacientes com crises de cólicas renais começam a tomar chá de quebra pedras na esperança de se verem livres da maldita pedra nos rins.

Infelizmente o chá, de quebra pedras, só tem o nome. Funciona tanto quanto água. O fato de ser um líquido, faz com que se aumente a quantidade de urina produzida, facilitando a expulsão de pedras pequenas. Esse raciocínio vale para qualquer líquido.

Alguns trabalhos sugerem que o chá possa impedir o aparecimento de novos cálculos, porém, os que já existem não sofrem nenhuma alteração.

Leia: CÁLCULO RENAL (PEDRA NOS RINS)

19.) MANTEIGA PARA QUEIMADURAS

Queimaduras leves devem ser tratadas apenas com água fria. Não se deve passar nenhuma outra substância devido ao risco de infecção da ferida e atraso na cicatrização. Isso vale para manteiga, gelo, ovo, óleo de cozinha etc...

Nunca estoure as bolhas. Mantenha a ferida sempre limpa e a proteja com um pequeno curativo.

Se quiser saber mais sobre como tratar feridas em geral leia: TRATAMENTOS DE FERIDAS E MACHUCADOS

20.) CAFÉ MELHORA A INTOXICAÇÃO ALCOÓLICA

Por ser um estimulante, o café é muitas vezes usado para melhorar os sintomas da bebedeira e da ressaca. Não funciona além de poder piorar a ressaca, uma vez que a cafeína é um diurético e pode aumentar a desidratação, que é uma das causas do mal estar.

Se quiser saber mais sobre ressaca leia: RESSACA E INTOXICAÇÃO PELO ÁLCOOL

21.) ENTRAR NA ÁGUA APÓS AS REFEIÇÕES FAZ MAL


Quem é que nunca ouviu dos pais este alerta?

Mas por que entrar na água depois de comer faz mal? Não faz. Tomar banho ou mergulhar em piscina após comer não trás nenhum risco.

Porém, é bom abrir um parêntese aqui. Quando comemos, o corpo desvia boa parte do débito sanguíneo em direção ao trato digestivo para facilitar a digestão. Se fizermos algum exercício como correr ou nadar, parte deste sangue vai para os músculos e prejudica o processo de digestão. Banho quente também pode ter efeito semelhante, por causar dilatação dos vasos da pele e desviar do débito sanguíneo.

Logo, o problema não é a água em si, e sim o fato de que, quem entra em um piscina, costuma fazê-lo para nadar ou se exercitar. Se for apenas um banho refrescante, não há problema algum.

22.) PEGAR FRIO COM CORPO MOLHADO CAUSA GRIPE

Esse é outro mito extremamente difundido pelos pais.

Gripes e resfriados são doenças infecciosas, causadas pelos vírus Influenza e rinovírus, respectivamente (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO). Portanto, para ser pegar um dos dois, é preciso contato com alguém doente. Sua geladeira por exemplo, não transmite gripe.

No inverno, principalmente nos países de clima temperado, realmente ocorrem mais casos de gripe. Isto acontece devido a 2 motivos. Um é a variação sazonal natural do vírus, que é maior nos meses de Outubro, Novembro e Dezembro, outono e inverno no hemisfério norte. Segundo porque em dias frios, as pessoas tendem a ficar mais reunidas em locais fechados, favorecendo a transmissão do vírus.

23.) VITAMINA C PREVINE GRIPE

Não há nenhum trabalho que consiga comprovar a eficácia da vitamina C contra gripes e resfriados.

Em 2007 saiu um trabalho com 11.000 pacientes. Metade tomou vitamina C, a outra metade, placebo. Ao final do estudo, não houve nenhuma diferença na incidência de gripe entre os 2 grupos.

24.) COMER MUITO DOCE CAUSA DIABETES

Vários fatores podem levar ao diabetes, principalmente obesidade e a fatores genéticos. Agora, comer doces não causa diabetes em ninguém, a não ser que excesso de carboidratos leve ao sobrepeso. Do mesmo modo, comer chocolate, por si só, também não leva ao diabetes.

Leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA e DIABETES MELLITUS

25.) COMER CHOCOLATE CAUSA ESPINHAS (ACNE)

Também não há nenhum estudo que consiga comprovar que comer chocolate cause ou piore a acne. Existe ainda muito debate se a alimentação tem alguma influência sobre as espinhas. Até o momento não se conseguiu comprovar nenhuma relação clara.

26.) A GRIPE SUÍNA (GRIPE A) É UMA DOENÇA MUITO GRAVE

Na verdade a gripe suína apresenta uma mortalidade menor que a gripe comum.

Apesar de já ser uma pandemia, a gripe suína é tão perigosa quanto a gripe comum em pessoas saudáveis. O problema está em idosos, grávidas, bebês e imunossuprimidos.

Leia mais em: GRIPE SUÍNA

27) TOMAR SORVETE PIORA A GRIPE OU RESFRIADO

Não é verdade. Se você estiver com a garganta inflamada, pode até piorar a dor, mas piorar a doença, isso não piora.

Leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO
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Conhece algum mito e quer vê-lo explicado?
Quer saber se alguma dica médica realmente funciona?
Deixe seu comentário. Os melhores virarão um tópico nesta postagem.

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ÁCIDO ÚRICO | GOTA | Sintomas e dieta

A gota é uma doença caracterizada por ataques episódicos de artrite (inflamação das articulações) que costuma acometer pacientes que apresentam persistentemente níveis sanguíneos elevados de ácido úrico. Neste texto explicaremos o que é doença gota, quais os seus sintomas e como o excesso de ácido úrico provoca artrite.

O que é o ácido úrico e por que ele pode causar gota?

O ácido úrico é uma substância produzida no fígado, derivada do metabolismo da purina, um tipo de proteína presente nos alimento que ingerimos. Quanto mais purina ingerimos, mais ácido úrico é produzido pelo nosso organismo.

Durante a evolução das espécies, o ser humano perdeu a capacidade de produzir uma enzima chamada uricase, que transforma o ácido úrico em alantoína, uma substância muito mais solúvel no sangue. Como resultado, os humanos apresentam níveis de ácido úrico muito mais altos do que a maioria dos outros mamíferos. Os nossos níveis de ácido úrico sanguíneo só não atingem níveis tóxicos porque a maioria de nós consegue eliminar o excesso através dos rins. Nas mulheres em idade reprodutiva, os níveis costumam ser um pouco mais baixos devido a influência do estrogênio, que potencializa a eliminação do ácido úrico pelos rins.

Apesar do bom trabalho dos rins, ainda assim os nossos níveis sanguíneos habituais de ácido úrico estão muito próximos do limite de solubilidade, fazendo com que pequenos aumentos na sua concentração causem precipitação (cristalização) deste nos tecidos. O ácido úrico é mais solúvel em temperaturas acima de 37ºC, que é a temperatura do sangue. Todavia, nas nossas articulações a temperatura é mais baixa, chegando a 32ºC em algumas delas, o que favorece a deposição de cristais nestes locais (toque no seu joelho e compare a temperatura deste com as das coxas ou pernas). O ácido úrico se deposita nos tecidos na forma de urato de sódio.

Quando ocorre deposição de cristais de ácido úrico (urato de sódio) nas articulações, estes provocam uma intensa reação inflamatória levando a uma artrite (inflamação das articulações) muito dolorosa que recebe o nome de gota.

Resumindo: O ácido úrico mantém-se dissolvido no sangue até níveis próximos de 7,0 mg/dl. A partir deste valor, quanto mais elevada for sua concentração, maior é a chance de cristalização e deposição nos tecidos, principalmente nas articulações, que são as regiões de menor temperatura do corpo. Caso a concentração sanguínea de ácido úrico continue se elevando, a cristalização pode passar a ocorrer mesmo em tecidos mais quentes, como a pele. É importante destacar, porém, que são necessários alguns anos de ácido úrico elevado para se desenvolver a doença gota.

Sintomas do ácido úrico elevado

A elevação do ácido úrico sanguíneo, chamado de hiperuricemia, não causa sintomas. Na verdade, mais de 2/3 das pessoas com ácido úrico elevado nem sequer desconfiam do fato. O fato de causar sintomas não significa, entretanto, que níveis elevados de ácido úrico não possam levar a complicações. As duas mais comuns são as crises gota e as pedras de ácido úrico nos rins.

Algumas pessoas com histórico de gota referem descamação das mãos e pés quando os níveis de ácido úrico estão elevados. Na verdade, não existe nenhuma comprovação de tal relação. Descamação das mãos e pés é geralmente causada por ressecamento da pele e não por ácido úrico elevado.

Sintomas da gota


A manifestação clínica da gota é a artrite, ou seja, inflamação de uma articulação, caracterizada por dor, vermelhidão, inchaço e calor local (Para saber mais sobre artrite, leia: ARTRITE e ARTROSE | Sintomas e diferenças).

Gota - podagra
Gota no primeiro dedo do pé, também chamado de podagra
A gota é classicamente uma monoartrite, ou seja, uma artrite que atinge apenas uma articulação em cada crise. As articulações mais acometidas são as dos pés, principalmente o primeiro dedo do pé (dedão do pé) e joelhos.

A artrite da gota é tão dolorosa que algumas pessoas não conseguem nem cobrir os pés, pois só o contato do cobertor com a área inflamada já causa uma fortíssima dor. Podem haver calafrios e febre, simulando um quadro infeccioso.

Reparem na foto acima de uma artrite gotosa do primeiro dedo, com edema e vermelhidão do mesmo.

Gota tofácea
Gota tofácea no cotovelo
O ataque de gota dura alguns dias e depois desaparece espontaneamente. O intervalo entre a primeira e segunda crises pode durar até dois anos. Se não tratada, as crises de gota começam a ficar mais frequentes e intensas, podendo acometer mais de uma articulação por vez.

Ao longo dos anos a gota não tratada leva a formação de tofos nas articulações, causados por deposição crônica de cristais de urato. Os tofos podem ser únicos ou múltiplos,  levando a deformidades como nas fotos abaixo e ao lado. Essa fase da gota é chamada de gota tofácea.

O excesso de ácido úrico também pode levar à formação de cálculos renais de ácido úrico. Existe também o risco de deposição de urato e formação de tofos nos rins, causando insuficiência renal crônica (leia: CÁLCULO RENAL (PEDRAS nos RINS) e VOCÊ SABE O QUE É CREATININA? )

Gota tofácea no mão
Caso grave de gota tofácea nas mãos
Como já explicado, a gota é causada por prolongados níveis elevados de ácido úrico sanguíneo. Porém, nem todo mundo que tem ácido úrico alto, desenvolve gota. Algumas pessoas mantém-se anos com níveis de ácido úrico maiores que 7 mg/dl e nunca apresentam artrite gotosa ou doença renal. O porquê disto, ninguém sabe.

A gota é muito mais comum em homens e ocorre entre 35 e 45 anos. Nas mulheres costuma ocorrer somente após a menopausa.

Os principais fatores de risco para gota são:
Os alimentos ricos em purina (ácido úrico) são:
  • Carnes: bacon, porco, vitela, cabrito, carneiro, miúdos (fígado, coração, rim, língua).
  • Peixes e frutos do mar: salmão, sardinha, truta, bacalhau, ovas de peixe, caviar, marisco, ostra, camarão.
  • Aves: peru e ganso.
  • Bebidas alcoólicas.
Alimentos com moderada quantidade de purinas (ácido úrico):
  • Carnes: vaca, novilho e coelho.
  • Aves: frango e pato.
  • Frutos do mar: lagosta e caranguejo.
  • Leguminosas: feijão, grão-de-bico, ervilha, lentilha, aspargos, cogumelos, couve-flor, espinafre.
Alimentos com baixo ou nenhum teor de purina (ácido úrico):
  • Leite, chá, café, chocolate, queijo amarelo magro, ovo cozido, cereais como pão, macarrão, fubá, batata, arroz branco, milho, mandioca, sagu, vegetais (couve, repolho, alface, acelga e agrião), frutos secos, doces e frutas (mesmo as ácidas)
O diagnóstico da gota é feito quando há um quadro clínico típico associado a níveis elevados de ácido úrico. Quando há dúvida sobre a causa da artrite, o médico geralmente punciona o líquido da articulação inflamada, procurando pelos depósitos de cristais de urato.

Tratamento da Gota e do ácido úrico


O tratamento da gota se divide em duas fases: tratamento das crises e a profilaxia das crises. A gota não tem cura, mas pode ser muito bem controlada.

a. Tratamento da crise de gota

Durante a crise de gota o tratamento é feito com anti-inflamatórios comuns (AINE) (leia: AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS ) e/ou colchicina.

A colchicina é menos tóxica do que os anti-inflamatórios (especialmente para os rins e estômago) e controla a gota eficazmente, mas pode causar efeitos colaterais desagradáveis, como náuseas, vômitos e diarreia. Esse efeito adverso é geralmente relacionado à dose usada, sendo menos comum em doses baixas.

Nos pacientes que não toleram AINE ou colchicina, uma opção é o uso de corticoides, potentes anti-inflamatórios de origem esteroidal (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais).

A aspirina (ácido acetilsalicílico) deve ser evitada sempre que possível, pois a mesma, apesar de ter efeito anti-inflamatório, reduz a excreção de ácido úrico pelos rins (leia: ASPIRINA | AAS | Indicações e efeitos colaterais).

b. Prevenção da crise de gota

Uma vez cessada a crise de gota, o tratamento se volta para a diminuição dos níveis de ácido úrico. A droga mais usada para este objetivo é o alopurinol. É importante ressaltar que não se deve começar o alopurinol durante as crises, pois há risco de piora do quadro. O alopurinol durante as crises só é aceitável se o paciente já fazia uso crônico dele antes do início da crise.

Sugere-se manter a colchicina para evitar novas crises enquanto os níveis de ácido úrico ainda não tiverem sido reduzidos pelo alopurinol. Podem ser necessários alguns meses de tratamento até se atingir valores desejáveis.

Uma outra opção para baixar os níveis de ácido úrico é a probenecida, um medicamento que aumenta a sua eliminação pelos rins. A probenecida não deve ser usada em pacientes com histórico de cálculo renal por ácido úrico.

Desde 2008 existe uma novo mediamento chamado Febuxostat, que serve de alternativa para os pacientes que não podem tomar nem alopurinol nem probenecida. O Febuxostat ainda não está disponível no Brasil.

Ácido úrico elevado sem sintomas | hiperuricemia assintomática

Como a maioria dos pacientes com ácido úrico elevado não desenvolve crises de gota ou cálculo renal, o consenso atual indica não usar alopurinol nestes casos. Só se começa tratamento com remédios se houver um primeiro episódio de crise de gota, cálculo renal, ou se os níveis de ácido úrico estiverem acima de 13 mg/dl no homem e 10 mg/dl na mulher.

Nos pacientes com hiperuricemia assintomática indica-se apenas uma alteração da dieta, visando evitar alimentos ricos em purinas.

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DIABETES INSIPIDUS | Causas e sintomas

O diabetes insipidus é uma forma de diabetes mais rara e que nada tem a ver com falta de insulina ou aumento da glicose no sangue.

Este texto é sobre diabetes insipidus. Se está a procura de informação sobre diabetes mellitus, o seu texto é este: DIAGNÓSTICO E SINTOMAS DO DIABETES

A palavra diabetes vem do grego antigo e significa sifão, um sistema mecânico que permite a passagem de água de um lado para outro.

O primeiro relato de diabetes data do ano 70 D.C e descrevia doentes que apresentavam grandes volumes de urina (poliúria) associado a muita sede. Porém, foi somente no século XVII que se descobriu que havia 2 tipos diferentes de diabetes. Um associado a excesso de glicose no sangue (hiperglicemia) e outro não. Estabeleceu-se então o diabetes mellitus e o diabetes insipidus.

Para entender o que é o diabetes insipidus, é necessário antes entender como o rim controla a quantidade de água que é excretada na urina. Vou tentar explicar da maneira mais simples possível.

O eixo hipotálamo/hipófise, duas glândulas do nosso sistema nervoso central, produzem um hormônio chamado vasopressina ou hormônio anti-diurético (ADH, sigla em inglês). Este hormônio é liberado na corrente sanguínea e age principalmente nos túbulos renais, impedindo que os rins percam água através da urina.


O mecanismo funciona da seguinte maneira: imaginemos um indivíduo em um dia quente de verão trabalhando ao sol. Essa pessoa sua muito e como tem pouco acesso a água, começa a se desidratar. O nosso organismo é muito sensível a qualquer sinal de desidratação e pequenas perdas de água ativam logo a liberação do ADH para o sangue.

Sede
Sede
O ADH age de 2 maneiras. Uma estimulando a sede e fazendo que pessoa comece a procurar por água antes que a desidratação fique mais grave. A segunda é nos rins, diminuindo a quantidade de água que sairá pela urina, retardando o processo de desidratação. Quando há muito ADH circulante a urina fica bem concentrada, com coloração e odor forte devido a pouca quantidade de água para diluir as substâncias presentes (leia: URINA COM CHEIRO FORTE ). Por isso, a cor da urina é sempre um bom indicador do estado de hidratação de um indivíduo.

Agora imaginemos uma pessoa bem hidratada que se encontra em uma festa, em um ambiente com ar-condicionado e várias bebidas e comidas disponíveis. Essa pessoa começa a ingerir líquidos e o organismo nota que há mais água no corpo do que necessário. Neste momento a hipófise suspende a liberação de ADH, e o rim, sem a presença deste hormônio, começa a excretar o excesso de água pela urina. A urina agora é bem clara, quase transparente.

Através do ADH o organismo tem um controle muito fino da quantidade de água corporal. Pequenas alterações para mais ou para menos são suficientes para estimular ou inibir a liberação de ADH, concentrando ou diluindo a urina.

Então, o que é exatamente o diabetes insipidus ?

O diabetes insipidus ocorre basicamente por 2 motivos: Um problema no sistema nervoso central que impede a produção e liberação do ADH, mesmo em estados de desidratação; Ou um problema nos rins que passam a não responder a presença do hormônio. Em ambos casos o resultado final é um excesso de perda de água pela urina, chamada de poliúria.

Quando existe ADH mas o rim não responde ao mesmo, damos o nome de diabetes insipidus nefrogênico. Quando há falta de produção do ADH pelo sistema nervoso central, chamamos de diabetes insipidus central.

Os doentes com diabetes insípidos apresentam intensa diurese, se desidratam facilmente e por isso bebem muita água. Enquanto o doente tiver acesso fácil a líquidos, não ocorrem grandes complicações além do inconveniente de precisar urinar o todo tempo. Se o paciente urina em excesso e não bebe água para repor as perdas, inicia-se um processo de desidratação severa que coloca a sua vida em risco. Se quiser ler sobre todas as causas de urina em excesso: URINA EM EXCESSO. O QUE PODE SIGNIFICAR ?

1.) Diabetes insipidus central

O DI central ocorre por agressões ao eixo hipotálamo-hipófise que para de produzir o ADH necessário para evitar perdas de água excessiva na urina. As principais causas são:

- Cirurgia do sistema nervoso central com lesão acidental do hipotálamo ou hipófise.
- Traumas
- Tumores do sistema nervoso central
- Auto-imune com produção de auto anticorpos contra as células produtoras de ADH (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE )
- Genética. Algumas famílias apresentam falhas na produção de ADH por mutações genéticas.
- Anorexia nervosa
- Encefalopatia hipóxica. Lesão cerebral por hipoxemia (falta de oxigênio), normalmente secundária a períodos de parada cardíaca.

2.) Diabetes insipidus nefrogênico

O DI nefrogênico ocorre por uma incapacidade do ADH em agir no rim, normalmente por defeitos nos receptores dos túbulos renais. O hipotálamo produz o ADH, porém este não consegue executar suas funções nos rins.

As principais causas de DI nefrogênico são:

- Alterações genéticas nos receptores dos túbulos renais.
- Uso crônico de lítio.
- Hipercalcemia (cálcio sanguíneo elevado).
- Hipocalemia (potássio sanguíneo baixo).
- Amiloidose.
- Síndrome de Sjögren.

Existe uma terceira forma de diabetes insípidos que ocorre durante a gravidez. A placenta de algumas mulheres produz uma enzima que inativa o ADH circulante, levando a um DI transiente, que desaparece após o parto.

Tratamento

No Diabetes insipidus central como há falta de produção do ADH, o tratamento se baseia-se na reposição de ADH sintético via oral ou intra-nasal.

No caso do diabetes insipidus nefrogênico, o problema não é falta de ADH. Por este motivo, não adianta usar ADH sintético. O tratamento é feito com a suspensão do lítio ou correção dos distúrbios do cálcio e do potássio. Nos casos genéticos o tratamento é feito com dieta pobre em sal, diuréticos da família dos tiazídicos e anti-inflamatórios.

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