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Câncer de próstata

CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento

O câncer da próstata é o tumor maligno mais comum do sexo masculino (excetuando-se os cânceres de pele) e o segundo que mais mortes causa, perdendo apenas para o câncer de pulmão.

Celulite

CELULITE | Causas e Tratamento

A celulite, aquelas indesejadas irregularidades na pele que proporcionam uma aparência semelhante a casca de laranja, recebe o nome em medicina de hidrolipodistrofia ginóide.

Mioma

MIOMA UTERINO | Sintomas, causas e tratamento

O mioma é um tumor benigno do útero, ou seja, uma lesão que não é câncer e nem apresenta risco de se transformar em um. O útero é um órgão majoritariamente composto por músculos.

Obesidade

TRATAMENTO DA OBESIDADE | Mudanças de hábitos de vida

A obesidade é uma das maiores epidemias do mundo, apresentando crescimento constante nas últimas décadas. Este é o segundo texto da série sobre obesidade, onde vamos abordar as principais mudanças de hábitos de vida.

Calvície

CALVÍCIE | QUEDA DE CABELOS | Causas e tratamento

A queda de cabelo, conhecida como calvície (ou calvíce), recebe em medicina o nome de alopécia androgênica. Alopécia significa queda de cabelo, e androgênica se refere a influência dos hormônio masculinos no processo.

CHECK-UP | EXAMES DE SANGUE

Entenda para que servem as principais análises sanguíneas e o benefício do check-up

Todo mundo já fez um check-up pelo menos uma vez na vida. Algumas pessoas exageram e procuram seu médico de 6 em 6 meses para realizar seus exames.

Quem é que nunca recebeu suas análises de sangue cheia de números, termos técnicos e palavras desconhecidas ? E quando surge um resultado fora do valor de referência? Aquele número em negrito logo se transforma em uma ameaça de doença oculta. Já perdi a conta de quantos amigos e familiares já não me ligaram por causa desse temido valor fora da referência. A pergunta é sempre a mesma - Isso é algo grave?

Bom, antes de explicar o básico dos exames de sangue e check-ups é preciso esclarecer alguns pontos.

1.) Os exames são chamados de "exames complementares" porque complementam a avaliação médica. Nunca a substitui. Um resultado de exame de sangue sem uma história clínica e uma exame físico do paciente pode causar mais confusão do que elucidações. Às vezes recebo e-mails ou comentários de pessoas que eu nunca vi na vida, trazendo o resultado isolado de alguma análise e uma solicitação de diagnóstico. Não é assim que as coisas funcionam.

Check-up - exames de sangue2.) Qualquer exame complementar, seja de sangue, urina, imagem etc... é passível de erros. Estes erros podem ser tanto de interpretação, como erros nas máquinas que os produzem. É preciso um médico para saber interpretar os resultados. O quadro clínico do doente é sempre soberano. Deve-se diagnosticar e tratar o paciente, nunca o exame.

3.) Não se pede exames sem motivo. O conceito do check-up completo é errado. Como os exames podem apresentar erros, não faz sentido solicitá-los se não há uma hipótese diagnóstica a ser investigada.

4.) É preciso saber diferenciar exames de rastreamento (screening) do check-up. Os exames de rastreamento são aqueles realizados para se identificar doenças prevalentes em um determinado grupo ou faixa etária. São exames que se mostraram benéficos quando solicitados periodicamente. Um exemplo é a mamografia para o câncer de mama ou um exame ginecológico de rastreamento de câncer de colo de útero. Não faz sentido, por exemplo, solicitar ressonâncias magnéticas de crânio em todo mundo para tentar descobrir tumores cerebrais.

5.) O que muitas empresas fazem, solicitando vários exames a novos empregados e encaminhando-os a especialistas quando aparece alguma alteração, é uma aberração. Primeiro, é gasto desnecessário de recursos da saúde, segundo, vários desses exames poderiam ser descartados com uma simples consulta, e terceiro, resultados errados levam a ansiedade desnecessária por parte do paciente, que às vezes, é rotulado como doente, quando na verdade não o é.

6.) Alguns pacientes confundem o que é um exame de sangue. Não existe uma solicitação única, que engloba todos as análises existentes. Existem centenas de dosagens diferente em uma análise de sangue. O médico precisa especificar no pedido quais análises ele gostaria de receber. Se o médico não solicitar uma dosagem de colesterol, este não virá nos resultados. Não é porque foi colhido uma amostra de sangue, que sempre será feito hemograma, colesterol, glicose ou qualquer outra dosagem. O laboratório só fornece o que foi pedido, e o médico só pede o que acha ser relevante para aquele momento.

Bom, vamos então imaginar que seu médico após uma criteriosa avaliação do seu estado de saúde, dos seus antecedentes patológicos, do histórico familiar e de seus hábitos de vida, resolveu solicitar alguns exames para complementar sua avaliação.

Eis os exames de sangue mais frequentes na prática clínica.

A) HEMOGRAMA

O hemograma é o exame para avaliar as três principais linhagens de células do sangue (hemácias, leucócitos e plaquetas). É o mais complexo e o que merece maiores explicações. Concentre-se apenas naqueles que explicarei.

1- Hemácias (glóbulos vermelhos)

Serve para o diagnóstico de anemia (leia: O QUE É ANEMIA ? ) que é a redução do número de células vermelhas.

São levados em conta principalmente os valores do hematócrito e da hemoglobina. Valores um pouco fora da faixa de referência podem não ter significado clínico. Mulheres podem ter hematócrito/hemoglobina um pouco mais baixo devido a perdas de sangue na menstruação. Fumantes costumam tê-los um pouco elevado devido a pior oxigenação do sangue pelos seus pulmões. Repito: esses valores devem sempre ser interpretados

2- Leucócitos (glóbulos brancos)

São as nossas células de defesa. É o exército ou a polícia do organismo. Chamamos de leucocitose quando estão aumentados. Normalmente indicam uma resposta do organismo a um processo infeccioso em curso. Doentes com pneumonia (leia: QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA PNEUMONIA ? ) ou um abscesso (leia: O que é o pus ? O que é um abscesso? O que é uma inflamação? )costumam ter seu número de leucócitos aumentados. A ausência de leucocitose de modo algum descarta uma infecção. Mais uma vez, o quadro clínico é sempre soberano.

Grandes elevações podem indicar leucemia (leia: LEUCEMIA - Sintomas e Tratamento). Leucopenia é o nome que se dá a baixa contagem dos leucócitos. Significa uma supressão da imunidade e maior susceptibilidade a infecções.

Os leucócitos são divididos em 5 grupos de células com funções diferentes na defesa do organismo:

Neutrófilos
Eosinófilos
Basófilos
Linfócitos
Monócitos

Essas dosagens servem para se identificar qual linhagem é a responsável pela leucocitose ou leucopenia

3- Plaquetas

São as células responsáveis pelo processo de coagulação do sangue. Elevações são chamadas de trombocitose e a diminuição de trombocitopenia. Pacientes com plaquetas muito baixas são mais propensos a sangramentos. Plaquetas muito elevadas podem favorecer a formação de trombos.

A dosagem das plaquetas são necessárias antes de cirurgias ou procedimentos susceptíveis a sangramentos. Também são importantes na distinção da forma hemorrágica e clássica da dengue (leia: TUDO SOBRE DENGUE E SEUS SINTOMAS )

Para saber informações mais detalhadas sobre o hemograma, leia: HEMOGRAMA - Entenda os seus resultados

B) Tempo de tromboplastina ativada (PTT ou TTP) e tempo de protrombina (TAP ou TP)

Medem o tempo que o sangue demora para coagular. Obviamente, tempos maiores indicam maior propensão a sangramentos. A cascata da coagulação inicia-se com a ativação das plaquetas e é completada pela ação dos fatores da coagulação. O TAP e o PTT medem a funcionamento desses fatores. A avaliação completa do estado da coagulação, feita com o TAP, PTT e plaquetas, é muitas vezes chamado de coagulograma.

A dosagem do INR é uma outra maneira de avaliar o TAP. Atualmente é a mais usada por ser mais confiável.

C) COLESTEROL

O colesterol total é composto da soma das frações HDL+LDL+VLDL.

HDL - colesterol bom. Protege os vasos da aterosclerose (Placas de gordura). Quanto mais elevado melhor.

LDL e VLDL - Colesterol ruim, formador da aterosclerose que obstrui os vasos sanguíneos e leva a doenças como infarto. Quanto mais baixo melhor.

Triglicerídeos - Estão relacionados ao VLDL. Normalmente equivale a 5x o seu valor. Um paciente com 150 mg/dl de triglicerídeos apresenta 30 mg/dl de VLDL.

Há algum tempo se sabe que o colesterol total não é tão importante quanto os valores de suas frações. Pois vejamos 2 pacientes distintos:

1- HDL = 70, LDL= 100, VLDL= 30. Colesterol total = 200 mg/dl
2- HDL = 20, LDL = 160, VLDL = 20. Colesterol toal = 200 mg/dl

Sem dúvida o primeiro paciente tem muito menos risco de desenvolver ateroesclerose que o segundo, apesar de terem o colesterol total igual. Não basta ver a quantidade, é necessário saber a qualidade. Para saber mais sobre o colesterol, leia: COLESTEROL BOM (HDL) E COLESTEROL RUIM (LDL).

D) UREIA e CREATININA

São as análise que avaliam a função dos rins.

Seus valores são usados para cálculos do volume de sangue filtrado pelos rins a cada minuto. Os melhores laboratórios já fazem esse cálculo automaticamente para o médico e normalmente vem com o nome de "clearance de creatinina" ou "taxa de filtração glomerular".

Valores aumentados de ureia e creatinina indicam diminuição da filtração pelo rim.
Valores menores que 60 ml/minuto de clearance de creatinina indicam insuficiência renal.

Este é um dos exames que mais requerem interpretação do médico, pois o mesmo valor de creatinina pode ser normal para uma pessoa, e significar insuficiência renal para outra.

Para saber mais leia: VOCÊ SABE O QUE É CREATININA ?

E) GLICOSE

A dosagem de glicose é importante para o diagnóstico ou controle do tratamento do diabetes mellitus. Só tem valor se realizada com um jejum mínimo de 8 horas.
  • Valores menores que 100 mg/dl são normais
  • Valores entre 100 e 125 mg/dl são considerados pré-diabetes.
  • Valores acima de 126 mg/dl são compatíveis com diabetes (deve ser sempre repetido para confirmação do diagnóstico)
Para saber mais sobre os valores da glicose e diabetes, leia: DIAGNÓSTICO E SINTOMAS DO DIABETES e OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA

Para saber mais sobre outros exames do diabetes como a hemoglobina glicosilada e a frutosamina, leia: GLICEMIA | HEMOGLOBINA GLICOSILADA | Diagnóstico do diabetes

F) TGO (AST) TGP (ALP)

São exames para se avaliar o fígado. Valores elevados indicam lesão das células hepáticas. Normalmente traduzem algum tipo de hepatite, seja viral, medicamentosa ou isquêmica.
Leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES e O QUE SIGNIFICA AST (TGO) E ALT (TGP)?

G) Sódio (Na+), Potássio (K+), Cálcio (Ca++) e Fósforo(P-)

São chamados de eletrólitos. Valores elevados ou diminuídos devem ser tratados e investigados, pois podem trazer risco de morte se estiverem muito alterados.

H) TSH e T4 livre

São análises para se avaliar a função da tireóide, um pequeno órgão que se encontra na região anterior do nosso pescoço e controla nosso metabolismo. São com eles que diagnosticamos e controlamos o hipertireoidismo e o hipotireoidismo.

Leia: HIPOTIREOIDISMO ( TIREOIDITE DE HASHIMOTO ), HIPERTIREOIDISMO E DOENÇA DE GRAVES e DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREÓIDE

I) ÁCIDO ÚRICO

O ácido úrico é o metabólito resultante da metabolização de algumas proteínas pelo organismo. Níveis elevados são fatores de risco para gota (leia: SINTOMAS DA GOTA E ÁCIDO ÚRICO), cálculo renal (leia: CÁLCULO RENAL (PEDRA NOS RINS) - Por que ele surge? ) e estão associados a hipertensão e doenças cardiovasculares (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA) e SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA )

J) PCR

É uma proteína que se eleva em estados inflamatórios. Ela é inespecífica. Normalmente indica processo infeccioso em andamento, mas também pode estar alta nas neoplasias e doenças inflamatórias. Uma PCR elevada associado a leucocitose é forte indicador de infecção em curso.

Para saber mais sobre PCR leia: EXAMES DE SANGUE | VHS, PCR, Ferritina e CK

K) PSA

Proteína que se eleva em caso de câncer de próstata ou prostatites (infecção da próstata). Aumentos do tamanho da próstata com a idade, chamada de hiperplasia prostática benigna, também podem levar a elevações, mas não nos níveis da neoplasia. Leia sobre a próstata em:

- CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e diagnóstico
- HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA | Sintomas e tratamento
- PROSTATITE | Sintomas, causas e tratamento

L) ALBUMINA

A albumina é a proteína mais abundante no sangue. É uma marcador de nutrição. Como é sintetizada pelo fígado também serve para avaliação da função hepática em doentes cirróticos.

M) VHS ou VS

É mais um teste não específico de inflamação. É menos sensível que o PCR. Costuma estar muito elevado nas doenças auto-imunes. Leia: DOENÇA AUTO-IMUNE

Para saber m,ais sobre o VHS, leia: EXAMES DE SANGUE | VHS, PCR, Ferritina e CK

N) EAS ou Urina Tipo I (leia: ENTENDA SEU EXAME DE URINA )

É o exame básico de urina. Permite a detecção de doenças renais ocultas e pode sugerir a presença de infecções urinarias.

Com ele podemos avaliar a presença na urina de pus, sangue, glicose, proteínas etc... substâncias que em geral não deveriam estar presentes.

Leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA

O) UROCULTURA (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher)

É o exame de escolha para diagnosticar infecção urinária. Com ele conseguimos identificar a bactéria responsável e ainda testar quais são os antibióticos efetivos e resistentes

Leia também: INFECÇÃO URINÁRIA ( CISTITE ) e PIELONEFRITE ( INFECÇÃO DOS RINS )

P) EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES

É o exame solicitado para investigar a presença de parasitas, conhecido vulgarmente por vermes
Leia: VERMES E EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES

Existem inúmeras outras análises que são pedidas no sangue, fezes e urina. Estas são as mais comuns.

Pergunte sempre ao seu médico o porquê de cada exame solicitado. Não existe pedir exame apenas por pedir. A boa prática médica pede que todo exame solicitado tenha um motivo.

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MONONUCLEOSE | DOENÇA DO BEIJO | Sintomas e contágio

Saiba tudo sobre a mononucleose e descubra por que ela é chamada de doença do beijo.

A mononucleose infecciosa é uma doença contagiosa, causada por um vírus da família do herpes (leia: DST - HERPES LABIAL E GENITAL ) chamado de vírus Epstein-Barr (EBV) e transmitida através da saliva. É mais comum em adolescentes e adultos jovens e se caracteriza pela tríade clínica de febre, dor de garganta e aumento dos linfonodos.

Transmissão da mononucleose infecciosa

O vírus Epstein-Barr é transmitido de humano para humano através da saliva. Por esse motivo ganhou a alcunha de "doença do beijo". Além do beijo, pode-se contrair mononucleose através da tosse, espirro e objetos como copos e talheres. Apesar de se transmitir de modo semelhante à gripe, o Epstein-Barr é um vírus menos contagioso, o que faz com que seja possível haver contato com pessoas infectadas e não se infectar.

Um indivíduo infectado pelo EBV pode manter-se com o vírus na sua orofaringe por até 18 meses após a resolução dos sintomas, podendo contaminar pessoas que com quem mantenha algum contato íntimo, principalmente se prolongado. Em 2004 um trabalho demostrou que a maioria dos pacientes ainda tinha o vírus na sua orofaringe mesmo 8 meses após o fim dos sintomas.

Mononucleose - doença do beijoNa verdade, a maioria das pessoas que desenvolvem mononucleose não se recorda de ter tido contato com alguém doente, e a própria pessoa que transmite o vírus sequer imagina que ainda possa transmiti-lo.

Não é de se estranhar, portanto, que apesar da baixa infectividade, em alguns países mais de 90% da população adulta apresente sorologias positivas para EBV.

Na maioria dos casos, os pacientes têm contato com o vírus da mononucleose pela primeira vez ainda durante a infância.

Sintomas da mononucleose

Quando adquirida na infância, a mononucleose costuma passar despercebida. Menos de 10% das crianças infectadas apresentam sintomas. Essa incidência começa a subir com o passar dos anos, atingindo seu ápice entre os 15 e 24 anos. Esta é a faixa etária que mais costuma apresentar infecção sintomática. A mononucleose é rara após o 40 anos, uma vez que virtualmente todos neste grupo já terão sido expostos ao vírus em algum momento da vida.

Nas pessoas que desenvolvem sintomas, o período de incubação, ou seja, desde o contato até o aparecimento da doença, é em média de 4 a 8 semanas.

O quadro clínico típico envolve febre, cansaço, dor de garganta e aumento dos linfonodos do pescoço (ínguas). É um quadro muito semelhante as faringites comuns causadas por outros vírus e bactérias (leia: DOR DE GARGANTA - FARINGITE E AMIGDALITE). Outros sintomas inespecíficos como dor de cabeça, dores musculares, tosse e náuseas também são comuns.

Na mononucleose a fadiga costuma ser intensa e persiste por semanas após a resolução do quadro. O aumento dos linfonodos também é um pouco diferente da faringite comum, acometendo preferencialmente as cadeias posteriores do pescoço e frequentemente se espalhando pelo resto do corpo. Uma dica para o diagnóstico diferencial entre as faringites bacterianas e a mononucleose é o aparecimento de uma rash (manchas vermelhas) pelo corpo após o início de antibióticos, principalmente amoxacilina.

Mononucleose - rash
Rash
Outro sinal característico da mononucleose é o aumento do baço, chamado de esplenomegalia. Quando este ocorre, é necessário manter repouso, devido ao risco de ruptura do mesmo. A ruptura esplênica (ruptura do baço) é rara, mas quando acontece leva a risco de morte devido ao intenso sangramento que se sucede. O baço aumenta tanto de tamanho que pode ser palpável abaixo do gradil costal esquerdo.

Mononucleose - esplenomegalia
Esplenomegalia
O acometimento do fígado não é incomum, podendo levar a um quadro de hepatite com icterícia e aumento do fígado em até 20% dos casos. (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES e ICTERÍCIA NO ADULTO E ICTERÍCIA NEONATAL). Outras complicações descritas, porém, menos comuns, são a síndrome de Guillain-Barré (leia: O QUE É A SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ ?) e a paralisia facial (leia: PARALISIA FACIAL | PARALISIA DE BELL | Causas e Tratamento).

Um fato que causa confusão, inclusive entre médicos, é a diferença entre a doença mononucleose infecciosa e a síndrome de mononucleose. O primeiro é causado pelo Epstein-barr vírus e é o alvo de discussão deste texto. O segundo engloba todos os agentes etiológicos que podem cursar com dor de garganta, aumento de linfonodos, febre e aumento do baço. Entre eles destacam-se o HIV, citomegalovírus, linfomas e toxoplasmose. Portanto, ter mononucleose infecciosa é diferente de ter uma síndrome de mononucleose.

Diagnóstico da mononucleose

O diagnóstico é feito através do quadro clínico e confirmado por análises de sangue.

No hemograma da mononucleose um achado típico é o aumento do número de leucócitos (leucocitose), causado pela maior produção de linfócitos (linfocitose). Na faringite bacteriana, são os neutrófilos que encontram-se elevados (leia: HEMOGRAMA - Entenda os seus resultados.).

Quando o fígado é acometido, pode haver elevação da TGO e TGP (leia: O QUE SIGNIFICAM AST (TGO), ALT (TGP) E GAMA GT?).

O diagnóstico definitivo, porém, é feito através da sorologia, com a pesquisa de anticorpos. O mais comum e simples é um exame chamado monoteste.

Tratamento da mononucleose

O tratamento baseia-se em sintomáticos e repouso. Não há droga específica para o vírus e o quadro costuma se resolver espontaneamente em 2 semanas.

Devido ao risco de ruptura do baço, recomenda-se evitar exercícios por pelo menos 4 semanas.

Durante muitos anos se associou a mononucleose com a síndrome da fadiga crônica (leia: SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA). Porém, hoje sabe-se que a fadiga da mononucleose é diferente. O cansaço prolongado que pode ocorrer normalmente não vem associado com os outros sintomas da síndrome e normalmente ocorre por reativações mais fracas do vírus.

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DOR DE GARGANTA | FARINGITE | AMIGDALITE

A dor de garganta, uma dos sintomas mais comuns da prática médica, tanto em adultos quanto em crianças, surge geralmente devido a um quadro de faringite e/ou amigdalite.  Neste texto vamos explicar as causas, os sintomas e o tratamento da dor de garganta.

Após a conclusão deste texto, não deixe de ler: DOR DE GARGANTA | Perguntas mais comuns

Faringite é o nome dado à inflamação da faringe;  amigdalite é a inflamação das amígdalas. Ambas apresentam como principal sintoma a dor de garganta. Como estão anatomicamente próximas, é muito comum a faringe e as amígdalas inflamarem simultaneamente, um quadro chamado de faringoamigdalite. Apesar de inflamarem juntas, algumas pessoas tem predominantemente amigdalite, enquanto outras, faringites. Ao longo do texto vou alternar os termos faringite e amigdalite, mas o que vale para uma, também serve para a outra.
Antes de continuarmos, estudem o desenho ao lado para saberem de que estruturas vou falar a seguir. Todas elas podem ser vistas ao abrirmos a boca em frente a um espelho.

A faringoamigdalite pode ser causada por infecções bacterianas ou virais. A maioria dos casos é de origem viral. Vários tipos de vírus podem levar à faringite e/ou amigdalite. A gripe é um exemplo comum de dor de garganta de origem viral (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO).

Orofaringe"
Orofaringe
As faringites virais são processos benignos que se resolvem espontaneamente, ao contrário das faringites ou amigdalites bacterianas podem levar a complicações, como abscessos e febre reumática. A dor de garganta causada por bactérias deve ser sempre tratada com antibióticos (explico o porquê adiante).

Como distinguir uma amigdalite viral de uma bacteriana?

O modo mais correto é através da coleta de material da garganta por swab ou Zaragatoa, uma vareta com algodão na ponta usada para colher material da área inflamada para posterior avaliação laboratorial. A análise do material colhido pelo swab consegue identificar o agente infeccioso, seja uma bactéria ou um vírus.

Apesar da ajuda do swab, há um problema de ordem prática: a identificação do agente infeccioso demora pelo menos 48-72h. Por isso, muitas vezes os médicos optam por iniciar o tratamento baseado em achados clínicos. Até já existem testes laboratoriais mais rápidos para se identificar bactérias, mas nem sempre há facilidade para se colher e enviar o material para análise.

Explicaremos a seguir como distinguir uma faringite viral de uma faringite bacteriana apenas com elementos clínicos.

Sintomas da faringite | Sintomas da amigdalite

Os sintomas da amigdalites/faringite são:

- Dor de garganta
- Febre
- Dores pelo corpo
- Dor de cabeça
- Prostração

Todos os sintomas citados acima são comuns tanto em infecções virais quanto bacterianas. São necessários, portanto, outros elementos para distinguir uma da outra.

Faringite viral
Faringite viral - Inflamação sem edema de úvula, sem pus ou petéquias.
Normalmente as faringites virais vêm acompanhadas de outros sinais de infecção das vias respiratórias, como tosse, espirros, constipação nasal, conjuntivite e/ou rouquidão. Infecções respiratórias de origem viral não costumam causar sintomas restritos à faringe ou amígdala. Outra dica é que na faringite viral, apesar da garganta ficar muito inflamada, não é comum haver pus.

Amigdalite bacteriana -  pontos de pus nas amígdalas e inchaço da úvula
Já as amigdalites causadas por bactérias, além de não apresentarem os sintomas respiratórios descritos acima, costumam causar pontos de pus nas amígdalas e aumento dos linfonodos (gânglios) do pescoço. A faringite bacteriana também pode causar edema da úvula e petéquias (pontos hemorrágicos) no palato. A febre da infecção bacteriana costuma ser mais alta que na viral, mas isso não é uma regra, já que há casos de gripe com febre bem alta.

Faringite / amigdalite bacteriana
Amigdalite bacteriana - petéquias no palato
A presença de pus e gânglios aumentados na região do pescoço fala fortemente a favor de uma faringite bacteriana. Entretanto, algumas infecções virais, como a mononucleose infecciosa também podem cursar com estes achados.

A mononucleose é causada pelo vírus Epstein-Barr e costuma se apresenta com febre, amigdalite purulenta e aumento de linfonodos na região posterior do pescoço (ao contrário da amigdalite bacteriana que apresenta aumento dos linfonodos da região anterior do pescoço). Outros sinais e sintomas possíveis são o aumento do baço, perda de peso, cansaço extremo e sinais de hepatite. O quadro de mononucleose pode ser facilmente confundido com uma faringoamigdalite bacteriana. A prescrição de antibióticos, como a Amoxacilina, em doentes com mononucleose pode levar a um quadro de alergia, com aparecimento manchas vermelhas espalhadas pelo corpo. Saiba mais em: (leia: MONONUCLEOSE - DOENÇA DO BEIJO ).

Como se pode ver, a distinção entre faringites virais e bacteriana é importante, já que os tratamentos são diferentes. Se houver suspeita de faringite viral, o indicado é repouso, hidratação e sintomáticos. Se o quadro sugerir faringite bacteriana, devemos iniciar antibióticos visando não só acelerar o processo de cura, mas também a prevenção das complicações e da transmissão para outras pessoas da família, principalmente aquelas com contato íntimo e prolongado.

Complicações das faringites/amigdalites bacterianas

Entre as complicações das faringites bacterianas, a principal é a febre reumática, que ocorre principalmente em jovens e crianças (leia: FEBRE REUMÁTICA | Sintomas e tratamento).

A escarlatina é uma doença causada pela bactéria Streptococcus. Apresenta-se como faringite, febre e rash difuso.(leia: ESCARLATINA | Sintomas e tratamento).

A glomerulonefrite pós estreptocócica é uma lesão renal também causada pela mesma bactéria Streptococcus. Costuma cursar com hipertensão (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO), presença de sangue na urina (leia: HEMATÚRIA (URINA COM SANGUE)) e insuficiência renal aguda. (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA ).

Existe uma tipo de psoríase, chamado de psoríase gutata, que está relacionada a faringites pelo Streptococcus. (leia: PSORÍASE | Tipos e sintomas). São lesões de pele que surgem sempre que há uma infecção de garganta, desaparecendo após a sua cura.

Tratamento da amigdalite | Tratamento da faringite

Para se evitar as complicações das amigdalites bacterianas descritas acima, o tratamento deve ser sempre feito com antibióticos. Na maioria dos casos, em 48h já há uma grande melhora dos sintomas.

O tratamento com antibióticos derivados da penicilina, como amoxacilina, deve ser feito por 10 dias. Nos pacientes alérgicos a penicilina uma opção é Azitromicina por 5 dias. Naqueles doentes com intenso edema da faringe, que não conseguem engolir comprimidos, ou naqueles que não desejam ficar tomando remédio por vários dias, uma opção é a injeção intramuscular de penicilina Benzatina, o famoso Benzetacil, administrado em dose única.

Se os sintomas da faringite bacteriana forem muito fortes, enquanto espera-se o efeito dos antibióticos, pode-se usar anti-inflamatórios para aliviar a inflamação da garganta. Mas atenção, os anti-inflamatórios são apenas sintomáticos, eles não tratam a infecção bacteriana.

A faringites virais normalmente duram apenas quatro ou cinco dias e se curam sozinhas. Não é preciso, nem é indicado, o uso de antibióticos. Se os sintomas forem muito incômodos, pode-se usar anti-inflamatórios por dois ou três dias. De resto, repouso e boa hidratação.

Tratamentos alternativos:
  • Mel: Não há nenhum trabalho que tenha conseguido demonstrar benefício do mel.
  • Própolis: Apresenta efeito anti-inflamatório pequeno. Funciona muito menos que qualquer anti-inflamatório comum.
  • Papaína: Além de não melhorar, em grandes quantidades pode piorar a inflamação.
  • Não há trabalhos que provem a eficácia da homeopatia ou fitoterapia no tratamento das faringites. O tempo de doença e a incidência de complicações é igual ao placebo.
Quem quiser alívio sintomático sem tomar muitos remédios, o ideal é realizar vários gargarejos diários com água morna e uma pitada de sal.

A retirada das amígdalas (amigdalectomia) é uma opção nas crianças que apresentam mais de seis episódios de faringite estreptocócica por ano. Como a incidência das complicações é muito menor em adultos, neste grupo a indicação de amigdalectomia é mais controversa, pois existe a possibilidade de não haver melhora, fazendo apenas com que o paciente deixe de ter crises de amigdalites e passe a ter crises de faringites, o que no final dá no mesmo.

Em pacientes com infecções de garganta de repetição podem-se formar criptas (pequenos buracos) nas amígdalas. Estas acumulam cáseo (ou caseum), uma substância amarelada, parecida com pus, que é na verdade restos celulares de processos inflamatórios antigos. O cáseo pode causar mau hálito em pessoas com amigdalite/faringite crônica (leia: SAIBA COMO ACABAR COM O MAU HÁLITO).

Complemente as informações deste texto lendo também: DOR DE GARGANTA | Perguntas mais comuns

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SANGUE NAS FEZES | Hemorragia digestiva

Saiba quais são as causas de sangue nas fezes, chamada de hemorragia digestiva.

A presença de sangue nas fezes, seja vivo ou digerido, sempre causa grande apreensão ao paciente e seus familiares.

Existem várias causas para hemorragia digestiva e vários tipos de apresentação para fezes com sangue.

Vamos primeiro conhecer as definições:

- Hemorragia digestiva alta: Todo sangramento que ocorre no trato gastrointestinal acima do duodeno, ou seja, esôfago, estômago e o próprio duodeno.

- Hemorragia digestiva baixa: Todo sangramento que ocorre no trato gastrointestinal após o duodeno, ou seja, intestino delgado, grosso, reto e ânus.

A presença de sangue nas fezes pode se apresentar de várias maneiras. Fezes com sangue vivo normalmente indicam hemorragia digestiva baixa, enquanto que fezes escuras, com sangue digerido, são em geral, devido a hemorragia digestiva alta.

Fezes com sangue digerido recebem o nome de melena. São negras, pastosas, semelhante a piche (Brasil) ou alcatrão (Portugal) e com odor muito forte. Às vezes apresentam raias de sangue não digerido ao redor.

A hemorragia digestiva pode ser óbvia ou oculta. Muitas vezes a quantidade de sangue perdido é pequena e se mistura com as fezes, passando despercebida pelo paciente. Apesar do volume ser pequeno, o fato de ser constante leva à anemia, que muitas vezes é a única pista de um sangramento digestivo (leia: ANEMIA | Sintomas e causas e ANEMIA FERROPRIVA | Carência de ferro).

A presença de sangue nas fezes, perceptível ou não, pode significar uma gama de patologias, das mais simples como hemorroidas, até as mais graves como câncer de intestino. Vamos falar das mais comuns:

1.) Úlcera gástrica ou duodenal

As úlceras gástricas ou duodenais são causadas principalmente pelo uso crônico de anti-inflamatórios (leia: AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS) e/ou
infecções pelo H. pylori (leia: Como e quando tratar o H.Pylori (Helicobacter pylori).

Como ocorrem na parte alta do trato digestivo, costumam se apresentar como melena. Porém, a quantidade de sangue perdido pode ser tão grande que não há tempo para digeri-lo, levando a evacuação de sangue vivo.

O sangramento por uma úlcera pode ser pequeno o suficiente para o doente não reparar alterações nas fezes, caindo naquele grupo que apresenta anemia sem sangramento evidente. Pode também se apresentar com sangramento vultuoso, inclusive com vômitos sanguinolentos.

2.) Diverticulose

Divertículo é uma protusão da parede do intestino. São pequenos sacos, semelhantes a dedos de luvas, que ocorrem principalmente na parede do cólon por enfraquecimento da musculatura do mesmo. É muito comum após os 60 anos e normalmente são múltiplos ao longo do intestino grosso.

Divertículo
Divertículo
São lesões benignas mas que podem sangrar ou inflamar se ficarem obstruídos por fezes.

Divertículos
Reparem na foto de um divertículo em uma colonoscopia. A foto da direita é a imagem ampliada. Reparem como os vasos sanguíneos ficam expostos quando ocorre essa protusão da parede.

Os divertículos costumam causar sangramentos indolores, vivos e volumosos. É das principais causas de sangramento vultuoso em idosos.

Para saber mais sobre divertículos, leia: DIVERTICULITE | DIVERTICULOSE | Sintomas tratamento.

3.) Câncer do intestino

Aproximadamente 10% das hemorragias digestivas em pessoas acima dos 50 anos são secundárias a tumores do intestino. Os sangramentos tumorais costumam ser de pequena quantidade e também podem passar despercebidos.

Alguns sinais podem indicar um maior risco de sangramento neoplásico: fezes em fita, ou seja, com diâmetro pequeno, alterações dos hábitos intestinais como constipação intestinal de início recente, emagrecimento associado a anemia em doentes idosos, etc...

4.) Inflamação intestinal

Qualquer doença que cause inflamação nos intestinos pode levar a sangramento nas fezes. Isto vale desde intoxicações alimentares com diarreia sanguinolenta (leia: DIARRÉIA. SINAIS DE GRAVIDADE E TRATAMENTO) até as chamadas doenças inflamatórias intestinais que compreendem a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa (leia: ENTENDA A DOENÇA DE CROHN E A RETOCOLITE ULCERATIVA).

Nestes casos o sangramento normalmente vem acompanhado de diarreia de grande intensidade e febre.

5.) Angiodisplasia

São dilatações e enfraquecimento da parede dos vasos da mucosa do intestino, que por ficarem mais expostos e mais frágeis, rompem-se com mais facilidade.

A angiodisplasia é mais comum após os 60 anos e pode causar desde sangramentos volumosos até um quadro assintomático, onde o paciente não apresenta nenhuma perda sanguínea e sequer suspeita que possua alguma alteração.

6.) Sangramentos retais de pequena quantidade

Pequenas quantidades de sangue nas fezes ou mesmo sangramentos detectáveis somente a passagem do papel higiênico são muito comuns. Em 90% dos casos, a etiologia é benigna.

As principais causas são:

- Hemorroidas (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DAS HEMORRÓIDAS)
- Fissuras anais
- Pólipos intestinais (leia: PÓLIPOS INTESTINAIS | O que são, sintomas e tratamento)
- Proctites
- Úlceras no reto
- Câncer
- Endometriose intestinal (leia: ENDOMETRIOSE | Sintomas e tratamento)

As 2 mais comuns são Hemorroidas e fissuras anais. A primeira se manifesta como sangramentos de pequena quantidade que envolvem o final das fezes, através de pingos de sangue que ocorrem após a evacuação ou manchas de sangue no papel higiênico após a limpeza do ânus. A hemorroida quando grande pode ser facilmente vista pelo próprio paciente (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DAS HEMORRÓIDAS).

A fissura anal normalmente causa sangramentos associado a evacuação, que costuma ser bastante dolorosa. A distinção entre hemorroidas e fissura é facilmente feita pelo exame físico.

Apesar do pequeno volume, esses pequenos sangramentos retais quando ocorrem de forma crônica podem levar a anemia.

A investigação das hemorragias digestivas é normalmente feita com um método endoscópico. A colonoscopia para sangramentos no cólon e a endoscopia digestiva alta para sangramentos no esôfago, estômago e duodeno.

Infecções intestinais também são causas de sangue nas fezes, porém não costumam cursar com sangramento abundante. São comuns outros sinais e sintomas associados, principalmente febre, diarreia e vômitos. As parasitoses intestinais podem ocasionalmente se apresentar com sangue misturado às fazes (Leia: VERMES E EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES).

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RUBÉOLA | Sintomas e vacina

Saiba quais são os sintomas da rubéola, quais os seus riscos na gravidez e quando se vacinar.

A Rubéola é uma infecção viral. Costuma causar quadros benignos e sua principal complicação ocorre quando contraído durante a gravidez.

Desde o início da vacinação universal, a incidência da rubéola vem caindo vertiginosamente em todo mundo. Em muitos países a doença não existe mais. No Brasil a estratégia de vacinação do ministério da saúde prevê a erradicação do vírus para o ano de 2010.

A rubéola é transmitida pela via aérea, através de perdigotos (gotículas de saliva), como a maioria das infecções virais de transmissão aérea.

Sintomas da rubéola

Na maioria das pessoas, a rubéola apresenta poucos ou nenhum sintoma. Isto é particularmente verdadeiro nas crianças.

Naqueles que desenvolvem sintomas, estes surgem 2 a 3 semanas após a transmissão. Porém, até 10 dias antes do aparecimento dos sintomas, o indivíduo contaminado já pode transmitir o vírus para outros. Ou seja, a maioria das pessoas transmite rubéola antes mesmo de saber que está contaminada. Mesmo as pessoas que não desenvolverão sintomas também podem transmitir a doença durante 1 ou 2 semanas após o contato com o vírus. A transmissão independe do desenvolvimento da rubéola sintomática.

Naqueles que apresentam a doença após a contaminação, o quadro típico inicia-se como qualquer virose, com febre e prostração. Um exame físico mais cuidadoso pode revelar linfonodos (ínguas) na nuca e atrás das orelhas, que são bem característicos da rubéola.

RUBÉOLA
Rubéola
Após 1 a 3 dias de sintomas inespecíficos, surge o rash (exantema) da rubéola, que são manchas vermelhas difusas, como na foto do início do texto. O rash costuma começar na face e descer para o resto do corpo em questão de horas. Dura em média 3 dias e depois desaparece. Após esse período, o risco de transmissão cai muito, sendo praticamente nulo após mais 5 dias.

O rash desaparece rápido, mas os linfonodos e as dores articulares podem durar ainda alguns dias. Crianças se recuperam mais rápido que adultos.

Outros sintomas que podem ocorrer são cefaléia (dor de cabeça), conjuntivite, dor nas articulações, tosse e coriza.

Como já dito, a maioria das pessoas não desenvolve sintomas após contato com o vírus. Dos que apresentam doença, praticamente todos melhoram espontaneamente. Porém, raramente, o vírus da rubéola pode acometer o cérebro, levando ao que chamamos de encefalite viral, um quadro gravíssimo e com alta mortalidade.

O diagnóstico é feito através do quadro clínico. 4 dias após o aparecimento do rash, o corpo já possui anticorpos contra a rubéola, o que permite realizar sorologia para confirmar laboratorialmente a doença. Como nesta fase a maioria das pessoas já está curada ou em processo de cura, e como não há tratamento específico para rubéola, sua confirmação laboratorial é geralmente desnecessária (exceto na gravidez. Explico mais abaixo).

Após a infecção, o corpo desenvolve anticorpos que impedem novos episódios. Portanto, rubéola só se pega 1 vez na vida. São raros e brandos os casos de reinfecção.

Síndrome da rubéola congênita

A grande preocupação em relação a rubéola, está na contaminação de mulheres grávidas. Se em crianças e adultos a doença é branda, no feto em desenvolvimento ela pode ser catastrófica.

Se adquirido durante o primeiro trimestre, o risco de mal formações é maior que 80%. Além dos defeitos morfológicos, 1 em cada 5 mulheres infectadas sofre aborto nesta fase.

A síndrome da rubéola congênita se caracteriza por catarata, surdez, defeitos cardíacos, alterações no fígado e lesão neurológica, inclusive com retardo do desenvolvimento mental. Em vários países do mundo o aborto é permitido em casos de rubéola no 1º trimestre.

Recém-nascidos com rubéola congênita podem transmitir o vírus por até 1 ano, sendo necessário evitar o seu contato com outras grávidas não imunizadas.

Infecções contraídas após a 20º semana trazem pouco risco de mal formações, porém ainda existe a chance de transmissão da virose para o feto. Normalmente estas crianças nascem com baixo peso, mas sem defeitos na formação.

Nas grávidas a sorologia ganha muita importância. Toda gestante deve ser testada para rubéola e nos casos negativos, deve-se dobrar os cuidados em relação a contato com pessoas com sintomas de virose. A sorologia é importante também naquelas mulheres susceptíveis que desenvolvem síndromes febris com rash durante a gravidez.

Vacina contra rubéola

A vacina contra rubéola é composta de vírus vivo atenuado, e portanto, é contra-indicada na gravidez. Porém, em 2006 um trabalho do ministério da saúde mostrou que em 26000 mulheres vacinadas inadvertidamente por desconhecerem o fato de estarem grávidas, nenhuma apresentou caso de rubéola congênita. Logo, não se vacina mulheres sabidamente grávidas, mas se ocorrer a vacinação por engano, o risco de complicações é baixo.

Toda mulher em idade fértil deve realizar uma sorologia para saber seu estado imunológico contra rubéola. Naquelas com resultado negativo, deve-se aplicar a vacina. Não há problemas em receber a vacina durante a amamentação.

Também não há problema em ser revacinado. Se durante uma campanha de vacinação a pessoa não lembra se já recebeu a vacina alguma vez na vida, ou se não sabe seu estado imunológico, pode e deve ser vacinada. Esta orientação vale para homens e mulheres entre 20 e 39 anos.

Vale lembrar que a rubéola faz parte do calendário oficial de vacinação nas crianças.

Como toda vacina com vírus vivo, ela não deve ser tomada por pessoas imunodeprimidas, com doença febril ativa e grávidas.

Após a vacinação o paciente pode apresentar sintomas de rubéola, porém muito mais brandos que o habitual.

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HÉRNIA DE HIATO | Refluxo gastroesofágico | Sintomas

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ocorre quando o conteúdo presente no estômago frequentemente retorna inapropriadamente para o esôfago, levando à lesão deste órgão por exposição a substâncias ácidas.

O que é refluxo gastroesofágico?

O esôfago é um órgão oco, uma espécie de tubo que liga a boca ao estômago; possui aproximadamente 40 cm, desce por todo o tórax e desemboca no estômago, já dentro da cavidade abdominal. Na junção entre o esôfago e o estômago existe um esfincter, chamado de esfincter esofágico inferior, uma estrutura muscular em forma de anel que controla a entrada de alimentos no estômago e impede o retorno do mesmo para o esôfago. O esfincter é uma espécie de porta, isolando o esôfago do estômago. Ele abre-se para deixar a comida passar e fecha-se logo após para evitar que ela retorne.

Refluxo gastroesofágico
Refluxo gastroesofágico
O esfincter esofágico inferior (EEI) localiza-se logo abaixo do diafragma, que é a estrutura que separa o tórax do abdômen. Quando o esfíncter funciona corretamente, ele impede que o conteúdo dentro do estômago retorne para o esôfago, mesmo quando deitamos ou ficamos de cabeça para baixo.

Apesar da presença do esfincter, é normal que esporadicamente alimentos refluam para o esôfago, podendo chegar até à boca, principalmente após ingestão de grandes quantidades de comida. Normalmente é um bolo alimentar que sobe com uma sensação de queimação e deixa a boca com gosto ácido. O refluxo pode ocorrer quando comemos muito e dilatamos o estômago, aumentando a pressão em seu interior.

Nem todo refluxo chega à boca, muitas vezes se restringe ao esôfago e leva apenas a sensação de azia, quando muito.O refluxo pode permanecer uma doença silenciosa por muito tempo.

O estômago é recoberto por uma mucosa resistente a extrema acidez do suco gástrico, o que não ocorre com o esôfago. Toda vez que há um refluxo do conteúdo estomacal para o esôfago, este sofre pela acidez do mesmo. Como a mucosa do esôfago não tem proteção para substâncias ácidas, pessoas que apresentam refluxo com frequência, ao longo do tempo, desenvolvem lesões tipo queimaduras, levando à esofagite (inflamação do esôfago).

Mas por que então ocorre o refluxo gastroesofágico?

O refluxo ocorre sempre que o esfíncter esofágico inferior (EEI) apresenta defeito no seu funcionamento. Isto acontece por vários motivos:
  • Quando comemos muito e dilatamos o estômago o anel esfincteriano têm maior dificuldade em fechar-se.
  • Algumas substâncias parecem colaborar para um maior relaxamento do esfincter. Entre elas o cigarro, refrigerantes e bebidas alcoólicas (falarei com mais detalhes à frente).
  • Pessoas obesas também apresentam alteração no funcionamento do esfincter.
  • Na gravidez, pelas alterações mecânicas e hormonais que que ocorrem durante a gestação, também ocorre um relaxamento do EEI, favorecendo o aparecimento do refluxo gastroesofágico.
Todavia, o principal fator relacionado à DRGE é a hérnia de hiato ou hérnia hiatal.

O que é a hérnia de hiato?

Chamamos de hérnia toda protusão de uma estrutura ou órgão através de um orifício. Traduzindo: toda vez que um órgão sai da posição normal e "escorrega" através de uma abertura para dentro de outro local chamamos de herniação.

A hérnia de hiato é a protusão de parte do estômago para o tórax, através do orifício do diafragma. Veja o gráfico abaixo.

HÉRNIA DE HIATO

A hérnia hiatal por deslizamento (imagem do meio) é a mais comum e corresponde a 95% dos casos. Reparem que quando ocorre a herniação de parte do estômago para o tórax, o esfincter esofagiano que ficava logo abaixo do diafragma também é levado junto para cima. Deste modo ele não consegue funcionar corretamente.

Ainda não sabe corretamente o que causa a hérnia de hiato.

Sintomas do refluxo gastroesofágico

Agora que já sabemos o que é uma hérnia de hiato e o que é refluxo gastroesofágico, podemos entender os seus principais sintomas.

- Pirose ou azia: é a sensação de queimação ou calor no peito, normalmente irradiada desde a parte superior do abdômen até a garganta. Costuma ocorrer após alimentação, quando o estômago cheio favorece o refluxo.

- Regurgitação: é o retorno do conteúdo alimentar até a boca, com gosto ácido e azedo. Regurgitações frequentes podem levar a lesões erosivas dos dentes. Náuseas e vômitos são incomuns, mas podem ocorrer em alguns pacientes.

- Dor no peito: alguns pacientes apresentam dor torácica que pode lembrar dor de angina (leia: SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA e DOR NO PEITO | Principais causas e sintomas)

- Tosse, rouquidão e asma: o refluxo de material ácido para a parte inferior da garganta pode levar em alguns casos a tosse crônica e alterações na voz. Em pessoas susceptíveis, o refluxo pode desencadear crises de asma (leia: TOSSE | Causas e tratamento).

- Dor de garganta: dores de garganta crônicas, sem causa aparente e sem outros sinais de infecção, como febre, podem ser sinal de doença do refluxo gastroesofágico.

- Excesso de saliva: alguns pacientes com refluxo queixam-se de salivação excessiva

Complicações do refluxo

A exposição contínua de material ácido no esôfago leva, a longo prazo, às complicações da DRGE

a.) Ulcerações: a presença de esofagite grave pode levar a úlceras e erosões na parede do esôfago, causando grande desconforto

b.) Estenose do esôfago: a inflamação do esôfago pode ser tão grande que o edema (inchaço) formado no local pode dificultar a passagem de alimentos. O doente queixa-se de sensação de bolo na garganta e de impactação dos alimentos ingeridos.

c.) Dismotricidade esofágica: o esôfago é um órgão muscular que através de contrações sequenciais empurra o alimento ingerido em direção ao estômago. Ao contrário do que possa parecer, não é a gravidade que leva a comida para baixo. Ela com certeza ajuda, mas podemos engolir de cabeça para baixo que ainda assim, a comida chega ao estômago.

Com a inflamação crônica causada pela agressão ácida, a inervação e a musculatura do esôfago começam a ter dificuldades na sincronização dos movimentos, dificultando o transporte de alimentos da boca ao estômago, colaborando também para os sintomas de impactação e bolo na garganta.

d.) Esôfago de Barret: a agressão crônica às células do esôfago pelo ácido estomacal faz com que elas sofram transformações e passem a ter características de células intestinais. A essa alteração estrutural do tecido esofagiano damos o nome de esôfago de Barret. Essa células alteradas apresentam maior risco de transformação em câncer, podendo levar ao adenocarcinoma do esôfago (leia: CÂNCER (CANCRO) - SINTOMAS E DEFINIÇÕES). Portanto, um refluxo contínuo, levando à esofagite, é um fator de risco para câncer do esôfago.

Na maioria das vezes o refluxo e a esofagite são diagnosticados pela endoscopia digestiva alta. É importante salientar que até 25% dos pacientes com refluxo podem tê-lo de forma leve, não apresentando alterações à endoscopia digestiva. Uma endoscopia normal não descarta o diagnóstico de DRGE.

Gravidade da esofagite

Existem 2 classificações que visam graduar a gravidade da lesões no esôfago a partir dos achados na endoscopia digestiva alta:

1.) Classificação de Savary-Miller = Varia de 0 a 5. Quanto maior o grau mais grave é a lesão, sendo o grau 5 indicativo de esôfago de Barret.

2.) Classificação de Los Angeles = Varia de A a D, sendo A a lesão mais simples e D a mais grave.

Tratamento do refluxo gastroesofágico

O tratamento do refluxo depende do grau do mesmo. Casos leves podem ser tratados apenas com mudanças dos hábitos de vida, enquanto que casos mais graves podem necessitar de correção cirúrgica.

1.) Alterações nos hábitos de vida

- Elevação da cabeceira da cama. Pode-se colocar algum livro ou bloco em baixo dos pés da cama para se elevar a cabeceira em uns 20 cm. Pessoas com EEI incompetente apresentam piora do refluxo ao deitar, quando a gravidade já não mais dificulta o conteúdo gástrico de alcançar o esôfago.

- Não se deitar por pelo menos 1,5 a 2h após as refeições. Evite comer grandes quantidades de uma só vez. Quanto mais cheio fica o estômago, maior o risco de refluxo.

- Alguns alimentos pioram os sintomas de quem tem DRGE, entre eles: àlcool, refrigerantes, frituras, pimenta, chocolate, sucos cítricos e molho de tomate.

- Evitar cigarro

- Mastigar chicletes após as refeições reduz os sintomas em alguns pacientes.

2.) Medicamentos

Aqueles com sintomas moderados ou nos quais as medidas educacionais não surtiram efeito devem ser tratados com medicamentos a fim de impedir uma esofagite mais grave e o aparecimento do esôfago de Barret.

Os inibidores da bomba de prótons são drogas que diminuem a secreção de ácido pelo estômago, diminuindo assim o risco de lesão do esôfago naqueles com refluxo. Os mais conhecidos são: Omeprazol, Lansoprazol e Pantoprazol. A Ranitidina pertence a outra classe de drogas, mas também reduz a acidez estomacal, porém, sua potência é inferior a dos inibidores de bomba. O tempo mínimo de tratamento é de 8 semanas.

3.) Cirurgia

A cirurgia para restabelecer a competência do EEI pode ser necessária nos pacientes que não respondam as medidas acima e mantenham sintomas intensos. Doentes com esofagite grave, estenose do esôfago ou com esôfago de Barret também são candidatos à cirurgia.

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ESTERÓIDES ANABOLIZANTES | Efeitos colaterais

Conheça os anabolizantes mais usados e seus principais efeitos colaterais.

Os esteróides anabolizantes são um grupo de hormônios ligados aos androgênios, os hormônios masculinos. São usados para melhorar a performance atlética e estimular o ganho de massa muscular.

O androgênio natural produzido pelo nosso organismo é a testosterona, responsável pela maior massa muscular, pela característica distribuição de pelos e pela voz mais grossa do sexo masculino. Os hormônios masculinos são produzidos nos testículos e na supra-renal.

Muitos atletas e frequentadores de academia têm feito uso de androgênios sintéticos visando aumento de performance competitiva e aumento de massa muscular para fins estéticos.

AnabolizantesEntre os mais comum podemos citar a Nandrolona (Deca Durabolin), estanozolol (Winstrol), androstenediona (Andro)*, dehidroepiandrosterona (DHEA)*, Oxandrolona (Anavar), Oximetolona (Anadrol-50 ), dihidrotestosterona (DHT) e a metiltestosterona.

* Parecem não oferecer real ganho de massa muscular

Os androgênios são usados na medicina desde a década de 30 e até hoje apresentam muitas finalidades na área médica, como no tratamento da caquexia em doentes com câncer e HIV, nos jovens com atraso de puberdade, no hipogonadismo, na andropausa, etc...

Desde 2002 surgiu uma nova classe de esteróides anabolizantes sintéticos, chamados de "designer steroids", voltados exclusivamente para atletas, já que foram desenhados para não serem detectados nos exames anti-doping. São drogas não testadas em estudos clínicos e não aprovadas para uso médico. São a classe mais perigosa de anabolizantes uma vez que não havendo trabalhos científicos sobre seus riscos e efeitos, os usuários acabam sendo as próprias cobaias.

Os mais famosos são:
Tetrahidrogestrinona (THG)
Desoximetiltestosterona (Madol)
Norboletona (Genabol)

Efeitos colaterias dos anabolizantes

- Testículos
Diminuem a função dos testículos levando a supressão da produção de testosterona natural, reduzindo a produção de espermatozóides e causando sua atrofia (diminuição de tamanho).

- Ginecomastia (leia: GINECOMASTIA MASCULINA (mama masculina))
É o termo usado para o aparecimento de mamas nos homens. Normalmente a testosterona é convertida em parte para o hormônio feminino estradiol. Quando se toma grandes quantidades de testosterona, grandes quantidades viram estradiol e estimulam o desenvolvimento de mamas. Nem todos os esteróides anabolizantes causam ginecomastia. Alguns como a dihidrotestosterona não são convertidos em estrogênio.

- Eritrocitose
É o aumento dos glóbulos vermelhos (hemácias). É o oposto da anemia.

- Hepatite (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES )
Alguns androgênios são tóxicos ao fígado, podendo levar a hepatite e falência hepática. Um dos principais é o estanozolol (Winstrol).

- Coração
Parece haver um maior risco de morte súbita por doenças cardíacas em usuários de anabolizantes, mesmo naqueles que são jovens e não apresentam doença cardíaca prévia. Alguns anabolizantes também aumentam os níveis de colesterol LDL e reduzem o colesterol HDL (leia: COLESTEROL BOM (HDL) E COLESTEROL RUIM (LDL))

Existe também uma incidência maior de hipertensão nos usuários de esteróides anabolizantes (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA...).

- Pele
Além de acelerar o processo de calvície, pode produzir acne grave. Na foto abaixo o usuário desenvolveu uma acne tão extensa que quase morreu de sepse (Leia: O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ?). As cicatrizes ficarão para sempre.

Anabolizantes

- Outros
Os esteróides também são associados a insuficiência renal (leia: ENTENDA A INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA ), glomerulonefrites (leia: O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE ?), câncer de próstata (SINTOMAS DO CÂNCER DE PRÓSTATA), alteração da voz, comportamentos agressivos e distúrbios psiquiátricos.

- Adolescentes
Os anabolizantes interrompem o crescimento e aceleram a puberdade se tomados quando muito jovem.

- Mulheres
Talvez os efeitos mais drásticos ocorram no sexo feminino. As mulheres passam desenvolver características masculinas como voz grossa, alargamento da mandíbula, aumento do clitóris, calvície, crescimento de pelos na face e cessação da menstruação.

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MITOS E VERDADES SOBRE VITAMINAS

Leia sobre as verdadeiras funções das vitaminas e descubra o que é verdade e o que é mito.

As vitaminas são compostos orgânicos encontrados em plantas e animais. São necessárias em pequenas quantidades para o metabolismo normal do corpo. Os seres humanos não sintetizam vitaminas (exceto vitamina D) e por isso dependem exclusivamente da alimentação para prover os níveis necessários.

Cada vitamina tem estrutura e função diferente no organismo. São 13 as vitaminas essenciais:
    Vitaminas
  • Vitamina A - Retinol
  • Vitamina B1 - Tiamina
  • Vitamina B2 - Riboflavina
  • Vitamina B3 - Niacina
  • Vitamina B5 - Ácido pantotênico
  • Vitamina B6 - Piridoxina
  • Vitamina B7 - Biotina
  • Vitamina B9 - Ácido fólico
  • Vitamina B12 - Cianocobalamina
  • Vitamina C - Ácido ascórbico
  • Vitamina D - Calciferol
  • Vitamina E - Tocoferol
  • Vitamina K - Filoquinona
As vitaminas são divididas em hidrossolúveis e lipossolúveis.

As lipossolúveis são armazenadas no tecido gorduroso (adiposo) para que o organismo possa usá-las quando necessitar. Praticamente não há excreção destas vitaminas, tudo que é ingerido e não aproveitado no momento, é estocado para momentos de escassez. São vitaminas lipossolúveis as A,D,E e K.

As hidrossolúveis como o próprio nome indica, diluem-se na água e são facilmente excretadas na urina. Praticamente não há armazenamento destas no organismo e todo o excesso é eliminado. São vitaminas hidrossolúveis a família da vitamina B e a vitamina C.

Se por um lado as vitaminas lipossolúveis têm a vantagem de poder serem armazenadas, por outro, como não são eliminadas pela urina, uma ingestão em excesso pode levar a um quadro de hipervitaminose, que em última análise, pode causar a morte. Portanto, existem doenças devido a falta, mas também ao excesso de vitaminas.

A deficiência de vitaminas pode ocorrer por falta de ingestão adequada ou por algum distúrbio que impeça a sua absorção e utilização, ocasionando sua eliminação nas fezes.

Antes de falar especificamente sobre cada vitamina é importante esclarecer alguns mitos, muito propagados na mídia:
  • Vitaminas não dão "energia" ou "força"
  • Vitaminas não combatem o estresse
  • Vitaminas não previnem gripe
  • Vitaminas não estimulam o apetite sexual
  • Vitaminas não estimulam o cérebro
  • Vitaminas não combatem o colesterol
  • Vitaminas não melhoram cansaço físico ou mental
  • Vitaminas não previnem doenças além daquelas causadas pela sua falta
  • Vitaminas não melhoram o apetite
  • Vitaminas não substituem exercícios físicos
  • Vitaminas não engordam ou emagrecem
  • Vitaminas não substituem uma refeição
  • A maioria das pessoas consegue todas as vitaminas necessárias na alimentação e não precisam de suplementação
1.) Vitaminas lipossolúveis:

VITAMINA A

- Fontes: Encontrada em cenouras, ovos , leite, peixes, frutas amarelas, brócolis, espinafre e fígado.

- Deficiência: Causa cegueira, lesões de pele e alterações no crescimento ósseo.

- Intoxicação: Náuseas, vômitos, distúrbios neurológicos, hepatite, queda de cabelo.

- Recomendações: não há indicações para suplementação de vitamina A a não ser que haja evidências de sua deficiência ou doenças que predisponham a mesma como Fibrose cística, Doença de Crohn, insuficiência pancreática e Doença celíaca.

Suplementação em excesso de vitamina A parece estar relacionado ao aumento da incidência de alguns cânceres, como o de pulmão em fumantes.

VITAMINA D

- Fontes: Peixes, leite, ovos, fígado e através da exposição ao sol.

- Deficiência: Osteomalácia (ossos fracos) no adultos e raquitismo nas crianças.

- Intoxicação: Excesso de cálcio sanguíneo, lesão renal, lesão óssea.

- Recomendações: Pessoas com pouca exposição solar, principalmente nos países fora dos trópicos e idosos normalmente apresentam deficiência de vitamina D, uma vez que a principal fonte é a produção da pele pelo estímulo solar. Nestes casos indica-se doses de até 800UI dia. Pode se acompanhar os valores de vitamina D através de análises de sangue.

A vitamina D é produzida na pele mas é ativada pelos rins. Doentes com insuficiência renal necessitam de suplementos da forma ativada. A forma vendida nos multivitamínicos é a inativa, que precisa de um rim saudável para funcionar.

VITAMINA E

- Fontes: Óleos vegetais, nozes, castanha, avelã, espinafre, leite, arroz, pão, massas.

- Deficiência: Alterações musculares, neurológica e morte prematura dos glóbulos vermelho(hemácias).

- Intoxicação: Não existe nenhuma síndrome bem caracterizada pela excesso de vitamina E. Porém, alguns trabalhos demonstraram uma maior mortalidade em pacientes que faziam complementação com vitamina E. Não há nenhuma causa específica de morte, as pessoas simplesmente vivam menos que o grupo sem suplementação com vitamina E.

- Recomendações: A vitamina E é das vitaminas mais facilmente encontrada em alimentos e por isso sua deficiência é rara. Só indica-se suplementação naqueles com doenças que impedem a absorção da vitamina ingerida: Fibrose cística, Doença de Crohn (leia: ENTENDA A DOENÇA DE CROHN E A RETOCOLITE ULCERATIVA), insuficiência pancreática e Doença celíaca.

A vitamina E parece estimular a produção de espermatozóides e pode ser indicada no tratamento de infertilidade masculina.

VITAMINA K

- Fontes: Folhas verdes, queijos, chocolate, frutas

- Deficiência: A vitamina K é um importante fator na cascata da coagulação e sua deficiência causa hematomas, equimoses e hemorragias. Excesso de vitamina A e E podem inativar a vitamina K.

- Intoxicação: Lesão no fígado e anemia.

- Recomendações: A deficiência de vitamina K em adultos é rara e está relacionado a longos cursos de antibióticos e as doenças que impedem a absorção das vitaminas lipossolúveis já descritas acima.

Em pacientes anticoagulados com varfarina que apresentam sangramentos , podem ser tratados com doses de vitamina K (leia: INTERAÇÕES COM A VARFARINA (MAREVAN, VARFINE, COUMADIN))

2.) Vitaminas hidrossolúveis:

A família das vitaminas B e a vitamina C são hidrossolúveis e não acumulam no organismo. Por isso é muito raro quadros de intoxicação. Como não são estocadas no corpo, faz-se necessário o consumo constante destas vitaminas. Como são nutrientes ricos em vários alimentos, sua deficiência ocorre principalmente em desnutridos e alcoólatras.

As principais doenças por falta de vitaminas hidrossolúveis são:

Vitamina C

- Escorbuto.

Muito comum na época dos descobrimentos, quando os viajantes passavam vários meses no mar, o escorbuto é hoje doença de desnutridos, alcoólatras e toxicodependentes.

Manifesta-se como hemorragias gengivais, alterações na cicatrização, lesões de pele e dores articulares.

Não há comprovação que a vitamina C previna gripes e resfriados (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO), muito menos cânceres.

A ingestão de vitamina C aumenta a absorção de ferro pelo trato gastrointestinal e normalmente é indicada em doentes com anemia por deficiência de ferro (leia: O QUE É ANEMIA ?).

Consumo em excesso de vitamina C parece estar associado a uma maior incidência de cálculos renais (CÁLCULO RENAL (PEDRA NOS RINS) - Por que ele surge ?)

Outras deficiências:

Vitamina B1 - Beriberi
Vitamina B3 - Pelagra
Vitamina B9 (ácido fólico) - leia: GRAVIDEZ E ÁCIDO FÓLICO
Vitamina B12 - Anemia megaloblástica

Conclusão:

Os benefícios das vitaminas são muito superestimados. Elas são necessárias para se ter saúde, mas doses acima do recomendado não trazem nenhum benefício; pelo contrário.

Os multi vitamínicos costumam ter doses baixas de cada vitamina. No final, não fazem mal, mas também não trazem nenhum benefício. São praticamente placebos.

Muitas pessoas confundem os benefícios das vitaminas com os das proteínas, e acham que podem engordar ou ficarem mais fortes aumentando o consumo das mesmas. Vitamina não engorda, vitamina não dá força, vitamina não ajuda a criar músculos.

Uma dieta normal provém quantidades suficientes de vitaminas, com a vantagem de também proporcionar outros nutrientes como proteínas, carboidratos, fibras etc...

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